segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Crónica da Visita às Aldeias - 23.01.2010

Encontrámo-nos no local combinado, em frente à igreja Nossa Senhora de Fátima, por volta das 11 horas para seguirmos para Amarante. Saída por volta das 11:25, com alguns atrasos. Precisamos de melhorar este aspecto…

Estava um bonito dia, chegados a Candemil muito animadas, montamos a "tenda" do almoço, fizemos as respectivas apresentações, "velhas" e novas (não em idade... mas em funções). No durante do repasto e coitada da Cláudia, fomos informados da distribuição dos novos elementos pelas aldeias.

Por volta das 14:00 lá seguimos nós para o objectivo que nos levava a estas bandas tão bonitas. Eu fiquei no melhor grupo, claro o nosso é sempre o melhor, a aldeia de Basseiros, juntamente com o Marcelo, o Diogo e a Ana (elemento residente da aldeia) que foi uma ajuda super importante...que nos indicou o local... apresentou-nos as bonitas senhoras e nos acompanhou o tempo todo.

A primeira casa visitada, foi a Tia Maria e a Tia Deolinda, as senhoras falam pouco, o que torna um pouco difícil o diálogo. Esta casa tem sempre gente, a filha e a neta que cosiam sapatos. De repente aparece um Neto de férias em Portugal que não se calava.

O Diogo mostrou umas fotografias tiradas lá (muito bem apanhadas por sinal) assim como foram tiradas mais umas fotos para ser feito um quadro de cada uma a pedido do neto. Na hora da saída, apareceram mais duas visitas, duas caras bem dispostas.


A seguir visitamos a Tia Hermínia muito presenteira com uma casinha bem bonitinha, cheia de vida e dinamismo... estava lá por acaso, (claro está, para nos receber), pois geralmente vai passar o fim-de-semana a Amarante a casa de um neto.

A terceira senhora a visitar não estava em casa, por isso seguimos caminho, subindo aquela ladeira e... ai Jesus que me ia dando a sofeca... lá chegamos a casa da Tia Dulce. Fomos recebidos, pelo marido e filha. Da última vez que lá estivemos (Janeiras) ela estava de cama, hoje encontrava-se na cozinha, sentada na sua cadeira, um pouco mais faladora... mas desanimada com a vida...

O que mais me marcou nas visitas é a atitude das senhoras, com excepção da tia Hermínia, todas elas falam pouco, estão tristes... desanimadas, parece que esperam a hora de ir...
Bem tudo passou muito rápido, eu gostei muito.

Obrigada meu Deus pelo dia que passei!!

Margarida Macedo | Basseiros

terça-feira, janeiro 26, 2010

Crónica da Visita às Aldeias - 09.01.2010

Encontrámo-nos no local combinado por volta das 10 horas para seguirmos para Amarante. O frio era muito, mas nós estávamos animados. Afinal, íamos cantar as Janeiras e, para alguns de nós, como eu, era a estreia – fazendo parte da última fornada de voluntários admitidos no FASRondas, era primeira vez que íamos às aldeias.

Chegámos a Candemil e ensaiámos as cantorias numa casa da paróquia. Em seguida, partilhámos um belo almoço e saímos para enfrentar o frio pelas 13h30min.

A primeira pessoa que visitámos não estava em casa e dirigimo-nos, então, para casa da D. Aurélia que fazia, neste dia, 95 anos de idade. E que 95 anos! Cheia de vida e boa-disposição, encontrámo-la na rua, próximo de sua casa. Cantámos-lhe as Janeiras, os Parabéns, tirámos fotografias, enfim, foi uma animação e a D. Aurélia estava muito feliz.

Seguimos caminho para outras aldeias e fomos sempre recebidos com imenso calor humano, a contrastar com o frio gélido que se fazia sentir nas montanhas do Marão.

Anoiteceu entretanto. O dia passou a correr!


Ana Maria Barros

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Crónica das Aldeias - 22.12.2009

Receita de Natal do FAS Aldeias.
Ingredientes: Canções. Teatro. Balões. Alegria e algumas confusões.
Miúdos e graúdos q.b.
Misturar tudo, acrescentar uns pozinhos de organização e já está.

O frio arrefecia o corpo, mas o momento aqueceu o coração. No centro paroquial de Ansiães, as pessoas desta aldeia e de Candemil juntaram-se para festejar mais um momento para o qual nos convidaram a participar, como é hábito. As crianças agitadas saltavam de uma sala para a outra para os ensaios das músicas – "a viola não afina, desabafava a nossa voluntária Marta" - e do teatro com pinturas natalícias – "as canetas não pintam, reclamavam alguns, os mais entusiasmados".
Os crescidos arranjavam a mesa para o lanche de partilha final, enquanto os mais velhos aguardavam com curiosidade a festa de Natal.
Foi uma festa curta, duas canções e um teatro, mas com mensagens de alegria e de paz, e um momento de algazarra final com uma animação colorida para os mais pequenos. Sem mãos a medir, a Fátima, que nos foi ajudar, não conseguia responder a todas as solicitações. Os balões transformaram-se em espadas, capacetes, cães, flores, corações, num colorido que se espalhou pela sala ao som da música da turma do Balão Mágico. Sem muito jeito para o desenho, tentei dar uma ajuda à Fátima e lá foram umas pinceladas nos rostos das crianças que esperavam os balões. Nas faces reinaram flores primaveris, para as meninas, e uns bigodes à pirata, para os meninos. No final, tudo estava feliz!
Metade dos voluntários foi visitar, também, as nossas queridas senhoras e levar-lhes um abraço de Natal. Muitas já estavam com as suas famílias, de visita ao Marão para passar o momento festivo, outras continuavam na sua rotina do dia-a-dia, porque nada lhes fez mudar os hábitos. Apenas a casa da D. Deolinda, em Basseiros, recebeu um presente diferente. Uma árvore de Natal, bolas e luzinhas para a enfeitar. Um gesto simples, mas que marcou a diferença naquela casa.
E assim foi mais um Natal nas Aldeias do Marão.

