quarta-feira, junho 06, 2007

Crónica Ronda de 03.06.07 (Batalha)

Iniciamos a ronda com os manos M e S. Conhecemos melhor o famoso Sr. A: é reformado, faz parte de um grupo de rondas aos sem abrigo (saem para a rua às quartas à noite) e dedica-se especialmente a este grupo. O M continua na mesma pensão a recuperar mas agora com uma difícil missão, cuidar do irmão. Provisoriamente, o S está em casa do Sr. A. Em conjunto com os MM, todos estão empenhados em, ajudá-lo, brevemente arranjar-lhe um quarto próximo do M, para tentar que ganhe mais juízo.

Partimos para o Sr. D. Despertou, começamos por tentar saber como tinha corrido a semana mas pouca conversa e, como é habitual, principalmente na presença de meninas, começaram as “comichões”. Desta vez resolvemos não ignorar e a nossa líder perguntou-lhe o porquê destas? Teria algum problema? Ao que respondeu prontamente que tinha muita comichão nas mãos e mostrou-as.

No mesmo sítio cruzámo-nos com o bem disposto Sr. das anedotas. Falou-nos em como a sua vida é melhor fora da rua, dos petiscos que sabe cozinhar e dos assaltos à sua casa.

Mais a baixo, nem sinal do Sr. F. Deixamos o saco junto aos cobertores.

Seguimos para o Sr. J. Vinha a descer a sua rua, estacionamos. Começou um novo trabalho de recolha de óleos para reutilizar. Queixou-se das dificuldades físicas que tem em realizá-lo.

Passamos pelo Sr. M L, indicado pela Carla e já nosso conhecido. Estava a dormir no entanto recebeu-nos bem e combinamos mais conversa para próxima semana.

Seguimos para o Aleixo à procura do P. Dê-mos uma volta sem parar, dada a confusão de gente à espera das carrinhas da comida. Quase à saída encontrámo-lo, subimos até um jardim ali perto, mais sossegado. Está a viver um momento de grande solidão. Contou-nos que precisou de afastar-se de todos por estar a passar por uma circunstância muito dolorosa: o seu irmão está bastante doente e em sofrimento. Falou-nos da sua relação com ele e do que sente ao vê-lo nessa situação. Deixou a metadona, continua a consumir. Vive num quarto próximo dali e vem ao Aleixo ao domingo à noite para receber comida das carrinhas. Está confuso, contudo quer mudar de vida. Não sente o apoio dos pais mas o sogro está disposto a ajudá-lo, se ele lhe der provas que está a mudar. Quer, voltar a fazer o tratamento com metadona, regressar a um Cat. Reafirmamos que pode contar com a nossa ajuda e marcamos encontro no domingo seguinte.


Tomai, Senhor, e recebei

Toda a minha liberdade, a minha memória,

o meu entendimento

e toda a minha vontade.

Tudo o que tenho e tudo o que possuo

Vós mo destes.

A Vós, Senhor, o restituo.

Tudo é vosso,

disponde de tudo segundo a vossa inteira vontade.

Dai-me o vosso amor e a vossa graça,

que isso me basta.



São Moura

2 comentários:

Sabinita disse...

São,

Afinal estavas a esconder um dom que não te conhecia! Exceleente testemunho.Fiquei contente por poder partilhar este bocadinho. O Pedro, que bom estar aberto ao tratamento, temos de tentar ajudar!

Acabei de ler a crónica e pensei no que fazemos não só com os SA, mas também no nosso dia a dia... Fica um pensamento que trnasmite o que me passou pela cabeça.

"Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota."
(Madre Teresa de Calcuta)


Obg pela Partilha
Sabina

Anónimo disse...

Ola ronda!!
Sim que bela cronista descobrimos.. eheh

Foi uma boa noite.. o espírito saudável ficou nos deles (esperamos!) e nossos corações!

Bjs