segunda-feira, maio 21, 2007

Crónica da Ronda de 20/5/2007 (Batalha)

No final da habitual oração eu, a São e a Lígia (minha amiga) partimos em direcção ao Sr. D. No entanto, e como o F. C. P. tinha ganho o campeonato, a agitação da cidade era muita, o que nos dificultou o acesso às paragens que desejavamos fazer. Visto isto, decidimos parar o carro no Silo Auto e fazer todo o percurso a pé.

Apesar de todo o barulho circundante, o Sr. D. estava a dormir. Decidimos acordá-lo na mesma e ele mostrou-se muito bem disposto, não se recusando a falar connosco. Estendeu-me a mão e, quando o cumprimentei, decidiu fazer a sua “brincadeira” do costume: puxar-me para ele. A conversa nessa noite rodou sempre à volta do mesmo sítio: mulheres boas, bailaricos connosco, “eu quero é uma mulher pra casar”...e, claro, as habituais “comichões” nos sítios mais baixos!

Despedimo-nos dele antes que a conversa descesse totalmente de nível e partimos em direcção ao Sr. F. Este encontrava-se sóbrio mas muito bem disposto, aceitando perfeitamente a presença de uma estranha. Estava calmo, mostrando-se um pouco abstraído da multidão, mas ao mesmo tempo fazendo notar que não tinha gostado da invasão do seu espaço por parte de toda aquela gente. Falámos um pouco com ele sobre a semana, as notícias que ele costuma ler, o banho que insistimos que tome e sobre os passeios que costuma dar. Como ele sabia que estavamos a fazer a ronda a pé e como a sua preocupação para connosco é uma constante, disse-nos que era melhor irmos andando para não acabarmos muito tarde, mas como as saudades são muitas, não resistiu a pedir para que passassemos lá no fim para ver se ele ainda estava acordado. =)

Mais abaixo, no sítio do “grande grupo”não se encontrava ninguém...é provável que estivessem também a festejar, já que a maioria deles é do clube campeão, por isso decidimos continuar a nossa marcha, sempre acompanhados por todos os festejos.

Chegadas a casa do Sr. J., batemos à porta e logo nos respondeu uma voz feminina: foi a V. que nos veio abrir a porta, vestida de uma maneira muito caricata: um top, uma mini-saia de folhos, meias brancas e socas.

Contou-nos que a sua desintoxicação foi adiada para o próximo mês e que por isso e por ameaçarem tirar-lhe a filha (para adopção ou para um colégio interno) caso continue toxicodependente, está a pensar fazer uma desintoxicação “a frio”, porque o receio de perder a filha é maior do que qualquer outra coisa. No início mostrou-se bastante reservada e distante, mas quando sentiu apoio e carinho da nossa parte, o diálogo tornou-se mais fácil e na cara espelhava a gratidão que sentia naquele momento. Prometemos voltar em busca de novidades e também para lhe tentarmos proporcionar o máximo de apoio de que precisa neste momento.

Por fim, encontrámos o I., um rapaz de apenas 22 anos, que se encontrava a pedir na rua Sá da Bandeira. Tinha uma cara muito jovem, franzina e os seus olhos verdes brilhavam de emoção ao contar-nos a história que o trouxe para a rua. Ficámos chocadas com a sua história e também preocupadas, porque um rapaz novo e há tão pouco tempo na rua, é provável que se meta em caminhos desviantes. Por isso, decidimos marcar um outro encontro com ele na terça feira, para que possamos falar com mais calma. O I. mostrou-se contente por encontrar alguém que provavelmente o poderá ajudar e aceitou o encontro com grande satisfação.

Já de regresso ao carro, voltámos, como prometido, a passar pelo Sr. F., que apenas queria “um beijo de boa noite”, já que aceitou os dois sacos a mais que lhe levámos de presente e não quis muita conversa.

Foi uma noite repleta de emoções e muito gratificante, onde sentimos que conseguimos tocar o coração de algumas pessoas.

Inês Bessa

quinta-feira, maio 17, 2007

Crónica IPO (5/5/2007)

Foi no passado dia 5 que mais um grupo do Fas se deslocou ao Ipo, numa iniciativa recente.

O grupo constituído pela Inês Bessa, a Francisca, a Mariana, a Filipa, o Luís e o Tiago, chegaram por volta das duas horas ao local.

Nem sempre é fácil perceber as necessidades destas crianças. Não são poucas as vezes em que nos sentimos menos preparados para respondermos às necessidades que se nos deparem.

Nesse dia o grupo tinha acordado entre si estimular actividades para celebrar da melhor maneira o dia da mãe que se realizaria no dia seguinte. Para isso, foram levados objectos, como massas e missangas, folhas coloridas, para ajudar na confecção de verdadeiras obras de arte.

E realmente, o papel da mãe assume-se como preponderante, já que variavelmente são elas que permanecem junto aos filhos toda a semana e que por isso estão conscientes de tudo que se passa com os filhos.

Um dos nossos elementos foi chamado para ir fazer companhia a um menino que estava sozinho no quarto e que não podia aceder ao quarto dos brinquedos, onde o grupo se encontra. Os outros ficaram primeiro a estabelecer contactos com outros meninos que apareciam. Uns jogavam dominó, outros brincavam com legos, outros passeavam com uma bebé com cerca de um ano, tudo com o propósito das crianças se poderem abstrair e dos pais poderem descansar um pouco.

Além disso, também foram proporcionados momentos lúdicos a irmãos dos meninos que lá estavam, que também acabam por passar muito tempo no IPO.

Passados estes momentos de estabelecimento de intimidade, o grupo ajudou-os a fazerem os seus cartões para o dia da mãe. Alguns escreveram poemas inventados por eles próprios e com a ajuda de alguns elementos do grupo ou desenharam algumas motivos.

Foi uma tarde bem passada, em que já se começa a sentir a própria empatia do grupo presente, o que é favorável, já que os seus elementos eram completos desconhecidos. Uma experiência até agora bem sucedida.

