Vamos à Aldeia no próximo Domingo, dia 7, e devemos partir às 9:30, no sítio do costume (frente à Igreja NS Fatima). Não se esqueçam do almoço. Quem não for, avise pois se podermos, arrancaremos com novas familias.
Já avisei a malta nova local de que vamos e efectuei uma série de contactos telefónicos.
Bom trabalho, um abraço a todos.
Jorge
Famílias, Aldeias e Sem Abrigo estas são as nossas áreas de acção. Um grupo de jovens do Porto, que no CREU têm uma casa, lançam mãos aos desafios que lhes surgem.
quinta-feira, maio 04, 2006
quarta-feira, maio 03, 2006
Crónica de 30.04.2006 (Batalha + Boavista)
“Poucos mas bons”, os resistentes ao fim-de-semana prolongado deram para os gastos, revezamo-nos bem. Saímos juntos (já perceberam pelo título) as rondas da Batalha e da Boavista.
Primeira paragem no Sr X que, apesar do álcool misturado à esquizofrenia, consegue ter já um discurso que a Mónica ajuda a tornar perceptível ou pelo menos mais fácil de descodificar. Progressos assinaláveis, estamos no bom caminho! Também encontrámos o L que dorme num quarto e continua a arrumar carros por ali – a cocaína não o deixa em paz, psicologicamente muito forte, pelo que diz; avança aos poucos na desintoxicação; promete regresso à antiga vida de técnico superior de contas, mais aprazível, por certo.
Em José Falcão – pelo caminho alguns efusivos adeptos do campeão FCP – encontrámos, como previsto, o P e o H. Por um lado bem dispostos, apesar de ambos benfiquistas, por outro ainda descrentes no apoio social – expectativas de ajuda frustradas, entrevistas adiadas – devemos andar mais atentos para perceber o que falha, se a realidade do funcionamento das instituições, se a versão dos factos.
Em St Catarina tínhamos um Sr D conversador, que é o mesmo que dizer muito carente, e com vontade de uma ida à Segurança Social (!). Estamos a delinear a estratégia, esperamos ter mais sorte que das outras vezes – se entretanto o Sr D não mudar de intenções…
Partimos depois rumo a Damião de Góis ao encontro do Sr. B. Este mostrou-se como sempre muito afável, aceitou de bom grado um café quente e conversou com uma clarividência fora do normal. Antes das despedidas mostrou interessado em tomar um banho, dado o seu já velho interesse em se fazer ao caminho rumo a Espanha “onde se está melhor”, pelo que é necessário encontrar-se asseado. Com um sorriso nos lábios percorremos mais algumas centenas de metros até Faria Guimarães para fazer a última visita da noite, no caso o Sr. JJ. O Sr. JJ encontra-se num período particularmente feliz, diz-nos que espera abandonar a rua em breve, sua “casa” nos últimos dez anos, e arranjar um emprego. Contou que fora visitado pelas assistentes sociais que lhe prometeram desbloquear o rendimento mínimo e arranjar um quarto numa pensão. A “rua” não é pródiga em “happy endings”, mas no fundo todos acreditamos neles.
Rui Mota e João Bateira
Primeira paragem no Sr X que, apesar do álcool misturado à esquizofrenia, consegue ter já um discurso que a Mónica ajuda a tornar perceptível ou pelo menos mais fácil de descodificar. Progressos assinaláveis, estamos no bom caminho! Também encontrámos o L que dorme num quarto e continua a arrumar carros por ali – a cocaína não o deixa em paz, psicologicamente muito forte, pelo que diz; avança aos poucos na desintoxicação; promete regresso à antiga vida de técnico superior de contas, mais aprazível, por certo.
Em José Falcão – pelo caminho alguns efusivos adeptos do campeão FCP – encontrámos, como previsto, o P e o H. Por um lado bem dispostos, apesar de ambos benfiquistas, por outro ainda descrentes no apoio social – expectativas de ajuda frustradas, entrevistas adiadas – devemos andar mais atentos para perceber o que falha, se a realidade do funcionamento das instituições, se a versão dos factos.
Em St Catarina tínhamos um Sr D conversador, que é o mesmo que dizer muito carente, e com vontade de uma ida à Segurança Social (!). Estamos a delinear a estratégia, esperamos ter mais sorte que das outras vezes – se entretanto o Sr D não mudar de intenções…
Partimos depois rumo a Damião de Góis ao encontro do Sr. B. Este mostrou-se como sempre muito afável, aceitou de bom grado um café quente e conversou com uma clarividência fora do normal. Antes das despedidas mostrou interessado em tomar um banho, dado o seu já velho interesse em se fazer ao caminho rumo a Espanha “onde se está melhor”, pelo que é necessário encontrar-se asseado. Com um sorriso nos lábios percorremos mais algumas centenas de metros até Faria Guimarães para fazer a última visita da noite, no caso o Sr. JJ. O Sr. JJ encontra-se num período particularmente feliz, diz-nos que espera abandonar a rua em breve, sua “casa” nos últimos dez anos, e arranjar um emprego. Contou que fora visitado pelas assistentes sociais que lhe prometeram desbloquear o rendimento mínimo e arranjar um quarto numa pensão. A “rua” não é pródiga em “happy endings”, mas no fundo todos acreditamos neles.
