Famílias, Aldeias e Sem Abrigo estas são as nossas áreas de acção. Um grupo de jovens do Porto, que no CREU têm uma casa, lançam mãos aos desafios que lhes surgem.
sexta-feira, setembro 28, 2007
Crónica da ronda de 23/09/2007 (Batalha)
O Sr D estava a dormir profundo, foi impossível acordá-lo, seguimos para o Sr F. Estava surpreendentemente sóbrio e conversador. Encontramos neste local um morador da zona que é seu amigo e nos ajudou a perceber algumas coisas. Confirmou os seus ataques de esquizofrenia e também referiu o seu bom coração e educação que tantas vezes comentamos. O Sr F teve ainda a oportunidade de dar bons conselhos à Sabina para cuidar bem do pé! Sempre cuidadoso com as suas amigas. :)
Visitamos e o SR J que lá deu dois dedos de conversa. Falou nas suas obras da casa, da 'mulher' que nunca sabe dela (só diz, anda pr'ai) e falou que tem estado com a filha.
Depois, graças ao telefonema do João - muito obrigada! - lá reencontramos o Sr E. Que alegria, nossa e dele.. acho que no meio da noite todos os nossos olhos brilharam o suficiente para fazer concorrência à lua! Com ele está o Sr F que eu e a São tínhamos tido a oportunidade de o conhecer. Conversamos bastante com eles até que - devido a problemas de vizinhança - saímos à socapa antes que houvesse problemas por causa do nosso barulho!!
Após uma volta no Aleixo e da entrega dos sacos à ronda do Sr Fernando regressamos ao creu com mais uma noite repleta de momentos que ficam na memória.
Manela
quarta-feira, setembro 26, 2007
Ida à Aldeia - 29 de Setembro
Só para lembrar que este fim de semana vamos às Aldeias. Teremos uma pequena reunião antes do almoço para planear o novo ano e tomaremos parte, muito provavelmente, na festa de aniversário da D. Olívia que comemora a provecta idade de 100 primaveras (incrível!), ainda que não por muito tempo pois há visitas a fazer.
Mais uma vez se pede que respeitam os horários de partida, como aconteceu há duas semanas atrás.
O local de encontro será em frente à igreja N.ª S.ª de Fátima. A horada partida é 10h30.
Confirmem a presença/ausência no próximo sábado e não se esqueçam de levar algo para partilhar ao almoço.
Beijos e abraços,
Rui
segunda-feira, setembro 24, 2007
Crónica da ronda de 23/09/2007 (6º trajecto)
Em vez do senhor V havia a surpresa de um fogo de artifício (!) e muitas palmas para um espectáculo que terminava. Para alívio do rapaz do bar era o último da série. Não soube dizer-nos onde andava o nosso senhor V, provavelmente arrumado para outro canto onde não lhe chegassem as faúlhas que aterravam acesas.
Na ponte também não estava o sr VP, apenas o habitual felino, sujeito à condição solitária de gato. Tudo leva a crer que tenha conseguido o internamento. Aguardamos notícias num telefonema.
Subimos a pé aquela rua tão inclinada, valeu o esforço, a meio estava o sr. A, com quem nunca tinhamos conversado por ter sono (íssimo) com a profundidade da terra. Oscila entre St. Tirso e o Porto enquanto não é operado a uma érnia e ao joelho. Tem sido acompanhado pelos Médicos do Mundo. Espera o regresso do médico familiar para conseguir uma pensão que lhe estique o rendimento mínimo. Mais abaixo um rapaz sentado nuns degraus aguardava o sono enquanto aceitava um saco nosso. Explicou que deveria ter ido para a Maia onde tem tratamento à espera. Falhou a oportunidade por uma noite, mas nada estava ainda perdido.
Encontrámos o senhor E e um amigo, o sr F, ao cimo da rua que nos tinham falado da última vez - o tempo assim o permitiu. Apesar de estarem a dormir, acordaram bem dispostos e conversadores. Deixámos ainda um saco junto de alguém que dormia lá perto, e que não acordou à nossa chamada.
Depois receberam-nos os costumeiros Sr. E, Sr. M, o M, o Sr. A, a D. A M e outro senhor, novo para nós. Desabáfamos, rimos, perguntámos sobre cada um. A memória, a gratidão em cada presença, não fazem imaginar uma semana de permeio. A intenção da ronda é criar estas linhas contínuas de afectos.
Por isso ficamos tristes quando não encontramos alguém, como tem acontecido com o A. Nem no sítio dele nem no semáforo - a dependência obriga a cumprir os horários do corpo.
Fechávamos a noite, recolhiamos ao sono de cada um, à memória de um tempo denso.
Crónica da ronda de 16/09/2007 (6º trajecto)
Um espectáculo de dança na praça D. João esperava-nos para darmos início à nossa ronda...é preciso fazer rondas para descobrir a agenda cultural da cidade!
