quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Até sempre, Mafalda

Para a Mafalda - "mãe" do nosso grupo - que ontem se despediu do Porto, um grande abraço nosso, por todos os que soubeste acolher, pelo que criaste e pelos frutos que aos poucos amadurecem. Sabemos que estás no caminho certo. Que a vida te sorria como tu fazes, cheia de brilho nos olhos. Saudades e até sempre, amiga!

Formação em alcoologia

Amanhã, 5ª feira dia 15, o FAS Rondas promove uma sessão de formação em alcoologia com o Dr. Jorge Topa , Assistente Social do Centro Regional de Alcoologia do Norte (CRAN). Começa às 21:30 no CREU e, tal como as outras formações, é gratuita e aberta a todos os interessados.

sábado, fevereiro 10, 2007

Crónica das rondas de 04/02/2007 (Batalha + 6º trajecto)

Desta vez o 6º trajecto estava reduzido a mim, pelo que me juntei à Manela e ao Luis para juntos percorrermos os caminhos das duas rondas.
Começámos pelo Sr. D, que dormitava já. Sorriu quando nos viu, tranquilo por saber quem éramos. Aceitou umas calças e o café quente. Foi balbuciando algumas frases à medida que respondia às nossas perguntas. Voltou ao sono ainda enquanto falávamos - assistia de olhos fechados; achámos melhor sair e deixá-lo descansar.
Não encontrámos o Sr X, apenas um colchão e um monte de coisas que julgámos serem dele, ao alto, encostadas a uma coluna. O sítio estava limpo. Descemos e, aí sim, estava o casal esperado, a Sra A M e Sr Z. Muito sorridentes e carinhosos entre eles (e connosco) - foi assim que os conheci. Com o desenrolar da conversa percebi algum nervosismo da Sr A M, angustiada por estar para breve o ínicio da sua desintoxicação. Teme pela solidão do companheiro. Pediu-nos que jurássemos que o continuávamos a visitar, que o não abandonássemos. Envolta em lágrimas não parava de o olhar, afagando-lhe a barba e os cabelos. Ainda estaremos com eles mais uma vez antes da fase díficil que se aproxima.
Confirmámos que o Sr E não estava no seu sítio - fica sempre algum receio de que os internamentos não corram bem; não parece ser o caso. Procurámos o Sr VV (da nossa ronda) mas não o vimos nem aos seus cobertores... Avistamos, no entanto, alguém a dormir na entrada de uma casa, um pouco mais abaixo. Estava de tal modo embrulhado nos cobertores e dormia tão profundamente que achei por bem não acordar - tentaremos na próxima ronda.
Seguimos então para o J (também da nossa ronda). Como é costume já dormia, mas não se importa que os acordemos. Conversamos pouco, talvez pelo pouco à vontade com as novas visitas. Depois de nos despedirmos, já a Manela e o Luis voltavam ao carro, fez um desabafo, nada de importante, mas que me prendeu. E a sós já conseguiu falar um pouco mais. A exclusão começa a ser uma realidade: ser mal visto e indesejado por quem não gosta que durma ali, é desconfortável e deprimente. Não exlcui a procura do rendimento mínimo e até de formações que concretizem o potencial que tem.. Alguma vontade mostrou, a ver vamos se a preguiça não vence desta vez também.
A última paragem foi no senhor J. Estava animado, naquela semana tinha entrevista no Porto Feliz. Divagámos sobre as obras naquela rua, mas nada o desviava do dia da entrevista - por aí percebemos o quão motivado e empenhado estava. Esperemos que corra tudo como mostrou que gostava que corresse.
Acabamos a noite à porta de minha casa - que luxo! - com uma oração de esperança e confiança endereçada a cada amigo e a nós mesmos.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Não faltar!

Amanhã 5ª feira, Formação em Oncologia!
Local: CREU
Início: 21:30

NOTA: aberta a todos os interessados e gratuita!

