A falta de elementos másculos e valentes levou a que me requisitassem para a ronda-mãe Batalha. Protegido, mais que protector, lá fui acompanhado pela São e pela Manela.
O Sr D seria a nossa primeira paragem. Como explicar então que o Sr D não foi a nossa primeira paragem naquela noite… Há necessidades básicas que um homem solitário não pode evitar satisfazer. Coisas que (cada vez mais) nem com a idade acalmam. E coisas às quais ninguém precisa de assistir, mesmo quando o homem as pratica na inocência de um sonho mais apimentado onde o pudor parece desaparecer. Entendidos que estamos, adiante…
A segunda paragem foi uma tentativa de abordagem a um novo sem-abrigo. Um senhor que, depois de dar uns bons goles numa qualquer garrafa alcoolizada, nos disse que não estava para aturar ninguém, que há pouco já tivera que ouvir um bêbado. Soma e segue. Já levávamos 2 a 0.
Passámos ao Sr X. Sentado atrás de uma pilar do edifício sarrabiscava os seus códigos. E quando assim é não há conversa para ninguém. Três secos e ainda não eram 11 da noite. Fomos à Rua dos B. esperar um senhor que não apareceu. 4. Corajosamente voltámos ao Sr. D.. Como o sono dele era muito conseguimos manter a distância para que nos não forçasse o indesejado cumprimento, sem que ele estranhasse. Houve tempo para chá e um boa noite rápido, entre bocejos e murmúrios imperceptíveis. Não se pode dizer que tivesse sido o tento que dera a volta ao resultado, mas, pelo menos ao que parecia na altura, foi o começo.
Encontrámos o P sentado à espera dos cêntimos de um doutor para a viagem de metro. O P está com muito bom aspecto. Teve a sorte de encontrar quem o ajudasse no CAT (e sorte, neste caso, é uma palavra pequena). Tem consciência das suas fraquezas, tem medo de si, de ceder. Vamos incentivando. A solidão não ajuda, tem que ser combatida.
Como a outra ronda já relatou, procurámos o homónimo anglo-saxónico do P algures pela Sé. Conseguimos sair de lá com o corpo completo, os órgãos no sítio e a carteira intacta – meninas do 6º trajecto, buzinar naquela zona àquela hora se calhar não é boa ideia. Fica a sugestão do cagufas do vosso chefe.
Numa ronda em que o índice de fofoca foi altíssimo, e a sorte com as visitas a que se viu fica o apontamento possível. Com estas é que não me apanham mais, livra!
Famílias, Aldeias e Sem Abrigo estas são as nossas áreas de acção. Um grupo de jovens do Porto, que no CREU têm uma casa, lançam mãos aos desafios que lhes surgem.
quarta-feira, novembro 08, 2006
segunda-feira, novembro 06, 2006
Crónica da ronda de 5/11/2006 (6º trajecto)
A 6ª ronda começa cada vez mais a ganhar um trajecto definido. Desta vez a equipa estava completa, apesar de termos ‘emprestado’ o Bateira à ronda da Batalha pois encontrava-se desfalcada.
A noite iniciou pálida, talvez por causa da chuva que ameaçava cair, mas as estrelas timidamente foram espreitando dando forma a uma noite fantástica.
Como sempre, iniciamos a ronda na vivenda S. onde encontrámos o Sr. J A, acompanhado pelo senhor Al. já conhecido, e pelo Sr. S, novo nestas paragens, que tem dormitado por ali nos últimos dias. O Sr. J A, sendo uma pessoa de conversa fácil, rapidamente começou a contar histórias e a falar das coisas habituais. O Sr. Al mostrava-se extremamente entusiasmado pois na terça, segundo ele, vai para Espanha ter com a sua
namorada. O Sr. S acolheu-nos de uma forma muito simpática e rapidamente abriu o seu coração. Falou da sua vida, das profissões que já desempenhou, dos vários idiomas que domina, e do resto de uma vida entregue ao alcoolismo. Disse que estava à espera de ser chamado para mais uma desintoxicação, e estava plenamente consciente que só dependia dele. Sendo ele um jovem, entregue à rua apenas há dois meses, tudo tem
para recomeçar uma nova vida, assim esperamos. Para a semana contamos ter noticias dele. O J. apareceu um pouco mais tarde, tinha ido procurar pontas de cigarros maiores para juntar e enrolar um para ele, e como sempre, chegou simpático mas reservado. A conversa corria fluentemente, mas tivemos que ir embora, pois havia ainda outras paragens.
Seguimos para o T S João, onde encontrámos de novo o M e o P. O M ficou de ir esta semana ao CAT com o Jorge apesar de denotarmos no seu rosto algum receio da ressaca da noite. O P mostrou-se de novo um pouco reservado, recebeu o saco transpirando satisfação, e continuou a ler o seu jornal habitual, A Bola. Com eles, estava também outro senhor, o Sr. M J S, que logo nos questionou se pertencíamos ao grupo do Pedro, e se identificou como o ‘Sr. das Anedotas’. Após vários pares de piadas contadas por ele, começámos a falar sobre assuntos mais sérios. Nesse momento ressaltou à tona um rosto amargurado, as memórias do passado, o alento de toda a família ter singrado na vida, e a dor de viver há tanto tempo encostado a qualquer beco. Apesar de muitas das palavras saírem esgazeadas entre dentes, era possível perceber a vontade que este homem tem em deixar esta vida. Ele disse que ia continuar ali, e para a semana já contaremos com ele na distribuição dos sacos.
Seguimos então para a rua Passos Manuel onde não conseguimos encontrar o W. Será um bom sinal?
Por fim, o destino mais complicado da noite. Resolvemos seguir algumas indicações e procurar o P próximo da igreja dos Grilos, (numa zona bem rebuscada de Sé). Fomos ao encontro da ronda da Batalha e juntos aproximamo-nos da Sé. O caminho não inspirava muita confiança, e bem que tentamos embalar-nos para descer os acentuados ‘canelhos’. A Maria Antónia levava medicamentos, visto que havia informações que ele tinha
contraído sarna. Apesar de não faltar motivação, resolvemos não arriscar, visto que existiam algumas movimentações bastante sinistras por aquelas zonas, ficando a hipótese de o procurar de dia.
A noite terminou no sítio de sempre, com uma pequena oração com as duas rondas juntas, e apesar da mágoa de não termos encontrado o P, fica a esperança que ele esteja bem, pois sabemos que Ele está sempre de olho nos mais necessitados.
Fernando Pires
A noite iniciou pálida, talvez por causa da chuva que ameaçava cair, mas as estrelas timidamente foram espreitando dando forma a uma noite fantástica.
Como sempre, iniciamos a ronda na vivenda S. onde encontrámos o Sr. J A, acompanhado pelo senhor Al. já conhecido, e pelo Sr. S, novo nestas paragens, que tem dormitado por ali nos últimos dias. O Sr. J A, sendo uma pessoa de conversa fácil, rapidamente começou a contar histórias e a falar das coisas habituais. O Sr. Al mostrava-se extremamente entusiasmado pois na terça, segundo ele, vai para Espanha ter com a sua
namorada. O Sr. S acolheu-nos de uma forma muito simpática e rapidamente abriu o seu coração. Falou da sua vida, das profissões que já desempenhou, dos vários idiomas que domina, e do resto de uma vida entregue ao alcoolismo. Disse que estava à espera de ser chamado para mais uma desintoxicação, e estava plenamente consciente que só dependia dele. Sendo ele um jovem, entregue à rua apenas há dois meses, tudo tem
para recomeçar uma nova vida, assim esperamos. Para a semana contamos ter noticias dele. O J. apareceu um pouco mais tarde, tinha ido procurar pontas de cigarros maiores para juntar e enrolar um para ele, e como sempre, chegou simpático mas reservado. A conversa corria fluentemente, mas tivemos que ir embora, pois havia ainda outras paragens.
Seguimos para o T S João, onde encontrámos de novo o M e o P. O M ficou de ir esta semana ao CAT com o Jorge apesar de denotarmos no seu rosto algum receio da ressaca da noite. O P mostrou-se de novo um pouco reservado, recebeu o saco transpirando satisfação, e continuou a ler o seu jornal habitual, A Bola. Com eles, estava também outro senhor, o Sr. M J S, que logo nos questionou se pertencíamos ao grupo do Pedro, e se identificou como o ‘Sr. das Anedotas’. Após vários pares de piadas contadas por ele, começámos a falar sobre assuntos mais sérios. Nesse momento ressaltou à tona um rosto amargurado, as memórias do passado, o alento de toda a família ter singrado na vida, e a dor de viver há tanto tempo encostado a qualquer beco. Apesar de muitas das palavras saírem esgazeadas entre dentes, era possível perceber a vontade que este homem tem em deixar esta vida. Ele disse que ia continuar ali, e para a semana já contaremos com ele na distribuição dos sacos.
Seguimos então para a rua Passos Manuel onde não conseguimos encontrar o W. Será um bom sinal?
Por fim, o destino mais complicado da noite. Resolvemos seguir algumas indicações e procurar o P próximo da igreja dos Grilos, (numa zona bem rebuscada de Sé). Fomos ao encontro da ronda da Batalha e juntos aproximamo-nos da Sé. O caminho não inspirava muita confiança, e bem que tentamos embalar-nos para descer os acentuados ‘canelhos’. A Maria Antónia levava medicamentos, visto que havia informações que ele tinha
contraído sarna. Apesar de não faltar motivação, resolvemos não arriscar, visto que existiam algumas movimentações bastante sinistras por aquelas zonas, ficando a hipótese de o procurar de dia.
A noite terminou no sítio de sempre, com uma pequena oração com as duas rondas juntas, e apesar da mágoa de não termos encontrado o P, fica a esperança que ele esteja bem, pois sabemos que Ele está sempre de olho nos mais necessitados.
Fernando Pires
domingo, novembro 05, 2006
Crónica da ronda de 29/10/2006 (6º trajecto)
Depois de um fim-de-semana com um sol magnifico, mais uma ronda de Domingo! Deparo-me com a ausência total dos meus companheiros por motivos de força maior. Desta vez tive o prazer de ser acompanhada pelo Jorge Mayer.
Apesar deste 6º percurso ter sido considerado na última reunião a “ovelha negra “, neste Domingo revelou-se uma grande surpresa!!!
Começamos pela Vivenda S, deparamo-nos com apenas dois sem abrigo, o J e o Sr. J A, a câmara fez uma limpeza geral e levou tudo o que eles lá tinham. Como sempre simpáticos e faladores mas nenhuma novidade relevante. Precisam de roupa, meias etc.
Resolvemos fazer uma busca em vários locais uma vez que ainda tínhamos muitos sacos.
Passamos na R Stª Catarina e encontramos o C, novo sem abrigo, que aceitou o saco e pediu um cobertor.
No T S João, abordamos dois sem abrigo igualmente novos nesta paragem, o M e o P. O M, que já foi mecânico, pediu ajuda para o programa de desintoxicação, simpático e afável contou-nos um pouco o seu percurso, já conseguimos uma 1ª entrevista para o Cat de Matosinhos, vamos lá ver…
O P estava deitado a ler a Bola, recebeu o saco de bom agrado, estava com sono por isso não falamos muito. Ponto interessante, quando estávamos a ir embora o P chama-nos e diz: já deram o saco ao meu companheiro do lado? Ficamos deliciados com este gesto de solidariedade.
