Famílias, Aldeias e Sem Abrigo estas são as nossas áreas de acção. Um grupo de jovens do Porto, que no CREU têm uma casa, lançam mãos aos desafios que lhes surgem.
quinta-feira, setembro 04, 2008
Visita de Agosto à UHSA - 27.08.2008
Para começar cantámos o NoXuKuRéLá, música moçambicana que a Cristina trouxe para o grupo e que já consideramos nosso ícone: as palavras significam “Aleluia Senhor”, a melodia é fácil de aprender e a coreografia ajuda a marcar o ritmo e a integrar os mais tímidos.
No jogo de apresentação ficámos a saber os nomes e países de origem: do Brasil eram 6 mulheres (do Nordeste, da Baia, do Rio e do Pantanal), da Bósnia uma, de Angola um homem e de Marrocos um, outro homem foi entretanto para o quarto descansar. O marroquino manteve-se entretido, a alguma distância, e o resto do grupo foi-se instalando nos sofás a ouvir música e conversar. Falou-se de festas, de churrascos, de amizade, de família, dos filhos que ficaram lá, dos medalhados nos jogos olímpicos, compararam-se formas de reagir de brasileiros e portugueses, comentaram-se filmes recentes. Ainda houve quem ensaiasse uns passinhos de dança ao som do CD que a Ana P. trouxe. Nem dei conta que já era hora de ir embora.
Entretanto a Sónia já tinha aproveitado para pedir ao marroquino para lhe ensinar palavras em árabe e assim poder fazer crescer a já longa lista de palavras e expressões neste idioma que (com um sentido muito prático) vai anotando no seu caderninho das visitas. Nenhum de nós fala árabe e nestes últimos meses de visitas regulares à UHSA a maioria dos utentes tem sido homens cuja língua materna é o árabe; procuramos dizer pelo menos o “olá, como estás” na língua dos ouvintes.
Os jogos com bolas, com cartas, o jogo das palavras e dos desenhos que em vezes anteriores tinham resultado tão bem e servido para aproximar pessoas, não foram necessários.
“Adeus e boa sorte” dissemos na despedida “Boa sorte” dizem-nos também e “obrigada”.
Ana Aguiar
Ida às Aldeias
A todos os interessados informa-se que as visitas às aldeias do Marão vão recomeçar.
A partida está marcada para o dia 13/09, pelas 10h30, junto à Igreja N. Sr. de Fátima.
Apareçam!
segunda-feira, setembro 01, 2008
Crónica da Boavista - 31.08.2008
Depois dos sacos reforçados lá partimos em dueto, eu e o Jorge para o início de um novo ano de rondas, para mim!
Primeira paragem, D. F. Reclamação atrás de reclamação, lá pediu o presente de anos que tem sido tão reclamado. Este domingo não havia dor de dentes, por isso estava toda bem disposta, perguntou por todos os que não estavam, com ar saudoso e curioso. Um dos filhos estava com ela a fazer-lhe companhia e podemos dizer que é uma fotocópia da mãe “eu também quero saco, no próximo domingo não se esqueçam”.
Discutimos o jogo Benfica- Porto e lá chegamos à conclusão que o empate até não foi mau, porque o Porto sempre fica em vantagem. Despedimo-nos e partimos, descemos a Constituição e não vimos o Sr Z., seguimos para o lar onde deixamos o pão.
Seguimos para a próxima paragem, Sr G, que orgulhosamente nos pediu para irmos com ele ver o seu novo bebé, o seu carro, lá fomos. Estava com o seu super colete a arrumar os carros, prometemos que lhe fazíamos um crachá com o seu nome!
Partimos para o sr Z e o Sr A que para nosso espanto quando lá chegamos estavam os dois á conversa. O Sr Z. atravessou e lá nos contou que por pouco não apanhou o bandido que tinha assaltado duas casas ali ao lado, ia fazer queixa à policia. O rádio não tem mesmo solução por isso prometemos um para este domingo.
Lá atravessamos em direcção ao Sr A. que estava com uma dor na perna, chegamos á conclusão que tinha sido de tanto que tinha andado! Relatou-nos todos estes primeiros jogos, golos, faltas. O Sr A sem rádio não é o mesmo, foi a melhor coisa que podíamos ter feito por ele.