O Sr. V. assistia a este espectáculo de forma animada, de vez em quando dava-nos um ar dos seus dotes artísticos ...dançava, cantava - em espanhol pois passou 6 anos em Barcelona, aliás sempre que possível fala-nos em espanhol o que torna as nossas conversas ainda mais animadas. Era ele que nos explicava entusiasticamente o sentido da dança que se desenrolava à nossa frente.
Quando vislumbramos o Sr. V.P., desenhava-se uma bela imagem à sua volta, uma gatinha deleitava-se sobre as suas pernas. É sempre tão bom ouvi-lo, pena que acabamos por não o encontrar muitas vezes e agora já está de partida para a desintoxicação, transmitiu-nos uma força de vontade enorme...mas tem consciência das dificuldades que irá passar. Começa 3ª.
Foi por acaso, que descobrimos o Sr. E e a D. D., a conversa foi rápida porque já estavam deitados.
Cedofeita. O sr. M., sr. E., sr. A. e o M. esperavam pela nossa chegada, e nós chegámos com as mãos cheias de coisas novas.
O M. trouxe-nos uma fotografia dos tempos em que era paraquedista, contou-nos da vida complicada que viveu com a mãe e da vontade que tem de fazer o teste de equivalência do 12º ano para aumentar a sua qualidade de vida.
O sr. E. ficou contente quando lhe mostramos os sapatos que tínhamos trazido. Ele trazia umas belas sapatilhas mas eram muito apertadas e davam-lhe muito mal estar. Ficou com umas botas quentinhas para o Inverno e ...confortáveis! Ah já me esquecia do estado de contentamento em que se encontrava...está apaixonado!
O sr. M. encontrava-se de mal com a vida, não conseguimos convence-lo a dizer-nos algo, passou o tempo todo a resmungar... esperemos que para a semana se encontre mais bem disposto.
Maria João
segunda-feira, setembro 17, 2007
Crónica da ronda de 16/09/2007 (Boavista)
Começamos pelo Sr. R. mas não o vimos, o sitio onde dorme está com mais cartões a fazer de paredes e a protege-lo.
Continuamos e seguimos para a D. F. O sitio onde dorme está cada dia pior, mais sujo e mal cheiroso. Os cães guardam a tralha toda que ali está, uma reliquia! Também não estava por lá e também não estivemos com ela.
Continuamos caminho e procuramos pelo Sr Z. Nem sinal.
Descemos ao encontro do Sr. G. orgulhoso mostrou-nos uma fotografia de quando era segurança. Todo enfarpelado! Continua agradecido pela ajuda da Caritas. Mais umas mezinhas e a conversa lá se vai estendendo.
Mais à frente encontramos o A e o indiano da semana passada, amigos de rua, com a mesma vontade em partirem para os seus paises de origem. O A. já foi ao CNAE mas continua à espera, disse-nos que os médicos do mundo também estão a ajudar no regresso a casa. Ficou de lhes ligar esta semana, pode ser que no próximo domingo tenha novidades.
Procuramos pelo R. mas nao o vimos e seguimos para o bom sucesso.
Encontramos a P. a consulta é esta semana dia 19, esperamos que lhe corra bem e que no próximo domingo tenha muitas novidades.
O P. também lá estava mas enquanto falavamos com a P e deixavamos o saco para ela e para o V. ele foi ter com a P. e desceram os dois. Não fomos atrás porque deu para perceber que ele não quer ajuda nem conversa e ela arrastada por ele lá o seguiu.
A P. mostrou-nos o novo sitio onde o J. P. está a dormir, ainda trocamos algumas palavras com ele, poucas, porque a ressaca não deixava que a conversa alonga-se. Ainda o conseguimos por a rir e despedimo-nos dele.
Descemos à procura do Z.C. mas nem sinal, demos a volta e encontramos o A. agarrado a uma costela, dorido e cheio de dores. Não quis conversa, apenas o saco e apanhar mais umas moedas.
Quando estacionavamos mais acima para irmos ter com o sr A. encontramos o M. que vive na senhora do hora e estava só de passagem a arrumar uns carros e ver se conseguia mais uns trocos.
Como era cedo fomos ter com o Sr. A. ao sitio do costume, em frente às televisões lá se encontrava ele. Um pouco mal disposto, revoltado, chateado "sempre tudo na mesma". O coração da cidade passou por lá para ele começar a receber um cabaz por mês. Não me parece que o Sr. A. se vá deslocar até lá para começar a tratar dos papeis.
A noite acabou com esta última paragem. Para o domingo há mais.
Boa semana.
Benedita
quarta-feira, setembro 12, 2007
Ida à Aldeia - 15 de Setembro
Este fim de semana iniciamos um novo ciclo anual de visitas à Aldeia.Vamos lá almoçar, reunindo-nos para falar um pouco do novo ano, e depois realizamos as visitas.