Luís.

terça-feira, maio 15, 2007

Crónica da ronda de 13/5/2007 (Boavista)

Pela primeira vez tivemos uma pré-ronda.Pré-ronda? Sim. fomos ver PeP antes do arranque da ronda. Só estava lá a P, entusiamada pela caminhada que tem feito, cheia de futuro e esperança nos olhos. O molde dos dentes deve ser feito esta semana, e tudo corre pelo melhor, até mesmo algum contacto entre famílias desavindas. Agradecemos muito à D. I que é alguém de simplesmente excepcional pelo gesto de receber alguém que ninguém receberia, o verdadeiro escândalo aos olhos dos homens...
Soubemos que o P está bem e o emprego começa a arrancar.
No arranque apareceu o nosso amigo Sr. Z, e estávamos 25, com alguma confusão, pois notou-se a ausência da "mão organizadora" no nosso Nuno. Na primeira paragem estava toda a equipa! Os 6, pois a Benedita não resistiu a acompanhar a parte inicial da ronda.
Demos um raspanete na D.F e Sr.V, pois não respeitaram o trabalho dos Médico do Mundo que prontamente lá foram para ajudar. Houve alguma calinadas e expressões dignas de memória, como: "Os meus diabetes são de família, agora estou a fazer análises para saber de que família são!" ou "à Braba!". Na terça pode haver novidades da justiça, esperemos que boas, o processo já se arrasta à muito. Tenho de dizer que a cabana já foi transferida para o local onde antes havia apenas e só um banco, agora o estáminé está lá todo!
Não encontramos o Sr. Z. Fomos ao R, o A não estava por lá. O R falou-nos q esteve a pensar em ir para a metadona, e depois de longa conversa e muitos detalhes marcamos que eu iria com ele amanhã de manhã pelas 8h, lá para ir ao CAT. Ele parece com boas condições para que o processo resulte e ele melhore a sua vida [eu lá estive às 8, mas ele não compareceu]. Falou-nos que o S também estava interessado mas não o vimos.
Passamos pelo JP que como é costume não procedeu da forma mais cordial, além de colocar defeitos no saco, também da nossa parte se calhar houve falahas nas alterações a fazer aos sacos (no âmbito da redução de açucares para evitar diabetes).
Fomos ao Sr. A, não estava no shopping, brincamos nas escadas, nas quais as meninas recusaram uma aula de step totalmente gratuita que o Sérgio depois realizou. Estava cá fora mais animado, já no seu estilo normal, acompanhado pelo casal familiar. Tem mais burocracias para fazer.
Voltamos a ver se víamos o S, mas nem sinais dele. Passamos uns sacos a mais ao trajecto de Sta Catarina. Partilhamos com esperança e partimos para uma nova semana.
"Acompanhar toxicodependentes é como namorar... é feito de encontros e desencontros, aproximações e dependências, liberdade e muita conversa..."

Jorge

segunda-feira, maio 14, 2007

Crónica da ronda de 13/5/2007 (6º trajecto)

Após umas semanas de ausência, a crónica do 6º trajecto está de volta ao blog. A noite começou amena com a habitual visita ao J. que encontramos como sempre no seu beiral descansadamente a fumar o seu cigarro. A mesma conversa de sempre e as mesmas perspectivas de sempre, muitas poucas… Continua resignado às suas “longas férias” a viver na rua, tropeçando na monotonia dos dias, carregados de horas plagiadas definidas numa simples expressão “Está tudo na mesma”. O João conversou ainda com mais dois amigos que passam por ali esporadicamente e que não são muito dados a conversas. Deixámos também dois sacos para os vizinhos do J. que amontoavam nos respectivos locais um monte de cartões.

Seguimos para Sá da Bandeira ao encontro do Sr. V. que não víamos há umas semanas. Desta vez encontrava-se no seu lugar habitual e já dormia envolvido em cartões. Acordámo-lo e acompanhando o saco deixámos um cobertor e um casaco para poder dignificar um pouco mais a sua noite. O seu olhar triste não escondia o desânimo de uma vida resumida ao álcool, e trauteando escassas palavras numa mistura de português e castelhano, conseguimos perceber que ainda não procurou a assistência social. Para a semana teremos que estar atentos, pois caso ele se mostre disposto, seria importante alguém o acompanhar à assistente social.

Entretanto, o João e o Alexandre ficaram à conversa com um novo amigo, o M., um conhecido do Pedro, que demonstrou a sua vergonha por não ter aparecido a um encontro marcado com ele na Quarta passada que o levaria a uma consulta no CAT de Matosinhos. De qualquer forma, procurou redimir-se e marcou ele próprio uma consulta para Segunda desta semana no CAT de Gaia. Esperamos boas notícias deste amigo.

A noite terminou como sempre em Cedofeita, onde junto com a ronda do Bonfim encontrámos o habitual grupo de amigos, sempre bem dispostos e sedentos de conversa. Desta vez encontravam-se com uma velha conhecida das ruas do Porto, a Dona B. que como sempre, falou indiscriminadamente sobre tudo, atropelando as suas próprias palavras intercaladas com pequenas porções de versos cantarolados. O Sr. D. encontrava-se bem disposto, como sempre, e extremamente optimista quanto ao seu projecto do jornal. Esta semana será preponderante sendo que aguardamos ansiosamente por boas notícias, já que todos desejamos que esta pessoa com tanto para dar saia rapidamente da rua. Pessoalmente tenho uma convicção profunda que isso irá acontecer em breve. A Maria Antónia falou bastante tempo com a D. que se encontrava também bastante bem disposta. Terminámos a noite com a alegria afogada característica do final de ronda, recordando os olhares tristes e os sorrisos mascarados, mas com a certeza que não podemos parar, e que esta cidade esquecida precisa verdadeiramente de nós.

Fernando Pires

domingo, maio 13, 2007

Crónica da Ronda de 6/5/2007 (Boavista)

Mudança no trajecto da ronda. A ronda começa agora no restaurante onde a P. trabalha. Somos sempre bem recebidos pelos donos que nos dizem estarem muito contentes com o trabalho dela e felizes por ela estar a responder bem à metadona. Apesar disso não estivemos com ela porque agora ao fim-de-semana sai mais cedo para ir dormir a casa da mãe do P. onde aproveita para matar saudades do companheiro. É bom ver que este casal está a caminhar no sentido certo e que esta mudança nas suas vidas pode trazer-lhes de novo as pequenas gémeas.

(na 3ª feira eu e a Ana fomos ter com ela ao restaurante e a primeira coisa que nos fez foi mostrar as análises negativas para a cocaína e heroína... foi muito bom ver o sorriso e a felicidade com que nos dizia que estava a valer a pena ter entrado na metadona e que nem percebia porque é que por “estupidez” tinha começado a consumir)

De seguida fomos ter com o R. com o qual tivemos uma boa “conversa” como nos tinha prometido a semana passada. Estava de rastos. Cansado de viver apenas com o objectivo de arranjar dinheiro para consumir e sem perspectivas para o futuro. Foi bom falar com ele, sentir que nos estamos a aproximar e que pode ser mais um caso ao qual a metadona poderá indicar o caminho correcto da vida.

Na Boavista estava tudo muito calmo, como era semana da queima os nossos “amigos” tinham ido para Matosinhos em busca de dinheiro fácil. Encontrámos a P e o V os quais já vemos há algum tempo por ali mas infelizmente eles ainda não mostraram muita vontade de ter uma conversa connosco e apenas aceitam o chá e o saco. Já a caminho da paragem seguinte vimos a desaparecida M. e o ZC que iam em direcção ao Aleixo. Pouco falaram, notava-se que queriam apenas o saco porque o dinheiro para a comida raramente colocam de parte.