O Sr Z lá acabou por vir ter connosco o que nos deixou numa felicidade, porque sabermos que os dois falam e se dão deixa-nos mais confortados, por saber que teem o apoio um do outro.
Seguimos para o B.S. encontramos o Z.C tinha tomado banho à pouco tempo, estava com outro aspecto. O negócio estava muito fraco, ainda há muitas pessoas de férias “maldito Agosto”, por isso a conversa foi curta.
Paramos mais à frente e deixamos um saco ao J.P., que há estava a dormir.
Acabamos por encontrar a D G já fora do serviço, hoje saiu cedo. Pusemos pouca conversa em dia porque o autocarro chegou logo.
Sr A. está mais do que orgulhoso dos filhos, depois de tanto tempo de preocupação estão os dois encaminhados, um para a faculdade e outro a trabalhar na junta de freguesia.
Partimos ao encontro do Sr A que depois de muito o procurarmos já estava sentado no sitio do costume à nossa espera.
Como sempre o Sr. A e o Sr A. “lutavam” entre si pela nossa atenção, e estavam felizes por verem que estamos a regressar de férias e que tudo volta ao normal.
O regresso às rondas correu mesmo bem!!!
Benedita Salinas
sexta-feira, agosto 29, 2008
Crónica da Boavista - 24.08.2008
Arrancamos eu, o Rui e a Susana, que nos veio ajudar nesta altura de menos disponibilidades. Começamos, pela primeira vez, a ronda sem entrar no carro! o Sr. Z estava a dormir no Multibanco, no meio da sua confusão habitual, está mais magro, mas limpo, falamos bastante, de fugir para a "ilha das caraíbas, mas a parte de trás"! Um sítio paradisíaco de paz. Ficou-me a frase "...mais vale viver num imaginário mundo interior de paz do que num mundo de cães."
Agora de carro chegamos à D. F, estava com dor de dentes e frio, por isso menos comunicativa. Não foi a Lisboa porque o filho esteve lá com ela. O local estava arrumadíssimo, pois tudo já está arranjado na barraca. O Sr. V não estava e o trabalho na feira é para daqui a muito tempo, ao contrário do que pensávamos.
Eslopan foi rápida (e pesada!) a entrega.
Sr. G estava imparável, tomou o banho de mar (3 mergulhos) no dia de São Bartolomeu para obter a sua protecção, e até levou uma garrafa com a água do mar para a mulher também o puder fazer em casa! Deu-nos várias receitas do Dr. Sousa Martins (como o célebre chá de cenoura, agriões e açucar mascavado).
O Sr. Z estava alegre (alcóol?), recebeu o rádio com o desafio à sua capacidade de o arranjar. Estava falador e agradecido. Prescindiu do saco ternura.
O Sr. Mãos lindas contou-nos o resultado do peditório à porta da igreja do Carvalhido e falou-se do desporto (a sua especialidade). Como faz tanta diferença e companhia um simples rádio que lhe tínhamos dado!
Encontramos a L, estava muito animada, deve entrar para a Metadona na próxima semana, a mãe está a ajudá-la, já fez análises e doenças só hepatite.
Ainda estivemos de relance como A e o seu colega (novo). Os 3 da vida airada estavam todos juntos (parece que o amuo já terminou?) e faladores. A Susana levou um beijo farfalhudo para casa como convite: " A menina apareça mais vezes!"
Ainda fomos ao Aleixo, onde tudo desapareceu num instante, estava tranquilo. Acabamos partilhando a ronda.
Obrigado Susana pela tua ajuda!
domingo, agosto 24, 2008
Crónica da Boavista - 17.08.2008
Houve uma falha com o "pão" o que fez com que os sacos não estivessem tão cheios como tem sido hábito.
Após a pequena oração improvisada, partimos eu e o Sérgio.
A D. F talvez vá para Lisboa para a semana nas suas habituais questões com os hospitais e exames, estava bem mas com necessidade de encontrar uma sapatilhas pois já não tem calçado excepto os chinelos já em mau estado. Conversamos bastante com o Sr. V, que estava sóbrio e contou-nos as suas aventuras a trabalhar nas feiras, no Poço da Morte, quer com mota, quer com carro, deverá partir agora para voltar a trabalhar uma temporada, foi das melhores conversas que tivemos com ele.
