O grande regresso as aldeias estava agendado para este dia! A expectativa para o novo ano é elevada e o nosso entusiasmo não lhe fica atrás. Neste sábado o momento central seria a reunião com as pessoas da aldeia, bem como, se possível, a realização das habituais visitas domiciliárias. Entretanto, a malta foi chegando…um, dois, três, quatro, cinco, e eis que surge o primeiro dilema: dado que seríamos seis voluntários, optávamos por levar um carro ou dois? Resolvemos levar apenas um carro (a escolha mais económica, mas também a menos confortável). Lá partimos, tendo chegado a Candemil por volta das 12h00. Fomos almoçar ao rio. O tempo estava maravilhoso e a água convidava ao mergulho, infelizmente, só o Nuno é que se lembrou de trazer o “equipamento de mergulho”, tendo a restante comitiva ficado a olhar. Seguiu-se uma séria troca de ideias sobre o rumo que o projecto das Aldeias deverá seguir e sobre as nossas expectativas para a reunião, “condimentada” com um belo repasto. A reunião ( cujos resultados serão conhecidos mais tarde) prolongou-se por cerca de duas horas e na nossa opinião correu bem; a afluência foi, à excepção de dois presidentes de Junta, total.
Por volta das 17h00 metemo-nos no carro e fizemo-nos à estrada rumo ao Porto. A importância de reunião e a falta de mais colaboradores impediram-nos de fazer as tão desejadas visitas, mas daqui a duas semanas há mais!
Boa semana.
Rui Mota
Famílias, Aldeias e Sem Abrigo estas são as nossas áreas de acção. Um grupo de jovens do Porto, que no CREU têm uma casa, lançam mãos aos desafios que lhes surgem.
sexta-feira, setembro 15, 2006
quinta-feira, setembro 14, 2006
Crónica da ronda de 10/09/2006 (6º trajecto)
Recentemente li que o voluntariado assenta em dois princípios: o da solidariedade e o da subsidiariedade. A solidariedade traduz-se na nossa sensibilidade em relação a outro ser humano e na vontade consciente de o querer ajudar. A subsidiariedade resulta da capacidade de actuarmos, não remetendo para instâncias superiores acções que estão ao nosso alcance. Todavia, serão palavras suficientes para comportar o que deveras se sente ?
A noite iniciou-se com a habitual reunião dos membros das rondas e organização dos sacos. Antes do começo das rondas, em círculo reflectiu-se metaforicamente sobre a importância do passado, presente, futuro, acerca do realmente importante na vida. O passado, escrito está. O futuro, por escrever ainda. Mas o presente é o que temos pela frente, o que devemos e temos que encarar e viver. E quem é a pessoa mais importante na nossa vida ? É essa pessoa que está aí, bem na tua frente, à qual te podes entregar e ajudar. Esse é o culminar da eterna e incessante busca da felicidade.
De rosto triste nos recebeu a G, a qual não esperávamos encontrar por nos ter dito que ia receber o rendimento mínimo. Ainda não tinha sido naquela semana que recebera o esperado rendimento, nem seria tão cedo. Através de uns pontos em comum, fomos falando com ela. No início ela recusou o saco, o que estranhámos. Com medo de adormecer, ela não queria aceitar o saco. Ela desabafou como eram os seus dias e o seu constante medo de ser atacada, daí não querer dormir.
Na “vivenda” apenas estava acordado o J. Contou-nos como tem passado. Lentamente acordaram a Dona D e o Sr F. Inicialmente a Dona D estava muito triste por ir no dia seguinte para o hospital para desentoxicação e por estar longe dos filhos. Todavia, entre o discurso agitado sobre a sua vida, os filhos, um sorriso se ia esboçando. Alternava entre uma saudade exasperante pelos filhos e o desejo de ter uma vida independente e distante. É complicado chegar a compreender o que vai nas almas destes nossos amigos, escondidas na bruma do álcool e da alienação social. O Sr F estava muito animado e ia na semana seguinte também para desentoxicação.
No fim da ronda reunimo-nos e reflectimos sobre um poema de Alberto Caeiro. Citanto :
“
PENSAR EM DEUS
Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
Porque Deus quis que o não conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou...
Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós
Belos como as árvores e os regatos,
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabemos! ...
“
Em nota de aparte, gostaria de referir que estou muito contente de participar nesta iniciativa e neste grupo. Espero com a experiência poder ajudar estes nossos amigos, nem que seja com um simples sorriso e um escutar atento, compreensivo.
“Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores”
Até domingo !
Gabriela Soares
A noite iniciou-se com a habitual reunião dos membros das rondas e organização dos sacos. Antes do começo das rondas, em círculo reflectiu-se metaforicamente sobre a importância do passado, presente, futuro, acerca do realmente importante na vida. O passado, escrito está. O futuro, por escrever ainda. Mas o presente é o que temos pela frente, o que devemos e temos que encarar e viver. E quem é a pessoa mais importante na nossa vida ? É essa pessoa que está aí, bem na tua frente, à qual te podes entregar e ajudar. Esse é o culminar da eterna e incessante busca da felicidade.
De rosto triste nos recebeu a G, a qual não esperávamos encontrar por nos ter dito que ia receber o rendimento mínimo. Ainda não tinha sido naquela semana que recebera o esperado rendimento, nem seria tão cedo. Através de uns pontos em comum, fomos falando com ela. No início ela recusou o saco, o que estranhámos. Com medo de adormecer, ela não queria aceitar o saco. Ela desabafou como eram os seus dias e o seu constante medo de ser atacada, daí não querer dormir.
Na “vivenda” apenas estava acordado o J. Contou-nos como tem passado. Lentamente acordaram a Dona D e o Sr F. Inicialmente a Dona D estava muito triste por ir no dia seguinte para o hospital para desentoxicação e por estar longe dos filhos. Todavia, entre o discurso agitado sobre a sua vida, os filhos, um sorriso se ia esboçando. Alternava entre uma saudade exasperante pelos filhos e o desejo de ter uma vida independente e distante. É complicado chegar a compreender o que vai nas almas destes nossos amigos, escondidas na bruma do álcool e da alienação social. O Sr F estava muito animado e ia na semana seguinte também para desentoxicação.
No fim da ronda reunimo-nos e reflectimos sobre um poema de Alberto Caeiro. Citanto :
“
PENSAR EM DEUS
Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
Porque Deus quis que o não conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou...
Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós
Belos como as árvores e os regatos,
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabemos! ...
“
Em nota de aparte, gostaria de referir que estou muito contente de participar nesta iniciativa e neste grupo. Espero com a experiência poder ajudar estes nossos amigos, nem que seja com um simples sorriso e um escutar atento, compreensivo.
“Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores”
Até domingo !
Gabriela Soares
quarta-feira, setembro 13, 2006
Crónica da Ronda de 10/9/2006 (Sta Catarina)
Apesar dos 20 que animaram o Nuno, neste percurso fui só com a Ana Pinheiro...
Batalha, boa disposição geral.
O M. ainda não conseguiu entrar para o centro de desintoxicação do qual tinha contacto porque estava cheio, mas já tinha um outro que ia tentar.
A F. viu os filhos na semana passada! Estava mesmo contente! Em relação à casa que pensaram alugar, mudança de ideias. Mas já surgiu outra que vão ver.
D.E espera que o filho passe no exame de condução e Sr. F. sem olho vermelho. Levámos um cobertor e finalmente conheci o quarto da pensão onde dormem.
Aqui deixámos 12sacos porque entretanto apareceram muitas pessoas não fixas.
Sta. Catarina, 3sacos na Zara. O T. e dois novos amigos madeirenses. Tudo com esperança de deseintoxicações... Deixámos roupa também. Mais um saco para a T. que acordámos e portanto não nos convidou a viagens alucinadas...
Rematámos no Aleixo com uma dúzia de sacos, pouco movimento porque o Fernando já tinha passado. O M. estava lá com hematomas nas pernas de tal modo que quase não conseguia andar... Está mesmo a ir-se abaixo... A B. sorriu sempre pensando só no beijo que a Mafalda mandou.
Rezei também pelos Leigos que tiveram neste dia, no CUPAV, a missa de envio. Inspiram-me muito...
Batalha, boa disposição geral.
O M. ainda não conseguiu entrar para o centro de desintoxicação do qual tinha contacto porque estava cheio, mas já tinha um outro que ia tentar.
A F. viu os filhos na semana passada! Estava mesmo contente! Em relação à casa que pensaram alugar, mudança de ideias. Mas já surgiu outra que vão ver.
D.E espera que o filho passe no exame de condução e Sr. F. sem olho vermelho. Levámos um cobertor e finalmente conheci o quarto da pensão onde dormem.
Aqui deixámos 12sacos porque entretanto apareceram muitas pessoas não fixas.
Sta. Catarina, 3sacos na Zara. O T. e dois novos amigos madeirenses. Tudo com esperança de deseintoxicações... Deixámos roupa também. Mais um saco para a T. que acordámos e portanto não nos convidou a viagens alucinadas...
Rematámos no Aleixo com uma dúzia de sacos, pouco movimento porque o Fernando já tinha passado. O M. estava lá com hematomas nas pernas de tal modo que quase não conseguia andar... Está mesmo a ir-se abaixo... A B. sorriu sempre pensando só no beijo que a Mafalda mandou.
Rezei também pelos Leigos que tiveram neste dia, no CUPAV, a missa de envio. Inspiram-me muito...
terça-feira, setembro 12, 2006
Crónica da Ronda de 10/9/2006 (Areosa)
Já eramos mais de 20, este Domingo. É uma alegria grande!
A oração inicial andou à volta de um segredo para a felicidade que passa pelo amor ao próximo, como Jesus nos ensinou.
A ronda da Areosa partiu com a Maria, a Andreia e eu. Dirigímo-nos a casa da S. Estava bastante deprimida, mas com a companhia do sr. J. Este continuava com a mesma dor na boca (de dentes ou de gengiva). A S. tinha passado o dia na cama. Mesmo como os médicos não querem! A nossa preocupação foi passar uma mensagem de esperança e fazer um balanço de pontos positivos que tem tido nestes últimos dias. Já tinha ido à advogada oficiosa que a vai patrocinar na acção da pensão de alimentos. Apresentou-nos quase todos os documentos que a advogada lhe tinha pedido. Fico contente que a S. consiga ir tratando destas coisas por ela!
