Famílias, Aldeias e Sem Abrigo estas são as nossas áreas de acção. Um grupo de jovens do Porto, que no CREU têm uma casa, lançam mãos aos desafios que lhes surgem.
segunda-feira, maio 26, 2008
Crónica de 24.05.08 (Boavista)
É notório como o facto de estarmos menos, faz com que ela fale e se abra muito mais, deixando de lado aquele "falar alto e cheio de asneiras".
Assim, lá descemos a rua. Não encontrámos o Sr.Z. Fomos ao lar deixar o pão e seguimos p Sr. G. Aqui, não houve grande novidades. Mais ou menos a conversa de sempre, sobre mezinhas. Apenas nos disse, quando lhe perguntámos o que ainda fazia ali, com aquela chuva, "que estava à espera das pessoas que lhe faziam bem".
Continuamos para o viaduto. O Sr. Z. não estava, por isso fomos ter com o Sr.A. Não nos falou no futebol, confidenciou-nos o quanto bebia- que é mesmo muito!- e disse-nos tamém que não sabia bem o que lhe tinha dado para acabar neste tipo de vida.
Como já passava um bocadinho da meia-noite, fomos num instante ao trio.A D.G estava já na paragem, a tentar abrigar-se da enorme chuvada, juntamente com o M. O M. estava mesmo à nosa espera, para saber novidades do CAT. Quer muito entrar para a metadona, o que nos deixou muito contentes. Com ele, um amigo também, o V. que está na esma situação. Vão tentar ir na 4f, para começarem no máximo na próxima semana com o tratamento e poderem arranjar emprego de vez. O Sr. Ar. e Sr.Al. apareceram mais tarde. O Sr. Al. estava muito em baixo, disse que queria morrer, que não fazia nada aqui. Tentámos animá-lo, aconselhá-lo, fazer-lhe ver que, às vezes, a forma como age não é a melhor, e que deve insistir quando alguém falha, (Como por exemplo com a cáritas, ou Seg. Social). Apesar de não parecer ao longo da conversa, que nos desse qquer ouvidos, no fim lá nos agradeceu "esta meia hora de conversa".
Sem sacos, não passámos pela zona do Conv. e seguimos os dois, para a oração final, no Creu.
Boa semana a todos,
Ana
terça-feira, maio 20, 2008
Crónica de 18.05.08 (Boavista)
A solidariedade entre trajectos, e a minha mala do carro - que parece um armazém - ajudaram a preparar os onze sacos que levamos no carro do Sérgio.
A D.F estava tristonha por diversos motivos, os cobertores estavam todos molhados, o FC Porto tinha sido derrotado - provavelmente a principal razão - está mal da garganta e o Sr. V ainda não tinha chegado. Deu-nos uma óptima notícia, o filho já sabe quando será posto em liberdade, o que foi a melhor notícias da noite. Perguntou pelo pedido que fez à Ana, e se havia chá mas nós não conseguimos dar resposta. Talvez esta semana consiga arranjar a barraca. Tentamos animá-la.
Entregamos o pão em boas mãos, e falamos com Sr. G, que estava extremamente animado, tanto que saímos de lá mais alegres do que quando chegamos - ainda há quem diga que não há esperança, nem alegria nas pessoas que estão na rua! - vai cortar o cabelo para a semana e lá nos falou de sapos e bonecas o que não nos deixou muito à vontade....
O Sr. Z estava animado e contente, tinha dois autocarros "a seu cargo", com planos de expansão da "moradia", e venda de algumas sucatas. O Sr. A foi a pessoa que mais estranheza nos causou, pois estava a falar de coisas totalmente desconexas e foi difícil compreende-lo, até que ele voltou ao tema favorito, o Esférico, e muito escutamos sobre a taça UEFA e Champions.
As suas mãos lindas e sujas, fez-me pensar nas pessoas que visitamos, como por debaixo das roupas gastas, cabelos degrenhados, e sujidade se encontra uma pessoa com todo o seu valor à espera de ser revelado...
Começou a chover tanto que esperamos um pouco que ela abrandasse. Não vimos o JC.
Com tanta chuva, não encontramos o "trio amigo" no local do costume, o Sr. A estava à parte, ainda continua amuado. Os outros tinham companhia, que querem entrar num programa de desintoxicação, vamos tentar ajudá-los.
Para já ficou a conversa inicial habitual, vamos informar-nos - como é habitual - para depois eles darem o primeiro passo.
O Sr. Ar estava muito com os copos e a brincar imenso, e a arreliar o Sr.A, que estava ensopado.
Terminamos a ronda, partilhando as muitas emoções da noite, positivas (em maior número) e negativas.
