segunda-feira, julho 18, 2011

Crónica da Ronda da Areosa - 10.07.2011

Vivemos a era do relógio em que tempo é dinheiro. Mas será isso fundamentalmente importante para o nosso processo evolutivo? Quantas vezes no dia-a-dia, depois de um dia desgastante não olhamos em retrospectiva e constatamos um vazio absoluto naquilo que foi feito? Por isso é que todas as semanas, com mais ou menos assiduidade visitamos os nossos amigos e lançamos sementes na expectativa que o fruto resultante possa trazer esperança e a alegria duma vida melhor. É esse o desafio que nos faz mover e dessa forma também completa as nossas vidas.

Todos saímos a ganhar numa espécie de relação simbiótica. Os nossos amigos, que todas as semanas nos aguardam contam connosco. Individualmente procuramos contribuir para que naquele momento se possa transmitir uma mensagem de esperança, para ajudar a ultrapassar mais uma semana, que muitas vezes não passa disso mesmo, mais uma semana. Como cristãos, e ainda que também estejamos num processo evolutivo, cabe-nos a nós ouvir as suas histórias e dar-lhes ânimo, e, tal como foi referido na liturgia da semana passada, lançar a 'semente', para que essas pessoas façam o cultivo da vida utilizando o seu livre arbítrio.

Do nosso lado teremos igualmente a ganhar. Também nós aprendemos com os nossos amigos todas as semanas. Através das suas histórias percebemos muitas vezes que os nossos problemas, provavelmente não serão bem problemas à luz das dificuldades percebidas através daqueles que visitamos. Isso ajuda-nos a nivelar as nossas expectativas e permitirá uma melhor resolução de certos obstáculos que se nos deparam. Isso torna-nos mais fortes e mais atentos para ajudar aqueles que precisam de nós.

Seja em casas particulares ou nos vários locais em que paramos ao longo da nossa ronda, todos os nossos amigos representam já um bocadinho de nós, das nossas vivências, dos nossos pensamentos, das nossas orações. É com muita satisfação que encaramos esta missão, pois acredito ser essa a única forma de o fazer. É com muito prazer que faço esta crónica e apesar da humildade nas palavras empregues, revejo aqui todos os sorrisos colhidos em todos aqueles que visitamos.

José António

domingo, julho 10, 2011

Crónica da Ronda da Batalha - 19.06.2011

Quantos de nós pensou um dia ser Voluntário?
Saberemos o que realmente é ser Voluntário agora que o somos?
Os anos vão passando...
Mantêm-se a vontade de dar...
E de receber...
Pensam muitos que não recebem...
E não receberão, aqueles que não ouvem,
que não sentem...
e que não vivem... cada minuto de noites quentes e frias,
cada conversa, cada momento, cada partilha só nossa e única!

Sem abrigo? Duro este "rótulo"!
Prefiro, "sem destino , ainda!"
Abrigo não é apenas um telhado,
mas uma mão estendida, um amigo, uma palavra!

Dicionário pessoal de algibeira diz:
"voluntário é aquele que sente,
que vive intensamente,
que não é indiferente,
que procura vezes sem fim
a melhor das melhores formas
de apoiar, partilhar, rir e chorar...
De mãos abertas, prontas para ABRIGAR!

Eis que surgimos para tornar
Cada pequeno momento, num grande momento,
numa grande festa... num rumo,
Quem sabe um dia num caminho,
longo, mas de esperança e certeza,
de um destino melhor!

É em ti, N., que pensamos todos os dias,
Quando Domingo após Domingo te vemos "mais dentro"...

Esperamos uma Luz, talvez um sinal,
Para conseguirmos continuar abrigar-te, AMIGO!

Sabina Martins

Crónica das Aldeias - 18.06.2011

Uma nova estação
Já não ia a Bustelo desde Dezembro. Não há como evitar, a vida de um recém-casado traz novas exigências :)

Um dia pleno de surpresas! A começar pela serra onde os traços da nova auto-estrada são já bem evidentes.
Entre os voluntários, foi bom rever as caras conhecidas. Mas há sangue novo na equipa, gente bem disposta e entusiasmada. Parece que estão a gostar!
Os sinais de mudança não ficam, contudo, por aqui. Em “Bustelo de Baixo” duas novas “aquisições” nos aguardavam: o Sr. Lima e a D. Isaura. Cada um à sua maneira revelaram-se pessoas interessantes; gostei de conhecê-los. E acho que apreciaram a nossa visita!
Infelizmente, nem tudo foram boas notícias. Três dos meus “idosos de sempre” não andam bem de saúde e acabei por não os poder ver. Só espero que recuperem rapidamente e que seja possível visita-los em breve.
O dia terminou com uma boa conversa na varanda da D. Maria. O Marão ergue-se no horizonte, numa vista soberba. Está a chegar o Verão e já sinto saudades de Bustelo.

Nuno Afonso

segunda-feira, maio 30, 2011

Crónica da Ronda da Batalha - 15.05.2011

"Encontramos sem nunca realmente te termos perdido"

Foi um encontro incrível…

Uma surpresa inesperada…

Um momento imprevisto…

Sentimentos baralhados…

Será verdade? Parece verdade?