Deixámos o sr. J. em casa e passámos no video-clube. O sr. P. não estava... Seguímos para o prédio. Lá estava o sr. J. M. à nossa espera. Parece que cada vez que o vemos está mais animado. Lá perguntou pelos algarvios, principalmente porque o nosso Sporting tinha ganho! Continua o tratamento e à procura de emprego: Parece estar no bom caminho. Depois apareceu o sr. J. com o sr. A. Só vinham aos sacos... O sr. J. trazia uns iogurtes que distribuiu (como que a concorrer connosco) pelos vizinhos. É que, entretanto, desceram do prédio o sr. E. e o sr. J. O sr. E. ficou pouco; partiram todos e ficou o sr. J. A conversa alongou-se... Falou-se nos biscates que tem feito para pessoas dali de perto e como toda a gente os tem elogiado e valorizado. Isso tem-lhe feito muito bem, até para não passar a vida a chorar a distância a que a sua musa se encontra. Quando já estávamos a falar de fé, deixei-lhe o texto da oração inicial, pedi-lhe para o rezar e partilhar connosco no próximo Domingo: Estou ansioso.
Seguimos para o sr. M. Estava com a companhia do primo que trabalha em Espanha. Com algum custo, o sr. M. lá veio connosco até ao carro e até ao sr. J., no Banco. Estava mal disposto por o termos acordado, mas acabou por mudar de humor à medida que o tempo ia passando e os assuntos se iam sucedendo. O sr. J. continua sem se mexer quando lá vamos: Temos que mudar de táctica de abordagem. Deixámos o sr. M. e partimos à procura da D. I. Inicialmente, nada. Quando já nos iamos embora, eis que lá estava ela numa rua perto, de costas. Foi uma visita curta, e sem conversa, quase.
A partilha final foi à porta de casa da Andreia. À medida que nos vamos identificando mais com os sem-abrigo que visitamos e mais nos entregamos à ronda, mais frutos recolhemos no final.
Beijos e abraços.
A oração inicial andou à volta de um segredo para a felicidade que passa pelo amor ao próximo, como Jesus nos ensinou.
A ronda da Areosa partiu com a Maria, a Andreia e eu. Dirigímo-nos a casa da S. Estava bastante deprimida, mas com a companhia do sr. J. Este continuava com a mesma dor na boca (de dentes ou de gengiva). A S. tinha passado o dia na cama. Mesmo como os médicos não querem! A nossa preocupação foi passar uma mensagem de esperança e fazer um balanço de pontos positivos que tem tido nestes últimos dias. Já tinha ido à advogada oficiosa que a vai patrocinar na acção da pensão de alimentos. Apresentou-nos quase todos os documentos que a advogada lhe tinha pedido. Fico contente que a S. consiga ir tratando destas coisas por ela!
Deixámos o sr. J. em casa e passámos no video-clube. O sr. P. não estava... Seguímos para o prédio. Lá estava o sr. J. M. à nossa espera. Parece que cada vez que o vemos está mais animado. Lá perguntou pelos algarvios, principalmente porque o nosso Sporting tinha ganho! Continua o tratamento e à procura de emprego: Parece estar no bom caminho. Depois apareceu o sr. J. com o sr. A. Só vinham aos sacos... O sr. J. trazia uns iogurtes que distribuiu (como que a concorrer connosco) pelos vizinhos. É que, entretanto, desceram do prédio o sr. E. e o sr. J. O sr. E. ficou pouco; partiram todos e ficou o sr. J. A conversa alongou-se... Falou-se nos biscates que tem feito para pessoas dali de perto e como toda a gente os tem elogiado e valorizado. Isso tem-lhe feito muito bem, até para não passar a vida a chorar a distância a que a sua musa se encontra. Quando já estávamos a falar de fé, deixei-lhe o texto da oração inicial, pedi-lhe para o rezar e partilhar connosco no próximo Domingo: Estou ansioso.
Seguimos para o sr. M. Estava com a companhia do primo que trabalha em Espanha. Com algum custo, o sr. M. lá veio connosco até ao carro e até ao sr. J., no Banco. Estava mal disposto por o termos acordado, mas acabou por mudar de humor à medida que o tempo ia passando e os assuntos se iam sucedendo. O sr. J. continua sem se mexer quando lá vamos: Temos que mudar de táctica de abordagem. Deixámos o sr. M. e partimos à procura da D. I. Inicialmente, nada. Quando já nos iamos embora, eis que lá estava ela numa rua perto, de costas. Foi uma visita curta, e sem conversa, quase.
A partilha final foi à porta de casa da Andreia. À medida que nos vamos identificando mais com os sem-abrigo que visitamos e mais nos entregamos à ronda, mais frutos recolhemos no final.
Beijos e abraços.
quinta-feira, setembro 07, 2006
Aldeia - Partida este Sábado (09/09) - 10:30h
Olá a todos, recomeçamos com as nossas idas às Aldeias este sábado, dia 9, às 10:30 (deixou de haver tolerância de 15 minutos, 10:30 é a hora de saída dos carros), no sítio do costume (frente à Igreja NS Fatima).
Temos reunião geral, às 15h, onde estarão presentes os presidentes das freguesias, os núcleos dinamizadores, a PROGREDIR, a ACTIJOVENS e nós. O Pd Vilar não pode comparecer pois está em merecidas férias.
Vamos fazer também visitas, separando-nos em dois grupos, um para a reunião e outro para as visitas. A experiência da última visita no final de Julho mostrou que com 6/7 elementos conseguimos realizar as visitas.
Não se esqueçam do almoço. Quem não for, avise por favor (a Luísa, a Célia e a Maria Rocha não vão).
Seguindo o acordado nas regras do FAS deixou de haver tolerância de 15 minutos, por isso 10:30 é a hora de saída dos carros, para os mais atrasados, façam contas para lá estar às 10:15.
Bom trabalho, um abraço a todos e até Sábado. Jorge
Temos reunião geral, às 15h, onde estarão presentes os presidentes das freguesias, os núcleos dinamizadores, a PROGREDIR, a ACTIJOVENS e nós. O Pd Vilar não pode comparecer pois está em merecidas férias.
Vamos fazer também visitas, separando-nos em dois grupos, um para a reunião e outro para as visitas. A experiência da última visita no final de Julho mostrou que com 6/7 elementos conseguimos realizar as visitas.
Não se esqueçam do almoço. Quem não for, avise por favor (a Luísa, a Célia e a Maria Rocha não vão).
Seguindo o acordado nas regras do FAS deixou de haver tolerância de 15 minutos, por isso 10:30 é a hora de saída dos carros, para os mais atrasados, façam contas para lá estar às 10:15.
Bom trabalho, um abraço a todos e até Sábado. Jorge
quarta-feira, setembro 06, 2006
Crónica da ronda de 3/9/2006 (Batalha + 6º trajecto)
É bom regressar. É muito bom, às noites de domingo. Como se fosse bom voltar à miséria - mas se não amigos, o que fazemos nós nestas horas nocturnas?
Na inicial “vivenda” muitas caras à espera. Entre elas a do televisivo Sr F feita em ponto de cruz preto, uma lástima que o sorriso infantil escondia. Outros observavam-nos os gestos, na atenta distância o esforço, contrariando o vinho, ao som de fados improvisados pela nova Dona H, já pouco suportáveis... Também lá estava o J, agora repousa por ali. Recuperou o peso e o ânimo, anunciou, como que a pedir que entrássemos em cena rumo ao futuro. “O vinho parece azeite”, o milagre na confissão de cara torcida, a imunidade aos “buracos” que o rodeiam imprime urgência à nossa volta.
Já era tarde e não encontrámos o Sr. Z C nem a cadela.
Mais à frente: ao lado do P dormia o Sr E, de volta àquele sítio. Rapidamente enxotados pelo primeiro, nem tempo tivemos de tentar acordar o Sr E. E quereria ele acordar? Ficámos os melhores amigos nas despedidas, porque desconhecemos a crueldade de alguns reencontros. Prefiro estar errado. A amizade continua, pelo menos do lado de cá.
A G irradiava felicidade: receberá esta semana o rendimento mínimo. Prometeu avisar se entretanto fosse para um quarto; queremos visitá-la, precisamos dela, embora não o saiba.
O Sr. F estava novamente cabisbaixo, mergulhado nos seus símbolos, educadamente pediu que nos retirássemos. A sobriedade permite a doença. A alternativa não ajuda à comunicação. Complicado…
O Sr D já dormia e tenho dúvidas que mesmo durante a conversa tenha acordado. Alguns pedidos de roupa bocejantes e o ronco tomava outra vez conta do homem.
No fim da noite de estreia da Gabriela lemos uma parte de um poema do José Tolentino Mendonça. Continua a ser bom desenhar círculos, fechá-los assim, aos Domingos à noite. Até já.
O esterco do mundo
Tenho amigos que rezam a Simone Weil
Há muitos anos que reparo em Flannery O’Connor
Rezar deve ser como essas coisas
que dizemos a alguém que dorme
temos e não temos esperança alguma
só a beleza pode descer para salvar-nos
quando as barreiras levantadas
permitirem
às imagens, aos ruídos, aos espúrios sedimentos
integrar o magnífico cortejo sobre os escombros
Os orantes são mendigos de última hora
remexem profundamente através do vazio
até que neles
o vazio deflagre
São Paulo explica-o na Primeira Carta aos Coríntios,
«até agora somos o esterco do mundo»,
citação que Flannery trazia à cabeceira
Na inicial “vivenda” muitas caras à espera. Entre elas a do televisivo Sr F feita em ponto de cruz preto, uma lástima que o sorriso infantil escondia. Outros observavam-nos os gestos, na atenta distância o esforço, contrariando o vinho, ao som de fados improvisados pela nova Dona H, já pouco suportáveis... Também lá estava o J, agora repousa por ali. Recuperou o peso e o ânimo, anunciou, como que a pedir que entrássemos em cena rumo ao futuro. “O vinho parece azeite”, o milagre na confissão de cara torcida, a imunidade aos “buracos” que o rodeiam imprime urgência à nossa volta.