Como não houve pão para todos os sacos, não houve "eslopan".
O Sr. G lá estava com a sua nova fatiota de trabalho, cada vez mais profissional! Temos de lhe arranjar um crachá para os anos que são em Outubro. Recomendou-nos uma mesinha com sal e lá partimos.
O Sr. Z estava pouco animado. O único sorriso veio do rádio que ficamos de lhe arranjar. O Sérgio já arranjou um para o Mãos Lindas, que estava muito contente com ele, e a ouvir baixinho para poupar as pilhas. O rádio dava "Friends will be friends" enquanto falamos do habitual futebol e jogos olímpicos. Foi um momento que me ficou gravado na memória.
Vimos rapidamente o JC, que disse para dar-mos cumprimentos às meninas quando falássemos com elas. O M não quer entrar no programa de metadona e espera entrada numa clínica terapêutica o que significará uma demora muito maior e incerta...
A D. G estava contente, veio de férias onde esteve com a família e isso via-se no sorriso e na ausência de palavras amargas.O Sr. A foi de bengala à SegSocial para ver se conseguia fugir a uma "pena" e o seu amigo fez grande farra na noite anterior.
Acabamos a ronda recordando tantos pequenos pormenores de uma das rondas que mais me tocou nos últimos meses. Não houve nada de extraordinário, apenas amigos que se encontram e geram sorrisos...
Jorge
segunda-feira, agosto 18, 2008
Crónica da Boavista - 10.08.2008
No passado dia 18 de Abril, o Parlamento Europeu adoptou a Declaração n.º 111/2007 sobre o fenómeno dos sem abrigo. Além de solicitar ao Conselho que adopte um compromisso de alcance comunitário para resolver este problema até 2015 e de solicitar à Comissão que elabore uma definição-quadro europeia do fenómeno e que registe os progressos nos Estados-membros, insta ainda os Estados-membros a elaborarem planos de emergência para o Inverno. A Declaração foi assinada por Portugal.
Preciso de confiar que a situação dos sem abrigo será encarada com seriedade pelas entidades com poder para mudar a realidade. Conheci pela primeira vez duas pessoas que moram debaixo de uma ponte da cidade do Porto, amparados entre caixotes. Os nomes não me lembro. Mas os rostos estão-me bem marcados. Assim como os de todos os outros sem abrigo que contactei nas duas rondas que fiz (Batalha e Boavista) e daqueles que mesmo com um tecto vivem na pobreza. Talvez por não ter experiência o distanciamento emocional seja mais difícil. Não que dantes pensasse que faziam parte da paisagem como diz um anúncio e só agora os tenha descoberto. A diferença está na interacção que anteriormente nunca tinha ocorrido com esta parte da sociedade.
Dois dedos de conversa e um saco de comida podem não alterar o estado das coisas, mas não são indiferentes para quem dá e recebe. O ser humano é, por natureza, um ser social. E a inclusão também se faz a partir de pequenos momentos de atenção.
Porto, 17 de Agosto de 2008.
Sónia Bartolomeu
domingo, agosto 17, 2008
Crónica da Areosa - 10.8.2008
Fomos logo prá casa da A, desta vez com ela à nossa espera, na cozinha nova e bonita; falamos da vida, dos filhos e neto que a preenchem, do trabalho, demasiado, que a sustenta; o sorriso e o carinho nunca mudam, não importa o tempo que passe, e isso sabe mesmo a casa com sol.
Continuámos para a Areosa, onde a I de novo não estava. Fomos até ao pilar do M e do primo, e aí vieram ter o P e o X, gente nova com esperança para as próximas semanas; é muito mais fácil, e tentador, pensar em mudança da vida de quem mudou pra pior há pouco tempo; vamos ver se consegeum.
Chegámos à última estação, a mais povoada: estavam lá a R, o B, o A, o sr. F, o velho amigo A e o sr. Y; falámos em grupos, e soube-me bem sentir a humanidade de quem parece ser tão pouco; tenho que abrir melhor os olhos...
