Olá a todos!
Eu sou a Joana, a mais nova do grupo de visitantes das nossas queridas tias e, se não me engano, tio de Amarante.
Depois de já dois meses de férias, regressei às Aldeias. Apesar de um regresso um bocado confuso, pois só consegui ir ter a Amarante depois do almoço, estava bastante entusiasmada por conhecer as novas senhoras de Ansiães (a "minha" Aldeia). Fui com a Marta e o Adriano e começámos logo pela D. Ondina, uma senhora fora de série, cheia de energia, que falou literalmente a visita toda. Entre política (estavamos em véspera de eleições), mortes, a sua enorme família (tem 8 filhos a viver entre Porto, Lisboa, Algarve e França) e ensinamentos linguísticos, foi difícil conseguir acompanhar o ritmo speedado desta engraçadíssima senhora. Para terminar em beleza, espetou-nos aos três 4 beijos "à francesa" , disse-nos ela.
Em seguida, fomos a casa da D. Aldina, também a minha primeira vez, e fomos recebidos com um enorme sorriso desta tia sentada na varanda a apreciar a vista e o alto dia de sol que estava. Conversámos um bom bocado e tratou-nos como se fossemos da família. Insistiu imenso para que bebêssemos a água pura da fonte ao lado da sua casa.
Já atrasados, fomos bater à porta da Tia Rita (por quem eu tenho uma especial empatia, se me é permitido) que estava a lanchar. Ficou furiosa por só estamos a vir agora, já pensava que não vínhamos. Ao contrário das outras tias, a Tia Rita é completamente autónoma e é ela que cozinha e limpa a casa. Além disso, tem a vida toda organizadinha e por isso não gostou muito que lhe viéssemos interromper o lanche. No entanto, depois de nos por na linha, insistiu imenso e lá nos ofereceu um chá de hortelã divinal. Conversámos sobre as eleições, o seu amor (irónico) ao Sócrates, entre outras coisas. O que teve mais piada foi o facto de achar que conhecia o Adriano de algum lado, dizia ela: "Eu tenho a certeza que já vi alguém igual a ele". Sem chegarmos a nenhuma conclusão, tivemos de sair à pressa, porque ainda nos faltava a D. Carminda, com a promessa de na próxima visita estarmos lá às 15h.
Com a Tia Carminda já não conseguimos estar muito tempo, mas ainda conseguimos trocar umas palavras com ela e com os familiares que estavam. Não falou muito, porque estava fraquinha, mas surpreendeu-me carinhosamente com um beijinho na mão. Sentir as mãos daquela senhora, com aquele sorriso encheu-me o dia!
Cansados, mas felizes, juntámo-nos a grupo que nos esperava em Basseiros a comer uvas.
Conversámos um bocado e despedimo-nos cada um de volta ao seu dia-a-dia, mas sempre com estas senhoras connosco, prontos para voltarmos daqui a um mês ou até antes...
Joana Leite de Castro | Ansiães
Famílias, Aldeias e Sem Abrigo estas são as nossas áreas de acção. Um grupo de jovens do Porto, que no CREU têm uma casa, lançam mãos aos desafios que lhes surgem.
quinta-feira, outubro 08, 2009
quarta-feira, outubro 07, 2009
Sessão de Esclarecimento
Sessão de esclarecimento a novos voluntários:
Dia 08 (quinta-feira), às 20h no CREU.
Se estás interessado(a) em fazer voluntariado, aparece!
Vem conhecer-nos!
Podes enviar um e-mail para:
fasrondas@gmail.com
Dia 08 (quinta-feira), às 20h no CREU.
Se estás interessado(a) em fazer voluntariado, aparece!
Vem conhecer-nos!
Podes enviar um e-mail para:
fasrondas@gmail.com
sexta-feira, setembro 25, 2009
Crónica da Ronda da Boavista - 20.09.09
No Sábado, o José Luís Artur, s.j., contactou-nos dizendo que adoraria acompanhar-nos numa das nossas rondas. O José Luís esteve estes últimos 3 anos em Braga a estudar filosofia e aí, junto do CAB, foi um grande dinamizador das rondas junto dos sem-abrigo.
Obviamente aceite a sua proposta (!) foi com grande entusiasmo que combinamos com o José Luís logo para o dia seguinte!
Já no Domingo, aproveitamos a presença de um s.j. para lhe "cravar" a celebração da nossa oração antes da partida!
No final da ronda, ainda lhe "cravamos" uma "pequenas palavras" em jeito de crónica!
São aquelas que seguem:
Há muito que tinha vontade de conhecer as rondas do Porto. Durante algum tempo fi-las em Braga e tinha curiosidade de ver como é numa cidade bem maior, a uma escala diferente, e com fama de funcionarem muito bem. Na verdade essa escala acabei por não a notar muito, no sentido de que a cidade é dividida por 5 (aí sim) rondas, mas cada uma delas acaba por ser parecida em vários aspectos ao que se faz em Braga. O que claramente me chamou a atenção foi o tempo que dedicam a cada pessoa. Há tempo para cada um se sentir escutado e isso marca a diferença. Num tempo em que se tem pouco tempo de qualidade para escutar o outro, fazê-lo com quem quer que seja, e neste caso particular com os mais pobres é motivo de louvor e um exemplo vivo da mais saudável compaixão. Continuem assim.
José Luís Artur s.j.
João Varela
quinta-feira, setembro 24, 2009
Crónica das Aldeias 12.09.2009
O Recomeço ...
Regressadas e regressados das tão merecidas férias laborais/estudantis, eis-nos de volta às "nossas" aldeias.
Desta vez, a partida deu-se com a triste noticia de que 3 companheiros não mais nos poderiam acompanhar, por diversos motivos e, por tal, deixo um abraço à Luísa, ao Jorge e ao Frederico, com a devida nota de que as "nossas portas" estarão sempre abertas ao vosso regresso.
Chegados ao local do repasto habitual, tínhamos a nossa espera o "Super cão" que fez questão de nos acompanhar durante as palavras da Cláudia na retrospectiva do ano de visitas de 2008/2009.
Tomadas as novas decisões e dados os respectivos recados e depois de saciada a fome, partimos para as nossas aldeias.
Basseiros, a minha aldeia, da Gina, da Ana e da Beatriz, encontrava-se na mesma pacatez de sempre e claro, mui caliente!
A primeira visita é sempre as três senhoras: a D. Deolinda, a D. Aurora e a D. Maria.
E que bela surpresa tivemos nesta visita! A D. Maria, que se encontrava "acamada" há bastante tempo, estava nem mais nem menos, sentadinha cá fora à sombra e veio pelo seu próprio pé!!!
Segundo a D. Deolinda, que aparentava estar bem e estava bastante conversadora, o que trouxe a D. Maria cá para fora foi mesmo o calor, pois não aguentava mais estar na cama.
Foi uma bela surpresa!
Para esmorecer esta alegria soubemos que a sempre bem disposta D. Aurora foi para França para casa da filha e que só deverá regressar lá pela Páscoa!!!
Aguardemos o seu regresso e o regresso das suas cantigas e histórias!
Mais uma vez não encontramos a D. Glória, mas o marido assegurou-nos que está bem de saúde.
Também a D. Conceição não estava em casa! Terá ido para casa do filho para Amarante.
Dadas as ausências das nossas senhoras, e o facto de que àquela hora a nossa última visita, a D. Dulce, costuma estar a descansar, também nós decidimos descansar da íngreme subida para casa da D. Conceição.
Sentadas a sombrinha e a desfrutar das belas vistas estivemos na "converseta"!.
De novo partimos, desta vez para a visita às irmãs, a D. Dulce e a D. Arminda! A subida nunca é fácil! Se já custa a subida para casa da D. Conceição, para casa da D. Dulce é sem palavras!
A D. Dulce já tinha feito a sesta e estava sentada na sua cadeira de rodas à sombrinha, a ver os netos e as filhas a prepararem-se para ir até ao rio refrescar. A D. Arminda estava em casa de uma filha.
Terminadas as visitas regressamos ao Porto, não sem antes fazermos uma oração especial à D.Cidália, uma das senhoras que recentemente começara a ser visitada em Ansiães, que partiu para junto do Pai.
Antonieta Oliveira | Basseiros
Regressadas e regressados das tão merecidas férias laborais/estudantis, eis-nos de volta às "nossas" aldeias.
Desta vez, a partida deu-se com a triste noticia de que 3 companheiros não mais nos poderiam acompanhar, por diversos motivos e, por tal, deixo um abraço à Luísa, ao Jorge e ao Frederico, com a devida nota de que as "nossas portas" estarão sempre abertas ao vosso regresso.
Chegados ao local do repasto habitual, tínhamos a nossa espera o "Super cão" que fez questão de nos acompanhar durante as palavras da Cláudia na retrospectiva do ano de visitas de 2008/2009.
Tomadas as novas decisões e dados os respectivos recados e depois de saciada a fome, partimos para as nossas aldeias.
Basseiros, a minha aldeia, da Gina, da Ana e da Beatriz, encontrava-se na mesma pacatez de sempre e claro, mui caliente!
A primeira visita é sempre as três senhoras: a D. Deolinda, a D. Aurora e a D. Maria.