Descendo a rua Passos Manuel à procura do Sr. J, surpresa nossa não estava o J mas sim outro sem abrigo de nome W que inicialmente ficou um pouco atrapalhado, pedimos desculpa e logo que viramos as costas chamou-nos, começa a conversar abertamente, conta-nos as suas preocupações, está à espera de entrar para o Porto feliz. Pediu-nos uns sapatos confortáveis. (Entretanto na 2ª feira passamos na V S para comemorar os anos do Sr. J A e por acaso o W passou lá referindo que estava muito contente porque vai entrar no Porto Feliz na próxima semana).
Pensando que a ronda estava dada por terminada e já sem sacos, descendo a R. 31 J encontramos o P, muito magro, doente, que nos disse ter estado internado no H S. João 3 meses, é um caso de pouca esperança, resta-nos dar um pouco de dignidade a este homem que nos recebe sempre também e nos agradece muito por tudo o que lhe damos. O Jorge ainda conseguiu apanhar a Mafalda para ir buscar um saco para o P. Fiquei de tentar falar com a assistente social no S. João. Espero que na próxima semana consiga!
Depois de tantas surpresas neste 6ª percurso ficamos satisfeitos, chegamos ao Creu a tempo da oração com o grupo do Jorge.
«Acreditar que um ser participa de uma vida desconhecida na qual o seu amor nos faria penetrar é, de tudo o que o amor exige para nascer, o mais importante e o que o faz menosprezar tudo o resto.»
Marcel Proust, in "Du côté de chez swann"
Maria Antónia Read
Apesar deste 6º percurso ter sido considerado na última reunião a “ovelha negra “, neste Domingo revelou-se uma grande surpresa!!!
Começamos pela Vivenda S, deparamo-nos com apenas dois sem abrigo, o J e o Sr. J A, a câmara fez uma limpeza geral e levou tudo o que eles lá tinham. Como sempre simpáticos e faladores mas nenhuma novidade relevante. Precisam de roupa, meias etc.
Resolvemos fazer uma busca em vários locais uma vez que ainda tínhamos muitos sacos.
Passamos na R Stª Catarina e encontramos o C, novo sem abrigo, que aceitou o saco e pediu um cobertor.
No T S João, abordamos dois sem abrigo igualmente novos nesta paragem, o M e o P. O M, que já foi mecânico, pediu ajuda para o programa de desintoxicação, simpático e afável contou-nos um pouco o seu percurso, já conseguimos uma 1ª entrevista para o Cat de Matosinhos, vamos lá ver…
O P estava deitado a ler a Bola, recebeu o saco de bom agrado, estava com sono por isso não falamos muito. Ponto interessante, quando estávamos a ir embora o P chama-nos e diz: já deram o saco ao meu companheiro do lado? Ficamos deliciados com este gesto de solidariedade.
Descendo a rua Passos Manuel à procura do Sr. J, surpresa nossa não estava o J mas sim outro sem abrigo de nome W que inicialmente ficou um pouco atrapalhado, pedimos desculpa e logo que viramos as costas chamou-nos, começa a conversar abertamente, conta-nos as suas preocupações, está à espera de entrar para o Porto feliz. Pediu-nos uns sapatos confortáveis. (Entretanto na 2ª feira passamos na V S para comemorar os anos do Sr. J A e por acaso o W passou lá referindo que estava muito contente porque vai entrar no Porto Feliz na próxima semana).
Pensando que a ronda estava dada por terminada e já sem sacos, descendo a R. 31 J encontramos o P, muito magro, doente, que nos disse ter estado internado no H S. João 3 meses, é um caso de pouca esperança, resta-nos dar um pouco de dignidade a este homem que nos recebe sempre também e nos agradece muito por tudo o que lhe damos. O Jorge ainda conseguiu apanhar a Mafalda para ir buscar um saco para o P. Fiquei de tentar falar com a assistente social no S. João. Espero que na próxima semana consiga!
Depois de tantas surpresas neste 6ª percurso ficamos satisfeitos, chegamos ao Creu a tempo da oração com o grupo do Jorge.
«Acreditar que um ser participa de uma vida desconhecida na qual o seu amor nos faria penetrar é, de tudo o que o amor exige para nascer, o mais importante e o que o faz menosprezar tudo o resto.»
Marcel Proust, in "Du côté de chez swann"
Maria Antónia Read
Crónica da ronda de 29/10/2006 (Batalha)
Nunca sabemos como é que a noite irá ditar o rumo de mais uma ronda.
Foi no dia 29 que a ronda da Batalha, constituída nessa noite quente pela Manuela, Luís e pelo novo membro Sabina iniciaram o seu percurso, na tentativa de tornar um pouco mais agradável os escassos momentos concedidos por aqueles que são visitados.
A ronda iniciou a sua pequena viagem, visitando o sr. D., que por ser a pessoa mais idosa a ser visitada, a ronda achou por bem ser este o primeiro a ser visitado. O cenário encontrado foi o habitual, com o feitio resingão do sr.D. a dar mostras de não se deixar abater pela já avultada idade. Apesar disso, encontrava-se de boa saúde, já que os médicos do mundo haviam passado lá nessa mesma semana, acompanhados por um elemento do grupo.
O grupo ficou ainda alguns momentos a tentar obter umas gargalhadas por parte do Sr.D., mas há dias assim, em que nos sentimos pequenos perante a força destas pessoas que por vezes também têm os seus dias de consternação e por isso a ronda decidiu deixar dormir o sr. D., já que era isso mesmo que este pretendia.
O grupo decidiu então visitar o sr. F. Ao chegar ao ponto habitual de encontro, o grupo constatou que o sr. F. se encontrava dentro do restaurante que serve comida chinesa, situado perto do local onde dorme e que os funcionários lhe haviam fornecido um pequeno jantar. Por esta razão, o sr.F, apesar de visivelmente embriagado, encontrava-se muito bem disposto, feliz diria mesmo. Eram os olhos de quem sorri por estas pequenas graças, gestos que se perduram e partilham, ou não quisesse o sr.F. partilhar aquele pequeno jantar connosco. O grupo ficou ali por volta de uma hora, rindo-se com o sr.F. que não queria que a ronda arreda-se pé dali. O grupo ficou muito contente e deixou-se estar, chegando mesmo a provar o pequeno manjar do sr.F.
Depois deste alegre e eterno período, a ronda encontrava-se muito bem disposta, sem saber ainda o que a noite reservava.
Era altura de visitar o sr. P, o mais jovem das pessoas visitadas e talvez por isso, dos mais comunicativos. Infelizmente, as notícias não eram as melhores. São conhecidas pelo grupo e por todos aqueles que acompanham as crónicas, que o estado de saúde do P. é débil devido ao facto de ser toxicodependente. Em consequência disso, o P. deu-nos a notícia de que iria ser internado, devido a um grave problema de saúde.
Actos e situações como estas, fazem-me perguntar o quão bem estaremos nós preparados para lidar com este tipo de situações complexas, fartas de frustração por parte de quem por elas padece. Será um sorriso e uma palavra amiga a sussurrar “vai tudo correr bem”, suficiente? Confesso a minha total ignorância em relação a esta resposta, contudo foi o máximo que o grupo pôde fazer naquele momento. E foi o melhor que poderiam ter feito, de facto.
Depois desta situação menos agradável e sorridente foi altura de o grupo seguir para visitar o Sr. J. e a sua carismática “habitação”. Disse-nos o sr. J. que esta semana iria para Espanha e que quando voltasse iria para uma casa, juntamente com a esposa. O grupo tentou acreditar no sr.J., mas como são repetidas as vezes em que o sr.J. afirma o irrealizável e à falta de provas, a ronda ficou na dúvida. Dúvida essa que irá ser esclarecida este domingo, quando a ronda por lá passar novamente, perto de St. Catarina.
A ronda regressou ao seu local inicial, finalizando mais um domingo com uma oração a pedir força para o sr. P. e com a Manuela a terminar com a leitura de um poema que nos fez pensar a todos no poder que cada um de nós tem, para mudar tudo aquilo que nos rodeia.
Apesar disso, a noite e os destinos que esta traça, fazem parte de tudo aquilo que é incontrolável por nós e é por isso que estes jovens – e tantos outros – todos os domingos, fazem aquilo que melhor sabem – ajudar os outros, ajudando-se a si próprios.
p.s. parabéns a sabina, que para alem de ter mostrado que tem o espírito que é necessário faz anos hoje, dia 3.
Luís silva
Foi no dia 29 que a ronda da Batalha, constituída nessa noite quente pela Manuela, Luís e pelo novo membro Sabina iniciaram o seu percurso, na tentativa de tornar um pouco mais agradável os escassos momentos concedidos por aqueles que são visitados.
A ronda iniciou a sua pequena viagem, visitando o sr. D., que por ser a pessoa mais idosa a ser visitada, a ronda achou por bem ser este o primeiro a ser visitado. O cenário encontrado foi o habitual, com o feitio resingão do sr.D. a dar mostras de não se deixar abater pela já avultada idade. Apesar disso, encontrava-se de boa saúde, já que os médicos do mundo haviam passado lá nessa mesma semana, acompanhados por um elemento do grupo.
O grupo ficou ainda alguns momentos a tentar obter umas gargalhadas por parte do Sr.D., mas há dias assim, em que nos sentimos pequenos perante a força destas pessoas que por vezes também têm os seus dias de consternação e por isso a ronda decidiu deixar dormir o sr. D., já que era isso mesmo que este pretendia.
O grupo decidiu então visitar o sr. F. Ao chegar ao ponto habitual de encontro, o grupo constatou que o sr. F. se encontrava dentro do restaurante que serve comida chinesa, situado perto do local onde dorme e que os funcionários lhe haviam fornecido um pequeno jantar. Por esta razão, o sr.F, apesar de visivelmente embriagado, encontrava-se muito bem disposto, feliz diria mesmo. Eram os olhos de quem sorri por estas pequenas graças, gestos que se perduram e partilham, ou não quisesse o sr.F. partilhar aquele pequeno jantar connosco. O grupo ficou ali por volta de uma hora, rindo-se com o sr.F. que não queria que a ronda arreda-se pé dali. O grupo ficou muito contente e deixou-se estar, chegando mesmo a provar o pequeno manjar do sr.F.
Depois deste alegre e eterno período, a ronda encontrava-se muito bem disposta, sem saber ainda o que a noite reservava.
Era altura de visitar o sr. P, o mais jovem das pessoas visitadas e talvez por isso, dos mais comunicativos. Infelizmente, as notícias não eram as melhores. São conhecidas pelo grupo e por todos aqueles que acompanham as crónicas, que o estado de saúde do P. é débil devido ao facto de ser toxicodependente. Em consequência disso, o P. deu-nos a notícia de que iria ser internado, devido a um grave problema de saúde.