Eis um domingo que chama plo próximo com esperança de melhorar alguma coisa, em nós e no mundo. Obrigado.
Pedro Pardinhas
Crónica da Boavista – 3.8.2008
De passagem pelo lar onde ficaram muitas sobras, seguimos para o Sr. G. Mais uma vez ouvimos as histórias do seu carro e da necessidade urgente de um chapeiro e dissemos um olá ao A. que educadamente vai ter connosco para receber o seu saquinho.
Desta vez encontrámos o Sr.Z e o Sr.A. O primeiro agradeceu o saquinho mas tinha que continuar os seus trabalhos no cobre. Já o segundo estava mais conversador e queixoso porque lhe tinham roubado o rádio, o seu único amigo. Agora só lhe restava “olhar para a ponte à espera que ela caia... ainda por cima com os Jogos Olímpicos a começarem”. Alguém tem um rádio a pilhas que possa dar? Ficou prometido para a semana.
No Capa Negra está cada vez mais gente mas principalmente gente nova. Como não tínhamos sacos suficientes apenas demos um à L. e seguimos para o JP que já dormia no sítio habitual. Ainda abriu um olho e agradeceu o saco. Parece que está mais comunicativo.
Desta vez fomos chamar o Sr.A e o Sr.Ar ao shopping pois ainda era cedo e estes estavam entretidos a ver televisão. A D.G já tinha voltado de férias e estava toda contente com os dias que esteve com a filha e que souberam a pouco. Já há muito tempo que não conseguiamos ter os 3 a menos de 1 metro de distância a falarem. Foi bom ouvir que ficavam contentes por nós continuarmos a ir ter com eles no mês de Agosto.
Terminamos a ronda mais cedo do que o normal, mas já na 2ª feira...o dia em que a nossa Ana chega da fantástica lua-de-mel.
Ainda deu tempo para partilharmos um pouco do futuro da nossa ronda e da possibilidade de entrar um novo elemento.
Um bom solzinho para todos e obrigada aos que ficam a continuar este trabalho mesmo em pleno Agosto.
Beijinhos e até Dezembro!!!
Joana
sábado, agosto 09, 2008
Crónica da ronda de 3/8/2008 (Areosa)
partimos dois para a AREOSA. eu e a ANA. passámos pela I. mas só vimos os caixotes. seguimos, assim, para os srs. Ms. acordaram, num impulso, depois de os chamarmos algumas vezes, em simultâneo. foi engraçadíssimo! o sr. M. tem sido incorrecto no desenrolar da visita, no tratamento de alguns de nós. no domingo foi diferente: esteve sempre animado e em empatia connosco. aqui, na rotunda, juntaram-se-nos a ANDREIA e o JOÃO. a ronda duplicou o número de voluntários, despediu-se dos srs. Ms. e seguiu para o jardim. lá estava o sr. J. que também acordou assarampantado. ganhou boa disposição e falou na vida: no desemprego, na casa para onde ir no inverno, etc.
no outro local habitual, estava pela 2ª vez o sr. F. A., super bem disposto. tem ar de passar enormes privações e não se entende porquê. era importante aprofundarmos a conversa e criar mais laços. também apareceu o sr. A. que, desde que se fala em alteração no trajecto, não parte sem se assegurar de que voltaremos no próximo domingo. tem sempre assuntos relacionados com as últimas do futebol e das notícias nacionais. vem sempre na sua RAYLEIGH, antiga mas fantástica! o casal maravilha, não apareceu, o que não ficou muito esclarecido.
beijos e abraços e rondem no próximo domingo, por favor.
NUNO DE SACADURA BOTTE
terça-feira, julho 29, 2008
Crónica da ronda da Boavista - 27.07.2008
Começamos a sentir as férias nas presenças no arranque, visto que já faltavam algumas caras conhecidas, a Inês ainda apareceu antes da sua partida para São Tomé. Lembramos o tesouro encontrado num campo e partimos.
Os restantes homens não vieram e a nossa querida Ana já está na sua lua de mel!
A D. F estava com dor de dentes, tantos anos de rua não perdoam... O Sr. V estava com o pé ao alto, pois teve uma operação que correu bem e está em recuperação. Os filhos não estavam presentes. Já falta pouco para os seus anos, e falou-nos de uma saia larga como prenda.