Ida à aldeia

Oi malta!

É verdade, este fim-de-semana regressamos a Candemil e restantes
localidades envolventes. Será um dia longo, com um final em grande, pois
temos também a Festa do Fas.

A partida está agendada para as 10H no local do costume. Vamos ter um
almoço especial com a participação dos elementos do Núcleo
Dinamizador. E depois as tradicionais visitas. Não se esqueçam de
levar os comes e bebes para partilhar.

Peço a todos que confirmem a presença ( com excepção do Jorge e do
João)

Beijinhos e abraços,

Rui

Crónica da ronda de 04/02/2007 (Boavista)

A nossa noite de Domingo começou, mais uma vez, com os elementos de todas as rondas juntos. Depois de uma breve oração sempre a anteceder as nossas partidas, e depois de separarmos os sacos e os bolos a levar (muitos deles vindos de donativos de pastelarias), lá partimos rumo ao nosso primeiro e habitual destino

A D. fátima já tem o cachorro novo, de nome Leão, surreal porque de "leão" para já o cão não tem nada!!
Tentamos falar com ela no sentido de percebermos até que ponto existem ou não papeis para uma casa. A D F. e o Sr V. viviam num barraco que ficou completamente inundado com as últimas chuvas, por isso tiveram de passar a dormir no parque do lima 5. Assim, ficamos a saber que as únicas pessoas que passaram por lá a recolher dados foi a polícia municipal, provavelmente porque está pensada uma nova construção no terreno do barraco, vindo este obrigatoriamente a baixo.
não trouxemos muitos mais dados do que aqueles que já conhecemos porque a D. F. não tinha consigo os documentos, mas ficou de os levar no próximo domingo.
Com toda a conversa da casa nova ficamos com a certeza de que a D. F. nunca fez nada para ter uma casa nova e que vive a achar que todos lhe devem uma casa e melhores condições de vida, esperando que o outros façam tudo por si!
Acabamos por não deixar saco para o sr M. que já não vemos à muito tempo e seguimos viagem.
Descemos pela constituição na esperança de encontrar o Sr Z, mas não o vimos, o que é estranho porque ainda nao deve ter recebido o subsidio e por isso anda a dormir nalgum cantinho da rua.
Fomos para o bom sucesso e encontramos logo o Sr A, com a boa disposição do costume apesar da debandda de um dos gémeos. Não sabe dele, mas acha que deve estar com a irmã.
Finalmente sabemos os nomes do gémeos, isto porque smpre qu falava-mos neles era o número um e dois!!!O número dois foi o que saiu de casa, F. este é o seu nome e o que ficou é o M.(espero não estar a confundir!).
Lá desabafou mais uma vez todos os problemas que tem dentro de casa. Da culpa da mãe por não fazer dos gémeos homens, das filhas que não lhe ligam, do neto que nasceu e que não conhece... da solidão que tem dentro de casa.
Não é fácil lidar com dois "adultos" de 30 anos, que nunca trabalharam, têm cama, comida e roupa lavada sempre e ainda por cima recebem um subsidio!!!
Mais uma vez demos força ao Sr A. para continuar em frente e despedimo-nos.
Fomos para o convivio mas não vimos ninguém, a policia andava por lá. Como ainda tinhamos muitos sacos fomos deixá-los ao aleixo.
Apesar de já não ser a primeira vez que passamos lá, não consigo ficar impressionada com a degradação das pessoas que lá estão, com a pobreza, a fom, o frio, o desespero.
Depois partimos para o sítio onde o P. e a P. teem o carro para ver se os viamos, mas nada deles.
Ainda ficamos um bocado por lá a pensarmos na "sorte" que eles tinham em terem um carro onde dormir, na vida que tinham antes de se meterem na droga, em tudo o que perderam e da vontade em recuperarem, mas a ressaca, matreira, não os deixa avançar até ao CAT.
Na esperança de ainda os vermos, ao voltarmos para o CREU passamos no convivio. Não os vimos e terminamos a noite com a partilha habitual, pedindo por todos os que vimos e os que não vimos e também por cada um de nós.