Actos e situações como estas, fazem-me perguntar o quão bem estaremos nós preparados para lidar com este tipo de situações complexas, fartas de frustração por parte de quem por elas padece. Será um sorriso e uma palavra amiga a sussurrar “vai tudo correr bem”, suficiente? Confesso a minha total ignorância em relação a esta resposta, contudo foi o máximo que o grupo pôde fazer naquele momento. E foi o melhor que poderiam ter feito, de facto.
Depois desta situação menos agradável e sorridente foi altura de o grupo seguir para visitar o Sr. J. e a sua carismática “habitação”. Disse-nos o sr. J. que esta semana iria para Espanha e que quando voltasse iria para uma casa, juntamente com a esposa. O grupo tentou acreditar no sr.J., mas como são repetidas as vezes em que o sr.J. afirma o irrealizável e à falta de provas, a ronda ficou na dúvida. Dúvida essa que irá ser esclarecida este domingo, quando a ronda por lá passar novamente, perto de St. Catarina.
A ronda regressou ao seu local inicial, finalizando mais um domingo com uma oração a pedir força para o sr. P. e com a Manuela a terminar com a leitura de um poema que nos fez pensar a todos no poder que cada um de nós tem, para mudar tudo aquilo que nos rodeia.
Apesar disso, a noite e os destinos que esta traça, fazem parte de tudo aquilo que é incontrolável por nós e é por isso que estes jovens – e tantos outros – todos os domingos, fazem aquilo que melhor sabem – ajudar os outros, ajudando-se a si próprios.
p.s. parabéns a sabina, que para alem de ter mostrado que tem o espírito que é necessário faz anos hoje, dia 3.
Luís silva
sexta-feira, novembro 03, 2006
Aldeia - Partida Amanhã Sábado (4/11) - 10:30h
Olá a todos,
vamos amanhã sábado às Aldeias, às 10:30, no sítio do costume (frente à Igreja NS Fatima).
Eu, o Rui, a São, o Tiago, o Nuno, Joana Rocha, o João, a Mónica, a Mafalda, o Pedro, a Carla, a Vera e a Filipa estamos já confirmados. A Maria não pode ir, por causa do curso.
Não se esqueçam do almoço para partilharmos.Vamos começar com 3 novas visitas em Ansiães e uma em Candemil.
Bom trabalho, um abraço a todos e até amanhã.
vamos amanhã sábado às Aldeias, às 10:30, no sítio do costume (frente à Igreja NS Fatima).
Eu, o Rui, a São, o Tiago, o Nuno, Joana Rocha, o João, a Mónica, a Mafalda, o Pedro, a Carla, a Vera e a Filipa estamos já confirmados. A Maria não pode ir, por causa do curso.
Não se esqueçam do almoço para partilharmos.Vamos começar com 3 novas visitas em Ansiães e uma em Candemil.
Bom trabalho, um abraço a todos e até amanhã.
quinta-feira, novembro 02, 2006
Crónica da ronda de St.ª Catarina 22/10/06
Encontrámo-nos todos no "sítio do costume", fizémos a oração em conjunto e partimos para as nossas rondas.
O nosso grupo iniciou a ronda, na Batalha, onde estavam, como é hábito, a D. E. e o marido,Sr. F., o Sr. F., e o outro casal habitual.
A D. E. tornou a contar a última "desgraça" que lhe aconteceu - o incêndio que ocorreu na "casa velha", onde já viveu com o marido e onde continua a ir durante o dia (embora à noite durma numa pensão), pois queixa-se que a dona da pensão a acusa de gastar muita luz e os outros inquilinos criticam-na por ser muito limpa.
Por fim, depois de ter desabafado, com os olhos a brilhar pediu ao Pedro que lhe telefonasse para o filho, pois há alguns dias que não conseguia falar com ele (apesar de ter telemovel, este nem sempre tem crédito).
Quanto ao outro casal, ele continuava com gripe, embora a tomar medicação, e ela, muito contente contou que o filho dela tinha feito anos e o do marido também.
Quando estavamos quase a seguir para St.ª Catarina apareceram dois jovens toxicodependentes, o M. eo I. que, segundo eles, estão a tentar entrar numa instituição para toxicodependentes para fazerem desintoxicação e reabilitação.Oxalá consigam!
Em St.ª Catarina não vimos a T. no local habitual e seguimos então para o Aleixo. Lá, encontrámos o grupo do Fernando e estivémos com a d. A. e o sr. M.
Por fim, fomos ao encontro da B. que também quer deixar a droga, até por que tem uma filha.
Terminámos a ronda em frente à casa da Sílvia, com uma oração.
Carla
O nosso grupo iniciou a ronda, na Batalha, onde estavam, como é hábito, a D. E. e o marido,Sr. F., o Sr. F., e o outro casal habitual.
A D. E. tornou a contar a última "desgraça" que lhe aconteceu - o incêndio que ocorreu na "casa velha", onde já viveu com o marido e onde continua a ir durante o dia (embora à noite durma numa pensão), pois queixa-se que a dona da pensão a acusa de gastar muita luz e os outros inquilinos criticam-na por ser muito limpa.
Por fim, depois de ter desabafado, com os olhos a brilhar pediu ao Pedro que lhe telefonasse para o filho, pois há alguns dias que não conseguia falar com ele (apesar de ter telemovel, este nem sempre tem crédito).
Quanto ao outro casal, ele continuava com gripe, embora a tomar medicação, e ela, muito contente contou que o filho dela tinha feito anos e o do marido também.
Quando estavamos quase a seguir para St.ª Catarina apareceram dois jovens toxicodependentes, o M. eo I. que, segundo eles, estão a tentar entrar numa instituição para toxicodependentes para fazerem desintoxicação e reabilitação.Oxalá consigam!
Em St.ª Catarina não vimos a T. no local habitual e seguimos então para o Aleixo. Lá, encontrámos o grupo do Fernando e estivémos com a d. A. e o sr. M.
Por fim, fomos ao encontro da B. que também quer deixar a droga, até por que tem uma filha.
Terminámos a ronda em frente à casa da Sílvia, com uma oração.
Carla
Crónica da Ronda de 29/10/2006 (Areosa)
“Como uma criança que recebe O presente tão esperado e de tanta alegria e emoção nem lhe consegue tocar. Fica só a contempla-lo com uma lágrima no canto do olho..”
Foi assim que me senti quando dei por mim na oração que deu inicio a esta ronda, a minha primeira ronda.
A S. e o Sr. Z tinham ido encontrar-se connosco para nos acompanharem na oração. Foram o meu primeiro contacto, e que bom que o tornaram, que abraços ternos e acolhedores.
Seguimos em dois carros, o Sr. Z super privilegiado, num carro só de belas meninas, para casa da S.
A chegada foi atribulada pelo menos para mim que não contava com uma fera a guardar a entrada, têm uns cãezinhos amistosos os vizinhos da S. Toda orgulhosa deu a conhecer ao novo elemento os cantos à casa, as florzinhas pintadas sobre o branco, as fotos dos seus meninos no divertido dia da pintura…
Depois, já sentadinhos lá fora a aproveitar a brisa morna, conversamos sobre a semana, sobre a D.A. que não tive oportunidade de conhecer, mas de quem a S. falou com todo o carinho. E percebemos nestes pequenos toques de Deus que acima de tudo o que possa perder o Ser Humano nunca será desprovido da capacidade de amar.
O S.Z. não tinha concertina, ficou a promessa para a próxima ronda, mas ainda assim houve tempo e disposição para uma aula de ginástica cheia de energia.
Começava a ficar tarde, levamos o S.Z a casa e seguimos ao encontro do ZM, do Sr. M , do J. e surpreendentemente da D que ao que consta andava desaparecida…A alegria de a revermos e a preocupação ao constatarmos que está cada vez mais magra. Mas os exames já estão a ser feitos e Rezamos para que esteja tudo bem.
O ZM com seu jeito todo descontraído e entusiasta lembrou aos demais o aniversário da Joaninha (animadora que não cheguei a conhecer) e são estes gestos simples nos quais nota o quanto tocamos estas pessoas, e até que ponto passamos a fazer parte da vida, dos sentimentos e mais tarde das recordações delas…
Seguimos portanto para o que me apresentaram como o desafio da noite, o inconstante Sr. M .Cautelosamente aproximei-me meia escondida para não causar muito impacto.
Mas o SM tem andado mesmo bem e parece que cai nas suas boas graças e ele ainda mais nas minhas, foi adorável e deixem que vos diga, tem um sentido estético extremamente apuradoJ. ´
Deliciou-se com a sopa quentinha que temos levado e numa conversa animada com o J e a I que apareceram mais tarde, não deixou de se ir metendo com cada um deles, mas sempre muito animado.
As horas passavam, mas só no relógio e ainda faltava encontrar o Sr.PM para lhe entregar umas sapatilhas ,agora mais à sua medida, com ele estavam ainda o Sr J. que é novo por estas bandas e o Sr. que não fala ambos nos acompanharam por breves minutos. O Sr. PM estava falador e revelou-nos muito de si, da sua família, da sua vida. É ainda muito jovem, mas os vícios corroem tanto por dentro. Rezamos por si.
E tinha acabado, já, rápido demais.
Tantos mundos para descobrir atrás de cada corpo, de cada rosto.
A mim resta-me agradecer a oportunidade e assumir de coração cada compromisso, cada laço, cada abraço.
E ao entrar em casa repeti para mim mesma “és responsável por tudo o que cativas”.
Esplendorosa, magnifica, graciosa...
Ana Sampaio
Foi assim que me senti quando dei por mim na oração que deu inicio a esta ronda, a minha primeira ronda.
A S. e o Sr. Z tinham ido encontrar-se connosco para nos acompanharem na oração. Foram o meu primeiro contacto, e que bom que o tornaram, que abraços ternos e acolhedores.
Seguimos em dois carros, o Sr. Z super privilegiado, num carro só de belas meninas, para casa da S.
A chegada foi atribulada pelo menos para mim que não contava com uma fera a guardar a entrada, têm uns cãezinhos amistosos os vizinhos da S. Toda orgulhosa deu a conhecer ao novo elemento os cantos à casa, as florzinhas pintadas sobre o branco, as fotos dos seus meninos no divertido dia da pintura…
Depois, já sentadinhos lá fora a aproveitar a brisa morna, conversamos sobre a semana, sobre a D.A. que não tive oportunidade de conhecer, mas de quem a S. falou com todo o carinho. E percebemos nestes pequenos toques de Deus que acima de tudo o que possa perder o Ser Humano nunca será desprovido da capacidade de amar.
O S.Z. não tinha concertina, ficou a promessa para a próxima ronda, mas ainda assim houve tempo e disposição para uma aula de ginástica cheia de energia.
Começava a ficar tarde, levamos o S.Z a casa e seguimos ao encontro do ZM, do Sr. M , do J. e surpreendentemente da D que ao que consta andava desaparecida…A alegria de a revermos e a preocupação ao constatarmos que está cada vez mais magra. Mas os exames já estão a ser feitos e Rezamos para que esteja tudo bem.
O ZM com seu jeito todo descontraído e entusiasta lembrou aos demais o aniversário da Joaninha (animadora que não cheguei a conhecer) e são estes gestos simples nos quais nota o quanto tocamos estas pessoas, e até que ponto passamos a fazer parte da vida, dos sentimentos e mais tarde das recordações delas…
Seguimos portanto para o que me apresentaram como o desafio da noite, o inconstante Sr. M .Cautelosamente aproximei-me meia escondida para não causar muito impacto.
