sexta-feira, julho 21, 2006

Crónica da Ronda de 16.07.2006 (Boavista)

Olá a todos!

Começamos a ronda de uma forma muito especial! (Não posso deixar passar em branco a oração cantada que tivemos. Transmitiu-nos imensa serenidade...! Podem repetir!!)

Depois desta oração bem rezada, partimos para o Foco, onde, mais uma vez, não encontrámos o M. Não temos notícias dele há 15 dias, esperámos que esteja bem, que pelo menos não tenha piorado... Depois, fomos para Damião de Góis, com uma novidade: era a minha altura de, pela 1ª vez levar o carro! “Que perigo”, dizia a equipa...! Fomos em busca do nosso velho amigo Sr. B., já há algum tempo desaparecido. Pois é, encontrámo-lo no sítio do costume, todo encasacado como sempre. Falámos um pouco, tentámos saber o porquê da sua ausência, mas não obtivemos grande resposta. Ainda lhe falámos na hipótese de ir para uma pensão, o que o deixou interessado. Daqui, fomos rumo ao Lima 5, à procura de um Sr. que dormiria por lá e...encontrámos 4 pessoas-Sr.M., Sr.V. e Sra. F. e J. Todos eles familiares, vivem numa barraca ali perto e ao fim-de-semana passam por ali para arrumar carro e para suportar o calor da sua “casa” nestes dias de Verão. As condições de higiene são escassas, mas a boa disposição é imensa, ficaram muito contentes de nos ver!.. Assim, prometemos voltar.

Logo depois encontrámos o Sr. V. em Júlio Dinis, que nos contou mais umas histórias dele com a polícia. A Sra. C., sua “vizinha”, desta vez não quis conversa, por isso só deu para ver que estaria com bastante sono...!

Passámos ainda pelo Bom Sucesso, onde não avistámos ninguém.

Por fim, cruzámo-nos com o Sr. A., sempre bem-disposto e falador.

Terminámos a ronda à porta do creu, com muito calor, agradecendo a noite e pedindo muita força para continuarmos na nossa caminhada.

Um bjo grande a todos, ana

quarta-feira, julho 19, 2006

Crónica da ronda de 16.7.2006 (Areosa)

Iniciámos a ronda, na calma companhia do sr Z, em direcção à casa da S. Esta encontrava-se um pouco cansada. Segundo nos contou, sentiu-se mal devido ao calor e a se ter esquecido de tomar a medicação. Teve inclusive de chamar o 112. Felizmente não foi nada de muito grave. No final pareceu estar um pouco melhor, e até conseguimos que se risse um pouco, o que é sempre saudável. Após deixarmos a S, levámos o sr Z até casa e seguimos para a Blockbuster. Visto não encontrarmos o P, seguimos para "o prédio". O ZM já se encontrava cá em baixo, a ler o jornal: "É um forno lá dentro!" disse. Na conversa que tivemos, contou-nos que tinha feito anos, e que tinha recebido a visita da irmã, o que é muito importante agora que vai iniciar o tratamento. O J também conversou um pouco connosco. Parece estar com a cabeça mais fria, mais consciente da sua situação amorosa. O ucraniano também apareceu, todo vestido de negro e algo em baixo. Pouco falou e rapidamente seguiu para cima. A D parece estar no bom caminho, tem uma consulta 2ª feira, esperamos que tudo corra bem. Seguimos para a rotunda da Areosa, onde se nos juntou o Nuno, cuja ronda já havia findado. O sr M não se encontrava no local habitual: havia-se mudado para o jardim – "É mais fresco!". Junto a ele estava o J. Desafiámos os dois a acompanharem-nos até junto da I. Encontrámo-la não no poiso habitual, mas na rua paralela. Deixou-se dormir ali, segundo nos contou. Após a conversa habitual, continuámos com o M e o J até ao final da rua, onde encontrámos alguns seguranças dos prédios da zona, os quais já têm amizade com o J e o M. Deixámos todos à conversa, e voltámos para junto da Blockbuster, para ver se encontrávamos o local onde o P passa a noite. Encontrámos de facto um amontoado de coisas que nos pareceram pertencer ao P, e decidimos deixar lá o pacote de cereais de que ele tanto gosta. Por fim, fomos ver o sr A M. Recolhemos alguns dos seus dados pessoais, para contactarmos a Porto Feliz, no sentido de o voltar a inserir num lar. Terminámos ali perto, em oração de partilha.

Foi uma boa ronda.

Abraços apertados

Tiago Cabeçadas

segunda-feira, julho 17, 2006

Crónica da Ronda de 16/07/2006 ("ronda experimental")

"Tomai, Senhor, e recebei toda a minha liberdade, a minha memória, o meu entendimento e toda a minha vontade, tudo o que tenho e possuo; Vós mo destes; a Vós, Senhor, o restituo. Tudo é Vosso, disponde de tudo, à Vossa inteira vontade. Dai-me o Vosso amor e graça, que esta me basta."

Foi com a oração de Santo Inácio, na versão cantada, e uma mensagem da Raquel Henriques, enviada de Moçambique, que tudo começou ontem. Desta vez não observámos as 22:10h! A 6ª ronda, denominada "A Experimental", partiu com o João, a Maria Antónia, a Teresa e eu.