Benedita Salinas

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Crónica da ronda de 28/01/2007 (Batalha)

Foi no dia 28 de Janeiro que a ronda da batalha se reuniu para concretizar mais uma ronda dominical.

O grupo, apesar de incompleto, incluía a São, a Manela, o Luís, a Sabina e a Inês Bessa. Confiantes que iria ser uma noite em que os ânimos não seriam fáceis de controlar, o grupo partiu em direcção à primeira paragem da noite, o sr. D. O cenário que o grupo encontrou não foi o melhor. O sr. D. que já não é um senhor propriamente novo encontrava-se imerso numa forte febre que o deixava com dores de cabeça e arrepios. O grupo, consciente da sua responsabilidade, prontificou-se a ir buscar um chã ao sr D. e a telefonar aos Médicos do Mundo, para que eles passassem por lá no dia seguinte, a fim de perceberem o que o sr D. tinha e medicá-lo.

Depois desta conturbada paragem, o grupo seguiu para o local onde habitualmente o sr F. Dorme. Aqui, o grupo deparou-se com um local vazio, já que os pertences do sr F haviam desaparecido. Apesar disso, foi com um grande sorriso que o sr F. Recebeu o grupo. Estava muito bem disposto e manteve uma longa conversa com o grupo.

Depois, foi a vez de fazer uma paragem pelo sra M e o acompanhante. A sra M mostrou ao grupo a prova física que comprovava que estava de facto empenhada em deixar o álcool e que se estava a preparar para ser internada. Para isso, a sra M. recebe todo o apoio do seu acompanhante. É de facto inspirador perceber que este casal, apesar das intempéries, continua unido e empenhado na união.

Por fim, foi a vez do sr E. que recebeu o grupo com grande entusiasmo. Foram bons momentos de confraternização, que contaram - para além das grandes saídas da nossa querida São – o João, que conhece muito bem o sr E. Este parecia um pouco desanimado, mas o grupo deu, aparentemente, um novo ânimo e motivação.

O grupo acabou a sua ronda, conscientes que apesar das dificuldades alcançadas e da pouca margem de manobra que têm para actuar, fazem parte da vida destas pessoas e que podem alterá-la substancialmente. Ignorar este facto, não seria de todo uma atitude sensata.

Boa semana.

Luís Silva.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Crónica da ronda de 28/01/2007 (Boavista)