Até para a semana,
Jorge
sexta-feira, maio 09, 2008
Crónica de 4.05.08 (Boavista)
Partimos o Rui, o Sérgio, a Beni e eu. Primeira paragem: D.F. Lá estava animada com o Sr. V deitado com a habitual conversa sobre o futebol e sobre os remédios com que uma vez ajudamos, mas que já não nos lembrávamos do nome... Seria Paracetamol?
Procuramos o S. R mas sem resultados, parece que vamos ter de esperar até o reencontrar numa ocasião furtuita para sabermos como anda, visto que a casa onde estava foi trancada com tudo o que tinha lá dentro... O que vale é que ele traz quase sempre um sorriso e aposto que anda por aí a dizer "Hola! como dissem os espanhóis!".
Fomos deixar o pão que sobrou dos nossos patrocínios a quem dele também precisa. Desta vez era bastante, pois o Aleixo ainda não voltou à "normalidade" para lá voltarmos, a polícia anda muito presente.
O S. G estava bem, contou-nos mais uma "mésinha" e da ausência de fronteiras entre este mundo e o outro. O Chá mais uma vez entornou-se dentro da mochila, está a tornar-se um hábito!
O nosso jornalista pregador estava bem, mas falamos mais com o S. A que estava mais alto do que nós, por momentos pareceu-me que estaria num mini-comício! Roubaram-lhe coisas... Tantas vezes me questiono, o que passa na cabeça de alguém para roubar roupa ou um cobertor a um Sem Abrigo? É absolutamente invendável, só mesmo quem rouba para si, ou por estupidez... Estivemos a correr com o nosso pescador, JC, estava a regressar ao "trabalho" e já com vontade de ir buscar mais uma dose.
Passamos pelos "3" e além de o S.A e a D. G estarem amuados um com o outro, com o S.At a brincar com toda a situação já um pouco embalado, contaram-nos que houve um fulano que cuspiu na D.G simplesmente porque ela é portista e o fulano não... Estes episódios de crueldade são algo que mexe comigo. Não foi uma noite preenchedora como noutras vezes.
Regressamos ao ponto de partida, e depois às nossas casas.
Até para a semana,
Jorge
PS - Ontem estive com o S. Z, ele anda bem, apesar dos habituais problemas nos seus poucos dentes, vai tentar estar connosco este domingo.
segunda-feira, abril 28, 2008
Boavista - 27 Abril
Começámos por fazer um pequeno desvio e levar um amigo a casa, por isso o percurso foi diferente e começámos pelo Sr. G. Este estava bem disposto, muito penteadinho. Falámos de mezinhas e rimas. Disse-nos que continuava a ir à Caritas, que lhe faz sempre muito jeito, mesmo que seja pouco o que recebe.
Seguidamente, fomos ao viaduto. Não vimos ninguém, mas quando subiámos a rua apareceu o Sr. Z. Mais bem disposto que da última vez, deu-nos conselhos sobre o Amor e o Casamento (vá-se lá saber porquê! :)) sem esquecer uma musiquinha à mistura para acompanhar e desejou-nos uma "boa noite com Deus", como sempre.
Daqui, passámos pelo JC. Estava bem mais animado do que na semana passada, pois o "comércio" e mais fácil outra vez. Nesta zona vimos também o JP que, apesar de nos dizer que há já algum tempo está na metadona, nos parece um pouco ligado ao vício.
A paragem seguinte foi com os 3 da vida airada: D.G, Sr.Al e Sr.Ar., este último desta vez estava com uns bons copos a mais, mas manteve o discurso muito rico, o que nos confirma a suspeita de que, antes de vir para a rua, deve ter tido bastante instrução...!
O Sr. Al. contou-nos um pouco como iam os seus filhos. A D.G. estava com uma forte dor no braço e pouco agoniada, disse ser stress. Tinha-nos dito que se calhar a filha da suiça vinha cá, ou ela ia lá, pode ter a ver com isso - emoções.. Também nos disse que Esperemos que melhore. Depois, ainda passámos pelo Estádio do Dragão, pois disseram-nos ter visto um sem-brigo a arrumar carros por ali mas, pelo andar da hora, foi natural n termos visto já ninguém. Por fim fomos à D.F. Levámos-lhe um litro de leite, como prometido, o saco de sempre e o cházinho. Com ela, deitavam-se o Sr. V. e o P. que, quando ouviram falar em chá, levantaram logo as cabeças e sentaram-se, com ela, a bebê-lo, aquecendo-se da noite. Estavam muito sossegados, mas felizes. prometemos levar, para a semana, o nome do remédio para a D.F. pedir aos MdM.
E assim acabámos a noite, à porta do creu, como sempre.