Dirigímo-nos para a zona de Cedofeita e da Pç. da República. Das três paragens previstas para aqui, só tivemos verdadeiro contacto com a G. A D. A. continua sem estar por lá. Na esquadra da polícia, lembravam-se de um contacto tido com a linha 144, de urgência da Segurança Social, no sentido da localização da D. A., para resolver o seu problema. Mas, nada mais. No entanto, esta notícia trouxe algo de positivo. Nós nunca imaginámos que a Segurança Social tentasse contactar os sem-abrigo por meios tão expeditos e eficazes, como pedir ajuda na esquadra de polícia mais próxima do local onde a pessoa tem dormido. A ideia que tínhamos era que os sem-abrigo teriam sempre que dar uma morada na Segurança Social para poderem ser contactados.

O senhor que temos tentado abordar na entrada da Repartição das Finanças, desta vez reagiu levantando a cabeça, ao nosso chamamento. Mas continua sem mostrar interesse em estabelecer diálogo, mesmo depois de lhe termos deixado um saco no Domingo anterior. A G. lá estava no mesmo local. A nossa relação com ela tem sido muito instável. Daquela empatia e resultados conseguidos no início, passámos a uma falta de sintonia e alguma impotência para a ajudar. Depois de se ter despedido, já tem uma nova proposta de emprego, há quase uma semana, mas ainda não foi à empresa empregadora. Transmiti-lhe que, em relação ao rendimento mínimo, terá que mostrar mais empenho junto da Segurança Social, pois o caso dela parece desacompanhado. Quer em relação a uma coisa, quer em relação à outra, não revelou estar muito motivada. Indicou-nos, como forma de abreviar a nossa visita, outro sem-abrigo que dormia perto. Junto deste também não tivemos sucesso, além de uma resposta um pouco descabida.

Seguimos para outra zona. O A. J. não se encontrava onde com ele estivemos na última vez. Na V. S. tínhamos visto uma carrinha da Cruz Vermelha. Pelo que passámos novamente. Nessa altura a confusão reinava, com discussão prestes a passar a vias de facto. Não parámos. Cruzámos-nos três vezes com a ronda de Santa Catarina e acabámos a noite com eles no bairro social do costume. A caminho de lá ainda procurámos o sr. J. M., mas não o vimos.
Já na paragem final, a confusão foi como habitualmente, grande. Desta vez tive que me impor, em voz alta e algum desconforto, ao R. que insistia em receber mais comida, mesmo depois de ter recebido o nosso primeiro saco da noite. Procurámos a B. no seu local de pernoita, mas só a encontrámos a contar os trocos, altura em que a barreira entre nós e ela se torna difícil de transpor.

Esta ronda terminou em conjunto com a de Santa Catarina e a da Batalha, já em frente ao Centro, para a oração final, onde o desalento de uma ronda pobre, foi comparado com as noites vazias de Domingo que tínhamos antes de fazermos rondas pelos sem-abrigo do Porto.

Como era cedo ainda fui ter com a ronda da Areosa. Só estavam 4 elementos. Estivemos com o sr. M. e o sr. J. no local preferido nestas noites de maior calor, o jardim habitual e perto do sítio onde dormiam antes. Vieram connosco à procura da D. I. de quem o sr. M. muito gosta. O sr. J. veio com o seu discman novo nos ouvidos. A D. I. não se encontrava no sítio habitual, pelo que, mais uma vez recorri à esquadra da polícia para pedir indicações. Acabámos por a descobrir num local onde tem dormido o primeiro sono da noite. Foi um convívio agradável que se estendeu ao vigilante do prédio perto e a mais uns amigos seus que andavam pela rua, talvez pelo calor que se fazia sentir. Seguimos para a paragem final junto do sr. P. e do sr. A. C., o novo sem-abrigo. O sr. P. não estava, mas o sr. A. C. conversou muito connosco e combinámos nova visita durante a semana, a fim de lhe tentarmos tratar do realojamento numa pensão, pela Segurança Social.

A oração final foi de partilha: Cada um partilhou o que sentiu; Eu enriqueci a minha noite, depois de uma ronda tão "fraca" que tinha tido; E acabámos muito tarde, mas sem preocupações com o tempo, pois nunca há pressa quando estamos a falar e a ouvirmo-nos sinceramente uns aos outros.

Beijos e abraços,

Nuno de Sacadura Botte

Crónica da Aldeia 15/07/2006 (Festa da Catequese - Várzea)

Partimos por volta das 11horas em direcção a Várzea, estava um dia tórrido pelo que as expectativas para a festa de encerramento do ano da catequese se mantinham elevadas. Quando lá chegamos esperava-nos um maravilhoso almoço, preparado pelas catequistas, em que não faltou variedade nos pratos: moelas, frango e entrecosto; bem como sobremesas sortidas.

Findo o repasto, chegou a altura de "por mãos à obra", ou seja, tentar encher uma "catrefada" de balões de água, transportar o material para a represa e preparar lá as actividades. As crianças e os jovens foram chegando, e depois do ritual de acolhimento dividimo-las em dois grupos, os mais pequeninos, e um outro com os mais velhos, dando-se início às "hostilidades". Os jogos resultaram muito bem, em particular o jogo da corda, na variante aquática, e o já planeado "final em grande" com a guerra dos balões, um verdadeiro caos do qual pequenos, médios e graúdos tiraram grande proveito. Uma excelente terapia, seguida, primeiro, pelo lanche e, depois, pela distribuição dos diplomas por todas os participantes.

