segunda-feira, julho 03, 2006

Crónica da Ronda de 02.07.2006 (Boavista)

As semanas que passaram estavam a desanimar(-me) um pouco pois os sem abrigos com quem já conseguíamos construir alguma ligação estavam a desaparecer. Depois de ter falado durante a tarde com o SrJJ que está agora no Albergue de Campanha, qual não foi o meu espanto quando a caminho da ronda vi o Sr.B de volta. Foi a nossa primeira paragem. Afinal não tinha conseguido ir para Espanha e tinha mudado de sítio durante uns tempos. Era bom vê-lo de volta, novamente com a barba feita e com uma roupa toda catita. O que nos custa mais é saber que nós pouco conseguimos fazer já que os seus problemas mentais dificultam em muito a nossa acção.
Resolvemos procurar o Sr Z com quem tínhamos falado há 15 dias naquela zona e qual não foi o nosso espanto quando o encontramos na montra do Millenium da Constituição. Estava à espera que o banco abrisse para levantar a sua pensão e subsidio que daria para alugar por mais um mês um quarto na residencial. Lá estivemos a ouvir as suas “filosofias” e avaliando o caso propusemos-lhe que tentasse ir ao abrigo da AMI já que este tem as características que eles pedem.
Fomos depois para o M. que mais uma vez foi rápido e logo nos trocou por uma boleia para o Aleixo.
No Bom Sucesso enquanto os rapazes colocavam um saco junto das coisas do JP para que ele soubesse que estivemos lá, encontramos a D.Sara que carinhosamente nos abordou e com imensa ternura fez-nos ver que com 80anos a experiência da vida ensina muita coisa e não hesitou em “confessar”:

“É tão bom ser pequenino,
ter pai, ter mãe e avós,
ter esperança no destino,
ter quem goste de nós.”

Encontramos o ZF que mais uma vez ficou na conversa connosco. Lá vai tentando arranjar uma ou outra moeda mas quando estamos com ele quase nunca tem sorte.
Fomos até ao Sr.A que desta vez estava mais cansado pelos festejos tão seguidos. Mesmo assim a “equipa” ainda conseguiu rir-se com as suas saídas, sempre oportunas.
Íamos fazer a nossa primeira abordagem ao SrV mas dado o avançado da noite e o facto de estar a dormir muito bem resolvemos não o acordar. Fica para a próxima...
Mais uma vez os 5 membros da “equipa” terminaram a ronda agradecendo a força e a união que aumenta de Domingo para Domingo.

Beijinhos e boa semana!!!

Joana Gomes

Crónica da Ronda de 25.06.2006 (Boavista)

A noite estava animada, com muita gente na rua festejando mais uma vitória mas ronda voltava a partir a horas para uma nova “missão”.
Sabíamos que não íamos estar com o Sr.JJ porque ele estava agora no Albergue da Praça da República, mas ainda mais tristes ficamos por não sabermos nada do Sr.B pelo terceiro Domingo consecutivo.
Fomos ter com o M. ao Foco mas a abordagem nem sempre é fácil. Mostrava mais interesse em arranjar o dinheiro que lhe faltava do que estar ao nosso lado. Neste caso o saco é mesmo um grande “quebra-gelo” já que ele está sempre cheio de fome.
A ronda estava quase a terminar e nem no Bom Sucesso parecia que íamos ter sorte. Por fim acabamos por encontrar o ZF e o JP, preocupados pela fraca noite que estavam a ter ao que a Ana tentou logo ajudar, quase pedindo uma moedinha por eles (é a nova arrumadora da “Equipa”). Apesar disso o ZF não dispensa a conversa connosco, sempre com ar simpático e educado. Já o JP preocupou-se apenas em mostrar-nos o lugar onde tem as suas coisas para o procurarmos para a próxima vez e rapidamente foi arranjar mais trocos.
Desta vez não encontramos o Sr.A mas para nossa surpresa o Sr.J (das Alcatifas) colocou o orgulho de lado e veio ter connosco pedindo-nos alguma coisa para comer.
Como ainda sobraram 4 sacos fomos até ao Aleixo onde já se encontrava a ronda de St.Catarina.

Joana Gomes

Crónica da Ronda de 02.07.2006 (Areosa)

Este domingo foi a primeira vez que participei neste grupo.
Para mim foi tudo novo, mas foi uma agradável surpresa. Vi que este grupo faz este trabalho com bastante empenho e dedicação. Acho que fazem a diferença, nas vidas das pessoas a quem procuram ajudar.

Começando pelo início da noite, tenho que vos dizer que o momento da oração é muito bonito. É tão simples e natural, mas adquire um importante significado no decorrer da noite.

O Sr Z. é fantástico. Esteve presente no início do encontro e acompanhou-nos a casa da sua grande amiga a S. Estava bem disposta, pareceu-nos alegre, com a vontade habitual de desabafar, de conversar e conviver. Soubemos que nesse dia, o Sr Z. veio busca-la para dar um passeio, foram até ao Castelo de Queijo, estavam contentes pelo passeio que tinham dado, tinha sido um dia agitado. Durante a visita, combinámos que para o próximo domingo, vai haver festa, o Sr. Z traz a sua concertina e nós levamos música, e vamos fazer um bailarico. Vais ser divertido.

Antes de chegarmos ao prédio da Fernão Magalhães, encontramos o P. pelo caminho, veio connosco e esteve bastante tempo na conversa. Pelo que me apercebi, não é habitual conversar tanto. Gostei de o conhecer, pareceu-me um senhor com muita sabedoria, mas no entanto está com pouca esperança. Disse-nos que não tem vontade de lutar, que está sem forças, cansado. Em contrapartida, esteve disposto a conversar bastante tempo. Decidimos que agora vamos passar pelo seu local de abrigo, depois desta hora, para ele poder falar mais tempo connosco, ele diz que antigamente não o fazia, porque a hora em que passávamos não era apropriada, ele tinha que trabalhar.
No prédio encontramos, o Sr. Z., esteve connosco até ao fim, bastante bem disposto, e conversador. Disse-nos que ia á consulta na quarta-feira, e que ia começar a fazer o tratamento. Mostrou-se decidido a mudar de vida. Estava confiante no tratamento e na sua força de vontade.