Claudia Gonçalves | Ansiães

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Crónica da Ronda dos Aliados - 6.11.09

A noite começou com a habitual distribuição de comida, das padarias e pastelarias, pelos sacos.
1-Lá fomos nós(eu, Joana e Nádia) para a nossa primeira paragem em C., já estavam à nossa espera o Sr. A. e o Sr. A.. Como não ia nenhum homem ficámos a pensar que falar de futebol nesse dia não daria certo e ainda por cima o porto tinha perdido, mas lá nos desenrascámos estivemos a falar sobre o aniversário do filho do Sr.A. Parece que o filho fez festa de aniversário e o convidou para ir almoçar lá a casa e o Sr. A. foi até lá. Posteriormente chegou o J. e o R. que como é habito vinham todos animados. O J. continua com aquela conversa das namoradas e todos nos rimos com ele. O R. não fala muito sobre ele só sabemos que trabalha numa fábrica. O Sr. A. esteve a dizer-nos que ia a duas consultas, uma no dia 25 e outra no dia 26, disse-nos ainda que já não bebe nada em casa, mas quando vai para casa da filha bebe um copito.
2- O Sr. Manuel já estava a dormir e não quis falar connosco. Pelo que parece da última vez que o resto da ronda foi lá (eu não estava) ele falou um bocadinho mais sobre ele. Falou do inchaço das pernas e ia começar a falar sobre a família mas depois fechou-se em copas.
3- Estávamos nós mesmo a chegar perto do Sr. F. quando nos apercebemos que estavam demasiadas pessoas para pedir saco, inclusive aquele rapaz que já foi várias vezes mal educado para connosco, como éramos só raparigas decidimos dar a volta e ir embora para não nos colocarmos em risco, até porque só tínhamos 3 sacos.
4- Parámos debaixo da ponte da rua do J.N. entregámos dois sacos a um casal que dorme por lá e um outro saco a um rapaz que dorme mesmo debaixo da ponte, esse último rapaz já estava a dormir. Entretanto umas pessoas que estavam lá na rua disseram-nos que o rapaz às vezes não aceita os sacos, que é um rapaz bom mas que de vez em quando lhe dão ataques de fúria...
Assim foi mais uma ronda, a Nádia, que veio substituir o Raul, ainda se está adaptar mas acho que está a correr mesmo muito bem a sua integração na equipa, tem muito jeito para falar com os nossos amigos e está cheia de vontade de dar, tentemos também nós aproveitar vontade que ela traz para também nós nos podermos dar mais.
Queria aproveitar ainda para em nome da equipa agradecer ao Raul pelos 2 anos e meio(acho eu!) de uma colaboração muito positiva e que o futuro lhe reserve muitas coisas boas com esta nova profissão.

Maria João Pato

terça-feira, dezembro 01, 2009

Crónica da Ronda da Boavista

Uma boa história é sempre uma boa história! Hoje não será protagonizada pelo Sr. A ou o Sr. G, nem terá lugar na noite do Porto.


Esta história que vos proponho ganhará vida numa sala de cinema, bem próxima das vossas casas, imagino, e conta-nos a amizade que se desenvolve entre um jornalista do L.A. Times, Steve Lopes, e um sem-abrigo, Nathanlel Ayers, envolto num misterioso passado musical.
À medida que a trama se vai adensando várias questões são colocadas ao espectador: Será possível a "amizade" entre duas pessoas tão distintas? Quais os limites da ajuda ao próximo? Será possível transformar o outro?
O filme chama-se "O Solista" e transpõe para o grande ecrã um retrato biográfico de Steve Lopes inspirado em factos reais.
Fica o convite!