Seguimos para Eslopan, que demorou mais do que o normal. O Sr. G estava animado com a história do carro, mas vai ser preciso um chapeiro e um mecânico com muita boa vontade para dar um jeito àquilo, fez questão de nos salientar que não o tinhamos encontrado na semana passada. O A. está bastante melhor das feridas e veio falar brevemente connosco, o processo de voltar a casa está muito complicado e demorado.
O homem das mão lindas e o nosso jornalista não estavam em casa.
Encontramos o JP, que se empuleirou no carro (mesmo apanhando chuva) e conversou imenso connosco, o fecho do local de trabalho, o estar há 6 meses à espera de um quarto e do RSI, mas continua cheio de vontade de ir mais longe na vida. Sempre que passava um carro ele tinha de sair da janela do carro, o que em alguns momentos pareceu uma aula de step feita na janela do carro!
Não vimos o JC e o pessoal da área. O M. espera na 4a feira entrar finalmente na metadona, ainda não o fez por causa dessa doença enorme que dá pelo nome de burocracia!
O Sr. A e Sr. Ar estavam particularmente bem dispostos apesar da chuva, houve um crime por esfaqueamento na rotunda (de uma pessoa que conhecíamos de vista) e os detalhes eram muitos...Acabamos a noite os 3 pensando nas pessoas que encontramos e na nossa Ana, antes ainda vimos o Sr. Z que estava com bom aspecto.
quinta-feira, julho 24, 2008
Ida às Aldeias - este sábado (26Julho) - o último da presente temporada!
No proximo sábado teremos o último fim-de-semana de visitas do ano 2007/2008, por isso temos uma responsabilidade acrescida em comparecer.
A partida fica marcada para as 11h00 no local do costume.
Tragam fato de banho, pois o tempo promete, e não se esqueçam da habitual partilha para almoço.
Confirmem, p.f., a vossa presença/ausência. O Rui não vai por isso sou eu que estou a tratar da convocatória.
Beijos e abraços,
Jorge
segunda-feira, julho 21, 2008
Crónica da Ronda da Areosa 20.07.2008
Apesar das dúvidas, já que a D. A. não tem estado em casa, resolvemos passar lá na mesma. Correu bem: apesar de estar de saída para o seu trabalho, a D. A. ainda esperava por nós! Foi bom estar aquele bocadinho com ela. Contou-nos que o sr. J. estava internado no hospital e que a S. o tem ido visitar. Ela chama os enfermeiros pelo nosso nome, o que me deixou muito atrapalhado. Que triste, estranha e imprevista esta doença do sr. J. Deus há-de estar com ele, de certeza! Deixámos a D. A. no seu local de trabalho e seguimos para a rotunda.
A D. I. não estava, mais uma vez. O sr. M. acordou estremunhado e a rejeitar-nos, num momento inicial. Entretanto também acordou o outro sr. M., o que nos ajudou desta vez, a encetar diálogo com os dois. Entretanto o sr. M. lá aceitou a sopa que levávamos, dois dedos de conversa e o saco. Deixámo-lo bem disposto e ensonado. O outro sr. M. é que estava muito construtivo. Agora dorme no jardim do outro lado, junto ao sr. J. e ao sr. D. Fomos ter com os dois primeiros e ficámos a saber mais um pouco da vida do sr. J. Segundo conta o cunhado, ele já estava a receber uma pensão de doença, mesmo antes do tal acidente que teve nas obras. (A doença será mesmo de infância ou juventude, pelo que entendemos.) Ainda apareceu o sr. R., que quase se atirava para a frente do carro da Joana, pensando que já estávamos de debandada.
Naquele largo do costume, esperavam-nos 5 pessoas... Logo ontem que éramos poucos e tínhamos poucos sacos... Um novo sem-abrigo monopolizou um pouco a conversa. Prometemos vir melhor preparados na próxima ronda. Agora que perspectivamos uma alteração forte no percurso, é que aparece mais gente e as relações se vão aprofundando. Deus pede-nos que não desistamos: ouçamo-Lo, como diz Isaías na leitura de hoje. Conseguimos combinar com o B. e a R. encontramo-nos com eles, durante a primeira quinzena de Agosto, na rotunda. A R. está bastante dependente da visita das raparigas da nossa ronda. As estagiárias da escola, com quem se identificou mais este ano, vão-se embora no próximo e ela sentirá muito, se também nos "perder".