Muito importante! Aproveitaremos este recomeço para estabelecer uma hora de arranque rigorosa, ou seja, à hora marcada partiremos.Esta situação foi ponderada, e pedida por muitos, no sentido do melhor funcionamento do grupo e é resultado da vontade da maioria dos seus membros.
Para evitar a desagradavel situação de alguém ficar por terra sugere-se que planeiem chegar com algum tempo de antecedência em relação à hora marcada.
O local de encontro será em frente à igreja N.ª S.ª de Fátima. A hora da partida é 11h00.
Peço a todos que confirmem a presença/ausência no próximo sábado. Não se esqueçam de levar algo para partilhar ao almoço.
Beijos e abraços,
Rui
segunda-feira, setembro 10, 2007
Crónica da ronda de 09/09/2007
Uma boa semana a todos,
Rui
sexta-feira, setembro 07, 2007
Crónica da ronda de 02/09/2007 (Boavista)
as meninas continuam de férias o Jorge festeja com a familia e assim parti eu, o Rui e o sérgio.
Primeira paragem Hotel Ritz. Vazio mais um domingo mas de pé!
Segunda paragem D. F. Não se encontra no seu estaminé e muito provavelmente foi ver o jogo de futebol.
Partimos e acabamos por encontra-la a descer a rua. Toda contente por nos ver, falamos durante um bocado, mais uma vez chamamos a atenção para o estado em que está o siitio onde dorme e derepente começmos a ver a aproximar-se um homem de barba feita, cabelo cortado, tronco nu e a acantarolar!! É o sr Z. Que maravilha!!! Que difernça que faz de cabelo cortado e barba feita.
também conhecia a D F. por isso a conversa prolongou-se animadamente. Custou-nos a despedir e lá seguimos em encontro do Sr G.
Que bom que foi ver que ele já não está com a pistola, já está a receber o apoio da caritas, o que nos deixou felicissimos, e mais umas mezinhas á mistura ficamos a saber como arranjar novo emprego, dinheiro e quando os espiriros nos surgem, com horas e tudo! Sim, os espiritos têm horas e devemos respeita-las se queremos falar com eles ou afastá-los!
Despedimo-nos e seguimos. Não vimos o R. e mais uma surpresa a P. com uma cara tristissima a arrumar carros.
A nossa desilusao foi grande ao vê-la ali.
Paramos ao pé dp P. Entregamos o saco à P., e um outro para o V. que tem consulta esta semana, esperamos que corra bem e que no proximo domingo tenha muitas novidades boas.
O P. estava desesperado a querer arranjar desculpas para estar ali, a culpar-nos do que lhes tinha acontecido, da P ter sido posta dora de casa dele. Uma confusão.
No meio da conversa fugi para ir ter com a P que me pareceu que se ia esconder de nós.
Confirmou, estão a dormir na rua, mas na segunda quando for ao CAT vai pedir um quarto como o da M. (sim e M. já tem um quarto em Matosinhos!!!!). Disse-me que estava a fazer dinheiro para arranjarem onde dormir, mas a M. já nos tinha dito que eles andavam de novo no aleixo. Já não volta para o restaurante, a I já meteu uma nova ajudante.
A vida deles regrediu imenso. Ela não fala com medo, ele está revoltado e nem ouve o que lhe dzemos.
Desalentados seguimos para o sr A pode ser que eles nos anime.
Animou-nos e de que maneira!!! Fez-nos uma visita guiada ao mundo das baratas à porta do mercado. Uma vergonha, quem passa ali nem dá conta mas se olharmos para o chão.... Nao há descrição!!!!
Animados lá terminamos mais uma ronda com o sr A.
Benedita
Crónica da ronda de 26/08/2007 (Boavista)
Um regresso com uma estreia mais do que esperada, e até mesmo fotografada não fossem o resto dos membros da ronda nao acreditarem! Sim o Rui levou o carro!!! Supreendidos!?! Foi uma estreia espectacular.
Surpresa, o Rui é uma máquina, não percebemos o porquê de tantos adiamentos à sua estreia!!!
Lá partimos emocionados para a primeira paragem, Sr R., não estava lá, mas o seu Ritz continua de pé e bem apetrechado, partimos para a nossa querida D. F. que também não estava. deixamos o saco para saber que passamos por lá.
Descemos a constituição e nem sinal do Sr Z. Seguimos e a próxima paragem foi a mais emocionante, aterrorizante da noite, Sr. G.
Enquanto nos contava a sua semana, falou-nos dum assalto que sofreu duns rapazes de navalha, para sua sorte não lhe aconteceu nada e eles tabém não levaram nada. Com medo de voltar a ser assaltado levanta a camisa e mostra-nos a pistola que trazia preso nas calças, na nossa inocência ainda o avisamos de que andar com uma pistola de brincar ainda podia ser pior. Quando para nosso espanto ele saca a pistola e explica-nos que é bem verdadeiro!
Aterrorizados lá explicamos o perigo que a "sua protecção" lhe podia trazer e pedimos-lhe para ir para casa e esquecer o que nos tinha acabado de mostrar.