Rui Mota e João Bateira
terça-feira, maio 02, 2006
Crónica de 23.4.06 (Boavista)
O grupo começou em N.Sra. de Fátima, um pouco desfalcado, tanto que o Jorge teve que passar para outra ronda.
Como outro grupo já iam visitar o Sr. M., nós partimos logo para Damião de Gois em direcção ao Sr.B. Ali estava ele deitadinho como sempre, no seu sítio novo. Demos-lhe um tapete para pôr debaixo dele para não ter tanto frio e, depois de instalados, lá partimos, com o firme propósito de o levarmos a tomar um banho.
Seguimos para o Sr. J.J. que se encontrava conversador como sempre, e que nos contou mais um pouco da sua vida pessoal. Incentivamo-o a aproximar-se mais da mulher... vamos ver como vai correr!...
De seguida marchámos para o Foco, mas não encontrámos o M.. Vimos vestígios do seu vício no chão, e foi aí que lhe deixámos o saco.
À ida para a Boavista cruzámo-nos com o Z. F., sempre bem amável, que nos contou logo que ia ser avô! Também nos explicou um pouco a sua situação relativamente ao consumo de droga que, ficámos a saber, não era o pior de todos, o que nos esperançou, talvez, um pouco...!
Partimos então rumo ao Convívio, onde voltámos a encontrar-nos com o Sr. J., que continuava com a postura revolta da que tem vindo a ter ao longo dos tempos, o que nos custou a ouvir, mas despedimo-nos dizendo-lhe que podia contar connosco pois passaríamos sempre por ali.
Por fim, cruzámo-nos com o J.P. que nos contou que tinha sido assaltado e que, por isso, nos pediu roupa e sapatos pois andava quase com os pés no chão.
Acabámos a ronda no sítio onde partimos, sem a oração final, por esquecimento de todos...;( Para a próxima faremos e até partilhada!
Um beijo a todos e até domingo,
Ana Barbosa de Carvalho.
Como outro grupo já iam visitar o Sr. M., nós partimos logo para Damião de Gois em direcção ao Sr.B. Ali estava ele deitadinho como sempre, no seu sítio novo. Demos-lhe um tapete para pôr debaixo dele para não ter tanto frio e, depois de instalados, lá partimos, com o firme propósito de o levarmos a tomar um banho.
Seguimos para o Sr. J.J. que se encontrava conversador como sempre, e que nos contou mais um pouco da sua vida pessoal. Incentivamo-o a aproximar-se mais da mulher... vamos ver como vai correr!...
De seguida marchámos para o Foco, mas não encontrámos o M.. Vimos vestígios do seu vício no chão, e foi aí que lhe deixámos o saco.
À ida para a Boavista cruzámo-nos com o Z. F., sempre bem amável, que nos contou logo que ia ser avô! Também nos explicou um pouco a sua situação relativamente ao consumo de droga que, ficámos a saber, não era o pior de todos, o que nos esperançou, talvez, um pouco...!
Partimos então rumo ao Convívio, onde voltámos a encontrar-nos com o Sr. J., que continuava com a postura revolta da que tem vindo a ter ao longo dos tempos, o que nos custou a ouvir, mas despedimo-nos dizendo-lhe que podia contar connosco pois passaríamos sempre por ali.
Por fim, cruzámo-nos com o J.P. que nos contou que tinha sido assaltado e que, por isso, nos pediu roupa e sapatos pois andava quase com os pés no chão.
Acabámos a ronda no sítio onde partimos, sem a oração final, por esquecimento de todos...;( Para a próxima faremos e até partilhada!
Um beijo a todos e até domingo,
Ana Barbosa de Carvalho.
segunda-feira, maio 01, 2006
Crónica de 23.4.06 (Batalha)
A noite estava morna, a Primavera tinha-se esmerado nesse dia…
Quando cheguei ao ponto de partida já quase todas as rondas estavam a partir atarefadas para os seus pontos de chegada…
A Francisca, a Inês, o Jorge M., a Manela, (que mais tarde se nos juntou), e eu formámos um grupo…e lá fomos à busca dos nossos rostos da noite!