O J., também esteve bastante a conversar, estava radiante com a vitória de Portugal. Foi muito simpático e carinhoso, mostrou-se disponível a colaborar para as entrevistas.
Também apareceu o E. , estava satisfeito, e verificamos que sabe ler muito bem Português.
Seguimos para a rotunda, onde fomos chamar o M. Surpreendeu-me a sua boa disposição, é um senhor muito castiço. Entretanto fomos ao encontro da I. mas já era tarde. Ela dormia sentada, encostada à parede, e portanto não insistimos muito, pareceu-nos cansada e preferimos deixá-la dormir.
O mesmo aconteceu com o J. Acordámo-lo, entretanto o M. também vem ao nosso encontro, ficamos pouco tempo na conversa, porque o J. estava com medo preocupado com as horas que ainda tinha para dormir, já eram duas da manha no relógio dele. Por último passámos pela bomba de gasolina, tínhamos a informação que existiam 3 sem-abrigos que frequentavam aquela zona. Encontramos apenas um senhor de média idade que nos disse que os outros dois já estavam a dormir, e apontou na direcção da fábrica. Entregámos o nosso último saquinho e voltámos para o local do nosso encontro inicial, onde os cinco finalizámos com a oração.
Gostei muito.
Beijinhos
Marcita.

Crónica da Ronda de 25.06.2006 (Areosa)

A seguir à sofrida vitória de Portugal, lá fomos para mais uma ronda. O sr Z já se encontrava à nossa espera, com a calma de sempre. Primeira paragem em casa da S, desta vez sem a alegria da semana passada. A S encontrava-se algo agastada. Contou-nos que se sentiu mal durante a semana, pelo que teve de ir ao hospital, ao que os médicos aconselharam o seu internamento durante o dia. Estava muito triste e algo nervosa, por isso pediu-nos para rezarmos um pouco com ela. Quando saímos parecia estar um pouco mais calma e foi bom conseguirmos arrancar alguns sorrisos no final. A seguir fomos à Blockbuster ver se encontrávamos o P, pois já há algumas semanas que não sabíamos nada dele. Desta vez lá estava. Uma triste figura, demasiado preso ao vício e sem vislumbrar qualquer hipótese de futuro que o arranque daquela vida. É díficil falar com ele, a revolta que sente para com a vida que leva e a falta de auto-estima limitam as aproximações exteriores. Conversa quase monossilábica e lá seguimos para o prédio da Faria Guimarães. Desceram várias caras conhecidas, entre elas a D, o J e o ZM. Foi bom saber que o ZM continua com garra para abandonar o vicío, e embora tenha falhado a consulta da semana passada, assegurou-nos que já tinha nova consulta esta semana e que tudo faria para não a perder. O J mantinha a simpatia habitual, e a D, embora procurássemos conversar um pouco com ela para nos inteirarmos um pouco mais da sua situação, não foi possivel adiantarmos muito. Seguimos para a rotunda da Areosa, onde encontrámos o sr M debaixo de cobertores, novos e limpos por sinal. Verificámos com agrado que após a conversa da semana passada, o sr M pensou seriamente sobre a questão das pulgas e deu uma "limpeza" no local onde passa a noite. Depois da conversa habitual fomos ver a I. Lá estava enfiada na construção de cartão onde passa as noites. Mostrava-se nervosa, ansiosa. Imagino que não tenha conseguido o suficiente para a dose. Embora preocupados, seguimos para ver o J, que agora dorme perto do multibanco. Tem sido difícil de o acordar, e quando acorda não o faz propriamente com boa cara. O olhar para o relógio alerta-nos para a sua preocupação com o sono que interrompemos. Deixámos o saco e seguimos. Terminámos a noite em oração a três.

Abraços apertados

Tiago Cabeçadas

domingo, julho 02, 2006

Peddy Paper nas Aldeias: é aberto a todos

Olá a todos,
no próximo fim de semana a Actijovens de Ansiães vai celebrar o seu 10º aniversário e convidou-nos a participar no Peddy papper que eles vão fazer no dia 8 de Julho. Este será durante a tarde. Se além do peddy paper alguém quiser ficar para a parte da noite, haverá jantar e fotografias retrospectivas desses 10 anos.

Como fomos ontem à aldeia (com bons resultados) e vamos também a 15 e 22 de Julho, pareceu-nos melhor que, em vez de ir o grupo das Aldeias todo, irmos um grupo constituído por quem quiser participar no peddypaper.
Eu só posso ir ao peddy paper (ou seja da parte da tarde). Vai ser engraçado!

Assim, peço a todos os interessados que comuniquem a sua vontade em participar enviando-me um mail ou sms.

Um abraço
Jorge jorge1mayer@gmail.com

Aldeia - Resultados da reunião global

Ontem reunimos todas as entidades com que trabalhamos na Casa Paroquial (que já está 100% operacional). Apresentamos as nossas ideias e objectivos para o próximo ano.
As pessoas ficaram a considerar as prioridades e múltiplas opções de acções a realizar no próximo ano.
Abordaram-se questões das crianças, jovens, idosos, acções de sensibilização, debates, apoio domiciliário, o que já se faz, o que mais faz falta, etc..
No início de Setembro teremos uma reunião para prever e calendarizar as diversas acções mais importantes.
Como factor muito importante ficou a criação a curto prazo (durante este mês) de núcleos dinamizadores em cada um das quatro freguesias contituídos por pessoas dessas mesmas freguesias.
A Rede Social também poderá ser um vector importante de congregação de esforços nesta zona, apesar de aparentemente ainda não estar a funcionar.
Um abraço a todos e aos Village people até 5a.

sexta-feira, junho 30, 2006

virus

Tivemos um pequeno ataque de virus no blog que atacou a última crónica da aldeia escrita pelo Jorge. Substituiu parte do texto por uma animação de um bonequinho que dizia palavrões em espanhol (?!) que eu já apaguei. É um caso que vamos reportar à blogger e tentar garantir que não acontece novamente - confesso que nunca tinha visto semelhante coisa...