Isso mesmo…

Lá estava ele, depois de dias de recuperação,

De esperança de vida, de renovação, …

Abordagem, palavras, conversa longa…

Um odor invejável, um aspecto notável,..

Disposição de menino jovem…

Foi um momento único, real, …

Mas até quando?

Esperaremos mais uma semana…

Mais uma espera, mais uma esperança!

Terminou a noite repleta de emoções partilhada de uma outra forma!


Sabina Martins

Crónica Aldeias - 28.05.2011

E chegou a minha vez de escrever a tal crónica, vamos lá ver se a coisa corre bem!!!

À hora do costume e no sitio habitual lá nos encontramos para mais uma visita às nossas princesas :) Saídos do Porto em rumo ao Marão, fizemos a nossa primeira paragem no parque de merendas habitual. Depois do escolhe, escolhe lá nos decidimos onde "abancar", uma bela sombra, isto porque o calor apertava e de que maneira, diria que o meu termómetro apontava uns 30ºC à sombra. Depois da mesa pronta, toca a saborear o nosso belo repasto, carregado de iguarias e com direito a um belo Vinho do Porto, oferta da nossa Carminda. Barriguinha cheia, seguimos em direcção ao café para repor os níveis de energia. Agora sim, prontos para as nossas visitas!!!
Chegamos a Candemil e o calor apertava, fomos de encontro à D. Aurélia que já nos esperava de chapéu e óculos de sol, prontíssima para o nosso passeio. Bem, deviam ver a alegria da D. Aurélia ao ver o nosso Diogo :) Como o calor apertava, ficamos um pouco em casa da D. Aurélia a ouvir as ultimas novidades, os passeios, os problemas de saúde, as coisas do dia a dia e até de política falamos!!! Resumindo a D. Aurélia apesar dos seus problemas de saúde, típicos da idade, encontra-se bem e com aquela boa disposição que a caracteriza. Mas não pensem que nos livramos do passeio, mesmo com o calor lá fomos nós passear pelos recantos de Candemil. Depois de uma paragem na fonte para nos refrescarmos, seguimos em direcção a casa da D. Alda, que também nos aguardava com aquele sorriso delicioso:) Ficamos por lá um pouco à conversa, até que conseguimos arrancar a D. Alda de casa para uma bela sombra. Com a brisa que corria, por lá ficamos à conversa e com direito a música da banda local que por lá andava, não era como a banda de Chico Buarque que cantava coisas de amor, era a banda que tocava bombos e acordeão mas que também alegrava Candemil. E depois de muita conversa e cantoria, chegava a hora da despedida. Com o tempo a mudar de cara seguimos em direcção a Basseiros para apanharmos o Marcelo e a Ana. A caminho de Bustelo demos de caras com uma bela cerejeira, que por sinal, estava carregadinha de cerejas. Era difícil não atacar aquela cerejeira, tão difícil que não resistimos... E lá foi o nosso Diogo, em busca das cerejas perdidas, melhor dizendo dos ramos da cerejeira, isto porque o Diogo presenteou-nos com dois belos ramos de cerejeira, carregadinhos de deliciosas cerejas!!!! Depois desta breve paragem, continuamos a nossa viagem até Bustelo, o ponto de encontro habitual. Como fomos os primeiros a chegar, resolvemos ocupar o nosso tempo enquanto esperávamos pelos restantes. Agora adivinhem a fazer o quê???? Pois, mais uma vez lá fomos nós atacar as cerejeiras de Bustelo. Bem, não há coisa melhor do que comer cerejas directamente da árvore, que maravilha, eram mesmo muito boas, docinhas !!!!! E com isto tudo, chegou a chuva que nos fez companhia durante a partilha. Visitas feitas e sorriso no rosto, seguimos em direcção ao Porto, desta vez acompanhados pela chuva ...

