segunda-feira, junho 18, 2007

Crónica do IPO (2/6/2007)

Esta Crónica vem com alguns bons dias de atraso e por isso, desde já, desculpo-me, mas realmente os dias andam complicados e não sei porquê o tempo teima em não esticar…

Neste sábado ao chegarmos, já não esperámos todos uns pelos outros à entrada, fomos entrando devagarinho, já conhecendo alguns cantos à casa já habituando os nossos passos ao caminho e à expectativa.

Na salinha de convívio não estava ninguém. É uma sensação contraditória, por um lado, que bom que é não termos companhia, é sinal que podem estar em casa, por outro sabe bem chegar e ter a quem dar um mimo, com quem jogar.

Desta vez parecia que ia ser uma tarde mais parada.

Começamos a percorrer o corredor à procura de caras novas, ou já conhecidas a precisarem de uma boa gargalhada ou só de companhia. Afinal estavam todos, ou quase todos na sala de vídeo a divertirem-se com um show de “wrestling”. Dois ainda estavam no quarto numa verdadeira competição cerrada de corridas de carros com os pais, que não têm hipótese nenhuma já que se tratam de verdadeiros craques.

Fomos visitar a M. que ainda está no internamento e por isso só podemos cumprimentar da beira da porta. É uma alegria só aquela criança, sempre actualizada nos episódios da Floribella, consegue fazer rir quem lá passa e é uma ternura só ver a cumplicidade daquela mãe e daquela filha. Não há palavras que expliquem, só mesmo vendo os carinhos e os olhares que vão trocando.

Ultimamente tenho sentido que somos um grande apoio para os pais. Principalmente para os que passam 24h por dia com os filhos é tão bom poderem afastar-se uns 5 metros para respirar. As necessidades destas crianças sugam-lhes toda a energia. Dão tudo o que têm sem reservas e sem tempo de recarregar baterias. E por vezes, no gesto simples de ficarmos com uma criança só enquanto o pai ou a mãe vai lanchar, está o mais que podemos fazer por aquela pessoa.

Acabamos a divertir-nos com o jogo do euro, a comprar e a vender países, com o J. e o F. a ganharem tudo, já que são verdadeiros profissionais.

Ana Sampaio

quinta-feira, junho 14, 2007

Caminhada na montanha!

Olá,

Este fim-de-semana vamos realizar uma caminhada por terras do Marão, organização partilhada entre a Actijoves e o FASRondas.

Esta iniciativa insere-se no contexto da vertente de voluntariado das Aldeias, mas a participação encontra-se aberta a todos os membros do FAS . Será uma oportunidade única para conhecer de perto o nosso terreno de acção.

A caminhada estender-se-á ao longo do dia, tendo início às 10h e terminus às 15h30. No decorrer desta estão agendadas: a passagem por alguns sítios estratégicos, uma paragem mais prolongada para almoço e a realização de alguns actividades, nomeadamente, no final com alguns jogos na piscina.

Peço a todos os interessados que comunicam da sua disponibilidade para participar nesta caminhada.

Avisos aos participantes:

1. Encontramo-nos às 8h30 em frente à Igreja N.S. de Fátima.

2. Levem roupa desportiva e calçado adequado para uma caminhada, fatos de banho para a actividade final na piscina e algo para partilhar ao almoço.

3. Podem responder-me para o e-mail: rmmota81@gmail.com ou telemóvel 936 020 206


Beijos e abraços,

Rui Mota

Crónica Ronda de 10.06.07 (Boavista)

Domingo, quase dez da noite, lá nos juntamos para mais uma ronda. Enquanto os sacos eram reforçados, eu e a Joana fomos ao restaurante buscar a P., pois tinha ficado combinado dela vir connosco fazer a ronda.
Mas tal como a Joana previa ela já lá não estava, já tinha ido ter com o P. Falamos um bocado com os senhores do restaurante, que ficaram babados ao verem as fotografias que a Joana tinha da P. com uma das gémeas, já que a outro estava internada no hospital.
Seguimos para o CREU e logo reunimos a equipa e partimos. Paramos num sitio novo à procura de um novo caso mas não o vimos por isso seguimos para a D. F. Lá nos recebeu sempre resmungona, revoltada com o mundo.
Tinha lá estado uma carrinha com uns jornalistas mas ela deu-lhes uma corrida dizendo que não era exposição. Falou-nos também do caso do filho J. que apanhou uma pena de sete anos.
Depois de muitos resmungos despedimo-nos e partimos à procura do Sr. Z. Não o encontramos e seguimos à procura do R. tinhamos que lhe dizer que infelizmente esta semana não ia dar para irmos ao CAT. Como não o encontramos fomos ter com a M. e o P. que também queriam ir ao CAT, a M. estava toda bem disposta entusiasmada, mas quando lhe dissemos que não ia dar para ir ao CAT ficou desiludida e triste, pedimos-lhe mais uma semana de paciência e que na próxima segunda decerteza que a iamos conseguir levar. Como nos vimos o P. pedismos-lhe para ela lhe dar o recado.
Ainda vimos o P., mas estava a ressacar, desesperado por fazer dinheiro, quis o saco mas não conversa.
Seguimos à procura doR. mais uma vez, não o vimos, mas encontramos um Sr G., um caso que a Ana já nos tinha falado, com quem estivemos um bom bocado à conversa. Contou-nos um pouca da sua história, é um Sr muito simpático, muito triste, muito desiludido com a vida. Combinamos de o ver no próximo domingo e lá partimos em busca do R.
Paramos mais à frente onde perguntamos a uns amigos do R. se não o tinham visto, quando para nosso espanto nos disseram que era ele um bocado mais atrás do sitio onde estavamos.
Demos mais uma vez a volta ao carro e paramos junto dele. Estava desesperado, amedrontado, tinha levado uma tareia, discussões de rua. Custou ter de dizer que não ia ser esta semana que ele ia ao CAT, ainda por cima tinha feito uns dinheiros extras para a dose da manhã.
Despedimos-nos e partimos para a última paragem o sr A. Um luxo duma paragem, sentados todos juntos á volta de uma mesa a beber chá! O sr. A. faz esta semana por isso combinamos de pssar lá e fazer-lhe uma surpresa. Mas o melhor presente adiantado que o sr A. teve foi que um dos filhos foi chamado para tirar um curso e depois ir trabalhar. Só visto a alegria do sr A., não é possivel descrever o brilho dos olhos.
Foi assim mais uma ronda de domingo. Esperamos que no próximo domingo possamos dizer à M., ao P. e ao R. que os podemos levar ao CAT na segunda de manhã.