Um grande abraço,

Rui

Crónica da Visita às Aldeias - 21.11.2009

Onze horas, o ponto de encontro ainda não conta com muita gente…
Hoje somos apenas 8 voluntários, que apesar do dia invernoso mantemos o ânimo. A viagem corre bem e chegamos a Candemil. Cá o tempo parece querer dissuadir-nos, mas o almoço retempera-nos as forças e a boa disposição aumenta. "Fio dentário ou fio dental?" Eis o início de divergências… Nada que não tenha servido para soltar umas gargalhadas e partirmos mais sorridentes para as nossas aldeias.
Nem sempre as disponibilidades são o que queremos, e desta vez Candemil e Basseiros estão apenas com uma pessoa. E como é melhor irmos acompanhados para sermos também melhor companhia, lá nos dividimos e vamos aos pares.
Eu tenho a companhia da Marta, cá em Candemil.
Começamos como sempre, pela casa da D. Aurélia. Hoje ainda está a acabar de limpar a cozinha e diz-nos para nos sentarmos. Puxamos conversa, as histórias surgem, ficamos a saber mais da semana que passou, do frio, de si. Folheamos um álbum de fotografias antigas, e com gosto diz-nos como eram as colegas de trabalho, as saídas pelo Marão, falou dos filhos, do irmão, da família do Brasil. Ganha brilho, vida, e nós com ela.
Hoje é dia de missa e, por isso, esperamos que se arranje para a cerimónia. Ao contrário das outras vezes, demorámo-nos mais nesta casa. Mas ainda há tempo para irmos a casa da D. Alda, vamos as três. Recebe-nos apressada, a missa que é daqui a 45 minutos, mas que é preciso sair com antecedência, pois os paralelos não ajudam à caminhada.
Enquanto troca a roupa, ouvimos "as meninas vieram com esta chuva?!". Fica contente por nos ver, mas a pressa não deixa sermos companhia muito tempo. Ficam os cumprimentos e a certeza de outras vindas.
Ficamos as duas novamente, e ainda temos de passar pela casa da D. Maria do Carmo. Desta vez está no quarto, no sofá. Está bem, satisfeita com a nossa companhia. Vai contando como passa os dias, de como os filhos insistem para que vá para o pé deles, fala do Natal com alegria, a possibilidade de estar com quem ama, de se sentir bem acompanhada. Apesar da conversa fluir bem, na hora de se levantar para comer, fica, mais uma vez, a sensação de impossibilidade… Andar é mais do que um grande esforço, é um desafio que nem sempre corre bem. Despedimo-nos com um "até breve!".
A chuva continua a cair quase até ao Porto, o corpo cede ao cansaço e ao escuro que se pôs. Vêm aí mais dias para recebermos o sol, ou, pelo menos, para levarmos o brilho às nossas aldeias.

Isabel | Candemil

Crónica das Aldeias - 07.11.2009

O frio chegou e um piquenique no jardim atrás da Igreja já se torna inviável. Fomos então para uma casa onde normalmente se dá a catequese. Depois de uma sopinha quentinha, entre outras coisas, partimos para as nossas visitas.

Desta vez começamos por visitar a D. Conceição, que se encontrava em casa e sentia-se engripada. A lareira já estava acesa e foi junto a ela que durante algum tempo conversamos sobre os mais diversos assuntos. Desde o marido que faleceu há alguns anos, dos problemas que teve com um dos filhos, da forma como vivia antigamente,… e de quanto lhe faz bem receber as visitas dos vários voluntários, … Vimos também algumas fotos e fez questão de mostrar o seu enxoval. Muito contente está por saber que brevemente irá receber o que pede já algum tempo – um cão.
Perguntou-nos como fazíamos para almoçar e assim que soube do nosso piquenique fez questão de nos oferecer presunto para podermos fazer umas boas "sandocas".
 A seguir fomos ter com a D. Deolinda e a D. Maria (a D.Aurora encontra-se em França).
Ambas se encontravam na cozinha junto à lareira que não estava acesa (pois a chaminé tinha de ser limpa).
Mais uma vez fomos surpreendidas ao ver a D. Maria "fora da sua cama" e vestida!! Durante algum tempo esteve acamada mas parece que agora deu um rumo diferente à sua vida. Ambas estavam bem-dispostas se bem que com algum frio.
Próxima e última visita foi às irmãs D. Dulce e D. Arminda. Em casa apenas estava a D. Dulce e a D. Arminda que lhe estava a fazer companhia enquanto restante família tinha ido à missa. Como estava frio e estava a descansar acabamos por conversar durante algum tempo no seu quarto.
Assim que terminamos as visitas e a nossa oração, partimos rumo ao Porto.


Ana Machado | Basseiros

terça-feira, novembro 24, 2009

precisamos voluntários!

Olá!

Queres dedicar dois minutos do teu tempo e ganhar algo com a visualização deste vídeo:

Experimenta, clica no link: 



O FASRondas é um grupo de voluntariado social, que actua em cinco vertentes diferentes Famílias, Aldeias, Sem Abrigo, Imigrantes e Séniores.
Neste momento estamos a precisar de pessoas que tenham vontade de ajudar, dar um pouco de si e cuidar do outro. Todos juntos poderemos fazer mais e melhor e contribuir para uma cidade mais solidária e fraterna.
Se te identificas com esta missão junta-te ao nosso grupo!
Precisamos de:
Vertente Aldeias
6 vagas
Nesta vertente efectuámos visitas a 4 aldeias de Amarante, com uma população idosa maioritariamente feminina, que nos recebe com um grande sorriso, e apenas precisamos de tempo para estar e ouvir. Estas visitas marcam a diferença na vida de todas as pessoas que acompanhámos. São criados laços de amizade, onde está presente a partilha e com o intuito de tornar a solidão menos notória.
As visitas são efectuadas mensalmente, ao sábado, com partida do Porto pelas 11h e chegada às 19h.

 Vertente Sem Abrigo
5 vagas
Sendo que quatro delas, têm de ser preenchidas por voluntários do sexo masculino, e um deles com carro.
Na vertente temos cinco trajectos diferentes, sendo cada um deles composto por cinco voluntários, as visitas são feitas todos os domingos à noite, com saída junto ao CREU na Rua Nossa Senhora de Fátima, pelas 21h45 e término entre as 24h00/ 01h00 dependendo do trajecto.
Aos nossos amigos da rua levamos carinho, amizade, vontade de estar e ouvir!
Se nos quiseres conhecer um pouco melhor espreita o blog:
http://fasrondas.blogspot.com/

Podes enviar um e-mail para, no caso de estares interessado(a) especificamente nestas vertentes, ou em qualquer uma das outras, até ao dia 05 de Dezembro.
 A sessão de esclarecimento será no dia 10 de Dezembro no CREU, pelas 20h00.