Um bjo a tds de boa semana,
Ana B. Carvalho
quarta-feira, abril 23, 2008
Crónica de 20.04.2008 (Boavista)
Com a oração inicial feita pela Marta, apelando à simbiose entre as rondas e o nosso dia-a-dia, partimos para a D.F.
Em dia de Porto Campeão, com uma vitória acrescida ao Benfica, lá a encontrámos eufórica a festejar, juntamente com o Sr.V. e o filho P. Estavam todos bem-dispostos. Pediu-nos um litro de leite, e que viéssemos preparados para, na próxima vez, a ajudarmos a escrever ao filho. Assim, partimos em busca do Sr. R, com quem se tinha combinado encontrar-nos às 11. Andámos por lá mas não o vimos, teremos que tentar outra vez.
Por isso, continuamos a ronda, descendo no percurso. Não havia pão par o Lar, por isso, parámos no Sr.G., sempre com as suas "mezinhas", lá fizemos uns dedos de conversa, numa tentativa de perceber em que é que acredita..!
Ao mesmo tempo, por ali, fomos ter com o Ind., dando -lhe um cobertor e algumas palavras de conforto.
Desde local, continuamos para o viaduto. 1º falámos com o Sr.A., desanimado com a derrota Benfiquista e por continuar sem conseguir dormir, sucessivamente, por muito tempo e, posteriormente, com o Sr.Z, desanimado também, mas com a vida que anda levar; disse "já não saber o que queria..!". Pedindo desculpa pelo estado de espírito, lá foi dormir e nós continuamos a noite. Encontrámos o JC a ressacar, pedindo-nos para apenas deixarmos o saco com ele.
Por fim, estivemos com o Sr. Al, Sr. Ar. e D.G.. O Sr. Ar. surpreendentemente mais lúcido e bem falante, disse-nos ter feito alguns cursos. A D.G. lá estava sempre querida e o Sr. Al. com o seu feitio mais apagado, actualmente, contou-nos, feliz, a conquista de Bolsa do filho para trabalhar.
Depois de tudo, chegámos ao Creu e acabámos a noite a lembrar todos os que vimos e não vimos, assim como a Joana que vai para fora.
Um bjo a tds de boa semana,
Ana BC.
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
Aldeias | Ida este Sábado (23.02.2007) - 11:00h
Quero relembrar a todos que este fim-de-semana há visitas na aldeia. Depois da formação em fisioterapia, teremos um fim de semana mais relaxado, só com as habituais visitas.
A hora de partida será às 11:00 horas no sitio do costume: em frente à igreja de N.ª Sr.ª de Fátima (p.f. respeitem os horários).
Não se esqueçam de levar algo para partilhar no almoço.
Peço a todos que confirmem a presença/ausência no próximo sábado.
Com este Sol e por este andar pode ser que ainda iremos ao rio! :)
Beijos e abraços,
Na ausência do Rui,
Jorge
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
Crónica da Boavista (10.02.2008)
Depois de distribuirmos os sacos como habitualmente, fizemos uma oração com uma proposta bem gira e diferente (pelo João AP), e organizámo-nos para sair.
Começamos pela zona do viaduto, onde estão so nossos novos amigos Sr.Z. e Sr.A. Mas nenhum dos 2 estava. Ainda berramos umas vezes, mas sem sinal de nenhum.
Seguidamente, resolvemos ir ter com o Sr. G, uma vez que estávamos perto dali. Ele estava bem, com os recados das mezinhas de sempre e com a frase "o jardim do éden" ;). Pelo meio da conversa estivemos com dois novos amigos, que não me recordo o nome e a quem demos o saco e assim seguimos para a D. F.
No caminho, encontrámos o Jorge! Que não vinha à ronda mas, lá se convenceu e veio connosco fazer o resto da noite.
Assim seguimos para a D.F. os 5, como há muito não acontecia. Ela estava animada, apesar de ter ido ao hospital, como noutras vezes, por causa da diabetes, estavam a 700's! O V. também estava por lá. A barraca caiu, parcialmente, devido à chuva e agora dormem pior do que nunca, o que vale é o que ânimo estava em alta.
O Sr. R não estava "em casa" e o cadeado que lá estava, implica que vamos ter de passar a tentar encontrá-lo noutros sítios, será que o reencontraremos?
Descemos e fomos ter com o PeP, ele estava conversador, e falou-nos em esforços para reentrarem na metadona. Ela estava a ressacar fortemente, e fez alguns contactos que nos pareceram muito "estranhos", também lá estava o JC. Demos um saco a um rapaz que bem precisava, mas que não fixei o nome. Passamos pelo A, mas já não tínhamos sacos...