Já era tarde e não encontrámos o Sr. Z C nem a cadela.
Mais à frente: ao lado do P dormia o Sr E, de volta àquele sítio. Rapidamente enxotados pelo primeiro, nem tempo tivemos de tentar acordar o Sr E. E quereria ele acordar? Ficámos os melhores amigos nas despedidas, porque desconhecemos a crueldade de alguns reencontros. Prefiro estar errado. A amizade continua, pelo menos do lado de cá.
A G irradiava felicidade: receberá esta semana o rendimento mínimo. Prometeu avisar se entretanto fosse para um quarto; queremos visitá-la, precisamos dela, embora não o saiba.
O Sr. F estava novamente cabisbaixo, mergulhado nos seus símbolos, educadamente pediu que nos retirássemos. A sobriedade permite a doença. A alternativa não ajuda à comunicação. Complicado…
O Sr D já dormia e tenho dúvidas que mesmo durante a conversa tenha acordado. Alguns pedidos de roupa bocejantes e o ronco tomava outra vez conta do homem.
No fim da noite de estreia da Gabriela lemos uma parte de um poema do José Tolentino Mendonça. Continua a ser bom desenhar círculos, fechá-los assim, aos Domingos à noite. Até já.
O esterco do mundo
Tenho amigos que rezam a Simone Weil
Há muitos anos que reparo em Flannery O’Connor
Rezar deve ser como essas coisas
que dizemos a alguém que dorme
temos e não temos esperança alguma
só a beleza pode descer para salvar-nos
quando as barreiras levantadas
permitirem
às imagens, aos ruídos, aos espúrios sedimentos
integrar o magnífico cortejo sobre os escombros
Os orantes são mendigos de última hora
remexem profundamente através do vazio
até que neles
o vazio deflagre
São Paulo explica-o na Primeira Carta aos Coríntios,
«até agora somos o esterco do mundo»,
citação que Flannery trazia à cabeceira
Crónica da ronda de 27/8/2006 (Batalha + 6º trajecto)
A primeira paragem foi na Ribeira com o Sr. Z C que nos disse não ter ido para Espanha trabalhar porque não deixaram ir a sua cadela de estimação. A seguir passamos pela vivenda Silva, não paramos porque estava lá a Cruz Vermelha e como sempre nessas alturas está sempre uma confusão de pessoas.
Seguindo o percurso habitual passamos pelo P, a visita foi curta porque tinha que ir trabalhar, no entanto veio ao local de propósito porque sabia que devimos estar a chegar. Falou que o Sr. E estava lá, ficamos baralhados e pensamos que ele podia ter confundido o nome.
A G desta vez não se encontrava no banco habitual, mas sim na paragem de autocarro, foi agredida na noite anterior por uns rapazes. Teve vontade de conversar e aceitou desta vez o saco.
O Sr. X estava bêbado, aceitou o saco. Responde sempre que está mais ou menos. Foi simpático e tinha muita vontade de apertar as mãos.
O Sr. D como sempre de poucas palavras, perguntou se tínhamos calças. Novamente fechou os olhos, é difícil comunicar com este Sr.!
Maria Antónia Read
Seguindo o percurso habitual passamos pelo P, a visita foi curta porque tinha que ir trabalhar, no entanto veio ao local de propósito porque sabia que devimos estar a chegar. Falou que o Sr. E estava lá, ficamos baralhados e pensamos que ele podia ter confundido o nome.
A G desta vez não se encontrava no banco habitual, mas sim na paragem de autocarro, foi agredida na noite anterior por uns rapazes. Teve vontade de conversar e aceitou desta vez o saco.
O Sr. X estava bêbado, aceitou o saco. Responde sempre que está mais ou menos. Foi simpático e tinha muita vontade de apertar as mãos.
O Sr. D como sempre de poucas palavras, perguntou se tínhamos calças. Novamente fechou os olhos, é difícil comunicar com este Sr.!
Maria Antónia Read
Crónica da Ronda de 03/09/06 (Boavista)
Depois de uma ausência pelas férias do mês de Agosto, voltei às rondas de domingo à noite!!...
Começámos, como sempre, pelo Sr. B. que mais uma vez não estava no seu “poiso”; ainda o procurámos por ali perto, mas nada de o ver. Esta semana vamos ver se o seguimos ao fim da tarde, pois sabemos mais ou menos por onde anda durante o dia, para descobrirmos onde dorme.
Logo de seguida dirigimo-nos ao M., que não estava outra vez, provavelmente estava nas “compras”. Desta vez não lhe deixámos saco. Esperemos encontrá-lo na próxima semana para matar saudades.
Na esperança de encontrarmos mais gente, subimos a avenida, mas a situação não mudou: não vimos o J. P. nem outros tantos que por ali passam e por isso fomos ter com o Sr. A. que está sempre ali por perto. Com ele falámos bastante: sobre a férias, sobre a guerra de Ultramar, sobre os filhos... e com alegria partimos para falarmos com a família feliz! À entrada para o carro, o Sr. J. das Alcatifas ainda nos pediu um saco, que demos porque tínhamos. Na família Q, desta vez, estavam mais desanimados pois o J. foi parar à prisão. Diz a Sra. F. que ele está a aguardar julgamento para sair, já que está inocente. Vamos rezar e aguardar mais notícias.
Por fim, como estávamos com a ronda de Sta. Catarina e ainda havia sacos e águas, fomos dar um “saltinho” ao bairro onde encontrámos o Z.F. que, como sempre, nos falou tão bem sobre ele e sobre os filhos. Vimos muitos outros, como a Sra. Ana que no disse estar muito contente com a viagem que tem marcada para Fátima; e outros anónimo que apenas querem o saco e nada mais. Aí, fizemos a nossa oração todos juntos, rezando por cada pessoa que encontrámos em particular.
Um beijo a todos e até domingo,
Ana Barbosa de Carvalho.
Começámos, como sempre, pelo Sr. B. que mais uma vez não estava no seu “poiso”; ainda o procurámos por ali perto, mas nada de o ver. Esta semana vamos ver se o seguimos ao fim da tarde, pois sabemos mais ou menos por onde anda durante o dia, para descobrirmos onde dorme.
Logo de seguida dirigimo-nos ao M., que não estava outra vez, provavelmente estava nas “compras”. Desta vez não lhe deixámos saco. Esperemos encontrá-lo na próxima semana para matar saudades.
Na esperança de encontrarmos mais gente, subimos a avenida, mas a situação não mudou: não vimos o J. P. nem outros tantos que por ali passam e por isso fomos ter com o Sr. A. que está sempre ali por perto. Com ele falámos bastante: sobre a férias, sobre a guerra de Ultramar, sobre os filhos... e com alegria partimos para falarmos com a família feliz! À entrada para o carro, o Sr. J. das Alcatifas ainda nos pediu um saco, que demos porque tínhamos. Na família Q, desta vez, estavam mais desanimados pois o J. foi parar à prisão. Diz a Sra. F. que ele está a aguardar julgamento para sair, já que está inocente. Vamos rezar e aguardar mais notícias.
Por fim, como estávamos com a ronda de Sta. Catarina e ainda havia sacos e águas, fomos dar um “saltinho” ao bairro onde encontrámos o Z.F. que, como sempre, nos falou tão bem sobre ele e sobre os filhos. Vimos muitos outros, como a Sra. Ana que no disse estar muito contente com a viagem que tem marcada para Fátima; e outros anónimo que apenas querem o saco e nada mais. Aí, fizemos a nossa oração todos juntos, rezando por cada pessoa que encontrámos em particular.
Um beijo a todos e até domingo,
Ana Barbosa de Carvalho.
segunda-feira, setembro 04, 2006
Crónica da Ronda de 3/9/2006 (Areosa)
Foi o último fim-de-semana de férias, o que ainda se fez notar no número de voluntários. A oração começou com um excerto do livro do Pedro Strecht, "Preciso de Ti". Tratava-se do caso de um rapaz de um bairro social da nossa cidade, que nós visitamos, e que o autor compara a uma ameixa que caíu ainda verde da árvore...
Para a Areosa parti eu e a Joana Simões, com a S. e o sr. J. Conseguimos convencer o sr. J. a parar na primeira farmácia (tivémos sorte porque estava de serviço) para lhe comprar um remédio para a dor de dentes que estava a sentir. Seguimos para a casa da S. Sentámo-nos, eles tomaram o café com leite e conversámos. A S. já tinha uma advogada nomeada e ia hoje falar com ela por causa da pensão de "viuvez". Foi a visita mais agradável que fiz à S. e ao sr. J. Não me apetecia nada continuar a ronda...
Levámos o sr. J. a casa e seguimos à procura do sr. P. Nada, mais uma vez. No prédio, encontrámos o sr. J. M. o sr. J., o sr. R. e dois novos: O sr. A. e um jovem ucraniano. Vieram os dois de Madrid de um centro de desintoxicação e o sr. J. acolheu-os junto dele. O sr. J. tem um feitio complicado, mas também tem bom coração, pelos vistos. Fiquei contente!
O sr. M. voltou ao local antigo. Ontem estava às voltas sem conseguir dormir, cheio de sede e pouco lúcido. A D. I. não estava e ninguém sabia dela e o sr. J. dorme na área automática duma sucursal do Banco. O ar-condicionado estava ligado e estava mais frio lá dentro do que na rua. Deixámos o saco e fomos embora.
Ainda passámos perto daquele vídeo clube, mas não estava ninguém. A ronda acabou dentro do carro em frente à Igreja da Senhora de Fátima. Partilhámos a boa disposição com que a S. tem andado ultimamente. Deus queira que nunca a desiludamos, pois ela parece muito dependente do nosso apoio. A responsabilidade é enorme!
Um abraço a todos.