Sandra Cardoso - Candemil

quinta-feira, maio 26, 2011

Crónica das Aldeias - 14.05.2011

Cá vou escrever outra vez, em três anos de visitas, esta é a terceira!!
Sou a Joana, tenho 20 anos, a ex-mais nova do grupo (agora a Clarisse com 19) e pertenço ao grupo que vai a Ansiães.
Desta vez, ainda éramos alguns e conseguimos ir aos pares às várias aldeias, Ansiães foi a única aldeia em que íamos três: eu, a Alexandra e a Clarisse. Antes de irmos visitar as nossas senhoras, lá fomos piquenicar todos para ao pé da igreja e, como estava óptimo tempo, e com novas voluntárias (ou seja, com comida óptima – só para quem não sabe, sempre que há novas voluntárias lá vêm cheias de bolos caseiros, frutas deliciosas, o caso de cerejas e morangos divinais, e depois, todos nos começamos a desleixar um bocado...), estivemos muito bem a conversar e a carregar baterias.
Depois, lá fomos cada grupo para as suas visitas, combinando encontrarmo-nos todos em Bustelo, como de costume. Lá fui com a Alexandra e a Clarisse, as duas umas porreiras, e começámos logo pela Tia Rita. Íamos cheias de medo, porque na última visita estava doente e na cama, o que não é nada normal. Entrámos a medo e não é que lá estava ela sentada na cama, toda gira e bem-disposta como se nada fosse? Esta senhora é uma força da natureza e, com já 91 anos, está sempre impecável e tem sempre alguma coisa para nos ensinar! Desta vez a visita foi diferente porque estava também uma das filhas, brasileira, toda simpática (não a conheciamos), e uma vizinha. Estivemos todas à conversa e entre cozinhados, votar ou não no Sócrates, laços de família, "esta é filha desta e casada com aquele e tal", lá estivemos todas entretidas! Não demos pelo tempo passar e a certa altura tivemos mesmo de ir embora (Infelizmente) … Mas a Tia Aldina também precisa de nós! Então, lá fomos nós vê-la, um bocado mais acima da rua, sentada cá fora com uma amiga, as duas a apanhar sol – a sério, as duas todas risonhas dava alta fotografia! Estivemos um bocado as cinco à conversa, a saber como estavam, a falar sobre os filhos, sobre os tempos em que elas eram novas, foi de rir! Adorei quando começaram a falar sobre os tempos em que tinham a nossa idade e a dizer que nós éramos todas "bem-feitinhas, delgadinhas..!"
Entretanto, o tempo já estava a apertar e ainda tínhamos de ir à Tia Ondina. Chegámos lá e estava à nossa espera, sentada numa pedra cá fora! Ficámos um bocado à conversa, esta Tia é uma divertida, fala imenso e nós só precisamos de a ouvir!! Mas, como já estava a chegar a hora, tivemos de vir embora mais cedo, prometemos que para a próxima visita a vínhamos buscar para ir connosco a casa da Tia Aldina. Ficou toda contente!!
Lá fomos então ter com os outros a Bustelo, já estavam à nossa espera, lanchámos qualquer coisa rápida e, todos contentes (reparei logo), lá fomos para o Porto, mas entusiasmados por voltar, uns daqui a 15 dias, outros daqui a 1 mês…

Joana Leite de Castro

segunda-feira, maio 16, 2011

Crónica das Aldeias - 30.04.2011

No dia 30 de Abril fizemos umas visitas às Aldeias diferentes do habitual. Neste dia fomos acompanhados por um grupo de alunos do 12º ano da Escola Secundária Carlos Amarante em Braga que queriam realizar um trabalho sobre voluntariado em meio rural no âmbito da disciplina Área de projecto. Tivemos direito a filmagens, fotografias, entrevistas: uma reportagem à séria!
Os alunos partilharam o almoço com o grupo todo seguindo depois com os voluntários de Bustelo, aldeia onde actualmente visitamos mais pessoas.
Nós voluntários ficámos radiantes com esta iniciativa e os nossos velhinhos e velhinhas adoraram ver o nosso grupo ainda maior que o habitual.
No início havia uma certa timidez com as câmaras mas a simpatia do Tomás, da Daniela e da Maria, alunos que nos acompanharam, fez com que rapidamente o à vontade se instalasse em todas as casas visitadas.
Tinham que ver o Sr. Lima a contar a sua maravilhosa mas difícil história de vida por terras angolanas e a D.Fernanda a recordar o episódio trágico em que deu um trambolhão com um balde de milho e outro de veneno de rato mesmo em frente às galinhas, acabando estas por ter um triste fim...
Também as irmãs D.Maria e D.Celeste foram ilustres entrevistadas e a D.Maria contou aos nossos repórteres o episódio em que o seu filho com 2 anos declamou na igreja "A 13 de Maio na cova da Iria apareceu brilhando a Virgem Maria".
Em casa da D.Emília falou-se de uma vida simples mas feliz no campo e de novos ofícios como cozer sapatos.
Apesar da chuva foi um dia muito agradável e pareceu-me que os nossos visitantes gostaram da experiência.
Agora nós esperamos ansiosamente o resultado do trabalho que partilharemos aqui no Blog logo que possível.