Vimos o Sr. A, a D. G e o novo companheiro que precisava de orientações, espero que ele esteja bem. Tenho sentido o Sr. A mais distante, talvez por algumas discussões que tivemos por causa da nossa ajuda e da forma como o poderemos ajudar melhor.
Terminamos com a habitual partilha. Foi bom estarmos em grupo de novo.
Ana e Jorge
domingo, fevereiro 10, 2008
Crónica das Aldeias (09.02.2008)
Na "nossa", Ansiães, nas três visitas que fizemos aprendemos muito sobre o que era o Entrudo de antigamente. Demos o nosso primeiro passeio na eira com a TC, que fez questão de nos ditar a música da Infeliz Donzela, a qual cantarolamos. Será que me lembrarei assim tão bem de coisas com 93 anos?
A alegria do passeio foi contagiante: "eu quero correr!". Estávamos nós com receio de propôr o passeio e logo à primeira ficou assente que se deverá tornar um hábito! Enfim, por vezes somos pequeninos nas nossas ideias...
No final fomos pela primeira vez ao Lar em Fregim, e atravessando o "labirinto" que é aquele edificio enorme e moderno onde 118 "séniores" residem, encontramos mais uma vez a alegria do reencontro com a DA e o SJ. Já não os víamos há 6 semanas, o Natal tinha sido em família. Ficamos muito surpreendidos com a qualidade do Lar e pela hospitabilidade das pessoas (tirando o porteiro :P). Eles estão bem, com boas cores, o SJ ainda se está a adaptar e depois da despedida ficou a vontade, e a certeza, do reencontro daqui a algum tempo.
Foi um sábado excepcional, pelo qual me sito agradecido a todos que contribuem com aquilo que têm e acima de tudo, com aquilo que são.
Um abraço forte,
sexta-feira, janeiro 25, 2008
Ida à aldeia este sábado (26 Jan), partida às 11:00h
Este fim-de-semana há aldeias. O programa desta vez é unicamentededicado às visitas domiciliárias.
Partimos às 11h ( tentem chegar a horas!) e encontramo-nos junto àIgreja de Nossa de Fátima. Levem algo para partilhar no sempreespecial almoço.
Confirmem, p.f., a presença/ausência no próximo sábado.
Beijos e abraços,
Rui.
segunda-feira, janeiro 21, 2008
Novidades nas Aldeias...
Vi a alegria do deixar a solidão encontrar a certeza de um lugar no lar. A ela se juntou um par de olhos cintilantes com 86 anos...
Porque vi partir um amigo, que muito ouvimos todos cantar, a quem cantamos os parabéns, com quem passeamos, que nos falava da tropa e dos bailes junto à lareira...
O casal do Casal foi para o lar, e apesar de não termos ainda visto o sorriso no rosto, já o ouvi pelo telefone, a dizer que estão bem, e que há visitas ao Sábado :)
Com o coração cheio por eles, quero dizer: Obrigado!
e obrigado a todos!
terça-feira, janeiro 15, 2008
Crónica da Ronda da Boavista (30.12.2007)
Depois de algumas desistências, o Rui, Jorge e eu ficámos disponíveis para mais uma noite com os nossos amigos de rua.
Era a última do ano de 2007 e também nas outras rondas se sentia a falta de gente, pela época das quadras natalícias.
Mas animados e depois de uma oração inicial de improviso, lá partimos para a nossa 1ª paragem, a D. F. Aqui encontrámo-la bem disposta, a jogar cartas com um amigo, o Sr.V. Este está a dormir num jardim ao lado, debaixo de uns prédios. Pelos visto o seu antigo poiso era próximo do Estádio das Antas mas incendiaram-lhe as coisas e a D.F. que já o conhece há algum tempo, aconselhou-o a ir para lá. Assim, têm passado o tempo juntos, a jogar umas cartas, enquanto não vão dormir. Não há vencedor, nem vencido, nem regras, apenas uma forma de passar o tempo. Ficamos a contar com ele para as próximas vezes e partimos para o próximo amigo.
O Sr.R. não estava na sua casa. Tocámos uma data de vezes, mas em vão – podia-se espreitar um escadote do lado de dentro a prender a porta… Sem saber bem onde poderia estar ele afinal, seguimos para o lar de Idosos. Depois de tocarmos uma data de vezes, lá conseguimos deixar o pão para os velhinhos.
Depois veio o Sr.G. Esteve encontrava-se todo bem-posto, com as luvas e a gabardina que lhe demos no Natal. E bom ver que este Homem aproveita tudo o que lhe damos. Contou-nos um pouco da vida passada, da mágoa com a sua filha que já morreu. Contou-nos algumas histórias no tempo da PIDE e, assim nos despedimos dele. Antes dele, tínhamos falado já com o A., que lá estava mais ou menos desanimado por ainda continuar na rua e com o C., um rapaz que penso, já nos tínhamos cruzado uma vez e que estava completamente afectado pelo vício…Pediu o saco, e seguiu.