Noite fria com ameaça de chuva, dois motivos adicionais para mais uma ronda de apoio, alguma comida e café bem quente. Primeira paragem, D. F, nas imediações do Lima 5. Tal como tem acontecido nas últimas semanas, a D. F não se encontrava no seu abrigo, pelo que se decidiu regressar no final da ronda.
Descendo a Constituição, encontrámos o Sr. Z a entrar na caixa multibanco que costuma utilizar para dormir. Estranha sensação a de ver um homem a dormir no chão, sob o "olhar" sorridente de dois cavalheiros de smoking, anunciando num cartaz mais um produto prestige. Tanto mais, sabendo que o Sr. Z já foi uma pessoa com uma vida familiar estável e um negócio próprio.
Após uma longa conversa (o Sr. Z gosta de conversar e não foi fácil explicar-lhe que mais gente esperava por nós), partimos em direcção ao bingo da Boavista esperando encontrar o Sr. P, mas encontrámos apenas um seu "ex-companheiro de casa", com quem conversámos, chegando à conclusão que já é visitado por outra ronda no Bairro do Aleixo. Seguimos então para a zona do Bom Sucesso, à procura do P e da P, tendo pelo caminho encontrado o Sr. A, Ucraniano, com quem trocámos algumas palavras. Pelo que nos disse, vai regressar à Ucrânia em breve, embora não tenha explicado como e o seu aspecto seja muito pouco saudável. Teremos de estar atentos nas próximas semanas, pois poderá ser mais um caso para acompanhar regularmente.
Quanto ao P e à P, decidimos fazer uma abordagem cautelosa em relação ao assunto CAT, pois já por 2 vezes disseram que iriam à consulta e depois faltaram. Naturalmente que não queremos deixar de os incentivar, mas pressionar em demasia pode ser contraproducente. A decisão terá que ser deles e não é fácil de tomar. Ficámos com a sensação que a P está mais motivada do que o P (que neste Domingo não veio ter connosco... estará com vergonha por ter faltado às consultas?), mas uma vez que existe uma forte dependência entre os dois, ela não irá sem ele...
Para o fim da ronda deixámos o Sr. A e o regresso ao Lima 5 para tentar encontrar a D. F. O Sr. A lá estava com a boa disposição do costume (e com a língua afiada em relação à assistente social, como de costume também) e esteve a falar um bocado do seu passado profissional. A D. F, que já se encontrava no seu sítio, também parecia bem disposta, para além de ter sempre resposta na ponta da língua para qualquer coisa que seja dita. Dissemos que talvez fosse boa ideia mudar a hora em que habitualmente a visitamos, pois queremos falar com ela e não apenas deixar o saco da comida, e ultimamente não a temos encontrado.
Voltámos ao local de partida por volta da 1 da manhã, tendo terminado a ronda com a habitual reflexão e oração.

Bom fim-de-semana

Sérgio Costa

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Crónica da Aldeia (27/1/2007)

Nesta ida à "aldeia" apanhámos o dia da inauguração da casa mortuária. A importância do evento encheu as pequenas ruas de Candemil de carros, o próprio café da associação estava reservado aos convidados que quisessem rematar a comida com um café, pelo que o almoço, o nosso, se impunha breve.
Após caminhada com passagem pelo outro café seguimos para as visitas. O Tiago e a Sara foram para Ansiães, a São e o António para Bustelo, eu, a Mónica e o Pedro ficámos em Candemil. Ainda em Candemil dividimo-nos e o Pedro acabou por fazer algumas visitas sozinho enquanto nós visitámos a Dona Cândida e a Dona Alda - é delas, então que vos falo.
Desta vez a gripe da Dona Alda não proporcionou grande conversa. E só a muito custo deixou que lhe aquecêssemos a água da botija e do saco de água quente. Retribui-nos os presentes de natal com uma surpresa cheia de carinho. E lá ficou, embrulhada em cobertores na sua aparente resignação ao estado febril, devolvendo sorrisos que trazemos e que nos fazem voltar sempre.
A Dona Cândida já tinha a perna mais curada, "graças ao anjo" do seu irmão. Por isso estava mais dinâmica, tanto que nos preparou um chá e biscoitos (entretanto uma sobrinha sua chegou da inauguração com bolo e bola de carne) e juntou-se connosco à mesa a lanchar vigorosamente! É impressionante a gratidão de alguém que só visitamos de 2 em 2 semanas. Contemos aquilo que só os outros nos mostram que existe. Tentamos mostrar também o que neles existe e que não vêem.
A restante ronda decorria e acabava com normalidade, juntámo-nos num encontro rápido porque o frio nos expulsava do Marão. Partimos sempre na dúvida de nos acharmos plenos: por dar ou por receber?

terça-feira, janeiro 30, 2007

Adiamento da formação em oncologia!

Como no CREU vai haver um debate sobre o referendo ao aborto, a formação em Oncologia foi adiada por uma semana. Passa assim para o dia 8 de Fevereiro (5ª feira) na mesma às 21:30.

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Aldeia

Olá aldeãos,
era só para lembrar aos que se comprometeram a ir este Sábado (dia 27) que vamos sair às 11h. Levem comida para o almoço partilhado! E não se atrasem!...
Abraço!