Esperamos por ti!
Um abraço.

FASRondas
Porto, 23 de Novembro de 2009

segunda-feira, novembro 23, 2009

Crónica da Visita aos Imigrantes - 15.11.2009

No arranque deste ano conseguimos garantir a visita à Unidade Habitacional de Santo António (UHSA) todas as semanas, com o grupo estável, embora sintamos ainda que há falta de voluntários para esta vertente.
Chegámos ao portão debaixo de uma chuva torrencial, ao atravessarmos o jardim ficámos completamente encharcados, mas, como sempre, fomos visitar pessoas que se calhar contavam connosco, não os podíamos desiludir.
Depois das apresentações reparámos que a maior parte não conseguia falar connosco, não sabemos falar russo, alemão, crioulo, chinês, …….. Tentámos, como sempre fazemos, encontrar um dos elementos que nos sirva de intérprete, mas os que havia não queriam deixar de ver o jogo que estava a ser transmitido na televisão.
Não desistimos e começámos o jogo do quebra-gelo, a pedir a cada um que se apresentasse.
Começámos nós a jogar, e fomos arranjando companhia, conversámos um pouco, e descobrimos que ainda estavam mais, e foram chegando, aos poucos. Foi o dia em que encontrei mais gente, e que muitos estavam lá há um dia, ou dois, tão pouco tempo.
Croatas, Romenos, Russos, Angolanos, Nigerianos, Guineenses, Marroquinos, Chineses, Brasileiros, Cabo Verdianos, estas foram as nacionalidades, que no meio da conversa e do convívio consegui saber, porque alguns deles não quebraram o gelo.
Despedimo-nos, como sempre, sem saber se nos voltamos ou não a encontrar da próxima vez, e com a sensação de que para uma boa parte deles proporcionámos um bocado de tarde diferente, assim o esperamos.

Valentina


Crónica da Visita aos Imigrantes - 8.11.2009

Mais um domingo à tarde, mais uma visita à USHA. São três os voluntários que, acompanhados por uma viola, se deslocam à unidade para passar a tarde na companhia dos "nossos" queridos imigrantes.
Como sempre, somos bem recebidos pelos seguranças, que já nos conhecem. Dirigimo-nos à sala onde guardamos o nosso material e já pelo corredor vemos caras familiares de indivíduos que, infelizmente, ainda aguardam a decisão do tribunal quanto à sua saída, quer da UHSA, quer de Portugal.
Dos cerca de 20 e poucos detidos presentes na sala de convívio, pelo menos 15 já nos são conhecidos, recebendo-nos ora com um sorriso, ora com um abraço. Alguns, até do nosso nome se lembram, o que nos deixa bastante orgulhosos do nosso trabalho: a nossa presença não lhes passa despercebida e é apreciada. Como já nos foi dito várias vezes…"obrigado por virem cá, ter connosco! é bom ver caras novas, faz com que o tempo passe mais rapidamente…". Sim, porque o tempo ali é como que se estivesse parado.
Conversamos com eles, partilhamos as suas preocupações, aborrecimentos, queixas, mas também rimos com eles: ouvimos as suas alegrias, coisas engraçadas que aconteceram nas suas histórias de vida tão turbulentas e, no final, apercebemo-nos de que, afinal, cada um de nós voluntário tem coisas em comum com cada um destes imigrantes ilegais detidos, o que nos relembra o quão iguais todos nós seres humanos somos.
Na despedida, estamos conscientes de que possivelmente algumas daquelas faces nunca mais veremos na vida (ou quem sabe, e por ironia do destino, os encontremos quer noutro contexto, quer, por exemplo, numa visita nossa aos seus países de origem). Contudo, sentimos que embora o nosso contacto tenha sido efémero, não foi sem dúvida supérfluo ou inútil, e ainda que nada possamos fazer para melhorar as suas situações cá fora, acreditamos que as nossas palavras de força, optimismo e coragem fazem diferença nas suas vidas.

Cláudia Henriques

Formação toxicodependência dia 3 de Dezembro 21h15 CREU

Olá a todos!
 
A formação em toxicodependência está agendada para dia 3 de Dezembro, pelas 21:15h, na biblioteca do CREU, com o Fernando Couto, técnico do CRI Matosinhos.
Esta será uma formação de carácter muito prático, o Fernando tem cerca de 15 anos de trabalho de rua, pelo que poderá esclarecer muitas das nossas dúvidas, e dar-nos algumas informações preciosas para o trabalho que desenvolvemos.
 
A formação é obrigatória para todos os voluntários da vertentes dos Sem Abrigo, e para os voluntários da vertente das Famílias que trabalhem directamente com casos de família que estão ligados a toxicodependência. No entanto, a formação é aberta a todo o FAS.
 
Pedimos que confirmem por favor a vossa presença / ausência para podermos tratar de todos os detalhes de logística, até porque a formação vai ser aberta a outros grupos que tenham interesse em participar.
 
Um beijinho e uma excelente semana para todos!
 
Sara

quinta-feira, novembro 19, 2009

Crónica das Aldeias 24.10.2009

Vamos lá falar um bocadinho das senhoras de Bustelo


Começando pela D. Maria, admiro a sua força de vontade. Estando "presa" a uma cadeira de rodas, surpreende-se a ela própria e aos outros quando faz as suas "caminhadas" agarrada ao varandim ou mesmo ao seu andarilho. Ela adora vestir-se com cores garridas e dos tons quentes - vermelho e laranja. Foi com estas cores que fez as suas primeiras pinturas com aguarelas. Sempre bem-disposta e alegre, gosta de recordar os tempos em que se dedicava ao trabalho no campo e da casa onde vivia, um grande quartel.

