Famílias, Aldeias e Sem Abrigo estas são as nossas áreas de acção. Um grupo de jovens do Porto, que no CREU têm uma casa, lançam mãos aos desafios que lhes surgem.
segunda-feira, setembro 24, 2007
Crónica da ronda de 23/09/2007 (6º trajecto)
Em vez do senhor V havia a surpresa de um fogo de artifício (!) e muitas palmas para um espectáculo que terminava. Para alívio do rapaz do bar era o último da série. Não soube dizer-nos onde andava o nosso senhor V, provavelmente arrumado para outro canto onde não lhe chegassem as faúlhas que aterravam acesas.
Na ponte também não estava o sr VP, apenas o habitual felino, sujeito à condição solitária de gato. Tudo leva a crer que tenha conseguido o internamento. Aguardamos notícias num telefonema.
Subimos a pé aquela rua tão inclinada, valeu o esforço, a meio estava o sr. A, com quem nunca tinhamos conversado por ter sono (íssimo) com a profundidade da terra. Oscila entre St. Tirso e o Porto enquanto não é operado a uma érnia e ao joelho. Tem sido acompanhado pelos Médicos do Mundo. Espera o regresso do médico familiar para conseguir uma pensão que lhe estique o rendimento mínimo. Mais abaixo um rapaz sentado nuns degraus aguardava o sono enquanto aceitava um saco nosso. Explicou que deveria ter ido para a Maia onde tem tratamento à espera. Falhou a oportunidade por uma noite, mas nada estava ainda perdido.
Encontrámos o senhor E e um amigo, o sr F, ao cimo da rua que nos tinham falado da última vez - o tempo assim o permitiu. Apesar de estarem a dormir, acordaram bem dispostos e conversadores. Deixámos ainda um saco junto de alguém que dormia lá perto, e que não acordou à nossa chamada.
Depois receberam-nos os costumeiros Sr. E, Sr. M, o M, o Sr. A, a D. A M e outro senhor, novo para nós. Desabáfamos, rimos, perguntámos sobre cada um. A memória, a gratidão em cada presença, não fazem imaginar uma semana de permeio. A intenção da ronda é criar estas linhas contínuas de afectos.
Por isso ficamos tristes quando não encontramos alguém, como tem acontecido com o A. Nem no sítio dele nem no semáforo - a dependência obriga a cumprir os horários do corpo.
Fechávamos a noite, recolhiamos ao sono de cada um, à memória de um tempo denso.
Crónica da ronda de 16/09/2007 (6º trajecto)
Um espectáculo de dança na praça D. João esperava-nos para darmos início à nossa ronda...é preciso fazer rondas para descobrir a agenda cultural da cidade!
O Sr. V. assistia a este espectáculo de forma animada, de vez em quando dava-nos um ar dos seus dotes artísticos ...dançava, cantava - em espanhol pois passou 6 anos em Barcelona, aliás sempre que possível fala-nos em espanhol o que torna as nossas conversas ainda mais animadas. Era ele que nos explicava entusiasticamente o sentido da dança que se desenrolava à nossa frente.
Quando vislumbramos o Sr. V.P., desenhava-se uma bela imagem à sua volta, uma gatinha deleitava-se sobre as suas pernas. É sempre tão bom ouvi-lo, pena que acabamos por não o encontrar muitas vezes e agora já está de partida para a desintoxicação, transmitiu-nos uma força de vontade enorme...mas tem consciência das dificuldades que irá passar. Começa 3ª.
Foi por acaso, que descobrimos o Sr. E e a D. D., a conversa foi rápida porque já estavam deitados.
Cedofeita. O sr. M., sr. E., sr. A. e o M. esperavam pela nossa chegada, e nós chegámos com as mãos cheias de coisas novas.
O M. trouxe-nos uma fotografia dos tempos em que era paraquedista, contou-nos da vida complicada que viveu com a mãe e da vontade que tem de fazer o teste de equivalência do 12º ano para aumentar a sua qualidade de vida.
O sr. E. ficou contente quando lhe mostramos os sapatos que tínhamos trazido. Ele trazia umas belas sapatilhas mas eram muito apertadas e davam-lhe muito mal estar. Ficou com umas botas quentinhas para o Inverno e ...confortáveis! Ah já me esquecia do estado de contentamento em que se encontrava...está apaixonado!
O sr. M. encontrava-se de mal com a vida, não conseguimos convence-lo a dizer-nos algo, passou o tempo todo a resmungar... esperemos que para a semana se encontre mais bem disposto.
Maria João
segunda-feira, setembro 17, 2007
Crónica da ronda de 16/09/2007 (Boavista)
Começamos pelo Sr. R. mas não o vimos, o sitio onde dorme está com mais cartões a fazer de paredes e a protege-lo.
Continuamos e seguimos para a D. F. O sitio onde dorme está cada dia pior, mais sujo e mal cheiroso. Os cães guardam a tralha toda que ali está, uma reliquia! Também não estava por lá e também não estivemos com ela.
Continuamos caminho e procuramos pelo Sr Z. Nem sinal.
Descemos ao encontro do Sr. G. orgulhoso mostrou-nos uma fotografia de quando era segurança. Todo enfarpelado! Continua agradecido pela ajuda da Caritas. Mais umas mezinhas e a conversa lá se vai estendendo.
Mais à frente encontramos o A e o indiano da semana passada, amigos de rua, com a mesma vontade em partirem para os seus paises de origem. O A. já foi ao CNAE mas continua à espera, disse-nos que os médicos do mundo também estão a ajudar no regresso a casa. Ficou de lhes ligar esta semana, pode ser que no próximo domingo tenha novidades.