Teresa Monjardino - Bustelo

quarta-feira, abril 27, 2011

Crónica Imigrantes Março 2011

Centro Comunitário de São Cirilo, 15h30, a Valentina já lá estava, a Sónia chegou pouco depois. Este fim-de-semana adiantamos os relógios uma hora. Sol mas com ameaça de alguns chuviscos, nada que nos demova da nossa vontade de estar com as pessoas que se inscreveram para visitar a exposição de Darwin no Jardim Botânico.
Não faço parte da vertente, aceitei o desafio de acompanhar o grupo nesta primeira visita, apenas conheço os relatos dos contactos com os Imigrantes feito pelos meus pares.
Do grupo que nos irá acompanhar fazem parte quatro ucranianos e um guineense. Os primeiros já estão no país há algum tempo e falam um pouco de português, o último está cá por motivos de saúde do filho e dele próprio, mas sempre com um sorriso nos lábios embora não perceba quase nada da língua.
Questiono-me sobre quem são estas pessoas, com uma cultura diferente da nossa, língua, crenças, etc… como é estar num país que não é o nosso, numa comunidade que desconhecemos, numa família re-inventada. Este estar não é por opção, como quando viajamos em férias ou trabalho, ou vamos estudar para outro país, é uma obrigação, uma luta por mais dignidade e melhores condições de vida. É a esperança num amanhã melhor a quilómetros de casa, daqueles que lhes são mais queridos, de tudo aquilo que faz parte da nossa entidade enquanto seres enraizados num dado local.
Surpreende-me a abertura destas pessoas, que num domingo à tarde resolvem acompanhar um grupo de desconhecidos, para verem uma exposição.
Surpreende-me a capacidade de adaptação às dificuldades e a um modo de vida completamente diferente.
Surpreende-me a entrega e a partilha.
Surpreende-me a forma de comunicar e utilizar a linguagem não verbal, o sorriso. Nuns casos mais contido dado os hábitos culturais, noutros mais expansivo.
E, assim o olhar fala. Por gestos.
Percebo claramente que embora a linguagem verbal seja muito importante na nossa inter-acção com os outros seres humanos, há uma forma de comunicar invisível, que também se aprende, e que por vezes, não é devidamente utilizada, que é o AMOR.
No fim do dia, voltámos para casa ainda mais gratas por todos aqueles que nos rodeiam, e estão física e emocional muito perto, e por aquelas pessoas que num domingo à tarde, longe de casa, e dos seus, se entregaram e partilharam um pouco da sua vida naquela vista à exposição de Darwin.
Enquanto escrevo isto recordo toda aquela tarde, desde o percurso que fizemos, das pequenas conversas, e sobretudo os olhares de quem espera fazer parte e acredita num amanhã melhor!
Sara Gonçalves

quarta-feira, abril 20, 2011

Crónica Março 2011 FasFamilias

Muito Pouco

Todo o percurso, quase uma viagem, ainda sem porto de chegada, quase sem casa de partida, mas todo o percurso, até longo, por vezes penoso, mas todo o percurso portanto que partilhei com a R. pode ser descrito em poucas palavras. Destas, a mais fiel talvez seja precisamente essa: "pouco".

Foi muito "pouco" o meu papel na vida da R., foi quase insuficiente a minha presença para a tornar um bocadinho melhor, foi "pouco" o meu tempo, "pouca" a minha disponibilidade, "pouca" a minha iniciativa, "pouco" o meu cuidado e a minha assistência, "pouca", muito "pouca" até a minha capacidade para fornecer a tal cana que o voluntário tanto ouve falar, "pouca" afinal a minha diferença, se é que alguma na vida da R..

Agora sei no entanto que a dimensão da ajuda que prestamos, se "pouca", "muita" ou "assim-assim", não depende apenas de nós. Aprendi que "pouco tempo" se torna muitas vezes "essencial" apenas por se tornar "insubstituível" e que "pouca iniciativa" se torna muitas vezes "instrutiva" apenas por promover o "ser independente". Aprendi que "a tal cana" se encontra muitas vezes em sítios tão ocultos, impossíveis de alcançar, mas que é a viagem para a alcançarmos que se torna, tantas vezes "a nossa pesca". Aprendi, muito recentemente, que o "pouco" de que falo se pode tornar "enorme" apenas por ser "possível".

E que é apenas por ser possível, que estes "poucos" se tornam "tantos" na presença e com a ajuda sempre de quem ajudamos.

Por isso sei, agora, e tal como foi lido há algum tempo numa reunião mensal da vertente: "a caridade faz bem a quem a pratica mas nem sempre a quem precisa verdadeiramente de ser ajudado". Se para mim a experiência com a R. foi um "POUCO" de aprendizagem e de apreensão de consciência do mundo desumanizado que vivemos, espero que para a R. o "POUCO" que foi tenha sido pelo menos "POSSIVEL".

Inês Sá

quinta-feira, abril 14, 2011

Crónica FasFamilias Fevereiro 2011

"Ser voluntário, ajudar os outros é bem mais complicado do que alguns possam pensar: é necessário estar presente sem concordar e entender, é preciso apoiar mesmo quando sabemos que esse não será o melhor caminho. É assim a nossa história, uma história com voltas e reviravoltas constantes de idas e chegadas."

Recorrendo às palavras da Sofia e da Cecília, outas voluntárias, torna-se mais fácil transmitir aquilo que sentimos após um ano de partilha e compromisso. Apesar da vontade de Dar/Ajudar ser muita, nem sempre se torna suficiente para termos forças para semanalmente pôr mãos à obra… sobretudo em momentos que não encontramos nos adultos lá de casa a disposição de nos ter presentes ou o reconhecimento de que as crianças, e muitas vezes até mesmo eles, precisam de nós… dar o nosso tempo, carinho e amor para nós não é sacrificio, mas, por vezes, desilude-nos um pouco sentirmos que nem sempre somos bem-vindos…

Mas a verdade é que, embora a D.F. e a L. precisem também de ajuda, as principais razões para que todas as semanas nos desloquemos ao Viso são quatro: E. , P. , C. e N. Eles sim, fazem valer a pena o nosso esforço! Foi esse o objectivo a que nos propusemos e é esse que temos tentado cumprir, e quanto a isso não podíamos estar mais satisfeitos… apesar de a visita ser curta e o tempo passar a voar, ela é preenchida não apenas por lições e trabalhos, ou por conversas e obrigações, mas também por abraços, beijinhos e muita brincadeira .