A D. Celeste gosta e precisa de se manter ocupada e foi com grande genica e entusiasmo que fez as vindimas deste ano, juntamente com a família. Tem a sorte de ter uma vizinha e amiga que mora em frente (D. Maria, também) que lhe faz muita companhia. Ela tem muita preguiça para comer, mas parece-me que faz uns bons petiscos quando quer!

A D. Fernanda adora os netos e preocupa-se muito com eles. Encontramo-la desta vez a dar de comer às galinhas e a uns lindos pintainhos, outra das suas paixões. Quando voltamos com ela para casa estava o jantar já ao lume, deviam ser umas 16:30 – que cedo! E era cá um cheirinho. Estivemos a conversar junto à lareira e passamos ali uns minutos agradáveis.

E chegamos a casa do nosso querido casal – D. Emília e Sr. Aurélio. Ele estava um pouco atrapalhado com a asma e também voltou a falar da leucemia que o obriga a ir periodicamente ao hospital. Estiveram a contar os tempos difíceis que passaram e os sacrifícios que ambos tiveram que fazer para sustentar a família, mas é com orgulho que o Sr. Aurélio percebe que conseguiu passo a passo fazer o melhor por eles.

Sofia Meister | Bustelo

terça-feira, novembro 10, 2009

Crónica da Ronda da Areosa - 1.11.2009

Começa a chegar o frio... Todos o sentimos, mas com certeza sentirão mais aqueles com quem estamos! Acima de tudo é bom ver como os minutos pautados pelas conversas, ora de como correu a sua semana, ora das suas histórias e vontades, pautados pelos sorrisos mas também pelos olhares, lhes aquecem o coração!
E mesmo com o frio, lá estaremos, sempre para mais uma semana!

Joana Sampaio

segunda-feira, novembro 09, 2009

Crónica das Famílias - 10.09

Retomamos as Crónicas mensais desta vertente, depois de uns meses sem partilhas virtuais.

Comecemos pelos rostos novos. No momento presente inicia-se mais um ano no FASrondas, estamos na "estação dos novos voluntários". Nas Famílias temos seis pessoas recém chegadas. Sejam todos muito bem-vindos!

Ao longo deste tempo os casos acompanhados também adquiriam novos estados e novos corpos.
A F., por exemplo, é uma família "fresca" já que o acompanhamento e as visitas regulares começaram em Agosto deste ano. A F. tem demonstrado grande apatia com as voluntárias e sincero gosto em poder contar com elas na sua vida. Além disso parece-nos que já foram importantes os esclarecimentos dados em matérias de Novas Oportunidades.
A B., por outro lado, optou por prescindir da presença dos "seus" voluntários na sua vida. Fê-lo com toda a liberdade e legitimidade a que tem pleno direito. Este foi um dos casos que regrediu bastante. Como em qualquer outra história do nosso quotidiano e das nossas relações uns com os outros, também nas Famílias as vidas, e seus trajectos, não são lineares. E nós devemos (temos que) respeitar e aceitar.
O E. mantém-se como um caso especial, onde o papel dos voluntários não passa tanto por uma ajuda sistemática, mas sim por uma espécie de  "provocação" que nutra reacções do mesmo perante a vida. Os encontros não têm sido ocorrentes, mas há um contacto relativamente regular que permite saber como está. Actualmente mantém-se no trabalho que tinha conseguido arranjar e… o contrato foi renovado por mais uma temporada! Está de parabéns!
No caso D.E. e Sr. F. nada de novo há a apontar. Mantém-se como uma família essencialmente acompanhada pelas rondas de domingo.
A família F. tem tido alguns precalços na continuidade dos voluntários, o que tem deixado a Filomena um pouco sobrecarregada, dado tratar-se de um caso com muito elementos na família. Tenta-se iniciar novos voluntários neste acompanhamento.
A L. mantém os seus problemas de sáude, o que  infelizmente é habitual desde a nascença.
A L. esteve uma temporada prolongada no Alentejo. Já regressada ao Porto, veremos como tudo corre daqui em diante…
O M. acabou o tratamento de desintoxicação alcoólica e das drogas (10 dias), com sucesso. No entanto acabou por surpreender toda a gente ao renunciar a sua ida para a comunidade terapêutica, e a querer arriscar-se sozinho no caminho muito difícil que é "manter limpo" sem um trabalho direccionada e especializado nesse sentido... Aguardando e vendo como tudo evolui.
A M. conseguiu, finalmente, adquirir os desejados dentes novos! O  regressai à família em Vila Real poderá ser um teste complexo, mas ela parece indicar o desejo de abraçar esse desafio. Assim, poderá este ser o passo final para o início da integração familiar de alguém que há dois anos visitávamos nas rondas e que andava pelo Aleixo….
O Sr. O. aguarda a vinda de novos voluntários.
A D. R. tem tido menos visitas, já que a Inês aguarda pela ajuda de mais voluntários. Actualmente parece também viver uma fase de maior necessidade económica.
O ZM1 está há um mês sem medicação, o que é muito preocupante. Já conseguiu pagar as dívidas e a sua casa tem vindo a ganhar recheio. O Miguel aguarda a entrada de um novo voluntário para o ajudar neste caso.
O ZM2 aparenta estar mais estável… É hora de velar com calma.