Crónica da ronda de 21/01/2007 (Boavista)

A ronda começou com a oração que já é costume.
Partimos para a primeira paragem, no Lima 5 onde não encontramos a D. F., seguimos, então, para o Bom Sucesso, mas pelo caminho encontramos o SR. Z. Está mais uma vez a dormir nos mulibancos, o dinheiro não estica e ainda por cima roubaram-lhe os documentos todos. Lá combinamos com ele que iriamos tratar de soluccionar o seu problema e que iriamos com ele tirar os documentos.
Já no Bom Sucesso, começamos por encontrar a Margarida, que apressadamente pegou no saco e partiu para o seu "trabalho", disse-mos-lhe que da próxima vez tinhamos de conversar, que não era só pegar no saco e seguir viagem, ao que nos respondeu "entao vamos conversar do nada!".
Fomos á procura do P. e da P. na esperança de termos novidades da ida ao CAT de Matosinhos. Encontramo-los encharcados da chuva, a P. estava de chinelos encharcados, metia dó.O P. e a P não foram na segunda-feira passada porque no Domingo à noite a polícia tinha-os para Gondomar e eles só regressaram às 6h da manhã, além disso não tinham dinheiro para o metro. Falaram-nos da vontade de quererem ir na mesma ao CAT mas que não tinham ainda conseguido ir porque não tinham dinheiro para o metro. Depois de lhes explicar-mos que a ida ao CAT era crucial para a recuperação das filhas, que tinham a possibilidade de uma recuperação conjunta e que tinham o nosso apoio, pediram-nos mais uma vez ajuda. Combinamos com eles um ponto de encontro e fomos comprar os bilhetes de metro.
Depois dos bilhetes comprados passamos no sitio do costume do Sr.A. Apesar da chuva a sua boa disposição era contagiante, estava todo bem disposto a ouvir musica com o rádio que lhe demos. Depois de uma boa conversa que já é habitual com o sr. A., fomos à procura do carro onde o P.e a P. dormem e onde tinhamos combinado de entregar os bilhetes de metro.
Lá os encontramos, entrega-mos os bilhates e lá lhes demos mais uma vez força para irem ao CAT, onde tinham pessoas à espera deles para os ajudarem.
A ronda acabou no CREU com a partilha final, à ida para casa a Joana e o Rui voltarama a passar no Lima 5 onde encontraram a D. F. Tinha ido beber um galão por isso não a tinhamos encontrado. O Rui entregou-lhe finalmente as letras das músicas das Janeiras, conforme prometido.

Benedita Salinas

Crónica da Ronda de 14/1/2007 (Areosa)

Começámos como sempre com a Oração, porque o coração precisa de pequenos ritos que o preparem para as emoções dos encontros.

A primeira paragem foi na A. onde o M. nos esperava cheio de energia. Vê-lo crescer em confiança connosco é bonito demais e em pequenas brincadeiras vamos chegando ao seu coraçãozinho cheio de alegria. Dançámos até não poder mais...

A Sr. já estava deitada e estava o Sr Z sereno, como sempre à nossa espera. Deus nunca nos dá desafios maiores do que os que somos capazes de suportar e nesta passagem, nesta mudança de registo nota-se isso tão bem. Por um lado temos o M. cheio de uma alegria que nos deixa a transbordar e que temos de saber levar até à Sr. que esta semana estava triste. Tem um coração precioso que se comove facilmente e a pouco e pouco vamos dando uma ajudinha a lidar com as emoções. Porque somos os seus meninos e nos deixa tocar lá bem no fundo.

Os amigos do prédio esta semana foram de visita curta. Não vimos o J. de quem sentimos logo muita falta. O frio não é convidativo e apetece o quentinho. No entanto houve quem se aventurasse e ficamos assim, numa conversinha ao sabor do leitinho quente, a saber mais do S M.