Feitas as despedidas, fomos ainda dar uma mãozinha nas limpezas do centro paroquial da Várzea, aproveitando para uma bem disposta conversa com a Patrícia. Chegara então a hora de partir, para trás ficava uma óptima sensação de missão cumprida!

Rui Mota

P.S.: a água da represa estava fantástica. Como é óbvio todos aproveitamos para nos refrescar do calor e dar um mergulhozito durante a festa. Um pequeno oásis, ao qual espero voltar em breve!

Crónica da Ronda de 09.07.2006 (Batalha)

Iniciamos com a oração marcada com o simbólico Cristo sem braços descrito pela Mafalda.
Saímos eu, a Inês, o Fernando e o Luís.
1ª Paragem: Em Carlos Alberto o Sr. M. não estava em casa mais uma vez.
2ª Paragem: Na Rua José Falcão o P. estava bastante sonolento e apático, ainda a recuperar do “acidente” que teve há poucas semanas. Foi necessário puxarmos por ele, animá-lo. Depois já tinha conversa para resto da noite. Sr. M. é o novo vizinho do P., é toxicodependente. Está à espera de entrar num Cat, falou com o Fernando.
3ª Paragem: Sr. F. acordou ao nosso chamamento mas não quis conversa embora desta vez falasse português (estava mais sóbrio do que o habitual)!
4ª Paragem: Encontramos o Sr. D. a dormir sentado. A tosse não o larga. Pouca conversa principalmente para assuntos que não lhe interessam. Recusou a nossa ajuda para lhe fazermos a “cama”, apenas aceitou o saco.
5ª Paragem: Próximo do mercado Ferreira Borges, nova paragem, estava o Sr. J. A. acompanhado da sua Trip – uma pequena cadela preta. Estava apressado para ir dormir pois a loja onde pernoita abre cedo. Marcamos novo encontro.
Quase estivemos para fazer a restante ronda a pé porque o carro da Manela não queria sair da Ribeira!
6ª Paragem: O Sr. J., despertou logo á nossa chegada, sempre muito satisfeito por nos ver. Mostrou-nos que a sua perna já está quase boa correndo descalço pela rua acima. Combinei com ele nova visita à loja do cidadão para resolver o problema da certidão que teimava em não chegar ao destino. Ficou triste quando lhe dissemos que o repórter da RTP já não viria visitá-lo.
Distribuímos 6 sacos.
*********
Segunda-feira encontrei-me com Sr. J. no sítio combinado. Pareceu-me um pouco desanimado. Queixou-se de dores na perna. Planeávamos a tarde quando me disse que não tinha os documentos necessários com ele e precisa ir buscá-los. Fomos até às traseiras do Millenium da Praça D. João I (esconderijo dos ditos) e pediu-me para esperar á entrada. Assim fiz até me cansar, ir procurá-lo e verificar que havia uma saída por outro lado. Não o vi mais…

São Moura

Crónica da Ronda de 9.07.2006 (Areosa)

…Depois de um dia tão alegre e grandioso nada melhor do que mais uma ronda=)…esta foi um pouco diferente das outras, pelo facto de ser feita com a companhia da minha mãe e também pela presença do repórter RTP! Começámos pela Senhorinha e Sr. Dias que estavam manifestamente alegres e emocionados pelo dia vivido. Assim que chegámos, e envolvidas no brilho da Senhorinha e na inocência do Sr. Dias ,as nossas pintoras florearam um pouco mais o pequeno abrigo da alegria (aquele retoque final), havendo tempo ainda para um já habitual pezinho de dança ao som do Rei, o King, o Boss, o Patrão, o inconfundível…Quim! Partimos,na companhia do repórter, até ao prédio na fernão magalhães onde nos encontrámos com Sr. ZM, Sr.J, Sr. Z, e a D…o SR. ZM parece estar a dar um rumo novo a sua vida, e o Sr. J lá continua com as suas desavenças amorosas… (ai as saias!!!) …Dirigimo-nos de seguida até a areosa, ao encontro do grande Sr.M. Desta vez custou pô-lo de pé mas ao fim de algum tempo deu o seu pulo característico, e vivace como sempre, veio dar um passeio connosco…fomos ao encontro do Sr.J mas este tinha ido dormir a um albergue onde reside um amigo seu. Continuámos o passeio, agora em direcção à D.I…não estando no local habitual, cruzamo-nos com ela na rua ao lado quando já não esperávamos encontrá-la…falámos lhe da hipótese de tratamento que poderíamos tentar arranjar mas não houve uma resposta certa da parte dela! Esperemos que tenha ficado a pensar nesta possibilidade…e que um dia mude de vida como ela tanto nos diz…E assim foi mais uma ronda da areosa…desculpem a demora da crónica, a culpa é da Joana e Marcia…Hihihihih**

Daniel Henriques

quinta-feira, julho 13, 2006

Crónica da Ronda de 09.07.2006 (Boavista)