Mas o SM tem andado mesmo bem e parece que cai nas suas boas graças e ele ainda mais nas minhas, foi adorável e deixem que vos diga, tem um sentido estético extremamente apuradoJ. ´
Deliciou-se com a sopa quentinha que temos levado e numa conversa animada com o J e a I que apareceram mais tarde, não deixou de se ir metendo com cada um deles, mas sempre muito animado.
As horas passavam, mas só no relógio e ainda faltava encontrar o Sr.PM para lhe entregar umas sapatilhas ,agora mais à sua medida, com ele estavam ainda o Sr J. que é novo por estas bandas e o Sr. que não fala ambos nos acompanharam por breves minutos. O Sr. PM estava falador e revelou-nos muito de si, da sua família, da sua vida. É ainda muito jovem, mas os vícios corroem tanto por dentro. Rezamos por si.
E tinha acabado, já, rápido demais.
Tantos mundos para descobrir atrás de cada corpo, de cada rosto.
A mim resta-me agradecer a oportunidade e assumir de coração cada compromisso, cada laço, cada abraço.
E ao entrar em casa repeti para mim mesma “és responsável por tudo o que cativas”.
Esplendorosa, magnifica, graciosa...
Ana Sampaio
terça-feira, outubro 31, 2006
Crónica da ronda de 29/10/2006 (Boavista)
Reunimo-nos como é habitual em Nossa Senhora de Fátima, éramos cerca de 20 pessoas, entre os quais 4 novos voluntários, e os 20 tomamos lugar na oração, tendo-nos depois repartido nas 6 rondas do costume.
Fomos cheios de entusiasmos para a nossa querida ronda da Boavista, tendo parado pela primeira vez junto da família Q. surpresa das surpresas a D. F. dormia profundamente, não tendo reagido ao sonoro ranger do portão de uma garagem nas proximidades, pelo que decidimos não a incomodar, tendo apenas deixado lá ficar o saquinho como prova da nossa presença. Descemos depois em direcção ao Foco, mas nem sombra do M. nem de um qualquer outro sem-abrigo. Aproveitando o desvio no percurso fomos à procura do JP II, com quem havíamos travado conhecimento na passada semana e ao qual tínhamos prometido aparecer esta semana. Infelizmente não estava por lá! Fomos depois para a Boavista em busca do JP, mas como de costume é muito difícil encontra-lo nesta zona, em particular a esta hora. Seguiu-se o Sr. V. com quem permanecemos em “dialogo” cerca de 30 minutos. Para o fim guardamos o melhor, o afável Sr. A, pareceu-nos um pouco em baixo, mas como sempre retribui com boa disposição à nossa companhia. Mesmo antes de partir para o Creu demos um saquinho ao Sr. J, que agradeceu mas que rapidamente se procurou afastar evitando conversas
A ronda terminou no Creu onde encontramos o nosso quinto elemento, o Jorge, com quem partilhamos a oração final.
Boa semana e bom feriado!
Rui Mota
Fomos cheios de entusiasmos para a nossa querida ronda da Boavista, tendo parado pela primeira vez junto da família Q. surpresa das surpresas a D. F. dormia profundamente, não tendo reagido ao sonoro ranger do portão de uma garagem nas proximidades, pelo que decidimos não a incomodar, tendo apenas deixado lá ficar o saquinho como prova da nossa presença. Descemos depois em direcção ao Foco, mas nem sombra do M. nem de um qualquer outro sem-abrigo. Aproveitando o desvio no percurso fomos à procura do JP II, com quem havíamos travado conhecimento na passada semana e ao qual tínhamos prometido aparecer esta semana. Infelizmente não estava por lá! Fomos depois para a Boavista em busca do JP, mas como de costume é muito difícil encontra-lo nesta zona, em particular a esta hora. Seguiu-se o Sr. V. com quem permanecemos em “dialogo” cerca de 30 minutos. Para o fim guardamos o melhor, o afável Sr. A, pareceu-nos um pouco em baixo, mas como sempre retribui com boa disposição à nossa companhia. Mesmo antes de partir para o Creu demos um saquinho ao Sr. J, que agradeceu mas que rapidamente se procurou afastar evitando conversas
A ronda terminou no Creu onde encontramos o nosso quinto elemento, o Jorge, com quem partilhamos a oração final.
Boa semana e bom feriado!
Rui Mota
sábado, outubro 28, 2006
Crónica da Aldeia (21/10/2006)
No passado Sábado deu-se mais um passo neste caminho que fazemos neste projecto, a entrada de pessoas novas, depois da noite de abertura do CREU, temos 5 novos voluntários que integram agora este projecto, subindo para assim para um total 15 pessoas.
Chovia a cântaros e partimos em 2 carros, ou seja a viagem foi em formato ultracompacto!! Lá não apanhamos chuva, reunimos, como habitual, no alpendre da Associação a fazer o ponto da situação. Alteraram-se as datas de ida, não vamos a 18Nov, nem a 2Dez (por ser véspera de feriado) e em vez disso vamos a 25Nov. O Magusto mudou do dia 11 para o dia 12.
Fizemos o acolhimento dos três novos, o Pedro, a Mafalda e Carla (já conhecedora das rondas ao Sem Abrigo) e almoçamos muito bem. Os rissóis e croquetes da Joana estão a tornar-se um "must" juntamente com os croissants do Rui, ou as piadas da São :)
As visitas correram bem, e foi muito bom estarmos practicamente todos, a Maria ainda anda bronzeada "lá dus áfrica méu!". Regressamos muito cedo, chegamos ao Porto um pouco antes das 6h. Para a próxima temos de telefonar aos nossos acompanhantes locais e começar novas visitas.
Um abraço,
Chovia a cântaros e partimos em 2 carros, ou seja a viagem foi em formato ultracompacto!! Lá não apanhamos chuva, reunimos, como habitual, no alpendre da Associação a fazer o ponto da situação. Alteraram-se as datas de ida, não vamos a 18Nov, nem a 2Dez (por ser véspera de feriado) e em vez disso vamos a 25Nov. O Magusto mudou do dia 11 para o dia 12.
Fizemos o acolhimento dos três novos, o Pedro, a Mafalda e Carla (já conhecedora das rondas ao Sem Abrigo) e almoçamos muito bem. Os rissóis e croquetes da Joana estão a tornar-se um "must" juntamente com os croissants do Rui, ou as piadas da São :)
As visitas correram bem, e foi muito bom estarmos practicamente todos, a Maria ainda anda bronzeada "lá dus áfrica méu!". Regressamos muito cedo, chegamos ao Porto um pouco antes das 6h. Para a próxima temos de telefonar aos nossos acompanhantes locais e começar novas visitas.
Um abraço,
sexta-feira, outubro 27, 2006
Aldeia - Reunião para planear o Magusto - 5a feira (2 Nov) das 20:00 às 21:00
De forma a planear com tempo como vamos animar o magusto, decidimos marcar uma breve reunião na 5a, dia 2 Novembro, das 20:00 às 21:00 no CREU.
Falei hoje para a Aldeia para vermos as novas pessoas a visitar, mas não consegui falar com o pd Vilar, vou continuar a tentar.
O Magusto será realizado juntando as 4 paróquias, temos de arranjar até à reunião uma estimativa de miúdos presentes.
Um abraço a todos,
PS - Maria Manuel estamos a contar com a tua colaboração.
Falei hoje para a Aldeia para vermos as novas pessoas a visitar, mas não consegui falar com o pd Vilar, vou continuar a tentar.
O Magusto será realizado juntando as 4 paróquias, temos de arranjar até à reunião uma estimativa de miúdos presentes.
Um abraço a todos,
PS - Maria Manuel estamos a contar com a tua colaboração.
Aldeia - Magusto passou de dia 11 para dia 12 (Domingo)
Ontem houve reunião nas aldeias e telefonaram-me a perguntar se o magusto podia passar para dia 12 de Novembro, pois consideram ser melhor realizar-se no Domingo. Não tendo nós quaisquer objecções, decidiu-se passar para dia 12.
Só para recordar, até ao fim do ano vamos dia 4, 12 (Magusto), 25 Novembro e 16 e 17 (festa de natal) de Dezembro.
Um abraço a todos,
Só para recordar, até ao fim do ano vamos dia 4, 12 (Magusto), 25 Novembro e 16 e 17 (festa de natal) de Dezembro.
Um abraço a todos,
Crónica da ronda de 22/10/06 (Batalha)
A simplicidade como decorre a nossa vivência, dita muitos dos actos por nós
expostos. Foi no passado domingo que a ronda da Batalha se encontrou para
tentar fazer aquilo que mais anseiam: ajudar, simplesmente.
Composta pela Manuela, Inês Bessa, São, Luís e pelo novo membro Francisca, a ronda iniciou o seu percurso, começando pelo sempre carismático Sr. D. Este senhor de já avultada idade faz parte daquelas pessoas que nos conquistam pelo seu mau-humor, que de tão mau, quando o deixa de o ser, passar a ser exclente. Assim, cada vez mais o Sr.D. tem-se mostrado mais simpático e conversador. Apesar disso, notou-se uma certa tosse, consequência do mau tempo que se fez sentir nessa semana, por toda a cidade. Ainda tivemos tempo para lhe darmos umas roupas, que ao fim de algum tempo de escolha, foram as que o Sr.D. realmente gostava.
Após esta visita, a ronda fez a sua paragem habitual para visitar o Sr. F. Apesar de se encontrar visivelmente sóbrio, encontrava-se ocupado e por isso a visita foi rápida e concisa. Contudo, ainda houve tempo para lhe ser oferecido um novo chapéu, o que deixou o Sr. F. Muito bem disposto. A ronda seguiu então para uma nova paragem, a do P., que já se encontrava recuperado da gripe que tinha apanhado na semana passada. A conversa foi longa, com P. a relatar os seus passos pelo estrangeiro e com os elementos da ronda a interagir também, o que facilita em muito a comunicação e a relação entre os mesmos.
A ronda ainda teve tempo de procurar o sr. J. Que não se encontrava no lugar. Pelo contrário, encontrava-se outra pessoa que nos pediu algo para beber, pedindo-nos encaracidamente que não nos aproximássemos, pedido a que a ronda aceitou de imediato. No final da noite, ainda procuraram interpelar um sr. Que parecia necessitar de apoio externo, apesar de este se ter mostrado reticente e não nos ter permitido comunicar ou ajudar de qualquer outra maneira.
De volta ao ponto de partida, a ronda sentia-se bem com o seu trabalho, consciente que são os pequenos sorrisos que distribui por todas essas noites de domingo que fazem toda e qualquer diferença.
“É na simplicidade que está a virtude”.
Luís.
expostos. Foi no passado domingo que a ronda da Batalha se encontrou para
tentar fazer aquilo que mais anseiam: ajudar, simplesmente.