Crónica da Ronda de 25.06.2006 (Batalha + "ronda experimental")

Começamos pelo Sr. D que estava com sono, ou não queria conversar. Continua a não querer a ir à segurança social.

O Sr. F continua sempre a admirar a Mónica, perguntou a idade à São, mas não conseguimos entende-lo muito bem pois não estava muito sóbrio.

O P e o Sr. E não se encontravam no local habitual, não havia vestígios de roupa ou cobertoresl, será que mudaram de sítio? Será que o Sr. E já arranjou trabalho?

O M não se encontrava na casa do costume.

O Pet recebeu-nos muito bem, muito simpático. Ficou muito contente e agradecido pela roupa e sapatos que lhe arranjamos. Diz que precisa de cobertores e mais roupa pois tiraram-lhe tudo. Calça o nº 43 e veste calças com nº 38. Tem 57 anos e faz anos no dia 19 de Fevereiro.

Sr. F vende a revista Cais, passa os dias no Via Catarina. Tem um inchaço no pé mas não quer ir ao Hospital porque diz que só ajudam os mais novos e não os velhos.

Maria Antónia Read

quarta-feira, junho 28, 2006

Aldeia - Crónica de 25.Jun.06

Lá partimos no domingo depois do S. João, com o Daniel a quase "ficar em terra" pelo atraso... o que vale é que ele é bom a correr! Partimos apertadinhos em dois carros.
Não podemos contar com "o pessoal de terra" pois houve uma festa da escola, só a Beta se juntou a nós.
A casa está em grandes obras, por isso aproveitando o novo kit da aldeia (conjunto de pequenas coisas que faziam falta especialemnte para os almoços) decidimos ir almoçar picnic na praia fluvial, onde poderia ser o local da festa da catequese de Várzea. O sítio é muito giro e foi aprovado, vamos fazer lá diversos jogos (no dia 6/07 vemos os detalhes).
Obviamente que mal olhamos para o lado o Daniel já ia de calças arregaçadas rio acima!
Almoçamos na nova toalha do "kit Aldeia", vimos ideias para a festa e rimos muito!
Partimos para as visitas. Já tinha saudades de ir visitar as pessoas. A DA está boa e a família continua nas, infelizmente habituais, peripécias, a boa novidade é que vai ser construída uma casa de banho já no verão! O ZF foi para o hospital, está a recuperar bem em casa.
O sorriso da DMC mostrou-nos que está bem apesar das dificuldades, vai passar o mês de Agosto com a família :)
Em Bustelo sei que fizeram umas surpresas para a DE e correu muito bem. Levaram o mar até a este canto da serra! E ainda andaram à pesca, que continuou muiuto depois de regressarmos a casa...
Regressamos a Candemil e combinamos o plano da festa com a Patricia, fizemos uma breve oração e partimos, com o coração cheio e vontade de fazer crescer e fortalecer este projecto.

terça-feira, junho 27, 2006

Crónica da Ronda de 25.06.2006 (Sta Catarina)

Início antecipado quando no fim da missa o S, ucraniano, nos pediu dinheiro para a pensão. Já tinha sacos no carro, dei-lhe um e procurei convencê-lo a aparecer dali a pouco no nosso arranque - nada mais soube, rezámos ao fim pelo seu destino...

Invocámos o Pe António Júlio que partia para o Brasil, agradecemos a sua presença desde o início e formação do FAS - e ficámos fortalecidos pela sua última palavra: 'Não deixem morrer as rondas, o FAS foi a menina dos meus olhos este ano no CREU!'. É neste orgulho e esperança que caminharemos.

Invocámos pois também S.João, o Baptista. Último dos profetas, popular pelos baptismos - mas austero na vida de deserto (veste peles de camelo e come gafanhotos). Festejamos João no solstício de verão porque a partir de agora os dias decrescem até ao Natal; como ele disse: 'Cristo é que deve crescer, e eu diminuir.' (Jo 3,30) Que saibamos, como João, esvaziarmo-nos de nós mesmos para enchermos os outros!

Na Batalha debatemo-nos divertidamente com o Z que queria euros para o pacote! Suplicava com sorriso e carinho, mas demos apenas frize e kitkat - para uma pausa que avaliasse o retorno ao Porto Feliz.

Marcámos a Festa com os postais sjoaninos que a Sílvia preparou - mangerico em colagem e quadras personalizadas:

Ó meu lindo S.João
Santinho da sardinhada
Trazei o Carlos à Batalha
Pra ver a D.Emília animada!

Na noite do bailarico
O S.João vai ajudar
O Sr.Francisco com um mangerico
Pra D.Emília cheirar!

Nesta noite de folia
Um martelinho vou ter
É uma questão de filosofia
Pra na cabeça do Eduardo bater!

E o Sr.Zeferino tem
Um raminho de cidreira
Pra neste S.João
Oferecer à companheira!

..que estava presente e tb teve direito a quadra - embora não personalizada. O ambiente foi, na verdade, de festa - conseguimos porém cumprir horas e saímos às 23.40!

O que deu chegar antes do Fernando ao Aleixo e portanto fazer uma distribuição animada - começou desordeira mas o Filipe decretou fila indiana - e conseguiu! Técnica a adoptar. Tínhamos bastantes sacos mas mais conseguimos porque sincronizaram connosco os da Boavista.