A nossa 1ª paragem foi no sr D. (r. de Sta. Catarina). Dormia profundamente: de lado-como uma criança...Apenas o rosto o denunciava: aquela pele de linhas ondulantes como as ondas do mar ou como quem já percorreu muitas ruas concentrando-se ali para alertar: “Vejam as viagens que eu já fiz ainda que nunca fale disso!”
O sr D., como era compreensível, mal conseguiu abrir os olhos para aceitar as meias e o saco que lhe deram!
A nossa 2ª visita foi ao sr X. (Trindade). Encontrámo-lo efusivo e falador (estaria abençoado pelos seus deuses ou demónios?). Recebe-nos sempre com um “Passou bem”. É estranho, (ou não), como do seu mundo ilusório ele consegue sair e construir estes pequenos elos de ligação com o mundo “real”.
Perguntou-nos, repetidamente, por entre um matagal de palavras e frases incompreensíveis, se conhecíamos o Mick Jagger ou visto um homem que costumava usar óculos…
Num determinado momento da visita, travou-se uma conversa paralela entre duas pessoas da equipa. Ele desviou o olhar do meu, levantou o rosto e fixou-o, longamente, no delas, como se dissesse: “Que assunto será assim tão importante?” (Afinal, a coisa mais antiga do mundo é…a curiosidade!!
Houve, ainda, uma altura em que lhe disse: “A minha mãe também é angolana, é da sua terra!” O Sol (emprestado) que tinha na cara desapareceu, de repente, debaixo de um tapete qualquer…Cravou os seus olhos, amendoados, nos meus, num segundo que concentrou uma eternidade, não chorada, de muita tensão…Seria o olhar da saudade?
Talvez a lucidez seja um demónio para o sr X….
A seguir, dirigimo-nos para a zona do Lusitano. Pela 3ª vez, encontrámos o P. que quer sair da droga e espera contar com a ajuda de amigos particulares porque, no seu ponto de vista, algumas instituições do Estado não funcionam… “ Mas não vale a pena se não tiver uma mulher à minha espera!”; e lá nos contou, contente, por ter tanta gente a ouvi-lo que tinha afastado, à paulada, um grupo de rapazes que estava a assaltar e a bater numa jovem , que, numa dessa noites, havia passado aí perto. “Agora, vêm dar-me de comer e isto está quase a dar em casamento!”. O Colega (H.), que estava ao lado, não era o mesmo da semana anterior (contou que o irmão o iniciou nestas lides, era quem o drogava…).
Depois, divertiram-se a ver o que tinham dentro dos sacos e a trocar entre si o aí havia (pareciam crianças traquinas a tentar brincar connosco como sabiam e podiam pelo simples facto de estarmos todos juntos…).
A nossa última paragem foi em Lordelo, juntámo-nos à ronda do Fernando para fazermos em conjunto a oração final. Eu sentia a falta de dar as mãos às pessoas nesse momento (é como se as abraçasse com muita força e elas a mim…). Embaraçada, avisei a pessoa do lado que tinha as minhas mãos besuntadas com leite e café…Ela respondeu com cumplicidade: “As minhas também estão sujas!”
E ali ficámos numa longa roda, de mãos apertadas com muita intensidade, (que delícia), num abraço gigante…Aqui, e acolá, ouvia-se uma voz: “Quem faz a oração?”. Resposta: ouvidos de mercador…Eh eh! Durante alguns minutos: vimos sorrisos rasgados, pessoas com luzes nos olhares a conversarem, a alto e bom som, com a pessoa do lado, havia frescura a pairar no ar…
Descansem…A oração acabou por fazer-se: a Primavera da Vida cantou dentro de nós!
Mónica Claro
Quando cheguei ao ponto de partida já quase todas as rondas estavam a partir atarefadas para os seus pontos de chegada…
A Francisca, a Inês, o Jorge M., a Manela, (que mais tarde se nos juntou), e eu formámos um grupo…e lá fomos à busca dos nossos rostos da noite!
A nossa 1ª paragem foi no sr D. (r. de Sta. Catarina). Dormia profundamente: de lado-como uma criança...Apenas o rosto o denunciava: aquela pele de linhas ondulantes como as ondas do mar ou como quem já percorreu muitas ruas concentrando-se ali para alertar: “Vejam as viagens que eu já fiz ainda que nunca fale disso!”
O sr D., como era compreensível, mal conseguiu abrir os olhos para aceitar as meias e o saco que lhe deram!
A nossa 2ª visita foi ao sr X. (Trindade). Encontrámo-lo efusivo e falador (estaria abençoado pelos seus deuses ou demónios?). Recebe-nos sempre com um “Passou bem”. É estranho, (ou não), como do seu mundo ilusório ele consegue sair e construir estes pequenos elos de ligação com o mundo “real”.