Para a Areosa parti eu e a Joana Simões, com a S. e o sr. J. Conseguimos convencer o sr. J. a parar na primeira farmácia (tivémos sorte porque estava de serviço) para lhe comprar um remédio para a dor de dentes que estava a sentir. Seguimos para a casa da S. Sentámo-nos, eles tomaram o café com leite e conversámos. A S. já tinha uma advogada nomeada e ia hoje falar com ela por causa da pensão de "viuvez". Foi a visita mais agradável que fiz à S. e ao sr. J. Não me apetecia nada continuar a ronda...
Levámos o sr. J. a casa e seguimos à procura do sr. P. Nada, mais uma vez. No prédio, encontrámos o sr. J. M. o sr. J., o sr. R. e dois novos: O sr. A. e um jovem ucraniano. Vieram os dois de Madrid de um centro de desintoxicação e o sr. J. acolheu-os junto dele. O sr. J. tem um feitio complicado, mas também tem bom coração, pelos vistos. Fiquei contente!
O sr. M. voltou ao local antigo. Ontem estava às voltas sem conseguir dormir, cheio de sede e pouco lúcido. A D. I. não estava e ninguém sabia dela e o sr. J. dorme na área automática duma sucursal do Banco. O ar-condicionado estava ligado e estava mais frio lá dentro do que na rua. Deixámos o saco e fomos embora.
Ainda passámos perto daquele vídeo clube, mas não estava ninguém. A ronda acabou dentro do carro em frente à Igreja da Senhora de Fátima. Partilhámos a boa disposição com que a S. tem andado ultimamente. Deus queira que nunca a desiludamos, pois ela parece muito dependente do nosso apoio. A responsabilidade é enorme!
Um abraço a todos.
quinta-feira, agosto 31, 2006
Crónica da Ronda de 27/08/06 (Boavista)
Mais um domingo de ronda, desta vez marcado pelo final do difícil mês de Agosto (que afinal não foi assim tão difícil!). Na verdade com boa vontade e algumas fusões à mistura tudo se resolveu. Depois da oração inicial eu, o Jorge e a São fizemo-nos ao caminho. A noite prometia pois era nosso desejo encontrar alguns “amigos” que já não víamos há muito como o ZF, o JP, o M e, também, descobrir o novo poiso do SR. B. Infelizmente nenhum destes desejos se concretizou, mas nem assim se pode dizer que a ronda correu mal. Começamos por visitar a família Q, estavam particularmente bem dispostos e conversadores, o Jorge desde logo foi “raptado” pelo Sr. M, que nutre por ele uma afeição especial e com o qual gosta muito de conversar; enquanto nós ficamos com o Sr. V e a D. F. A conversa foi muito proveitosa: ficamos a saber que têm três filhos, que embora novos já têm uma vida marcado por alguns “azares”, que por circunstâncias várias se encontram desencontrados da família, e também alguns detalhes curiosos das suas vidas com particular interesse o facto de o SR. V já ter trabalhado num circo onde era trapezista/equilibrista, dando também uma ajuda no número dos palhaços. Era hora de partir rumo à Boavista, contudo ainda paramos pelo caminho quando vimos o SR. Z a dormir no “Multibanco”, já estava “embalado” pelo que só perguntamos se tudo ia bem, ao que este respondeu com um certo desânimo, e entregamos o saco. Na Boavista encontramos o SR. V e o F, tendo-nos dividido mais uma vez: eu e a São ficamos com o primeiro e o Jorge com o segundo. Ficamos então à conversa com o Sr. V, que já não víamos há três semanas.
[JM] O sr. F é novo por estas andanças e a nossa conversa fez-me perceber que devemos ter como prioridade ajudar aqueles que podem refazer a muito curto prazo as suas vidas se os ajudarmos. Dei-lhe muitas informações, um panfleto, o meu n.º de telemóvel e a esperança de arranjar um quarto junto da Segurança Social. Ele era cortador de carnes e também foi trolha, caiu no esquema habitual de ir para Espanha e voltou quase sem nada… Agora ele sorri e o entusiasmo dele contagia, vamos torcer por ele (espero que tudo tenha corrido bem). Fomos então ao Sr. A, com o seu sorriso já célebre, contou-nos as peripécias com a polícia e despediu-se com um parabéns adiantado…
Não vemos o ZP e o JP há muito tempo, deve ser uma troca de lugares ou de horas. Deixamos ficar um saco muito bem fornecido no local do M (ele não estava por lá mais uma vez), não sem antes termos discutido se o devíamos ter feito…
No final tentamos em vão encontrar novamente o Sr. B, partilhamos a ronda e esperanças futuras…
Até 5ª na reunião geral,
Rui (1º) e Jorge (2º) em mais uma crónica bipartida
[JM] O sr. F é novo por estas andanças e a nossa conversa fez-me perceber que devemos ter como prioridade ajudar aqueles que podem refazer a muito curto prazo as suas vidas se os ajudarmos. Dei-lhe muitas informações, um panfleto, o meu n.º de telemóvel e a esperança de arranjar um quarto junto da Segurança Social. Ele era cortador de carnes e também foi trolha, caiu no esquema habitual de ir para Espanha e voltou quase sem nada… Agora ele sorri e o entusiasmo dele contagia, vamos torcer por ele (espero que tudo tenha corrido bem). Fomos então ao Sr. A, com o seu sorriso já célebre, contou-nos as peripécias com a polícia e despediu-se com um parabéns adiantado…
Não vemos o ZP e o JP há muito tempo, deve ser uma troca de lugares ou de horas. Deixamos ficar um saco muito bem fornecido no local do M (ele não estava por lá mais uma vez), não sem antes termos discutido se o devíamos ter feito…
No final tentamos em vão encontrar novamente o Sr. B, partilhamos a ronda e esperanças futuras…
Até 5ª na reunião geral,
Rui (1º) e Jorge (2º) em mais uma crónica bipartida
Crónica de 27/8/2006 (Santa Catarina)
Sempre quis começar uma crónica assim:
Era uma noite, de Verão...
Desta vez, na oração inicial, tivemos a companhia do sem-abrigo que dorme no espaço onde nos reunimos, da D. S. e do sr. Z. Estes últimos vieram, desde casa, a pé, ter connosco. A D. S., pela primeira vez: Estava felicíssima!
Parti eu e a Sílvia, para a ronda, já que o Pedro aguardava por nós, junto da D. E., do sr. F., da D. A. M. e do sr. Z. Ainda fomos levar a D. S. e parte dos da ronda da Areosa, a casa daquela. Quando chegámos ao pé do Pedro, estava a D. E. a falar com o filho ao telemóvel. (A D. E. tem estado muito bem disposta há já umas rondas. Nota-se uma inversão na atitude. Nós não sabemos bem porquê, mas esta sua faceta mais divertida é a de que mais gostamos.) O que não se inverte é a saúde do olho do sr. F. Isto é gravíssimo, porque aquele é o único olho com que vê.
Ainda se nos juntaram a D. F. e o sr. P. Parece-me que a nossa relação com eles ainda está muito dependente do saco. Aliás, o sr. P., nem se aproximou. Não se identificam com as pessoas que estão ali na praça, à noite, pelo que só lá vão para irem buscar o "kit". Hoje, iam à Segurança Social, tentar uma ajuda para pagar o quarto. O sr. P. quer tratar de arranjar emprego, para poderem deixar de ter que pedir ajuda.
O casal apaixonado, estava com um ar mais pesado, do que habitual. A D. A. M. estava preocupada com coisas da vida, o que lhe tirava alguma lucidez ao discurso.
Estivemos tanto tempo ali, que ainda fomos abordados pelo M., pelo N., amigo do primeiro, e por mais dois pedintes... O M. ainda é muito novo. Consome droga e manifestou interesse em fazer uma desintoxicação, já nesta fase, ainda inicial.
Seguiu-se a T. Foi um gosto revê-la, depois de tanto tempo que andou desaparecida. Estava bem disposta, apesar de ensonada (já dormia quando chegámos). Não houve conversas com fantasminhas nem outros seres imaginários. Foi bom!
Paragem final. Chegámos imediatamente antes dos da Ronda dos Sem-Abrigo. Tínhamos imenso pão e "croissants" dos patrocínios. Destribuímo-os, juntamente com os docinhos oferecidos pelos reclusos. Apareceu a B., o sr. P, o D., aquela senhora que mora na Torre 2... Tudo como habitual.
A partilha final foi à porta de casa do Pedro, com acções de graças pela semana que acabava e intenções para a semana que começa.
Abraço e até 5ª-Feira.
Nuno de Sacadura Botte
Era uma noite, de Verão...
Desta vez, na oração inicial, tivemos a companhia do sem-abrigo que dorme no espaço onde nos reunimos, da D. S. e do sr. Z. Estes últimos vieram, desde casa, a pé, ter connosco. A D. S., pela primeira vez: Estava felicíssima!
Parti eu e a Sílvia, para a ronda, já que o Pedro aguardava por nós, junto da D. E., do sr. F., da D. A. M. e do sr. Z. Ainda fomos levar a D. S. e parte dos da ronda da Areosa, a casa daquela. Quando chegámos ao pé do Pedro, estava a D. E. a falar com o filho ao telemóvel. (A D. E. tem estado muito bem disposta há já umas rondas. Nota-se uma inversão na atitude. Nós não sabemos bem porquê, mas esta sua faceta mais divertida é a de que mais gostamos.) O que não se inverte é a saúde do olho do sr. F. Isto é gravíssimo, porque aquele é o único olho com que vê.
Ainda se nos juntaram a D. F. e o sr. P. Parece-me que a nossa relação com eles ainda está muito dependente do saco. Aliás, o sr. P., nem se aproximou. Não se identificam com as pessoas que estão ali na praça, à noite, pelo que só lá vão para irem buscar o "kit". Hoje, iam à Segurança Social, tentar uma ajuda para pagar o quarto. O sr. P. quer tratar de arranjar emprego, para poderem deixar de ter que pedir ajuda.
O casal apaixonado, estava com um ar mais pesado, do que habitual. A D. A. M. estava preocupada com coisas da vida, o que lhe tirava alguma lucidez ao discurso.