Apesar de idades muito semelhantes, as quatro crianças são todas diferentes, o que para nós se revelou mais um desafio, descobrir e aprender a conviver com cada uma delas.

O E., é o mais novo e o mais agitado. Nas nossas primeiras visitas era o miudo que se demonstrava mais carente de atenção, tornando-se dificil trabalhar com ele, hoje em dia está mais calmo nas abordagens que nos faz. É um menino inteligente e extremamente doce, que com as nossas visitas tem demonstrado interesse gradual em aprender e brincar connosco.

A P. é das quatro crianças aquela que mais mostrou que a nossa ajuda se tem tornado importante. Recordamos a P. como uma criança com muitas dificuldades de aprendizagem, hoje temos uma P. capaz de lidar com essas dificuldades, reconhecendo as suas fraquezas e tentando ultrapassa-las, há mais vontade de trabalhar e mais esforço para se auto-corrigir.

O C., é o mais infantil no que diz respeito a comportamentos, isso talvez se deva ao facto desta criança ser a mais afectada pelo meio envolvente, é a que procura mais carinho da avó, tornando-o no menino mais mimado. Apresenta sérias dificuldades em exprimir-se oralmente e necessita de recorrer a terapia da fala para corrigir esse problema.

O N., o mais velho, é o menino a quem são atribuídas mais responsabilidades, sendo o menos acarinhado e sendo alvo de comentários menos apropriados por parte da D.F. e L.. Inicialmente ignorava a nossa presença nas visitas, talvez por ser mais timido, contudo, gradualmente aprendeu a conviver connosco, conseguindo fazer-se com que participe em tudo o que desenvolvemos.

As pequenas evoluções de cada um, e sobretudo, os laços criados com estas quatro crianças, são a força que temos e precisamos para ter vontade de continuar.

Nuno Rodrigues e Catarina Barbosa

segunda-feira, abril 04, 2011

Crónica da Ronda de Santa Catarina 20.03.2011

As rondas não são feitas de sacos, de roupas, de comida, de tempo. As rondas são feitas de pessoas. Daqueles que nos esperam debaixo de cobertores puídos de sonhos destruídos, de rosto sujo de indiferença, de olhar cabisbaixo e palavras contadas. De nós que os visitamos de sacos cheios de reservas e esperanças, pensamentos doces, lágrimas salgadas e o pão-nosso de cada dia. Começa por ser um domingo da semana, com pessoas que mal conhecemos e que nos recebem com apreensão. Com o frio e com a chuva, tornamo-nos pessoas movidas por uma obrigação. Com a rotina, e sem nos apercebermos, algo toma conta de nós. De uma forma subtil, que incomoda de tão íntima, tornamo-nos pessoas comprometidas com outras pessoas. Criamos relações. Já não há o meu eu do trabalho, o de casa, o dos amigos, o dos sem abrigo. Aquelas pessoas passam a fazer parte da nossa pessoa. Aquelas pessoas deixam de ser sem-abrigo. A sua casa é na minha preocupação, na minha vontade de saber como correu a semana, no chã que preparamos com cuidado antes de sair de casa, nos objectos que fazem falta, e nos esforçamos por encontrar em conjunto; nos telefonemas aflitos, na discussão de cada caso antes de entrarmos de novo na vida deles. Assim como eles entraram de rompante na nossa. Esta história é feita de compromissos. Comigo próprio, mas sobretudo com as pessoas que me acompanham. Com 4 pessoas de idades diferentes, trabalhos diferentes, gostos e ideias diferentes, mas algo em comum: este domingo, estas horas em que nos tornamos uma equipa com uma missão. Com uma relação. Podemos não ser amigos, como diz a Ana, nem ir jantar à casa do Rodrigo na Foz. Não arranjamos voluntários surfistas para Natália, e não sabemos conduzir como o Hugo, mas existe algo mais profundo que nos une: uma relação re-criada todos os domingos, entre nós…e os outrora sem-abrigo.