Já tarde nas horas, porque esta ronda é perita em se fazer tardar, sempre por bons motivos =)Chegamos ao Sr M que depois da visita da semana passada voltou a perceber que ganha muito mais em nos receber bem logo de inicio. E assim foi, de barbinha feita e sorriso nos lábios nos falou da sua semana, por entre uma ou outra musiquinha, que nunca se cansa de cantarolar e que nos anima sempre muito.
Terminamos, como sempre na I. Com o leitinho com muito açucar. Porque gostamos de ser assim, uns Doces=)

Ana Paula Sampaio

quarta-feira, janeiro 24, 2007

a inssurreição do bem


«A minha mensagem? Há uma só, que é um grito: «Partilhai! Dai! Estendei a mão aos outros! Guardai sempre uma vidraça quebrada nos vossos universos bem almofadados para ouvir as lamentações que vêm do exterior.»
Abbé Pierre (1912-2007)

terça-feira, janeiro 23, 2007

Crónica da ronda de 14/01/2007 (Boavista)

Ronda de estreia para o Sérgio, é sem dúvida um facto de relevo, já que é a primeira entrada para o nosso percurso num ano.
Começamos pela D. F., sabendo contudo que esta não se encontrava no seu sítio, já que se havia deslocado a Lisboa para tratar de assuntos relacionados com o seu problemático estado de saúde. Ainda assim, e em respeito à promessa que havíamos feito na semana anterior, passamos por lá para deixar o saquinho. Partimos depois para a zona da Boavista, muito adiantados em relação à hora habitual, pelo que não foi surpresa o facto de não encontramos ninguém. A ronda tornava-se um pouco estranha, nomeadamente para o Sérgio, estávamos acerca de uma hora na rua e nem vivalma. Resolvemos então dar mais umas voltas, enquanto os ponteiros se acercavam do horário tradicional. Foi então que encontramos o P. e a P., como sempre a arrumar uns carros. A conversa começou pela sua não visita às filhas durante a semana, prolongando-se depois pela vontade destes entrarem para a metadona. Tentamos afinar as coisas de maneira a que na manhã seguinte fossem ao CAT. A esperança voltava a sorrir nos nossos corações. Despedimo-nos e fomos ter com a M., sempre muito absorvida pela tarefa de juntar os trocos suficientes para a dose, mas também simpática. A meio da ronda a Ana juntou-se a nós e partilhamos com ela o entusiasmo em relação ao P. e à P.
Por fim fomos ao encontro do grande Sr. A, parece ter recuperado de vez a boa disposição dos primeiros tempos da Ronda da Boavista. É um gosto encontrar uma pessoa tão animada depois das rondas, mesmo quando as estas não correm tão bem.
Grande semana para todos!

Rui Mota

Formação em oncologia

Olá a todos,

já está marcada a formação em oncologia, principalmente destinada ao grupo das famílias, mas aberta aos outros grupos e a outras pessoas interessadas. Ficou agendada para dia 1 de Fevereiro (5ª feira) às 21:30 no CREU. Lembro que nesse dia temos reunião (às 19:45), já com o novo formato, ou seja, reunião tripartida seguida de jantar partilhado em vez da reunião conjunta. Desta vez o jantar será um pouco mais breve por causa da formação. Brevemente será marcada a formação em alcoologia. Daremos notícias quando estiver confirmada a data.

Crónica da ronda de 21/01/2007 (Batalha)

Começamos com um momento de partilha de amizade e a nossa oração. Este domingo a dupla Manela e Sabina em acção. Já há algum tempo que a chuva não nos visitava nas noites de domingo, mas lá a enfrentamos.