Oração final partilhada por todos - e, assim, mesmo enriquecida, mesmo cheia para festejarmos uma outra semana!

domingo, junho 25, 2006

Crónica da Ronda de 18.6.2006 (Areosa)

Começamos a ronda um pouquinho mais tarde que o habitual, mas cheios de vontade =)… Fomos, com o Sr. Z a casa da S. com um surpresa preparada na manga…Achávamos que o S. Z se ia esquecer de levar a concertina, como tinha ficado combinado n Domingo anterior, mas quando chegámos, lá estavam elas: a concertina e a S, preparadíssimas para o forró!!... o SZ começou a tocar (e que bem!!!) e dançámos imenso tempo uns fandangos saloios (como ele lhes chama) e musica pimba do melhor!!...A alegria estampada no rosto deles era tanta, que nem demos pelo tempo passar…até a nós fez maravilhas!...Cansadinhos mas felizes, levámos o SZ a casa, e partimos em direcção à blockbuster, mas mais uma vez, não encontramos o P.. Fomos então em direcção ao prédio. O U fez-nos uma ‘visitinha’ rápida, mas pareceu-nos mais aberto a nós, mais simpático. O M. não apareceu, o que significa que os pais o vieram mesmo buscar para o RE-iniciar o tratamento. Vamos rezar por ele =). O J. também anda mais calmo e não tem aparecido bebidinho, como há uns tempos. Estivemos muito tempo a falar com ele sobre a D. Ele anda muito preocupado com ela, porque está muito fraquinha e sem forças. Prometemos que íamos fazer o possível. Entretanto, pusemos a D. M. J. (CATMatosinhos) a par da situação, e aguardamos contacto. Ficou de tentar arranjar vaga para a D, no CAT oriental, por ser mais perto das Antas. Ele, o SJ, está melhor com a vida, mais assente na terra. Continua a receber as visitas da sua ‘musa inspiradora’. O amor não tem fronteiras…está visto!! Já com a hora adiantada, fomos encontrar o SM deitado no seu sitio do costume, entregue à bicharada…O Daniel abriu finalmente o jogo (obrigado Dani!!!) com ele, e disse-lhe que assim não podia ser, que ele tinha que nos deixar limpar o sitio onde dorme, porque a quantidade de pulgas é inacreditável. Aquilo não só é mau para ele, como também para nós. No início refilou um bocadinho, mas depois cedeu, e acabou a rir-se connosco da situação!...vamos ver que surpresas nos reserva hoje…Fomos procurar o J ao Millenium, na rotunda. Estava lá a dormir, deitado no chão em cima de um cartão: dentro do banco, com a porta entreaberta. Não conversou muito connosco, porque estava muito cansadinho, por isso deixamos-lhe o saco e viemos embora. Por último, a D.I.. Também já estava a descansar, mas o que pensávamos que ía ser uma visita rápida (por já serem 2.30 da manha!!), tornou-se um conversinha de mais 15minutos, em que quando demos por nós, estávamos sentados à volta dela, na esquina da rua, protegidos do frio da noite!...Eles precisam mesmo de nós. Precisam sobretudo do nosso tempo e daquela noite!...Um beijinho enorme e uma semana feliz! **Joaninha

sexta-feira, junho 23, 2006

Aldeia - Partida Domingo (25/06) - 10:15h

Vamos à Aldeia no domingo, dia 25, às 10:15, no sítio do costume (frente à Igreja NS Fatima). Não se esqueçam do almoço. Quem não for, avise por favor.
Bom trabalho, um abraço a todos. Jorge

quarta-feira, junho 21, 2006

Crónica da Ronda de 18.6.2006 ( Batalha)

Quem efectua as rondas neste pequeno grupo de jovens que tem como objectivo ajudar pessoas que por qualquer razão não têm posses para subsistirem sozinhas, sabe que há noites boas e outras menos boas. Um sorriso ou uma palavra de qualquer das pessoas que tentamos a todo o custo ajudar e integrar numa sociedade que nem sempre as compreende é algo incontrolável e que pode condicionar todo o prolongar do resto da noite.
No passado domingo, 18 de Junho, o grupo constituído pelo Pedro, a Manuela, a Inês e o Luís fizeram-se à estrada, mais concretamente à Batalha, visto ser o ponto do Porto no qual a nossa tarefa se incide. Tínhamos como primeiro objectivo visitar o Sr e o P, mas ao que parece era ainda muito cedo, cerca das dez e vinte, pois não se encontravam no seu lugar habitual (perto do bar Lusitano). Devido a este facto, procuramos visitar o Sr.F, que permanece perto do Jornal de Notícias e que é uma figura já característica destas rondas. A sua figura simpática e o seu sorriso sempre foram uma constante, muito devido ao seu problema com o álcool, o que dificultava em muito a comunicação. Contudo, esta noite, o grupo haveria de ter uma surpresa, visto o Sr.F se encontrar completamente sóbrio e ter sido possível manter uma pequena conversa. Foram esboçados sorrisos por entre o grupo, pela pequena luz no túnel se ter avistado. Encontrar este homem sóbrio significou que o trabalho que andavam a fazer estava a ser recompensado de alguma forma e que este havia tomado consciência de que todos os Domingos alguém estava disposto a ouvi-lo e que por isso era melhor recebe-los de maneira a estar apto a conversar.
Contudo, a substituir a alegria constante, encontramos a melancolia, própria de quem está ainda em fase de ressaca.
Depois deste bom momento, os constituintes da ronda foram visitar o Sr.D. Este encontrava-se muito ensonado já, tendo avisado que os cobertores haviam-lhe sido tirados. Este é um caso de um senhor que tem mais de 70 anos e que vive na rua e que de cada vez que alguém o tenta levar à segurança social, este esquiva-se sempre. A tosse é cada vez mais presente e é um caso a ter em conta e a dar especial relevância, devido à sua já avultada idade.
Ao procurar uma vez mais o Sr. E e o P, que ainda não tinham voltado para o seu local habitual, a ronda encontrou o Sr. J, que havia ido tentar a sua sorte em França, mas que havia desistido. Como muitos, espera ser chamado para ser inserido numa clínica de reabilitação de droga. O que doeu mais, foi o facto de ouvir dizer que sabia que não merecia a ajuda os pais, visto os ter desiludido tantas vezes.
O fim da noite acabou com o Sr. M, que está à semelhança do Sr, J à espera de ser chamado para ser tratado. Apesar disso, vive já num quarto concedido pela Segurança Social e confessou que está dependente da metadona há já 7 anos, outro tipo de drogas.
O percurso acabou com nova visita ao local do Sr. E que como ainda não se encontrava no seu local habitual, o grupo achou por bem deixar o saco com a comida que todas as semanas é entregue.
Finalizada mais uma ronda, por volta da meia-noite e apesar de todas as “estórias” ouvidas durante o percurso, o grupo voltou ao local de encontro, perto do CREU para finalizar o percurso com uma oração sentida e com um sentimento de confiança no futuro por terem visto um pequeno progresso nas pessoas visitas, o que significa por si só uma grande vitória.
Esperemos que todas as noites se tornem ainda mais enriquecedoras e que o objectivo destes jovens se torne numa constante.