Procuramos pelo R. mas nao o vimos e seguimos para o bom sucesso.
Encontramos a P. a consulta é esta semana dia 19, esperamos que lhe corra bem e que no próximo domingo tenha muitas novidades.
O P. também lá estava mas enquanto falavamos com a P e deixavamos o saco para ela e para o V. ele foi ter com a P. e desceram os dois. Não fomos atrás porque deu para perceber que ele não quer ajuda nem conversa e ela arrastada por ele lá o seguiu.
A P. mostrou-nos o novo sitio onde o J. P. está a dormir, ainda trocamos algumas palavras com ele, poucas, porque a ressaca não deixava que a conversa alonga-se. Ainda o conseguimos por a rir e despedimo-nos dele.
Descemos à procura do Z.C. mas nem sinal, demos a volta e encontramos o A. agarrado a uma costela, dorido e cheio de dores. Não quis conversa, apenas o saco e apanhar mais umas moedas.
Quando estacionavamos mais acima para irmos ter com o sr A. encontramos o M. que vive na senhora do hora e estava só de passagem a arrumar uns carros e ver se conseguia mais uns trocos.
Como era cedo fomos ter com o Sr. A. ao sitio do costume, em frente às televisões lá se encontrava ele. Um pouco mal disposto, revoltado, chateado "sempre tudo na mesma". O coração da cidade passou por lá para ele começar a receber um cabaz por mês. Não me parece que o Sr. A. se vá deslocar até lá para começar a tratar dos papeis.
A noite acabou com esta última paragem. Para o domingo há mais.
Boa semana.
Benedita
quarta-feira, setembro 12, 2007
Ida à Aldeia - 15 de Setembro
Este fim de semana iniciamos um novo ciclo anual de visitas à Aldeia.Vamos lá almoçar, reunindo-nos para falar um pouco do novo ano, e depois realizamos as visitas.
Muito importante! Aproveitaremos este recomeço para estabelecer uma hora de arranque rigorosa, ou seja, à hora marcada partiremos.Esta situação foi ponderada, e pedida por muitos, no sentido do melhor funcionamento do grupo e é resultado da vontade da maioria dos seus membros.
Para evitar a desagradavel situação de alguém ficar por terra sugere-se que planeiem chegar com algum tempo de antecedência em relação à hora marcada.
O local de encontro será em frente à igreja N.ª S.ª de Fátima. A hora da partida é 11h00.
Peço a todos que confirmem a presença/ausência no próximo sábado. Não se esqueçam de levar algo para partilhar ao almoço.
Beijos e abraços,
Rui
segunda-feira, setembro 10, 2007
Crónica da ronda de 09/09/2007
Uma boa semana a todos,
Rui
sexta-feira, setembro 07, 2007
Crónica da ronda de 02/09/2007 (Boavista)
as meninas continuam de férias o Jorge festeja com a familia e assim parti eu, o Rui e o sérgio.
Primeira paragem Hotel Ritz. Vazio mais um domingo mas de pé!
Segunda paragem D. F. Não se encontra no seu estaminé e muito provavelmente foi ver o jogo de futebol.
Partimos e acabamos por encontra-la a descer a rua. Toda contente por nos ver, falamos durante um bocado, mais uma vez chamamos a atenção para o estado em que está o siitio onde dorme e derepente começmos a ver a aproximar-se um homem de barba feita, cabelo cortado, tronco nu e a acantarolar!! É o sr Z. Que maravilha!!! Que difernça que faz de cabelo cortado e barba feita.
também conhecia a D F. por isso a conversa prolongou-se animadamente. Custou-nos a despedir e lá seguimos em encontro do Sr G.
Que bom que foi ver que ele já não está com a pistola, já está a receber o apoio da caritas, o que nos deixou felicissimos, e mais umas mezinhas á mistura ficamos a saber como arranjar novo emprego, dinheiro e quando os espiriros nos surgem, com horas e tudo! Sim, os espiritos têm horas e devemos respeita-las se queremos falar com eles ou afastá-los!
Despedimo-nos e seguimos. Não vimos o R. e mais uma surpresa a P. com uma cara tristissima a arrumar carros.
A nossa desilusao foi grande ao vê-la ali.
Paramos ao pé dp P. Entregamos o saco à P., e um outro para o V. que tem consulta esta semana, esperamos que corra bem e que no proximo domingo tenha muitas novidades boas.
O P. estava desesperado a querer arranjar desculpas para estar ali, a culpar-nos do que lhes tinha acontecido, da P ter sido posta dora de casa dele. Uma confusão.
No meio da conversa fugi para ir ter com a P que me pareceu que se ia esconder de nós.
Confirmou, estão a dormir na rua, mas na segunda quando for ao CAT vai pedir um quarto como o da M. (sim e M. já tem um quarto em Matosinhos!!!!). Disse-me que estava a fazer dinheiro para arranjarem onde dormir, mas a M. já nos tinha dito que eles andavam de novo no aleixo. Já não volta para o restaurante, a I já meteu uma nova ajudante.
A vida deles regrediu imenso. Ela não fala com medo, ele está revoltado e nem ouve o que lhe dzemos.
Desalentados seguimos para o sr A pode ser que eles nos anime.