Na zona do C., estivemos com o P. Este falou um pouco connosco, estava preocupado por não saber há algum tempo da P. Ligamos-lhe e ela disse que já ia. Não sabemos como anda a relação entre eles mas convém estarmos atentos.
Um pouco mais abaixo estivemos com o C,e stava todo “roto” de andar de um lado para o outro sempre a correr á procura de carros e lugares para os carros…falámos bastante, ele faz-nos sempre rir!
Para terminar, fomos ao encontro do Sr.A. e da D.G. Estivemos com os 2. Falaram-nos de como tinham sido os seus Natais, com alguma indiferença. Para o Ano Novo, previam uma noite como qualquer outra no ano. Ainda insistimos para a DG ir à ribeira assistir ao fogo, mas vamos ver…
Terminámos a ronda em oração e partimos para nossas casa, com a esperança de que este novo ano seja ainda melhor para nós e os nossos amigos da rua.
Ana Carvalho
terça-feira, janeiro 08, 2008
Janeiras nas Aldeias! - 12 Jan - Aberto a todos!!
no próximo sábado vamos cantar as Janeiras nas Aldeias, passando por todas as casas que visitamos.
Queremos convidar todos os voluntários do FAS para se juntarem a nós num dia cheio de alegria e camaradagem. As previsões é de que vai haver Sol e nuvens (não chuva). É um dos melhores dias para conhecer as Aldeias.
Na indisponibilidade do Rui, faço eu a convocatória para este próximo sábado em que regressamos às aldeias neste novo ano. Quem quiser alinhar, por favor, envie-me um mail. Partimos às 10h e voltamos às 18:45h.
Tragam almoço para partilhar e viola quem tiver.
É necessário alguém que seleccione as músicas (poucas) do nosso rol de canções de natal de 2007 e 2006, se alguém tiver disponibilidade fale-me.
Tal como habitual o local de encontro será em frente à igreja N.ª Sr.ª de Fátima, com partida agendada para as 10h00. Sejam rigorosos com as horas, até porque vamos percorrer todas as casas, e ainda vamos ensaiar lá antes! Um abraço cheio de esperança a todos,
Jorge
segunda-feira, janeiro 07, 2008
Crónica da ronda de 06/01/2008 (Boavista)
Partimos eu e o Rui em direcção à D.F. Ela lá estava com o seu filho Z. e o Sr.V. Jogavam às cartas mas rapidamente a conversa mudou para o seu tema preferido, o futebol. Entretanto chegou a Ana e acabamos por saber que mais uma vez a D.F tinha ido para a urgência na passagem de ano com a “pulseira azul” própria para diabéticos.
De seguida fomos visitar o Sr.R. que tinha chegado da terra onde foi visitar a família e que já com o rendimento mínimo esgotado, continua na mesma casa acompanhado pelas ratazanas…aquela casa é assustadora.
Seguimos para o Sr.G que acabava de atender a chamada da sua mulher “- Eles já chegaram? – Estão agora mesmo a chegar.” É bom saber que ele está ali à nossa espera todos os Domingos. Lá soubemos que a felicidade depende muito se vivemos numa casa ou num andar e depois de mais umas mezinhas partimos para mais uma paragem.
Nesta noite demos um saco a 3 pessoas novas, o ? que ainda tentou fazer um negócio de telemóveis connosco (surreal), a L e a G que arrumavam uns carros presas ao vicio que mais gente coloca na rua…a droga.
Estivemos ainda com o P. que acabou por falar um bom bocado connosco, parece que nos estamos a aproximar dele. A P. tinha ido ao bairro.
Fomos ter com o Sr.A que tentava arranjar mais uns trocos numa noite que para ele ainda estava a começar. Como não estivemos com a D.G. fomos entregar o saco que sobrou ao P. para dar à P e …lá estava ela. Tinha chegado do bairro naquele momento mas estavam os dois tão speedados que apenas conseguimos saber que tinham estado com as filhas no Natal.
Sem chuva acabamos mais uma ronda desejando que o Inverno não fosse tão “mauzinho” com os sem-abrigo na próxima semana.
Boa semana
Joana Gomes
domingo, dezembro 30, 2007
Ronda de Natal (6º trajecto)
Comigo e com o Raul veio um grupo de escuteiros de longe - de Cascais! A Margarida, a Inês, a Raquel, a Constança e o Tiago vieram ao Porto fazer uma actividade que incluía uma parte de acção social para a qual nos pediram ajuda. E os ajudados acabamos por ser nós, com a boa disposição do grupo ajudaram-nos a fazer uma surpresa aos «amigos da rua».