E que bela surpresa tivemos nesta visita! A D. Maria, que se encontrava "acamada" há bastante tempo, estava nem mais nem menos, sentadinha cá fora à sombra e veio pelo seu próprio pé!!!
Segundo a D. Deolinda, que aparentava estar bem e estava bastante conversadora, o que trouxe a D. Maria cá para fora foi mesmo o calor, pois não aguentava mais estar na cama.
Foi uma bela surpresa!
Para esmorecer esta alegria soubemos que a sempre bem disposta D. Aurora foi para França para casa da filha e que só deverá regressar lá pela Páscoa!!!
Aguardemos o seu regresso e o regresso das suas cantigas e histórias!
Mais uma vez não encontramos a D. Glória, mas o marido assegurou-nos que está bem de saúde.
Também a D. Conceição não estava em casa! Terá ido para casa do filho para Amarante.
Dadas as ausências das nossas senhoras, e o facto de que àquela hora a nossa última visita, a D. Dulce, costuma estar a descansar, também nós decidimos descansar da íngreme subida para casa da D. Conceição.
Sentadas a sombrinha e a desfrutar das belas vistas estivemos na "converseta"!.
De novo partimos, desta vez para a visita às irmãs, a D. Dulce e a D. Arminda! A subida nunca é fácil! Se já custa a subida para casa da D. Conceição, para casa da D. Dulce é sem palavras!
A D. Dulce já tinha feito a sesta e estava sentada na sua cadeira de rodas à sombrinha, a ver os netos e as filhas a prepararem-se para ir até ao rio refrescar. A D. Arminda estava em casa de uma filha.
Terminadas as visitas regressamos ao Porto, não sem antes fazermos uma oração especial à D.Cidália, uma das senhoras que recentemente começara a ser visitada em Ansiães, que partiu para junto do Pai.
Antonieta Oliveira | Basseiros
quinta-feira, setembro 17, 2009
Crónica da visita à UHSA - 13-09-2009
Depois do Verão, fomos apenas três, ainda com parte do grupo em férias e a precisar de reforços com todo o gosto em receber novos voluntários.
Logo à entrada fomos bem recebidas por quem estava no exterior pois alguns continuam lá desde a visita de Agosto. Ao entrar na sala de convívio todos pareciam não querer deixar os filmes e séries. A pouco e pouco fomos conversando com cada um e começaram a aderir, fazendo a apresentação habitual com o jogo do novelo. Mesmo os que de início não queriam participar acabaram por se juntar. Além das nacionalidades que costumamos encontrar havia duas presenças curiosas: da Libéria e da Eritreia, países que depois fomos procurar a localização no mapa.
A maioria do grupo participou no jogo das bolas. Com os restantes fomos conversando, entre pedidos de ajuda e partilha de histórias de vida.
Nesta tarde sentimos em especial uma alegria e união que surgiram naturalmente, sem ser necessário qualquer esforço para "quebrar o gelo".
Despedimo-nos cumprimentando pessoalmente cada um e todos se revelaram agradecidos, alguns com pena de a visita ser curta.
Ao sair já os imigrantes estavam a voltar às suas actividades e nós às nossas vidas mas todos com o coração mais enriquecido com gestos simples que o preenchem.
Amélia Aleixo
Logo à entrada fomos bem recebidas por quem estava no exterior pois alguns continuam lá desde a visita de Agosto. Ao entrar na sala de convívio todos pareciam não querer deixar os filmes e séries. A pouco e pouco fomos conversando com cada um e começaram a aderir, fazendo a apresentação habitual com o jogo do novelo. Mesmo os que de início não queriam participar acabaram por se juntar. Além das nacionalidades que costumamos encontrar havia duas presenças curiosas: da Libéria e da Eritreia, países que depois fomos procurar a localização no mapa.
A maioria do grupo participou no jogo das bolas. Com os restantes fomos conversando, entre pedidos de ajuda e partilha de histórias de vida.
Nesta tarde sentimos em especial uma alegria e união que surgiram naturalmente, sem ser necessário qualquer esforço para "quebrar o gelo".
Despedimo-nos cumprimentando pessoalmente cada um e todos se revelaram agradecidos, alguns com pena de a visita ser curta.
Ao sair já os imigrantes estavam a voltar às suas actividades e nós às nossas vidas mas todos com o coração mais enriquecido com gestos simples que o preenchem.
Amélia Aleixo
terça-feira, setembro 08, 2009
Acolhimento de Novos Voluntários - 17 de Setembro
Olá a todos!
É já para a semana (Quinta-Feira | 17 de Setembro) que quem quiser conhecer e inscrever-se no FAS o poderá fazer.
O local de encontro será às 21h30, no CREU.
Estaremos lá à espera de todos os interessados para dar a conhecer um pouco o que é, e o que faz o FAS.
Todos os interessados poderão aparecer, e convidem pessoas que vos sejam próximas e que achem que poderão estar interessados no trabalho deste nosso grupo.
Cumprimentos,
FASRondas
É já para a semana (Quinta-Feira | 17 de Setembro) que quem quiser conhecer e inscrever-se no FAS o poderá fazer.
O local de encontro será às 21h30, no CREU.
Estaremos lá à espera de todos os interessados para dar a conhecer um pouco o que é, e o que faz o FAS.
Todos os interessados poderão aparecer, e convidem pessoas que vos sejam próximas e que achem que poderão estar interessados no trabalho deste nosso grupo.
Cumprimentos,
FASRondas
segunda-feira, agosto 03, 2009
Crónica das Aldeias 18.07.2009
Mais um ano...
Chegou ao fim mais um ano das nossas visitas às Aldeias do sopé do Marão.
Um ano cheio de boas recordações, um ano cheio de saudades … um ano cheio de desafios!
A missão que me propuseram para este ano não foi nada fácil. Ter de "gerir pessoas" é uma tarefa muito árdua, principalmente quando está em causa o bom funcionamento de um grupo e, consequentemente, o perfeito cumprimento de uma missão tão nobre quanto a nossa – levar alegria e amor às pessoas que visitamos. Num ano de novas pessoas, novas metodologias, novas regras tudo parecia, no inicio, um emaranhado de novidades e problemas para testar a nova coordenação.
Tivemos sábados mais complicados, em que o risco de não ter voluntários para as aldeias foi iminente, mas também tivemos outros em que conseguimos encher as casas das pessoas com um número muito elevado de voluntários. Registamos faltas, atrasos, assuntos discordantes! Organizamo-nos, ajustamo-nos, crescemos como grupo.
No final, o mais importante é que correu tudo bem! E, por isso, deixo aqui uma palavra a todos os voluntários das aldeias - aos que entraram, aos que saíram e aos que continuam – "obrigada pela vossa dedicação!".
Este ano ficou marcado por mais uma perda das "nossas senhoras". A nossa querida centenária de Ansiães, a D. Olívia, partiu. E com ela partiu o prazer de vermos uma nobre senhora envolta nas suas vestes negras (não esquecendo o típico chapéu), sentada na sua habitual cadeira a apanhar sol nas tardes quentes e que sempre nos lembrava que era a "pessoa mais velha do concelho". Ficará para sempre nos nossos corações. Obrigada D. Olívia por todo o seu amor.
Fomos, já quase no final do ano, "bater à porta" de mais três senhoras de Ansiães para iniciarmos as visitas. Foram apenas dois sábados, mas saímos com a sensação de que estas visitas pareciam existir desde sempre. "Eles fazem parte da minha família", podemos ouvir de uma das senhoras já com uma lágrima no olho. Será que merecemos todo este carinho? Obrigada "minhas (nossas) senhoras" pelo vosso afecto e ternura!
Não podia terminar esta crónica sem uma menção, e muito honrosa, ao fundador deste grupo. Não sei bem o que escrever, como também não soube o que dizer na nossa última oração partilhada - felizmente tenho uma "afilhada" que disse o que eu gostaria. Não estarás connosco fisicamente, mas em espírito jamais deixarás este grupo. Espero que todos saibamos seguir o teu exemplo.
Obrigada Jorge, por tudo!
Obrigada a todos.
Claudia Gonçalves | Ansiães
Chegou ao fim mais um ano das nossas visitas às Aldeias do sopé do Marão.
Um ano cheio de boas recordações, um ano cheio de saudades … um ano cheio de desafios!
A missão que me propuseram para este ano não foi nada fácil. Ter de "gerir pessoas" é uma tarefa muito árdua, principalmente quando está em causa o bom funcionamento de um grupo e, consequentemente, o perfeito cumprimento de uma missão tão nobre quanto a nossa – levar alegria e amor às pessoas que visitamos. Num ano de novas pessoas, novas metodologias, novas regras tudo parecia, no inicio, um emaranhado de novidades e problemas para testar a nova coordenação.
Tivemos sábados mais complicados, em que o risco de não ter voluntários para as aldeias foi iminente, mas também tivemos outros em que conseguimos encher as casas das pessoas com um número muito elevado de voluntários. Registamos faltas, atrasos, assuntos discordantes! Organizamo-nos, ajustamo-nos, crescemos como grupo.
No final, o mais importante é que correu tudo bem! E, por isso, deixo aqui uma palavra a todos os voluntários das aldeias - aos que entraram, aos que saíram e aos que continuam – "obrigada pela vossa dedicação!".