Perguntou-nos, repetidamente, por entre um matagal de palavras e frases incompreensíveis, se conhecíamos o Mick Jagger ou visto um homem que costumava usar óculos…
Num determinado momento da visita, travou-se uma conversa paralela entre duas pessoas da equipa. Ele desviou o olhar do meu, levantou o rosto e fixou-o, longamente, no delas, como se dissesse: “Que assunto será assim tão importante?” (Afinal, a coisa mais antiga do mundo é…a curiosidade!!
Houve, ainda, uma altura em que lhe disse: “A minha mãe também é angolana, é da sua terra!” O Sol (emprestado) que tinha na cara desapareceu, de repente, debaixo de um tapete qualquer…Cravou os seus olhos, amendoados, nos meus, num segundo que concentrou uma eternidade, não chorada, de muita tensão…Seria o olhar da saudade?
Talvez a lucidez seja um demónio para o sr X….
A seguir, dirigimo-nos para a zona do Lusitano. Pela 3ª vez, encontrámos o P. que quer sair da droga e espera contar com a ajuda de amigos particulares porque, no seu ponto de vista, algumas instituições do Estado não funcionam… “ Mas não vale a pena se não tiver uma mulher à minha espera!”; e lá nos contou, contente, por ter tanta gente a ouvi-lo que tinha afastado, à paulada, um grupo de rapazes que estava a assaltar e a bater numa jovem , que, numa dessa noites, havia passado aí perto. “Agora, vêm dar-me de comer e isto está quase a dar em casamento!”. O Colega (H.), que estava ao lado, não era o mesmo da semana anterior (contou que o irmão o iniciou nestas lides, era quem o drogava…).
Depois, divertiram-se a ver o que tinham dentro dos sacos e a trocar entre si o aí havia (pareciam crianças traquinas a tentar brincar connosco como sabiam e podiam pelo simples facto de estarmos todos juntos…).
A nossa última paragem foi em Lordelo, juntámo-nos à ronda do Fernando para fazermos em conjunto a oração final. Eu sentia a falta de dar as mãos às pessoas nesse momento (é como se as abraçasse com muita força e elas a mim…). Embaraçada, avisei a pessoa do lado que tinha as minhas mãos besuntadas com leite e café…Ela respondeu com cumplicidade: “As minhas também estão sujas!”
E ali ficámos numa longa roda, de mãos apertadas com muita intensidade, (que delícia), num abraço gigante…Aqui, e acolá, ouvia-se uma voz: “Quem faz a oração?”. Resposta: ouvidos de mercador…Eh eh! Durante alguns minutos: vimos sorrisos rasgados, pessoas com luzes nos olhares a conversarem, a alto e bom som, com a pessoa do lado, havia frescura a pairar no ar…
Descansem…A oração acabou por fazer-se: a Primavera da Vida cantou dentro de nós!
Mónica Claro
quinta-feira, abril 27, 2006
Crónica de 23.04.2006 (Areosa)
Partida a horas do creu mas com a equipa bastante desfalcada: o Nuno, a Joaninha e eu. Abril é também isto, feriado. Na Blockbuster, ninguém. No edifício embargado da Rua de Santa Justa, longa conversa com o sr. J N (arquitecto sem-abrigo) sobre a casa que este desenhou para o irmão – espaço, construção, problemas de obra, resoluções expeditas. Tão absorvido fiquei que não me apercebi da passagem dos outros inquilinos da estrutura arruinada. Seguiu-se o viaduto da Areosa, o encontro com o sr. M (que agora o largo pilar de betão apelida de “Lumes”), o sr. T e o sr. J adormecido. A conclusão foi junto à D. I, onde mais uma vez me fascinou com o modo como esta usa caixas de cartão para construir o abrigo para cada noite.
A longa conversa com o arquitecto J N – a quem, de resto, devo a colaboração num artigo que escrevi em fevereiro – e a operatividade destas caixas de cartão puseram-me a pensar na lógica do abrigo para sem-abrigo. Partamos da caixa: hoje tenho sorte, esta caixa é grande – espaço; esta semana foi um desastre, com o que choveu as caixas ficaram todas molhadas – impermeabilidade; tenho de a fechar por dentro mas deixar que fique um rasgo para poder respirar – ventilação; hoje não está frio, com um casaquinho aqui dentro acho que vou dormir bem – isolamento térmico; queres uma caixa para ti? hoje há ali várias porreiras... – facilidade de obtenção; veio há bocado dali um moina e eu fui com a caixa para aquele lado – mobilidade. Do discurso da D. I colhem-se várias das características imprescindíveis a uma célula temporária de abrigo a um sem-abrigo.
Devo confessar que sempre fui muito céptico quanto às estruturas que, nos últimos anos, têm enchido as páginas das revistas de arquitectura, dando forma ao conceito contraditório de “abrigo para aquele que não tem abrigo”. Entenda-se por ‘sem abrigo’ não só aquele que ‘não tem abrigo’ mas, frequentemente também, ‘aquele que escolheu a rua como abrigo’ ou ‘aquele que não quer ter abrigo’.