Partimos cedo rumo ao Foco ao encontro do M. Resultado: não parava por lá nessa altura! Seguimos então para o Bom Sucesso, já com a Ana a bordo, paragem habitual mas na qual encontramos personagens diferentes de semana para semana, por norma toxicodependentes a tentar juntar uns trocados para a dose. Este Domingo coube-nos em sorte o J.P., estava a ressacar e não foi muito agradável, mas é preciso não esquecer que o trabalho com os toxicodependentes é sempre difícil e nem sempre compensador. Chegava o momento alto da noite, a nova paragem em Júlio Dinis , onde iríamos tentar um primeiro contacto com o Sr. V. Pode-se dizer que foi um sucesso, o Sr. V. é de uma cordialidade assinalável e desde logo partilhou um pouco da longa experiência de rua, falando-nos do misterioso jogo que envolvendo informadores policiais, agentes infiltrados e criminosos, personagens principais de um enredo chamado sub mundo do crime, no qual acidentalmente entrou algumas vezes. Conhecemos também a D.ª C., uma senhora que vive na rua à longo período e que parece sofrer da terrível doença do esquecimento, um caso a ter novos desenvolvimentos nas próximas visitas. Por ultimo fomos ao encontro do Sr. A., sempre bem disposto e uma companhia perfeita para encerrar a ronda. Partimos para o Creu onde realizamos a oração final, congratulando-nos por mais uma noite "bem sucedida"!

Uma óptima semana para todos e até Quinta!

Rui Mota

segunda-feira, julho 10, 2006

Crónica da Ronda de 9.07.2006 ("ronda experimental")

Desta vez a Sr. A não estava no seu lugar. Ainda perguntámos na esquadra mas o polícia, sozinho e novo ali, não a conhecia. Terá conseguido o quarto?
Nos Bragas o Sr. que dormia a semana passada dormia novamente. Ainda assim deixámos saco.
Na Praça a G já dormitava. Pediu-nos que tratássemos do rendimento mínimo. Estava cansada. O trabalho - de que gosta, deixa-a cansada, e todas as noites ao relento ("a partir das 3 é mais frio..."). Já sabemos do seu aniversário. Ficou espantada pela iniciativa do bolo. E está para breve, como depois saberão. (Ninguém dormia já na paragem.)
Em Alexandre Herculano o casal sim, dormia, mas sozinho. Profundamente. Deixámos dois sacos escondidos nos cobertores, longe dos larápios.
Procurámos o A J nos Poveiros. Quando chegámos gesticulava, falava sozinho, batia palmas...cumprimentámo-nos mas não quis muita conversa. Simpático e educado correu a pousar o saco em casa. Arruma carros. Está desempregado. E novamente muito sujo. Dorme num quarto com a mãe. Tem 30 anos e muito mistério à volta...voltaremos até percebermos algo mais.
Rua da Via Panorâmica. O Sr J M é de uma dignidade espantosa. Ouviu-nos, aceitou-nos, inquiriu-nos quanto aos nossos propósitos, e com um raciocínio exacto explicou por que não quer marcar encontros semanais connosco: nós prendêmo-lo. E do mesmo modo que não aceitou regras - e do mesmo modo que sempre respeitou e se fez respeitar, ao longo da sua vida, agradeceu-nos profundamente o gesto, e despediu-se de nós. Passaremos por lá de vez em quando, como amigos atentos. Até que siga para o estrangeiro, rumo ao sonho a concretizar.
Há sempre muito que agradecer. No fim da noite a oração surgiu.

reunião + jantar

Olá a todos!
Era só para lembrar que no final da próxima reunião, dia 13, temos jantar geral partilhado (ou seja cada um traz um pouco de comida e bebida que partilharemos todos). Eu e o Jorge tratamos da sangria. Vamos convidar o Padre Miguel, que em Setembro deverá partir para Coimbra.

quinta-feira, julho 06, 2006

Crónica da Ronda de 2.7. 2006 (Batalha)

Este é o meu primeiro testemunho de uma ronda. Para mim ainda é tudo um bocado novidade tento assimilar todas as novas realidades com que me deparei na noite portuense. Na noite de Domingo de 2 de Julho de 2006 eu a Manela e a Inês fomos fazer a ronda da Batalha.

Começamos pelo Sr. F, que estava no seu local habitual e apanhamo-lo, literalmente com a “boca na botija”. Quando nos dirigimos a ele, talvez por respeito, escondeu a sua amiga garrafa debaixo do braço. Não havia muito a esconder pois o cheiro sentia-se a léguas…
Estava bem disposto, sempre a cumprimentar-nos, a rir-se e a falar connosco meio em português, meio num dialecto que ninguém percebe e que se calhar nem ele sabe o que quer dizer.
Ficou agradecido pelo saco de comida e não quis mais um casaco. Apenas nos queria a nós, chegando mesmo a pedir para ficarmos mais um pouco, quando dissemos que tínhamos de ir embora. E ali ficamos a conversar, ou pelo menos a tentar, mas com a certeza de que ele estava a sentir-se bem, divertido com a nossa presença, com o nosso esforço, com a nossa amizade.
Chegando a hora da despedida e depois de dezenas de cumprimentos, lá fomos nós para mais uma paragem, com o coração cheio.

Ainda na Trindade, marcamos com a Sra. A, mas esta faltou ao seu primeiro encontro.

Chegamos ao Sr. D na R. Sta Catarina.
Pediu-nos umas calças, mas como não tínhamos nenhumas, falamos que a levávamos para a semana, mas mostrando o seu mau humor habitual, disse que para a semana já não as queria.
Queixou-se que a vida estava difícil e que era difícil governar-se. Queixou-se imenso, mas coçou-se ainda mais. Tentamos convencê-lo a tomar banho, mas parecia que a alergia à água era maior que a coceira.
Não tossiu nada e tinha um saco cheio de bolos para além do nosso saco de comida.