Composta pela Manuela, Inês Bessa, São, Luís e pelo novo membro Francisca, a ronda iniciou o seu percurso, começando pelo sempre carismático Sr. D. Este senhor de já avultada idade faz parte daquelas pessoas que nos conquistam pelo seu mau-humor, que de tão mau, quando o deixa de o ser, passar a ser exclente. Assim, cada vez mais o Sr.D. tem-se mostrado mais simpático e conversador. Apesar disso, notou-se uma certa tosse, consequência do mau tempo que se fez sentir nessa semana, por toda a cidade. Ainda tivemos tempo para lhe darmos umas roupas, que ao fim de algum tempo de escolha, foram as que o Sr.D. realmente gostava.
Após esta visita, a ronda fez a sua paragem habitual para visitar o Sr. F. Apesar de se encontrar visivelmente sóbrio, encontrava-se ocupado e por isso a visita foi rápida e concisa. Contudo, ainda houve tempo para lhe ser oferecido um novo chapéu, o que deixou o Sr. F. Muito bem disposto. A ronda seguiu então para uma nova paragem, a do P., que já se encontrava recuperado da gripe que tinha apanhado na semana passada. A conversa foi longa, com P. a relatar os seus passos pelo estrangeiro e com os elementos da ronda a interagir também, o que facilita em muito a comunicação e a relação entre os mesmos.
A ronda ainda teve tempo de procurar o sr. J. Que não se encontrava no lugar. Pelo contrário, encontrava-se outra pessoa que nos pediu algo para beber, pedindo-nos encaracidamente que não nos aproximássemos, pedido a que a ronda aceitou de imediato. No final da noite, ainda procuraram interpelar um sr. Que parecia necessitar de apoio externo, apesar de este se ter mostrado reticente e não nos ter permitido comunicar ou ajudar de qualquer outra maneira.
De volta ao ponto de partida, a ronda sentia-se bem com o seu trabalho, consciente que são os pequenos sorrisos que distribui por todas essas noites de domingo que fazem toda e qualquer diferença.
“É na simplicidade que está a virtude”.
Luís.
quarta-feira, outubro 25, 2006
Crónica da ronda de 22/10/06 (Areosa)
“Maravilhas fez em mim
Minh’alma canta de gozo
Pois na minha PEQUENEZ
Se detiveram Seus olhos…”
Assim começou a nossa ronda… recordando o dom da humildade e da pequenez, e com vontade de levar aos outros os nossos olhos, os ouvidos, a boca, as mãos e o nosso coração…
Começamos pela S. e pelo Sr.Z. que tão bem fazem companhia um ao outro. A S. continua com a constipação chata, que a deixa muito em baixo e com os olhinhos muito carregadinhos de pouca alegria… mas com o almoço em casa da D. A. e com a nossa visita tudo melhorou!
Passamos um bom bocado juntos… a cumplicidade é já tão grande, que é necessário muito poucas palavras para um entendimento do céu…*
Visitamos a D.A e o M., estavam uma alegria só! Um anjinho traquina que dança o “tic-tac” da Floribella como ninguém J!
Levamos o Sr. Z a casa e partimos rumo à nova casa dos nossos amigos do prédio! E que linda casa! Estivemos com o ZM, e com mais dois novos amigos: o J e o sr. M.! Conversamos como bons amigos, expectativas e preferências de trabalho, a família feliz do outro lado da Europa, belas artes, possíveis restaurações e construções e, claro, sobre o clássico da noite!
Ficou-nos uma pulguinha atrás da orelha quando o ZM nos falou da D tão preocupado L A verdade é ela está a piorar de dia para dia, e agora eles desconfiam de tuberculose L, e afirmam que ela não sente a mínima vontade de se tratar e de pedir ajuda L Rezamos por ela…
Sentimos todos a falta do J.! J., aparece por favor!!!
Continuamos rumo ao Sr. M, que tem estado um verdadeiro amor… não quis a sopinha que lhe fiz… tinha acabado de jantar! Pareceu-nos bem… chateado com a I, mas bem! Sentimos todos que a nossa relação tem evoluído a olhos vistos… parece de pedra, mas o coração é de melJ
(Ao longo da ronda fomos recebendo verdadeiros toques de Deus, toques de eternidade nas mais variadas coisas… matriculas de automóveis, direcções de autocarros) – tinha mesmo de dizer isto JJJ
Estivemos também com o Sr. PM, que queria a todo custo calçar umas sapatilhas nº39, quando calçava 41! Lá se convenceu de que o iriam magoar mais que ajudar! (já agora: alguém tem calçado nº41? Obrigada…), com o Sr. R., o Sr. D e um senhor que não fala, mas que ficaram connosco pouco tempo.
Acabamos a ronda a visitar o Sr. J., que finalmente acordou e passou connosco um bom tempinho a conversar. Continua certinho, atarefado no seu trabalho e a dizer orgulhosamente que o seu dinheirinho já chegou para comprar umas roupinhas novas! Veio connosco dar boa-noite à D. I., que tomou o seu leite com café, com os bolinhos que tanto gosta! Foi a casa esta semana, mas não lhe passa pela cabeça ir para lá de vez… sente que não há nada que a prenda lá…
E terminamos, como sempre… a D. I. a mandar-nos embora com aquelas preces tão abençoadas e características!
Rezamos por eles, pela ronda feliz que tivemos e pelos membros que andam agora soltos pelo mundo! Voem muito, muito alto!
Uma semana feliz para todosJ. Abraço fechado, em Jesus: Andreia Gil*
Minh’alma canta de gozo
Pois na minha PEQUENEZ
Se detiveram Seus olhos…”
Assim começou a nossa ronda… recordando o dom da humildade e da pequenez, e com vontade de levar aos outros os nossos olhos, os ouvidos, a boca, as mãos e o nosso coração…
Começamos pela S. e pelo Sr.Z. que tão bem fazem companhia um ao outro. A S. continua com a constipação chata, que a deixa muito em baixo e com os olhinhos muito carregadinhos de pouca alegria… mas com o almoço em casa da D. A. e com a nossa visita tudo melhorou!
Passamos um bom bocado juntos… a cumplicidade é já tão grande, que é necessário muito poucas palavras para um entendimento do céu…*
Visitamos a D.A e o M., estavam uma alegria só! Um anjinho traquina que dança o “tic-tac” da Floribella como ninguém J!
Levamos o Sr. Z a casa e partimos rumo à nova casa dos nossos amigos do prédio! E que linda casa! Estivemos com o ZM, e com mais dois novos amigos: o J e o sr. M.! Conversamos como bons amigos, expectativas e preferências de trabalho, a família feliz do outro lado da Europa, belas artes, possíveis restaurações e construções e, claro, sobre o clássico da noite!
Ficou-nos uma pulguinha atrás da orelha quando o ZM nos falou da D tão preocupado L A verdade é ela está a piorar de dia para dia, e agora eles desconfiam de tuberculose L, e afirmam que ela não sente a mínima vontade de se tratar e de pedir ajuda L Rezamos por ela…
Sentimos todos a falta do J.! J., aparece por favor!!!
Continuamos rumo ao Sr. M, que tem estado um verdadeiro amor… não quis a sopinha que lhe fiz… tinha acabado de jantar! Pareceu-nos bem… chateado com a I, mas bem! Sentimos todos que a nossa relação tem evoluído a olhos vistos… parece de pedra, mas o coração é de melJ
(Ao longo da ronda fomos recebendo verdadeiros toques de Deus, toques de eternidade nas mais variadas coisas… matriculas de automóveis, direcções de autocarros) – tinha mesmo de dizer isto JJJ
Estivemos também com o Sr. PM, que queria a todo custo calçar umas sapatilhas nº39, quando calçava 41! Lá se convenceu de que o iriam magoar mais que ajudar! (já agora: alguém tem calçado nº41? Obrigada…), com o Sr. R., o Sr. D e um senhor que não fala, mas que ficaram connosco pouco tempo.
Acabamos a ronda a visitar o Sr. J., que finalmente acordou e passou connosco um bom tempinho a conversar. Continua certinho, atarefado no seu trabalho e a dizer orgulhosamente que o seu dinheirinho já chegou para comprar umas roupinhas novas! Veio connosco dar boa-noite à D. I., que tomou o seu leite com café, com os bolinhos que tanto gosta! Foi a casa esta semana, mas não lhe passa pela cabeça ir para lá de vez… sente que não há nada que a prenda lá…
E terminamos, como sempre… a D. I. a mandar-nos embora com aquelas preces tão abençoadas e características!
Rezamos por eles, pela ronda feliz que tivemos e pelos membros que andam agora soltos pelo mundo! Voem muito, muito alto!
Uma semana feliz para todosJ. Abraço fechado, em Jesus: Andreia Gil*
terça-feira, outubro 24, 2006
Crónica da ronda de 22/10/06 (Boavista)
Ronda da Boavista
Partimos este domingo, como habitualmente, a partir do CREU e depois de uma breve oração. Esta semana, estávamos em grande número, o que é sempre bom de ver e alegra ainda mais a nossa percepção sobre o trabalho que fazemos…!
Começámos pela família Quaresma que, desta vez estava reduzida apenas à D. F. Mal nos viu perguntou-nos se lhe tínhamos trazido o vestuário que nos tinha pedido e agradeceu a fita-cola que levámos. Queixou-se das suas diabetes, do braço, das várias organizações que a ajudam porque não trazem o que ela quer, até da “futura nora” que também é sua sobrinha… mas com o seu toque de sempre de boa disposição, algo que muito a caracteriza, assim como a ideia que a vida tem que andar para a frente, o que é sempre de louvar!
Seguidamente partimos para o Foco, mas não encontrámos, como já era de esperar, o M. Apesar de tudo, soubemos pelo empregado do café do lado, que ele estava numa clínica em Aveiro a tratar-se. Se for verdade, é uma óptima notícia!
Assim, fomos de encontro ao J. P que estava um pouco stressado, mas que ainda falou um pouco connosco. Deu-nos alguns conselhos alimentares, isto é, sugestões de menu para os sacos porque, segundo ele, este não tem grd sucesso. Ficou prometido um encontro com o Jorge durante a semana e até, se calhar, um cinema!...
Ali perto estivemos com o Sr. A., que estava todo agasalhado, com um casaco e boné novos, oferecidos. Lá trocámos uns dedos de conversa e seguimos para o Sr. V. que, mais uma vez, estava a dormir. Para marcar a nossa presença por lá, deixámos-lhe um saco de comida.
Seguidamente fomos procurar, ali nas redondezas, vestígios de gente, mas vimos apenas um camionista que ali dormia no chão porque, segundo ele, estava mais confortável ali, do que no camião.
À vinda para o carro, cruzámo-nos com um novo J.P., que nos pediu uma roupinha e aceitou um saco nosso.
Acabámos a noite, como de costume, em N.S.F., em oração de partilha.
Foi uma óptima ronda pois já não estávamos os 5 há muito tempo!!
Um bjinho a todos e (viva o pólo GT ;))
Ana Carvalho
Partimos este domingo, como habitualmente, a partir do CREU e depois de uma breve oração. Esta semana, estávamos em grande número, o que é sempre bom de ver e alegra ainda mais a nossa percepção sobre o trabalho que fazemos…!