Despedimo-nos e mais à frente entregamos um saco ao S que estava desesperado, quer volta para a sua terra natal. Está farto da droga e de dormir na rua. Disse-nos que tem falado com a mae no sentido de o ajudar a voltar para casa.
Do outro lado da rua, debaixo dum prédio dormia mais uma pessoa, paramos e demos o saco, não insistimos na conversa pois os sinais de ressaca falavam mais alto.
Seguimos avenida da boavista acima e encontramos o R. Mais uma vez pediu-nos para ir ao CAT, quer mesmo deixa aquela vida desgraçada. Está com melhor aspecto, no meio de toda a desgraça em que se encontra e deixou-nos para fazer dinheiro ficando combinado que mal pudessemos diziamos o dia para nova tentaiva.
Paramos e encontramos a P. e o seu companheiro que já estavam de partida para o Aleixo, de dinheiro no bolso nao quiserem conversa.
Naquela zona não se encontrava mais nenhum dos nossos amigos e assim partimos ao encontro do Sr A.
Sempre bem diposto, poe-nos sempre a rir. É um luxo acabar a ronda com tão boa disposição!!
Foi um regresso cheio, mas ao mesmo tempo meio vazio, fez-me falta não ter noticias do P e da P, fico triste de não ver a mitica d. F. e o sr R. no seu Ritz.
Talvez no próximo domngo os vejamos a todos.
Benedita
terça-feira, setembro 04, 2007
Crónica da ronda de 02/09/2007 (6º trajecto)
Comecámos por visitar o J.A. e o V.. Mal chegámos vimos que o V. estava mais alegre do que o costume, corado e gaguejava (deixo no ar a razão para isto). Contou-nos várias histórias sobre a sua vida, especialmente do tempo que esteve em Espanha, durante 6 anos, e como foi de boleia com ciganos maias (??). Só se ria e quando dizia algo mais malandro, benzia-se e dizia algo que não posso aqui escrever... Contou-nos como um padre em Espanha o pediu para limpar umas garrafas de vinho do pó e como ele as limpou de uma maneira muito original (por dentro)! O J.A. estava a dormir e como tal deixámos-lhe um saco.
Seguimos para o V.P. que apenas tínhamos falado com ele poucas vezes há uns meses, mas a quem deixamos sempre um saco pois encontramos sempre os seus bens pessoais. Estava com uma cara de felicidade enorme. Ficou contentíssimo de nos ver e agradeceu-nos os sacos que sempre lá deixamos. Contou-nos também uma excelente notícia: vai iniciar o tratamento de desintoxicação no dia 17 de setembro, algo que já ansiava há muito tempo e finalmente conseguiu. Foi uma grande alegria para nós! Depois de tanto tempo sem o ver foi um reencontro perfeito... Ao passarmos pelo sítio do J.A. vimos que não estava lá pela segunda semana consecutiva. Tinha arranjado um quarto há umas semanas mas continuava a dormir na rua pois já estava habituado! Lá mudou de ideias e nós esperamos que ele esteja bem! Ao passarmos pelo A. só lhe deixámos um saco pois já estava a dormir...
Na nossa última passagem, onde costumamos encontrar muitos nossos amigos, só encontrámos a A.M. com a qual falámos um bocadinho. Como tinhamos encontrado os habituais desta ronda noutro sítio durante as nossas voltas, decidimos voltar lá e entregar-lhes lá os sacos. Encontrámos o E. e a D., esta que já não víamos há muito tempo (achamos que devido a desentendimentos com membros do seu grupo). Perguntaram-nos se podiamos dar sacos a dois seus amigos e prontamente dissemos que sim. Soubemos que o amigo do E. também praticava boxe como ele, mas este assegurou-nos que não fazia mal a ninguém e pediu-nos alguma roupa que nós vamos tentar arranjar. A D. assegurou-nos que apesar das suas divergências ia voltar a aparecer regularmente! Terminámos assim a nossa ronda com um saco de bolos que sobrou e eu para não se estragarem e como já estava cheio de fome lá comi alguns...
Uma boa semana para todos,
Raul
Ronda da Areosa, 3 noites entre Julho e Agosto
Os pormenores das três já se fundiram na memória, e por isso é confuso e desordenado o relato que me ocorre.
Ei-lo: recebemos uma nova rondista, a Marta, que muito se tem destacado na manicure da nossa amiga S, cujas visitas continuam animadas não só pela sua alegria como pelo bom senso e humor do Sr.Z; a zanga com a Dona A ainda não passou, mas tentamos olhar com ela para as coisas boas da vida. Como a noite de fados no Jardim da Arca d’Água, onde a encontrámos uma vez.
Na casa ao lado, nem sempre a Dona A. nos pôde receber, mas quando deu lá foi dividindo connosco preocupações e avanços e recuos da sua nova cozinha. Qualquer dia há caldo verde!