Benedita

sexta-feira, junho 08, 2007

Ida à aldeia

Olá!

Começa esta semana o atribulado mês de Junho nas Aldeias, esta é a
primeira das quatro visitas agendadas. Sábado teremos um dia normal,
sem qualquer actividade extra; a partida do Porto está agendada para
as 10h30 (p.f. peço a todos que respeitam os hórários, e sobretudo, as
pessoas que os cumprem, evitando atrasos), no ponto de encontro
habitual: em frente à Igreja de N.ª Sr.ª de Fátima.
Para facilitar a organização deste dia é desejável que todos os
voluntários confirmem a sua presença/ausência nesta próxima visita, no
mais breve prazo possível.Obrigado.

Continuação de um bom feriado e uma óptima sexta-feira,

Rui

quarta-feira, junho 06, 2007

Crónica Ronda de 03.06.07 (Batalha)

Iniciamos a ronda com os manos M e S. Conhecemos melhor o famoso Sr. A: é reformado, faz parte de um grupo de rondas aos sem abrigo (saem para a rua às quartas à noite) e dedica-se especialmente a este grupo. O M continua na mesma pensão a recuperar mas agora com uma difícil missão, cuidar do irmão. Provisoriamente, o S está em casa do Sr. A. Em conjunto com os MM, todos estão empenhados em, ajudá-lo, brevemente arranjar-lhe um quarto próximo do M, para tentar que ganhe mais juízo.

Partimos para o Sr. D. Despertou, começamos por tentar saber como tinha corrido a semana mas pouca conversa e, como é habitual, principalmente na presença de meninas, começaram as “comichões”. Desta vez resolvemos não ignorar e a nossa líder perguntou-lhe o porquê destas? Teria algum problema? Ao que respondeu prontamente que tinha muita comichão nas mãos e mostrou-as.

No mesmo sítio cruzámo-nos com o bem disposto Sr. das anedotas. Falou-nos em como a sua vida é melhor fora da rua, dos petiscos que sabe cozinhar e dos assaltos à sua casa.

Mais a baixo, nem sinal do Sr. F. Deixamos o saco junto aos cobertores.

Seguimos para o Sr. J. Vinha a descer a sua rua, estacionamos. Começou um novo trabalho de recolha de óleos para reutilizar. Queixou-se das dificuldades físicas que tem em realizá-lo.

Passamos pelo Sr. M L, indicado pela Carla e já nosso conhecido. Estava a dormir no entanto recebeu-nos bem e combinamos mais conversa para próxima semana.

Seguimos para o Aleixo à procura do P. Dê-mos uma volta sem parar, dada a confusão de gente à espera das carrinhas da comida. Quase à saída encontrámo-lo, subimos até um jardim ali perto, mais sossegado. Está a viver um momento de grande solidão. Contou-nos que precisou de afastar-se de todos por estar a passar por uma circunstância muito dolorosa: o seu irmão está bastante doente e em sofrimento. Falou-nos da sua relação com ele e do que sente ao vê-lo nessa situação. Deixou a metadona, continua a consumir. Vive num quarto próximo dali e vem ao Aleixo ao domingo à noite para receber comida das carrinhas. Está confuso, contudo quer mudar de vida. Não sente o apoio dos pais mas o sogro está disposto a ajudá-lo, se ele lhe der provas que está a mudar. Quer, voltar a fazer o tratamento com metadona, regressar a um Cat. Reafirmamos que pode contar com a nossa ajuda e marcamos encontro no domingo seguinte.


Tomai, Senhor, e recebei

Toda a minha liberdade, a minha memória,

o meu entendimento

e toda a minha vontade.

Tudo o que tenho e tudo o que possuo

Vós mo destes.

A Vós, Senhor, o restituo.

Tudo é vosso,

disponde de tudo segundo a vossa inteira vontade.

Dai-me o vosso amor e a vossa graça,

que isso me basta.



São Moura

segunda-feira, junho 04, 2007

Crónica da ronda de 27/5/2007 (Boavista)

Mais um domingo, mais uma ronda!

A noite começou por reforçar os sacos, dar dois dedos de conversa com todos os que estavam, distribuir cobertores, de mais um donativo e, ainda bem já que o frio parece que este ano não que ir embora.

Reunimo-nos e iniciamos mais uma oração para nos dar força para mais uma noite!

Partimos inicialmente separados, a Joana e Ana foram ao restaurante buscar a P. para a levar à Trindade, já que antes da ronda não tinham conseguido falar com ela, estava atrapalhada e a despechar o serviço para poder voar em direcção ao P. Quando lá chegaram já iam, infelizmente, tarde, ela já tinha ido para a trindade apanhar o comboio para ir ter com o P.

Entretanto eu, o Rui e o Jorge partimos para a D. F. que não sabemos se não terá ido ver o jogo, nem sinal do nosso grandioso leão!