Já se torna também um hábito encontrar o Sr.A no shopping a ver tv na companhia do já conhecido amigo (que espera ali a hora da saída da mulher do trabalho). Lá ficamos nós na conversa . Falou-nos que o filho que está com ele começou a trabalhar e o outro continua com a sua namorada “cheia de pasta”. É bom saber que pelo menos o ambiente familiar já não está tão mau.

Mais uma vez chegamos tarde à D.F mas desta vez não encontrámos ninguém. Procuramos também o Sr. Z mas o adiantado da hora não nos permitiu encontrá-lo.

Foi mais uma ronda em que fomos mais cheios para casa e com a certeza que vale sempre a pena o Domingo à noite fora do conforto do lar.

Beijinhos e até Domingo

Joana Gomes

quinta-feira, maio 10, 2007

Crónica da ronda de 6/5/2007 (Batalha)

A noite estava fria, mas não o suficiente para nos tirar a vontade de darmos o nosso melhor juntos dos amigos que iríamos encontrar!

Partimos eu, Sabina e São em direcção ao Sr D, estava a dormir mas qd nos viu despertou dando assim para por a conversa em dia. Falou-nos dos locais onde come e pouco mais de novo conseguimos saber. Entretanto neste mesmo local estivemos com o ‘sr das anedotas’ que nos deu a bela notícia que já estava a dormir em casa do pai. :)

Seguimos para junto do Sr F, estava a descansar mas rápido acordou para nos saudar de forma tão carinhosa, tal como nos tem habituado. Estava muito conversador e atencioso connosco. No meio das suas tão características expressões tais como: ‘não faz mal’, ‘gisbertinha senta’ e ‘mais ou menos’ lá nos pediu arroz e batatas.. após uma longa conversa despedimo-nos com a promessa de em breve satisfazer o seu pequeno desejo.

Descemos um pouco e algo nos surpreendeu, o grupo – reduzido ao casal AM e Z, e ao estranja – encontrava-se a dormir. Deixamos os sacos resguardados e partimos. Contudo, como demoramos um pouco a arrancar pudemos verificar que o Sr Z afinal não dormia, levantou-se e foi arrumar os sacos. Ficamos a pensar qual terá sido o motivo que o levou a tal... respeitamos contudo o seu espaço e não voltamos lá. A seu tempo iremos perceber (ou não!!)..

A caminho do Sr J conhecemos o C, um sr de 40 anos cheio de vontade de mudar de vida. A sua simpatia e aparente força de vontade leva-nos a dar uma atenção especial ao seu caso. Procuramos o Sr J e não o encontramos, terá ido a Espanha?!?! eheh

Sentíamos que algo tinha ficado incompleto (ou apenas queríamos uma desculpa para lá voltar) e decidimos ir à procura de arroz e batatas quentes para o Sr F. Sem sucesso!! Talvez tenha sido melhor.. Restou-nos terminar a nossa ronda num cantinho especial do Porto, com um chocolate quente e uma boa música.... só para nós!!

Tenho a certeza que todas regressamos com o coração cheio relembrando cada uma das conversas que esta noite nos proporcionou, desejando que cada um SA que não encontramos esteja bem, e relembrando também os restantes camaradas do FAS-Batalha!

Boa semana para todos!

Manela (dando braçadas algures no Algarve)

Ida à aldeia

Bons dias!

Era só para recordar que este fim-de-semana vamos a aldeia. O arranque fica marcado para as 11h, em frente à Igreja de N.ª S.ª de Fátima. O almoço será partilhado como habitualmente.

Não teremos nenhuma actividade extra, a não ser, e caso o bom tempo se mantenha, um ida a banhos no rio (levem fatos de banho!).

Pede-se a todos que confirmem a sua presença/ausência no mais curto espaço de tempo de forma a facilitar a organização desta actividade.

Uma fantástica quinta-feira e até sábado!

Rui

segunda-feira, maio 07, 2007

Crónica da ronda de 29/4/2007 (Boavista)

Que belo começo de ronda! Fomos visitar a P., em apenas duas semanas a sua vida deu uma volta de 180º: está no programa da metadona, arranjou emprego e um quarto na casa de uma senhora. Não posso deixar de louvar a coragem desta senhora, que não conhecendo assim tão bem a P., lhe abriu as portas da sua casa. A P. esta óptima, cheia de confiança, com uma grande vontade de trabalhar, juntar uns trocados e recuperar as filhas gémeas. Quanto ao P., o companheiro, ficámos a saber que também se esta a sair bem com a metadona , que voltou para casa dos pais e que neste momento o que mais precisa é de um emprego. Ainda o tentamos encontrar, depois de nos despedirmos da P., mas em vão; em contrapartida encontramos o JP, nada bem disposto, e bastante implicante, que o diga a Ana. Muito provavelmente estava a ressacar, este ciclo da toxicodependência é imparável, e é preciso ter muita força de vontade para o superar.

Seguimos depois ao encontro do Sr. A. Não estava no sítio do costume, pelo que fomos à sua procura no “shopping”. Estava, confortavelmente, sentado a ver televisão na companhia de um amigo; cumprimentou-nos efusivamente, como de costume, e começou logo a “disparar” algumas “atoardas” contra os Médicos do Mundo, dizendo que estes lhe haviam prometido uma consulta com um determinado especialista e que afinal nada disso se tinha passado (ficamos de investigar melhor a situação). Entretanto apareceu a companheira do tal amigo e a conversa mudou totalmente de rumo, aproveitamos a ocasião para nos despedirmos e partir para outras paragens.

Entretanto fomos à Av. da Boavista à procura do R., não o tendo encontrado no sítio combinado, mas sim algumas centenas de metros mais à frente, na companhia do A; ambos seguiam para o Aleixo. A conversa foi curta, o tempo estava horrível e a chuva não parava de nos “fustigar”, deu apenas para tomar um copo de chá quente e combinar que na próxima semana haveria “conversa”, como atenciosamente prometeu o R.

A D.F. deve ter estranhado a nossa chegada tão tardia, mas não reclamou (algo a estranhar!), tomou um copo de chá e partilhou connosco os múltiplos problemas de saúde e as múltiplas necessidades dai resultantes, combinamos falar aos Médicos do Mundo e pedir-lhes que lá passassem no dia seguinte. Pelo meio apareceu o Sr. V que também rapidamente desapareceu, qual relâmpago!. Despedimo-nos e partimos ainda com esperança de encontrar o Sr. Z, enquanto a noite continuava, teimosamente, chuvosa. Felizmente lá o encontramos, a conversa não foi longa, mais ainda deu para tomar copo de chá da praxe e combinar com ele um encontro para o dia seguinte com os Médicos do Mundo, dado que este se queixava de uma dor aguda numa das pernas.