Estivemos tanto tempo ali, que ainda fomos abordados pelo M., pelo N., amigo do primeiro, e por mais dois pedintes... O M. ainda é muito novo. Consome droga e manifestou interesse em fazer uma desintoxicação, já nesta fase, ainda inicial.
Seguiu-se a T. Foi um gosto revê-la, depois de tanto tempo que andou desaparecida. Estava bem disposta, apesar de ensonada (já dormia quando chegámos). Não houve conversas com fantasminhas nem outros seres imaginários. Foi bom!
Paragem final. Chegámos imediatamente antes dos da Ronda dos Sem-Abrigo. Tínhamos imenso pão e "croissants" dos patrocínios. Destribuímo-os, juntamente com os docinhos oferecidos pelos reclusos. Apareceu a B., o sr. P, o D., aquela senhora que mora na Torre 2... Tudo como habitual.
A partilha final foi à porta de casa do Pedro, com acções de graças pela semana que acabava e intenções para a semana que começa.
Abraço e até 5ª-Feira.
Nuno de Sacadura Botte
quinta-feira, agosto 24, 2006
Crónica da Ronda de 20/08/06 (Boavista)
O encontro dos amigos deu-se pouco antes das 22h, a câmara e o Alberto já nos esperavam. Em roda partilhamos o que foram estes últimos dias, uns férias, outros trabalhos. Afinal não foi necessário fundir a Boavista e Sta Catarina, partindo eu, o Pedro e o Rui.
Mais uma vez não encontramos o M, já não o vejo há bastante tempo...
Fomos puxar da sorte esperando encontrar o B no seu local, mas surpresa! Passamos por ele, que caminhava todo contente, rua acima, está muito moreno e mais magro, mas muito bem disposto apesar da curta conversa. Foi muito bom ver aquele sorriso.
A família Q tinha os seus 3 membros mais um novo cachorrinho. A festa do Sr. M, as queixas do Sr. V e as cores das "carrinhas" da D. F. estiveram todas presentes.
Já não vemos o JP e o ZF há uns tempos e não os encontramos no sítio do costume... mas estava lá o Sr. A, o Pedro tentou ajudar e a conversa, no meio de asneiras e gargalhadas, correu bem.
O Sr. V já dormia àquela hora. Paramos no CREU.
Depois de concluido o trajecto da Boavista, e de acordo com o que haviamos combinado previamente, juntámo-nos ao pessoal da Ronda de Santa Catarina, bem como à equipa de reportagem, para seguirmos rumo à ultima paragem: o Aleixo.
Desta vez chegamos cedo, pelo que tivemos que aguardar pela chegada do pessoal da Ronda do Fernando, a qual o próprio integrava desta vez. Como sempre o momento de distribuição dos géneros foi marcado pela sofreguidão com que as pessoas se "atiram" aos sacos, uma experiencia que independentemente do número de vezes que presenciamos é incapaz de nos deixar indiferente. Para essa noite esperavamos também encontrar a B, da qual a equipa de reportagem esperava obter um testemunho, e após uma primeira tentativa de a encontrar no sítio onde costuma pernoitar, fomos surpreendidos pela sua chegada ao local habitual de onde distribuimos os sacos. Foi um momento especial, com algumas lagrimas mas também alguns sorrisos, mas não duvido que no final daquela partilha a B estava feliz.
Seguimos para o Creu onde nos despedimos dos jornalistas, tivemos o habitual momento de oração e partilha. Era chegado o fim.
Até Domingo!
Abraço, Jorge e Rui Mota (na primeira crónica bipartida que há memória)
Mais uma vez não encontramos o M, já não o vejo há bastante tempo...
Fomos puxar da sorte esperando encontrar o B no seu local, mas surpresa! Passamos por ele, que caminhava todo contente, rua acima, está muito moreno e mais magro, mas muito bem disposto apesar da curta conversa. Foi muito bom ver aquele sorriso.
A família Q tinha os seus 3 membros mais um novo cachorrinho. A festa do Sr. M, as queixas do Sr. V e as cores das "carrinhas" da D. F. estiveram todas presentes.
Já não vemos o JP e o ZF há uns tempos e não os encontramos no sítio do costume... mas estava lá o Sr. A, o Pedro tentou ajudar e a conversa, no meio de asneiras e gargalhadas, correu bem.
O Sr. V já dormia àquela hora. Paramos no CREU.
Depois de concluido o trajecto da Boavista, e de acordo com o que haviamos combinado previamente, juntámo-nos ao pessoal da Ronda de Santa Catarina, bem como à equipa de reportagem, para seguirmos rumo à ultima paragem: o Aleixo.
Desta vez chegamos cedo, pelo que tivemos que aguardar pela chegada do pessoal da Ronda do Fernando, a qual o próprio integrava desta vez. Como sempre o momento de distribuição dos géneros foi marcado pela sofreguidão com que as pessoas se "atiram" aos sacos, uma experiencia que independentemente do número de vezes que presenciamos é incapaz de nos deixar indiferente. Para essa noite esperavamos também encontrar a B, da qual a equipa de reportagem esperava obter um testemunho, e após uma primeira tentativa de a encontrar no sítio onde costuma pernoitar, fomos surpreendidos pela sua chegada ao local habitual de onde distribuimos os sacos. Foi um momento especial, com algumas lagrimas mas também alguns sorrisos, mas não duvido que no final daquela partilha a B estava feliz.
Seguimos para o Creu onde nos despedimos dos jornalistas, tivemos o habitual momento de oração e partilha. Era chegado o fim.
Até Domingo!
Abraço, Jorge e Rui Mota (na primeira crónica bipartida que há memória)
quarta-feira, agosto 23, 2006
Crónica da Ronda de 20/08/2006 (Areosa)
Este domingo começou de uma forma curiosa, com o nosso carrinho a ser parado pela polícia, graças a mim. Mas o dia era de sorte, por isso deixaram-nos ir e perdoaram a minha pequena infracção=). Seguimos rumo a casa da S. À chegada, deixamos um saquito cheio de roupa p netinho da D. A. O SZ veio ter connosco uns minutos depois. Falamos um pouquinho com eles (estavam lá os repórteres) e dançamos ao som da concertina do SZ…isto está-se a tornar um hábito difícil de largar, e ele gosta tanto!! De seguida, voámos para o prédio. Lá estava o J, calminho desta vez. Claro que o tema de conversa foi a musa dele, como não podia deixar de ser. Prometemos que lhe levávamos um lápis carvão e umas folhinhas de papel, para ele pintar o nosso retrato, já que é um dos passatempos preferidos dele!...o SrZM também estava todo bem disposto. Tinha falado com o irmão no dia anterior e manda muitos abraços apertados para o Dani e Tiago, que lhe fazem tanta falta!...demos-lhe umas roupa que ele precisava e deixamo-lo ir dormir. Também passou lá o Z, rabugento e mal disposto como sempre. Disse que a D estava doente, cheia de febre e que ainda não tinham conseguido falar com o F, que ainda está de férias. Pegou n saquito e foi-se embora com a cadelinha dele que agora lhe faz muita companhia=). Fomos para a A. No jardim n encontramos ngm, porque tinha estado a chover n dia anterior. Por isso, fomos procurar debaixo d viaduto e lá estava o M. Levantou-se num instantinho (sem aquela ceninha habitual=)) e veio connosco entregar o saquito ao J (que estava no banco outra vez) e à I. O J quase nem acordou…deixamos o saquito e não insistimos. A I estava mais bem disposta que o habitual, e nem resmungou com o M. O M tinha-nos prometido que não ía falar alto à beira dela, para não acordar os vizinhos e para alem de ter cumprido o que prometeu, vieram-lhe as lágrimas aos olhos enquanto olhava a I, atrapalhada com as suas caixas de cartão. Depois confessou-me que andava triste por estar naquela vida….”todos os meus dias são iguais”. Fiquei contente por ter conhecido aquele lado do M…sério mas este sim, verdadeiro.
Terminamos a ronda com a oração no Creu, depois de termos encontrado outras rondas a terminar à mesma hora. Um beijinho grande e uma semana feliz**Joaninha
Terminamos a ronda com a oração no Creu, depois de termos encontrado outras rondas a terminar à mesma hora. Um beijinho grande e uma semana feliz**Joaninha
segunda-feira, agosto 21, 2006
Crónica da Ronda de 20/08/2006 (Batalha)
O que determina as nossas acções é aquilo que fazemos com o tempo que cada um de nós tem. Foi assim que tudo começou, ontem 20 de Agosto, na Ronda da Batalha, que tentou fazer aquilo que melhor sabe : ajudar os que mais precisam.
A incursão haveria de começar pela zona da ribeira. Já com o destino traçado, para facilitar as manobras e já que cada minuto é precioso para estas pessoas que contam com estes jovens, a ronda da batalha, constituída pela Inês Bessa, Manuela, Luís e excepcionalmente neste dia, pela Maria João e pela Teresa, foi de encontro ao primeiro lugar onde estaria a primeira pessoa a quem prestariam auxílio.
De facto, ser sem-abrigo é muito mais do que não ter uma casa, é não ter um espaço fixo, um limite, em que cada beco pode ser um mundo a ser explorado e talvez por isso a primeira paragem não tenha sido bem sucedida já que não foi encontrado o Sr. E e a sua carismática cadela.
Um pouco desalentado por este pouco auspicioso começo, a ronda da Batalha prosseguiu para a próxima paragem a fim de visitar o Sr. N., junto do bar Lusitano, que apesar de normalmente se encontrar com um companheiro, neste dia estava sozinho. Ri-se e diz-nos que foi ter com uma amiga. Entre a conversa com os cinco jovens, P recorda a vida que tinha antes de se tornar sem-abrigo, com espaço para mostrar a sua boa pronúncia italiana e para nos ensinar um bocado ainda. É um jovem, de facto e talvez por isso os elementos que o acompanham estejam sempre esperançosos de encontrarem a “tal” carta que P diz que estará lá para eles, quando ele tiver ido trabalhar para sair das ruas rapidamente.