Luis Silva

terça-feira, junho 20, 2006

Crónica da Ronda de 18.6.2006 ( Boavista + Sta Catarina)

Começámos a ronda, como sempre, com uma oração inicial (à qual não assisti), de forma a motivar a coesão entre o grupo e o sentido da nossa missão em cada domingo.

Desta vez a ronda era a dobrar pois iríamos fazer o percurso da Boavista e o de Sta Catarina, por uma questão de gestão das pessoas e dos carros.

Assim, em primeiro lugar partimos para o M., que nos recebeu até de + ou – vontade. Estávamos receosos pois, no domingo passado, as coisas não tinham corrido bem. Ele estava no projecto Meta e tínhamo-lo visto no Aleixo a fugir de nós… Desta vez disse-nos que não tinha ido à consulta marcada, que nunca mais tinha lá ido e que já não falava com a mãe, que ela não gostou que ele tivesse faltado. Disse-lhe “esquece que eu existo”… e ele não gostou. Parece-nos que está sem a mínima vontade de continuar com o tratamento…

Seguidamente passámos por Damião de Góis e, como prevíamos, não encontrámos o Sr. B. Esperamos que esteja bem. Também passámos por Faria Guimarães, a ver se encontrávamos a nossa última “aquisição”, o Sr. Z., mas ele não se encontrava por lá.

Então, continuámos rumo à praça da Batalha, e aí sim, tínhamos os amiguinhos todos da ronda de sta. Catarina: o Sr. Zef. e a companheira, o E., o Lx, a Sra. E. e o Sr. F.

Falámos bastante com cada um deles, estavam todos bastante conversadores, à excepção da Sra. E. que estava de mal com a vida. Segundo conseguimos apurar, está farta da vida que leva, a filha não lhe liga nada e o filho, também fez-lhe “alguma” que ela não gostou… O E. estava muito bem disposto, como sempre, (principalmente com o Rui ;)) e o Sr . Lx muito conversador. Falámos de futebol, do mundial e dos clubes e de muitas outras coisas. Com o Sr. Zef. E a companheira, foi mais sobre as suas “maleitas” e a sua relação. Foi bom de ver a relação que os dois têm: muito apaixonados!... Depois de lhe entregarmos os sacos que, como todos os domingos, aceitaram de bom grado, partimos para o Bom Sucesso, onde apenas nos cruzámos com o S., um toxicodependente que, ao me parece, já não era a primeira vez que o víamos. Como não aparecia mais ninguém, fomos em direcção ao Sr. A, e encontramo-lo à porta da Petúlia, à espera dos seus bolos que, pelos visto, dão-lhe alguns todo os domingos. Como no dia 14 tinha feito anos e nós não podemos lá ir, comprámos-lhe um bolo e cantámos-lhe os parabéns, com vela e tudo!!... Ficou muito contente, com o sorriso maior do que habitualmente tem. Como ninguém queria comer bolo, , o Sr. A . levou o bolo quase intacto (quase, porque eu roubei-lhe uma fatia ;)) e lá no despedimos.

A última paragem foi no Aleixo, já que nos tinham sobrado sacos. Lá, cruzámo-nos com a ronda do Fernando (ele, desta vez, estava) e distribuímos o que nos restava e quase logo viemos embora, estava pouco movimentado.

Fizemos a oração final no carro, por todos com quem nos cruzámos na rua e por nós, à porta de minha casa, antes de cada um seguir para suas casas.

Um beijo grande a todos e até 5ªf,

Ana Barbosa de Carvalho

segunda-feira, junho 19, 2006

Crónica da Ronda de 18.6.2006 ("ronda experimental")

A "ronda experimental" não ficou - como se pôde ler, concluída, pelo que decidimos investir numa nova procura de paragens.
Como fizemos várias passagens pelos mesmos locais é preferível fazer um resumo da ronda não respeitando a cronologia dos acontecimentos.
Assim passámos pelas arcadas do Hospital de Santo António onde apenas encontrámos vestígios da presença de algum sem-abrigo. Constatámos que existem pelo menos 3 carrinhas de distribuição de comida (de grupos diferentes) que lá efectuam paragem.
Voltámos a não encontrar o P, o alemão, quer nos Congregados quer em frente à Cunha, ou mesmo em toda Sá da Bandeira.
Em Alexandre Herculano dormia um rapaz, tão profundamente que, por não nos ouvir chamar, desistimos de o acordar. Passámos lá mais tarde e, sem sairmos do carro, reparámos que havia gente (que não era sem-abrigo nem nos pareceu que fosse de algum grupo de apoio) que conversava com a espanhola e o companheiro (dos tempos áureos da "vivenda silva"). Como nos pareceu que discutiam, decidimos não avançar e seguimos. O rapaz ainda dormia.
Em Passos Manuel encontrámos o átrio do Sr. J sem a sua presença. Esperámos e alguns minutos depois apareceu, subindo a rua em esforço com uma garrafa de água da fonte da Sé. Lúcido e simpático conversou um pouco connosco sobre os seus (e nossos) afazeres para conseguir a certidão de nascimento e os próximos passos a dar até conseguir um quarto, um emprego...motivação não falta - dele e nossa!
Voltámos ao sítio que a Mónica nos tinha falado. Não encontrámos ninguém, mas o sítio tinha ar de ser habitado por sem-abrigo, apesar da arrumação.(não resisto à private joke de mencionar esses fantásticos exemplares da arte milenar que é o grafiti, ilustrando a mais antiga profissão do mundo, que naquela rua se fazia visível em doses, como dizê-lo...industriais. tencionamos, portanto, voltar)
Ainda nos juntámos à nossa ronda-mãe, a da Batalha, a que faltava um saco - onde também se cruzou connosco o Fernando, na sua grande carrinha e igual boa disposição.
Regressámos ao CREU. Rezámos juntos. Houve ainda tempo de subir as escadas exteriores do edifício onde parámos e onde estavam dois sem-abrigo(!). Deixámos um saco, o último (como que guardado para aquele lugar) ao rapaz que não dormia, e prometemos voltar para uma conversa menos apressada.