Partimos para a próxima paragem na esperança de vermos o sr Z. Também não tivemos sorte e não o vimos. Seguimos em direcção à boavista.

Chegando ao sitio do R., também não estava. Decidimos dar uma volta a ver se o encontrava-mos nos arredores e lá o encontramos. Estava triste, desanimado, com frio... Lá nos pediu mais uma vez para irmos com ele ao CAT. Desesperado por estar naquela vida, lá se combinou mais uma ida para quarta-feira. A Joana e a Ana lá se juntaram a nós e entregamos o saco e mais um cobertor pois o que ele tinha foi roubado.

Partiram os quatro da vida airada. A Joana, Ana, Rui e Jorge, pois infelizmente o cansaço falou mais alto e nao aguentei acompanha-los.

Marcou-se então a ida na 4a ao CAT para começar o longo caminho, ele tem vontade pois metadona no mínimo só na 2a depois, por causa de problemas extraordinários.

Vimos o JP com a sua ressaco-pressa habitual, e falamos bastante com a M, que ficou entusiasmada em ir tb na 4a de manhã, vamos a ver, ela quer tentar, esta foi a melhor novidade da noite.

Falamos com a Sr. A em frente às televisões, e como tão pouca gente quis o nosso chá, bebemos todos com ele! Ele continua na mesma, tentando que "tristezas não paguem dívidas".

Ainda tentamos encontrar um novo Sem abrigo que nos foi indicado mas não o encontramos. Voltamos à D. F e em breve vai sair a sentença do filho (torcemos todos os dedos por eles), o Sr. V e Sr. M estavam bem alcoolizados, por isso a conversa não deu para muito...

Partilhamos a nossa noite que foi especialemente longa.

Benedita e Jorge

[Na 4a nem o R nem a M foram ao CAT porque não tinham uma dose de reserva para não irem ressacar para o CAt e não conseguirem não estar só focados na droga... foi mais uma tentativa. O único consolo é que os problemas do metro dessa manhã teriam complicado imenso o irmos os 3's..]

quinta-feira, maio 31, 2007

Crónica 27/05/2007 (Areosa)

Começamos já um bocadinho atrasados, com o Sr.Z sorridente à nossa espera, ultimamente vem ter connosco ao nosso ponto de partida e nós agradecemos=) é sempre bom ter a sua companhia nem que seja por mais uns minutinhos.

Fomos como sempre recebidos pelos cães de guarda, que metem um medo de morte. Mas vale sempre a pena passar por eles, temos sempre boas surpresas do lado de lá. Desta vez por exemplo conseguimos estar com o M. que ultimamente não vemos com tanta frequência porque já não está a morar com a Dona A. Estava com um bocadinho de sono, mas deu para matar saudades…

Em casa da S. puxamos conversa, e como sempre ficamos com a impressão de que se o tempo não passasse duraria a noite toda, há sempre coisas a contar, ou a relembrar. Fica sempre a certeza de que tudo está muito melhor agora e é bom participar nesta alegria…

Já bem tarde, porque nos faz sempre falta o Nuno a controlar o “timing”=) Fomos para o prédio, onde temos tido boas conversas, com muita gente nova. Como já tem acontecido, o R. e o “Variações” demoram-se sempre mais um bocadinho à conversa, desta vez já com o cafézinho que o Pedro se encarregou de trazer (está a marcar pontos o nosso caloirinho=)

Porque já não era cedo e a I. não fica de bom humor quando chegamos tarde, fomos lá primeiro, ao contrario da ordem habitual que passa primeiro pelo Sr.M. Estava ainda de pé a arrumar as suas coisinhas. Estava divertida, voltamos a conversar sobre o BI e prometeu-nos que ia começar a tratar disti esta semana, com a nossa ajuda, claro. Terminou a queixar-se das meninas estarem a deixar os meninos servir o leitinho , mas os nossos rapazes são muito cavalheiros e não se queixam=)

Já no final acabamos à conversa com o Sr. M e o “primo”.Ainda houve tempo de avaliar a ronda, os objectivos da semana passada e delinear novos objectivos, sempre de coração posto no que acreditamos ser o melhor para os que vamos encontrando, porque às vezes as coisas mais simples podem fazer toda a diferença…

Ana Sampaio

terça-feira, maio 29, 2007

Crónica 27/05/2007 (Batalha)

O Padre Nuno, através do Jorge (fica aqui um obrigada), esteve connosco, mesmo que em pensamento, nesta noite fria para nos aquecer o coração e mostrar a importância do Espírito Santo em cada uma das nossas/outras vidas.

Nesta paz de Espírito partimos eu e a Manela para visitar os nossos amigos, esperando que pudéssemos levar um pouco de calor para os aconchegar. O Sr. D. foi a nossa primeira vítima e quando lá chegávamos dormia - não demorou muito a acordar. Conversamos um pouco sobre a semana que tinha passado, mas o Sr. D. não demonstrou muito interesse na conversa, pois a principal preocupação é arranjar uma companhia. Desta vez o pedido que nos fez, foi uma camisola de bolsos… claro que não é um pedido simples, mas tentamos com uma camisola de bico! Sua Excelência não gostou :) De seguida partimos, pois como o tema da conversa não era do seu agrado, subitamente o sono bateu à porta.

O Sr. F. estava o verdadeiro desconfiado… Mas sempre com aquela educação e cuidado connosco que nos encanta. Aquele sorriso que sem dúvida nos enche o coração. Falamos das notícias que regularmente o Sr. F. tem acesso “online”. Desta vez, mesmo sem esperarmos, chegou um amigo do Sr. F. que lhe pediu ajuda e a nós… Imaginem um cordãozinho de pessoas a passar sacos de coisas do Futebol Clube do Porto, aquele grande clube :) :) Pois é, o amigo do Sr. F. tem uma barraquinha daquelas que vende cachecóis e afins…Travamos juntos uma curta conversa, mas proveitosa. Apesar de tudo, e mesmo em pequenos silêncios, passamos como sempre um bocadinho agradável daquela noite.