O voluntariado é um permanente estado de respeito, apoio, atenção e consideração. Não são só eles quem "pede". Também nós sentimos a permanente condição de aprendizes. Creio que é bom que assim seja. No fundo é sinal de que lidamos com os próprios desafios da individualidade de cada um, o que poderá igualmente significar que o fazemos então de modo realmente vivo.

Bem hajam a todos.
Raquel H.

sexta-feira, outubro 30, 2009

Crónica Boavista – 25.10.2009

Foi há um ano que entrei para o FASrondas, mais propriamente para a vertente dos Sem-abrigo.
Durante este ano os meus domingos à noite foram preenchidos com encontros e desencontros com aqueles a quem um dia a vida pregou uma partida. Sim, porque também há desencontros: o Sr. Ar que nem sempre estamos com ele e que há 2 meses que tem agrafes na cabeça e ainda não os foi tirar; o Sr. An que não encontramos há já muito tempo e que da última vez que estivemos com ele estava completamente embriagado; o ZC que anda sempre a correr para ajudar a estacionar mais um carro ou até com flores na mão para vender e assim arranjar mais algumas moedas. Mas também há os encontros com a partilha da semana, com os sorrisos que encontramos apesar da vida que levam. E são tantos os sorrisos que recebemos… O JP que esta muito mais comunicativo; o Sr. Al que está sempre a nossa espera; o Sr. G que continua com as suas mezinhas; a D. Fátima que passou a dormir na rua por causa dos ratos que estavam na sua barraca e que continua a espera de uma casa; o Sr. Z que tem andado mais triste desde que foi “desalojado” do seu T0+0 (como ele mesmo dizia) e que neste domingo recebeu a boa notícia de que a bicicleta que dois polícias lhe tiraram vai-lhe ser devolvida por ordem do tribunal; a D. G que já obteve o 9º ano pelas Novas Oportunidades e que continua entusiasmada e com vontade de apostar na sua formação a informática e também a obter o 12º ano. Foi e são assim as noites de domingo…
E, como sempre, o que não se diz, não se escreve, sente-se!

Manuela Seixas

quinta-feira, outubro 29, 2009

Crónica da Ronda da Batalha - 18.10.2009

Olá a todos
Chamo-me Francisco, e estou nas Rondas desde Abril deste ano. E embora o receio de não ser capaz de cumprir a tarefa me tivesse assaltado antes de a começar (por nunca a ter feito), a verdade é que as palavras que o Jorge me dirigiu na sessão de esclarecimento se revelaram muito verdadeiras. Dizia-me ele que se eu tinha MESMO vontade de fazer este género de voluntariado, ainda que  pensasse não ter a capacidade de o fazer, o melhor era lançar-me em frente, e talvez viesse a descobrir que afinal as ferramentas já cá estavam, eu é que as não conhecia.
Durante este tempo ganhei amigos e amigas, no FAS e na rua, e tenho descoberto todas as noites de Domingo (mas também durante a semana) o que é afinal isto de ser voluntário, quer nos bons momentos de boa conversa e sorrisos, mas também (e sobretudo) quando as coisas não correm como desejaríamos, quando as dificuldades aparecem. Para mim, tem sido precisamente aí que tenho descoberto quais são realmente as ferramentas que eu e todos temos (ou desencantamos) para fazer face aos silêncios, ao sofrimento, à vida dos amigos que encontramos na rua.
No início encontrámos o N. Costuma estar sozinho, no seu lugar habitual, mas hoje estava com outra pessoa. O N. tem 25 anos, é toxicodependente, e deixou a casa dos pais já há alguns anos, e conhecemo-lo há alguns meses. Diz-nos que está farto desta vida, que quer mudar, que já está à espera de uma vaga numa comunidade. No N. chamou-nos sempre à atenção o factor idade, e a possibilidade de uma vida que o mesmo ainda tem pela frente. Insistimos com ele para não desistir de se tentar tratar. Um dia encontrámo-lo tão em baixo, que ficámos cerca de 1 hora a conversar com ele, e o tempo passou quase sem darmos por isso, com poucas palavras, mas com a nossa presença e a procura de deixar alguma luz de esperança. Hoje essa esperança parece maior. Despedimo-nos com trocas de sorrisos, e um obrigado.
 Depois, fomos ter com o Sr. F., que tem 57 anos, e tem problemas de alcoolismo. Embora não muito conversador, conseguimos, na última semana, bater o record de tópicos de conversa abordados. Sendo a nossa intenção unicamente ganhar o "à vontade" das pessoas para melhor as poder ajudar, o desenrolar de algumas perguntas foi o suficiente para ouvirmos do Sr. F. algumas coisas da sua vida passada e presente, com algum humor à mistura. É visível uma grande revolta do Sr. F. para com a vida e o mundo, mas também já vamos sentindo que a nossa presença vai contando para ele nestas noites. Nesta, porém, encontrámo-lo a dormir profundamente, e depois de algumas tentativas para nos ouvir, assim o deixámos.
A seguir encontrámos o Sr. F., já conhecido desta ronda há anos, mas que presentemente tem a sua situação ainda mais complicada. O Sr. F. tem vivido num conjunto de papelões onde guarda todas as suas coisas, com uma higiene muito deficiente, e sabemos nós, com uma alimentação também ela limitada. Sofre de esquizofrenia, e alterna momentos de lucidez, com aqueles em que se embrenha nos seus escritos e histórias que dificilmente conseguimos compreender o sentido, e outros momentos em que o álcool faz a sua entrada. No entanto, recebe-nos sempre de uma forma simpática, gentil mesmo, e se não nos quer junto dele naquela noite, diz-nos que se quisermos não temos que ficar, que sabe que temos que ir ter com mais gente que precisa. Hoje estava fora do seu local habitual, porque junto ao seu sítio abriu um Hotel e uma loja, que o obrigaram a ficar sem sítio, e assim vagueia pelo passeio abaixo e acima, na rua. Encontrámo-lo lúcido, mas apreensivo com o que está a acontecer, para além de não conseguir dormir por o lugar onde está ser inclinado. Falámos-lhe então da hipótese de ir para uma habitação. Estando há tantos anos na rua, e à espera de uma resposta negativa, surpreendeu-nos com um sim, tal o medo que sente neste momento. Dissemos-lhe que, sem compromisso, iremos ver as possibilidades. No final, oferecemos-lhe um chá quente, que agradeceu com um sorriso a que já nos habituou, e que nos aquece o coração. Disse-nos que tinha sido uma boa ideia. Despedimo-nos.
Para terminar, rumámos até junto do J. Outro rapaz novo, também toxicodependente, que na semana passada fez anos, mas que não encontrámos. Desta vez sim, demos-lhe os parabéns, e ele brindou-nos com a notícia de que se inscreveu no programa da metadona. Já será um começo. O J. é de Estarreja, fez 31 anos, e até há algumas semanas estava acompanhado de um irmão, também visitado por nós naquele mesmo sito, o L, mais velho, e que presentemente está preso em Aveiro por acumulação de multas de comboio sem pagar. "Pecados" inevitáveis devido ao sorvedouro de dinheiro que é canalizado para uma dependência sempre acima de necessidades básicas como alimentação ou transporte para visitar a família. Ambos ainda a têm em Estarreja. Perguntamos ao J. pelas suas filhas que lá estão, e disse que as visitou no seu dia de anos. Aqui sentimos que não são muitas mais as ferramentas que temos, que a nossa presença e o nosso conselho são praticamente o que de melhor podemos fazer. O mais importante terá que ser feito por eles.
No fim da noite, encontramos outro caso semelhante ao do J. Trata-se do P., com 36 anos, que costuma andar nas suas lides de arrumador também por aqueles lados. Uma personalidade mais complicada de entender, mas que mesmo tendo a noção de que nem tudo o que diz é exacto, sabemos que a nossa presença pode ajudar a alterar alguns comportamentos, e quem sabe, como uma gota num regato, encaminhar para uma mudança que poderá ocorrer mais cedo ou mais tarde, mas que não podemos prever.
Até Domingo.
Francisco