Foi uma boa meia-hora que ali estiveram todos à conversa. Se no início P se mostrava um pouco desconfiado com os elementos da ronda, hoje é difícil interromper a conversa, o que infelizmente tem de acontecer porque outras pessoas esperam a mesma visita.
Seguiu-se uma paragem pela D. S, no jardim junto ao quartel. Os elementos acharam por bem não irem todos, já que esta senhora era altamente desconfiada e que isso podia dificultar a comunicação. Assim, foram só três elementos do grupo. Incluída neste grupo, ia a Maria João, que pôs em prática uma técnica diferente da normalmente usada. Ao invés de fazer perguntas à dona S., esta relatou de uma maneira apelativa todas as suas férias, fazendo com que fosse a D. S, a fazer todas as perguntas e integrando-se na conversa curiosa. Passado um pouco, a D. S, já foi capaz de contar o que havia feito e mesmo onde trabalhava, acabando por convidar outro elemento para almoçar. Foi de facto uma abordagem diferente e que parece ter resultado, o que deixou todos os elementos um pouco mais satisfeitos.
Apôs este bom momento , porque aqui todos os pequenos passos se tornam gigantescos, procuramos o Sr. J, que já há alguns dias a ronda não encontra e que este domingo não foi excepção. Suspeita-se que este aconteça devido ao facto de ter mentido em alguns pormenores e de elementos da ronda terem descoberto. Apesar das buscas por St. Catarina, o sr. J não foi encontrado.
Com o Sr. J desaparecido, procuramos um casal que a ronda tem vindo a ajudar recentemente e que se fixou junto à batalha. A ronda encontrou apenas o marido e mais duas pessoas. Este encontrava-se num estado debilitado, visivelmente doente e a precisar de cuidados urgentes, pois apesar de ter tido já medicação, esta parecia não estar a surtir efeito.
A ronda continuou o seu percurso. Faltava visitar ainda dois senhores conhecidos da ronda, já há algum tempo. O primeiro era o Sr. Francisco. Apesar de antigamente se encontrar embriagado sempre que a ronda por lá passava, ultimamente tem-se encontrado sóbrio. Apesar disso, o seu estado mental parece que tem piorado. Se o problema na semana passada era o facto de o habitual saco com comida poder ser roubado por um eventual ladrão que estava escondido por detrás da coluna, ontem já nem a ronda podia lá estar porque o Sr. F, querer perceber “quem andava a brincar”. A ronda, preocupada com esta situação haveria de lá passar a tentar averiguar o que realmente se passava, mas não antes de visitar o Sr. D, que se mostrou mais conversador do que o habitual, falando sobre os turistas que havia visto. Bem, talvez mais sobre as turistas, mas o que interessa é que havia sido mais simpático, o que nem sempre é comum.
Houve ainda tempo, como anteriormente referido, para tentar perceber o que se passava com o Sr. F. Ao que parece, este fala sozinho, discute e articula, parece mesmo exaltado. Por isso, a hipótese de existir alguém a molestá-lo acaba por ser posta de lado.
A ronda acabou perto da meia-noite e meia, sendo que a oração final centrou-se na importância que cada um de nos dá ao tempo, sendo variavelmente diferente daquela que cada uma destas pessoas dá, já que o tempo se perde dentro da sua própria contingência, talvez por não existir rotinas ou horários previamente marcados. E quem sabe se não é talvez esse um dos factores que faz com que muitos acabem por permanecer nesse modo de vida.
Luís Silva
A incursão haveria de começar pela zona da ribeira. Já com o destino traçado, para facilitar as manobras e já que cada minuto é precioso para estas pessoas que contam com estes jovens, a ronda da batalha, constituída pela Inês Bessa, Manuela, Luís e excepcionalmente neste dia, pela Maria João e pela Teresa, foi de encontro ao primeiro lugar onde estaria a primeira pessoa a quem prestariam auxílio.
De facto, ser sem-abrigo é muito mais do que não ter uma casa, é não ter um espaço fixo, um limite, em que cada beco pode ser um mundo a ser explorado e talvez por isso a primeira paragem não tenha sido bem sucedida já que não foi encontrado o Sr. E e a sua carismática cadela.
Um pouco desalentado por este pouco auspicioso começo, a ronda da Batalha prosseguiu para a próxima paragem a fim de visitar o Sr. N., junto do bar Lusitano, que apesar de normalmente se encontrar com um companheiro, neste dia estava sozinho. Ri-se e diz-nos que foi ter com uma amiga. Entre a conversa com os cinco jovens, P recorda a vida que tinha antes de se tornar sem-abrigo, com espaço para mostrar a sua boa pronúncia italiana e para nos ensinar um bocado ainda. É um jovem, de facto e talvez por isso os elementos que o acompanham estejam sempre esperançosos de encontrarem a “tal” carta que P diz que estará lá para eles, quando ele tiver ido trabalhar para sair das ruas rapidamente.
Foi uma boa meia-hora que ali estiveram todos à conversa. Se no início P se mostrava um pouco desconfiado com os elementos da ronda, hoje é difícil interromper a conversa, o que infelizmente tem de acontecer porque outras pessoas esperam a mesma visita.
Seguiu-se uma paragem pela D. S, no jardim junto ao quartel. Os elementos acharam por bem não irem todos, já que esta senhora era altamente desconfiada e que isso podia dificultar a comunicação. Assim, foram só três elementos do grupo. Incluída neste grupo, ia a Maria João, que pôs em prática uma técnica diferente da normalmente usada. Ao invés de fazer perguntas à dona S., esta relatou de uma maneira apelativa todas as suas férias, fazendo com que fosse a D. S, a fazer todas as perguntas e integrando-se na conversa curiosa. Passado um pouco, a D. S, já foi capaz de contar o que havia feito e mesmo onde trabalhava, acabando por convidar outro elemento para almoçar. Foi de facto uma abordagem diferente e que parece ter resultado, o que deixou todos os elementos um pouco mais satisfeitos.
Apôs este bom momento , porque aqui todos os pequenos passos se tornam gigantescos, procuramos o Sr. J, que já há alguns dias a ronda não encontra e que este domingo não foi excepção. Suspeita-se que este aconteça devido ao facto de ter mentido em alguns pormenores e de elementos da ronda terem descoberto. Apesar das buscas por St. Catarina, o sr. J não foi encontrado.
Com o Sr. J desaparecido, procuramos um casal que a ronda tem vindo a ajudar recentemente e que se fixou junto à batalha. A ronda encontrou apenas o marido e mais duas pessoas. Este encontrava-se num estado debilitado, visivelmente doente e a precisar de cuidados urgentes, pois apesar de ter tido já medicação, esta parecia não estar a surtir efeito.
A ronda continuou o seu percurso. Faltava visitar ainda dois senhores conhecidos da ronda, já há algum tempo. O primeiro era o Sr. Francisco. Apesar de antigamente se encontrar embriagado sempre que a ronda por lá passava, ultimamente tem-se encontrado sóbrio. Apesar disso, o seu estado mental parece que tem piorado. Se o problema na semana passada era o facto de o habitual saco com comida poder ser roubado por um eventual ladrão que estava escondido por detrás da coluna, ontem já nem a ronda podia lá estar porque o Sr. F, querer perceber “quem andava a brincar”. A ronda, preocupada com esta situação haveria de lá passar a tentar averiguar o que realmente se passava, mas não antes de visitar o Sr. D, que se mostrou mais conversador do que o habitual, falando sobre os turistas que havia visto. Bem, talvez mais sobre as turistas, mas o que interessa é que havia sido mais simpático, o que nem sempre é comum.
Houve ainda tempo, como anteriormente referido, para tentar perceber o que se passava com o Sr. F. Ao que parece, este fala sozinho, discute e articula, parece mesmo exaltado. Por isso, a hipótese de existir alguém a molestá-lo acaba por ser posta de lado.
A ronda acabou perto da meia-noite e meia, sendo que a oração final centrou-se na importância que cada um de nos dá ao tempo, sendo variavelmente diferente daquela que cada uma destas pessoas dá, já que o tempo se perde dentro da sua própria contingência, talvez por não existir rotinas ou horários previamente marcados. E quem sabe se não é talvez esse um dos factores que faz com que muitos acabem por permanecer nesse modo de vida.
Luís Silva
sábado, agosto 19, 2006
Crónica da Ronda de 13/08/2006 (St.ª Catarina + Boavista)
Novo domingo, nova ronda! O período de férias continua e existe alguma dificuldade em constituir as equipas, pelo que a melhor solução é partilhar a jornada, neste caso Boavista e Santa Catarina. Partimos por volta das 22h20 rumo à Praça da Batalha. Lá já nos esperavam o aniversariante Sr. F, comemorava as 60 primaveras, e a D. E. Como era de prever houve festa: cantámos os parabéns, comemos bolo e distribuíram-se presentes, o Sr. F estava notoriamente satisfeito; pelo meio o “parzinho romântico da Batalha”, o Sr. B e D AM, juntou-se à celebração. Ainda tivemos tempo para trocar algumas impressões com a P. e o F, conhecendo um pouco melhor a sua situação.
Era hora de “abraçar” o novo trajecto, o da Boavista, pelo caminho ficaram o Filipe e a Sílvia, e “forçamos” o Nuno a juntar-se ao grupo.
A primeira paragem foi o Lima 5, onde encontramos a família Q, desta vez o ambiente era de alguma consternação dado que o Sr. V se encontrava hospitalizado e ao que nos contaram o seu estado era grave, como seria de prever a D. F estava bastante triste e um pouco revoltada dado que toda esta situação tinha resultado duma agressão física. Tentamos passar algumas palavras de esperança e contrariar um pouco o sentimento revanchista instalado. Mais à frente encontramos o Sr. Álvaro, com o “porreirismo” habitual. È um gosto encontra-lo e partilhar com ele uns precisos minutos. Quando nos despedimos é impossível não sentir um carinho incrível por ele uma vontade enorme de lá voltar no próximo domingo. Destino ultimo: Aleixo. Como sempre um momento aparte! Voltamos ao Creu onde fizemos a oração final. Para a semana há mais.
Rui Mota
Era hora de “abraçar” o novo trajecto, o da Boavista, pelo caminho ficaram o Filipe e a Sílvia, e “forçamos” o Nuno a juntar-se ao grupo.