No prédio, perdemos a companhia do R, que entretanto se mudou para as Antas, mas encontrámos mais alguns companheiros dominicais, como o JC, o A e outros dois que a memória não acha o nome; apresentámos-nos, conversámos, e começámos a conhecer-nos à volta do café e das bolachas habituais; quase todos voltaram, e a passo a passo vão sendo estrelas da noite de domingo. Um velho companheirom, o Z, entrou agora na metadona, e anda animado com a vontade de escapar àquilo. Vamos ver se ganha a guerra...
Por falar em lutas, ainda não vencemos, ela e nós, a batalha pelo corte de cabelo da I; vai ser sempre nesta semana (e nalguma há mesmo de ser!), mas aparte os adiamentos, a conversa e o carinho sabem cada vez melhor..
Quanto ao Sr. M, agora na sua cama estendido, depois de umas semanas de mau humor e de sono simulado, voltou a receber-nos com o sorriso e a ironia de sempre. É um tipo mesmo porreiro!
Obrigado.
Pedro Rui
terça-feira, agosto 28, 2007
Crónica da ronda da Areosa 26.08.07
Deixámos o Sr. Z. à porta de casa com o já habitual abraço de grupo e partimos para o prédio. Não estavam tantos como esperávamos, tinham ido arrumar carros para o Dragão. Demos café, conversámos um bocadinho, entregámos sacos e ficámos sozinhos com o Sr. A como na semana anterior. Continuou a contar-nos a sua vida, falta escrever o livro. Tem sido difícil deixá-lo, gosta muito de conversar, só mesmo sabendo que ainda há outras pessoas à nossa espera…
Seguimos em direcção à I., que ainda não cortou o cabelo, prometeu ser esta semana, será que é desta? O Sr. M. tinha acabado de se deitar, tinha ido passar a tarde a Espinho. Em conversa ficámos a saber que viveu lá 7 anos, antes de ir para a rua. Conversámos, brincámos e divertimo-nos com as piadas habituais. Que bom vê-lo bem disposto! Queremos vê-lo sempre assim…
Olhámos para o relógio, era hora de voltar e deixar descansar…
Já só falta uma semana para o nosso próximo encontro. Até lá…
Um beijinho e boa semana,
Maria Manuel
terça-feira, agosto 21, 2007
Crónica de 19 de Agosto (Boavista)
Partimos os 3 homens do percurso. O Sr. R não estava pela 2ª semana, apareceu lá uma pessoa tb a querer ajudá-lo e deixar-lhe uma ajuda, falamos um pouco com ela. Felizmente anda por aí muito bem no mundo mas não faz manchete e é escondido. Como o anormal é que vende, estas coisas andam por aí totalmente desapercebidas, como as sementes.
A D. F estava contente, foi à consulta e os diabetes só estavam a 300's. Tem uma nova cadelinha a juntar ao Leão. Falamos do filho, de que vai a Lisboa no próximo mês e no péssimo estado em que está o "estaminé" em todos os sentidos. Sem complacências dissemos-lhe que tem de dar uma volta àquilo ou deverá começar a ter problemas com os vizinhos... Apareceu lá um larápio de antenas de carros e ela acertou-lhe com um paralelo na perna! O V não estava lá.
Em seguida encontramos no Montepio o S. Z, estava a dormir por isso a conversa foi curta, deixamos-lhe ficar um casaco pois tinha frio (e eu que andei meses com roupa no carro), não tinhamos cobertores disponíveis (talvez precisemos de uma chave de fora do Creu?) e mais tarde deixamos-lhe um par de sapatilhas 43. Combinamos com ele que íamos pedir aos Médico do Mundo para passarem por lá, o que já fizemos. No dia 10 ele volta a ir para a pensão.
O sucesso da noite foi o frisumo de ananás do Rui que todos os que visitamos repetiram e gostaram.
O S. G estava muito falador com as "ligações com lá em cima" e "deitar as más energias ao mar", etc. Já foi à Caritas e ele já recebeu comida através deles e vai continuar a lá ir. Conseguimos criar mais um laço de ajuda.
Não encontramos o R e falamos com o S, que estava com bom aspecto, a conversa foi breve.
Estivemos com a P, tem uma consulta no CAT Oriental dia 4, estava animada e com muita esperança, já não "ia lá abaixo", o V estava mais abaixo na rua.
Deixamos saco com o JP e começamos a considerar deixar de o fazer pois o saco não está a ajudá-lo.
Não vimos o nosso barbudo S. A. Na saída do shopping encontramos o Sr. A, deu-nos a boa notícia que deverá arranjar quem pague os problemas com a EDP, de resto estava fino, apesar de pensar demasiado no futuro.
Partilhamos a boa noite e partimos para uma semana de trabalho.
Jorge
PS - Hoje percebi que a nossa P está cada vez mais a perder alento e a oportunidade que teve...