Animou-nos e de que maneira!!! Fez-nos uma visita guiada ao mundo das baratas à porta do mercado. Uma vergonha, quem passa ali nem dá conta mas se olharmos para o chão.... Nao há descrição!!!!
Animados lá terminamos mais uma ronda com o sr A.
Benedita
Crónica da ronda de 26/08/2007 (Boavista)
Um regresso com uma estreia mais do que esperada, e até mesmo fotografada não fossem o resto dos membros da ronda nao acreditarem! Sim o Rui levou o carro!!! Supreendidos!?! Foi uma estreia espectacular.
Surpresa, o Rui é uma máquina, não percebemos o porquê de tantos adiamentos à sua estreia!!!
Lá partimos emocionados para a primeira paragem, Sr R., não estava lá, mas o seu Ritz continua de pé e bem apetrechado, partimos para a nossa querida D. F. que também não estava. deixamos o saco para saber que passamos por lá.
Descemos a constituição e nem sinal do Sr Z. Seguimos e a próxima paragem foi a mais emocionante, aterrorizante da noite, Sr. G.
Enquanto nos contava a sua semana, falou-nos dum assalto que sofreu duns rapazes de navalha, para sua sorte não lhe aconteceu nada e eles tabém não levaram nada. Com medo de voltar a ser assaltado levanta a camisa e mostra-nos a pistola que trazia preso nas calças, na nossa inocência ainda o avisamos de que andar com uma pistola de brincar ainda podia ser pior. Quando para nosso espanto ele saca a pistola e explica-nos que é bem verdadeiro!
Aterrorizados lá explicamos o perigo que a "sua protecção" lhe podia trazer e pedimos-lhe para ir para casa e esquecer o que nos tinha acabado de mostrar.
Despedimo-nos e mais à frente entregamos um saco ao S que estava desesperado, quer volta para a sua terra natal. Está farto da droga e de dormir na rua. Disse-nos que tem falado com a mae no sentido de o ajudar a voltar para casa.
Do outro lado da rua, debaixo dum prédio dormia mais uma pessoa, paramos e demos o saco, não insistimos na conversa pois os sinais de ressaca falavam mais alto.
Seguimos avenida da boavista acima e encontramos o R. Mais uma vez pediu-nos para ir ao CAT, quer mesmo deixa aquela vida desgraçada. Está com melhor aspecto, no meio de toda a desgraça em que se encontra e deixou-nos para fazer dinheiro ficando combinado que mal pudessemos diziamos o dia para nova tentaiva.
Paramos e encontramos a P. e o seu companheiro que já estavam de partida para o Aleixo, de dinheiro no bolso nao quiserem conversa.
Naquela zona não se encontrava mais nenhum dos nossos amigos e assim partimos ao encontro do Sr A.
Sempre bem diposto, poe-nos sempre a rir. É um luxo acabar a ronda com tão boa disposição!!
Foi um regresso cheio, mas ao mesmo tempo meio vazio, fez-me falta não ter noticias do P e da P, fico triste de não ver a mitica d. F. e o sr R. no seu Ritz.
Talvez no próximo domngo os vejamos a todos.
Benedita
terça-feira, setembro 04, 2007
Crónica da ronda de 02/09/2007 (6º trajecto)
Comecámos por visitar o J.A. e o V.. Mal chegámos vimos que o V. estava mais alegre do que o costume, corado e gaguejava (deixo no ar a razão para isto). Contou-nos várias histórias sobre a sua vida, especialmente do tempo que esteve em Espanha, durante 6 anos, e como foi de boleia com ciganos maias (??). Só se ria e quando dizia algo mais malandro, benzia-se e dizia algo que não posso aqui escrever... Contou-nos como um padre em Espanha o pediu para limpar umas garrafas de vinho do pó e como ele as limpou de uma maneira muito original (por dentro)! O J.A. estava a dormir e como tal deixámos-lhe um saco.
Seguimos para o V.P. que apenas tínhamos falado com ele poucas vezes há uns meses, mas a quem deixamos sempre um saco pois encontramos sempre os seus bens pessoais. Estava com uma cara de felicidade enorme. Ficou contentíssimo de nos ver e agradeceu-nos os sacos que sempre lá deixamos. Contou-nos também uma excelente notícia: vai iniciar o tratamento de desintoxicação no dia 17 de setembro, algo que já ansiava há muito tempo e finalmente conseguiu. Foi uma grande alegria para nós! Depois de tanto tempo sem o ver foi um reencontro perfeito... Ao passarmos pelo sítio do J.A. vimos que não estava lá pela segunda semana consecutiva. Tinha arranjado um quarto há umas semanas mas continuava a dormir na rua pois já estava habituado! Lá mudou de ideias e nós esperamos que ele esteja bem! Ao passarmos pelo A. só lhe deixámos um saco pois já estava a dormir...
Na nossa última passagem, onde costumamos encontrar muitos nossos amigos, só encontrámos a A.M. com a qual falámos um bocadinho. Como tinhamos encontrado os habituais desta ronda noutro sítio durante as nossas voltas, decidimos voltar lá e entregar-lhes lá os sacos. Encontrámos o E. e a D., esta que já não víamos há muito tempo (achamos que devido a desentendimentos com membros do seu grupo). Perguntaram-nos se podiamos dar sacos a dois seus amigos e prontamente dissemos que sim. Soubemos que o amigo do E. também praticava boxe como ele, mas este assegurou-nos que não fazia mal a ninguém e pediu-nos alguma roupa que nós vamos tentar arranjar. A D. assegurou-nos que apesar das suas divergências ia voltar a aparecer regularmente! Terminámos assim a nossa ronda com um saco de bolos que sobrou e eu para não se estragarem e como já estava cheio de fome lá comi alguns...