Começámos pela família Quaresma que, desta vez estava reduzida apenas à D. F. Mal nos viu perguntou-nos se lhe tínhamos trazido o vestuário que nos tinha pedido e agradeceu a fita-cola que levámos. Queixou-se das suas diabetes, do braço, das várias organizações que a ajudam porque não trazem o que ela quer, até da “futura nora” que também é sua sobrinha… mas com o seu toque de sempre de boa disposição, algo que muito a caracteriza, assim como a ideia que a vida tem que andar para a frente, o que é sempre de louvar!
Seguidamente partimos para o Foco, mas não encontrámos, como já era de esperar, o M. Apesar de tudo, soubemos pelo empregado do café do lado, que ele estava numa clínica em Aveiro a tratar-se. Se for verdade, é uma óptima notícia!
Assim, fomos de encontro ao J. P que estava um pouco stressado, mas que ainda falou um pouco connosco. Deu-nos alguns conselhos alimentares, isto é, sugestões de menu para os sacos porque, segundo ele, este não tem grd sucesso. Ficou prometido um encontro com o Jorge durante a semana e até, se calhar, um cinema!...
Ali perto estivemos com o Sr. A., que estava todo agasalhado, com um casaco e boné novos, oferecidos. Lá trocámos uns dedos de conversa e seguimos para o Sr. V. que, mais uma vez, estava a dormir. Para marcar a nossa presença por lá, deixámos-lhe um saco de comida.
Seguidamente fomos procurar, ali nas redondezas, vestígios de gente, mas vimos apenas um camionista que ali dormia no chão porque, segundo ele, estava mais confortável ali, do que no camião.
À vinda para o carro, cruzámo-nos com um novo J.P., que nos pediu uma roupinha e aceitou um saco nosso.
Acabámos a noite, como de costume, em N.S.F., em oração de partilha.
Foi uma óptima ronda pois já não estávamos os 5 há muito tempo!!
Um bjinho a todos e (viva o pólo GT ;))
Ana Carvalho
segunda-feira, outubro 23, 2006
Crónica da ronda de 15/10/2006 (6º trajecto)
Era perfeitamente plausível começar esta crónica com um “Naquela noite” ou talvez ainda um “Chovia”... Mas hoje, talvez pelo atraso descomunal na escrita e consecutiva entrega desta crónica (desculpa joão :=) ) pensei em, ou pelo menos tentar, escrever algo diferente.
Encontrei este poema que penso que descreve um sentimento que os nossos amigos devem partilhar :=) Deixo as interpretações para o(s) leitore(s) :=) Espero que gostem !
Chuva
São estes os dias que correm,
qual vento de tristeza cortante,
em que a chuva parece amar-me,
e vagueiosem rumo.
Procuro uma felicidade que não existe
ou terá existido ?
Até que sinto um bom calor no rosto,
uma luz terna no meio da solidão.
Da multidão.
Os meus olhos perscrutam essa luz.
Quando te olhei, o vento mudou.
Quem és ?
Como, quando e onde ?
Estendo a minha mão trémula,
E desvaneces...
Oh Vida de Sonhos e Ambições,
Regressa e vem empurrar-me para ti,
Qual imperial resgate
desta minha tirana...
Solidão.
Gabriela Soares
Encontrei este poema que penso que descreve um sentimento que os nossos amigos devem partilhar :=) Deixo as interpretações para o(s) leitore(s) :=) Espero que gostem !
Chuva
São estes os dias que correm,
qual vento de tristeza cortante,
em que a chuva parece amar-me,
e vagueiosem rumo.
Procuro uma felicidade que não existe
ou terá existido ?
Até que sinto um bom calor no rosto,
uma luz terna no meio da solidão.
Da multidão.
Os meus olhos perscrutam essa luz.
Quando te olhei, o vento mudou.
Quem és ?
Como, quando e onde ?
Estendo a minha mão trémula,
E desvaneces...
Oh Vida de Sonhos e Ambições,
Regressa e vem empurrar-me para ti,
Qual imperial resgate
desta minha tirana...
Solidão.
Gabriela Soares
Crónica da ronda de 22/10/2006 (6º trajecto)
Voltámos a uma "vivenda" dorminhoca, com a sorte de o Sr J ter levantado uma pálpebra no momento em que olhávamos para ele. Despertámo-lo, e ele aos outros, o suficiente para iniciarmos mais uma noite bem passada.
De bom humor o Sr J A, olhar e sorriso malandros, murmura uma piada, o J levanta-se a custo de riso pronto, ao lado só a D e o companheiro dormiam profundamente. O J fizera anos na véspera (falhámos o bolo...!) e a conversa avançou sobre os signos. Paralelamente apercebia-me da vontade do Sr J em desentoxicar-se dos 5 litros de vinho que bebe por dia há demasiados anos. Voluntários para ajudar-nos a levá-lo ao Conde Ferreira ainda esta semana? Amanhã vai com o J buscar o BI à Loja do Cidadão. Pergunto-lhe pelo Sr F. Mudou de poiso com uma companheira. Fontaínhas? Pesquisa em próxima ronda.
À saída uma prenda de recurso para o J e um encontro instantãneo com o Sr J que passava, feliz por nos ver.
Passámos ainda na Trindade, à procura do L conhecêmos o M, com um pé na heroína e outro na desintoxicação (prestes a começar!). Recolhemos a Nª Srª de Fátima. Dissemos algumas palavras a Quem nos ouve e atende e nos não abandona. Boa semana a todos!
De bom humor o Sr J A, olhar e sorriso malandros, murmura uma piada, o J levanta-se a custo de riso pronto, ao lado só a D e o companheiro dormiam profundamente. O J fizera anos na véspera (falhámos o bolo...!) e a conversa avançou sobre os signos. Paralelamente apercebia-me da vontade do Sr J em desentoxicar-se dos 5 litros de vinho que bebe por dia há demasiados anos. Voluntários para ajudar-nos a levá-lo ao Conde Ferreira ainda esta semana? Amanhã vai com o J buscar o BI à Loja do Cidadão. Pergunto-lhe pelo Sr F. Mudou de poiso com uma companheira. Fontaínhas? Pesquisa em próxima ronda.
À saída uma prenda de recurso para o J e um encontro instantãneo com o Sr J que passava, feliz por nos ver.
Passámos ainda na Trindade, à procura do L conhecêmos o M, com um pé na heroína e outro na desintoxicação (prestes a começar!). Recolhemos a Nª Srª de Fátima. Dissemos algumas palavras a Quem nos ouve e atende e nos não abandona. Boa semana a todos!
sexta-feira, outubro 20, 2006
Crónica da ronda de 15/10/2006 (Batalha)
A ronda da Batalha precisava de um elemento masculino e lá fui convocado. Assim, partimos com a Manela, a São e a Francisca. À semelhança do que Jesus sugeria ao jovem rico, fomos fazer aquilo que por mais que se faça, faz sempre falta: algo de bom.
O primeiro destino era uma zona onde já algum tempo este percurso não passava. Procurávamos o sr. J. A. e outros sem-abrigo que nos tinham indicado. Não obtivemos qualquer resultado. Seguimos para o P.: Não se encontrava... Deixámos um saco, procurámo-lo rua abaixo e, nada. Encaminhámo-nos para o sr. D. e o sr. F.
O sr. D. estava extremamente ensonado. Apesar do empenho das meninas em tentar estabelecer diálogo, com temas como o frio, a roupa e a sua terra, não conseguimos que despertasse. O sr. F. estava bem disposto. Dá-se muito bem com a Manela. Prometemos levar-lhe um boné, da próxima vez. Estava calmo, apesar de, de vez em quando, se virar para um painel num prédio, com notícias que correm como se de um pé-de-página de um qualquer tele-jornal se tratasse. Senti que para uma pessoa com perturbações mentais, aquele painel é tudo menos terapêutico.
Voltámos a passar no P., mas continuava sem estar. Seguimos para o sr. J. O sr. J. tem a sua “cama” montada na entrada da Comissão de Trabalhadores e da Associação C. e D. do Banco, de dia e de noite, sem que ninguém o pressione a sair. Estava de cabelo curto e barba aparada: Rejuvenescido! Falou-nos da sua ex-mulher e da vida que teve em Espanha.
No regresso ao CREU, ainda encontrámos um sem-abrigo novo e, noutros locais, outros a prepararem-se para se instalar para passarem a noite.
O percurso terminou onde começou, com a partilha final dentro do carro e com a chuva lá fora. Sentimos que fizemos algo de bom, mas que muito mais ficou por fazer.
Um abraço.
O primeiro destino era uma zona onde já algum tempo este percurso não passava. Procurávamos o sr. J. A. e outros sem-abrigo que nos tinham indicado. Não obtivemos qualquer resultado. Seguimos para o P.: Não se encontrava... Deixámos um saco, procurámo-lo rua abaixo e, nada. Encaminhámo-nos para o sr. D. e o sr. F.
O sr. D. estava extremamente ensonado. Apesar do empenho das meninas em tentar estabelecer diálogo, com temas como o frio, a roupa e a sua terra, não conseguimos que despertasse. O sr. F. estava bem disposto. Dá-se muito bem com a Manela. Prometemos levar-lhe um boné, da próxima vez. Estava calmo, apesar de, de vez em quando, se virar para um painel num prédio, com notícias que correm como se de um pé-de-página de um qualquer tele-jornal se tratasse. Senti que para uma pessoa com perturbações mentais, aquele painel é tudo menos terapêutico.
Voltámos a passar no P., mas continuava sem estar. Seguimos para o sr. J. O sr. J. tem a sua “cama” montada na entrada da Comissão de Trabalhadores e da Associação C. e D. do Banco, de dia e de noite, sem que ninguém o pressione a sair. Estava de cabelo curto e barba aparada: Rejuvenescido! Falou-nos da sua ex-mulher e da vida que teve em Espanha.
No regresso ao CREU, ainda encontrámos um sem-abrigo novo e, noutros locais, outros a prepararem-se para se instalar para passarem a noite.
O percurso terminou onde começou, com a partilha final dentro do carro e com a chuva lá fora. Sentimos que fizemos algo de bom, mas que muito mais ficou por fazer.
Um abraço.
quinta-feira, outubro 19, 2006
vidas
Foi numa noite fria e chuvosa que saí de casa pronta a entrevistar a pessoa que daria início ao nosso trabalho de Antropologia.
Chegámos ao local combinado um pouco atrasados e deparámo-nos apenas com os habituais caixotes expostos organizadamente à porta do prédio que lhe serve de “abrigo” todas as noites.
Descemos, então, a rua e fomos encontrá-lo, como prevíamos, a arrumar os poucos carros que paravam naquela zona. Estava molhado e cabisbaixo; não nos saudou com a alegria que nos é familiar. “A noite está má; está tudo a “bater mal””, dizia ele enquanto se nos dirigia. “Estou todo molhado, não tenho dinheiro para comer, nem sequer para comprar tabaco...está mesmo mau! Por acaso não me arranjam umas sapatilhas?” Olhei-lhe para os pés e apercebi-me que, no meio desta chuva toda, o único calçado que ainda lhe resta são umas sandálias de Verão. É nestas alturas que nos sentimos culpados por nos queixarmos de frio quando temos armários cheios de camisolas em casa, da chuva só porque nos estraga o penteado ou porque nos esquecemos do guarda-chuva no carro...nunca nos lembramos de agradecer essas pequenas coisas que tanta falta fazem na vida destas pessoas.