O Sr. M voltou a não estar em sua casa em Carlos Alberto.

No Lusitano estava um sem-abrigo com uma seringa injectada no braço. Estava imóvel e com a cabeça para baixo, não dando para reconhecer a cara, mas pela fisionomia desconfiamos que poderia ser o P.

Na R. 31 de Janeiro encontramo-nos com o Sr. J e com a ronda experimental. Descobrimos que o Sr. J morou 27 anos em Espanha e que esteve casado oito meses com uma espanhola que morreu de acidente de viação.

No encontro com o Sr. P, nos Congregados, não deu para falarmos muito. Ele trazia o seu amigo A, de quem já nos tinha falado e que dorme no mesmo sítio dele. Juntamente apareceram um grupo de flutuantes que apenas queriam o saco de comida. Não queriam conversar, não queriam a nossa ajuda, apenas a sobrevivência desta noite. Costumam ir ao Bairro do Aleixo. Pegaram na comida e desapareceram…
Tentamos falar com o Sr. P mas ele não podia, pois tinha que acompanhar os seus amigos. Tinha “business” a tratar com eles. Os seus negócios habituais: quatro cigarros por uma lata de sardinhas; um pacote de bolachas por uma bebida…
Despedimo-nos dele preocupados, mas com a sensação de que se encontrava bem, com bom aspecto e bem arranjado.

A oração final foi feita em conjunto com a ronda experimental e a ronda de Sta Catarina.

Beijos e abraços

Fernando Gonçalves

Crónica da Ronda de 2.7. 2006 (Bonfim)

- sr. A: continua na Corujeira no chão de uma paragem de autocarro. Tem tido
apoio de pessoas da zona. Mas continua indiferente à sua situação de
miséria: dorme directamente em cima do passeio (sem sequer um cartão), mas
está sempre "tudo bem". Estamos em contactos com a Junta de Freguesia da
Corujeira que, pelo que soubemos, em tempos já o ajudou.

- sr. P e Sr. R: não estavam ao pé da Câmara como é costume, por isso fomos
procurá-los onde costumam dormir. A "festa" do dia anterior tinha sido
pesada e a ressaca pior. Não tinham saído dali o dia todo. Sem novidades.

- ZR, praça D. João I. Estava com o L, agora também por ali. Para além dos
sacos, distribuímos alguma roupa. O ZR no Porto Feliz para já não passa de
um projecto, mas o que vale é a persistência e o empenho da Anita.

- ainda deixámos um saco que nos sobrou com a ronda de Santa Catarina, na
Batalha.

Até Domingo.

Manel

terça-feira, julho 04, 2006

Crónica da Ronda de 02.07.2006 (Sta Catarina)

Logo à chegada à Praça da Batalha dirigiram-se a nós Z. e o seu amigo arrumador. Tal como no domingo anterior, o Z. pediu “uma moeda para o pacote”, mas acabou por aceitar o saco que lhe oferecemos.
Ao contrário do que é habitual, a Dª E. estava muito bem disposta e sorridente. Mostrou-nos com orgulho as suas calças novas, verde-tropa. Disse-nos que o Sr. F., que se manteve sentado por estar com dores na perna, precisava de um par de sapatos.
O E. e o Sr. L. estiveram pouco tempo connosco; o Sr. L. tinha que acordar muito cedo no dia seguinte.
O Sr. Z. e a Dª A.M. formam um casal há pouco tempo: conhecem-se há cerca de dois meses. Dizem gostar muito um do outro; ele sente-se mais calmo na companhia dela, ela sente-se protegida por ele. Falaram sobre os filhos que cada um tem de relacionamentos anteriores.
Quando se está concentrado a ouvir pessoas que, com generosidade, nos contam a sua história, o tempo passa a correr. Apercebemo-nos que eram horas de ir para o Aleixo, onde foi rápida a distribuição dos sacos restantes.
Já no local da partida encontrámos outras duas rondas, com quem fizemos a oração final.

Ana Ilharco

segunda-feira, julho 03, 2006

Crónica da Ronda de 02.07.2006 ("ronda experimental")

Às 22:10h começámos a oração inicial. A caridade, a encíclica "Deus Caritas Est" e a leitura da 2ª Carta aos Coríntios de São Paulo, da liturgia eucarística deste Domingo, foram o mote. São Paulo apelava aos Coríntios para partilharem os seus excedentes com os habitantes de Jerusálem que se encontravam em carisitia. O papa Bento XVI, exorta os jovens a darem-se voluntáriamente em actos de caridade, como estas rondas que nós fazemos todos os Domingos.

A ronda experimental partiu com o João, a Maria Antónia e eu. O primeiro destino era um dos frutos da ronda de prospecção feita na 4ª-Feira passada: Na pç. Coronel Pacheco, a D. A. Lá estava ela: Conversava sobre a sua saúde com uma funcionária reformada de um centro de saúde onde está inscrita. A D. A. está com uma tosse persistente e teimava em não ir ao médico, nem fazer exames. Prometeu-nos ir hoje ao "BCG" fazer uma micro-radiografia aos pulmões. Ela já nos tinha dito que é muito doente, dos pulmões (desde que nasceu), da espinha, do coração e da cabeça. Aceitou o nosso saco no final, mesmo tendo recebido, enquanto com ela estávamos, o jantar de um senhor que já tem por hábito fazê-lo todos os dias. Parece-nos que ela se encontra muito acompanhada por vizinhos preocupados durante a semana.