Uma boa semana para todos,
Raul
Ronda da Areosa, 3 noites entre Julho e Agosto
Os pormenores das três já se fundiram na memória, e por isso é confuso e desordenado o relato que me ocorre.
Ei-lo: recebemos uma nova rondista, a Marta, que muito se tem destacado na manicure da nossa amiga S, cujas visitas continuam animadas não só pela sua alegria como pelo bom senso e humor do Sr.Z; a zanga com a Dona A ainda não passou, mas tentamos olhar com ela para as coisas boas da vida. Como a noite de fados no Jardim da Arca d’Água, onde a encontrámos uma vez.
Na casa ao lado, nem sempre a Dona A. nos pôde receber, mas quando deu lá foi dividindo connosco preocupações e avanços e recuos da sua nova cozinha. Qualquer dia há caldo verde!
No prédio, perdemos a companhia do R, que entretanto se mudou para as Antas, mas encontrámos mais alguns companheiros dominicais, como o JC, o A e outros dois que a memória não acha o nome; apresentámos-nos, conversámos, e começámos a conhecer-nos à volta do café e das bolachas habituais; quase todos voltaram, e a passo a passo vão sendo estrelas da noite de domingo. Um velho companheirom, o Z, entrou agora na metadona, e anda animado com a vontade de escapar àquilo. Vamos ver se ganha a guerra...
Por falar em lutas, ainda não vencemos, ela e nós, a batalha pelo corte de cabelo da I; vai ser sempre nesta semana (e nalguma há mesmo de ser!), mas aparte os adiamentos, a conversa e o carinho sabem cada vez melhor..
Quanto ao Sr. M, agora na sua cama estendido, depois de umas semanas de mau humor e de sono simulado, voltou a receber-nos com o sorriso e a ironia de sempre. É um tipo mesmo porreiro!
Obrigado.
Pedro Rui
terça-feira, agosto 28, 2007
Crónica da ronda da Areosa 26.08.07
Deixámos o Sr. Z. à porta de casa com o já habitual abraço de grupo e partimos para o prédio. Não estavam tantos como esperávamos, tinham ido arrumar carros para o Dragão. Demos café, conversámos um bocadinho, entregámos sacos e ficámos sozinhos com o Sr. A como na semana anterior. Continuou a contar-nos a sua vida, falta escrever o livro. Tem sido difícil deixá-lo, gosta muito de conversar, só mesmo sabendo que ainda há outras pessoas à nossa espera…
Seguimos em direcção à I., que ainda não cortou o cabelo, prometeu ser esta semana, será que é desta? O Sr. M. tinha acabado de se deitar, tinha ido passar a tarde a Espinho. Em conversa ficámos a saber que viveu lá 7 anos, antes de ir para a rua. Conversámos, brincámos e divertimo-nos com as piadas habituais. Que bom vê-lo bem disposto! Queremos vê-lo sempre assim…
Olhámos para o relógio, era hora de voltar e deixar descansar…
Já só falta uma semana para o nosso próximo encontro. Até lá…
Um beijinho e boa semana,
Maria Manuel
terça-feira, agosto 21, 2007
Crónica de 19 de Agosto (Boavista)
Partimos os 3 homens do percurso. O Sr. R não estava pela 2ª semana, apareceu lá uma pessoa tb a querer ajudá-lo e deixar-lhe uma ajuda, falamos um pouco com ela. Felizmente anda por aí muito bem no mundo mas não faz manchete e é escondido. Como o anormal é que vende, estas coisas andam por aí totalmente desapercebidas, como as sementes.
A D. F estava contente, foi à consulta e os diabetes só estavam a 300's. Tem uma nova cadelinha a juntar ao Leão. Falamos do filho, de que vai a Lisboa no próximo mês e no péssimo estado em que está o "estaminé" em todos os sentidos. Sem complacências dissemos-lhe que tem de dar uma volta àquilo ou deverá começar a ter problemas com os vizinhos... Apareceu lá um larápio de antenas de carros e ela acertou-lhe com um paralelo na perna! O V não estava lá.
Em seguida encontramos no Montepio o S. Z, estava a dormir por isso a conversa foi curta, deixamos-lhe ficar um casaco pois tinha frio (e eu que andei meses com roupa no carro), não tinhamos cobertores disponíveis (talvez precisemos de uma chave de fora do Creu?) e mais tarde deixamos-lhe um par de sapatilhas 43. Combinamos com ele que íamos pedir aos Médico do Mundo para passarem por lá, o que já fizemos. No dia 10 ele volta a ir para a pensão.
O sucesso da noite foi o frisumo de ananás do Rui que todos os que visitamos repetiram e gostaram.
O S. G estava muito falador com as "ligações com lá em cima" e "deitar as más energias ao mar", etc. Já foi à Caritas e ele já recebeu comida através deles e vai continuar a lá ir. Conseguimos criar mais um laço de ajuda.
Não encontramos o R e falamos com o S, que estava com bom aspecto, a conversa foi breve.
Estivemos com a P, tem uma consulta no CAT Oriental dia 4, estava animada e com muita esperança, já não "ia lá abaixo", o V estava mais abaixo na rua.
Deixamos saco com o JP e começamos a considerar deixar de o fazer pois o saco não está a ajudá-lo.