Na baixa, para além da normal confusão por causa da “árvore gigante”, encontrámos alguns sem-abrigo (que conhecemos de outras paragens) avisando-nos que estavam a preparar uma manifestação. Pretendiam criticar o capitalismo simbolizado pela árvore, e a falta de atenção prestada pelas instituições estatais de apoio social a eles mesmos, que vivem na rua. Sob pena de ficarmos sem os poucos sacos que levávamos, decidimos procurar quem costumamos visitar e só no fim voltar lá.
Então encontrámos o Sr. F que nos recebeu com a sua habitual simpatia. As caras novas não impediram que voltasse a contar-nos alguns trechos da sua longa narrativa, alguns novos, outros já conhecidos. Oferecemos-lhe um dos gorros que o Raul comprou e um pequeno postal de Natal. Pôs logo o gorro na cabeça, ficou contente, e guardou o postal na carteira, mostrando cuidado e gratidão. Procurámos mais à frente o Sr. V, mas não o encontrámos – no sítio dele apenas alguns cartões.
Continuamos a pé, subimos aquela rua muito inclinada e, para nossa surpresa, encontrámos o Sr. A. Já tem a tal operação marcada, estava, por isso, mais feliz. Perguntou se passaríamos lá no Domingo seguinte avisando que voltaria à sua terra, que não o procurássemos, portanto. Não quis o saco, já estava de barriga cheia, e não quis abrir logo o presente. Despedimo-nos e seguimos.
Quando voltámos à praça já a manifestação tinha desaparecido. Continuámos mas também não encontrámos o Sr. E. A noite aproximava-se do fim, mais rapidamente do que prevíamos. Seguimos então para a última paragem.
Lá encontrámos também poucos amigos. Estavam o Sr. M, e Sr. A, o M e o Sr. A. Perguntaram logo pelas habituais raparigas do grupo que desta vez não apareceram. Talvez por isso o Sr. M tenha feito birra imediata (a falta que a João lhe faz…) e tenha saído sem se despedir de ninguém. Os outros estavam bem dispostos. Depois de perceber de onde e porque vinham os nossos novos amigos, o M rejubilou e não hesitou em mostrar os seus conhecimentos em escutismo, como lhe é tão característico. Apesar de confessar que para ele o Natal «é um dia como os outros» esperamos que aquele momento tenha feito alguma diferença. Ainda levei um puxão de orelhas do Sr. A por me ter esquecido de lhe levar o azeite para a consoada – prometi redimir-me no ano-novo.
Foi pena a ronda ter sido tão curta, os nossos amigos de Cascais não tiveram muita sorte. Ficaram, pelo menos, com uma noção do que fazemos e abriram a porta do regresso para surpresas futuras aos «amigos da rua», agora que já os conhecem. É absolutamente notável que exista ainda alguém que faça algumas centenas de quilómetros em comboio regional, durma num pavilhão dos bombeiros e volte na véspera de Natal. Quando as atenções se voltam normalmente para a família e a preocupação é comprar as últimas prendas, os nossos amigos de Cascais dão este testemunho de despojamento e entrega, ao qual não ficamos indiferentes. Para eles e para todos os que estão a ler, um bom ano, um ano cheio de paz.
sexta-feira, dezembro 21, 2007
Aldeias | Ida à aldeia este sábado (22 Dez), partida às 11:00h
amanhã voltamos à aldeia para a visita de Natal e última visita deste ano.
Tal como habitual o local de encontro será em frente à igreja N.ª Sr.ª de Fátima, com partida agendada para as 11h00. Sejam rigorosos com as horas, até porque estamos poucos para tantas visitas e não se esqueçam de levar algo para partilhar ao almoço. Se quiserem levar um gorro de Natal pode ser divertido...
Um abraço natalício a todos,
Jorge
terça-feira, dezembro 18, 2007
terça-feira, dezembro 11, 2007
Crónica da ronda de 25/11/2007 (6º trajecto)
As músicas de Natal já se fazem ouvir no centro da cidade e contagiados com estas músicas avistamos o Sr.V. com o olhar fixo na pista de gelo que se encontrava à sua frente.
Não foi fácil reconhece-lo porque o seu cabelo e barba tinham crescido imenso. Depois de um pouco de conversa, e de nos contar das dificuldades que tinha para entrar em cafés devido ao seu estado de sujidade, conseguimos convencê-lo a mudar de roupa. Mudou-se ali à nossa frente e ficou como novo, agora já iriam trata-lo de outra forma, segundo ele.