Vanessa Pereira

terça-feira, março 15, 2011

Crónica das Aldeias - 26.02.2011

Como é habitual, Sábado às 11h00 no ponto de encontro de sempre, perto do Creu, remamos às nossas Aldeias perto de Amarante.
Como o bom tempo ainda não chegou, partilhámos o nosso almoço na casa onde se celebra a catequese. Após alguns momentos de convívio, partimos para as visitas às nossas senhoras/senhores que, ansiosamente, aguardam a nossa boa disposição e predisposição para ouvir as suas histórias.
A minha aldeia é a de Basseiros.
Ao caminharmos para a 1ª visita encontramos a D. Celeste, que devido a problemas de saúde, estava a ir para o hospital, acompanhada pelos filhos. A D. Celeste normalmente recebe-nos com um grande sorriso e canta para nós, mas desta vez não aconteceu. Tenho a certeza de que, com a força que tem, irá recuperar rapidamente.
De seguida partimos em direcção ao quarto da D. Maria. Como o tempo ainda está frio, acaba por passar o dia na cama. Bem tentamos dar um passeio, mas…. no verão já vai ser diferente.
Ao olharmos em redor, pensamos … e se déssemos um "refresh" ao quarto será que a D. Maria iria gostar? Pintar e torná-lo mais acolhedor…uma vez que passa muito tempo no mesmo. A ideia agradou!!!
Por último, após uma subida acentuada, chegámos a casa da D. Dulce. Normalmente encontra-se deitada e a descansar por isso muitas vezes acabamos por falar com o marido, filha e neto. Mas tentámos e gostámos imenso porque, para além da alegria ao ver-nos, conversou imenso sobre "coisas da vida". Acho que tínhamos conversa para toda a tarde.
A D. Arminda (irmã da D. Dulce) não estava em casa e por esse motivo não tivemos a oportunidade de a visitar, mas sabemos que se encontra bem.
No final das visitas encontrámo-nos em Bustelo, como é habitual, para partilharmos entre todos a experiência, o que levamos e o que recebemos assim como agradecer este dia tão rico.

AM - Basseiros

segunda-feira, março 07, 2011

Crónica da Ronda da Batalha - 06.03.2010

Noite calorosa esta… Num Inverno rigoroso como tem sido este! Hoje vou fugir às habituais crónicas que costumamos fazer, pois alguns pensamentos têm tomado conta de mim. As caras novas que o nosso grupo tem… as ausências que me fazem falta (onde andas Pedro Pardinhas… e outras que com dificuldade conseguiria mencionar uma a uma).

Talvez também esta noite, pela "ausência" da maioria dos nossos amigos, aumentasse a minha capacidade de sonhar e acreditar num mundo melhor, mundo este em que cada um de nós tem uma quota-parte de responsabilidade. Quantas vezes pensamos nisto? Ou melhor, quantas vezes pensamos que "eu, não tenho responsabilidade sobre o que se passa lá fora"… Tenho a certeza que "este egoísmo" muitas vezes se apodera de nós e nos consome parte (mais ou menos) do nosso dia-a-dia. Tal como reflectimos hoje na oração conjunta (obrigada Maria pelo mote!), temos de dar mais valor à vida e até fazer alguns sacrifícios. Vamos todos os Domingos à noite dedicar parte do nosso tempo, mas não esqueçamos que podemos fazer sempre mais. E de coração, o maior exercício que podemos fazer é aprender a Viver e a valorizar a VIDA.

Ontem olhei para o M. e senti algo bastante estranho… Como sempre um pouco distante, mas incrivelmente olho para ele e mesmo nesses momentos só me vem à cabeça um sorriso que de vez em quando lhe sai por debaixo de um chapéu sujo, de um cabelo comprido loiro à noite e ruivo de dia.

Passemos a ver a Vida pelo lado positivo…

Mariana, espero que tenha sido uma boa experiência e que todos os dias possas recordar estes momentos e olhar para as ruas do Porto com um outro Olhar, uma outra Vida.

Boa semana para todos! Obrigada Amigos de Ronda por partilharem todos os momentos, obrigada a todo o Grupo sem excepção.

Sabina Martins

terça-feira, março 01, 2011

Crónica da Ronda de Santa Catarina 13.02.2011

"Muito cabe num saco"
A primeira vez que aqueles sacos eram preparados. Eram uns sacos. Poderiam estar até ligeiramente rotos. Gastos. Não, claro que não. Tinham de ser os melhores sacos com tudo o que era necessário.
Haverá lá saco onde caiba tudo? Muito pouco cabe em sacos.
Era pois a primeira vez que se punha o que se pode em sacos e se sai para o distribuir.
As apresentações são rapidamente feitas e - não sendo o surfista esperado - parecem contentes por ter mais uma pessoa disposta a colaborar e a pertencer ao grupo.
Mais sacos. Sacos com o que se pode e que pode ser útil e fazer uma curta companhia.
Seguimos caminho.
Discorrem as histórias acompanhando as ruas da cidade. As paragens estão marcadas por estes voluntários. De certa forma conhecem as marcas que as histórias deixaram nestas pessoas. São repetidas as histórias, algures já ouvidas. Uma fuga à violência, um copo a mais, uma doença grave demais, o trabalho que se acaba...
Depois aparece o Sr. A. É como eu. Como todos nós, claro. Mas como eu porque é a primeira vez. Está na rua há 8 dias. A empresa fechou, o patrão fugiu e não tem ninguém. Só pode contar com o mundo existente num vão de um prédio. E esse não é muito sorridente. Não sei bem que lhe diga porque não tenho, não existe solução imediata. Já fez 26km a pé para tentar encontrar alguém no escritório do patrão. Sem sucesso. Agora vai tentar a ajuda da Segurança Social.
Apoio-o, dentro do possível, mas que acontecerá se não conseguir nada? Onde estará na semana seguinte? Como estará na semana seguinte. Na cabeça desenha-se-me uma espiral.
Espero estar errado.
De uma forma ou de outra são abandonos sofridos. Apesar de tudo, os sorrisos existem e são verdadeiros. Este grupo faz bem e isso não cabe num saco.