A ronda terminou com a oração, todos estávamos muito contentes em particular pela P., mas também não podíamos apagar da mente que estes nossos restantes “amigos” iriam passar aquela noite ao relento. Sensação estranha esta!

Boa semana!

Rui Mota

quarta-feira, maio 02, 2007

Crónica da ronda de 29/4/2007 (Areosa)

É dia do Bom Pastor! "Eu conheço as minhas ovelhas e elas conhecem-Me."Foi com esta magia própria, de fazer crescer a nossa relação de intimidade com o Pai que partimos para mais uma noite de serviço e entrega... tentando melhorar o "pasto" dos nossos irmãos da rua. Achei brilhante o trabalho conseguido com os patrocínios, conseguiram
encher-nos o saco e o coração. :) Obrigada a todos os que abrem mais um bocadinho do cofre do seu tempo para recolherem o alimento distribuído. Começamos por visitar a D.A... pareceu-nos bem, sempre preocupada com o M. e com o filho... tentamos explicar-lhe os caminhos que tem o seu filho, como aluno do 12ºano; ficou mais descansada. Graças aos patrocínios, conseguimos deixar imensa coisa na D.A! E que bem que sabe DAR...
O M. faz 2 aninhos na próxima 5ªfeira e quer ver-nos na festinha! É uma ternura imensa...
Depois encontramos o sr.Z e a S. naquela cumplicidade tão própria, tão deles... de dois amigos que se gostam e que se responsabilizam um pelo outro =.); conversamos, bebemos café com leite e bolachinhas, como bons amigos que somos! Combinamos já as datas dos nossos casamentos e os nomes dos nossos filhotes! A S. e o sr.Z fazem questão de participar nestas decisões:):):)
Já na Casa Abandonada, e com muita chuva, fomos recebendo com amor as visitas novas! Tem vindo imensa gente lá para a casa...tivemos 4caras novas!
Como tal ainda não sabemos muito deles... a chuva também não ajuda ao processo de aproximação... mas ficou prometido que, no próximo fim-de-semana lá voltamos... TODOS... para sabermos uns dos outros! Ficou mesmo complicada a gestão dos sacos que tínhamos, pelo que saímos da Casa já de mãos vazias...
Deu só para ajudar o D. na Areosa, que começa a melhorar das soturas que levou(por causa de uma briga que não quis justificar...)
Rezamos pelo sr.M e pela I. e prometemos acompanha-los de perto durante a semana, movidos pelo Espírito construtor e consolador do Bom Pastor!

Que Deus vos guarde a todos!
Boa semana...
Andreia Gil

Crónica da ronda de 29/4/2007 (Batalha)

Bom dia caríssimos !

Como devem ter conhecimento, no passado domingo dia 29 de Abril (dia lembrado com alguma alegria e até comoção por muitos adeptos do F.C.P… :) ) foi com grande prazer e alguma expectativa que, integrado no grupo da Manuela e juntamente com a Inês, fui fazer a ronda da Batalha.

Estava alguma chuva e um frio um pouco incomodativo mas nada que impedisse a nossa nobre tarefa.

Começamos pelo Sr. D.

Estava a dormir com o seu cobertor descansadamente e manteve-se um pouco indiferente à nossa chegada. Estava nitidamente cansado e poucas palavras conseguiu articular. Foi uma “visita de médico”.

Seguimos para o Sr. F.

Quando chegamos, estava em alegre convívio com o deus Baco, mas extremamente bem disposto… Com alguma insistência, conseguimos trocar com ele umas poucas palavras mas apesar de ter balbuciado algumas frases, foi bastante difícil comunicar com ele.

Estava com a roupa molhada mas nem deu por isso…

Fomos em direcção à Trindade onde encontramos um grupo bastante coeso e simpático.

Falaram dos seus planos para uma caminhada até Fátima e pediram se seria possivel arranjarmos coletes reflectores e sapatilhas.

O Sr. B. ficou muito contente com a viola q a Inês lhe ofereceu e confessou-nos que já só bebia 3 cervejas por dia, o que é um avanço significativo na sua luta para se livrar do seu vício.

A Sr.ª A. recebeu-nos muito bem e estava com muito bom aspecto, completamente restabelecida após o tratamento a que foi submetida. Pediu-nos camisolas e ficou com algumas que trazíamos connosco.

O Sr. Z. pelo que percebi, assume o papel de patriarca daquela “família” e fá-lo bem. Brincalhão e conversador, é a alma do grupo.

O Sr. F. estava bem disposto e conversador. Pediu umas sapatilhas e como tínhamos ficou com elas (acho que lhe serviram…).

Por lá estava também o Sr. P, que pelo que me disseram não costuma estar por ali, a dormir todo o tempo que por ali estivemos.

O Sr. “E.”, que pelo que percebi se chama F., estava todo animado (“tinha fumado um…”) e devorou 2 ou 3 sumos de cereais da milupa que a Inês ofereceu enquanto lá estávamos. Pareceu-me o mais divertido e easy-going do grupo…Falta saber se só o foi naquele dia em especial…

Seguiu-se o Sr. J. em Passos Manuel. Estava bem disposto e disse-nos que um rapaz lhe tinha pedido para dormir por ali. Contou a história da já muito planeada viagem a Espanha e confidenciou-nos que a faria esta semana ou na próxima. Falou da filha com algum distanciamento, não mostrando grande vontade de a acompanhar com maior frequência.

(O Sr. M. está ainda numa pensão a recuperar da trombose e o Sr. S., irmão, está a fazer o tratamento de desintoxicação de álcool e tudo corre bem. Daí a ausência deles…)

E assim se passou mais uma noite fria e chuvosa onde procuramos levar um pouco de calor a umas poucas almas…Até domingo. Boa semana para todos.

Paulo Silva

terça-feira, maio 01, 2007

Crónica de 29/04/2007 (Bonfim + 6º trajecto)

A noite de domingo passado começou mais uma vez com a preparação dos sacos e com a oração, desta vez a cargo do Nuno. Partimos para a nossa ronda eu, o João, a Ana e a Sofia. Pela primeira vez desde que me juntei ao grupo estava a chover bastante e também estava bastante frio, mas nem por isso nos deixámos esmorecer e de ir ter com os nossos amigos de domingo à noite cheios de alegria. Apesar de ser apenas a minha 3ª ronda, já estava cheio de vontade de voltar a ver os sem-abrigo que tinha conhecido na semana anterior.

Comecámos por visitar a D. H., que estava acompanhada do seu marido. Apesar dos esforços, não conseguimos que ela se levantasse da cama. Conversámos alguns minutos com ela, tendo-nos contado das suas tropelias quando era adolescente e como de vez em quando lá recebia castigos dos professores e até do padre! A hora de ir embora foi como sempre difícil, pois a D. H. gostava que ficássemos mais um bocado. Infelizmente não era possível, pois ainda havia muitos sítios para ir!