Não vimos o nosso barbudo S. A. Na saída do shopping encontramos o Sr. A, deu-nos a boa notícia que deverá arranjar quem pague os problemas com a EDP, de resto estava fino, apesar de pensar demasiado no futuro.
Partilhamos a boa noite e partimos para uma semana de trabalho.
Jorge
PS - Hoje percebi que a nossa P está cada vez mais a perder alento e a oportunidade que teve...
Crónica da ronda de 19/08/2007 (6º trajecto)
Na primeira paragem não estava o Sr. V, apenas uns cobertores. Encontrámos antes o sr. J que desconheciamos. Tinha vindo de Lisboa mas fora assaltado em S. Bento. Perguntei-lhe se um bilhete de volta era o suficiente para sair da rua. Disse que sim, que em Lisboa tem casa e família, e emprego à espera. Marquei com ele um encontro no dia seguinte - ao qual acabou por faltar.
Voltámos a não encontrar ninguém na ponte, apenas cobertores e um gato dormindo em cima...
Junto ao Hospital encontrámos o sr. JA, estava de pé a arrumar roupa. Estava muito bem disposto, "hoje sim não posso dizer que esteja mal!", repetia aliviado. Conversou imenso, contou-nos por exemplo que, apesar de ter já pago uma mensalidade do quarto ainda dorme ali, a sua "casa" dos últimos 2 anos. Sente-se acarinhado pelos vizinhos e acha que eles mesmas vão sentir um vazio se deixar aquele espaço.
O grupo que visitámos a seguir estava animado como é habitual. O E voltou à base depois de uma complicada convivência com a D. B. Contou-nos do início dos seus treinos de boxe, e de uma grande sardinhada que o amigo D lhes ofereceu. Também os outros estavam bem dispostos.
Seguimos, mas já não falámos com mais ninguém. O A dormia profundamente quando lá chegámos e não vimos o JA nos semáforos - o que pode ser sinal de que já não consome.
E assim acabava "a ronda da noite", uma entre tantas, única como todas.
terça-feira, agosto 14, 2007
Crónica da ronda de 12/08/2007 (Batalha)
Na Ronda da Batalha só estava a Manela. Fui eu com ela. Partimos à procura de um sem-abrigo que ainda não tinham conseguido contactar: Tem estado sempre a dormir. A caminho passámos por outro que também dormia e não acordou. Estava "ruborizadíssimo". Chegámos, então, ao sr. F. Bem disposto, como ultimamente, recebeu-nos com um sorriso. A equipa tinha juntado e comprado roupa e sapatos para ele. O sr. F. passa o ano muito agasalhado. Sempre com, pelo menos, dois casacos. Agradeceu muito, tudo!
Seguiu-se o sr. D. Também bem disposto e no local do costume. Apreciou muito uns almendrados que levávamos. Estava muito sonolento, apesar do constante e ruidoso movimento da rua.
Faltava o sr. J. O sr. J., agora, está instalado numa loja em obras, cujo proprietário faleceu, com a companheira. Prepara-se para erguer umas paredes de tijolo, para dividir o espaço e proteger melhor do frio, no Inverno. Fantástico. O ser humano adapta-se mesmo a tudo.
Dirigimo-nos para o Aleixo. O cenário terrífico de sempre. Esperámos pelos do 6º Trajecto que nos trouxessem os sacos que lhes sobraram e arrancámos sozinhos, já que os d'"A Ronda dos Sem-Abrigo" ainda não tinham chegado. Lá distribuímos os sacos com pastéis e água. E foi com muito critério que fechámos a mala do carro, nos despedimos e nos fomos embora.
Beijos, abraços e boas semanas,
Nuno de Sacadura Botte
Crónica da ronda de 12/08/2007 (Boavista)
Devido ao grande número de pessoas que não estavam no lugar do costume (Sr. R, Sr. G e R), parámos apenas no Bom Sucesso onde estivemos a falar um pouco mais do que é habitual com a P. A boa notícia é que ela já trocou a heroína pela metadona há algumas semanas, a má notícia é que ainda não conseguiu largar a coca. De qualquer forma, já foi positivo ela ter aberto um pouco mais o jogo connosco...
Seguimos para o Shopping onde costuma estar o Sr. A e ficámos por lá um bom bocado a pôr a conversa em dia. A última visita da noite foi na Constituição, no abrigo do Sr. R, mas uma vez que ele não estava, limitámo-nos a deixar-lhe o saco que nos restava.
Boa semana
Sérgio Costa
Crónica da ronda de 05/08/2007 (Boavista)
Logo na primeira paragem, abro a boca de espanto quando me dizem que aquela mulher relativamente bem lavada e apresentada é a M. Não a via há mais de um mês e nesse último encontro o cenário não foi agradável. Toda suja e com péssimo aspecto, a M estava de gatas numa paragem de autocarro, a apanhar do chão pontas de cigarro. Hoje, depois de umas semanas de metadona, banhos e roupas lavadas, só com algum esforço a consigo identificar. Aproveitamos a paragem para falar com a P e com o ZC, partindo depois para a Avenida da Boavista. Lá estava o R, cada vez mais magro e mais tristonho, fazendo-nos lembrar as inúmeras vezes em que parecia certa a primeira visita ao CAT, para no final sobrar apenas a frustração. Mais à frente apareceu o Sr. G e um rapaz de Coimbra que nunca tínhamos visto e a quem demos um saco de comida.