[a questão das novas paragens está a revelar-se crítica, mas julgámos que há vários factores que nos impedem o sucesso: as carrinhas de distribuição de comida são um enorme chamariz que desloca os sem-abrigo (e não só) do sítio onde normalmente dormem; as duas últimas rondas foram feitas no período normal das rondas, ou seja, saímos tarde, tivemos pressa de acabar cedo - porque se trabalhava cedo no dia seguinte, o que fez com que nos sentíssemos menos à vontade para procurar paragens com calma. por isso vamos tentar fazer uma nova ronda de pesquisa à semana. por isso também, apelo a todos os membros do FAS e a todos os leitores do blog que nos avisem de sítios onde durmam pessoas sem-abrigo. precisamos deles :) escrevam-me: joaobateira@gmail.com]

João Bateira

quinta-feira, junho 15, 2006

Crónica da Ronda de 11.6. 2006 (Bonfim)

No passado domingo, após a alegria da vitória da nossa selecção, à mesma hora, no mesmo sítio, estávamos ali unidos pelo mesmo objectivo: dar um pouco do nosso amor, carinho e atenção. É tão bom sentir que com a nossa simples presença ajudamos bastante. É bom ouvir atentamente os problemas e dificuldades da semana dos que muitas vezes não têm com quem falar e quem os tente compreender! Fico  ao ver o brilho no olhar e o sorriso agradecido naqueles rostos… é uma partilha que enriquece os dois corações…
Depois da habitual oração, unidos pela corrente do amor, lá partimos à descoberta pela calada da noite…em busca de uma realidade por muitos desconhecida…
Fomos ao jardim do Bonfim… Já a algumas semanas que não encontramos o Sr. A… Quando lá chegamos não o vimos, outra vez! Perguntamos ali ao ladinho no café se sabiam onde se encontrava agora. Tinha sido visto pela rua das flores e pela corjeira… Lá fomos nós, ver em que paragem se encontrava… Na rua das flores, não o vimos. Estava lá um senhor acompanhado com o seu cão (muito brincalhão por sinal) que nos disse que por ali não tinha visto nenhum senhor na condição de sem-abrigo.
Tínhamos ainda a Corjeira para procurar… Lá fomos, e com grande espanto nosso, lá estava o Sr. A. deitado (se assim posso dizer) à porta de uns prédios em cima da pedra de mármore… Completamente desconfortável… Enfim lá nos disse que tinha mudado de sítio porque tinha sido assaltado… Como é possível? É mesmo inacreditável pensar que existe gente suficientemente maldosa para roubar aqueles que pouco ou nada têm…
O Sr. A foi à procura de um lugar mais seguro… Por isso estava ele mesmo em frente à PSP…
Falamos novamente da possibilidade de ir para um lar… Ali não tinha conforto, nem o mínimo de condições… O Sr. A. agradecia a preocupação mas insistia em dizer que estava bem assim… Falei-lhe da terra, e notei que ficou feliz por saber qual a sua terra natal…Por fim, lá nos despedimos do Sr. A com a promessa que iríamos tratar da sua situação. Aquele lugar, definitivamente não era apropriado para ninguém pernoitar…
Fomos depois ao encontro do Sr. R. e do Sr, P. na Avenida dos aliados…
Lá estava o Sr. P., com “ar de poucos amigos”… Não parecia muito feliz… O dia não lhe devia ter corrido muito bem… Numa primeira abordagem, depois de lhe oferecer um cigarro, falou normalmente da sua semana… Para o final, já estava um pouco agitado… Disse-nos que para a próxima semana não queria receber o kit com a comida… Não explicava o porquê, mas dizia insistentemente que não o queria… Depois, entretanto vinha do outro lado da avenida o Sr. R , sempre pacato… Falou-nos de um senhor que lá tinha ido para oferecer emprego, mas nunca mais tinha aparecido… Mostrava desesperança e indignação no olhar… O Sr. R. perguntou também pelo P., e disse que não foi tratar do BI com ele. Ficou a promessa de resolver isso com ele o mais rapidamente possível. Por fim ainda demos uma tshirt a cada um… O Sr. P dirigiu-se logo ao carro, e o Sr. R. em tom de brincadeira disse “Vai escolher a melhor!”. Lá nos despedimos, com alguma dificuldade pois o Sr. P. não nos queria deixar ir embora.
Seguidamente estivemos com o Sr. Z.R., estava com um bom ar… Decidiu ir ao Porto Feliz… Logo nos disponibilizamos a acompanhá-lo. Quarta ficou marcado uma visita à instituição… Espero do fundo do coração que tenha a força suficiente para encarar e vencer o vício da droga…
Ao lado do Sr. Z.R. lá estava o P.. Abriu o kit e passou um senhores que habitualmente ali não se encontravam e pediu-nos algo para comer… Já não tínhamos nada… Então o P. muito amavelmente lá deu um pacote de bolachas ao senhor…
Ficamos ali a conversar um bocadinho àcerca da semana e depois fomos um pouco ao lado onde estava o Sr. Z. e o a Sr. C.. Perguntaram se trouxemos o cobertor que pediram na semana passada, e logo lhe explicamos que não o trazíamos porque o sítio onde costumam estar guardados estava fechado e não tínhamos a chave…
Estava ali a Sr. C completamente ressacada, quase que nem se mexia, os movimentos para abrir o kit eram lentos e descoordenados… O Sr. Z. demonstrava o seus problemas mentais, pelo seu discurso desorganizado e pouco fluído. Mostrava orgulho em ter como companheira uma menina de 25 anos enquanto ele era um quarentão. Dizia que estão juntos há 9 anos e são muito felizes… Havia um certo distanciamento entre as palavras e a realidade, tentando ser mais convincente começou a beijá-la… Enfim… Dizia que era “meiguinho para ela”, que ao contrário daqueles que aparecem na televisão não a obrigava a andar na vida para ter dinheiro…
Por fim, lá nos despedimos… Acabou esta ronda pelo mundo nocturno citadino…Até domingo…
Juliana