A primeira paragem foi o Lima 5, onde encontramos a família Q, desta vez o ambiente era de alguma consternação dado que o Sr. V se encontrava hospitalizado e ao que nos contaram o seu estado era grave, como seria de prever a D. F estava bastante triste e um pouco revoltada dado que toda esta situação tinha resultado duma agressão física. Tentamos passar algumas palavras de esperança e contrariar um pouco o sentimento revanchista instalado. Mais à frente encontramos o Sr. Álvaro, com o “porreirismo” habitual. È um gosto encontra-lo e partilhar com ele uns precisos minutos. Quando nos despedimos é impossível não sentir um carinho incrível por ele uma vontade enorme de lá voltar no próximo domingo. Destino ultimo: Aleixo. Como sempre um momento aparte! Voltamos ao Creu onde fizemos a oração final. Para a semana há mais.
Rui Mota
quinta-feira, agosto 17, 2006
Crónica da Ronda de 13/8/06 (Batalha + 6ª Ronda)
Os receios confirmaram-se: Tratou-se da ronda com menos expressão do ano, em termos de voluntários. Excepção honrosa para “A Ronda” que esteve praticamente completa e ainda pode desdobrar-se, para apoiar a ronda da Areosa que só tinha um elemento.
A ronda da Batalha e a 6ª Ronda fundiram-se, como previsto, e às 22:30h, eu e a Manela, estávamos com o sr. J. A. e a sua cadela com missangas… Estava animado pois tinha uma empresa que o põe a trabalhar em Espanha para a semana. Para ele é óptimo pois afasta-se das más companhias, das influências e da droga, claro. Ficámos contentes.
Seguimos para o P. e o M.. Só falámos com o P., o M. dormia e não acordou. Desceu as escadas para o pé de nós e esteve a falar-nos da família, do filho, do sogro e da visita que estes dois lhe fizeram no aniversário do rapaz. No seu banco de jardim, lá estava a G. É difícil saber as verdadeiras razões, mas desta vez rejeitou-nos quase explicitamente: “Eu hoje não quero nada!”. Diz estar à espera que a chamem do emprego a cuja entrevista inicial diz já ter ido. Estivemos muito pouco tempo.
Não encontrámos o sr. D. em nenhum dos locais que lhe conhecemos. O sr. F. acolheu-nos da mesma forma que tinha feito na passada semana. Pediu-nos para não voltarmos a levar-lhe saco, desde que não ficássemos tristes, claro. Na Vivenda Silva estava a Cruz Vermelha, por isso não parámos. Também não encontrámos o J. nem o sr. J.
Como nos sobravam sacos intersectámo-nos com a ronda fundida de St.ª Catarina e da Boavista. Houve troca de elementos e eu segui com eles. Deixo o relato desta minha segunda ronda da noite, para o Rui que ficou de fazer a crónica. Nesta segunda parte a noite, graças a Deus, ganhou outro significado.
Um abraço grande,
Nuno de Sacadura Botte
A ronda da Batalha e a 6ª Ronda fundiram-se, como previsto, e às 22:30h, eu e a Manela, estávamos com o sr. J. A. e a sua cadela com missangas… Estava animado pois tinha uma empresa que o põe a trabalhar em Espanha para a semana. Para ele é óptimo pois afasta-se das más companhias, das influências e da droga, claro. Ficámos contentes.
Seguimos para o P. e o M.. Só falámos com o P., o M. dormia e não acordou. Desceu as escadas para o pé de nós e esteve a falar-nos da família, do filho, do sogro e da visita que estes dois lhe fizeram no aniversário do rapaz. No seu banco de jardim, lá estava a G. É difícil saber as verdadeiras razões, mas desta vez rejeitou-nos quase explicitamente: “Eu hoje não quero nada!”. Diz estar à espera que a chamem do emprego a cuja entrevista inicial diz já ter ido. Estivemos muito pouco tempo.
Não encontrámos o sr. D. em nenhum dos locais que lhe conhecemos. O sr. F. acolheu-nos da mesma forma que tinha feito na passada semana. Pediu-nos para não voltarmos a levar-lhe saco, desde que não ficássemos tristes, claro. Na Vivenda Silva estava a Cruz Vermelha, por isso não parámos. Também não encontrámos o J. nem o sr. J.
Como nos sobravam sacos intersectámo-nos com a ronda fundida de St.ª Catarina e da Boavista. Houve troca de elementos e eu segui com eles. Deixo o relato desta minha segunda ronda da noite, para o Rui que ficou de fazer a crónica. Nesta segunda parte a noite, graças a Deus, ganhou outro significado.
Um abraço grande,
Nuno de Sacadura Botte
terça-feira, agosto 08, 2006
Crónica da Ronda de 06/08/2006 (Boavista)
Empenhados, partilhamos o início, o Sr. J e a Maryju (que agora faz rondas em Paris) e mais 14. A equipa estava reduzida ao mínimo (eu e o Rui) mas totalmente operacional. Como será para a semana? Será que o Rui sozinho é a Equipa? Claro! [estamos coordenados para que nada fique "descalço", tem sido fantástico ver o empenho, a entrega e a entreajuda entre todos nós por eles. ]
Partimos ao encontro do M, nem sinal, voltamos lá uma 2a vez no final da ronda e nada, onde andará?
Não encontramos o JP ou o ZF mas estava lá uma personagem com quem iremos fazer o primeiro contacto umas das próximas vezes. O Sr.A lá estava com o seu sorriso e habitual "o que é que se deve fazer? Andar de trombas? Não!", mto nos rimos juntos... Os filhos gémeos fizeram 30 anos.
O Sr.J já não está na bomba.
O V lá estava, com o seu discurso, gostou de ter novidades da Anabela. Ele tem novo vizinho da frente. Conseguir partir dali é muito dificil...
O B não estava lá... estou preocupado com ele, tem andado um pouco perdido e desligado e tenho medo que estas mudanças lhe baralhem as ideias e ele não encontre o caminho de volta. Temos de procurar ajuda para ele.
Fomos à família Quaresma, o Sr. M "foi para o bailarico na praça velasquez!", não tinhamos prenda para a D. F, mas soubemos como ela gosta tanto da malta que vem na carrinha amarela. Chegamos à conclusão que as rondas das diversas entidades não têm nome (pois ele não está estampado em lado nenhum) então são a ronda da malta do Opel Corsa, da carrinha Mercedes, da Hiace branca.... Surgiu o mito da soda na sopa de outra ronda. Onde foram buscar esta ideia?
Uma carrinha passou por nós, mas não distribui nada, é habitual neste sítio escuro e escondido...
Terminamos olhando o futuro deste grupo que tanto tem caminhado e partilhamos por todos.
Um abraço forte Jorge Mayer
Partimos ao encontro do M, nem sinal, voltamos lá uma 2a vez no final da ronda e nada, onde andará?
Não encontramos o JP ou o ZF mas estava lá uma personagem com quem iremos fazer o primeiro contacto umas das próximas vezes. O Sr.A lá estava com o seu sorriso e habitual "o que é que se deve fazer? Andar de trombas? Não!", mto nos rimos juntos... Os filhos gémeos fizeram 30 anos.
O Sr.J já não está na bomba.
O V lá estava, com o seu discurso, gostou de ter novidades da Anabela. Ele tem novo vizinho da frente. Conseguir partir dali é muito dificil...
O B não estava lá... estou preocupado com ele, tem andado um pouco perdido e desligado e tenho medo que estas mudanças lhe baralhem as ideias e ele não encontre o caminho de volta. Temos de procurar ajuda para ele.
Fomos à família Quaresma, o Sr. M "foi para o bailarico na praça velasquez!", não tinhamos prenda para a D. F, mas soubemos como ela gosta tanto da malta que vem na carrinha amarela. Chegamos à conclusão que as rondas das diversas entidades não têm nome (pois ele não está estampado em lado nenhum) então são a ronda da malta do Opel Corsa, da carrinha Mercedes, da Hiace branca.... Surgiu o mito da soda na sopa de outra ronda. Onde foram buscar esta ideia?
Uma carrinha passou por nós, mas não distribui nada, é habitual neste sítio escuro e escondido...
Terminamos olhando o futuro deste grupo que tanto tem caminhado e partilhamos por todos.
Um abraço forte Jorge Mayer
segunda-feira, agosto 07, 2006
Crónica da Ronda de 06/08/2006 (Batalha + "ronda experimental")
Começámos com uma descida rápida ao Infante onde encontrámos o sr J A que por pouco nos fugiu. Uma certa melancolia na voz, o demasiado tempo na toxicodependência mostravam intenção de mudar. Um emprego no estrangeiro, longe do ambiente, a solução que apontava. Muito grato seguiu o caminho que interrompemos.
Dali seguimos ao P, apanhado em pleno acto. Ficou o saco e a rapidez de um gesto a marcar somente a presença.
Mais acima G dava-nos a novidade: vai deixar o relento, uma amiga dar-lhe-á abrigo. A formação tinha sido adiada... A pouca conversa e a ausência da alegria que esperávamos levanta alguma desconfiança. A ver vamos. Voltaremos a passar lá, não vá ser ainda preciso.
O Sr X estava sentado, cabisbaixo, o boné tavapa-lhe a cara, escondia-se. Eventuais manifestações de esquizofrenia fizeram com que não quisesse conversa.
Na Vivenda encontrámos o Sr F, novo ali. Depois do susto da nossa chegada comunicou-nos que os inquilinos estavam para fora. Sobre ele contou da maldita ida a Espanha, um trabalho que lhe valeu uma vinda a pé de duas semanas até ao Porto (!). Um caso a acompanhar com muita atenção. Apesar da epilepsia confessa, a lucidez faz crer que ainda há capacidades a explorar num emprego (que não as obras). Demos referências de banhos e roupa. Está a ser acompanhado pela Seg. Social, está a ter ajuda para tirar documentos.