Partimos para o 5º Bairro Fiscal do Porto, na rua dos Bragas. Lá estava o senhor que tínhamos visto na 4ª. Demorou a reagir aos nossos cumprimentos, mas lá acordou. Estava de costas e assim se manteve, dizendo que não precisava de nada e que não queria que deixássemos comida. Ficou o propósito de lá voltarmos um dia mais cedo, pois pode ter tido só uma má reacção a ter-mo-lo acordado. Seguimos para a pç. da República, onde uns taxistas, na prospecção que fizémos, nos tinham dito dormir um casal ao fim-de-semana.

Além de uns casais nos bancos do jardim, não víamos ninguém a dormir. Até que surge a G. Na referida ronda de 4ª-Feira, já a tinhamos visto, mas nunca imaginámos tratar-se de uma sem-abrigo. Estava sentada num banco de jardim muito encasacada e cheia de roupa, mas ao ver-nos endireitou as costas e destapou a cabeça. A conversa foi-se desenrolando e nós fomo-nos identificando com ela, tal era a lucidez e a "normalidade" da aparência e do discurso... Estava com fome e fartou-se de agradecer e elogiar o nosso trabalho. Ficámos muito comovidos com aquela conversa, porque sentimos, nitidamente, que podia ser um de nós a estar do lado de lá!

Depois de partilharmos estas sensações entre nós, seguimos para a rua Alexandre Herculano e a afamada "Vivenda Silva", novamente habitada. Lá estava a D. M. C., que nos veio ajudar a arrumar o carro, o companheiro, sr. A. A. e o amigo, sr. J. M. Além deles havia outro sem-abrigo que parmaneceu a dormir todo o tempo que lá estivémos. O sr. A. A. também esteve sempre deitado, pois estava adoentado. Provavelmente febril, com certeza com tosse e especturação. Tem sido visitado pelos Médicos do Mundo, mas recusa ir a um hospital ou entrar numa ambulância. Todos têm problemas de alcoolismo e vontade em se tratar. Iam esta semana vêr se conseguiam o encaminhamento para um centro de desintoxicação.

Avistámos a ronda de Santa Catarina na pç. da Batalha e a paragem seguinte foi com o sr. J. na rua 31 de Janeiro. Está a dormir na entrada de outra loja, porque foi repetidamente assaltado onde estava. É uma pessoa muito bem disposta e aberta. Juntou-se-nos, entretanto, a ronda da Batalha. Continuámos a conversa com o sr. J. que nos contou a vida toda. Está muito melhor da perna, só usando a muleta como segurança, já que não precisa dela para andar.

A última paragem foi em conjunto com a ronda da Batalha e tinha sido combinada por eles. Foi na Sá da Bandeira com o sr. P. Muito contente apresentou-nos o amigo com quem está a dormir na rua, o L. Foi uma visita rápida, mas muito animada.

Terminámos em frente à igreja da Sr.ª de Fátima, as 3 rondas: a nossa, a da Batalha e a de Santa Catarina. Oração final e partilha do caso G., foram o prato forte.

(O caso G. acompanha-me ainda. Acabei de desligar um telefonema com ela. Conseguimos empregá-la hoje numa confeitaria da Zn. Ind. do Porto. Parece-nos caso único "de sucesso" em todo o nosso trabalho e estamos radiantes. A emoção leva-nos a rezar ainda mais e a pedir para que corra tudo bem. A próxima etapa é tirá-la da rua. Ainda não tem onde dormir e prepara-se para voltar a pernoitar na pç. da República, no mesmo banco. Nós é que dificilmente descansaremos enquanto assim fôr.)

Sinto que só por esta ronda de Domingo, todas as nossas rondas, tudo aquilo que temos feito, ganhou um novo sentido. Isto dá-nos uma felicidade enorme!


Nuno de Sacadura Botte

Crónica da Ronda de 02.07.2006 (Boavista)

As semanas que passaram estavam a desanimar(-me) um pouco pois os sem abrigos com quem já conseguíamos construir alguma ligação estavam a desaparecer. Depois de ter falado durante a tarde com o SrJJ que está agora no Albergue de Campanha, qual não foi o meu espanto quando a caminho da ronda vi o Sr.B de volta. Foi a nossa primeira paragem. Afinal não tinha conseguido ir para Espanha e tinha mudado de sítio durante uns tempos. Era bom vê-lo de volta, novamente com a barba feita e com uma roupa toda catita. O que nos custa mais é saber que nós pouco conseguimos fazer já que os seus problemas mentais dificultam em muito a nossa acção.
Resolvemos procurar o Sr Z com quem tínhamos falado há 15 dias naquela zona e qual não foi o nosso espanto quando o encontramos na montra do Millenium da Constituição. Estava à espera que o banco abrisse para levantar a sua pensão e subsidio que daria para alugar por mais um mês um quarto na residencial. Lá estivemos a ouvir as suas “filosofias” e avaliando o caso propusemos-lhe que tentasse ir ao abrigo da AMI já que este tem as características que eles pedem.
Fomos depois para o M. que mais uma vez foi rápido e logo nos trocou por uma boleia para o Aleixo.
No Bom Sucesso enquanto os rapazes colocavam um saco junto das coisas do JP para que ele soubesse que estivemos lá, encontramos a D.Sara que carinhosamente nos abordou e com imensa ternura fez-nos ver que com 80anos a experiência da vida ensina muita coisa e não hesitou em “confessar”:

“É tão bom ser pequenino,
ter pai, ter mãe e avós,
ter esperança no destino,
ter quem goste de nós.”