segunda-feira, outubro 19, 2009

Crónica das Aldeias 10.10.2009

Olá =)
Eu sou o Diogo, desde Setembro de 2007 que faço voluntariado nas Aldeias, entrei para o FAS, para uma experiência diferente, Ser Voluntário!, desde então, que acordo, aos sábados, de quinze em quinze dias, ou uma vez por mês, para algo diferente, para algo que sei que aquele dia vai ser para aquilo, e sobretudo para aquelas queridas pessoas. Lembro as primeiras vezes que visitei as aldeias, toda aquela cumplicidade que já se sentia,... os rituais,... algo que ainda hoje é assim... e que é sempre bom e é sempre novo, de cada vez que fazemos mais alguns quilómetros até lá, conversas na viagem, o almoço, o cafézinho ou então a sorna, depois a partida para as nossas queridas senhoras, depois um encontro e a partida para o Porto... isto é mesmo giro...
Gostava hoje de partilhar uma história que me lembro muitas vezes durante as nossas visitas... os rituais...

O principezinho voltou no dia seguinte.
- Era melhor teres vindo à mesma hora - disse a raposa. Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três, já eu começo a ser feliz. E quanto mais perto for da hora mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já hei-de estar toda agitada e inquieta: é o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito.
São precisos rituais.
- O que é um ritual? - perguntou o principezinho.
- Também é uma coisa de que toda a gente se esqueceu - respondeu a raposa. - É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias e uma hora, diferente das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, têm um ritual. À quinta-feira, vão ao baile com as raparigas da aldeia. Assim, a quinta feira é um dia maravilhoso. Eu posso ir passear para as vinhas. Se os caçadores fossem ao baile num dia qualquer, os dias eram todos iguais uns aos outros e eu nunca tinha férias.
- Adeus - disse a raposa. - Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
[Saint-Exupéry, O Principezinho]


Muitos conhecem... mas é mesmo isto... Chegamos a Casa da D. Alda, chamamos cá de fora... e lá está ela... à nossa espera...
Com a D. Aurélia... nem precisamos de ir ter com ela... encontra-nos sempre, sabe sempre por onde estamos e por onde vamos,...
Com a D. Maria do Carmo... lá está ela... com a sua mantinha sobre as pernas à nossa espera na entrada da sua casa... e é isto... é este o ritual que nós levamos... para estas senhoras... é o bastante... saber que nós lá vamos... para poderem vestir o coração com um sorriso, e "É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias e uma hora, diferente das outras horas."
Aproveito também a crónica para lembrar a D. Cândida... e as suas histórias, e os seus suspiros...
Na última visita foi um dia de muitas recordações, falamos de quando começou o grupo a ir às visitas... a D. Alda lembrou todos os rapazes que por lá passaram nas visitas... o Tiago, os "Joões", o Nuno... das meninas também se falou...
no meio da conversa... falamos de política (eram as autárquicas no dia a seguir), notou-se ali entre a D. Alda e a D. Aurélia, umas pequenas divergências de opiniões, mas ambas sabiam em quem votar no dia a seguir, foi então que eu e a Isabel, decidimos desafiar a D. Alda e a D. Aurélia a um pequeno passeio, que acabou por ser bem maior do que eu julgava, a D. Alda, afinal estava cheia de força, e queria ir sempre "mais ali à frente" dizia ela que já não fazia aquele caminho à muito tempo, e a D. Aurélia... sempre fina... nem parece os seus 94 aninhos, não imaginam o quão forte ela é... é uma grande mulher.
Por fim fomos visitar a D. Maria do Carmo, e como é claro, acompanhados pela D. Aurélia, ali... a conversa rolou muito bem entre elas... enquanto eu aproveitei também para por a conversa em dia com a Isabel =)
Foi assim... mais um dia... um dia marcado pelas recordações, e pela força de jovens senhoras que visitamos.
Com muito mais a dizer... mas talvez fique para uma próxima...