E, se não deixo de ter alguma simpatia por projectos como o da “Casa de bolsillo” de Martín Ruíz de Azúa ou o famoso “paraSITE” de Michael Rakowitz, é talvez porque a sua escala e o seu funcionamento mais próximo do saco-cama e da tenda de campismo do que da roulotte, os leva para o campo do design e não tanto para o da arquitectura. Francamente, é de uma coisa destas que a D. I precisa. Um invólucro com o tamanho das suas caixas de cartão que, durante o dia, possa guardar e transportar num bolso.
Já outros projectos, como o “Homeless Vehicle” de Krzysztof Wodiczko ou o vencedor do Prémio Tektónica 2004, o “AuzProjekt” (www.auzprojekt.com) de três arquitectos da Póvoa de Varzim, me oferecem algumas reservas por confundir, na minha opinião, algumas ideias inerentes à vida na rua. O primeiro parece-me desconfortável: não consigo imaginar os sem-abrigo a passear pelo Porto com a própria casa qual carrinho de supermercado, nem a estacionar a casa debaixo do viaduto da Areosa. O segundo, ao instalar na cobertura das paragens de autocarro um pequeno habitáculo com quarto e wc, parece querer sedentarizar na rua um cidadão que escolheu a rua para ser nómada. Já a “Park Bench House” de Sean Goodsell, ao oferecer a possibilidade de transformar mobiliário urbano numa cama coberta é menos vinculativo e mais sério, ao reduzir os problemas da propriedade.
O facto é que estas propostas estão na moda. A arquitectura está na moda, o voluntariado também, a conjugação dos dois nestes objectos estranhos mas atraentes é perfeitamente natural. É também o resultado do aparecimento dum novo conceito de ‘nómadas urbanos’ que se extende a vários campos da nossa sociedade e de que o “Street Survivor”, videojogo em que uma jovem sem-abrigo de mochila às costas enfrenta os riscos da vida na rua em Melbourne, é apenas um exemplo.
Muitas destas propostas encontram-se em www.we-make-money-not-art.com, mas uma pesquisa por “homeless shelter architecture” num qualquer motor de busca é também bastante diversificada. Chegamos, por exemplo, a um workshop de arquitectura no MIT em outubro de 2005 em que estudantes se servem de materiais usados para construir ‘abrigos para sem-abrigo’. As propostas redundam um pouco nas tipologias que os exemplos anteriores já anunciam – mais tipo tenda ou mais tipo caixa –, mas este caso tem a vantagem de reconhecer na reciclagem um processo urgente, rentável e com um enorme potencial.
É também esta a estratégia que emprega o arquitecto japonês Shigeru Ban, ao construir pavilhões temporários com tubos de cartão para albergar as vítimas do tremor de terra de Kobe, no Japão em 1995. Sistema que foi, de resto, repetido nos abalos de 1999 na Turquia e de 2001 na Índia.
E, na passada semana, ao pedir informações sobre estruturas de madeira lamelada reciclada a um fabricante, fiquei a saber que, no Porto (julgo que nos Carvalhos) foi montada uma laje neste sistema construtivo no interior de um enorme pavilhão para acolher os sem-abrigo durante o último inverno, particularmente rigoroso. A facilidade de montagem deste sistema é tão grande – quase bricolage, segundo o engenheiro da Jular com quem falei – que terão sido os próprios sem-abrigo a montar a estrutura.
Estas soluções, ao apostar no acolhimento colectivo e contrariar a vocação individualista das primeiras propostas, têm a vantagem de colocar os vários sem-abrigo em comunidade, mas não subsistem sem um mínimo de regras, um modelo para operar. E, se funcionam bem em condições especialmente adversas – como o frio do inverno – que as torna a única escapatória possível, provavelmente no dia-a-dia teriam de parte da comunidade dos sem-abrigo uma aceitação bem mais difícil. É um pouco este o destino dos quartos disponíveis na cidade de que grande parte destas pessoas se afasta por as vincular a um horário e a um regime disciplinar que contraria o princípio de liberdade e de ausência de regras que a rua lhes propõe.
E, se um paraSITE pode ser um instrumento extremamente útil para a subsistência de uma pessoa na rua, já um AuzProjekt corre o risco de ser um gadget que favorece e alimenta um tipo de vivência que, em sociedade, nos interessa combater.
Tanto mais quando a sua finalidade passa não tanto pelo apoio aos seus utentes mas antes por uma demonstração da virtuosidade e da capacidade criativa do arquitecto.