Foi uma ronda que puxou muito pela responsabilidade do trajecto e dos seus voluntários. É importante ter consciência que o nosso trabalho mexe muito com os sem-abrigo que visitamos. Todas as nossas acções ou omissões tem repercussões neles. Desrespeitamo-los sempre que falhamos, pois eles contam connosco!
Beijos e abraços,
Nuno de Sacadura Botte
sábado, julho 19, 2008
Crónica da Ronda da Areosa 13.07.2008
Passámos pela casa da A, mas outra vez não a encontrámos, pois o trabalho em casa da senhora tira-a de casa mais cedo. Deixámos um bolo e outros mantimentos e seguimos viagem; prá semana deixaremos um bilhete também, acompanha bem o bolo.
Seguimos para a Areosa, onde a I não estava, como agora é habitual. Fomos ter com o M, que continua com o “primo” M a dormir ao lado, no chão; o M estava algo desanimado, sem o dizer fê-lo sentir. Acho que a barba o cabelo o bigode fazem dele mui menos ele do que há uns meses.
Partimos para a última estação, a que tem mais esperança: estavam lá a R e o B, e o A também apareceu, desta vez com um amigo; a R acabou o 6º ano, é um passo a caminho de algo melhor; falta o B decidir seguir o mesmo caminho, e nunca lhe faltam desculpas pra não o fazer ; por acaso, se o acaso existe, tinhamos uma autêntica boutique de senhora na mala do carro, onde a R se abasteceu do que precisava com as meninas como conselheiras de imagem; prémio merecido para ela. Enquanto isso, os rapazes discutiam bicicletas com o B e o A.
Mais uma noite cheia de algo que não sei explicar mas sabe muito bem. Obrigado.
Pedro Pardinhas
sexta-feira, julho 18, 2008
Aldeias - Crónica da Festa em Várzea a 12 de Julho
Pelas 12 horas encontrámo-nos todos no Lugar da Quebrada em Amarante, com o sol, o verde e o rio como cenário.
Iniciamos com a oração antes do almoço e com a intenção de fazer daquele espaço um local de partilha, alegria e companheirismo.
Ao fim de pouco tempo sentíamo-nos como se não fosse a primeira vez que participávamos na Festa.
A partir das 14h00 começaram a chegar as crianças, os pais, as catequistas e o Padre…., quando todos se encontravam presentes demos início às actividades previamente definidas, com uma boa dose de improviso.
Todos participaram alegremente nos jogos, crianças, adolescentes, adultos. Coisas simples que nos aquecem o coração e o de todos, uma alegria contagiante no decorrer dos jogos, o sorriso e as traquinices das crianças a correr, a saltar e a passar de jogo para jogo.
Terminámos com um belíssimo lanche organizado pelas mães e catequistas, num lindo fim de tarde aquecido pelo sol e pelo sentimento de partilha, alegria e comunhão com os outros, com a natureza e, especialmente com Deus que nos colocou naquele espaço.
Viemos para casa com vontade de voltar e com um sentimento de gratidão.
Inês e Sara
Crónica da ronda de 13/7/2008 (Aliados)
Começamos com uma surpresa, o Sr. Ans de C. apareceu enquanto faziamos os sacos. Justificou prontamente a sua presença, não queria voltar a encarar o Sr. A (também de C.) devido a uma discussão por causa de umas sapatilhas de senhora... Os contornos ridículos da questão não nos impediram de o avisar que não voltasse ali, já que para além de nos atrapalhar a logística, não tinhamos disponibilidade para conversar tanto - e sobretudo por nos parecer um drama demasiado infantil para alguém de 50 anos. Concordou. Ainda o convidamos para a oração, mas surgiu-lhe uma pressa súbita que o levou a correr rua acima...
