quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Aldeia -Crónica da ida de 28.01.2006 (Candemil)

Sábado, 28 de Janeiro de 2005. 9:15h da manhã. Muito frio e prognósticos de
precipitação em forma de neve, nas terras mais altas do continente. Os
primeiros a chegar, além do Jorge, foram os que vieram de fora da cidade:
Eu e a Teresa. O "briefing" inicial foi na "Porto Rico". Toma-se o pequeno
almoço, fuma-se o primeiro cigarro e, como já vem sendo hábito,
abastecemo-nos de comida e bebida para o almoço em Candemil.

Com todos presentes, fez-se o plano de actividades para o dia,
distribuiram-se as pessoas pelos carros e partimos. Lá seguiu um comboínho
pela auto-estrada, com partes da faixa direita vedada ao trânsito devido ao
gêlo. O meu carro, que era o último, decidiu ficar para trás em Padornelo,
pois não resistiu à oferta matinal de pão fresco.

Em Candemil fomos ter com o pe. Vilar. Combiná-mos encontrar-mo-nos com
ele, daí a pouco, na casa paroquial, onde normalmente nos reunimos antes e
depois das actividades. A reunião foi interessante e proveitosa. Ficámos a
conhecer melhor o pe. Vilar e ele a nós. Divulgámos-lhe as nossas
experiências da última visita e ele deu-nos algum retorno do que se
comentou na nossa ausência, sobre o nosso trabalho. Manifestámos-lhe as
nossas intenções de actuação em relação aos casos de famílias em Candemil e
em Bustelo, que já conhecemos.

Chegada a hora de almoço, reunimos os "F. & B.", começou a nevar e comemos,
enquanto planeávamos a tarde. Estabelecemos que tería que haver um
responsável por caso, saído daqueles que mostraram disponibilidade em ir à
aldeia de quinze em quinze dias. Assim, em Candemil, ficaram responsáveis:
A Benedita pela D. Al.; Eu pela D. M. C.; A Mónica pela D. Ar.; O Tiago
pela D. Ad. A estes responsáveis juntar-se-ão os que não puderam assumir a
presença em todas as visitas. Neste Sábado, o Jorge acompanhou a Benedita,
a Teresa acompanhou-me a mim e a Mónica e o Tiago acompanharam-se
mutuamente, nos seus dois casos. Pelo que me transmitiram, acabaram por ir
com a D. Ar. a casa da D. Ad. A D. Ar. é muito querida e acompanha-nos
sempre que lá vamos. Tem 91 anos e só se sente cansada quando pára. Mostra
mais vitalidade do que muitas das suas conterrâneas que já conhecemos e que
são mais novas. Ainda nos convidou a todos para um chá em sua casa ao fim
do dia, convite que só foi aceite pela Mónica e pelo Tiago, uma vez que
nós, os outros, já estávamos no "debriefing".

A equipa da D. Al. e a minha também nos decidimos juntar, nas duas visitas
que tínhamos a fazer. Dirigimo-nos à casa da tal família problemática,
apesar de sabermos que poderiam estar a trabalhar no campo e de que a filha
da D. Al. não estaría. A ausência desta foi um pouco frustrante porque
temos a intenção de a ajudar a procurar emprego e, eventualmente, a
candidatar-se ao regresso do filho, que se encontra aos cuidados da
Segurança Social. Lá estavam todos os outros, menos o sobrinho e o marido
da D. Al., num campo perto de casa, a cortar erva e a apanhar mato.
Atravessámos um rio a vau e fomos falar com o filho mais novo. Ele tínha-se
escapado do nosso contacto na primeira visita. No Sábado pouco falou, mas
já não nos largou até nos irmos embora. Acompanhámos a D. Al. na recolha
das vacas, de que cuida, ao estábulo. Começou a chover e fizémo-nos ao
caminho de regresso. Em casa da D. M. C. lá estava a salamandra acesa, a
porta aberta e uma amiga a fazer companhia. Despimos os casacos molhados,
puxámos bancos e cadeiras e encetámos conversa. Foi uma amena cavaqueira a
seis. Perguntávamos coisas à nossa anfitriã e era a amiga que respondia por
ela e pela D. M. C. De tal forma que já não sabíamos se estávamos a falar
da família e das doenças da D. M. C. (aquilo que nos interessava) ou das da
amiga. Enfim: Hilariante! A D. M. C. tem oito filhos, sendo que metade vive
em França onde o falecido marido também chegou a trabalhar. Foi numa visita
aos filhos, lá, que teve o acidente que lhe causou a parilisía do braço
direito. Além disto, tem diabetes. Gostava muito de saber ler, pois
entretêr-se-ia melhor no dia-a-dia. Apesar da parilisía vive sózinha e não
precisa da ajuda de ninguém para a lida doméstica. Ainda a ajudámos a
reunir alguma lenha para a salamandra, antes de nos irmos embora, mas só
depois de termos insistido muito que a queríamos ajudar. A Teresa
lembrou-se da possibilidade de, além de lhe lermos a bíblia, de que a D. M.
C. muito gosta, ensinar-mo-la a lêr. A ideia está a animar-me muito!

No fim do dia reunimo-nos todos (dos dois grupos, das duas aldeias) para o
tal "debriefing" e para o preenchimento das fichas de caso e dos relatórios
de visita.

Nuno de Sacadura Botte

3 comentários:

Anónimo disse...

N,

Impecs a tua crónica! É uma alegria podermos conhecer cada vez melhor o quotidiano das pessoas que visitamos, quinzenalmente, na "nossa" aldeia.

bjs

Anónimo disse...

Muito bom...fico cheia de vontade de participar tb..Parabens!!

**Joana

Anónimo disse...

Nuno,quem ler a tua crónica vai sentir que esteve nessas paragens...perto dessas vidas!
Um beijo!