diogoCosta

sábado, outubro 10, 2009

Crónica da Ronda da Areosa - 4.10.2009

Ser voluntário

Em vez do formato habitual, decidi escrever-vos sobre o que é para mim ser voluntária nos Sem-Abrigo.

1º - é preciso muita entrega e vontade

2º - mais ouvir do que falar

3º - compromisso

4º - estar lá

Depois desta lista parece difícil tudo o resto… mas na verdade é muito fácil… Desde que comecei a fazer rondas, há mais de 2 anos, que não paro de me surpreender com tudo o que acontece à minha volta e com tantos sorrisos e tantas lições que as pessoas que visitamos nos dão. Fui percebendo que as ligações que se criam são muito fortes e que essas pessoas também se interessam por mim, por saber que eu estou bem! Assim, depois de cada Domingo e antes de me deitar, penso em tudo o que aquela ronda me trouxe… é verdade que umas vezes me deito mais contente do que outras mas no Domingo seguinte lá estou para mais uma conversa, mais um copo de leite, mais um monte de novidades ou de notícias repetidas… para visitar os amigos da rua!

Maria Freitas

quinta-feira, outubro 08, 2009

Crónica das Aldeias 26.09.2009

Olá a todos!

Eu sou a Joana, a mais nova do grupo de visitantes das nossas queridas tias e, se não me engano, tio de Amarante.
Depois de já dois meses de férias, regressei às Aldeias. Apesar de um regresso um bocado confuso, pois só consegui ir ter a Amarante depois do almoço, estava bastante entusiasmada por conhecer as novas senhoras de Ansiães (a "minha" Aldeia). Fui com a Marta e o Adriano e começámos logo pela D. Ondina, uma senhora fora de série, cheia de energia, que falou literalmente a visita toda. Entre política (estavamos em véspera de eleições), mortes, a sua enorme família (tem 8 filhos a viver entre Porto, Lisboa, Algarve e França) e ensinamentos linguísticos, foi difícil conseguir acompanhar o ritmo speedado desta engraçadíssima senhora. Para terminar em beleza, espetou-nos aos três 4 beijos "à francesa" , disse-nos ela.
Em seguida, fomos a casa da D. Aldina, também a minha primeira vez, e fomos recebidos com um enorme sorriso desta tia sentada na varanda a apreciar a vista e o alto dia de sol que estava. Conversámos um bom bocado e tratou-nos como se fossemos da família. Insistiu imenso para que bebêssemos a água pura da fonte ao lado da sua casa.
Já atrasados, fomos bater à porta da Tia Rita (por quem eu tenho uma especial empatia, se me é permitido) que estava a lanchar. Ficou furiosa por só estamos a vir agora, já pensava que não vínhamos. Ao contrário das outras tias, a Tia Rita é completamente autónoma e é ela que cozinha e limpa a casa. Além disso, tem a vida toda organizadinha e por isso não gostou muito que lhe viéssemos interromper o lanche. No entanto, depois de nos por na linha, insistiu imenso e lá nos ofereceu um chá de hortelã divinal. Conversámos sobre as eleições, o seu amor (irónico) ao Sócrates, entre outras coisas. O que teve mais piada foi o facto de achar que conhecia o Adriano de algum lado, dizia ela: "Eu tenho a certeza que já vi alguém igual a ele". Sem chegarmos a nenhuma conclusão, tivemos de sair à pressa, porque ainda nos faltava a D. Carminda, com a promessa de na próxima visita estarmos lá às 15h.
Com a Tia Carminda já não conseguimos estar muito tempo, mas ainda conseguimos trocar umas palavras com ela e com os familiares que estavam. Não falou muito, porque estava fraquinha, mas surpreendeu-me carinhosamente com um beijinho na mão. Sentir as mãos daquela senhora, com aquele sorriso encheu-me o dia!
Cansados, mas felizes, juntámo-nos a grupo que nos esperava em Basseiros a comer uvas.
Conversámos um bocado e despedimo-nos cada um de volta ao seu dia-a-dia, mas sempre com estas senhoras connosco, prontos para voltarmos daqui a um mês ou até antes...


Joana Leite de Castro | Ansiães

quarta-feira, outubro 07, 2009

Sessão de Esclarecimento

Sessão de esclarecimento a novos voluntários:

Dia 08 (quinta-feira), às 20h no CREU.

Se estás interessado(a) em fazer voluntariado, aparece!

Vem conhecer-nos!

Podes enviar um e-mail para:

fasrondas@gmail.com