Passamos pelo espaço onde estávamos o grupo dos nossos amigos, mas vazio… alguns por bons, outros por menos bons motivos.

Bem, mas a agitação da noite só naquele momento começou… A visita ao Sr. J. começou com uma visita guiada aquele sitio a que chamam casa… sim, aquele mesmo na Rua Passos Manuel! Não passaram 5 minutos de conversa para que o festival começasse… a sua mulher chegou, quer dizer voou, e alguém vinha atrás dela. O rapaz hesitou em subir a rua, mas passou sem nada dizer e quando terminou a subida mostrou-se bem zangado batendo nas grades, um ambiente bastante pesado – a passividade do Sr. J. revoltou-nos um pouco, uma vez que tinha acabado de nos contar uma história de um assalto e da sua defesa! Enfim, pouco tínhamos a dizer sobre o que se passou e resolvemos pôr pés ao caminho. Safa, que situação estranha!

Já numa tentativa de visitar o F. tentamos ligar-lhe, tal como combinado, mas sem grande sucesso… Não insistimos pois achamos que poderia estar a dormir. Pelo caminho encontramos o Sr. M. que nos contou que está muito bem e que a casa do pai lhe enchia bem as medidas. Contou-nos que a medica de família o aconselhou a andar… e se anda o Sr.! :) combinamos novos reencontros a uma hora definida!

E assim regressamos a casa com a troca de opiniões, uma vontade imensa de perceber cada uma daquelas cabeças e ajudar a encontrar um melhor caminho.

Fica o desejo que a cada dia que passa possamos ser realmente úteis, não só HOJE, mas AMANHÃ e SEMPRE que possível.

Sabina Martins

sexta-feira, maio 25, 2007

Crónica da ronda de 20/5/2007 (Boavista)

Uma vez mais iniciámos a ronda num local e numa hora diferentes do habitual. Por volta das 21:30h entrámos no restaurante onde a P está a trabalhar, procurando saber como está a correr a vida em geral e o tratamento com metadona em particular. Infelizmente está tudo um bocado tremido. O P, companheiro da P, anda metido com umas companhias esquisitas, o que não augura nada de bom, uma vez que é grande a interdependência entre os dois e o tratamento ainda está numa fase precoce.

O grande problema neste momento prende-se com a falta de ocupação, pois enquanto ela passa os dias a lavar pratos e sem tempo para pensar em droga, ele passa os dias no café no meio de pessoal "avariado". Na guerra do Ultramar, quando não havia combates, os Capitães mandavam os Soldados cortar erva que já estava curta, pintar paredes que já estavam brancas e limpar armas que já estavam a brilhar. Era o chamado acto de "capinar". Faziam isso, pois era a única maneira de os afastar do jogo, dos copos e das recordações de casa, da família e dos amigos. Também o nosso P precisava urgentemente de "capinar" qualquer coisa, mas nem ele é Soldado nem nós Oficiais, somos apenas amigos de ocasião sem autoridade real. De qualquer forma, devemos manter a esperança... Apesar de tudo, estão os dois melhor agora do que há 1 mês atrás.

Do restaurante seguimos para a oração inicial, onde nos juntámos à Maria Antónia que nos acompanhou no nosso trajecto.

Começámos pela D. F, que não se encontrava no local habitual, muito provavelmente por ter ido festejar o título do FCP. A senhora tem muitos problemas e alguns defeitos, mas pelo menos foi sensata na escolha do clube. Deus a abençoe :)

Ao descermos a Constituição, encontrámos o Sr. Z a tomar o café que um conhecido lhe pagou. Tal como é costume, dissertou longamente sobre a natureza humana, o agradável sentimento de liberdade que advém do seu modo de vida e os caminhos tortuosos de alguns sem-abrigo. Um filósofo este nosso Z...

Seguimos depois para a Boavista para visitar o R, que nos esteve a contar o motivo porque faltou à primeira consulta no CAT. Pelos vistos houve um assalto perto do sítio onde ele costuma dormir e a polícia levou-o para a esquadra para o interrogar. Não duvidamos da história, mas nada nos garante que ele iria caso não tivesse sido preso. Uma vez que este é um caso com acompanhamento muito recente, talvez seja prudente não pressionar e tentar alcançar um pouco mais de intimidade. Numa situação algo semelhante encontra-se a P, arrumadora no Bom Sucesso, se bem que neste caso a intimidade não surja por notório afastamento da própria. É um caso complicado, onde estamos aparentemente sem soluções para irmos além da simples entrega do saco de comida. Quem tiver sugestões a fazer, é favor dirigir-se ao balcão de atendimento!

Terminámos a ronda com a visita ao Sr. A, que tem passado as noites a ver 10 canais ao mesmo tempo nas múltiplas televisões do Shopping. É o chamado zapping sem comando à distância. O que é importante é que a fase da "telha" já lhe passou e a boa disposição está de volta.

E por falar em boa disposição, está aí o merecido fim de semana, que desejo proveitoso e revigorante para todos...

Até Domingo

Sérgio Costa

Ida à aldeia - Alteração de Horário

Bom dia,

Era só para avisar que a hora de partida será alterada das 10h30 para as 11h00.

Agradeço a compreensão.