Seguiu-se a habitual visita ao Sr. A e terminámos a noite a dar os parabéns à D. F, que adorou as 2 saias que lhe oferecemos e que não conseguia esconder a felicidade por nos termos lembrado do seu dia de aniversário.
Sérgio Costa
quinta-feira, agosto 09, 2007
Crónica da ronda de 05/08/2007 (Areosa)
Partimos, Nuno, Tiago, Pedrocas, Maria e eu, com o sr. Z. (lindo como sempre!) rumo à casa da S.. Estava um amor, de branquinho e rosa, como as princesas e com cheirinho de Verão. Foi tão bonito vê-la! Está tão crescida e tão mais consciente da realidade e da situação dela. Foi mesmo bom ouvi-la dizer que se sentia melhor, menos confusa, mais feliz… que o mundo, para ela voltava aos pouquinhos a ser claro e mais bonito!
Lembramos momentos marcantes da nossa amizade … o inicio, o pic-nic que fizemos, a pintura da casa dela, as idas à Missa em comunidade… e, com clareza foi lembrando cada uma das pessoas que passaram, e, ao seu jeito mudaram um pequeno pormenor na vida dela… a Maria João, a Márcia, a Benedita, a Joaninha, o Daniel… onde quer que estejam: Obrigada!
Foi mesmo especial…
Partimos rumo à Casa Abandonada, e só encontrei caras novas: senhores já com alguma idade, sozinhos, na rua… fazem-me ainda alguma confusão estas histórias … agradeceram o café, as bolachinhas, o café com leite (que acabou logo ali!). Ficou prometido um próximo encontro, que espero que levante mais um pouquinho do véu que esconde um passado que dói e que ainda se faz sentir…
Já na Areosa, encontramos o sr.M.! Pareceu-nos magoado, mas não nos quis mostrar o pezinho L E, por tal, não veio dar o passeio habitual de Verão, mas estava todo engraçado: disse 1.355 mil vezes que as mulheres eram umas chatas e que ninguém as atura, arranjou-nos uns casamentos, deu umas risadas, fez-se feliz e deixou-nos felizes também! É um amor aquele sr.M.!
Entretanto veio ter connosco o sr.R., enquanto fomos ao jardim ter com o J., que estava já a dormir. Entregamos o saquinho a ambos, e, depois de fazermos o sr.M. prometer que ia fazer o penso à Cruz Vermelha e ver como estava o seu pé, fomos ao encontro da I.
Não a encontramos em nenhum dos locais habituais, o que nos deixou preocupados… resta-nos rezar e confiar que esteja bem!
Fica também uma oração especial pela Aninha, que está em Rabo de Peixe a fazer felizes os meninos de lá. Esperamos que estejam todos bem e com Jesus. E, como não podia deixar de ser, um abraço apertado a cada uma das pessoas que a S. lembrou na noite de hoje com tanto amor. Marcaram-nos a todos… continuam nossos!
Xiiiiiiiiiiiiiiiii-coração apertado,
Andreia Gil
segunda-feira, agosto 06, 2007
Crónica da ronda de 15/07/2007 (Boavista)
Apesar de já termos visto entre a equipa os tópicos das várias pessoas que visitamos no passado dia 15 de Julho, não tinha chegado a escrever a crónica desse dia. Sendo assim, aqui vai:
Antes do encontro inicial com oração, passei no restaurante onde a P. trabalha para saber novidades dela. Cheguei lá, estava numa azáfama muito grande porque ia sair dali a nada. Tinha um encontro marcado com um amigo (“ não é nada do que está a pensar, é só uma pessoa com quem eu gosto de conversar!”..) Pediu para passar lá durante a semana, que aí falaríamos com mais calma.
Depois de ela sair, a Inês falou comigo, da situação da P. que está cada vez pior.
Continua a dar dinheiro ao P., não sobrando nada p ela, ficando até sem nenhum para ir ao CAT tomar a metadona. É incrível como ela se prejudica em função dele… chegou mesmo a sair do programa do METAS. Continua tb a chegar tarde ao restaurante… Claro que a paciência e benevolência deles se está a esgotar. Qualquer dia mandam-na embora, já não falta muito. O pior de tu não é isso, mas sim ela, por perder emprego e não ter junto dinheiro nenhum, perder a guarda das filhas…
Esperemos que melhor dias venham…!
Seguidamente juntei-me ao grupo no nosso ponto de encontro habitual e, aí, depois de recolhidos todos os sacos, seguimos para a D.F.
Ela não estava, tinha ido a Lisboa, estava apenas o Sr. V., a dormir com o seu fiel amigo, o “leão”, no colchão daquela “casa” improvisada. Tentámos não acordá-la, se bem que abriu os olhos e balbuciou qualquer coisa imperceptível...
Assim, descemos a Rua da Constituição, na esperança de encontrarmos o Sr. Z., mas em vão. Não o vimos por aquelas zonas. Esperamos encontrá-lo em breve!
Seguimos um pouco + à frente, para o Sr. R. Estava cheio de dores de costas, tinha caído de um muro no dia anterior, quase não se mexia. Tem também um problema na próstata, que está a ser seguido. Ficámos de falar com os médicos do mundo para eles lá passarem no dia seguinte.
Saímos daquela zona da cidade, e fomos de encontro ao Sr. G, na Av. B., que lá estava bem-disposto e, como sempre, com a sua conversa de receitas naturais miraculosas…! Despedimo-nos dele com um sorriso e subimos a Av. em busca do R.. Mas ele não estava por ali… Ficámos cheios de pena pois, mais uma vez, íamos tentar levá-lo nessa semana a entrar p metadona.