Seguiu-se o P. No entanto, ele não se encontrava no sítio do costume, pelo que seguimos...

Um bocado mais à frente falámos com o J, que estava debaixo dos seus cobertores, mas se levantou mal chegámos. Estivemos à conversa algum tempo, especialmente o João, acerca de guitarras. Eu não estava muito à vontade no tema... Ao passar por Sá da Bandeira não vimos o sem-abrigo do costume e resolvemos deixar lá um saco, caso ele viesse. Mas o momento mais animado da noite ainda estava para chegar...

De facto, chegados ao nosso último ponto de paragem, rapidamente encontrámos a D. que já estava à nossa espera. Recebeu-nos com sorrisos e logo a Ana lhe entregou uns sacos de roupa que eram para os seus dois filhos pequenos. Nessa altura a D. disse-nos que por vezes dava parte da roupa que lhe era entregue a outras pessoas com dificuldades, pois “se Deus era bom com ela, também ela devia ser com os outros”. Que pessoas tão bonitas e com um coração tão grande que por vezes temos a honra de conhecer! Passado um bocado, chegam o M, o D e o Y (chamo Y pois ninguém sabia o nome dele...). Incrível como apareceram todos, apesar do mau tempo. Infelizmento o E não pôde aparecer, pois estava adoentado. Nada de grave, porém. Esperamos vê-lo no próximo domingo! Falámos sobre vários assuntos, e na hora de ver o que cada um tinha nos sacos, vimos que o M. gostava muito de salsichas, pelo que o Y. logo lhe deu as suas, o que deixou o M. radiante. Foi outro momento mágico nesta noite gelada... Passado algum tempo de agradável convívio voltámos ao CREU. Influenciado pela conversa das latas de salsichas e atum, eu próprio comi uma lata de atum quando cheguei a casa. No entanto o meu estômago já ia cheio, não de comida mas de alegria por ter passado uma noite fastástica e muito enriquecedora...

Uma boa semana para todos,

Raul

segunda-feira, abril 30, 2007

Crónica IPO 21.04.2007

No dia 21 de Abril de 2007 passámos uma tarde diferente, no Instituto Português de Oncologia do Porto, no piso de pediatria. Foi uma tarde bastante animada, onde felizmente não faltou alegria e atenção para todas as crianças que se dirigiram à sala de jogos. Surgiram crianças de várias idades, acompanhadas quase sempre dos respectivos pais. Sem reservas, tratámos de animar não só a criançada como também os familiares, procurando que todos nos acompanhassem nos jogos e brincadeiras, e ajudando-nos a relacionarmo-nos com os miúdos. Tudo serviu para animar a tarde, desde o imprescindível karaoke da Floribela, até aos jogos de Lego ou de Playstation. As crianças que por alguma razão tinham de ausentar-se da sala por alguns minutos, prometiam rapidamente voltar, o que acabou sempre por acontecer para muita alegria nossa, pois era um sinal de que estávamos a chegar até eles, e de certa maneira, a fazer bem o nosso “trabalho”. Foi um prazer fazer e ver estas crianças sorridentes, mesmo as que chegavam mais relutantes e um pouco inibidas pela presença de tantas caras desconhecidas. A boa disposição esteve sempre presente, mesmo na hora da despedida, sempre com muitos sorrisos e brincadeiras.

“A melhor maneira de tornar as crianças boas, é torná-las felizes” - Oscar Wilde

Abraços sinceros, em especial para todas as crianças : )

Tiago Cabeçadas

sexta-feira, abril 27, 2007

Crónica da ronda de 22/4/2007 (Boavista)

Começámos a ronda com a habitual azáfama de introduzir as comidas nos sacos, separando tudo e tentando pôr tudo para ninguém ficar sem algum dos bolos. Fizemos a oração, desta vez com a Sabina e lá partimos para os nossos amigos “domingais”, a Benedita, a Joana, o Rui, o Sérgio e eu.

Fomos directos ao novo lugar que o Sr. Z. nos disse que ia estar, mas não o encontrámos por aquelas bandas.

A D.F. e o Sr. V. lá estavam no seu sítio, já regressada de Lx, com o inseparável amigo, o Leão, agora bastante maior!

Falámos um pouco e sobre a sua ida lá, sobre as diabetes que têm e com as quais deve ter extremos cuidados pois já devem ser de um grau bastante elevado (no domingo estava c a cara toda vermelha), do filho que está preso, das amigas da rua, e de muito mais.

Pouco tempo depois, chegou também o Jorge a juntar-se a nós. Com o Sr. V., falámos 1 conversa 1 bocadinho mais séria que o habitual e um pouco surreal: sobre matar pessoas. Disse-nos que estava com vontade de matar um vizinho por confusões com o parque de estacionamento.. Disse-lhe que matar não era solução, não tínhamos esse direito sobre a vida do outro. Contou-nos que tinha morto o pai num dia em que estava bêbado, o que o traumatizou bastante… mas que mesmo assim não o impede de querer matar este homem também… O que vale é que acho que ele diz estes desejos da boca para fora…!

Nesta paragem não estava o Sr. M., algo que já começava a não ser habitual, e então seguimos para o Sr. Z. Ele lá se encontrava no local da semana passada (daí não estar no jardim onde o procurámos no início da ronda), mas despachou-nos muito rapidamente: queria trocar de roupa e estava ali à espreita a ver se ninguém passava…! ;)

Assim, seguimos pela Av. Boavista em direcção ao P., uma vez que o Jorge tinha ido ter connosco de propósito p/ marcar encontro p/ o dia seguinte com ele no CAT. Ao fim de algum tempo a procurá-lo, lá o chamámos, marcaram o local e as horas, mas entretanto já sabemos que não foi. Em princípio deve aparecer na próxima 2ªf, já que não é possível mais cedo. Esperamos que seja desta!

Por ali estava também o P., sem a sua mulher, a P., já que esta agora trabalha e sai tarde do restaurante. Como ela já ia ao CAT na 2ªf c/ a patroa, ele combinou que também ia e, entretanto, já sabemos que FORAM OS 2!! ENTRARAM P METADONA!

Ainda fomos à Av. B. para tentar estar com o A., rapaz que encontrámos na semana passada, mas não o vimos por ali. EM vez dele, conhecemos o R. que nos contou um bocadinho da sua vida. Está no Porto há 2 anos, na rua há 1ano e 3 meses. É toxicodependente. Anda por aquela zona, vamos tentar passar lá sempre. Tem ar de boa pessoa, sabemos que não é um toxicodependente de último grau, por isso uma aproximação constante é importante nesta fase.