Rui

quinta-feira, maio 24, 2007

Crónica da ronda de 13/5/2007 (Areosa)

Partimos quatro: a Maria, a Ana Paula, o Sr. Z e eu. Passámos pela casa da Dona A, onde o filho recebeu os sacos para o M.
Seguimos prá casa da S, esta semana também com o Sr Z: a bonanaça entre eles já tinha chegado. Fomos recebidos de braços e sorriso aberto, e presenteados com lições improvisadas de natação e tai-chi: apesar dos brônquios, a S estava em boa forma. Após uma boa conversa, despedimo-nos com beijos e abraços.
Logo a seguir levámos a casa o Sr Z, poupado em palavras e generoso em abraços.
Fomos então até ao prédio, onde já nos esperava um grupo numeroso.
Distribuímos seis sacos, entregámos alguma roupa, e entretanto estavamos no paleio com o R, um óptimo conversador; aproveitámos pra lhe pedir alguns dados, e ficámos a saber que tem um filho e vontade de trabalhar e sair da rua. Deixámo-lo com mais esperança que a com que chegáramos.
Passámos de seguida pela Dona I, que já estava a dormir; assim, deixámos-lhe apenas os dois sacos, um para entregar ao Sr. J.
Por fim, fomos ter com o Sr. M, que acordou bem disposto e brincalhão para nos divertir um bocado; antes de o deixarmos, ainda lemos uma passagem da Bíblia dele.

Foi uma noite longa, cheia de mundos novos, de esperanças e gente boa. Foi a primeira de muitas.

Pedro Pardinhas

Ida à aldeia

Olá pessoal,

Esta semana temos "Aldeias". A partida está marcada para as 10h30 em
frente à Igreja de N.ª Sr.ª de Fátima.
Peço a todos um esforço especial para comparecerem, ja que em virtude
do concerto da banda "Dave Matthews Band" estaremos à partida
desfalcados de 4 voluntários: o Jorge, a Filipa, o Tiago e o João.
Mais agradeço a rápida resposta a este e-mail no sentido de
confirmarem a vossa presença/ausência nesta próxima ida, e em caso de
resposta afirmativa indicarem da vosssa disponibilidade para levar
carro, de forma a evitar qualquer problema logístico de última hora.

Desejo a todos um final de semana em grande!

Rui

quarta-feira, maio 23, 2007

Crónica da ronda de 20/5/2007 (Areosa)

Mais uma noite de Domingo. Esta começou com a oração do Nuno, a lembrar-nos as desigualdades no mundo, principalmente no continente africano. Como é que há gente com tanto e outros com tão pouco? É difícil de perceber!... Foi a pensar em tudo isto que entramos nos carros para mais uma ronda.

Começámos pela casa da D. A. Não estava, tinha ido visitar o irmão ao hospital, foi internado. Deixámos as coisas para o Mateus e fomos para casa da S. Ela continua adoentada, mas bem disposta. Falámos sobre a semana que passou e sobre a que vinha aí, uma semana importante! Tinha que se apresentar no tribunal por causa da reforma do companheiro, estava nervosa. Ficou melhor depois da nossa visita… (Ah! A sessão no tribunal foi hoje e correu tudo bem. Vamos saber mais logo o resultado.)

A caminho do prédio, deixámos o Sr. Z. em casa e despedímo-nos com o habitual abraço de grupo. Sabe sempre tão bem!

Ao chegar ao prédio, estavam já à nossa espera para receber os sacos. Entregámos cinco sacos e, sem muita conversa, foram embora, iam para longe, estavam frio… Como o R. não aparecia, chamámos e lá veio ele, estava distraído a conversar com um amigo. Tivemos tempo para uns biscoitos e “dois dedos de conversa” antes de ir ter com a I. Desta vez o tema era o futebol, como não podia deixar de ser já que tínhamos connosco três sportinguistas descontentes, os três meninos…

A I. estava muito agitada, não conseguia montar a caixa para dormir e respondia torto a qualquer pergunta… Não deu para falar sobre o bilhete de identidade. Ao virmos embora pediu desculpa e lá ficou a tratar das coisas dela.

Ao chegar à rotunda, vimos que no lugar do Sr. M. estava mais alguém. Era o primo dele, sempre cheio de vontade de conversar (Domingo, para não variar muito o tema era futebol)… O Sr. M. estava adoentado, cheio de frio e sem vontade de conversar muito. Levávamos um cobertor novo para ele que deu para aconchegá-lo e deixá-lo mais quentinho. Vamos ver como está no próximo Domingo…

Acabámos em frente à porta de casa da Andreia, a pensar o que tínhamos que preparar para a próxima semana, o café… Desta vez não pode esquecer!

Boa semana para todos e até Domingo,

Maria Manuel

segunda-feira, maio 21, 2007

Crónica da Ronda de 20/5/2007 (6º trajecto)

Desta vez os festejos futebolísticos encravaram algumas rondas, incluindo a nossa, pelo que tivemos de adiar as paragens iniciais. Informados pelos Jovens da Cruz Vermelha soubemos que não estava ninguém no Teatro, nem mesmo o J. nem nenhum cartão por ali avistaram... Dada a confusão e o trânsito resolvemos partir em direcção ao Aleixo, onde podiamos, pelo menos, distribuir os sacos. Rapidamente chegaram esfomeados os vultos subindo a estrada que dá para o bairro. Em poucos minutos esvaziámos as malas dos carros. Ao som das resmunguices de alguns que já chegaram tarde, acabámos por sair. Pelo caminho todas as loucuras possíveis e imaginárias das noites em que o FCP ganha um título.
Na que costuma ser a nossa última paragem já estavam os nossos amigos. Apesar de queixosa da garganta, a Dona B não dispensou um fadinho, desta feita com laivos de desgarrada bem humorada, para delírio do público. Os outros estavam hesitantes entre uma ida à baixa para a festa ou uma à cama, como o cansaço pedia. Só o D não apareceu, mas estaria bem acompanhado, garantiram.
A noite era cortada por um vento frio, e, tal como esta crónica, tornou-se telegráfica. Veio connosco a Patrícia que tentou apontar alguns aspectos úteis ao seu trabalho. Apesar da ronda atípica considerou a saída positiva. Também o Fernando mostrava admiração com "os fatasmas" do Aleixo. De certo modo o espanto a resistir, no fundo uma das fontes de motivação, abrindo portas à incessante descoberta.