Este ano ficou marcado por mais uma perda das "nossas senhoras". A nossa querida centenária de Ansiães, a D. Olívia, partiu. E com ela partiu o prazer de vermos uma nobre senhora envolta nas suas vestes negras (não esquecendo o típico chapéu), sentada na sua habitual cadeira a apanhar sol nas tardes quentes e que sempre nos lembrava que era a "pessoa mais velha do concelho". Ficará para sempre nos nossos corações. Obrigada D. Olívia por todo o seu amor.
Fomos, já quase no final do ano, "bater à porta" de mais três senhoras de Ansiães para iniciarmos as visitas. Foram apenas dois sábados, mas saímos com a sensação de que estas visitas pareciam existir desde sempre. "Eles fazem parte da minha família", podemos ouvir de uma das senhoras já com uma lágrima no olho. Será que merecemos todo este carinho? Obrigada "minhas (nossas) senhoras" pelo vosso afecto e ternura!
Não podia terminar esta crónica sem uma menção, e muito honrosa, ao fundador deste grupo. Não sei bem o que escrever, como também não soube o que dizer na nossa última oração partilhada - felizmente tenho uma "afilhada" que disse o que eu gostaria. Não estarás connosco fisicamente, mas em espírito jamais deixarás este grupo. Espero que todos saibamos seguir o teu exemplo.
Obrigada Jorge, por tudo!
Obrigada a todos.
Claudia Gonçalves | Ansiães
quinta-feira, julho 09, 2009
Crónica da visita aos imigrantes - 20.06.2009
Pelas 17:00 h, começaram a chegar ao portão grande da entrada os 7 voluntários para mais um encontro…não se sabia bem com quem. Sabia-se sim, que esse encontro seria feito com seres humanos controlados pela sociedade e maltratados pelo destino. Mulheres e homens, adultos e jovens, brancos e de cor. Do Segenal, da Nigéria, de Marrocos, da Itália, e de outras paragens. Sempre seres humanos, a quem se iria transmitir um pouco de humanidade desinteressadamente, e em total disponibilidade.
Feito o jogo de apresentação, vieram as conversas, os desabafos, misturando desilusões e sonhos.
Aproximadamente 60 minutos de companhia amigável, entre estranhos, só com a preocupação de tornar para cada um e cada uma aquele dia mais diferente, mais risonho, mais humano. Viemos com a certeza de que foi esse o nosso desejo e com a esperança de que isso mesmo tenha acontecido.
Feito o jogo de apresentação, vieram as conversas, os desabafos, misturando desilusões e sonhos.
Aproximadamente 60 minutos de companhia amigável, entre estranhos, só com a preocupação de tornar para cada um e cada uma aquele dia mais diferente, mais risonho, mais humano. Viemos com a certeza de que foi esse o nosso desejo e com a esperança de que isso mesmo tenha acontecido.
terça-feira, julho 07, 2009
Crónica das Aldeias - 04.07.2009
Foi um dia muito especial nas Aldeias, porque começamos a visitar novas pessoas em Ansiães. Depois do falecimento da D. Olívia, a nossa querida centenária, e da D. Maria Fernanda, decidimos visitar novas pessoas.
A Sofia da Progredir (associação que faz apoio domiciliário na região), levou-nos e apresentou-nos às pessoas que já aguardavam a nossa chegada. No Casal, encontramos a D. Ondina e a D. Cidália, ambas muito amorosas, com vontade de falar e de nos conhecer. Ficamos a saber um pouco das suas vidas e dos graus de parentes com outras senhoras que visitamos. Aliás na Aldeias todas as pessoas tem ligações
entre uns lugares e outros, basta ver que a D. Ondina é cunhada da D. Maria do Carmo de Candemil, ambas conhecidas como sapateiras!
Depois de animada conversa, despedimo-nos, e ainda ouvimos um “ Adeus, minha filha!” dedicada à Marta, que nos trouxe um sorriso com muita vontade de voltar e conhecer mais.
Fomos ao Peso, onde nos esperava a D. Aldina com um sorriso. Ela já nos conhecia! Tinha participado na festa de Natal em Bustelo, onde tinha dado o xaile ao menino Jesus no teatro que fizemos.
O marido faleceu no ano passado, e a família deu-lhe imenso apoio, em especial a neta de quem tanto se orgulha. Contou-nos como é tão importante o trabalho da Progredir, e como são tão boas as visitas das funcionárias que lhes levam o almoço e as ajudam na higiene nos dias da semana.
Mais uma vez falamos um pouco de nós e do que fazemos, e a D. Aldina contou-nos sobre a única vez que, por duas semanas, foi a França estar com o filho, e foi a Paris, mas não subiu à torre Eiffel. Falou-nos do tempo em que a vida era dura de trabalho, em só havia trabalho na floresta, com a carqueija ou o carvão. No final despedimo-nos com um grande abraço e um sorriso que nos encheu o coração.
Terminamos o dia sentindo totalmente que ajudamos um pouco com a solidão destas pessoas, e que recebemos tanto sem perceber!
Agradecidos por ter conhecido estas três senhoras que nos receberam tão bem, sem reticências ou receios, e com sorrisos tão grandes que nos encheram de vontade de voltar.
Obrigado às três!
Jorge Mayer | Ansiães
A Sofia da Progredir (associação que faz apoio domiciliário na região), levou-nos e apresentou-nos às pessoas que já aguardavam a nossa chegada. No Casal, encontramos a D. Ondina e a D. Cidália, ambas muito amorosas, com vontade de falar e de nos conhecer. Ficamos a saber um pouco das suas vidas e dos graus de parentes com outras senhoras que visitamos. Aliás na Aldeias todas as pessoas tem ligações
entre uns lugares e outros, basta ver que a D. Ondina é cunhada da D. Maria do Carmo de Candemil, ambas conhecidas como sapateiras!
Depois de animada conversa, despedimo-nos, e ainda ouvimos um “ Adeus, minha filha!” dedicada à Marta, que nos trouxe um sorriso com muita vontade de voltar e conhecer mais.
Fomos ao Peso, onde nos esperava a D. Aldina com um sorriso. Ela já nos conhecia! Tinha participado na festa de Natal em Bustelo, onde tinha dado o xaile ao menino Jesus no teatro que fizemos.
O marido faleceu no ano passado, e a família deu-lhe imenso apoio, em especial a neta de quem tanto se orgulha. Contou-nos como é tão importante o trabalho da Progredir, e como são tão boas as visitas das funcionárias que lhes levam o almoço e as ajudam na higiene nos dias da semana.
Mais uma vez falamos um pouco de nós e do que fazemos, e a D. Aldina contou-nos sobre a única vez que, por duas semanas, foi a França estar com o filho, e foi a Paris, mas não subiu à torre Eiffel. Falou-nos do tempo em que a vida era dura de trabalho, em só havia trabalho na floresta, com a carqueija ou o carvão. No final despedimo-nos com um grande abraço e um sorriso que nos encheu o coração.
Terminamos o dia sentindo totalmente que ajudamos um pouco com a solidão destas pessoas, e que recebemos tanto sem perceber!
Agradecidos por ter conhecido estas três senhoras que nos receberam tão bem, sem reticências ou receios, e com sorrisos tão grandes que nos encheram de vontade de voltar.
Obrigado às três!
Jorge Mayer | Ansiães
quinta-feira, junho 25, 2009
Crónica da Ronda da Areosa - 7.06.2009
O P. vai voltar para cá...
Há umas semanas conhecemos o P. Veio, a medo, com um amigo, e sentimos desde o primeiro aperto de mão a química que se sente com futuros-bons-amigos.
Falámos da vida dele e da nossa, e deixámo-nos levar pela empatia até não notarmos que o tempo passara.
Parece o início de um Amor... e daí se calhar Amor é simples como querer bem a quem partilha connosco um copo de leite ou de sopa ao Domingo.
Falámos de pais e de irmãs e namoradas, de empregos, livros e receitas de sopa.
Um dia, disse-nos que éramos a ligação dele ao mundo que fora o dele; e que vai voltar a ser, assim a força e a vontade das palavras se tornem actos corajosos.
Todos falhamos tantas vezes, e o P. continuará a falhar; mas não tarda, há de estar inteiro do nosso lado do mundo, que é o dele também. Obrigado!
Pedro Pardinhas
Há umas semanas conhecemos o P. Veio, a medo, com um amigo, e sentimos desde o primeiro aperto de mão a química que se sente com futuros-bons-amigos.
Falámos da vida dele e da nossa, e deixámo-nos levar pela empatia até não notarmos que o tempo passara.
Parece o início de um Amor... e daí se calhar Amor é simples como querer bem a quem partilha connosco um copo de leite ou de sopa ao Domingo.
Falámos de pais e de irmãs e namoradas, de empregos, livros e receitas de sopa.
Um dia, disse-nos que éramos a ligação dele ao mundo que fora o dele; e que vai voltar a ser, assim a força e a vontade das palavras se tornem actos corajosos.
Todos falhamos tantas vezes, e o P. continuará a falhar; mas não tarda, há de estar inteiro do nosso lado do mundo, que é o dele também. Obrigado!