Depois voltámos a procurar o J, desencontrado na semana anterior, esta já com sucesso. Também aponta para o estrangeiro no que a emprego se refere. Continua os desenhos das suas guitarras, o que lhe vale, segundo diz. Asseado reconhece o pouco dinâmico que é, como que sugerindo um empurrãozinho nosso. Continuaremos antes que caia nalguma fatal tentação - à qual só por milagre ainda não sucumbiu.
Não encontrámos o Sr J. Seguimos para o CREU onde novamente alguém dormia.
Partilhámos um pouco de cada um de nós depois da noite, a melancólica noite que foi.
Dali seguimos ao P, apanhado em pleno acto. Ficou o saco e a rapidez de um gesto a marcar somente a presença.
Mais acima G dava-nos a novidade: vai deixar o relento, uma amiga dar-lhe-á abrigo. A formação tinha sido adiada... A pouca conversa e a ausência da alegria que esperávamos levanta alguma desconfiança. A ver vamos. Voltaremos a passar lá, não vá ser ainda preciso.
O Sr X estava sentado, cabisbaixo, o boné tavapa-lhe a cara, escondia-se. Eventuais manifestações de esquizofrenia fizeram com que não quisesse conversa.
Na Vivenda encontrámos o Sr F, novo ali. Depois do susto da nossa chegada comunicou-nos que os inquilinos estavam para fora. Sobre ele contou da maldita ida a Espanha, um trabalho que lhe valeu uma vinda a pé de duas semanas até ao Porto (!). Um caso a acompanhar com muita atenção. Apesar da epilepsia confessa, a lucidez faz crer que ainda há capacidades a explorar num emprego (que não as obras). Demos referências de banhos e roupa. Está a ser acompanhado pela Seg. Social, está a ter ajuda para tirar documentos.
Depois voltámos a procurar o J, desencontrado na semana anterior, esta já com sucesso. Também aponta para o estrangeiro no que a emprego se refere. Continua os desenhos das suas guitarras, o que lhe vale, segundo diz. Asseado reconhece o pouco dinâmico que é, como que sugerindo um empurrãozinho nosso. Continuaremos antes que caia nalguma fatal tentação - à qual só por milagre ainda não sucumbiu.
Não encontrámos o Sr J. Seguimos para o CREU onde novamente alguém dormia.
Partilhámos um pouco de cada um de nós depois da noite, a melancólica noite que foi.
Crónica da Ronda de 06/08/2006 (Stª Catarina)
Falámos ao telefone com o E., contente com a sua distribuição de jornais agora pela praia, aproveitando este grande tempo! Arranjou o mesmo trabalho para o sr.L mas parece não ter iniciado da melhor maneira: embriagou-se na primeira manhã...
Na praça um só dos casais maravilha: falta para o Z e a AM. D.E e sr.F muito bem dispostos - logo porque conseguiram telefonar ao filho e marcar jantar no dia seguinte! No próximo domingo ela faz anos! Levaremos, para além do bolo, soro fisiológico porque tem deitado no último mês umas gotas que na farmácia receitaram para um máximo de uma semana! O ambiente estava óptimo: o calor da pedra tinha contaminado o ânimo dos dois, afinal de nós todos, e a conversa fluiu com boa disposição e bom entendimento.
Na rua conversámos demoradamente com a F. e o P.. Ao contrário do momento anterior, o tom foi predominantemente triste pela saudade dos dois filhos - ela não os vê há um ano. Pelo contrário, o P. todos os sábados visita o seu filho em Sto. Tirso. Procurámos insistentemente motivá-la a resolver vê-los, ultrapassando as dificuldades de relacionamento com a família, sua e do seu ex-marido. Procurámos também que o P. no mínimo não a desmotivasse! Démos ainda um saco a um inesperado.
No bairro distribuímos pouca coisa mas alguns elogios ainda recebemos - o folar que recordava bons tempos em Trás-os-Montes. Só restará a esta gente sonhar? Quanto é difícil inverter a vida prisioneira que levam. E a tristeza final na conversa com a B., sonhando também com os Açores e pedindo desculpas por... Irónico ouvirmos nós um pedido de desculpas - mas sabíamos que se dirigia a si própria...
O carro regressou com a bagageira ainda cheia de pão que não conseguímos distribuir... O pão que desejámos multiplicar na oração inicial; o pão que no evangelho do dia, dizia Jesus, é Ele mesmo; o pão que na leitura do êxodo saciava sim, mas confundia o povo por não aparecer como esperavam. Chamaram-lhe «Maná» que quer dizer «Que é isto?». Terminámos pondo tudo isto em oração, pedindo para nós e para as pessoas da rua que saibamos reconhecer Deus e o que Ele põe de maravilhoso na nossa vida, mas que tantas vezes deixamos perder porque não identificamos para além das aparências a que estamos habituados.
Nota: não se confundam os que seguiram as leituras da Festa da Transfiguração...
Na praça um só dos casais maravilha: falta para o Z e a AM. D.E e sr.F muito bem dispostos - logo porque conseguiram telefonar ao filho e marcar jantar no dia seguinte! No próximo domingo ela faz anos! Levaremos, para além do bolo, soro fisiológico porque tem deitado no último mês umas gotas que na farmácia receitaram para um máximo de uma semana! O ambiente estava óptimo: o calor da pedra tinha contaminado o ânimo dos dois, afinal de nós todos, e a conversa fluiu com boa disposição e bom entendimento.
Na rua conversámos demoradamente com a F. e o P.. Ao contrário do momento anterior, o tom foi predominantemente triste pela saudade dos dois filhos - ela não os vê há um ano. Pelo contrário, o P. todos os sábados visita o seu filho em Sto. Tirso. Procurámos insistentemente motivá-la a resolver vê-los, ultrapassando as dificuldades de relacionamento com a família, sua e do seu ex-marido. Procurámos também que o P. no mínimo não a desmotivasse! Démos ainda um saco a um inesperado.
No bairro distribuímos pouca coisa mas alguns elogios ainda recebemos - o folar que recordava bons tempos em Trás-os-Montes. Só restará a esta gente sonhar? Quanto é difícil inverter a vida prisioneira que levam. E a tristeza final na conversa com a B., sonhando também com os Açores e pedindo desculpas por... Irónico ouvirmos nós um pedido de desculpas - mas sabíamos que se dirigia a si própria...
O carro regressou com a bagageira ainda cheia de pão que não conseguímos distribuir... O pão que desejámos multiplicar na oração inicial; o pão que no evangelho do dia, dizia Jesus, é Ele mesmo; o pão que na leitura do êxodo saciava sim, mas confundia o povo por não aparecer como esperavam. Chamaram-lhe «Maná» que quer dizer «Que é isto?». Terminámos pondo tudo isto em oração, pedindo para nós e para as pessoas da rua que saibamos reconhecer Deus e o que Ele põe de maravilhoso na nossa vida, mas que tantas vezes deixamos perder porque não identificamos para além das aparências a que estamos habituados.
Nota: não se confundam os que seguiram as leituras da Festa da Transfiguração...
sexta-feira, agosto 04, 2006
Crónica da Ronda de 30/07/2006 (Boavista + Bonfim + Stª Catarina)
O facto de só estarem presentes dez pessoas para realizar a ronda no passado domingo, dificultou e muito a nossa acção, tivemos que nos mostrar bravos e destemidos perante a árdua tarefa de fazer três rondas numa único trajecto. A noite prometia ser longa e assim resolvemos abdicar de algum tempo de qualidade com os sem-abrigo e tentar estar com o máximo de pessoas possível. Após a oração inicial partimos em direcção ao Sr. B, mantém a lucidez dos últimos tempos, tendo-nos presenteado com um belo sorriso aquando da chegada e aceite com pacatez a nossa partida passado uns breves minutos, não sem antes se negar a tomar uma banho. Segui-se a família Quaresma, só estava lá a bem disposta e faladora D. F., os restantes elementos do clã tinham-se ausentado para ir ver o jogo de futebol, mas ficamos desde logo a saber que esta faz anos no próximo dia 5 e que espera uma prendinha da nossa parte. Próxima paragem: Batalha. Lá encontramos a D.E. e o Sr.F., preocupadíssimos com o facto de não terem notícias do filho há cerca de uma semana, o jovem está internado numa instituição para menores e de vez em quando faz das suas. Também lá estava o Sr. Z e D. AM, uma paixão que só visto, é um gosto ver o que o amor não escolhe nem idade nem condição. A gestão do tempo estava a correr muito bem, e sem qualquer tipo de cedência partimos para os Aliados onde encontramos a D.C., com um belo tapete de Arraiolos em que figurava estampado o símbolo do FC Porto (compradores procuram-se!), estava apressada tendo a troca de impressões sido curta; ainda no mesmo espaço encontramos o Sr. P e o Sr. R que estavam a arrumar carros para ganhar uns trocos.
Uns minutos mais tarde já estávamos a dar um saquinho ao Sr. J que dorme na reentrância de um prédio na Praça Humberto Delgado, apesar de ser toxicodependente estava com um óptimo aspecto, havia cortado o cabelo à pouco, conversamos alguns minutos e depois partimos já com o Aleixo em mente. Ultima paragem: Aleixo! É impossível ficar indiferente a esta realidade de degradação e vício, um verdadeiro soco no estômago, talvez o mais flagrante exemplo da "Selva Urbana". Depois de entregarmos os sacos que haviam sobrado e mais alguns coisas regressamos ao Creu onde fizemos a oração final a quatro: a Ana, o Nuno, o Pedro e eu.
Rui Mota
Uns minutos mais tarde já estávamos a dar um saquinho ao Sr. J que dorme na reentrância de um prédio na Praça Humberto Delgado, apesar de ser toxicodependente estava com um óptimo aspecto, havia cortado o cabelo à pouco, conversamos alguns minutos e depois partimos já com o Aleixo em mente. Ultima paragem: Aleixo! É impossível ficar indiferente a esta realidade de degradação e vício, um verdadeiro soco no estômago, talvez o mais flagrante exemplo da "Selva Urbana". Depois de entregarmos os sacos que haviam sobrado e mais alguns coisas regressamos ao Creu onde fizemos a oração final a quatro: a Ana, o Nuno, o Pedro e eu.
Rui Mota
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