No Bom Sucesso, avistámos o J.P., mas demos só o saco porque já dormia.
Por ali não estava mais nenhum dos nossos amigos das noites de domingo e então entrámos no shopping à procura do Sr. A. Estava antes cá fora, na rua. Contou-nos cheio de alegria, que o outro filho está prestes a começar a trabalhar! Foi muito bom saber já que este assunto era uma constante preocupação de um pai que, até há muito pouco tempo, tinha 2 filhos de 30 anos em casa, sem nunca terem trabalhado! Agora parece estar tudo encaminhado!
Enquanto ali falávamos, a M. passou por nós. Foi óptimo vê-la. Perguntou logo pela Benedita! Falámos um pouco da sua situação – continua na metadona, mas anda muito por aquela zona e não devia porque é uma tentação. Também nos disse que soube que tinha SIDA, o que a deixou desconsolada…. O que dizer nestas alturas? Que aproveite a vida ao máximo e que divulgue aos outros para que tenham muito cuidado!... Ficámos de tentar arranjar-lhe um quarto.
Com isto, chegámos ao CREU, onde rezámos por cada um deles em particular.
Um bjo a todos de boa semana,
Ana Barbosa de Carvalho.
terça-feira, julho 31, 2007
Crónica da ronda de 29/07/2007 (Batalha)
E tive sorte, porque o sr. D, habitualmente mal-humorado e pouco falador, abriu-se à conversa e o mais difícil foi deixá-lo. Falámos de países, de viagens, de línguas – em breve, segundo tese própria, todos passarão a falar português. Surpreendentemente deixou-se fotografar e - espante-se, tirou-nos ele mesmo uma fotografia com a sua própria máquina! Só que é muito difícil convencer o sr. D do que for contrário às suas convicções, por isso dizer-lhe que “puxar o rolo atrás” para repetir a fotografia não é boa ideia, ou que se abrir a máquina as fotografias ficam pretas, é tudo trabalho inglório. Não nos surpreendeu, no entanto, quando abertamente nos disse que o que mais gosta de fotografar é mulheres.
A noite continuava com boas surpresas. Pela primeira vez troquei algumas palavras com sr. F sóbrio. O álcool transfigura as pessoas, é incrível como parecia outro! Escondia o rosto atrás do boné, eram nítidas a vergonha e a timidez. Não sei bem sobre o que falámos, apesar de pela primeira vez ter percebido todas as palavras. Espantou-me a sua correcção – de resto nunca me desrespeitou, mas notava agora um cuidado para connosco que o tornava mais digno e a nós mais pequenos à sua beira. Mais tarde passámos de carro, vimo-lo agarrado ao saco comendo avidamente um pão.
No abrigo do sr. J estava, sozinha, a V. Viera fazer-lhe uma visita mas ainda o esperava. Falou-nos da filha, “com quatro anos já me dá por aqui”, apontava para a cintura. “Tem o mau feitio da mãe”, reconhecia num misto de orgulho e impaciência. Contou que trabalha como empregada de mesa num restaurante ao cimo da rua, portanto perto de casa da mãe, para onde vai a pequena depois da creche. Garantiu-nos que na 4ª feira estariam por ali para festejar os anos do sr. J. Quando saímos ele estava a chegar, começava lentamente a subir a rua. Queixou-se de uma queda que lhe maltratara a malfadada perna manca num eterno arrastar de azares – algum dia largará aquela moleta? Despreocupou-nos como sempre faz, “é a vida”, e seguiu rua acima.
Seguimos também nós, para o Aleixo, onde começámos a rondar, há quase dois anos e onde há muito não ia. Encontrámos lá outro grupo que simpaticamente acolheu os nossos sacos. Pude ainda conversar com um rapaz que costumo encontrar na minha ronda habitual. Deu-me a boa notícia de que conseguira um quarto pago pela Segurança Social. E começará brevemente o programa de metadona! Saímos no meio da confusão do costume, por entre boas noites ou insultos, caras tristes, outras contentes. A ronda terminava com a Manela a levar-me para junto dos meus amigos que tinham já terminado o que teria sido a minha ultima ronda antes das férias. Só que há sempre o insondável e imprevisível gesto – o que nos revela o mais puro e renovador encontro entre a memória e o futuro.
segunda-feira, julho 30, 2007
Crónica da ronda de 29/07/2007 (Boavista)
E assim começa mais um domingo de ronda! Na primeira paragem pelo mítico restaurante S. paramos com a joana que nos acompanhou nesta primeira paragem para sabermos da P. "Ela não tem remédio... todos os dias pede dinheiro para toda a gente, menos para o que deve... para as filhas..." Lá nos é relatado mais alguns episódios desta telenovela que parece que não quer ter final feliz, não está fácil meter juízo naquela cabecinha que só pensa no P. e em mais nada.
Deixamos a joana e partimos para a segunda paragem, o Sr. R., bem mais animado que no ultimo domingo, no seu hotel Ritz, cheio de malas apanhadas na rua para um belo dum negócio. Bem mais convencido com o que os MD estão a tentar fazer por ele, com algumas exigencias pelo caminho lá nos contou a conversa com os MD.
Entre trocadilhos e mais algumas palavras estrangeiras despedimo-nos do sr R. e partimos para a D. F.