Encontramos o ZF que mais uma vez ficou na conversa connosco. Lá vai tentando arranjar uma ou outra moeda mas quando estamos com ele quase nunca tem sorte.
Fomos até ao Sr.A que desta vez estava mais cansado pelos festejos tão seguidos. Mesmo assim a “equipa” ainda conseguiu rir-se com as suas saídas, sempre oportunas.
Íamos fazer a nossa primeira abordagem ao SrV mas dado o avançado da noite e o facto de estar a dormir muito bem resolvemos não o acordar. Fica para a próxima...
Mais uma vez os 5 membros da “equipa” terminaram a ronda agradecendo a força e a união que aumenta de Domingo para Domingo.

Beijinhos e boa semana!!!

Joana Gomes

Crónica da Ronda de 25.06.2006 (Boavista)

A noite estava animada, com muita gente na rua festejando mais uma vitória mas ronda voltava a partir a horas para uma nova “missão”.
Sabíamos que não íamos estar com o Sr.JJ porque ele estava agora no Albergue da Praça da República, mas ainda mais tristes ficamos por não sabermos nada do Sr.B pelo terceiro Domingo consecutivo.
Fomos ter com o M. ao Foco mas a abordagem nem sempre é fácil. Mostrava mais interesse em arranjar o dinheiro que lhe faltava do que estar ao nosso lado. Neste caso o saco é mesmo um grande “quebra-gelo” já que ele está sempre cheio de fome.
A ronda estava quase a terminar e nem no Bom Sucesso parecia que íamos ter sorte. Por fim acabamos por encontrar o ZF e o JP, preocupados pela fraca noite que estavam a ter ao que a Ana tentou logo ajudar, quase pedindo uma moedinha por eles (é a nova arrumadora da “Equipa”). Apesar disso o ZF não dispensa a conversa connosco, sempre com ar simpático e educado. Já o JP preocupou-se apenas em mostrar-nos o lugar onde tem as suas coisas para o procurarmos para a próxima vez e rapidamente foi arranjar mais trocos.
Desta vez não encontramos o Sr.A mas para nossa surpresa o Sr.J (das Alcatifas) colocou o orgulho de lado e veio ter connosco pedindo-nos alguma coisa para comer.
Como ainda sobraram 4 sacos fomos até ao Aleixo onde já se encontrava a ronda de St.Catarina.

Joana Gomes

Crónica da Ronda de 02.07.2006 (Areosa)

Este domingo foi a primeira vez que participei neste grupo.
Para mim foi tudo novo, mas foi uma agradável surpresa. Vi que este grupo faz este trabalho com bastante empenho e dedicação. Acho que fazem a diferença, nas vidas das pessoas a quem procuram ajudar.

Começando pelo início da noite, tenho que vos dizer que o momento da oração é muito bonito. É tão simples e natural, mas adquire um importante significado no decorrer da noite.

O Sr Z. é fantástico. Esteve presente no início do encontro e acompanhou-nos a casa da sua grande amiga a S. Estava bem disposta, pareceu-nos alegre, com a vontade habitual de desabafar, de conversar e conviver. Soubemos que nesse dia, o Sr Z. veio busca-la para dar um passeio, foram até ao Castelo de Queijo, estavam contentes pelo passeio que tinham dado, tinha sido um dia agitado. Durante a visita, combinámos que para o próximo domingo, vai haver festa, o Sr. Z traz a sua concertina e nós levamos música, e vamos fazer um bailarico. Vais ser divertido.

Antes de chegarmos ao prédio da Fernão Magalhães, encontramos o P. pelo caminho, veio connosco e esteve bastante tempo na conversa. Pelo que me apercebi, não é habitual conversar tanto. Gostei de o conhecer, pareceu-me um senhor com muita sabedoria, mas no entanto está com pouca esperança. Disse-nos que não tem vontade de lutar, que está sem forças, cansado. Em contrapartida, esteve disposto a conversar bastante tempo. Decidimos que agora vamos passar pelo seu local de abrigo, depois desta hora, para ele poder falar mais tempo connosco, ele diz que antigamente não o fazia, porque a hora em que passávamos não era apropriada, ele tinha que trabalhar.
No prédio encontramos, o Sr. Z., esteve connosco até ao fim, bastante bem disposto, e conversador. Disse-nos que ia á consulta na quarta-feira, e que ia começar a fazer o tratamento. Mostrou-se decidido a mudar de vida. Estava confiante no tratamento e na sua força de vontade.

O J., também esteve bastante a conversar, estava radiante com a vitória de Portugal. Foi muito simpático e carinhoso, mostrou-se disponível a colaborar para as entrevistas.
Também apareceu o E. , estava satisfeito, e verificamos que sabe ler muito bem Português.
Seguimos para a rotunda, onde fomos chamar o M. Surpreendeu-me a sua boa disposição, é um senhor muito castiço. Entretanto fomos ao encontro da I. mas já era tarde. Ela dormia sentada, encostada à parede, e portanto não insistimos muito, pareceu-nos cansada e preferimos deixá-la dormir.
O mesmo aconteceu com o J. Acordámo-lo, entretanto o M. também vem ao nosso encontro, ficamos pouco tempo na conversa, porque o J. estava com medo preocupado com as horas que ainda tinha para dormir, já eram duas da manha no relógio dele. Por último passámos pela bomba de gasolina, tínhamos a informação que existiam 3 sem-abrigos que frequentavam aquela zona. Encontramos apenas um senhor de média idade que nos disse que os outros dois já estavam a dormir, e apontou na direcção da fábrica. Entregámos o nosso último saquinho e voltámos para o local do nosso encontro inicial, onde os cinco finalizámos com a oração.
Gostei muito.
Beijinhos
Marcita.