Hugo Ribeiro

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Crónica da Ronda da Areosa – 20.02.2011

Contratações de inverno!

Olá a todos! Como sabem, também o FAS precisou de novos voluntários para que possamos FASer mais e melhor por aqueles que acompanhamos e deixem-me dizer-vos que a época, este ano, foi muito generosa! Acho que podemos assegurar que estes novos "jogadores" são exactamente aquilo que precisávamos! Ainda bem que existem pessoas assim, com este espírito generoso e vontade de ajudar! É aquilo que se chama "um óptimo negócio" e tenho a certeza que estas contratações estão para ficar.
A ronda da Areosa teve a enorme alegria de receber 2 dos nossos reforços e, posso já afirmar sem margem de erro, mostraram bem a sua vontade de pertencer a esta "Equipa". Numa noite só são sempre muitos nomes, muitas histórias contadas, muitos pormenores que não se apreendem da noite para o dia mas tenho a certeza que vão lá chegar rapidinho! Vieram trazer um novo fôlego e ânimo à equipa já existente, que muito agradece!
É caso para dizer que somos o "clube" que melhor e mais lucra com transferências e contratações: tudo a custo zero mas com altos salários para os "jogadores", pagos em sorrisos, histórias de vida, tristezas, novos começos e laços…
Obrigada ao Gonçalo, ao José António e ao Hugo mas também ao José Luís e ao Pedro que ficaram na nossa lista de suplentes, com elevada probabilidade de integrar o plantel assim que tivermos mais vagas!

Maria Freitas

domingo, fevereiro 20, 2011

Crónica Familias - Janeiro 2011

Os meus heróis do voluntariado

F. é visita regular de muitos toxicodependentes. Há anos que palmilha, com os colegas, o Bairro de São João de Deus, que bem poderia chamar-se Bairro do Fim do Mundo, Bairro do Apocalipse ou, simplesmente, o Inferno.

A reportagem realizada em 2005 (mas tão actual e recentemente exibida numa formação) mostra-nos farrapos humanos que vivem na mais absoluta miséria e rodeados de imundice. Vivem em barracas com lixo por todos os lados. E com os traficantes de droga sempre por perto.

Picam-se várias vezes por dia, alimentando o vício maldito da heroína. Desesperados, amarram qualquer coisa ao braço (uma corda, um cinto...) em busca da "veia amiga", que ajude a rapidamente receber o imundo veneno que, há anos, os escraviza e os afastou da família, emprego e amigos. E os reduz a seres de quem fugimos, quando os vemos, por vezes.

Os técnicos/voluntários a tudo assistem com uma impressionante calma, procurando estabelecer pontes, passo a passo. Primeiro, com o fito de recolher as seringas e de as trocar por novas (e descartáveis), diminuindo os riscos de propagação de SIDA e Hepatites.

Depois, ganhando a pouco e pouco a confiança e, mais tarde, tentando tirar este ou aquele do "buraco" e o levar a uma consulta, a um internamento, quem sabe, a um tratamento com sucesso.

Se não é para qualquer um ver o documentário, muito menos é para qualquer um lidar com isto todos os dias, anos e anos a fio. Estar a conversar com os tais "farrapos humanos" a picar-se, com a seringa pendurada no braço é muito duro de se ver.

Foi um grande murro no estômago que levei. Pensarei duas ou três vezes antes de dizer que tenho problemas.

Estes técnicos/voluntários têm uma coragem, dedicação, paciência e fé verdadeiramente impressionantes. Por isso são os meus heróis do voluntariado!

Miguel Coelho

domingo, fevereiro 13, 2011

Crónica Familias Dezembro

Na reunião mensal de Dezembro tivemos a presença da Dr. Teresa, da V. N., quem teve a amabilidade de partilhar connosco um pouco da sua vasta experiência profissional de acompanhamento de pessoas e famílias carenciadas.

Não obstante o carácter voluntário do serviço que prestamos, pretendemos fazê-lo em moldes profissionais: com pleno comprometimento e dedicação, numa perspectiva de melhoria contínua. Acreditamos que só assim é possível promover a confiança e respeito das pessoas que visitamos e no limite, a melhoria do seu Bem-Estar.

A definição de objectivos e a delegação da responsabilidade na(s) pessoa(s) que acompanhamos, as quais tem que sofrer as consequências dos seus actos, foi apenas o mote para o inicio da conversa com a Dra. Teresa. O respeito mútuo entre voluntário e família foi enfatizado como premissa fundamental para o desenvolvimento deste tipo de relação.

A colocação de um "interesse desinteressado " nas nossas acções foi referida como essencial neste tipo de trabalho. Apesar do estreitamento das relações entre voluntário e família, que a frequência das visitas possa induzir, é indispensável um prudente afastamento afectivo, para evitar que o nosso bom desempenho, como voluntários, seja posto em causa.

O tempo foi curto para a riqueza das informações e dos conselhos de quem convive diariamente com pessoas em risco e reflecte sobre as suas dificuldade e possibilidades de superação.