Por fim voltámos à rotunda e estivemos com o Sr. A., o Sr. A. De sempre, bem disposto. Falámos um pouquinho, mas não muito, já era um pouco tarde.

Acabámos como sempre com uma oração final e lá partimos par as nossas casas, pedindo forças para cada um deles, pensando nos desafios de cada um.

Um bjinho,

Ana Barbosa de Carvalho.

quinta-feira, abril 26, 2007

Ida à aldeia

Olá people,

No próximo sábados temos aldeia, por favor tomem nota, esqueçam todos
os compromissos marcados e juntem-se à caravana! A vossa presença é
indispénsavel, que o digam os nossos "queridos velhidos" de Candemil,
Bustelo e Ansiães.

Para melhorar a coisa, temos ainda um almoço partilhado com o Núcleo
Dinamizador, devidamente condimentado com algumas iguarias locais,
agendado para as 12h.

A partida está marcada para as 10h00 no local do costume.

Peço a todos que confirmem a sua presença/ausência, como
habitualmente, para facilitar a organização deste dia.

Beijinhos e abraços

Rui

terça-feira, abril 24, 2007

Crónica da ronda de 15/4/2007 (Boavista)

Equipa de 5 completa. A noite começou muito agitada. No arranque além de sermos 25, tínhamos a companhia de dois grupos que vinham connosco, e, como se isto não chegasse, o nosso grande patrocinador dos telemóveis compareceu (Obrigado Sr. L), além ainda do nosso mais novo voluntário, o Raúl. Com tantas coisas ao mesmo tempo, após a oração foi um arranque atribulado em especial para mim, que tive de me ausentar porque foi um fim de semana louco, e o prazo para entregar o IRS acabava dali a 60 minutos... foi num instante.
A D. F não estava, foi a Lisboa. Não vimos o Sr. Zé. Numa nova paragem encontramos o A., que eu já conhecia de anos antes em frente ao JN, é um caso a ajudar, ele que é de tão longe... Do outro lado estava um jovem a dormir ferrado e para primeira aproximação não é boa ideia acordar quem tão bem dorme.
O PeP vão amanhã CAT de Matosinhos! Vamos a ver se é desta! A P tem uma senhora que a ajuda e que a vai receber em casa! Obrigado Sr.a Patroa! E que lhe arranjou emprego mesmo sabendo toda a história... Fomos lá almoçar na 5a feira e dar força.
O P também está com vontade de ir ao CAT e quando soube que a demora no processo já não é desculpa, alinhou e fiquei de lhe dar uma resposta para irmos na 4a, mas o CAT está por azar com várias indisponibilidades na excelente equipa e por isso ficou para a 2a feira seguinte [ele não compareceu ao combinado, ainda não sabemos porquê. Foi apenas a 1ª tentativa.]
Encontramos o Sr. A, estava com boas cores, com a questão do tribunal mais esquecida, dei-lhe um daqueles abraços que ele precisava. Terminamos em paz, com a nossa oração e agradecendo estes caminhos novos que apareceram, muita força para vocês todos.

Jorge

sexta-feira, abril 20, 2007

1ª Crónica do IPO (14/4/2007)

Em cada Sábado aprendo uma lição de vida e o desta semana não foi excepção...foi verdadeiramente especial!

Chegámos ao IPO, eu, o Luis, a Francisca e a Filipa, ansiosos para ver quem eram as crianças que se encontravam lá e para saber o que nos reservavam.

Entrámos na salinha dos brinquedos e nada...estava vazia! Fomos então pelos quartos fora, tentar “angariar” crianças. A todas as portas que batiamos recebiamos uma resposta negativa; há muitos momentos em que estes meninos se sentem extremamente cansados, sem terem vontade sequer para brincar. Na última porta, quando já estavamos a perder a esperança, encontrámos o H. que, mal ouviu falar em sala de brinquedos começou a pular em cima da cama, todo contente, e pediu à mãe para o ajudar a ir para lá.

Mal entrou dirigiu-se à cozinha de brincar, para nos preparar uma excelente refeição, que comemos todos deliciados. Em seguida era a hora de limpar, e nem imaginam como ele era limpinho e arrumadinho! Pegou num paninho e limpou tudo; até mesas e cadeiras. Terminada a tarefa, chegou a hora de matarmos animais. Ia, todo contente, dizendo nomes de animais (galinhas, coelhos, vacas, porcos, “hipepótamos”), enquanto que a mim, ao Luis e à Filipa cabia o árduo trabalho de os matar, fazendo o H. rir-se às gargalhadas. Entretanto já tinha entrado mais um menino, o B, que se entretinha com jogos de computador, ajudado pela Francisca.

Depois de todas estas tarefas domésticas, o nosso amigo decidiu que queria cantar. Pusemos então o karaoke da Floribela e dos Morangos com Açúcar para ele cantar connosco, mas o H. encheu-se de vergonha e ficou apenas a ouvir-nos cantar. Entretanto, as nossas melodiosas vozes atraíram mais uma menina, a F., que mal falava mas que ficava toda contente a ouvir-nos e pedia sempre mais.

No fim da cantoria, como o B. já tinha ido para o quarto, acompanhado pela Francisca que ficou lá com ele o resto da tarde, resolvemos ir para o computador, onde o H. se entreteve a jogar até à hora do lanche.

Com a barriguinha cheia, quis voltar às cantorias. E desta vez acompanhou-nos!!! Hehehe. Dançámos, cantámos e rimos ao som de Floribela até estarmos todos exaustos e até ele descobrir o piano, com que se entreteve até ao fim.

No fim custou ir embora...estavamos todos cansados, mas a tarde foi optima e custou despedirmo-nos daquela criança tão especial que nos contagiou com toda a sua alegria e energia.

Ficamos agora à espera da próxima visita! :)

Inês Bessa

sexta-feira, abril 13, 2007

Crónica da ronda de 8/4/2007 (Boavista)

Partimos para mais uma ronda, animados pela oração e pela vontade de ajudar.

A primeira paragem foi na D. F e seu inseparável companheiro, o "temível" cão de nome Leão, com um peso aproximado de 2 Kg e umas assustadoras mandíbulas de 3 mm J. Apesar de todas as doenças, a D. F mantém uma boa disposição admirável, que exterioriza no seu tom de voz capaz de acordar toda a vizinhança. Nessa noite, fez-nos um pedido especial: se lhe podíamos trazer um saco de "farinha milho", destinado à confecção de umas tão portuguesas Papas . Naturalmente, vamos tentar satisfazer esse desejo.

Passámos depois no sítio habitual do Sr. Z, que não estava, provavelmente por ainda ter dinheiro para dormir na pensão.