A longa conversa com o arquitecto J N – a quem, de resto, devo a colaboração num artigo que escrevi em fevereiro – e a operatividade destas caixas de cartão puseram-me a pensar na lógica do abrigo para sem-abrigo. Partamos da caixa: hoje tenho sorte, esta caixa é grande – espaço; esta semana foi um desastre, com o que choveu as caixas ficaram todas molhadas – impermeabilidade; tenho de a fechar por dentro mas deixar que fique um rasgo para poder respirar – ventilação; hoje não está frio, com um casaquinho aqui dentro acho que vou dormir bem – isolamento térmico; queres uma caixa para ti? hoje há ali várias porreiras... – facilidade de obtenção; veio há bocado dali um moina e eu fui com a caixa para aquele lado – mobilidade. Do discurso da D. I colhem-se várias das características imprescindíveis a uma célula temporária de abrigo a um sem-abrigo.
Devo confessar que sempre fui muito céptico quanto às estruturas que, nos últimos anos, têm enchido as páginas das revistas de arquitectura, dando forma ao conceito contraditório de “abrigo para aquele que não tem abrigo”. Entenda-se por ‘sem abrigo’ não só aquele que ‘não tem abrigo’ mas, frequentemente também, ‘aquele que escolheu a rua como abrigo’ ou ‘aquele que não quer ter abrigo’.
E, se não deixo de ter alguma simpatia por projectos como o da “Casa de bolsillo” de Martín Ruíz de Azúa ou o famoso “paraSITE” de Michael Rakowitz, é talvez porque a sua escala e o seu funcionamento mais próximo do saco-cama e da tenda de campismo do que da roulotte, os leva para o campo do design e não tanto para o da arquitectura. Francamente, é de uma coisa destas que a D. I precisa. Um invólucro com o tamanho das suas caixas de cartão que, durante o dia, possa guardar e transportar num bolso.
Já outros projectos, como o “Homeless Vehicle” de Krzysztof Wodiczko ou o vencedor do Prémio Tektónica 2004, o “AuzProjekt” (www.auzprojekt.com) de três arquitectos da Póvoa de Varzim, me oferecem algumas reservas por confundir, na minha opinião, algumas ideias inerentes à vida na rua. O primeiro parece-me desconfortável: não consigo imaginar os sem-abrigo a passear pelo Porto com a própria casa qual carrinho de supermercado, nem a estacionar a casa debaixo do viaduto da Areosa. O segundo, ao instalar na cobertura das paragens de autocarro um pequeno habitáculo com quarto e wc, parece querer sedentarizar na rua um cidadão que escolheu a rua para ser nómada. Já a “Park Bench House” de Sean Goodsell, ao oferecer a possibilidade de transformar mobiliário urbano numa cama coberta é menos vinculativo e mais sério, ao reduzir os problemas da propriedade.
O facto é que estas propostas estão na moda. A arquitectura está na moda, o voluntariado também, a conjugação dos dois nestes objectos estranhos mas atraentes é perfeitamente natural. É também o resultado do aparecimento dum novo conceito de ‘nómadas urbanos’ que se extende a vários campos da nossa sociedade e de que o “Street Survivor”, videojogo em que uma jovem sem-abrigo de mochila às costas enfrenta os riscos da vida na rua em Melbourne, é apenas um exemplo.
Muitas destas propostas encontram-se em www.we-make-money-not-art.com, mas uma pesquisa por “homeless shelter architecture” num qualquer motor de busca é também bastante diversificada. Chegamos, por exemplo, a um workshop de arquitectura no MIT em outubro de 2005 em que estudantes se servem de materiais usados para construir ‘abrigos para sem-abrigo’. As propostas redundam um pouco nas tipologias que os exemplos anteriores já anunciam – mais tipo tenda ou mais tipo caixa –, mas este caso tem a vantagem de reconhecer na reciclagem um processo urgente, rentável e com um enorme potencial.
É também esta a estratégia que emprega o arquitecto japonês Shigeru Ban, ao construir pavilhões temporários com tubos de cartão para albergar as vítimas do tremor de terra de Kobe, no Japão em 1995. Sistema que foi, de resto, repetido nos abalos de 1999 na Turquia e de 2001 na Índia.
E, na passada semana, ao pedir informações sobre estruturas de madeira lamelada reciclada a um fabricante, fiquei a saber que, no Porto (julgo que nos Carvalhos) foi montada uma laje neste sistema construtivo no interior de um enorme pavilhão para acolher os sem-abrigo durante o último inverno, particularmente rigoroso. A facilidade de montagem deste sistema é tão grande – quase bricolage, segundo o engenheiro da Jular com quem falei – que terão sido os próprios sem-abrigo a montar a estrutura.