Crónica da Ronda de 11.6. 2006 (Areosa)

Esta foi uma noite do domingo bem animada! Começou um bocadinho atrasada já que muitos foram ver Portugal ganhar e, talvez por isso, estivéssemos todos tão bem dispostos.
Partimos da R. Nossa Sra. de Fátima já com o Sr.Z. a contar-nos o passeio a que tinha ido no Sábado organizado pela Junta de Freguesia de Paranhos.
Chegados a casa da S. sentámo-nos como habitualmente para dois dedos de conversa e, por acaso, descobrimos que a S. gosta muito de dançar e o Sr. Z. para além de saber tocar concertina, ainda dança Fandango Saloio como ninguém. Para a próxima semana ficou prometida uma “aula” de Fandango Saloio, com o Sr. Z., uma de tango, com a S. e um concerto de concertina. Mal podemos esperar…
Junto da Blockbuster tornámos a não encontrar o Sr. P., que já não vemos há uns tempos.
Quando chegámos ao prédio já estavam o Sr. Z.M. e o M. à nossa espera. Oferecemos o café quente e a conversa começou. Ficámos a saber que o Sr. Z.M. já foi ao CAT e está cheio de vontade de começar o tratamento com metadona e aceitar toda a ajuda que lá lhe podem dar e o M. vai começar um tratamento fora do país, com o apoio dos pais que o vinham buscar segunda-feira. Enquanto conversávamos apareceram os outros. O Z., com a pressa do costume apenas para pedir o saco e alguma roupa; a D., que fica sempre para contar como foi a semana; o Sr. A., que depois do que tinha acontecido na semana anterior apareceu bem disposto e o Sr. J., que já está mais conformado com o facto da D. A. estar longe e começa a pensar no que pode fazer para seguir o exemplo dela.
Chegados à rotunda estávamos sem saber bem como resolver o problema das pulgas, acabámos por decidir convidar o Sr. M. para dar uma volta connosco e, ao contrário do que esperávamos, ele veio logo, bastou sugerir. Nunca o tínhamos visto de pé, foi uma grande e agradável surpresa! Entretanto apareceu o Sr. J. e estávamos todos na conversa quando parou um carro. Era o Nuno, que tinha ido com a ronda da Boavista e, ao ver-nos ali, juntou-se a nós. Seguimos então para a I., acompanhados pelo Sr. M. bem disposto como já o não víamos há muito. A I. já estava a dormir mas ainda conseguimos conversar um bocadinho antes de voltar com o Sr. M. para a rotunda.
Esta semana voltámos todos para nossas casas um bocadinho mais tarde que o habitual mas muito contentes por ver todos aqueles amigos mais alegres e confiantes.

Maria

quarta-feira, junho 14, 2006

Crónica da Ronda de 11.6. 2006 ("ronda experimental")

Foi assim, que aos 11 de junho inauguramos o 6º percurso do grupo FAS.
Estava eu , Teresa Almeida , a Mónica Claro , a Francisca Andrade e o nosso condutor todo terreno , Joao Bateira.

Eis que este novo percurso teve o primeiro stop na r. Alexandre Herculano onde não encontramos ninguém... Em seguida paramos junto à Zara e contactamos com o sr. J. O sr J recebeu-nos com algum assombro ,ou talvez desconfiança e com a ironia já sábia de quem tem 50 anos e está na rua há 35... Tivemos uma palestra sobre toxicodependencia e o contributo desta para aumentar a empregabilidade dos psicólogos... ( Desculpem a ironia, mas o Homem que tem 3 filhos, vê o mundo ao contrário... comentário da narradora). Ressalvo a surpresa do sr. J ao saber que eramos voluntários...para ele seríamos apenas um grupo que praticava a boa acçao do dia ! Ficamos na expectativa do próximo encontro com este sr...

Em seguida descemos a rua passos Manuel e fomos encontrar o sr. J. O sr J é trabalhador nas obras e em resultado de um acidente em que partiu uma perna ficou imobilizado! Está na rua à espera de ir a Ponte de Lima tratar das coisas para a segurança social... O nosso grupo disponibilizou-se a ir com ele na 2f comprar o bilhete! Espero um final feliz desta história... Fiquei a saber agora que estou a escrever que este sr. está a tratar da documentação para ir para ponte de Lima!
Para a semana com mais noticias, novamente aqui no FAS!
BJiiiiiiiiiiiiiiiiiNS p Todos
Teresa A

[adenda:
de facto, graças à Manela e depois à Mónica e a uma amiga - que o levaram hoje à Loja do Cidadão, o Sr J já vai ter certidão de nascimento que lhe permitirá tirar o BI! se tudo correr bem, nas próximas semanas já poderá deixar a rua e voltar a Ponte de Lima! vamos acompanhar o caso com cuidado e atenção.
joão bateira]

terça-feira, junho 13, 2006

Roupas para Deficientes

Olá a todos!