O P. nasceu a 4 de Abril de 1975 e, com apenas 31 anos, é hoje um dos muitos sem abrigo que dormem todos os dias pelas ruas do Porto.
No início tudo corria bem. Nasceu em Matosinhos, em casa, teve uma infância normal, fez a primária na Escola de Guifões, o ciclo na Senhora da Hora e concluiu o secundário na Escola Nacional, tendo terminado os estudos no 12º ano: “Não tinha cabeça para aturar aquilo tudo!”.
Na adolescência começou a organizar algumas festas juntamente com os colegas nas quais punha música. Depois, aquilo que começou por ser uma brincadeira tornou-se em algo mais sério e chegou a tocar em vários locais como DJ: Penacova, “Tuaregue”, “Voice”, “Pacha”, entre outros.
Tendo a pintura como arte, “Não tenho nenhum curso mas sou profissional naquilo que faço” considera-se “polivalente”: “Tudo o que quiserem eu faço: jardinagem, carpintaria...um pouco de tudo!”
Casou em 1995 com S., num “dia descomunal” e teve um filho logo a seguir, em 1996, a quem deu o nome de J. P.. E foi a seguir ao nascimento deste que a sua vida mudou, quando entrou no mundo da droga. Quando lhe perguntei qual a razão que o levou a optar por esse caminho; se problemas familiares, no trabalho, amizades ou outra razão qualquer, respondeu-me que não pode culpar ninguém: “É como o tabaco; uma pessoa não te te pode enfiar um cigarro na boca...se quiseres fumas, se não quiseres recusas!”
Foi para Itália, Veneza, em 1998 onde trabalhou no “Fincantier”, um dos maiores transatlânticos existentes, tendo-se divorciado da mulher um ano depois, quando voltou para Portugal.
Em 1999 voltou a viajar, desta vez para a Bélgica, Antuérpia, trabalhando numa refinaria.
Em 2000 fez uma última viagem em busca de trabalho, desta vez para Espanha, Alicante e, no regresso, entrou no programa da metadona, num CAT, onde permaneceu durante 5 anos. Foi expulso em 2005 e, sem ter ninguém que o ajudasse, veio parar à rua: “É graças ao enfermeiro que agora estou aqui!”
Nessa altura, talvez por estar desprotegido, voltou a consumir: “Também não percebo como é que uns pais conseguem dormir à noite sabendo que têm um filho a dormir na rua.”
P. entrou há umas semanas no METAS, umas carrinhas, para tentar uma nova desintoxicação, até agora com bons resultados, através de um programa de metadona e reinserção social.
Durante toda a entrevista e apesar de já contactar com ele há já alguns meses aos Domingos à noite, fiquei sensibilizada com a sua pureza de sentimentos e com a boa disposição que consegue manter mesmo depois de todas as dificuldades por que já passou na sua vida relativamente curta.
Auto define-se como sendo “resmungão”, teimoso e orgulhoso, mas também prestável, amigo do seu amigo e carinhoso...”muuuuuuuito carinhoso!”
Gosta de gatos, na infância chamavam-lhe “Miau” pelos olhos verdes que ainda hoje o caracterizam e a profissão que gostava de exercer era condutor de comboios: “Não sei porquê mas sempre gostei de comboios, desde pequeno, e era uma coisa que adorava fazer.”
A maior loucura que cometeu até hoje foi, depois de um banho com uns amigos numa praia em Espinho em que lhe tiraram as roupas, ter atravessado a cidade, no comboio e pela rua, só em cuecas! É bom ver a alegria que transparece nos seus olhos quando recorda momentos felizes da sua vida.
E é também com emoção que recorda o maior desafio; o dia em que tocou actuou pela primeira vez, em Penacova: “É muito diferente estares desse lado a dançar e a ouvir música e estares no outro, em que tens que agradar as pessoas e fazer com que se divirtam”.
A tristeza volta a invadir-lhe o olhar quando lhe pergunto qual é a sua maior paixão, ao que me responde que é a sua ex-mulher, S., e o momento mais difícil da sua vida: a sua separação, quando estavam no tribunal: “Nem conseguia dizer nada...”
É também invadido por uma grande nostalgia quando descreve o momento mais feliz – o casamento: “A minha mulher desmaiou e tudo...eu só estava era a ver que ela não dizia o sim!”
E é por todas estas razões que, se pudesse, mudava tudo na sua vida depois do casamento: “Perdi-a por uma estupidez!”
E é nos pequenos detalhes que vemos quão diferente a sua vida é da nossa e como coisas que para nós são um dado adquirido, são para ele o maior sonho: “Ter uma boa casa, uma boa família e ser feliz...é só isso que eu quero!” E é talvez por isto que as suas expectativas para o futuro são curar-se, arranjar trabalho e uma mulher...quem sabe não reconquista a sua grande paixão!
O que mais o fascina no mundo é o seu filho; poder vê-lo crescer, jogar à bola e rever-se nele e a sua viagem de sonho é, depois de arranjar dinheiro, comprar um “grande carrão”, pegar no filho e na ex-mulher e “andar por aí...só parava em Espanha!”
A maior dificuldade que passou e passa na vida é “Estar molhado, querer alguma coisa quente para beber ou comer e não ter nada...o dinheiro não traz felicidade mas ajuda!” São estas e outras razões que o levam a afirmar que na rua não há nada bom: “É tudo do pior, levamos muitas “Calcadelas””, por isso aceita “Tudo o que me possam dar...não tenho nada a perder!”
O que mais gosta nas pessoas é o carinhocom que, por vezes, o tratam e de que tanto necessita e o que mais odeia é a hipocrisia.
Não gosta dos preconceitos que ainda há em relação aos sem abrigo e aos toxicodependentes: “As pessoas olham para mim como se eu fosse um criminoso.”
Vivendo num mundo que considera “cruel, ingrato e desumano” não se sente bem na sociedade em que está inserido: “Se houvesse outro universo apanhava boleia para lá!” No entanto, quando lhe perguntamos qual o país que escolheria para viver não vai tão longe e responde sem hesitações: “Itália! As pessoas são mais humanas...”
Se pudesse mudar o mundo acabaria com a droga, a prostituição, a pedofilia... “O mundo está podre! Acho que só devia haver dois carros por família...vamos acabar todos por morrer com falta de ar!”
Como última pergunta escolhi: se ganhasses o euro milhões o que farias? E foi aqui a minha maior surpresa! P. respondeu-me que ajudava todos os “amigos da rua”: “Construía um prédio com um apartamento para cada!” E com uma das suas sonoras gargalhadas acrescentou: “Depois abria uma firma de jardinagem e carpintaria para eles trabalharem para mim. Não podem viver sempre às minhas custas, não é?! Depois quando estivessem bem continuavam a vida deles...eu arranjava-lhes o primeiro emprego, depois era mais fácil!” Como é que uma pessoa que nada tem, se pudesse, dava tudo aos outros? Admirada, perguntei: “E para ti não fazias nada?”, ao que ele me respondeu: “Com tanto dinheiro não se pensa no que se faz...vai-se vivendo o dia a dia!”
E o único pensamento que me resta, com ou sem dinheiro, é que temos muito que aprender com o P.!
Inês Bessa
Chegámos ao local combinado um pouco atrasados e deparámo-nos apenas com os habituais caixotes expostos organizadamente à porta do prédio que lhe serve de “abrigo” todas as noites.
Descemos, então, a rua e fomos encontrá-lo, como prevíamos, a arrumar os poucos carros que paravam naquela zona. Estava molhado e cabisbaixo; não nos saudou com a alegria que nos é familiar. “A noite está má; está tudo a “bater mal””, dizia ele enquanto se nos dirigia. “Estou todo molhado, não tenho dinheiro para comer, nem sequer para comprar tabaco...está mesmo mau! Por acaso não me arranjam umas sapatilhas?” Olhei-lhe para os pés e apercebi-me que, no meio desta chuva toda, o único calçado que ainda lhe resta são umas sandálias de Verão. É nestas alturas que nos sentimos culpados por nos queixarmos de frio quando temos armários cheios de camisolas em casa, da chuva só porque nos estraga o penteado ou porque nos esquecemos do guarda-chuva no carro...nunca nos lembramos de agradecer essas pequenas coisas que tanta falta fazem na vida destas pessoas.
O P. nasceu a 4 de Abril de 1975 e, com apenas 31 anos, é hoje um dos muitos sem abrigo que dormem todos os dias pelas ruas do Porto.
No início tudo corria bem. Nasceu em Matosinhos, em casa, teve uma infância normal, fez a primária na Escola de Guifões, o ciclo na Senhora da Hora e concluiu o secundário na Escola Nacional, tendo terminado os estudos no 12º ano: “Não tinha cabeça para aturar aquilo tudo!”.
Na adolescência começou a organizar algumas festas juntamente com os colegas nas quais punha música. Depois, aquilo que começou por ser uma brincadeira tornou-se em algo mais sério e chegou a tocar em vários locais como DJ: Penacova, “Tuaregue”, “Voice”, “Pacha”, entre outros.
Tendo a pintura como arte, “Não tenho nenhum curso mas sou profissional naquilo que faço” considera-se “polivalente”: “Tudo o que quiserem eu faço: jardinagem, carpintaria...um pouco de tudo!”
Casou em 1995 com S., num “dia descomunal” e teve um filho logo a seguir, em 1996, a quem deu o nome de J. P.. E foi a seguir ao nascimento deste que a sua vida mudou, quando entrou no mundo da droga. Quando lhe perguntei qual a razão que o levou a optar por esse caminho; se problemas familiares, no trabalho, amizades ou outra razão qualquer, respondeu-me que não pode culpar ninguém: “É como o tabaco; uma pessoa não te te pode enfiar um cigarro na boca...se quiseres fumas, se não quiseres recusas!”
Foi para Itália, Veneza, em 1998 onde trabalhou no “Fincantier”, um dos maiores transatlânticos existentes, tendo-se divorciado da mulher um ano depois, quando voltou para Portugal.
Em 1999 voltou a viajar, desta vez para a Bélgica, Antuérpia, trabalhando numa refinaria.
Em 2000 fez uma última viagem em busca de trabalho, desta vez para Espanha, Alicante e, no regresso, entrou no programa da metadona, num CAT, onde permaneceu durante 5 anos. Foi expulso em 2005 e, sem ter ninguém que o ajudasse, veio parar à rua: “É graças ao enfermeiro que agora estou aqui!”
Nessa altura, talvez por estar desprotegido, voltou a consumir: “Também não percebo como é que uns pais conseguem dormir à noite sabendo que têm um filho a dormir na rua.”
P. entrou há umas semanas no METAS, umas carrinhas, para tentar uma nova desintoxicação, até agora com bons resultados, através de um programa de metadona e reinserção social.
Durante toda a entrevista e apesar de já contactar com ele há já alguns meses aos Domingos à noite, fiquei sensibilizada com a sua pureza de sentimentos e com a boa disposição que consegue manter mesmo depois de todas as dificuldades por que já passou na sua vida relativamente curta.
Auto define-se como sendo “resmungão”, teimoso e orgulhoso, mas também prestável, amigo do seu amigo e carinhoso...”muuuuuuuito carinhoso!”