Muito obrigada à Dra. Teresa, cujo sentido de missão nas funções profissionais que desempenha, nos comovem e inspiram. Obrigada por, dentro do amadorismo do voluntariado, nos ajudar a ter uma atitude cada vez mais profissional e a prestar um melhor serviço às pessoas que acompanhamos.

Ana

Crónica Familias Novembro

Mais uma quinta-feira de Novembro. O dia estava frio e já era noite.

Eu e a Sofia acertámos os passos e descemos a rua. Tínhamos ainda na cabeça muitas preocupações feitas de papel e a pressa de viver tudo ao correr da tinta.

Rapidamente chegámos. Batemos à porta e o sorriso da F. recuperou a nossa atenção. Olá, lindas. Entrámos. A sala estava muito limpa e arrumada. Por trás das cortinas azuis, a janela aberta era a continuação da rua. Passavam pessoas. Muitas. Algumas espreitavam. Da cozinha vinha um cheiro doce e quente, que se misturava com a atmosfera fria da sala. Eu não tenho frio, sou lá de cima. E não tinha.

Dividimos uma cadeira e começámos a falar.

Contámos a vida, os planos, o amor, o futuro. Tentámos ajudá-la a concretizar os projectos. Rimos e sonhámos. Falámos de perdas e desilusões também.

E o tempo passou a correr. E quando nos despedimos, já não era em trabalho que pensávamos...

saímos mais...

Foi mais um fim de tarde de Novembro. Mas naquela quinta-feira, entrámos duas mas saímos mais...

Maria João e Sofia

Crónica Familias Outubro

Ser voluntário, ajudar os outros é bem mais complicado do que alguns possam pensar: é necessário estar presente sem concordar e entender, é preciso apoiar mesmo quando sabemos que esse não será o melhor caminho. É assim a nossa história, uma história com voltas e reviravoltas constantes de idas e chegadas. Mas como um verdadeiro amigo, como uma mãe ou um pai acolhe o filho pródigo, também um voluntário tem de ter sempre o coração aberto para acolher os outros.

O senhor J.C. habituou-nos ao seu sorriso sempre aberto, a uma prontidão e vontade tais para resolver a sua vida que até para nós servia de exemplo, ao seu intersse e preocupação connosco: "mande-me um toque quando chegar a casa!" "Veja lá, não apanhe frio"! Mas um dia, num telefonema inesperado diz-nos "vou viver para outra cidade, vou viver com um antigo amor!". Ficámos com receio, achámos precipitado e até disparatado, tememos pela sua saúde e por uma nova desilusão na sua vida. Mas apoiámos, tentando perceber a situação, conversando com ele. Parecia mais feliz que nunca!

Foi-se embora. Passado poucos dias já estava a ligar dizendo que ia voltar, porque tudo tinha corrido mal. Nós ouvimos e apoiámos, tentando perceber como iria fazer para alugar novamente um quarto, oferecemos a nossa ajuda para tudo o que precisasse. Porém, passados uns dias o nosso amigo voltou a dizer-nos que afinal não regressaria ao Porto, que já estava tudo bem e que ficaria a viver com o seu amor antigo. Desta vez pensámos que a sua partida seria definitiva.

Passaram uns meses, com uns telefonemas difusos de vez em quando. Acreditámos que o Senhor J.C teria encontrado um rumo definitivo na sua vida, chegámos mesmo a sentir o sabor da "missão cumprida". No entanto, há uns dias ligou-nos, dizendo que já está no Porto, que a sua saúde piorou imenso, que terá de ser operado e que tudo não passou de um erro. E nós? Nós, cá estamos, de braços abertos, para apoiar aquele que se tornou um amigo, na incerteza constante, mas sem moralismos, sem opiniões, apenas dando um pouco do nosso tempo, atenção e amor a quem carece tanto deles…

Sofia e Cecília

Crónica Familias Setembro

O Inicio do ano (lectivo) tem sempre um sabor muito especial: recuperámos as forças e enchemo-nos de expectativas para o novo ano. Voltamos a acreditar que podemos mudar o mundo com mais força e muita criatividade. Mas tenhamos sempre presente que o mundo de cada pessoa só pode ser mudado pela própria, e que o voluntário só tem o privilégio de testemunhar e apoiar num processo de desenvolvimento pessoal (cheio de pequenos progressos e de inúmeros recuos). A possibilidade de caminhar ao lado e assistir a alguma melhoria no Bem-Estar das pessoas que acompanhamos é, provavelmente, das experiências mais recompensadoras que podemos viver.

O desafio do FasFamilias é muito simples: "Estar!", ou melhor ainda, "Estar para"… quem precisa…; quem não tem…; quem tem , mas não sabe utilizar …; quem não sabe sequer que tem…; e frequentemente, para quem se sente só …. . Em suma Estar para aqueles, cujo dia a dia é duro e difícil, por inúmeras e variadíssimas razões. Apesar do conceito "Estar" parecer envolver alguma inércia, O "Estar para" que os voluntários das famílias vivenciam, pressupõem uma atitude atenta e verdadeiramente empenhada no desenvolvimento integral das Famílias que acompanham. O desafio está lançado! Será que podemos contar contigo?

Ana