Espero que estejam todos muiiiiiiiito bem!
:)
Arranjei boleia para enviar umas roupinhas para a tal Instituição de Deficientes, APPACDM, em Setúbal, que vos falei... É a própria directora que vem até cá pelo que vai direitinho para lá! Quem estiver intessado contacte-me por favor o mais depressa possivel! (telemóvel: 96 51 57 487) Os sacos poderão ficar aqui em casa até serem levados. Agradecia que trouxessem a roupa dividida por sexos e idades (criança, jovem, adulto), se tal fôr possivel, é claro! Vejam também o estado de cada peça, já que às vezes não é o mais desejável... Eu própria já fiz isso com as peças que tenho aqui em casa e compensou :)

Manuela já te liguei entretanto mas não consegui apanhar-te! No domingo fui ter directamente com a minha ronda ao local porque já cheguei atrasada, portanto nem deu para te apanhar por lá antes... Se quiseres liga-me e vem cá despejar os sacos! :) Moro na Urbanização das Condominhas, ao pé do Ipanema Park Hotel, na Alameda Manuel de Arriaga, nº66 2ºH5, Lordelo do Ouro. Aparece!

De resto desejo uma semana muito quente para todos!

Beijinhos grandes!
Raquel

segunda-feira, junho 12, 2006

Crónica da Ronda de 11.6. 2006 (Boavista)

Eram 21:30h e nem vivalma! Nunca imaginei uma mobilização tão forte para o futebol. Às 22:10h já havia "cuorum" para a oração inicial. Assim começámos, no dia em que se celebrava a Santíssima Trindade na liturgia eucarística, "em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo". Últimos retoques em termos de equipas para aquele dia, já que tínhamos cozinhado tudo de forma a obedecer à máxima de 5 elementos por ronda. Correu bem!

A ronda da Boavista lá partiu com "A Equipa": Rui, Joana Gomes, Benedita Salinas e eu. Eram 22:30h e subimos em direcção a Damião de Góis, via Ramada Alta. Procurávamos encontrar o sr. B.: Mais um Domingo e, nada. Seguimos em direcção à Faria Guimarães, procurando pelo sr. J. J. Também não estava em lado nenhum. Explorámos o jardim do Marquês e o resultado foi nulo. Ao descer a Constituição, avistámos o sr. J. na esquina com a Faria Guimarães. Eu já tinha estado com ele perto do Cat Oriental, no Inverno, no âmbito da Ronda da Areosa. Ele lembrava-se e comia batatas fritas que lhe tinham dado numa churrasqueira. Falámos um pouco e explicou-nos que dormia num quarto e recebia 200 e tal euros da Segurança Social. Agradeceu muitíssimo o nosso saco, porque estava cheio de fome e não é de "pedinchar muito". Partimos em direcção ao Foco. Encontrámos o M. numa azáfama atrás do dinheiro de quem estacionava. Demos-lhe o saco e desapareceu a correr. Ainda tentámos ir atrás dele mas, quando nos avistou, desapareceu novamente. Ele tem ido ao Cat de Matosinhos, e continua a consumir. Não sabemos, ainda, como é que as coisas estão a correr, a nível de tratamento.

Chegou a altura de ir até ao Bom Sucesso. Junto à J. F. de Massarelos lá estava o sr. P. Aí, por causa das cervejarias, os arrumadores toxicodependentes multiplicam-se. Com ele, tudo na mesma.

Como nos sobravam sacos, combinámos com a Ronda de Santa Catarina, encontrarmo-nos no Aleixo, com eles. Fomos andando e chegámos às 23:40h. Intersectámos o sr. F. no seu caminho para a torre 1 do Bairro do Aleixo. Estivemos com ele até chegar o grupo do sr. Fernando. O sr. F. tem 30 e tal anos, mas já tem 2 filhos e um neto a caminho. Tem muito bom ar e muito boa disposição. (Os elementos d'"A Equipa" também ajudam, claro.) Juntámo-nos aos do grupo do sr. Fernando, levando os kits que nos tinham sobrado. No Aleixo é sempre aquela azáfama. Ontem, na torre 1 estava uma confusão enorme e o trânsito era fantástico: Carros a subir a rua em marcha-atrás, de gás colado... Enfim! Estivemos muito tempo a falar com a D. A., habitante da torre 2 desde o 25 de Abril, altura em que a ocupou. Já é viúva pela segunda vez, tem 80 e tal anos e não parece, minimamente. Dizia o elemento do grupo do sr. Fernando quando lhe dissémos que não tínhamos encontrado dois dos nossos sem-abrigo, que eles acabavam por aparecer todos ali. Qual não foi o nosso espanto quando apareceu, mesmo, o sr. M. do Foco que achou por bem desentender-se connosco e fugir, novamente. Entretanto chegou a ronda de Santa Catarina. Preparávamo-nos para a oração final em conjunto com todos os grupos que lá estavam, quando apareceu o sr. P. Já não o víamos havia algum tempo, mas a história, com ar de novidade, foi a mesma que já me tinha contado em Março... Mais uma vez a Santíssima Trindade deu o mote. Regressámos ao Centro e ainda lá estavam os carros dos da Ronda da Areosa o que indicava que tinha possibilidade de me cruzar com eles à ida para casa. Assim foi: Qual não foi o meu espanto quando avisto a Ronda da Areosa, na rotunda homónima com o sr. J. e o sr. M. de pé. Repito, de pé!!! Nunca ninguém tinha conseguido isto, mas a necessidade urgia, porque a quantidade de pulgas que levávamos connosco depois de deixar o seu sítio, aumentou nesta altura do ano. Isto não podia continuar e aquela era a única solução: Afastá-lo de lá e falar com ele, em pé, algures. O sr. M. ainda nos acompanhou na visita à D. I. Eram 01:45h de Segunda-Feira e a D. I. dormia profundamente. O sr. M. adorou estar ali connosco. Não sabia que a sua amiga I. dormia naquelas condições. Foi, sem dúvida, uma faceta desconhecida do sr. M. que se nos revelou, muito mais salutar que todas as outras, mais bem disposta e altruista. Foi muito bom, mesmo!

A ronda acabou na entrada de Pedrouços, junto à loja dos candeeiros e com a partilha/oração final.

Foi uma ronda das mais diversas que tive. Nem de propósito, quando celebrávamos a Santíssima Trindade e a máxima diversidade, na maior unidade.

Obrigado a todos,

Nuno de Sacadura Botte