Durante mais ou menos 2 meses tentámos sem sucesso que fosse tomar banho e deixamos-lhe várias vezes roupas que eram constantemente roubadas. Assim, foi com naturalidade que se criou uma enorme alegria no grupo. São acontecimentos assim que nos dão alento para continuar sempre.
Este foi apenas o ínicio da ronda que acabou por nos contagiar a todos.
O SR. A não se encontrava no local do costume, o mais provavel é ter ido à aldeia visitar a família.
O Sr. E também não se encontrava , segundo a Manela anda um pouco desaparecido.
Em Cedofeita estava o Sr. M. – com o mau humor do costume, tem uma necessidade enorme de atenção e fica cheio de ciúmes por falarmos com os outros, o SR. E. – continua dividido entre a rua e a sala de espera do hospital, o Sr. M – trouxe-nos a novidade da possibilidade de trabalhar durante as tardes na construção civil, o SR A – sempre bastante recatado, o Sr. A – também tranquilo como sempre e finalmente a Sr. A.M. também se encotrava bem disposta.
Houve uma pequena distribuição de roupa e voltamos ao lugar de partida.
Segunda à noite, passei por "casa" do E., depois de sair da aula de inglês estava a passar por lá e lembrei-me de ir ver se estava em "casa"! Foi com muita alegria que nos recebeu (eu+Zé), apreciou o nosso gesto e nós também gostamos de conversar com ele. O Zé gostou imenso, admirou bastante a inteligência e perspicácia do E.. Contou-nos que a semana passada esteve a dormir numa pensão ali perto e que tinha estado com a Manela e com a Sabina a conversar, antes tornar àquele local.
Maria João
segunda-feira, dezembro 10, 2007
Crónica da ronda de 09/12/2007 (Boavista)
Seguindo a linha das rondas anteriores, esta também foi diferente do habitual, isto porque só estava o Rui e eu.
Foi uma ronda desfalcada de voluntários, de sacos e de gente na rua, mas nem por isso desanimante!
Depois de uma oração inicial, feita com todos os elementos, partimos em direcção à casa abandonada do Sr. R, como combinado. Acho que encontrámos a casa,- uma com uam porta entre-aberta e outra fechada. Tocámos, mas a campainha n dava. Chamámos, mas ninguém nos ouviu. Olhamos em redor, e nada do Sr. R. Assim, fomos ao jardim onde ele dormia e onde muitas vezes o vemos, mas também não estava lá.
Esperemos que no próximo Domingo o consigamos encontrar num dos 2 locais..
Assim, descemos para a D. F. Esta estava sozinha desta vez, à espera do Sr. V. para subir para a barraca. Apesar de nos ter recebido um pouco mal (fez um gesto feio qd nos viu no carro pois, como vê mal, pensou que ra gente a meter-se com ela…!?), ficou contente de nos ver. Pediu-nos logo para a ajudarmos a escrever uma carta ao filho + novo, pois na véspera de Natal, não vai poder vê-lo pois tem que fazer exames ao coração. Então, como mãe peocupada não quis deixar de lhe escrever e desejar um BomNatal. Nós também o fizemos, em nome de todos. Uma particularidade nesta acção, foi ver que a D.F. tem mta dificuldade em demonstrar os seus sentimentos. Tvemos que puxar por el para o que o texto não ficasse por um simples "J., a mãe não vai poder ir aí ver-te porque está doente. Beijinhos".
O sítio onde conversamos sempre com ela estava imundo, ela diz que está à espera da Câmara para levarem tudo para o lixo.
Trouxemos, como prometido na semana anterior, uma almofada e assim seguimos para as paragens abaixo. Não vimos, mais uma vez, o Sr. Z., esperemos que esteja numa pensão.
Estivemos com o Sr. G na zona da B.; falámos um bocadinho. Ele, claro, sempre bem, com os seus também habituais versos mórdidos/tórridos! Ficou com 2 camisolas interiores que tínhamos no carro, para a sua mulher. Enquanto conversávamos, apareceu o A. como na semana passada. Desta vez um pouquinho menos desanimado, pois disse que as coisas estavam difíceis. O antigo patrão não lhe quer passar uma declaração de como ele trabalhou para ele, pois este empregou-o de forma ilegal.. Mas vamos ver como rolam as coisas...
Mais à frente cruzamo-nos com o R., rapaz que conhecemos há pouco tempo, mas com quem temos sempre estado. Sempre não tinha ido ao Cat, mas disse que queria entrar para um Centro antes do Natal, centro esse onde ele acha que se entra facilmente, o de Candomil percebemos nós.Vamos ver. Estava bem disposto (speedado), aceitou um pequeno cobertor que também tínhamos ali.