Crónica da Ronda de 20/5/2007 (Batalha)

No final da habitual oração eu, a São e a Lígia (minha amiga) partimos em direcção ao Sr. D. No entanto, e como o F. C. P. tinha ganho o campeonato, a agitação da cidade era muita, o que nos dificultou o acesso às paragens que desejavamos fazer. Visto isto, decidimos parar o carro no Silo Auto e fazer todo o percurso a pé.

Apesar de todo o barulho circundante, o Sr. D. estava a dormir. Decidimos acordá-lo na mesma e ele mostrou-se muito bem disposto, não se recusando a falar connosco. Estendeu-me a mão e, quando o cumprimentei, decidiu fazer a sua “brincadeira” do costume: puxar-me para ele. A conversa nessa noite rodou sempre à volta do mesmo sítio: mulheres boas, bailaricos connosco, “eu quero é uma mulher pra casar”...e, claro, as habituais “comichões” nos sítios mais baixos!

Despedimo-nos dele antes que a conversa descesse totalmente de nível e partimos em direcção ao Sr. F. Este encontrava-se sóbrio mas muito bem disposto, aceitando perfeitamente a presença de uma estranha. Estava calmo, mostrando-se um pouco abstraído da multidão, mas ao mesmo tempo fazendo notar que não tinha gostado da invasão do seu espaço por parte de toda aquela gente. Falámos um pouco com ele sobre a semana, as notícias que ele costuma ler, o banho que insistimos que tome e sobre os passeios que costuma dar. Como ele sabia que estavamos a fazer a ronda a pé e como a sua preocupação para connosco é uma constante, disse-nos que era melhor irmos andando para não acabarmos muito tarde, mas como as saudades são muitas, não resistiu a pedir para que passassemos lá no fim para ver se ele ainda estava acordado. =)

Mais abaixo, no sítio do “grande grupo”não se encontrava ninguém...é provável que estivessem também a festejar, já que a maioria deles é do clube campeão, por isso decidimos continuar a nossa marcha, sempre acompanhados por todos os festejos.

Chegadas a casa do Sr. J., batemos à porta e logo nos respondeu uma voz feminina: foi a V. que nos veio abrir a porta, vestida de uma maneira muito caricata: um top, uma mini-saia de folhos, meias brancas e socas.

Contou-nos que a sua desintoxicação foi adiada para o próximo mês e que por isso e por ameaçarem tirar-lhe a filha (para adopção ou para um colégio interno) caso continue toxicodependente, está a pensar fazer uma desintoxicação “a frio”, porque o receio de perder a filha é maior do que qualquer outra coisa. No início mostrou-se bastante reservada e distante, mas quando sentiu apoio e carinho da nossa parte, o diálogo tornou-se mais fácil e na cara espelhava a gratidão que sentia naquele momento. Prometemos voltar em busca de novidades e também para lhe tentarmos proporcionar o máximo de apoio de que precisa neste momento.

Por fim, encontrámos o I., um rapaz de apenas 22 anos, que se encontrava a pedir na rua Sá da Bandeira. Tinha uma cara muito jovem, franzina e os seus olhos verdes brilhavam de emoção ao contar-nos a história que o trouxe para a rua. Ficámos chocadas com a sua história e também preocupadas, porque um rapaz novo e há tão pouco tempo na rua, é provável que se meta em caminhos desviantes. Por isso, decidimos marcar um outro encontro com ele na terça feira, para que possamos falar com mais calma. O I. mostrou-se contente por encontrar alguém que provavelmente o poderá ajudar e aceitou o encontro com grande satisfação.

Já de regresso ao carro, voltámos, como prometido, a passar pelo Sr. F., que apenas queria “um beijo de boa noite”, já que aceitou os dois sacos a mais que lhe levámos de presente e não quis muita conversa.

Foi uma noite repleta de emoções e muito gratificante, onde sentimos que conseguimos tocar o coração de algumas pessoas.

Inês Bessa

quinta-feira, maio 17, 2007

Crónica IPO (5/5/2007)

Foi no passado dia 5 que mais um grupo do Fas se deslocou ao Ipo, numa iniciativa recente.

O grupo constituído pela Inês Bessa, a Francisca, a Mariana, a Filipa, o Luís e o Tiago, chegaram por volta das duas horas ao local.

Nem sempre é fácil perceber as necessidades destas crianças. Não são poucas as vezes em que nos sentimos menos preparados para respondermos às necessidades que se nos deparem.

Nesse dia o grupo tinha acordado entre si estimular actividades para celebrar da melhor maneira o dia da mãe que se realizaria no dia seguinte. Para isso, foram levados objectos, como massas e missangas, folhas coloridas, para ajudar na confecção de verdadeiras obras de arte.

E realmente, o papel da mãe assume-se como preponderante, já que variavelmente são elas que permanecem junto aos filhos toda a semana e que por isso estão conscientes de tudo que se passa com os filhos.

Um dos nossos elementos foi chamado para ir fazer companhia a um menino que estava sozinho no quarto e que não podia aceder ao quarto dos brinquedos, onde o grupo se encontra. Os outros ficaram primeiro a estabelecer contactos com outros meninos que apareciam. Uns jogavam dominó, outros brincavam com legos, outros passeavam com uma bebé com cerca de um ano, tudo com o propósito das crianças se poderem abstrair e dos pais poderem descansar um pouco.

Além disso, também foram proporcionados momentos lúdicos a irmãos dos meninos que lá estavam, que também acabam por passar muito tempo no IPO.