Como visitamos o Sr. D. no dia dos anos, esta noite seguimos directamente rumo ao Sr. F. que estava naqueles dias de concentração extrema… A perfeição, concentração, empenho e educação são características que o acompanham! Insistimos numa conversa para desmistificar aqueles momentos (ou pelo menos tentar), mas percebemos que não estava muito receptivo. Vimos a nossa distribuição da “casa” do Sr. F., elogiamos a mudança e seguimos rua abaixo…

…e lá encontramos o casalinho enamorado! São um máximo… O Sr. Z. e a Sra. A.M. esta noite estavam sozinhos, pois infelizmente o Sr. M. fez das suas e o Sr. Z. não perdoa, pois “preza muito a amizade e a sinceridade”! Sinceramente achamos bem – no entanto não sabemos onde anda o Sr. M., esperemos que ponha a cabeça no sítio. Falamos um pouco com o casal e pareceram-nos muito bem, pois a Sra. A.M. parece cheia de força para se tratar, que alegria! Demos todo o nosso apoio e confortamos o casal com umas camisolas e uns casacos – estavam a precisar.

O Sr. J. esse deixou de aparecer, a esperança é que tenha sido ajudado por uma assistente social, pois havia uma perspectiva. O C. não o encontramos apesar das voltas que demos pela zona. No entanto, deixamos um saco a um senhor que encontramos na Rua 31 de Janeiro, mas como dormia (em posição estranha e profundamente) não achamos por bem acordá-lo.

Bem do P…. já nem contamos encontra-lo no sitio do costume, acreditamos que esteja junto da irmã. Mas o Sr. E. substituiu-lhe o lugar, mesmo que por pouco tempo (noticia recente), pois regressará dentro em breve “ao porto de abrigo” de onde saiu recentemente – o que para nós não deixa de ser bom, pois sabemos que está a ser cuidado como merece! Este domingo até contamos com mais um elemento, “o Fulano” – ambos ficaram radiantes por se reencontrarem… Partilhamos um momento mágico! Mas bem, desta vez vou terminar a crónica rapidamente, pois necessitaria de muitas palavras para descrever o nosso final de noite na Rua José Falcão! Não termino sem antes dizer que a cada dia que passa o Sr. E. é um amigo que nos “bate” bem fundo e que nos mostra, mesmo que seja nas entrelinhas das palavras que diz e escreve, que a vida é muito mais de que um simples quotidiano citadino que teimamos viver. Ficam pensamentos, promessas e vontade de reencontro próximo, e claro, um abraço aos que não estiveram connosco.

Uma boa semana e termino com um pensamento profundo (eheh):

“A preguiça dá trabalho e o trabalho dá preguiça!”


Sabina Martins

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Crónica da ronda de 14/01/2007 (Bonfim)

Depois de uma temporada afastados do blog, por termos a certeza de que os conteúdos das crónicas seriam por demais aborrecidos, eis que a ronda do Bonfim regressa em força, felizmente porque encontramos mais algumas pessoas que podemos ajudar.

O passado domingo foi para nós muito diferente do que têm sido ultimamente, muito mais gratificante e entusiasmante. A Ana Carvalho encaminhou-nos para um caso de família, no mínimo sui generis, que passaremos a visitar semanalmente, e sempre que for preciso.

Manel, Joana, Paulo, Ana Carvalho e eu partimos tendo como destino o bairro do Regado, um sítio obscuro, assustador, onde nunca esperaríamos encontrar o que encontramos. A Sr.ª H., do alto dos seus 72 anos, muitos dos quais passados em barracas, recebeu-nos muito bem na sua recente habitação neste bairro social. Raramente sai de casa, por motivos de saúde, o que faz com que habitualmente conserve uma lagrimita ao canto do olho e um “bau” como lhe chamou, querendo contudo dizer que de vez em quando “lhe dava o tau”… Mas foi com um grande sorriso que nos recebeu, ela e um dos seus “companheiros”, o J., que conserva o mesmo nome e talvez uma idade muito próxima do seu actual marido, que tem pouco mais de 40 anos. Qual D. Flor e os seus dois maridos, esta senhora só por aqui seria um caso a estudar. Mas a D. H. revelou-se muito mais rica em histórias para contar. Tem três filhos do primeiro marido, que faleceu muito cedo, mas deles pouco vai sabendo.