Pedro Pardinhas
terça-feira, junho 23, 2009
Crónica das Aldeias - 20.06.2009
Mais um sábado, muito calor no Porto, avizinha-se um dia ainda mais quente nas aldeias do Marão. Estamos poucos, contudo os suficientes para assegurar as visitas, Por vezes, não nos é fácil conseguir conciliar todos os nossos compromissos, e lá temos de tomar a difícil decisão de não ir às aldeias. No entanto, independentemente do número de pessoas que vão leva-se sempre um bocadinho de todos, e o espírito do grupo está sempre presente! Uma das pequenas maravilhas deste grupo de aldeões!
Dada a temperatura decidimos almoçar na praia fluvial, a primeira vez este ano, o areal está um pouco descuidado, o nível de água em baixo, no entanto, o mesmo encanto de sempre, o verde, os pássaros, o barulho da água cheia de vida que corre, e estes sons maravilhosos que vão preenchendo o nosso almoço e abrindo caminho até casa de todas as pessoas que vamos visitar.
A Isabel e eu vamos para Candemil, chegamos um pouco cedo a D. Aurélia ainda está nas suas lides domésticas, oferece-nos umas cerejinhas fresquinhas enquanto dobra a roupa e nos vai contando do seu sobrinho do Alentejo que está de visita.
Lá vamos as três até casa da D. Alda que está um pouco melhor e nos recebe muito bem, como habitualmente. Apenas lamenta não nos poder oferecer o chá mas ainda não pode estar muito tempo de pé.
Despedimo-nos com uma troca de sorrisos e em até breve e vamos até casa da D. Maria do Carmo que continua num estado físico muito debilitado, mas presenteia-nos sempre com um sorriso.
Entre as várias conversas ficamos a saber que na próxima semana também decorrerão os festejos do S. João, e há duas belas sardinhadas, uma delas na praia fluvial. Esperemos que todas se divirtam e que seja um espaço de lazer, mas também de amizade e partilha. Assim, a solidão vai-se esbatendo…
Enquanto calcorreávamos as ruelas de Candemil ouvíamos uma rola, e dizia-nos a D. Aurélia que a rola dizia “ju di te”, e não é que parecia mesmo que ouvimos a rola a dizer “ju di te!”. Agora sempre que ouço a rola ao pé de minha casa, ouço o que ela tem para dizer e sorrio!
Sara Gonçalves | Candemil
Dada a temperatura decidimos almoçar na praia fluvial, a primeira vez este ano, o areal está um pouco descuidado, o nível de água em baixo, no entanto, o mesmo encanto de sempre, o verde, os pássaros, o barulho da água cheia de vida que corre, e estes sons maravilhosos que vão preenchendo o nosso almoço e abrindo caminho até casa de todas as pessoas que vamos visitar.
A Isabel e eu vamos para Candemil, chegamos um pouco cedo a D. Aurélia ainda está nas suas lides domésticas, oferece-nos umas cerejinhas fresquinhas enquanto dobra a roupa e nos vai contando do seu sobrinho do Alentejo que está de visita.
Lá vamos as três até casa da D. Alda que está um pouco melhor e nos recebe muito bem, como habitualmente. Apenas lamenta não nos poder oferecer o chá mas ainda não pode estar muito tempo de pé.
Despedimo-nos com uma troca de sorrisos e em até breve e vamos até casa da D. Maria do Carmo que continua num estado físico muito debilitado, mas presenteia-nos sempre com um sorriso.
Entre as várias conversas ficamos a saber que na próxima semana também decorrerão os festejos do S. João, e há duas belas sardinhadas, uma delas na praia fluvial. Esperemos que todas se divirtam e que seja um espaço de lazer, mas também de amizade e partilha. Assim, a solidão vai-se esbatendo…
Enquanto calcorreávamos as ruelas de Candemil ouvíamos uma rola, e dizia-nos a D. Aurélia que a rola dizia “ju di te”, e não é que parecia mesmo que ouvimos a rola a dizer “ju di te!”. Agora sempre que ouço a rola ao pé de minha casa, ouço o que ela tem para dizer e sorrio!
Sara Gonçalves | Candemil
Crónica das Aldeias - 23.05.2009
Dia Tranquilo!
Depois de um almoço muito animado onde tivemos oportunidade de nos deliciar com tomate coração-de-boi e com os hungaros que iam virando mousse de chocolate, partimos para a nossa aldeia...o Sol teimava em espreitar e quando conseguia mostrava bem o seu poder calorífico!
Já iamos a caminho da casa da D. Fernanda quando um incidente ocorreu. Trinquei a língua! - já não me acontecia há alguns anos, pelo menos desta maneira tão feroz :) ... fiquei contente por me recordar da minha infância e me sentir autêntica - cá estava a Sofia destravada! Sinceramente, deve ter sido castigo do divino...A minha salvação no momento foi o meu padrinho - Nuno Afonso, que felizmente teve sangue frio, e por isso mesmo, não me levou logo para o Hospital de Amarante! Depois do estancamento, estava pronta para a partilha.
A D. Fernanda não estava, viemos a saber mais tarde que se encontrava num campo onde nunca tinhamos ido. Fomos então ter com a D. Celeste e a sua vizinha D. Maria. Estivemos os 4 muito bem a falar sobre a vida - foi uma reflexão profunda, com muita risota à mistura. Falamos sobre fruta, doces, legumes, homens e mulheres, vida de solteira e de casada, filhos e o que vinha na sua sequência...Nunca tinha visto a D. Celeste tão animada :) Moral da história - falamos sobre tudo e sobre nada, mas foram uns minutos muito calorosos que nos deixaram satisfeitos.
Depois de voltarmos à realidade, fomos ter com a D. Maria que já nos tinha presenteado com uma caminhada, avistada ao longe, ao longo da sua varanda. A D. Maria tem muita vontade de viver e por isso mesmo não desiste de voltar a andar - que Deus a ajude. Estava igual a ela mesma, com o seu fato rosa choc e respectivo cachecol que fazem parte do seu guarda-roupa com mais de cem peças! - ela é tão engraçada. Estivemos a encorajá-la a ir às festas que se avizinham porque já percebemos que ela tem algum receio. O que mais me alegrou foi ver que a D. Maria já começou a dar valor ao que tem e mostrou-se feliz por poder avistar toda a paisagem em seu redor e receber toda a atenção do filho e da nora. Notou-se que queria que ficassemos mais tempo e isto sem dúvida foi muito reconfortante. Deixamos a D. Maria numa aberta de Sol...
Fomos então ter com a D. Emília e o Sr. Aurélio, e combinamos que iriamos desviar a conversa se voltassem a focar o tema da crise económica - aqui tenho que dar os parabéns ao meu padrinho!
Conseguimos...ficamos a conhecer a história do seu encontro, pelos vistos já se conheciam antes de começarem a namorar, talvez dos bailaricos que frequentavam. O Sr. Aurélio, segundo conta, tinha muita corda, aliás ainda hoje é uma pessoa com genica, principalmente mental. Já a D. Emília muito religiosa e sossegada ficava a ver o marido aos "pinchos" nas festas:) E o que é mais admirável é que o Sr. Aurélio ia todos os dias trabalhar para Amarante de bicicleta, quer fizesse frio quer calor, e por vezes até tinha que apanhar os parafusos da bicicleta que ficavam pelo caminho!
Ao regresso ainda tivemos a sorte de encontrar a D. Fernanda em casa. Estava a preparar o jantar para comer antes de sair para a missa e estava bem disposta - foi uma visitinha de médico.
Eram 17:15, eis chegada a hora de ir ter com o resto do pessoal ao ponto de encontro. Estavamos todos com boa moral, e num ambiente de alegria e calor partilhamos o lanchinho das sobras antes de nos metermos ao caminho...
Até à próxima aldeias dos nossos corações. Fiquem todos bem!
Sofia Meister | Bustelo
Depois de um almoço muito animado onde tivemos oportunidade de nos deliciar com tomate coração-de-boi e com os hungaros que iam virando mousse de chocolate, partimos para a nossa aldeia...o Sol teimava em espreitar e quando conseguia mostrava bem o seu poder calorífico!
Já iamos a caminho da casa da D. Fernanda quando um incidente ocorreu. Trinquei a língua! - já não me acontecia há alguns anos, pelo menos desta maneira tão feroz :) ... fiquei contente por me recordar da minha infância e me sentir autêntica - cá estava a Sofia destravada! Sinceramente, deve ter sido castigo do divino...A minha salvação no momento foi o meu padrinho - Nuno Afonso, que felizmente teve sangue frio, e por isso mesmo, não me levou logo para o Hospital de Amarante! Depois do estancamento, estava pronta para a partilha.
A D. Fernanda não estava, viemos a saber mais tarde que se encontrava num campo onde nunca tinhamos ido. Fomos então ter com a D. Celeste e a sua vizinha D. Maria. Estivemos os 4 muito bem a falar sobre a vida - foi uma reflexão profunda, com muita risota à mistura. Falamos sobre fruta, doces, legumes, homens e mulheres, vida de solteira e de casada, filhos e o que vinha na sua sequência...Nunca tinha visto a D. Celeste tão animada :) Moral da história - falamos sobre tudo e sobre nada, mas foram uns minutos muito calorosos que nos deixaram satisfeitos.