A última paragem foi, como habitualmente, na zona do Bom Sucesso, onde acompanhamos vários sem-abrigo, alguns de forma sistemática, outros ocasionalmente (os "nómadas", que nunca estão no mesmo sítio às mesmas horas). São os casos do JP, da P, do Z e do X. Curiosamente, nas últimas 2 semanas, temos estado com todos eles. A consequência mais visível foi a "crise" que se abateu no fornecimento de chá. Pela primeira vez, o tão apreciado líquido esgotou antes do final da ronda. Quando nos dirigimos ao Sr. A, a última pessoa que costumamos visitar, não tínhamos chá para oferecer, o que nos deixou um bocado "sem jeito". Tanto mais que nos últimos 15 dias, o Sr. A tem andado alterado, muito diferente do Sr. A que nos habituámos a visitar. Notamos nele muita revolta e rancor, muito provavelmente devido ao processo judicial onde foi envolvido, aparentemente de forma injusta.

Para não acabar esta crónica com um facto triste, falta referir a situação do casal P e P. Temos conseguido estabelecer uma relação cada vez mais próxima com os dois, o que poderá ajudar no processo de desintoxicação por que tanto ansiamos. Ficámos também a saber que a P arranjou um emprego, o que nos deixou ainda mais esperançados numa futura recuperação.

Terminámos a ronda com a habitual partilha e oração.

Boa semana

Sérgio Costa

Ronda de 8.4.2007 (Sta. Catarina)

Rondei só com a Benedita, o que foi sintoma de noite pouco voluntariosa mas em contrapartida possibilitou arejar a ronda. Para os sem-abrigo, rever uma cara não habitual e sentirem dimensão do grupo; para nós, perceber modos diferentes de abordar e estar, aproximar os percursos.
Com eficácia no início, chegando cedo e adiantando os sacos conseguimos sair às 'e meia'. Deste modo, e ao contrário das últimas semanas, não ouvimos repreensões pelas horas tardias. É mesmo importante manter este horário.
Começámos pela D.E. e Sr.F. na 'casa velha'. Muito o de sempre: recepção e descida de escadas em resmunguice, mas logo cá em baixo sorrisos e abraços. o Sr.F. melhor das dores da perna, mais erguido, com melhor ar. Ela, 'atendeu-nos'!...
Ali ao lado, estivémos com o E. Não aceitou os doces porque está com dores de dentes. A Benedita recomendou-lhe passar na Universidade Independente ao Jardim de Arcad'água - o que foi óptimo porque eu só sabia das enormes listas de espera da Faculdade de Medicina Dentária ao S.João. Percebemos que a sua ausência nas últimas semanas se deveu a uma estadia de trabalho em Vila Real, numa quinta a guardar animais. Comprou calças e sapatilhas e guarda agora 50€ para ir para França ou Espanha, está para decidir...
Seguimos para a Praça e aí acabámos os sacos. Ao fim já houve que roubar aos 'reservados' para não deixar de mãos a abanar tipos com mais necessidade do que a F. e o P. que a seguir visitariamos. A T. apareceu com novo companheiro, que percebemos estar bebido e portanto não nos ter parecido grande aposta... O J. já só o vimos mais tarde quando passávamos só de carro. O M. pediu ajuda para ir ao CAT, desistiu de ir com a mãe, como estava previsto. À partida só para a semana. Com ele estavam dois sujeitos que não conhecíamos mas que também agarraram a ideia. Deixámos morada de Matosinhos e nome do Fernando. A ver.. De resto as pessoas do costume, à velocidade apressada da Praça.
A F. e o P. melhor do que eu esperava. Ele perdeu mesmo o filho mas já não houve aquele discurso de revolta e vingança! Falámos ao contrário de recomeço e procura de trabalho - e de novo a Benedita deixou esperança com o nosso 'banco de empregos'. A F. é um importante equilíbrio pela sua doçura e simplicidade, e intuição para o bem. Queixa-se cada vez mais da perna. Expliquei-lhe do desfalque no saque e ela apoiou! Iam na segunda-feira ver os filhos dela e ele sorriu como que sentindo mais seus os dela! Ao telefone com o rapaz ficou embaraçado porque lhe tinha mandado um beijo..!
Terminámos ao passar de novo na Praça e parar com o I. Outra vez em baixo, para baixo, magro e sujo. Voltei a desafiar para a segunda tentativa no CAT. Sem primo, sem mim, quer fazer por si próprio. Toquei-o e animei-o quanto pude.
Eu e a Benedita conversámos sobre isto de o que dizer a quem perde um filho, nós que não somos pais... O que dizer a quem está enterradíssimo na droga, nós que nunca consumimos sequer e dependência é coisa que não sabemos a que sabe... Rezámos por todos e reconhecemos a ressurreição não como 'acto único' de um Jesus de há dois mil anos, mas de tantos pormenores, de tantas passagens de tristezas para sorrisos, de tantos pequenos avanços, de cedências para esperanças! É aí que está o Ressuscitado, que só foi reconhecido pelos apóstolos por sinais por cima da trivialidade

Crónica da ronda de 11/3/2007 (Sta. Catarina)

Esta foi uma ronda que começou com três grandes “Obrigada!”: o primeiro “Obrigada!” ao Luís que, após uma paragem no seu contributo para o FAS, voltava a prendar-nos (e aos nossos SA) com a sua presença, contacto, pessoa e ajuda; um segundo “Obrigada!” a todos aqueles que, com a sua renúncia na Operação Sanduíche possibilitavam mais um domingo de sacos oferecidos; e um último “Obrigada!” à Marta, namorada do Pedro, que amavelmente nos emprestava o carro, resolvendo uma peripécia de falta de transporte que nunca antes nos tinha acontecido e sem o qual poderíamos fazer a nossa ronda! Com a Mafalda a poder “partilhar-se” connosco só no momento da oração (já que a sua vida agora não se faz só pela Invicta), com um elemento novo, e após resolvido o transporte, seguimos no caminho da noite que nos leva a quem tanto amamos.