Como demorámos a sair (mais do que o habitual) decidimos ir directamente a C. Só encontrámos o Sr. A sem a sua habitual companhia. Contou-nos por alto a segunda versão da zanga, garantindo-nos que por ele estava tudo bem. Sempre de poucas falas despediu-se rapidamente e como mais ninguém aparecesse, seguimos nós também.
Fomos ao que costuma ser a primeira paragem mas o sr JC já dormia, não tivemos coragem de acordar. Deixamos um saco bem recheado com uma bebida de litro por causa do calor.
Depois voltamos a encontrar o sr E, sempre deitado debaixo dos cobertores e desta vez sozinho. Disse-nos que o M (o mais alto) fora tentar uma desintoxicação com o apoio da família.
Fomos a uma nova paragem e encontramos dois rapazes, um deles (o P.) era o que nos tinha falado do sítio onde dormem. Pouco falamos, deixamos dois sacos. O outro já dormia. Vamos tentar conhecê-los melhor da próxima vez.
Na última paragem algumas surpresas à espera. Primeiro conhecemos o sr. JF, alcoólico e com problemas judiciais que o impedem de ter documentos e pensar num tratamento. Depois o sr. JM, também alcoólico e ali bastante alcoolizado. Era a terceira noite que passa na rua depois de ter cessado o apoio social que lhe permitia ficar num quarto. Chorava que nem um desalmado enquanto nos contava o seu drama e abraçou-nos quando nos despedimos.Quando estávamos com o habitual sr. F ainda surgiram um grupo de homens de leste do qual só um sabia falar um pouco Português. Percebemos que queriam um medicamento para um deles que tinha uma doença numa perna. Tentamos encaminhar para uma farmácia ou para os Médicos do Mundo, mas entre explicações e traduções chegou uma carrinha que levou o nosso intérprete (que não pertencia ao grupo do rapaz queixoso) para o local de trabalho do dia seguinte e a conversa acabou. Os outros agradeceram muito, pareceu-nos terem percebido a nossa intenção de ajudar.
Que a semana nos mostre que a paz dos nossos dias é valiosa demais para a proporção que damos a muitos dos nossos problemas.
sexta-feira, julho 11, 2008
Ida à Aldeia - Amanhã - Festa no rio - 12 de Julho
o plano já está preparado para um Sábado memorável na aldeia com a festa na praia fluvial (quem quiser vir das outras vertentes do FAS ainda pode alinhar!) e também com visitas realizadas por parte do habitual grupo das Aldeias.
Devido à necessária organização o arranque está marcado para as 10h00 junto à Igreja de N.ª S.ª de Fátima.
Não se esqueçam além do habitual farnel para partilhar, do calçonete ou do bikini, conforme o caso, pois a chegada do Verão assim o exige. Amanhã haverá nuvens apenas de manhã.
Beijos e abraços,
Jorge
PS - A festa è das 14h ás 17h.
quarta-feira, julho 09, 2008
Crónica da Ronda da Boavista - 29.6.2008
Fomos depois ao encontro do Sr. G. Este estava muito bem disposto, depois de cerca de um mês fechado para remodelação, o McDonalds da Av. Boavista reabrira finalmente. Como é óbvio o corropio de gente por aquelas bandas aumenta e as "gorjetas" dos arrumadores também.
Na continuidade do percurso habitual fomos em direcção ao Campo Alegre. Neste dia só encontramos o Sr. J., por sinal muito bem disposto. Logo o inquirimos sobre a sua vivência São Joanina. Pelo meio falou-se de ratos, dos muito grandes, e para o fim uma boa nova: o Sr. J. iria a banhos no dia seguinte. Com muito humor parodiou a sua situação e feazendo um pouco de "stand up" à volta do tema, para nosso espanto.
Para ultimo lugar reservamos a paragem da Boavista. Neste domingo falamos também com o J., um jovem toxicodependente, que de longe a longe encontramos por estes lados. Conversador, rapidamente se intrusou na "discussão" com a D.G. Esta aguarda ansiosamente pelas férias na Suiça, onde reencontrará filha e netos. Pelo meio fomos também ao encontro do Sr. A, sempre bem disposto, promoveu um momento bem animado.