Ali, cruzamo-nos com o T. (aquele rapaz que eu tinha visto no Pdoce, mas que nunca + nos tínhamos cruzado com ele, lembram-se). Lembrava-se de mim, falamos um pouco, pediu-nos roupa e comida. Foi bastante exigente com a ajuda, o que não agrada mutio, mas será um caso a ter atenção. Ele é muito novo!
Ele chamou um amigo,a quem demos saco e uma camisola, mas ficamos sem saber o nome. Ao S., que também por ali estava, demos o saco.
No C., estranhamente não estava ninguém, possivelmente a polícia deve ter passado por lá.
Já passava da meia-noite mas quisemos arriscar a ir ter com o Sr.A. Nem de propósito, vinha ele com as 2 voluntárias e a D.G. a sair do shopping. Estavam contentes. Ficaram com 2 sacos nossos. A D.G. queixou-se apenas de agora, por ser altura do Natal, ter que ficar até + tarde a trabalhar. Como já não tinha autocarro, a L. ofereceu-se para lhe dar boleia.
Com tudo isto, terminámos os 2, falando um pouco de cada caso e seguimso para as nossas casas.
Ps-Não passámos pelo lar, pois não sobrou pão.
Um bjo a todos de boa semana, Ana
a travessia
As mulheres são mais capazes desse pacto com o sofrimento porque são mais propensas a esquecer. Andam para a frente e não se põem a abanar a cabeça cheia de sabedoria. Não choram quando o caso é de dar conforto para o qual as lágrimas não ajudam nada. Servir um almoço, ajeitar uma almofada, tem mais poesia que as valsas de Strauss. Penso que o lema do voluntariado devia ser este: "O voluntariado não é uma ocupação, é uma travessia na noite onde se inventa o dia seguinte".»
Agustina Bessa-Luís (in “Comunidade e Saúde", Revista da Liga de Amigos do Hospital de Santo António, Junho de 2003)
Crónica da ronda de 02/12/2007 (Boavista)
Assim, depois de uma oração inicial, feita com todos os elementos das diversas rondas, lá partimos para o 1º destino, o Sr. R. Este encontrava-se no jardim de sempre, estava lá para estar connosco, uma vez que no Domingo passado não o vimos na casa abandonada. Agora já combinámos o sítio certo para o apanhar, mas sem que os vizinhos saibam que ele ali vive.
Seguidamente, descemos para a D. F e Sr. V. Com eles, estava o filho da D. F., o Z. Falaram maioritariamente sobre futebol. A conversa acabou por ser feita mais entre eles. A D. F. estava visivelmente contente com esta visita, quase nem nos ligou! Entregámos o saco e prometemos trazer na próxima semana almofadas e assim seguimos para a paragem mais abaixo. Pelo meio não vimos o Sr. Z. (onde andará ele?...)
Na zona da B, passamos 1º pelo Lar para deixar o pão. Estivemos com o Sr. G que disse logo que sentiu a nossa falta na vez anterior (deve ter havido um desencontro nosso com ele porque nós passámos por lá), sem mezinhas à mistura desta vez, seguimos em frente. Ainda à conversa com o Sr. G, apareceu o A. que nos disse, com ar feliz, que estava a tentar o repatriamento, que lá para o fim do mês já devia ter resolvido as questões.
Mais à frente cruzamo-nos com o Ricardo, rapaz que conhecemos há pouco tempo. Demos-lhe um saco, voltamos a falar na metadona, ele disse que ia na 2ªf lá. Entretanto já sabemos que não foi.
Na zona do C. passamos pelo JP que dormia, deixamos-lhe um saco. Um pouco mais abaixo estava o JC que nos falou decomo para ele o Natal é triste. Enquanto o Jorge e eu falávamos com ele, a Joana e o Rui foram ter com o P. que nos tinha enviado uam msg a pedir para esperarmos por ele e guardarmos um saco.
Estava com bom aspecto. Disse-nos só que a P. não tinha vindo pois estava na cama, cheia de dores nos dentes. Contou-nos que talvez uma pessoa amiga lhe oferecesse o tratasmento à boca, o que seria óptimo.
Como tivemos sobras de sacos, fomos deixá-los ao Aleixo.
Assim terminámos a ronda os 4, a lembrar quem tínhamos visto.
Os repórteres acompanharam-nos ao longo de praticamente toda a ronda, mas sem filmarem os nosso amigos da rua. Cada um de nós deu uma entrevista, expressando a sua opinião e análise. Entretanto já sairam os resultados e ficou muito bom! Parabéns ao canal UP.
Um bjinho para todos de boa semana,
Ana Barbosa de Carvalho.