Passados estes momentos de estabelecimento de intimidade, o grupo ajudou-os a fazerem os seus cartões para o dia da mãe. Alguns escreveram poemas inventados por eles próprios e com a ajuda de alguns elementos do grupo ou desenharam algumas motivos.

Foi uma tarde bem passada, em que já se começa a sentir a própria empatia do grupo presente, o que é favorável, já que os seus elementos eram completos desconhecidos. Uma experiência até agora bem sucedida.

Luís.

terça-feira, maio 15, 2007

Crónica da ronda de 13/5/2007 (Boavista)

Pela primeira vez tivemos uma pré-ronda.Pré-ronda? Sim. fomos ver PeP antes do arranque da ronda. Só estava lá a P, entusiamada pela caminhada que tem feito, cheia de futuro e esperança nos olhos. O molde dos dentes deve ser feito esta semana, e tudo corre pelo melhor, até mesmo algum contacto entre famílias desavindas. Agradecemos muito à D. I que é alguém de simplesmente excepcional pelo gesto de receber alguém que ninguém receberia, o verdadeiro escândalo aos olhos dos homens...
Soubemos que o P está bem e o emprego começa a arrancar.
No arranque apareceu o nosso amigo Sr. Z, e estávamos 25, com alguma confusão, pois notou-se a ausência da "mão organizadora" no nosso Nuno. Na primeira paragem estava toda a equipa! Os 6, pois a Benedita não resistiu a acompanhar a parte inicial da ronda.
Demos um raspanete na D.F e Sr.V, pois não respeitaram o trabalho dos Médico do Mundo que prontamente lá foram para ajudar. Houve alguma calinadas e expressões dignas de memória, como: "Os meus diabetes são de família, agora estou a fazer análises para saber de que família são!" ou "à Braba!". Na terça pode haver novidades da justiça, esperemos que boas, o processo já se arrasta à muito. Tenho de dizer que a cabana já foi transferida para o local onde antes havia apenas e só um banco, agora o estáminé está lá todo!
Não encontramos o Sr. Z. Fomos ao R, o A não estava por lá. O R falou-nos q esteve a pensar em ir para a metadona, e depois de longa conversa e muitos detalhes marcamos que eu iria com ele amanhã de manhã pelas 8h, lá para ir ao CAT. Ele parece com boas condições para que o processo resulte e ele melhore a sua vida [eu lá estive às 8, mas ele não compareceu]. Falou-nos que o S também estava interessado mas não o vimos.
Passamos pelo JP que como é costume não procedeu da forma mais cordial, além de colocar defeitos no saco, também da nossa parte se calhar houve falahas nas alterações a fazer aos sacos (no âmbito da redução de açucares para evitar diabetes).
Fomos ao Sr. A, não estava no shopping, brincamos nas escadas, nas quais as meninas recusaram uma aula de step totalmente gratuita que o Sérgio depois realizou. Estava cá fora mais animado, já no seu estilo normal, acompanhado pelo casal familiar. Tem mais burocracias para fazer.
Voltamos a ver se víamos o S, mas nem sinais dele. Passamos uns sacos a mais ao trajecto de Sta Catarina. Partilhamos com esperança e partimos para uma nova semana.
"Acompanhar toxicodependentes é como namorar... é feito de encontros e desencontros, aproximações e dependências, liberdade e muita conversa..."

Jorge

segunda-feira, maio 14, 2007

Crónica da ronda de 13/5/2007 (6º trajecto)

Após umas semanas de ausência, a crónica do 6º trajecto está de volta ao blog. A noite começou amena com a habitual visita ao J. que encontramos como sempre no seu beiral descansadamente a fumar o seu cigarro. A mesma conversa de sempre e as mesmas perspectivas de sempre, muitas poucas… Continua resignado às suas “longas férias” a viver na rua, tropeçando na monotonia dos dias, carregados de horas plagiadas definidas numa simples expressão “Está tudo na mesma”. O João conversou ainda com mais dois amigos que passam por ali esporadicamente e que não são muito dados a conversas. Deixámos também dois sacos para os vizinhos do J. que amontoavam nos respectivos locais um monte de cartões.

Seguimos para Sá da Bandeira ao encontro do Sr. V. que não víamos há umas semanas. Desta vez encontrava-se no seu lugar habitual e já dormia envolvido em cartões. Acordámo-lo e acompanhando o saco deixámos um cobertor e um casaco para poder dignificar um pouco mais a sua noite. O seu olhar triste não escondia o desânimo de uma vida resumida ao álcool, e trauteando escassas palavras numa mistura de português e castelhano, conseguimos perceber que ainda não procurou a assistência social. Para a semana teremos que estar atentos, pois caso ele se mostre disposto, seria importante alguém o acompanhar à assistente social.

Entretanto, o João e o Alexandre ficaram à conversa com um novo amigo, o M., um conhecido do Pedro, que demonstrou a sua vergonha por não ter aparecido a um encontro marcado com ele na Quarta passada que o levaria a uma consulta no CAT de Matosinhos. De qualquer forma, procurou redimir-se e marcou ele próprio uma consulta para Segunda desta semana no CAT de Gaia. Esperamos boas notícias deste amigo.

A noite terminou como sempre em Cedofeita, onde junto com a ronda do Bonfim encontrámos o habitual grupo de amigos, sempre bem dispostos e sedentos de conversa. Desta vez encontravam-se com uma velha conhecida das ruas do Porto, a Dona B. que como sempre, falou indiscriminadamente sobre tudo, atropelando as suas próprias palavras intercaladas com pequenas porções de versos cantarolados. O Sr. D. encontrava-se bem disposto, como sempre, e extremamente optimista quanto ao seu projecto do jornal. Esta semana será preponderante sendo que aguardamos ansiosamente por boas notícias, já que todos desejamos que esta pessoa com tanto para dar saia rapidamente da rua. Pessoalmente tenho uma convicção profunda que isso irá acontecer em breve. A Maria Antónia falou bastante tempo com a D. que se encontrava também bastante bem disposta. Terminámos a noite com a alegria afogada característica do final de ronda, recordando os olhares tristes e os sorrisos mascarados, mas com a certeza que não podemos parar, e que esta cidade esquecida precisa verdadeiramente de nós.