Estas soluções, ao apostar no acolhimento colectivo e contrariar a vocação individualista das primeiras propostas, têm a vantagem de colocar os vários sem-abrigo em comunidade, mas não subsistem sem um mínimo de regras, um modelo para operar. E, se funcionam bem em condições especialmente adversas – como o frio do inverno – que as torna a única escapatória possível, provavelmente no dia-a-dia teriam de parte da comunidade dos sem-abrigo uma aceitação bem mais difícil. É um pouco este o destino dos quartos disponíveis na cidade de que grande parte destas pessoas se afasta por as vincular a um horário e a um regime disciplinar que contraria o princípio de liberdade e de ausência de regras que a rua lhes propõe.
E, se um paraSITE pode ser um instrumento extremamente útil para a subsistência de uma pessoa na rua, já um AuzProjekt corre o risco de ser um gadget que favorece e alimenta um tipo de vivência que, em sociedade, nos interessa combater.
Tanto mais quando a sua finalidade passa não tanto pelo apoio aos seus utentes mas antes por uma demonstração da virtuosidade e da capacidade criativa do arquitecto.
carlos machado e moura at 02:13
quarta-feira, abril 26, 2006
ronda da Páscoa (Areosa)
Por sermos pouquinhos, este Domingo, decidimos juntarmo-nos à ronda da Boavista. Fomos, então, o Nuno, a Maria e a Joanita (da Boavista), para a rua procurar os nossos amigos. O Sr Z, desta vez, não apareceu no creu, de maneira que a primeira paragem, ou melhor, passagem, foi perto do café Convívio. Como n estava lá ngm, fomos ver o Sr. M à estalagem. N sabíamos que o Pedro e a ronda dele já lá tinham ido, por isso foi uma surpresa para o Sr. M esta segunda visita numa só noite. Apesar de n estar a contar por já estar deitadinho na cama, aceitou com um sorriso feliz as amêndoas que a Joana lhe tinha prometido=)..e deixamo-lo a dormir. De volta ao carro, partimos em busca do Sr. B. Tinham-lhe roubado os cobertores (provavelmente a vizinhança que n o quer por la), mas tirou o casaquito de cima da cara e esteve um pouquinho a falar connosco. A Joana voltou a pedir-lhe para ele n se esquecer de usar aquele cantinho só para dormir…o cheiro é realmente muito forte…coitadinho. Voamos de encontro ao Sr. J. A experiência foi incrível. Depois de ter aceite mais um saquinho de amêndoas que a Joana lhe deu=), falou muito, a vontade de n estar sozinho é enorme…maior do que a vontade de conter as lágrimas…chorou ali à nossa frente…agradeceu-nos por sermos o alivio dele…”estes minutinhos que nos dão, vocês podem pensar que não, mas para nós é muito forte…e muito bom”…Depois esteve um pouquinho à procura da medalhita que o Jorge e a ronda dele lhe ofereceram, mas cm n encontrou naquele instante, apenas rezamos com ele um Pai Nosso, na esperança de que estas simples palavras o pudessem aquecer naquela noite fria. A nós aqueceram =).
Ronda da Boavista concluída, partimos em busca dos da ronda da Areosa. Já n prédio, apareceu-nos o Sr. Z e um Sr. Novo, que não conhecíamos. Demos um saquinho a cada um e um cafezinho. O Z deu-me um bilhetinho da T. Diz que está óptima, mandou um beijinho para todos c saudades e agradeceu a ajuda que toda a equipe lhe deu…querida não é?...vamos ver se não tem mais nenhuma recaída…sabemos que de vez em quando, vem ao Porto com o N. Como mais ngm aparecia, fomos directos para a rotunda. Aqui estivemos com o T, que adora conversar connosco e está sempre a falar de futebol, com o Sr. M, que me contou que já n quer saber da ciganinha do seu coração (…=)ai o amor!!!), e com o Sr. J, que se tem revelado cada vez mais bem disposto. Tem vindo sempre ter connosco e toma o café junto do Sr. M. Depois de uns minutinhos de conversa, fomos dar um beijinho à D. I, que tinha a tendinha montada junto do café, mas preparava-se pa voltar para o seu posto, junto à lojinha das fotografias. Claro que a ronda terminou com a célebre frase, que nunca se esquece: “…não é que eu vos esteja a mandar embora”…Mais uma ronda…muitos sorrisos…pelo meio um olhar diferente, lavado, que nos fez pensar na importância que temos, todos nós, para eles. Somos verdadeiros amigos…já repararam?? …e que forma magica de terminar o Domingo de Páscoa…Mil beijinhos**Joana.