Crónica da ronda de 19/08/2007 (6º trajecto)
Na primeira paragem não estava o Sr. V, apenas uns cobertores. Encontrámos antes o sr. J que desconheciamos. Tinha vindo de Lisboa mas fora assaltado em S. Bento. Perguntei-lhe se um bilhete de volta era o suficiente para sair da rua. Disse que sim, que em Lisboa tem casa e família, e emprego à espera. Marquei com ele um encontro no dia seguinte - ao qual acabou por faltar.
Voltámos a não encontrar ninguém na ponte, apenas cobertores e um gato dormindo em cima...
Junto ao Hospital encontrámos o sr. JA, estava de pé a arrumar roupa. Estava muito bem disposto, "hoje sim não posso dizer que esteja mal!", repetia aliviado. Conversou imenso, contou-nos por exemplo que, apesar de ter já pago uma mensalidade do quarto ainda dorme ali, a sua "casa" dos últimos 2 anos. Sente-se acarinhado pelos vizinhos e acha que eles mesmas vão sentir um vazio se deixar aquele espaço.
O grupo que visitámos a seguir estava animado como é habitual. O E voltou à base depois de uma complicada convivência com a D. B. Contou-nos do início dos seus treinos de boxe, e de uma grande sardinhada que o amigo D lhes ofereceu. Também os outros estavam bem dispostos.
Seguimos, mas já não falámos com mais ninguém. O A dormia profundamente quando lá chegámos e não vimos o JA nos semáforos - o que pode ser sinal de que já não consome.
E assim acabava "a ronda da noite", uma entre tantas, única como todas.
terça-feira, agosto 14, 2007
Crónica da ronda de 12/08/2007 (Batalha)
Na Ronda da Batalha só estava a Manela. Fui eu com ela. Partimos à procura de um sem-abrigo que ainda não tinham conseguido contactar: Tem estado sempre a dormir. A caminho passámos por outro que também dormia e não acordou. Estava "ruborizadíssimo". Chegámos, então, ao sr. F. Bem disposto, como ultimamente, recebeu-nos com um sorriso. A equipa tinha juntado e comprado roupa e sapatos para ele. O sr. F. passa o ano muito agasalhado. Sempre com, pelo menos, dois casacos. Agradeceu muito, tudo!
Seguiu-se o sr. D. Também bem disposto e no local do costume. Apreciou muito uns almendrados que levávamos. Estava muito sonolento, apesar do constante e ruidoso movimento da rua.
Faltava o sr. J. O sr. J., agora, está instalado numa loja em obras, cujo proprietário faleceu, com a companheira. Prepara-se para erguer umas paredes de tijolo, para dividir o espaço e proteger melhor do frio, no Inverno. Fantástico. O ser humano adapta-se mesmo a tudo.
Dirigimo-nos para o Aleixo. O cenário terrífico de sempre. Esperámos pelos do 6º Trajecto que nos trouxessem os sacos que lhes sobraram e arrancámos sozinhos, já que os d'"A Ronda dos Sem-Abrigo" ainda não tinham chegado. Lá distribuímos os sacos com pastéis e água. E foi com muito critério que fechámos a mala do carro, nos despedimos e nos fomos embora.
Beijos, abraços e boas semanas,
Nuno de Sacadura Botte
Crónica da ronda de 12/08/2007 (Boavista)
Devido ao grande número de pessoas que não estavam no lugar do costume (Sr. R, Sr. G e R), parámos apenas no Bom Sucesso onde estivemos a falar um pouco mais do que é habitual com a P. A boa notícia é que ela já trocou a heroína pela metadona há algumas semanas, a má notícia é que ainda não conseguiu largar a coca. De qualquer forma, já foi positivo ela ter aberto um pouco mais o jogo connosco...
Seguimos para o Shopping onde costuma estar o Sr. A e ficámos por lá um bom bocado a pôr a conversa em dia. A última visita da noite foi na Constituição, no abrigo do Sr. R, mas uma vez que ele não estava, limitámo-nos a deixar-lhe o saco que nos restava.
Boa semana
Sérgio Costa
Crónica da ronda de 05/08/2007 (Boavista)
Logo na primeira paragem, abro a boca de espanto quando me dizem que aquela mulher relativamente bem lavada e apresentada é a M. Não a via há mais de um mês e nesse último encontro o cenário não foi agradável. Toda suja e com péssimo aspecto, a M estava de gatas numa paragem de autocarro, a apanhar do chão pontas de cigarro. Hoje, depois de umas semanas de metadona, banhos e roupas lavadas, só com algum esforço a consigo identificar. Aproveitamos a paragem para falar com a P e com o ZC, partindo depois para a Avenida da Boavista. Lá estava o R, cada vez mais magro e mais tristonho, fazendo-nos lembrar as inúmeras vezes em que parecia certa a primeira visita ao CAT, para no final sobrar apenas a frustração. Mais à frente apareceu o Sr. G e um rapaz de Coimbra que nunca tínhamos visto e a quem demos um saco de comida.