Fernando Pires

domingo, maio 13, 2007

Crónica da Ronda de 6/5/2007 (Boavista)

Mudança no trajecto da ronda. A ronda começa agora no restaurante onde a P. trabalha. Somos sempre bem recebidos pelos donos que nos dizem estarem muito contentes com o trabalho dela e felizes por ela estar a responder bem à metadona. Apesar disso não estivemos com ela porque agora ao fim-de-semana sai mais cedo para ir dormir a casa da mãe do P. onde aproveita para matar saudades do companheiro. É bom ver que este casal está a caminhar no sentido certo e que esta mudança nas suas vidas pode trazer-lhes de novo as pequenas gémeas.

(na 3ª feira eu e a Ana fomos ter com ela ao restaurante e a primeira coisa que nos fez foi mostrar as análises negativas para a cocaína e heroína... foi muito bom ver o sorriso e a felicidade com que nos dizia que estava a valer a pena ter entrado na metadona e que nem percebia porque é que por “estupidez” tinha começado a consumir)

De seguida fomos ter com o R. com o qual tivemos uma boa “conversa” como nos tinha prometido a semana passada. Estava de rastos. Cansado de viver apenas com o objectivo de arranjar dinheiro para consumir e sem perspectivas para o futuro. Foi bom falar com ele, sentir que nos estamos a aproximar e que pode ser mais um caso ao qual a metadona poderá indicar o caminho correcto da vida.

Na Boavista estava tudo muito calmo, como era semana da queima os nossos “amigos” tinham ido para Matosinhos em busca de dinheiro fácil. Encontrámos a P e o V os quais já vemos há algum tempo por ali mas infelizmente eles ainda não mostraram muita vontade de ter uma conversa connosco e apenas aceitam o chá e o saco. Já a caminho da paragem seguinte vimos a desaparecida M. e o ZC que iam em direcção ao Aleixo. Pouco falaram, notava-se que queriam apenas o saco porque o dinheiro para a comida raramente colocam de parte.

Já se torna também um hábito encontrar o Sr.A no shopping a ver tv na companhia do já conhecido amigo (que espera ali a hora da saída da mulher do trabalho). Lá ficamos nós na conversa . Falou-nos que o filho que está com ele começou a trabalhar e o outro continua com a sua namorada “cheia de pasta”. É bom saber que pelo menos o ambiente familiar já não está tão mau.

Mais uma vez chegamos tarde à D.F mas desta vez não encontrámos ninguém. Procuramos também o Sr. Z mas o adiantado da hora não nos permitiu encontrá-lo.

Foi mais uma ronda em que fomos mais cheios para casa e com a certeza que vale sempre a pena o Domingo à noite fora do conforto do lar.

Beijinhos e até Domingo

Joana Gomes

quinta-feira, maio 10, 2007

Crónica da ronda de 6/5/2007 (Batalha)

A noite estava fria, mas não o suficiente para nos tirar a vontade de darmos o nosso melhor juntos dos amigos que iríamos encontrar!

Partimos eu, Sabina e São em direcção ao Sr D, estava a dormir mas qd nos viu despertou dando assim para por a conversa em dia. Falou-nos dos locais onde come e pouco mais de novo conseguimos saber. Entretanto neste mesmo local estivemos com o ‘sr das anedotas’ que nos deu a bela notícia que já estava a dormir em casa do pai. :)

Seguimos para junto do Sr F, estava a descansar mas rápido acordou para nos saudar de forma tão carinhosa, tal como nos tem habituado. Estava muito conversador e atencioso connosco. No meio das suas tão características expressões tais como: ‘não faz mal’, ‘gisbertinha senta’ e ‘mais ou menos’ lá nos pediu arroz e batatas.. após uma longa conversa despedimo-nos com a promessa de em breve satisfazer o seu pequeno desejo.

Descemos um pouco e algo nos surpreendeu, o grupo – reduzido ao casal AM e Z, e ao estranja – encontrava-se a dormir. Deixamos os sacos resguardados e partimos. Contudo, como demoramos um pouco a arrancar pudemos verificar que o Sr Z afinal não dormia, levantou-se e foi arrumar os sacos. Ficamos a pensar qual terá sido o motivo que o levou a tal... respeitamos contudo o seu espaço e não voltamos lá. A seu tempo iremos perceber (ou não!!)..

A caminho do Sr J conhecemos o C, um sr de 40 anos cheio de vontade de mudar de vida. A sua simpatia e aparente força de vontade leva-nos a dar uma atenção especial ao seu caso. Procuramos o Sr J e não o encontramos, terá ido a Espanha?!?! eheh

Sentíamos que algo tinha ficado incompleto (ou apenas queríamos uma desculpa para lá voltar) e decidimos ir à procura de arroz e batatas quentes para o Sr F. Sem sucesso!! Talvez tenha sido melhor.. Restou-nos terminar a nossa ronda num cantinho especial do Porto, com um chocolate quente e uma boa música.... só para nós!!

Tenho a certeza que todas regressamos com o coração cheio relembrando cada uma das conversas que esta noite nos proporcionou, desejando que cada um SA que não encontramos esteja bem, e relembrando também os restantes camaradas do FAS-Batalha!

Boa semana para todos!

Manela (dando braçadas algures no Algarve)