Crónica da Ronda de 25.06.2006 (Areosa)

A seguir à sofrida vitória de Portugal, lá fomos para mais uma ronda. O sr Z já se encontrava à nossa espera, com a calma de sempre. Primeira paragem em casa da S, desta vez sem a alegria da semana passada. A S encontrava-se algo agastada. Contou-nos que se sentiu mal durante a semana, pelo que teve de ir ao hospital, ao que os médicos aconselharam o seu internamento durante o dia. Estava muito triste e algo nervosa, por isso pediu-nos para rezarmos um pouco com ela. Quando saímos parecia estar um pouco mais calma e foi bom conseguirmos arrancar alguns sorrisos no final. A seguir fomos à Blockbuster ver se encontrávamos o P, pois já há algumas semanas que não sabíamos nada dele. Desta vez lá estava. Uma triste figura, demasiado preso ao vício e sem vislumbrar qualquer hipótese de futuro que o arranque daquela vida. É díficil falar com ele, a revolta que sente para com a vida que leva e a falta de auto-estima limitam as aproximações exteriores. Conversa quase monossilábica e lá seguimos para o prédio da Faria Guimarães. Desceram várias caras conhecidas, entre elas a D, o J e o ZM. Foi bom saber que o ZM continua com garra para abandonar o vicío, e embora tenha falhado a consulta da semana passada, assegurou-nos que já tinha nova consulta esta semana e que tudo faria para não a perder. O J mantinha a simpatia habitual, e a D, embora procurássemos conversar um pouco com ela para nos inteirarmos um pouco mais da sua situação, não foi possivel adiantarmos muito. Seguimos para a rotunda da Areosa, onde encontrámos o sr M debaixo de cobertores, novos e limpos por sinal. Verificámos com agrado que após a conversa da semana passada, o sr M pensou seriamente sobre a questão das pulgas e deu uma "limpeza" no local onde passa a noite. Depois da conversa habitual fomos ver a I. Lá estava enfiada na construção de cartão onde passa as noites. Mostrava-se nervosa, ansiosa. Imagino que não tenha conseguido o suficiente para a dose. Embora preocupados, seguimos para ver o J, que agora dorme perto do multibanco. Tem sido difícil de o acordar, e quando acorda não o faz propriamente com boa cara. O olhar para o relógio alerta-nos para a sua preocupação com o sono que interrompemos. Deixámos o saco e seguimos. Terminámos a noite em oração a três.

Abraços apertados

Tiago Cabeçadas

domingo, julho 02, 2006

Peddy Paper nas Aldeias: é aberto a todos

Olá a todos,
no próximo fim de semana a Actijovens de Ansiães vai celebrar o seu 10º aniversário e convidou-nos a participar no Peddy papper que eles vão fazer no dia 8 de Julho. Este será durante a tarde. Se além do peddy paper alguém quiser ficar para a parte da noite, haverá jantar e fotografias retrospectivas desses 10 anos.

Como fomos ontem à aldeia (com bons resultados) e vamos também a 15 e 22 de Julho, pareceu-nos melhor que, em vez de ir o grupo das Aldeias todo, irmos um grupo constituído por quem quiser participar no peddypaper.
Eu só posso ir ao peddy paper (ou seja da parte da tarde). Vai ser engraçado!

Assim, peço a todos os interessados que comuniquem a sua vontade em participar enviando-me um mail ou sms.

Um abraço
Jorge jorge1mayer@gmail.com

Aldeia - Resultados da reunião global

Ontem reunimos todas as entidades com que trabalhamos na Casa Paroquial (que já está 100% operacional). Apresentamos as nossas ideias e objectivos para o próximo ano.
As pessoas ficaram a considerar as prioridades e múltiplas opções de acções a realizar no próximo ano.
Abordaram-se questões das crianças, jovens, idosos, acções de sensibilização, debates, apoio domiciliário, o que já se faz, o que mais faz falta, etc..
No início de Setembro teremos uma reunião para prever e calendarizar as diversas acções mais importantes.
Como factor muito importante ficou a criação a curto prazo (durante este mês) de núcleos dinamizadores em cada um das quatro freguesias contituídos por pessoas dessas mesmas freguesias.
A Rede Social também poderá ser um vector importante de congregação de esforços nesta zona, apesar de aparentemente ainda não estar a funcionar.
Um abraço a todos e aos Village people até 5a.

sexta-feira, junho 30, 2006

virus

Tivemos um pequeno ataque de virus no blog que atacou a última crónica da aldeia escrita pelo Jorge. Substituiu parte do texto por uma animação de um bonequinho que dizia palavrões em espanhol (?!) que eu já apaguei. É um caso que vamos reportar à blogger e tentar garantir que não acontece novamente - confesso que nunca tinha visto semelhante coisa...