Depois de voltarmos à realidade, fomos ter com a D. Maria que já nos tinha presenteado com uma caminhada, avistada ao longe, ao longo da sua varanda. A D. Maria tem muita vontade de viver e por isso mesmo não desiste de voltar a andar - que Deus a ajude. Estava igual a ela mesma, com o seu fato rosa choc e respectivo cachecol que fazem parte do seu guarda-roupa com mais de cem peças! - ela é tão engraçada. Estivemos a encorajá-la a ir às festas que se avizinham porque já percebemos que ela tem algum receio. O que mais me alegrou foi ver que a D. Maria já começou a dar valor ao que tem e mostrou-se feliz por poder avistar toda a paisagem em seu redor e receber toda a atenção do filho e da nora. Notou-se que queria que ficassemos mais tempo e isto sem dúvida foi muito reconfortante. Deixamos a D. Maria numa aberta de Sol...
Fomos então ter com a D. Emília e o Sr. Aurélio, e combinamos que iriamos desviar a conversa se voltassem a focar o tema da crise económica - aqui tenho que dar os parabéns ao meu padrinho!
Conseguimos...ficamos a conhecer a história do seu encontro, pelos vistos já se conheciam antes de começarem a namorar, talvez dos bailaricos que frequentavam. O Sr. Aurélio, segundo conta, tinha muita corda, aliás ainda hoje é uma pessoa com genica, principalmente mental. Já a D. Emília muito religiosa e sossegada ficava a ver o marido aos "pinchos" nas festas:) E o que é mais admirável é que o Sr. Aurélio ia todos os dias trabalhar para Amarante de bicicleta, quer fizesse frio quer calor, e por vezes até tinha que apanhar os parafusos da bicicleta que ficavam pelo caminho!
Ao regresso ainda tivemos a sorte de encontrar a D. Fernanda em casa. Estava a preparar o jantar para comer antes de sair para a missa e estava bem disposta - foi uma visitinha de médico.
Eram 17:15, eis chegada a hora de ir ter com o resto do pessoal ao ponto de encontro. Estavamos todos com boa moral, e num ambiente de alegria e calor partilhamos o lanchinho das sobras antes de nos metermos ao caminho...
Até à próxima aldeias dos nossos corações. Fiquem todos bem!
Sofia Meister | Bustelo
sexta-feira, junho 05, 2009
Crónica da Ronda da Boavista - 31.05.09
Ainda novata nestas andanças, mas com cada vez mais vontade de DAR nestes finais de domingo…
Eram quase dez da noite quando os rondeiros se começaram a juntar, acompanhados pelo cheiro a doces e salgados, que são divididos pelos sacos. A equipa, como sempre bem disposta. Desta vez, um chefe diferente, novo para mim, já bem conhecido para o resto dos companheiros.
A oração apelou à maravilha do trabalho em conjunto, de todas as etapas por que passam, por exemplo, os alimentos da nossa refeição, também eles fruto desse trabalho.
Uma noite fantástica, um início de ronda promissor…
Desta vez, a D.G. aguardava-nos com a grande notícia de que tinha conseguido uma entrevista nas novas oportunidades. Era já nessa semana. No entanto, a neta ia ser operada e isso trazia-lhe alguma preocupação. Oferecemos-lhe um "vai correr tudo bem". Parece ter ficado mais tranquila.
O J.P. trocou os seus filmes por largas horas deitado, a dormir. Estava, no entanto, bem disposto. Brincou com os novos partidos políticos, mostrou o telemóvel. Nesse dia não foi à metadona. Foi bom ver que, mesmo assim, recebeu-nos bem! Há um mês que não lhe alteram a dose. Tem tido força de vontade e aquele optimismo colou-se a nós. Lá fomos embora, sem antes lhe garantirmos que o sumo não era de laranja nem de ananás.
Na mesma rua encontramos um novo sem-abrigo. Uma mulher. Disse apenas estar de passagem e quis logo saber que tipo de comida lhe levávamos. Parecia um pouco desconfiada do que estaríamos a oferecer. Se a voltarmos a encontrar, vamos tentar saber melhor a história que terá para contar!
O S.A. estava todo fresco, uma t-shirt, cabelo cortado. Desanimado com o pouco que lhe têm dado. Mas lá lhe soltamos uns sorrisos com a nossa curiosidade sobre pássaros. Disso ele percebe e gosta muito! Falou-nos dos seus três canários, de como trata deles. Gostava muito de ter uma Zagaia e não gosta de piriquitos.
O S.G. está realmente preocupado em arranjar a cura para não termos de usar óculos. Repetiu a receita milagrosa algumas vezes. Estava todo entusiasmado com a reportagem em que interveio para o "Nós por cá". Tinham mudado o sinal da rua para o lado oposto. Enquanto ia contando a história, a esposa, que está adoentada, ligou-lhe algumas vezes. Precisava que a fosse ajudar a preparar a medicação.
Chamamos várias vezes pelo S.Z.. Não estava. Optamos por deixar apenas o saco e seguir. Mas não tardou em o avistarmos a descer a rua. Trazia uma fisga e a história do seu novo negócio de fisgas. São feitas por ele (e bem giras!). Na realidade, adora fisgas desde pequenino. Falou-nos com saudade desses tempos e até nos relatou uma das suas últimas fisgadas: uma lâmpada da rua estava avariada e, de bem longe, ele acertou-lhe em cheio. Embora a protecção não tivesse ficado em muito bom estado, até hoje aquela lâmpada dá luz toda a noite! Um dos momentos altos da noite, sem dúvida!
Mais uma vez, o S.A. não estava.
Seguimos até à D.F.. Estava com dores de dentes e com os diabetes altos. Ainda não tem novidades da casa. A nora estava lá de novo, já com uma barriga que se nota bem. Continua sem querer ir ao médico e não hesitou em acender um cigarro. Continuamos com a enorme dificuldade de lhe mostrar o quão importante é cuidar da saúde do bebé, de ser seguida por um médico. Mas, mais uma vez, ergueu-se ali uma barreira que não deixa que as nossas palavras sejam entendidas.
Antes de voltarmos ao nosso cantinho, pedimos especialmente por ela, pelo bebé. Partilhamos também o que mais tinha preenchido o nosso coração, naquela noite. Mais uma vez, muito Amor.
Angela
Eram quase dez da noite quando os rondeiros se começaram a juntar, acompanhados pelo cheiro a doces e salgados, que são divididos pelos sacos. A equipa, como sempre bem disposta. Desta vez, um chefe diferente, novo para mim, já bem conhecido para o resto dos companheiros.
A oração apelou à maravilha do trabalho em conjunto, de todas as etapas por que passam, por exemplo, os alimentos da nossa refeição, também eles fruto desse trabalho.
Uma noite fantástica, um início de ronda promissor…
Desta vez, a D.G. aguardava-nos com a grande notícia de que tinha conseguido uma entrevista nas novas oportunidades. Era já nessa semana. No entanto, a neta ia ser operada e isso trazia-lhe alguma preocupação. Oferecemos-lhe um "vai correr tudo bem". Parece ter ficado mais tranquila.
O J.P. trocou os seus filmes por largas horas deitado, a dormir. Estava, no entanto, bem disposto. Brincou com os novos partidos políticos, mostrou o telemóvel. Nesse dia não foi à metadona. Foi bom ver que, mesmo assim, recebeu-nos bem! Há um mês que não lhe alteram a dose. Tem tido força de vontade e aquele optimismo colou-se a nós. Lá fomos embora, sem antes lhe garantirmos que o sumo não era de laranja nem de ananás.
Na mesma rua encontramos um novo sem-abrigo. Uma mulher. Disse apenas estar de passagem e quis logo saber que tipo de comida lhe levávamos. Parecia um pouco desconfiada do que estaríamos a oferecer. Se a voltarmos a encontrar, vamos tentar saber melhor a história que terá para contar!
O S.A. estava todo fresco, uma t-shirt, cabelo cortado. Desanimado com o pouco que lhe têm dado. Mas lá lhe soltamos uns sorrisos com a nossa curiosidade sobre pássaros. Disso ele percebe e gosta muito! Falou-nos dos seus três canários, de como trata deles. Gostava muito de ter uma Zagaia e não gosta de piriquitos.
O S.G. está realmente preocupado em arranjar a cura para não termos de usar óculos. Repetiu a receita milagrosa algumas vezes. Estava todo entusiasmado com a reportagem em que interveio para o "Nós por cá". Tinham mudado o sinal da rua para o lado oposto. Enquanto ia contando a história, a esposa, que está adoentada, ligou-lhe algumas vezes. Precisava que a fosse ajudar a preparar a medicação.
Chamamos várias vezes pelo S.Z.. Não estava. Optamos por deixar apenas o saco e seguir. Mas não tardou em o avistarmos a descer a rua. Trazia uma fisga e a história do seu novo negócio de fisgas. São feitas por ele (e bem giras!). Na realidade, adora fisgas desde pequenino. Falou-nos com saudade desses tempos e até nos relatou uma das suas últimas fisgadas: uma lâmpada da rua estava avariada e, de bem longe, ele acertou-lhe em cheio. Embora a protecção não tivesse ficado em muito bom estado, até hoje aquela lâmpada dá luz toda a noite! Um dos momentos altos da noite, sem dúvida!