Seguiu-se a habitual visita ao Sr. A e terminámos a noite a dar os parabéns à D. F, que adorou as 2 saias que lhe oferecemos e que não conseguia esconder a felicidade por nos termos lembrado do seu dia de aniversário.
Sérgio Costa
quinta-feira, agosto 09, 2007
Crónica da ronda de 05/08/2007 (Areosa)
Partimos, Nuno, Tiago, Pedrocas, Maria e eu, com o sr. Z. (lindo como sempre!) rumo à casa da S.. Estava um amor, de branquinho e rosa, como as princesas e com cheirinho de Verão. Foi tão bonito vê-la! Está tão crescida e tão mais consciente da realidade e da situação dela. Foi mesmo bom ouvi-la dizer que se sentia melhor, menos confusa, mais feliz… que o mundo, para ela voltava aos pouquinhos a ser claro e mais bonito!
Lembramos momentos marcantes da nossa amizade … o inicio, o pic-nic que fizemos, a pintura da casa dela, as idas à Missa em comunidade… e, com clareza foi lembrando cada uma das pessoas que passaram, e, ao seu jeito mudaram um pequeno pormenor na vida dela… a Maria João, a Márcia, a Benedita, a Joaninha, o Daniel… onde quer que estejam: Obrigada!
Foi mesmo especial…
Partimos rumo à Casa Abandonada, e só encontrei caras novas: senhores já com alguma idade, sozinhos, na rua… fazem-me ainda alguma confusão estas histórias … agradeceram o café, as bolachinhas, o café com leite (que acabou logo ali!). Ficou prometido um próximo encontro, que espero que levante mais um pouquinho do véu que esconde um passado que dói e que ainda se faz sentir…
Já na Areosa, encontramos o sr.M.! Pareceu-nos magoado, mas não nos quis mostrar o pezinho L E, por tal, não veio dar o passeio habitual de Verão, mas estava todo engraçado: disse 1.355 mil vezes que as mulheres eram umas chatas e que ninguém as atura, arranjou-nos uns casamentos, deu umas risadas, fez-se feliz e deixou-nos felizes também! É um amor aquele sr.M.!
Entretanto veio ter connosco o sr.R., enquanto fomos ao jardim ter com o J., que estava já a dormir. Entregamos o saquinho a ambos, e, depois de fazermos o sr.M. prometer que ia fazer o penso à Cruz Vermelha e ver como estava o seu pé, fomos ao encontro da I.
Não a encontramos em nenhum dos locais habituais, o que nos deixou preocupados… resta-nos rezar e confiar que esteja bem!
Fica também uma oração especial pela Aninha, que está em Rabo de Peixe a fazer felizes os meninos de lá. Esperamos que estejam todos bem e com Jesus. E, como não podia deixar de ser, um abraço apertado a cada uma das pessoas que a S. lembrou na noite de hoje com tanto amor. Marcaram-nos a todos… continuam nossos!
Xiiiiiiiiiiiiiiiii-coração apertado,
Andreia Gil
segunda-feira, agosto 06, 2007
Crónica da ronda de 15/07/2007 (Boavista)
Apesar de já termos visto entre a equipa os tópicos das várias pessoas que visitamos no passado dia 15 de Julho, não tinha chegado a escrever a crónica desse dia. Sendo assim, aqui vai:
Antes do encontro inicial com oração, passei no restaurante onde a P. trabalha para saber novidades dela. Cheguei lá, estava numa azáfama muito grande porque ia sair dali a nada. Tinha um encontro marcado com um amigo (“ não é nada do que está a pensar, é só uma pessoa com quem eu gosto de conversar!”..) Pediu para passar lá durante a semana, que aí falaríamos com mais calma.
Depois de ela sair, a Inês falou comigo, da situação da P. que está cada vez pior.
Continua a dar dinheiro ao P., não sobrando nada p ela, ficando até sem nenhum para ir ao CAT tomar a metadona. É incrível como ela se prejudica em função dele… chegou mesmo a sair do programa do METAS. Continua tb a chegar tarde ao restaurante… Claro que a paciência e benevolência deles se está a esgotar. Qualquer dia mandam-na embora, já não falta muito. O pior de tu não é isso, mas sim ela, por perder emprego e não ter junto dinheiro nenhum, perder a guarda das filhas…
Esperemos que melhor dias venham…!
Seguidamente juntei-me ao grupo no nosso ponto de encontro habitual e, aí, depois de recolhidos todos os sacos, seguimos para a D.F.
Ela não estava, tinha ido a Lisboa, estava apenas o Sr. V., a dormir com o seu fiel amigo, o “leão”, no colchão daquela “casa” improvisada. Tentámos não acordá-la, se bem que abriu os olhos e balbuciou qualquer coisa imperceptível...
Assim, descemos a Rua da Constituição, na esperança de encontrarmos o Sr. Z., mas em vão. Não o vimos por aquelas zonas. Esperamos encontrá-lo em breve!