Gosta de gatos, na infância chamavam-lhe “Miau” pelos olhos verdes que ainda hoje o caracterizam e a profissão que gostava de exercer era condutor de comboios: “Não sei porquê mas sempre gostei de comboios, desde pequeno, e era uma coisa que adorava fazer.”
A maior loucura que cometeu até hoje foi, depois de um banho com uns amigos numa praia em Espinho em que lhe tiraram as roupas, ter atravessado a cidade, no comboio e pela rua, só em cuecas! É bom ver a alegria que transparece nos seus olhos quando recorda momentos felizes da sua vida.
E é também com emoção que recorda o maior desafio; o dia em que tocou actuou pela primeira vez, em Penacova: “É muito diferente estares desse lado a dançar e a ouvir música e estares no outro, em que tens que agradar as pessoas e fazer com que se divirtam”.
A tristeza volta a invadir-lhe o olhar quando lhe pergunto qual é a sua maior paixão, ao que me responde que é a sua ex-mulher, S., e o momento mais difícil da sua vida: a sua separação, quando estavam no tribunal: “Nem conseguia dizer nada...”
É também invadido por uma grande nostalgia quando descreve o momento mais feliz – o casamento: “A minha mulher desmaiou e tudo...eu só estava era a ver que ela não dizia o sim!”
E é por todas estas razões que, se pudesse, mudava tudo na sua vida depois do casamento: “Perdi-a por uma estupidez!”
E é nos pequenos detalhes que vemos quão diferente a sua vida é da nossa e como coisas que para nós são um dado adquirido, são para ele o maior sonho: “Ter uma boa casa, uma boa família e ser feliz...é só isso que eu quero!” E é talvez por isto que as suas expectativas para o futuro são curar-se, arranjar trabalho e uma mulher...quem sabe não reconquista a sua grande paixão!
O que mais o fascina no mundo é o seu filho; poder vê-lo crescer, jogar à bola e rever-se nele e a sua viagem de sonho é, depois de arranjar dinheiro, comprar um “grande carrão”, pegar no filho e na ex-mulher e “andar por aí...só parava em Espanha!”
A maior dificuldade que passou e passa na vida é “Estar molhado, querer alguma coisa quente para beber ou comer e não ter nada...o dinheiro não traz felicidade mas ajuda!” São estas e outras razões que o levam a afirmar que na rua não há nada bom: “É tudo do pior, levamos muitas “Calcadelas””, por isso aceita “Tudo o que me possam dar...não tenho nada a perder!”
O que mais gosta nas pessoas é o carinhocom que, por vezes, o tratam e de que tanto necessita e o que mais odeia é a hipocrisia.
Não gosta dos preconceitos que ainda há em relação aos sem abrigo e aos toxicodependentes: “As pessoas olham para mim como se eu fosse um criminoso.”
Vivendo num mundo que considera “cruel, ingrato e desumano” não se sente bem na sociedade em que está inserido: “Se houvesse outro universo apanhava boleia para lá!” No entanto, quando lhe perguntamos qual o país que escolheria para viver não vai tão longe e responde sem hesitações: “Itália! As pessoas são mais humanas...”
Se pudesse mudar o mundo acabaria com a droga, a prostituição, a pedofilia... “O mundo está podre! Acho que só devia haver dois carros por família...vamos acabar todos por morrer com falta de ar!”
Como última pergunta escolhi: se ganhasses o euro milhões o que farias? E foi aqui a minha maior surpresa! P. respondeu-me que ajudava todos os “amigos da rua”: “Construía um prédio com um apartamento para cada!” E com uma das suas sonoras gargalhadas acrescentou: “Depois abria uma firma de jardinagem e carpintaria para eles trabalharem para mim. Não podem viver sempre às minhas custas, não é?! Depois quando estivessem bem continuavam a vida deles...eu arranjava-lhes o primeiro emprego, depois era mais fácil!” Como é que uma pessoa que nada tem, se pudesse, dava tudo aos outros? Admirada, perguntei: “E para ti não fazias nada?”, ao que ele me respondeu: “Com tanto dinheiro não se pensa no que se faz...vai-se vivendo o dia a dia!”
E o único pensamento que me resta, com ou sem dinheiro, é que temos muito que aprender com o P.!
Inês Bessa
Crónica da ronda de 15/10/06 (Boavista)
A noite começou com a concentração do costume em frente à Igreja e com uma nova companhia nas rondas, a Filipa.
Lá partimos entusiasmados por mostrar tudo aquilo que fazemos todos os domingos à Filipa, assim começamos pelo Lima 5 com a família Q..
Quando lá chegamos fomos recebidos com o já habitual sorriso da D.F., que apesar de uma dor de dentes incomodativa não a deixou esquecer as “encomendas” do domingo passado. Demos-lhe as encomendas e logo de seguida aproveitar para pedir mais umas coisinhas. O Sr V. dormitava debaixo do cobertor, adoentado, não lhe tendo visto a cara e o Sr M. também já se tinha retirado para casa.
A D. F. lá nos contou a semana, a ida a Guimarães, as visitas ao filho, as peripécias das cadelas, as descomposturas às carrinhas….
Despedimo-nos e partimos para o Bom Sucesso na esperança de sabermos notícias do J.P. que tinha mostrado vontade de entrar para a metadona.
Infelizmente não o encontramos e do que conseguimos saber ele só foi visto naquela zona na segunda-feira passada, quem sabe não será um bom sinal. Esperamos que onde quer que ele esteja que tenha força para seguir em frente.
Partimos ao encontro do Sr A., sempre bem disposto, pronto para relatar quem tinha visto de caras conhecidas durante a semana. Contou-nos como tinha corrido a semana, queixou-se mais uma vez que o “negócio” está mau e que os filhos continuam sem trabalhar.
Debaixo de uma chuva torrencial partimos para a última paragem da noite, o Sr V.. Quando lá chegamos fomos surpreendidos com um grupo de ucranianos que animadamente tentavam esquecer as saudades de casa, os trabalhos mal pagos, as más condições em que se encontram e a fome.
O Sr V. chateado com a confusão que esteva instalada no seu canto virou-se para o outro lado e pôs-se a dormir, não tendo havido grandes conversas.
Ao grupo de ucranianos entregamos sacos com comida e o folheto informativo, que pensamos que os poderá ajudar.
A noite acabou no CREU com a oração e partilha das experiências de mais uma noite.
Benedita Salinas
Lá partimos entusiasmados por mostrar tudo aquilo que fazemos todos os domingos à Filipa, assim começamos pelo Lima 5 com a família Q..
Quando lá chegamos fomos recebidos com o já habitual sorriso da D.F., que apesar de uma dor de dentes incomodativa não a deixou esquecer as “encomendas” do domingo passado. Demos-lhe as encomendas e logo de seguida aproveitar para pedir mais umas coisinhas. O Sr V. dormitava debaixo do cobertor, adoentado, não lhe tendo visto a cara e o Sr M. também já se tinha retirado para casa.
A D. F. lá nos contou a semana, a ida a Guimarães, as visitas ao filho, as peripécias das cadelas, as descomposturas às carrinhas….
Despedimo-nos e partimos para o Bom Sucesso na esperança de sabermos notícias do J.P. que tinha mostrado vontade de entrar para a metadona.
Infelizmente não o encontramos e do que conseguimos saber ele só foi visto naquela zona na segunda-feira passada, quem sabe não será um bom sinal. Esperamos que onde quer que ele esteja que tenha força para seguir em frente.
Partimos ao encontro do Sr A., sempre bem disposto, pronto para relatar quem tinha visto de caras conhecidas durante a semana. Contou-nos como tinha corrido a semana, queixou-se mais uma vez que o “negócio” está mau e que os filhos continuam sem trabalhar.
Debaixo de uma chuva torrencial partimos para a última paragem da noite, o Sr V.. Quando lá chegamos fomos surpreendidos com um grupo de ucranianos que animadamente tentavam esquecer as saudades de casa, os trabalhos mal pagos, as más condições em que se encontram e a fome.
O Sr V. chateado com a confusão que esteva instalada no seu canto virou-se para o outro lado e pôs-se a dormir, não tendo havido grandes conversas.
Ao grupo de ucranianos entregamos sacos com comida e o folheto informativo, que pensamos que os poderá ajudar.
A noite acabou no CREU com a oração e partilha das experiências de mais uma noite.
Benedita Salinas
segunda-feira, outubro 16, 2006
Crónica da ronda de 8/10/2006 (6º trajecto)
Mais uma vez ficamos pela vivenda S.
A D desta vez não quis conversa, estava acompanhada com um rapaz que é novo nesta paragem e quando chegaram o Sr. J e o N, quiseram afastar-se, pelos vistos eles não gostam muito que estes lá apareçam.
O Sr. J A começou por dizer que estava farto de estar ali e que em Dezembro vinha um dos filhos, talvez fosse uma boa altura para sair da rua e fazer uma desintoxicação. Depois acabou por não falar mais porque chegaram entretanto as duas pessoas que costumam lá passar, as relações não são das melhores, acabou por virar-se e adormecer.
O J falou bastante mas continua sem motivação para desenvolver alguma coisa, tem ideias, sonhos mas quando é que estes se vão concretizar não sabemos! Referiu que às vezes não sabe o que dizer quando perguntamos se já arranjou algum trabalho, aliás não gosta muito. Perguntei se ele não gostava que nós passássemos por lá aos Domingos, disse que gostava, mas as perguntas…No entanto continuou a falar e sem lhe perguntar nada falou, de livre vontade, um pouco da sua vida pessoal. Às vezes podemos não entender esta inércia, mas compreendo que é necessário dar tempo, pois não sabemos as dificuldades que lhes passaram pela vida e que ainda passam.
O Sr. F falou um bocado, vê-se que tem necessidade de falar, é carente, mas não há maneira de começar a desintoxicação!
Maria Antónia Read
A D desta vez não quis conversa, estava acompanhada com um rapaz que é novo nesta paragem e quando chegaram o Sr. J e o N, quiseram afastar-se, pelos vistos eles não gostam muito que estes lá apareçam.
O Sr. J A começou por dizer que estava farto de estar ali e que em Dezembro vinha um dos filhos, talvez fosse uma boa altura para sair da rua e fazer uma desintoxicação. Depois acabou por não falar mais porque chegaram entretanto as duas pessoas que costumam lá passar, as relações não são das melhores, acabou por virar-se e adormecer.
O J falou bastante mas continua sem motivação para desenvolver alguma coisa, tem ideias, sonhos mas quando é que estes se vão concretizar não sabemos! Referiu que às vezes não sabe o que dizer quando perguntamos se já arranjou algum trabalho, aliás não gosta muito. Perguntei se ele não gostava que nós passássemos por lá aos Domingos, disse que gostava, mas as perguntas…No entanto continuou a falar e sem lhe perguntar nada falou, de livre vontade, um pouco da sua vida pessoal. Às vezes podemos não entender esta inércia, mas compreendo que é necessário dar tempo, pois não sabemos as dificuldades que lhes passaram pela vida e que ainda passam.
O Sr. F falou um bocado, vê-se que tem necessidade de falar, é carente, mas não há maneira de começar a desintoxicação!
Maria Antónia Read
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