Mais uma vez, o S.A. não estava.
Seguimos até à D.F.. Estava com dores de dentes e com os diabetes altos. Ainda não tem novidades da casa. A nora estava lá de novo, já com uma barriga que se nota bem. Continua sem querer ir ao médico e não hesitou em acender um cigarro. Continuamos com a enorme dificuldade de lhe mostrar o quão importante é cuidar da saúde do bebé, de ser seguida por um médico. Mas, mais uma vez, ergueu-se ali uma barreira que não deixa que as nossas palavras sejam entendidas.
Antes de voltarmos ao nosso cantinho, pedimos especialmente por ela, pelo bebé. Partilhamos também o que mais tinha preenchido o nosso coração, naquela noite. Mais uma vez, muito Amor.
Angela
quinta-feira, maio 28, 2009
Crónica Aldeias - 09.05.2009
Este dia foi a minha estreia como voluntária nas aldeias.
Encontramo-nos no local e hora habitual e partimos rumo ao nosso destino.
O bom tempo proporcionou um piquenique atrás da igreja, e foi uma boa oportunidade para conhecer "um pouco" de cada pessoa do grupo.
A seguir ao almoço fomos até ao café e de seguida cada um dirigiu-se para a sua respectiva aldeia.
A minha aldeia é Basseiros e estou com a Antonieta (minha madrinha) e a Gina.
A primeira visita seria à D. Glória mas, assim como receávamos, não se encontrava em casa. Viemos mais tarde a saber, pela vizinhança, que tinha ido a um baptizado dos gémeos.
Continuamos então rumo à próxima visita e encontramos a D. Aurora e D. Deolinda cá fora a apanhar um solzito.
D. Maria não tive oportunidade de conhecer pois ainda se encontra acamada.
D. Deolinda muito pouco falou. Ao contrário, a D. Aurora tinha conversa para a tarde inteira.
Falou-nos do susto que apanhou quando tentaram arrombar a porta; dos bons momentos que passou em França assim como das suas habilidades em fazer croché (em velhos tempos).
Mostrou-nos os "tarrucos" que está a fazer (são umas meias grossas de lã feitas à mão, muito quentinhas para o inverno). E não consegue conter as lágrimas quando fala no seu marido, que já morreu há uns largos anos.
O tempo estava a escassear e por isso partimos para uma outra visita, à D. Conceição que, por sua vez, não se encontrava em casa.
Fomos então a casa da D. Arminda que também estava cá fora ao sol, com a sua família, incluindo a filha que tinha sido operada há pouco tempo. Após algum tempo de conversa, fomos ter com o restante grupo.
À ida, encontramos a D. Conceição que regressava do cemitério e que falava do seu descontentamento em não saber onde se encontrava o seu animal de estimação.
Como 1º dia, acho que correu muito bem e correspondeu às minhas expectativas.
Penso que, tal como a minha avó, as senhoras que visitamos são pessoas que gostam de conversar com jovens (desde desabafos a histórias da vida) e ficam ansiosas pela nossa próxima visita.
Ana Vareta Machado | Basseiros
Encontramo-nos no local e hora habitual e partimos rumo ao nosso destino.
O bom tempo proporcionou um piquenique atrás da igreja, e foi uma boa oportunidade para conhecer "um pouco" de cada pessoa do grupo.
A seguir ao almoço fomos até ao café e de seguida cada um dirigiu-se para a sua respectiva aldeia.
A minha aldeia é Basseiros e estou com a Antonieta (minha madrinha) e a Gina.
A primeira visita seria à D. Glória mas, assim como receávamos, não se encontrava em casa. Viemos mais tarde a saber, pela vizinhança, que tinha ido a um baptizado dos gémeos.
Continuamos então rumo à próxima visita e encontramos a D. Aurora e D. Deolinda cá fora a apanhar um solzito.
D. Maria não tive oportunidade de conhecer pois ainda se encontra acamada.
D. Deolinda muito pouco falou. Ao contrário, a D. Aurora tinha conversa para a tarde inteira.
Falou-nos do susto que apanhou quando tentaram arrombar a porta; dos bons momentos que passou em França assim como das suas habilidades em fazer croché (em velhos tempos).
Mostrou-nos os "tarrucos" que está a fazer (são umas meias grossas de lã feitas à mão, muito quentinhas para o inverno). E não consegue conter as lágrimas quando fala no seu marido, que já morreu há uns largos anos.
O tempo estava a escassear e por isso partimos para uma outra visita, à D. Conceição que, por sua vez, não se encontrava em casa.
Fomos então a casa da D. Arminda que também estava cá fora ao sol, com a sua família, incluindo a filha que tinha sido operada há pouco tempo. Após algum tempo de conversa, fomos ter com o restante grupo.
À ida, encontramos a D. Conceição que regressava do cemitério e que falava do seu descontentamento em não saber onde se encontrava o seu animal de estimação.
Como 1º dia, acho que correu muito bem e correspondeu às minhas expectativas.
Penso que, tal como a minha avó, as senhoras que visitamos são pessoas que gostam de conversar com jovens (desde desabafos a histórias da vida) e ficam ansiosas pela nossa próxima visita.
Ana Vareta Machado | Basseiros
terça-feira, maio 19, 2009
CRONICA RONDA DA BOAVISTA - 10.05.09
Domingo, 10 de Maio, partida da ronda da Boavista.
Carro lotado! Novas entradas!! Grandes mudanças na ronda da Boavista. Casamentos, emigrantes, temporadas no estrangeiro, faculdades tardias….
Saída de uns, entrada de outros!
Mas há algo que se mantém sempre, o amor gratuito aos outros. Aqueles a quem acompanhamos à três anos, que perguntam constantemente por cada um de nós. As saudades são muitas…
Partimos com este pensamento.
Primeira paragem D. G. Lá estava na paragem à nossa espera. Estava entusiasmada por se ter inscrito nas novas oportunidades. Continua sem emprego, às cabeçadas com a filha, com saudades dos netos. Chegada do autocarro, aviso de que o J.P. estava a ver um filme.
Lá fomos ter com o J.P. Continua sem ir ao centro de emprego. Em princípio vai viver para casa da amiga, uma senhora de sessenta e muitos anos que o tem ajudado desde o tempo em que andava pelas ruas caído, a recolher trocos para mais uma dose. Claro que reclamou por causa do saco, será sempre dos nossos sem-abrigo mais exigentes!! Não pode ser sumo de laranja nem de ananás, sugestão do João, levar qualquer coisa para o estômago da próxima visita! Estava relaxado, tinha ido à metadona.
Viramos a esquina e lá encontramos o Sr. A., feliz com o futebol. Mal chegamos avisou-nos logo dos anos que se estão a aproximar, 14 de Junho.
Seguimos para o lar, onde deixamos mais uma vez o pão.
Chegados ao Sr. G. lá nos contou a aventura de sexta. Um colega disse-lhe que lhe dava boleia, quando deu por ela já tinha rodado meia cidade e tinha ido parar a um pinhal. Não ganhou para o susto com a mulher a telefonar-lhe constantemente preocupada. Eram quatro da manhã quando chegou a casa. Solução, voltar a andar armado para qualquer eventualidade.
De partida lá lhe pedimos juízo.
Seguimos e paramos no Sr. Z. Já estava a dormir, não quis conversar, mas quis o saco. Tinha-nos dito à uns domingos a possibilidade de ir viver com um casal de senhores mais velhos, mas até agora não há novidades. Deixamo-lo.
Atravessamos e deparamo-nos com uma verdadeira pocilga. O sitio onde o Sr. A. Dorme está cada vez pior. Depois do último domingo o termos apanhado completamente bebido, este nem rasto.
Passamos na zona do convívio para deixarmos um saco que nos sobrava, quando vemos a ronda da Batalha a falar com um rapaz. Para nossa surpresa era o P. Já deve ter saído da prisão, vamos falar com a Batalha e saber o que ele lhes contou.
Partida para a ultima paragem. A nossa sem-abriga mais exigente de todos!! D. F. lá estava à nossa espera. Da casa não tem novidades. A assistente social que estava com o processo mudou-se e não passou a pasta. A nora tinha ido a Guimarães, já só faltam dois meses para o bebé nascer. No último domingo contou-nos que nunca tinha ido ao médico, desde que estava grávida, que não quer, nem precisa de ajuda. Não sabemos como é possível pensar em ter uma criança naquelas condições, mas estaremos cá para o que for preciso.
O Sr V lá acabou por se levantar e beber também um chá enquanto conversávamos um pouco.
A D.F. durante a semana apanhou mais um susto com os diabetes. Nada de novo.
Acabou mais um domingo, mais uma ronda, com todos juntos dentro do carro em mais uma partilha.
Benedita Salinas
Carro lotado! Novas entradas!! Grandes mudanças na ronda da Boavista. Casamentos, emigrantes, temporadas no estrangeiro, faculdades tardias….
Saída de uns, entrada de outros!
Mas há algo que se mantém sempre, o amor gratuito aos outros. Aqueles a quem acompanhamos à três anos, que perguntam constantemente por cada um de nós. As saudades são muitas…
Partimos com este pensamento.