Este domingo terminava assim com aquele sabor de missão cumprida. Deixavamos os nossos amigos na rua, mas com a certeza que esta passagem não lhes tinha sido indiferente...
Rui Mota
Crónica da Ronda da Areosa - 06.07.2008
A I. não estava, mais uma vez, por isso fomos ao encontro do super casal. Lá estavam eles, com o Sr. A. e o Sr. D. Estes dois falaram com o Pedro, levaram o saco e puseram-se a caminho. A R. e o B. lá estavam como sempre. Falaram connosco, discutiram entre eles e abraçaram-se no final, quase como sempre. Apesar de levarem a vida um pouco a brincar, sinto que escondem uma tristeza imensa, impossível de ser apagada, riscada ou esquecida. Nas discussões que têm, vamos decifrando as histórias que vivem, que viveram. A R. é uma menina triste que se agarra ao que tem. O B. é um rapaz acomodado, com muita vontade de esquecer a responsabilidade da vida.
A tristeza agarra-se ao que tem, e o que tem encosta-se à vida.
Espero que sejamos sempre capazes de os ir acompanhando, à velocidade deles, no tempo deles, sem forçar, mas deixando sempre um pedacinho de cada um de nós. Espero que sejamos capazes de os ir descolando da tristeza e desecostando da vida.
Joana Simões
Crónica da Ronda da Boavista - 22.6.2008
Fomos de seguida ao encontro do Sr. G., "apenas" à nossa espera, uma vez que o McDonalds só abrirá na proxima semana. Tentamos contornar a habitual conversa sobre mesinhas e perceber um pouco melhor como tem passado o nosso simpático companheiro. Pelo meio visitamos mais dois sem-abrigo que vivem literalmente debaixo da ponte, é mesmo irónico, como esta triste expressão pode ter parelelo na vida destas duas pessoas. O Sr. J. com o seu sorriso super cómico e o Sr. A. fascinado pelo futebol. A conversa estendeu-se entre as dificuldades da vida e as proezas deste ultimo Europeu de futebol. É curioso como todas estas pessoas sobrevivem aparentemente indiferentes à realidade que as envolve.
Por último a Boavista: o simpático Sr. Al, o culto Sr. A e a D.ª G.. Esta semana as atenções centravam-se no Sr. Al. Na semana anterior tinha feito anos e era agora ocasião para lhe entregar a sua prenda. Para tal juntou-se-nos a Ana. Ele la recebeu a prenda, a pedido desembrulhou-a e por fim não conteve um belo e feliz sorriso.
Terminava assim mais uma ronda, uma pequena oração de partilha e um adeus de ate ja...
Rui Mota
terça-feira, julho 08, 2008
Crónica da Ronda da Boavista - 6.7.2008
A D.F esperava por nós, mais uma vez tinha passado o dia deitada cheia de dores. Após conversarmos um pouco, sempre com o Sr.V a jogar o seu jogo de Gameboy, fomos para o Teatro S.João onde tínhamos combinado com o Sr.R. Mais uma vez não apareceu. Trocamos as voltas à nossa ronda e decidimos ir primeiro ao viaduto. O Sr.Z está cada vez mais aberto e foi bom saber que se preocupa connosco “Não têm medo por estarem sozinhas? Se precisarem é só chamarem Z.!!!” Do outro lado estava o Sr.A Já não o víamos há algum tempo mas o corte de cabelo dava-lhe um ar mais limpo, apesar da sujidade indescritível naquele sítio. Fomos depois deixar o pão ao lar e finalmente chegamos ao Sr.G. Mais tarde do que o normal, confessou-nos que já estava a achar que nos tinhamos esquecido dele. Com o Sr.G a caminho de casa lá seguimos para a nossa última paragem. A D.G estava de férias e o Sr.A andava desaparecido. Depois de uns dedos de conversa com o Sr.A fomos falar com o JP e finalmente deixamos os sacos restantes pelos “flutuantes” que dormem profundamente naquela zona, num cenário que em nada mostra a agitação do dia-a-dia naquela rua.
Terminou mais uma ronda, onde pedimos por todos os que não vimos e por aqueles que precisam de mais conforto e amor.
Para a semana espero que esteja toda a gente para nos despedirmos da Ana, na sua última ronda.
Joana