Seguimos um pouco + à frente, para o Sr. R. Estava cheio de dores de costas, tinha caído de um muro no dia anterior, quase não se mexia. Tem também um problema na próstata, que está a ser seguido. Ficámos de falar com os médicos do mundo para eles lá passarem no dia seguinte.
Saímos daquela zona da cidade, e fomos de encontro ao Sr. G, na Av. B., que lá estava bem-disposto e, como sempre, com a sua conversa de receitas naturais miraculosas…! Despedimo-nos dele com um sorriso e subimos a Av. em busca do R.. Mas ele não estava por ali… Ficámos cheios de pena pois, mais uma vez, íamos tentar levá-lo nessa semana a entrar p metadona.
No Bom Sucesso, avistámos o J.P., mas demos só o saco porque já dormia.
Por ali não estava mais nenhum dos nossos amigos das noites de domingo e então entrámos no shopping à procura do Sr. A. Estava antes cá fora, na rua. Contou-nos cheio de alegria, que o outro filho está prestes a começar a trabalhar! Foi muito bom saber já que este assunto era uma constante preocupação de um pai que, até há muito pouco tempo, tinha 2 filhos de 30 anos em casa, sem nunca terem trabalhado! Agora parece estar tudo encaminhado!
Enquanto ali falávamos, a M. passou por nós. Foi óptimo vê-la. Perguntou logo pela Benedita! Falámos um pouco da sua situação – continua na metadona, mas anda muito por aquela zona e não devia porque é uma tentação. Também nos disse que soube que tinha SIDA, o que a deixou desconsolada…. O que dizer nestas alturas? Que aproveite a vida ao máximo e que divulgue aos outros para que tenham muito cuidado!... Ficámos de tentar arranjar-lhe um quarto.
Com isto, chegámos ao CREU, onde rezámos por cada um deles em particular.
Um bjo a todos de boa semana,
Ana Barbosa de Carvalho.
terça-feira, julho 31, 2007
Crónica da ronda de 29/07/2007 (Batalha)
E tive sorte, porque o sr. D, habitualmente mal-humorado e pouco falador, abriu-se à conversa e o mais difícil foi deixá-lo. Falámos de países, de viagens, de línguas – em breve, segundo tese própria, todos passarão a falar português. Surpreendentemente deixou-se fotografar e - espante-se, tirou-nos ele mesmo uma fotografia com a sua própria máquina! Só que é muito difícil convencer o sr. D do que for contrário às suas convicções, por isso dizer-lhe que “puxar o rolo atrás” para repetir a fotografia não é boa ideia, ou que se abrir a máquina as fotografias ficam pretas, é tudo trabalho inglório. Não nos surpreendeu, no entanto, quando abertamente nos disse que o que mais gosta de fotografar é mulheres.
A noite continuava com boas surpresas. Pela primeira vez troquei algumas palavras com sr. F sóbrio. O álcool transfigura as pessoas, é incrível como parecia outro! Escondia o rosto atrás do boné, eram nítidas a vergonha e a timidez. Não sei bem sobre o que falámos, apesar de pela primeira vez ter percebido todas as palavras. Espantou-me a sua correcção – de resto nunca me desrespeitou, mas notava agora um cuidado para connosco que o tornava mais digno e a nós mais pequenos à sua beira. Mais tarde passámos de carro, vimo-lo agarrado ao saco comendo avidamente um pão.
No abrigo do sr. J estava, sozinha, a V. Viera fazer-lhe uma visita mas ainda o esperava. Falou-nos da filha, “com quatro anos já me dá por aqui”, apontava para a cintura. “Tem o mau feitio da mãe”, reconhecia num misto de orgulho e impaciência. Contou que trabalha como empregada de mesa num restaurante ao cimo da rua, portanto perto de casa da mãe, para onde vai a pequena depois da creche. Garantiu-nos que na 4ª feira estariam por ali para festejar os anos do sr. J. Quando saímos ele estava a chegar, começava lentamente a subir a rua. Queixou-se de uma queda que lhe maltratara a malfadada perna manca num eterno arrastar de azares – algum dia largará aquela moleta? Despreocupou-nos como sempre faz, “é a vida”, e seguiu rua acima.
Seguimos também nós, para o Aleixo, onde começámos a rondar, há quase dois anos e onde há muito não ia. Encontrámos lá outro grupo que simpaticamente acolheu os nossos sacos. Pude ainda conversar com um rapaz que costumo encontrar na minha ronda habitual. Deu-me a boa notícia de que conseguira um quarto pago pela Segurança Social. E começará brevemente o programa de metadona! Saímos no meio da confusão do costume, por entre boas noites ou insultos, caras tristes, outras contentes. A ronda terminava com a Manela a levar-me para junto dos meus amigos que tinham já terminado o que teria sido a minha ultima ronda antes das férias. Só que há sempre o insondável e imprevisível gesto – o que nos revela o mais puro e renovador encontro entre a memória e o futuro.