Primeira paragem D. G. Lá estava na paragem à nossa espera. Estava entusiasmada por se ter inscrito nas novas oportunidades. Continua sem emprego, às cabeçadas com a filha, com saudades dos netos. Chegada do autocarro, aviso de que o J.P. estava a ver um filme.
Lá fomos ter com o J.P. Continua sem ir ao centro de emprego. Em princípio vai viver para casa da amiga, uma senhora de sessenta e muitos anos que o tem ajudado desde o tempo em que andava pelas ruas caído, a recolher trocos para mais uma dose. Claro que reclamou por causa do saco, será sempre dos nossos sem-abrigo mais exigentes!! Não pode ser sumo de laranja nem de ananás, sugestão do João, levar qualquer coisa para o estômago da próxima visita! Estava relaxado, tinha ido à metadona.
Viramos a esquina e lá encontramos o Sr. A., feliz com o futebol. Mal chegamos avisou-nos logo dos anos que se estão a aproximar, 14 de Junho.
Seguimos para o lar, onde deixamos mais uma vez o pão.
Chegados ao Sr. G. lá nos contou a aventura de sexta. Um colega disse-lhe que lhe dava boleia, quando deu por ela já tinha rodado meia cidade e tinha ido parar a um pinhal. Não ganhou para o susto com a mulher a telefonar-lhe constantemente preocupada. Eram quatro da manhã quando chegou a casa. Solução, voltar a andar armado para qualquer eventualidade.
De partida lá lhe pedimos juízo.
Seguimos e paramos no Sr. Z. Já estava a dormir, não quis conversar, mas quis o saco. Tinha-nos dito à uns domingos a possibilidade de ir viver com um casal de senhores mais velhos, mas até agora não há novidades. Deixamo-lo.
Atravessamos e deparamo-nos com uma verdadeira pocilga. O sitio onde o Sr. A. Dorme está cada vez pior. Depois do último domingo o termos apanhado completamente bebido, este nem rasto.
Passamos na zona do convívio para deixarmos um saco que nos sobrava, quando vemos a ronda da Batalha a falar com um rapaz. Para nossa surpresa era o P. Já deve ter saído da prisão, vamos falar com a Batalha e saber o que ele lhes contou.
Partida para a ultima paragem. A nossa sem-abriga mais exigente de todos!! D. F. lá estava à nossa espera. Da casa não tem novidades. A assistente social que estava com o processo mudou-se e não passou a pasta. A nora tinha ido a Guimarães, já só faltam dois meses para o bebé nascer. No último domingo contou-nos que nunca tinha ido ao médico, desde que estava grávida, que não quer, nem precisa de ajuda. Não sabemos como é possível pensar em ter uma criança naquelas condições, mas estaremos cá para o que for preciso.
O Sr V lá acabou por se levantar e beber também um chá enquanto conversávamos um pouco.
A D.F. durante a semana apanhou mais um susto com os diabetes. Nada de novo.
Acabou mais um domingo, mais uma ronda, com todos juntos dentro do carro em mais uma partilha.
Benedita Salinas
terça-feira, abril 21, 2009
Crónica Aldeias - 04.04.2009
Caro Diário,
Hoje foi mais um dia de visitas, às nossas avozinhas emprestadas…
Como é costume saímos pelas 11h…todos bem dispostos e cheios de vontade de chegar a Candemil, para o famoso repasto atrás da Igreja…
Os quentes dias com que Março nos brindou deram lugar a um Abril mais frio e menos convidativo ao exterior…mas lá se almoçou com umas novidades …tortilha (é só pôr no micro) e um ananás cortado (que as senhoras do Pingo Doce preparam…) e uns saborosos bombons de Natal, Páscoa e quem sabe de Natal outra vez, e um bolinho caseiro para a sobremesa.
Pelas 14 horas fomos andando para as nossas aldeias, mas sem dispensar o cafezinho que sabe tão bem…pelo menos a alguns, e a casa de banho tão preciosa para outros.
Cada grupo seguiu para a sua aldeia…Ansiães já nos esperava assim como a Tia Rita, a Tia Olívia e a Tia Carminda.
Como de costume a primeira visita foi à Tia Rita que sempre animada…falou do seu festejo Pascal, do convite para o casamento da sua sobrinha (ao qual não quer ir nem arrastada!) entre muitas outras coisas. Durante a visita recebeu um telefonema do filho que despachou com rapidez, dando a desculpa que os seus amigos estavam com ela…As conversas iam surgindo até que nos tivemos de ir embora por causa do tempo que restava para visitar as nossas restantes Avozinhas.
A Tia Olívia estava cá fora na sua cadeira a apanhar os raios de Sol que iam aparecendo e desaparecendo. Tem andado com pouca força… o que faz parte dos seus 101 anos!
Mais tarde chegou a vizinha que lhe leva as refeições e que nos disse que a Tia Olivia se tem alimentado mal o que a leva a andar mais fraquinha…Pelo menos enquanto lá estivemos ainda comeu um iogurte.
Por vezes a conversa não é muito fácil pois os problemas auditivos da Tia Olívia já são grandes, o que dificulta uma conversa mais fluente. Deixamo-la na companhia da vizinha, que por lá ficou a arranjar a casa.
Ao chegar a casa da Tia Carminda ela parecia já estar à nossa espera…estava bem disposta e fartou-se de cantar. Vir passear cá para fora é que não, pois estava muito desagradável. O encontro foi quase todo a tirar a letra da música que com maior ou menor dificuldade, mais lógica ou menos lógica lá ficou registada no telemóvel do Jorge. As aventuras amorosas do carvoeiro era o tema da música…podia não dar um “Gremy” mas tinha ritmo!!! A hora estava adiantada e tínhamos de ir embora, não sem antes a Tia Carminda quase nos obrigar a comer qualquer coisa, lá se trouxe umas peças de fruta e fomos embora.
Siga para Basseiros...passámos primeiro em Candemil para dar boleia ao grupo que lá estava.
Mais um dia nas Aldeias…com amizade e serviço.
As nossas avozinhas emprestadas não dependem de nós, mas as nossas visitas quinzenais alegram um pouco mais as suas vidas de solidão. Diferente de outros serviços de voluntariado, o que levamos não se come…não se bebe ou se veste…apenas se sente e se vive!
Façamos então este serviço com alegria que não é mais que … “levar mais um pouco de vida a vidas já tão vividas…”
Frederico Faria | Ansiães
Hoje foi mais um dia de visitas, às nossas avozinhas emprestadas…
Como é costume saímos pelas 11h…todos bem dispostos e cheios de vontade de chegar a Candemil, para o famoso repasto atrás da Igreja…
Os quentes dias com que Março nos brindou deram lugar a um Abril mais frio e menos convidativo ao exterior…mas lá se almoçou com umas novidades …tortilha (é só pôr no micro) e um ananás cortado (que as senhoras do Pingo Doce preparam…) e uns saborosos bombons de Natal, Páscoa e quem sabe de Natal outra vez, e um bolinho caseiro para a sobremesa.
Pelas 14 horas fomos andando para as nossas aldeias, mas sem dispensar o cafezinho que sabe tão bem…pelo menos a alguns, e a casa de banho tão preciosa para outros.
Cada grupo seguiu para a sua aldeia…Ansiães já nos esperava assim como a Tia Rita, a Tia Olívia e a Tia Carminda.
Como de costume a primeira visita foi à Tia Rita que sempre animada…falou do seu festejo Pascal, do convite para o casamento da sua sobrinha (ao qual não quer ir nem arrastada!) entre muitas outras coisas. Durante a visita recebeu um telefonema do filho que despachou com rapidez, dando a desculpa que os seus amigos estavam com ela…As conversas iam surgindo até que nos tivemos de ir embora por causa do tempo que restava para visitar as nossas restantes Avozinhas.
A Tia Olívia estava cá fora na sua cadeira a apanhar os raios de Sol que iam aparecendo e desaparecendo. Tem andado com pouca força… o que faz parte dos seus 101 anos!
Mais tarde chegou a vizinha que lhe leva as refeições e que nos disse que a Tia Olivia se tem alimentado mal o que a leva a andar mais fraquinha…Pelo menos enquanto lá estivemos ainda comeu um iogurte.
Por vezes a conversa não é muito fácil pois os problemas auditivos da Tia Olívia já são grandes, o que dificulta uma conversa mais fluente. Deixamo-la na companhia da vizinha, que por lá ficou a arranjar a casa.
Ao chegar a casa da Tia Carminda ela parecia já estar à nossa espera…estava bem disposta e fartou-se de cantar. Vir passear cá para fora é que não, pois estava muito desagradável. O encontro foi quase todo a tirar a letra da música que com maior ou menor dificuldade, mais lógica ou menos lógica lá ficou registada no telemóvel do Jorge. As aventuras amorosas do carvoeiro era o tema da música…podia não dar um “Gremy” mas tinha ritmo!!! A hora estava adiantada e tínhamos de ir embora, não sem antes a Tia Carminda quase nos obrigar a comer qualquer coisa, lá se trouxe umas peças de fruta e fomos embora.
Siga para Basseiros...passámos primeiro em Candemil para dar boleia ao grupo que lá estava.