Já não a via-mos à dois domingos, meninas não se podem esquecer dos anos dela no próximo domingo, pois a expectativa dela é muito grande! Diz que vai festejar até às três da manhã. Toda entusiasmada por fazer anos, lá nos foi contando a sua ida a lisboa, entre aquele sorriso que lhe é caracteríistico, envergonhado e timido.
Também vai tirar umas férias, pois os restaurantes e cafés da zona fecham e portanto ela vai dar uns belos duns passeios até à praia e ao rio.
Zangamo-nos mais uma vez com as suas exigencias por causa das receitas médicas, dos medicamentos que deveriam vir e que não veem, da falta de cuidado consigo.
Descemos a constituição e paramos no Sr G. Todo contente, até deu gosto parar ali e ser contagiado com a sua boa disposição. (A ronda está a correr especialmente bem!) Falta-lhe só um papel para entregar na Caritas para ter o apoio de que tanto precisa, justificou-se imenso por ainda não ter ido levar o papel.
É engraçado ver por um lado a "exigência" da D. F. e do sr R. e por outro lado o agradecimento eterno do sr G. e a justificação constante por ainda não ter entregue todos os papeis.
Encontramos uma cara nova o C. Não dormi à quatro dias, com um ar miserável, cansado, metido na droga até às pontas dos cabelos, enfim, mais um para os muitos que infelizmente estão perdidos no mesmo.
Seguimos na esperança de ver o R. mas não o encontramos, continuamos e estivemos com a M. que finalmente quis conversa um pouco connosco. Contou-nos que está no programa de metadona no CAT de Cedofeita mas continua agarrada à heroina, por isso esta semana vai falar com a assistente que a acompanha para a tentar internar e fazer desintoxicação à séria!
Entre alguma pouca à vontade por o companheiro estar por perto e ouvir a conversa lá partimos.
Vimos o J.P. mais à frente, dormia profundamente, ressonava mesmo! deixamos o saco e descemos em direcção ao Z.C.
Acelarado, entre arrumar carros, cravar moedas e cigarros, dar indicações, falar com passa lá parou um bocado para falar connosco. Perguntamos-lhe pela I. porque não tinha aparecido no dia combinado para a levarmos à Metadona. Foi o mote para um churrrilho de palavrões, e o desespero de se abrir com alguem a falar mais alto.
"Não sei o que aquela mulher tem, mas apanhou-me mesmo..." Falou-nos um bocado da atribulada relação que tem com a I., das desconfianças, da falta de respeito dela por ele, da vontade dele em tirá-la da rua esquecendo-se de si próprio.
Falou-nos da M. e do V. de todas as confusões da sua relação, dos mau tratamento que o V. tem com a M. Falou-nos da P. e do P. que eles disse-lhe que estava a trabalhar no restaurante com a P.
Ficamos a conhecer todas as confusões que se vão passando por ali.
Foi dificil despedirmo-nos dele mas tinhamos de partir a conversa já ia longa. Animados com a relação finalmente estabelecida com o V e a M. e o Z.C. corremos ao encontro do sr A. para acabarmos a ronda em grande.
Não o vimos. Que estranho que é acabarmos a ronda sem o encontro com o sr A.
Partimos tristes com esta falta mas animados por a ronda ter corrido tão bem e termos conseguido coisas tão boas.
Acabamos a noite com a partilha que já é costume em mote de plateia quando na realidade estavamos só eu e o rui, ainda nos rimos por estarmos habituados a falar no geral e ontem só estarmos dois. Temos pena de não termos estado os seis na ronda, pois foi uma ronda especial, cheia, só com coisas boas no meio de tanta desgraça e tristeza com que nos deparamos todos os domingos.
Benedita
sábado, julho 28, 2007
Crónica das rondas de 17 e 24 de Junho (Areosa)
Das duas vezes fomos três, e em ambas veio o Sr. Z desde a partida como inspiração de simplicidade e energia.
Das duas vezes passámos pela casa da Dona A: na primeira não estava, e fomos à casa do M, que nos espreitou, envergonhado, do alto do colo da mãe; na segunda entrámos num bocado de boa conversa e vimos o M envaricelado, a dormir.
Como sempre, fomos também bater à porta da S: no 1º domingo conversámos, pintámos unhas e prometemos pregos e martelo pra pendurar fotografias; no 2º, em dia de S. João, batemos em vão com o martelo pois a S não estava, tinha ido visitar o filho ao hospital.
A seguir, das duas vezes, levámos o Sr. Z à porta de casa, onde nos ofereceu os habituais Obrigados e o Abraço sincero.
Passámos depois pelo prédio, onde na primeira vez uma tromba d’água nos surpeendeu: abrigados de improviso, o café com leite soube ainda melhor, tanto que até o R gostou. Na segunda semana encontrámos um novo conviva, o falador A: havemos de o conhecer melhor, mas temos que garantir que não monopoliza a conversa; é que nesse dia o R mal se ouviu e os discretos do costume falaram ainda menos.
Das duas vezes seguimos para a Areosa, onde a I nos recebeu duas vezes com simpatia e bom-humor; na 2ª, no S. João, a caneca de caldo verde ajudou à boa disposição.
Das duas vezes terminámos, como agora é habitual, junto do nosso amigo Sr. M, que nos recebeu com o seu sorriso alegre, nos falou do seu S. João e nos gozou ao seu melhor nível.
Vejo agora quão parecidas foram as duas rondas, e sei que as outras que não relatei foram tão iguais a estas, mas semana após semana sabe melhor o bocado dos nossos anfitriões que trazemos connosco. Nós é que agradecemos!
Pedro Pardinhas