Como costuma ser clássico, a primeira paragem deu-se no actual abrigo dos nossos queridos D.E e Sr. F., do qual o filho D. tinha saído poucos minutos antes, não sendo por isso possível cruzarmo-nos com ele, infelizmente. Mantendo-se teimosamente instalados na c.v., tivemos a “sorte”de os apanhar bem dispostos, já que esta recente mudança tem levantado, por vezes, a algumas divergências. Mais uma vez abordámos a questão da segurança, da humidade para os problemas de saúde Sr. F., do perigo de derrocada, das precárias condições de higiene etc.. enfim, problemas dos quais facilmente poderiam privar-se. Mas este é sempre um ponto de discordância com a nossa querida e teimosa D.E, pequenina mas rabina, que acaba por ir levantando gradualmente o tom de voz e a velocidade com que fala, até termos a polícia (que já por ali andava…) a vir-nos perguntar o que se passava. Tratava-se de uma noite estranha, St.C. estava com um ambiente completamente insólito a pairar no ar, não muito comum e com muitos carros de patrulha nas redondezas que, com natural desconfiança, reagiram perante aquele que sabemos ser o natural modo de falar da D.E quando tocamos neste assunto. Enfim, passado este incidente, abraços fortes, repetições do “por gostarmos muito de si é que dizemos isto” e sorrisos refeitos. No meio de tanta dificuldade em entender e ceder não deixa de ter uma piada estonteante o modo como ela muda a conversa, ou não deixa falar, e os paralelismos doidos que faz, como os do gato (para quem esteve presente sabe do que falo, e aposto que se está a rir!). Esta foi uma paragem onde estivemos também com o Sr. M, bem disposto e partilhando da nossa preocupação com os instáveis candeeiros, que a qualquer momento poderão cair… Mais uma vez relembrou-nos do seu aniversário, que claro tínhamos bem presente! É tão lindo, a meu ver, como todos nós, independentemente das nossas fragilidades, condições, erros ou falhas, temos em comum uma natural empatia com o afecto, com o momento da companhia com o outro, com o contacto com o outro, com o carinho do outro ao lembrar-se de nós, nem que somente através da figura de um simples bolo e de uma desafinada cantoria… dá que pensar.

Pós Stª.C., B., onde estivemos com todos aqueles que são mais flutuantes, mas com quem vamos ganhando mais contacto e laços, aos poucos. Entre eles os fixos, como o J. e a C. já de pazes feitas (esperemos que duradouras…), o M. (sempre cómico e bem disposto, desta vez só reclamando com a pouquíssima quantidade de açúcar no café!!, dizia ele: “5colheres de sopa no mínimo, por copo!”), ou o E., que ainda que visivelmente abatido e cansado se deixou consolar com o café amargo (a cada um o seu gosto e paladar) e ficou deliciado com as fotos (e mensagens) que lhe oferecemos, retiradas do filme da Mafalda, que sem o contributo deles seria impossível fazer. O nosso Sr.L. tinha ficado na pensão por não se sentir muito bem disposto, mas também para ele enviámos fotografias e o saco, símbolo da nossa constante lembrança e carinho. Entre bolos e café, com muito frio à mistura, a nossa paragem ali acabou em quentes pedaços de Fado, fantasticamente cantados pela D.B. A noite ia ficando cada vez mais quente e a ronda, de facto, especial. Sempre estranho é o caso do S. J. com histórias de intensa perplexidade e promiscuidade, que julgando-se profeta e enviado acaba por nos contar coisas incrivelmente estranhas e surreias…

Com o E. connosco no carro (a quem oferecemos boleia para ver se ia de vez para casa descansar), seguimos ao encontro da F. e P. Ficando a aguardar dentro da viatura (já que estava muito frio cá fora), o E. esperou que ouvíssemos as boas novas sobre emprego da F., além de rirmos sobre o mau jeitinho da Raquel para a cozinha, e tentarmos, mais uma vez, sensibilizar o P. para o mesmo caminho de procura de trabalho e ocupação. Eles são os dois muito amorosos e queridos, por isso, ainda que não tendo sido uma paragem muito morosa (a F. teima em vir muito mal vestida para a rua, estando sempre a tremelicar) foi um momento de contacto intenso e intimo entre todos.

Já sem sacos ainda parámos na loja C., esperando ver o B. ou os E., de quem já não temos contacto há algum tempo. Esperemos que todos estão bem e que este sinal de ausência seja positivo… Aguardamos e vamo-nos mantendo atentos.

A nossa oração final foi ao pé da casa do Vasco: eu, o Pedro, o Vasco e o Luís. Foi uma noite, de facto, especial, uma ronda simples mas com um toque de presença e de contactos muito activos, que nos deixou a todos um pouco mais plenos, e ao Luis com as honras feitas de uma “casa dos sem casa da noite”, que se abriu no todo para o receber, com tudo o que há de mais belo e de mais feio, mas que assim o é pelo simples facto de sermos, cada um de nós e deles, pessoas incompletas e humanas, com melhores e piores momentos, mas em busca… em busca de algo maior, ainda que à medida de cada um.

A todos, Obrigada.


Raquel

quinta-feira, abril 12, 2007

Crónica da ronda de 8/4/2007 (Areosa)

Ressuscitou Deus em nós e partimos também com a vontade de O ver nascer de novo nos amigos que temos na rua.
O sr. Z. lá estava em casa da S., como é hábito... feliz e conversador desde a semana passada!
A S. já estava a descansar, mas levantou-se para nos receber mal nos viu! Sempre um amor... marcamos definitivamente a nossa ida em família ao "Arrasta o pé" :)
A natação e o tai-chi vão começar a fazer parte dos dias da S., não cabe em si de tanto entusiasmo!
Ficamos preocupados com a quantidade de medicação que tem para tomar! Em tom de segredo lá nos confessou que o dinheiro nem sempre chega para a medicação, e que, por isso nunca a cumpre por completo! É uma dificuldade muito grande tentar contornar este problema! Receitas em papel não melhoram nem curam... e ninguém parece sensível a isso! :/

Na Casa abandonada estavam todos conversadores... Jesus andava verdadeiramente no ar... e irradiava de todos eles! O R. e o P. mostraram como nunca vontade de entrar no projecto do Porto Feliz e sair da rua.
O L. parecia cansado daquela vida e desanimado com a sua própria falta de força para terminar os tratamentos que já teve oportunidade de começar, sem recaídas... como já aconteceu por duas vezes... sente-se agora mais desamparado porque sente que já não acreditam nele... será que podemos fazer alguma coisa em relação a isto?
O sr. R. e o sr. A. apresentaram-nos o D.. Encontraram-no a dormir no jardim, assim já tão novo. Ficou sem documentos, e, por isso ninguém o aceita em nenhum trabalho. Pediu a nossa ajuda. Os pais são angolano e indiana, mas, como tinha nascido em Portugal uma ida à Loja do Cidadão deve chegar para voltar a ser ele aos olhos do mundo.

Já na Areosa, o sr. M. voltou à alegria contagiante tão própria e a que nos foi habituando! Gostamos mesmo da companhia uns dos outros e isso vai-se reflectindo e sentindo em pequenos momentos, pequenos sinais... já tinhamos mesmo muitas saudades sr.M.! :) :)
Fomos por último visitar o sr. J. e a D. I.! O sr. J. continua a trabalhar e pareceu-nos feliz... ia passar o dia a passear pela cidade já que não trabalhava na 2ªfeira! Dizia até já estar cansado de férias! :)
A D. I. estava já a descansar, como é costume... bebeu o leitinho com café e acompanhou com os bolinhos de que ela tanto gosta e fomos conversando...

Acabamos com a certeza de que fazem todo o sentido as nossas noites de Domingo! A paz...

Andreia Gil