Mais um dia nas Aldeias…com amizade e serviço.
As nossas avozinhas emprestadas não dependem de nós, mas as nossas visitas quinzenais alegram um pouco mais as suas vidas de solidão. Diferente de outros serviços de voluntariado, o que levamos não se come…não se bebe ou se veste…apenas se sente e se vive!
Façamos então este serviço com alegria que não é mais que … “levar mais um pouco de vida a vidas já tão vividas…”
Frederico Faria | Ansiães
sexta-feira, abril 17, 2009
Crónica Aldeias - 21.03.2009
Uma tarde em Bustelo
Mais um Sábado, mais uma visita à pacata aldeia de Bustelo. Conto desta vez com a companhia do Jorge e da Cláudia que “acudiram” de pronto, mal souberam do contratempo que deixou em terra a minha colega de equipa. O dia faz jus ao início da Primavera: céu azul e um sol quente e brilhante. Bom prenúncio!
Hesitamos na 1ª visita. A D. Pedra não tem estado e até já tínhamos especulado se andava a fugir de nós (eu, pelo menos, nunca a tinha conhecido em quase em um ano de visitas). Decidimos tentar mais uma vez e… tivemos sorte! Estava na casa da sobrinha, mesmo em frente à dela, e recebeu-nos com simpatia, falando imenso da família (com quem tem sempre estado nos últimos Sábados das visitas). O Jorge, o único que já a tinha visitado, ficou pasmado! Nunca a tinha visto tão bem disposta e com tão boa relação com a família… Um pequeno milagre para início de tarde!!!
Seguimos e encontramos a D. Celeste que regressava a casa com água fresca da fonte. Foi bom falar com ela, sempre simpática e atenta. Pareceu-nos em forma!
Mais uns metros e somos chegados a casa da D. Fernanda. Não estava nem ali nem na sua horta. Soubemos mais tarde que estava num campo mais abaixo a plantar umas batatas. Com 70 e tal anos… Dá que pensar não é?
Continuamos rumo a casa do casal Aurélio e Emília. Ela sempre de sorriso aberto; ele, um vivaço nos seus 80 anos, sempre pronto a discutir a actualidade (menos futebol que o Benfica não ajuda…). E resume tudo num dos provérbios do seu longo reportório: “lá em cima manda Cristo; cá em baixo manda isto” (o dinheiro bem entendido)! Saímos bem dispostos e com pena de não poder prolongar a conversa.
Para terminar, a D. Maria. Domina a paisagem de Bustelo sentada à varanda na sua cadeira de rodas. Nada escapa aos seus olhos vivos e tem muitas histórias para contar. Como disse o Jorge, nem é preciso falar muito, a D. Maria faz as despesas da conversa, a uma velocidade que nos deixa a pensar o que seria se pudesse caminhar nas ruas da sua aldeia. Que reboliço!
E pronto, mais uma tarde cheia em Bustelo! Os colegas regressam das outras aldeias e juntamo-nos a eles de volta ao Porto… com um sorriso nos lábios.
Missão cumprida!
Nuno Afonso
Mais um Sábado, mais uma visita à pacata aldeia de Bustelo. Conto desta vez com a companhia do Jorge e da Cláudia que “acudiram” de pronto, mal souberam do contratempo que deixou em terra a minha colega de equipa. O dia faz jus ao início da Primavera: céu azul e um sol quente e brilhante. Bom prenúncio!
Hesitamos na 1ª visita. A D. Pedra não tem estado e até já tínhamos especulado se andava a fugir de nós (eu, pelo menos, nunca a tinha conhecido em quase em um ano de visitas). Decidimos tentar mais uma vez e… tivemos sorte! Estava na casa da sobrinha, mesmo em frente à dela, e recebeu-nos com simpatia, falando imenso da família (com quem tem sempre estado nos últimos Sábados das visitas). O Jorge, o único que já a tinha visitado, ficou pasmado! Nunca a tinha visto tão bem disposta e com tão boa relação com a família… Um pequeno milagre para início de tarde!!!
Seguimos e encontramos a D. Celeste que regressava a casa com água fresca da fonte. Foi bom falar com ela, sempre simpática e atenta. Pareceu-nos em forma!
Mais uns metros e somos chegados a casa da D. Fernanda. Não estava nem ali nem na sua horta. Soubemos mais tarde que estava num campo mais abaixo a plantar umas batatas. Com 70 e tal anos… Dá que pensar não é?
Continuamos rumo a casa do casal Aurélio e Emília. Ela sempre de sorriso aberto; ele, um vivaço nos seus 80 anos, sempre pronto a discutir a actualidade (menos futebol que o Benfica não ajuda…). E resume tudo num dos provérbios do seu longo reportório: “lá em cima manda Cristo; cá em baixo manda isto” (o dinheiro bem entendido)! Saímos bem dispostos e com pena de não poder prolongar a conversa.
Para terminar, a D. Maria. Domina a paisagem de Bustelo sentada à varanda na sua cadeira de rodas. Nada escapa aos seus olhos vivos e tem muitas histórias para contar. Como disse o Jorge, nem é preciso falar muito, a D. Maria faz as despesas da conversa, a uma velocidade que nos deixa a pensar o que seria se pudesse caminhar nas ruas da sua aldeia. Que reboliço!
E pronto, mais uma tarde cheia em Bustelo! Os colegas regressam das outras aldeias e juntamo-nos a eles de volta ao Porto… com um sorriso nos lábios.
Missão cumprida!
Nuno Afonso
segunda-feira, abril 13, 2009
Crónica da visita aos imigrantes - 08.03.2009
No dia 8 de Março decorreu mais uma visita à UHSA . Fomos quatro: eu, a Sónia, a Ana e a Katy. À chegada pareceu complicado estabelecer interacção. Estavámos poucas e o grupo era grande e constituído quase só por homens. Começámos a cantar músicas tradicionais portuguesas e todos prestaram atenção e até cantarolaram o refrão. Depois alguns deles cantaram músicas dos seus países, o que foi um momento muito especial de partilha. De seguida jogámos quase todos Uno. À medida que cada um ia terminando o jogo, conversámos com alguns dos imigrantes que contaram histórias de vida. Como se celebrava o dia da Mulher oferecemos uma flor a todas que lá estavam.
Perde-se a noção do tempo e acabámos por sair já tarde com as despedidas de reconhecido agradecimento e sorrisos que fazem valer a pena o esforço de continuar apesar da tristeza de se saber do encerramento.
Amélia
Perde-se a noção do tempo e acabámos por sair já tarde com as despedidas de reconhecido agradecimento e sorrisos que fazem valer a pena o esforço de continuar apesar da tristeza de se saber do encerramento.
Amélia
quarta-feira, abril 08, 2009
Crónica da visita aos imigrantes - 05.04.2009
“Vocês vêm e trazem alegria mas depois vão e a gente fica mais triste ainda”… Foi com estas palavras, emolduradas por um sorriso e adocicadas por um sotaque brasileiro, que deixamos a UHSA no último Domingo… Palavras que traduzem na perfeição aquilo que nós próprias sentimos durante as 3 horas que ali passamos e, depois, nos tempos indeterminados que levamos a ‘digerir’ tudo aquilo que ali vivemos…Foram só 180 minutos, mas durante esses (sempre tão curtos quanto irrepetíveis) momentos passamos o horror de uma guerra sem aviso, atravessamos um mar debaixo de um camião, sentimos na pele o arrepio de um sonho de uma vida que acaba num instante só… Como em alguns segundos vidas podem mudar… Como o tempo é uma coisa tão misteriosa quanto a vida, capaz de nos unir em apenas algumas palavras… Foi uma tarde de conversas profundas, de palavras sentidas, de histórias de medo e esperança, de rostos marcados com cicatrizes e sorrisos, olhares tocados pela revolta mas sem qualquer sombra de ressentimento… O talento do ‘Jr’, as aventuras dos marroquinos, as palavras de sentido agradecimento do ‘gangsta’ angolano, a alegria estampada na cara das croatas na sua ‘table dance’, os olhares apaixonados dos meninos indianos, a simpatia constante do senhor palestiniano… Quem dera que os pudéssemos levar a todos connosco para um lugar onde as fronteiras não existam…De cada vez que passamos aquelas portas rumo à ‘nossa vida’ deixamos sempre um bocadinhos da nossa alma desfeita pela maldade de uma civilização onde um papel vale mais que um nome, o cumprimento da lei mais que uma vida…Este foi um daqueles dias…em que tudo vale a pena mas a única coisa que queremos se afirma como algo que ‘não é possível’: mudar o mundo…
Ana Pinho
Ana Pinho
sexta-feira, abril 03, 2009
sessão de acolhimento / esclarecimento a novos voluntários
No próximo dia 07 de Abril pelas 21h30, no CREU, haverá uma sessão de acolhimento / esclarecimento a novos voluntários que pretendam conhecer melhor o FASRondas, e quem sabe integrar o grupo!
Se estiveres interessado em comparecer envia-nos um e-mail para:
fasrondas@gmail.com
Aparece!
Se estiveres interessado em comparecer envia-nos um e-mail para:
fasrondas@gmail.com
Aparece!
Subscrever:
Mensagens (Atom)