Com quase dinheiro nenhum para se sustentar, conta com a ajuda dos seus dois… não sei bem como lhes chamar… que, apesar de ainda não termos conseguido perceber muito bem porque estão com ela, o que é certo é que parecem tratá-la muito bem.

Sempre com uma língua muito afiada, a esta senhora de 72 anos, a palavra começada por M que afecta as mulheres a partir de uma determinada idade, parece por ali não ter passado…

Brincalhona, afectuosa, com a sua dose de tristeza e angústia para colmatar, parece que a D. H. se tornou para nós num caso muito interessante para acompanhar.

Seguimos, mais tarde do que o habitual, para a Câmara do Porto, onde já não encontramos o P. nem a C. Pensamos que fosse pela hora, mas soube ainda durante esta semana, que a “casa” onde dormiam o P., o R. e outro senhor, no Ciloauto, ardeu. Temos estado a tentar encontrá-los, para saber onde estão e do que precisam, já que devem ter ficado sem cobertores, roupa e outros bens.

Acreditamos que tenha sido resultado da luta que tem existido entre vários SA pelos lugares de arrumadores. Esperemos que esteja tudo bem com eles, já que têm sido alvo de várias ameaças, mas estamos atentos e na próxima semana de certeza que já teremos novidades. Positivas, esperamos.

Beijinhos e continuação de boa semana.

Ana Lima

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Ida à aldeia – 20 e 27 Janeiro

Por razões excepcionais, vamos dividir-nos em 2 grupos para ir visitar a aldeia nos próximos fins-de-semana.

No dia 20 alinhamos com: Jorge, Joana, António, Mónica, Rui e Vera.

No dia 27 alinhamos com: João, Nuno, Teresa, Tiago, Rui, Sara, Carla, São, Filipa e Pedro

Em dúvida: Maria


Peço a todos q confirmem a presença (exceptuando Jorge, Vera, São)

Caso alguém queira trocar de fim-de-semana (para equilibrar um pouco mais a coisa até dava jeito que mudasse para este fim-de-semana) ou repetir a presença esteja à vontade.

A partida estará agendada para:

Dia 20 - 11h

Dia 27 - 11h

Não se esqueçam de trazer algo para partilha no almoço.

Fiquem bem,

Rui Mota (rmmota@gmail.com; 936 020 206)

Crónica da ronda de 14/01/2007 (6º trajecto)

Desde que fecharam a Vivenda Silva (os degraus transformaram-se numa cinzenta parede de tijolos com uma inútil porta a meio) passámos a visitar apenas o J. Encontrou rapidamente outro poiso ali perto e parece mais feliz longe da confusão que já se gerava naquele sítio. Acordamo-lo sempre e tem-nos sorrido – o inexplicável sorriso de tão sincero e natural. Já percebemos que a nossa companhia, um cigarro partilhado, um bom chá com bolo-rei, são a receita para nos aproximarmos dele e a para nossa amizade aumentar. Os frutos serão colhidos quando a época chegar – e por melhor que conheçamos o tempo, não sabemos quando chega.
O Sr. V também já estava enroscado nos cobertores. Ficou deitado a conversar connosco, desta vez sem dar aqueles murros no peito mostrando a sua valentia. Estava mais melancólico. Relatou mais um pouco do seu percurso e como espera ansiosamente a terceira (e talvez derradeira) oportunidade para ir com o primo para a Holanda. O seu modo sofrido de contar tudo e lembrar o passado gela mais que o frio da noite. Pode ser que não o encontremos no próximo Domingo – e como isso será mau e bom ao mesmo tempo.
Mais à frente conhecemos novos amigos, bastante animados no frenético conhecimento de quem éramos e quem se mostravam ser. Em grupo espantam o frio, a fome e a solidão – e livram-se, no fundo, cada um de si próprio, no que de mau fazem a si mesmos. Prometeram encontro dali a uma semana. Foi um encontro rápido, como a noite que se esgotava.