Ronda da Boavista concluída, partimos em busca dos da ronda da Areosa. Já n prédio, apareceu-nos o Sr. Z e um Sr. Novo, que não conhecíamos. Demos um saquinho a cada um e um cafezinho. O Z deu-me um bilhetinho da T. Diz que está óptima, mandou um beijinho para todos c saudades e agradeceu a ajuda que toda a equipe lhe deu…querida não é?...vamos ver se não tem mais nenhuma recaída…sabemos que de vez em quando, vem ao Porto com o N. Como mais ngm aparecia, fomos directos para a rotunda. Aqui estivemos com o T, que adora conversar connosco e está sempre a falar de futebol, com o Sr. M, que me contou que já n quer saber da ciganinha do seu coração (…=)ai o amor!!!), e com o Sr. J, que se tem revelado cada vez mais bem disposto. Tem vindo sempre ter connosco e toma o café junto do Sr. M. Depois de uns minutinhos de conversa, fomos dar um beijinho à D. I, que tinha a tendinha montada junto do café, mas preparava-se pa voltar para o seu posto, junto à lojinha das fotografias. Claro que a ronda terminou com a célebre frase, que nunca se esquece: “…não é que eu vos esteja a mandar embora”…Mais uma ronda…muitos sorrisos…pelo meio um olhar diferente, lavado, que nos fez pensar na importância que temos, todos nós, para eles. Somos verdadeiros amigos…já repararam?? …e que forma magica de terminar o Domingo de Páscoa…Mil beijinhos**Joana.
segunda-feira, abril 24, 2006
Aldeia - Crónica da ida a 23.04.06
Igreja de Nossa Senhora de Fátima, 9.30: éramos Oito (joana,são,teresa,benedita,luísa,tiago,nuno e jorge) e partimos mais uma vez para a nossa ronda quinzenal de Candemil.
Por volta das 12.00 os nossos amigos, Tânia e Jorge, juntaram-se a nós com um maravilhoso presunto caseiro que juntámos ao nosso habitual almoço.
Eram as duas da tarde, e partimos para mais uma visita áqueles que já consideramos nossos amigos. Em Bustelo tinha ficado combinado visitar-se um novo caso, de um casal a Sr.ª D.ª M e o Sr. J.. O quadro não podia ser mais negro! A senhora sofre de Alzheimer e ontem, curiosamente, estava completamente lúcida. Contou-me que o marido tinha fracturado o fémur e depois da recuperação hospitalar tinha regressado a casa estando acamado desde essa altura. Este casal está dependente do almoço que um filho lhes leva. Foi duro ver a miséria e decadência humanas, em que os senhores viviam.
No regresso, fui ter com o Jorge e com a Joana que estavam com a Sr.ª D.ª F e o Sr. A.. Surpresa das surpresas, o Sr. A andava numa bela passeata com eles. Maria só visto menina, um verdadeiro espectáculo!
Acrescente-se que, o Padre Manuel Vilar tinha combinado com o Jorge, a visita a um novo caso em Ansiães, o que não foi possível dada a notada e sentida ausência de alguns membros da nossa A-Team.
Desta ida à aldeia ficou-me uma dúvida: até que ponto é que estamos preparados para visitar doentes acamados e não estamos a ilibar de responsabilidades as entidades que deviam cuidar do apoio domiciliário nestas situações? Será um assunto a debater seguramente na próxima reunião do FAS.
beijos/abraços e boa semana
Luísa
Por volta das 12.00 os nossos amigos, Tânia e Jorge, juntaram-se a nós com um maravilhoso presunto caseiro que juntámos ao nosso habitual almoço.
Eram as duas da tarde, e partimos para mais uma visita áqueles que já consideramos nossos amigos. Em Bustelo tinha ficado combinado visitar-se um novo caso, de um casal a Sr.ª D.ª M e o Sr. J.. O quadro não podia ser mais negro! A senhora sofre de Alzheimer e ontem, curiosamente, estava completamente lúcida. Contou-me que o marido tinha fracturado o fémur e depois da recuperação hospitalar tinha regressado a casa estando acamado desde essa altura. Este casal está dependente do almoço que um filho lhes leva. Foi duro ver a miséria e decadência humanas, em que os senhores viviam.
No regresso, fui ter com o Jorge e com a Joana que estavam com a Sr.ª D.ª F e o Sr. A.. Surpresa das surpresas, o Sr. A andava numa bela passeata com eles. Maria só visto menina, um verdadeiro espectáculo!
Acrescente-se que, o Padre Manuel Vilar tinha combinado com o Jorge, a visita a um novo caso em Ansiães, o que não foi possível dada a notada e sentida ausência de alguns membros da nossa A-Team.
Desta ida à aldeia ficou-me uma dúvida: até que ponto é que estamos preparados para visitar doentes acamados e não estamos a ilibar de responsabilidades as entidades que deviam cuidar do apoio domiciliário nestas situações? Será um assunto a debater seguramente na próxima reunião do FAS.
beijos/abraços e boa semana
Luísa
quinta-feira, abril 20, 2006
Aldeia - Partida Domingo (23/04) - 9:30h
Olá a todos,
Vamos à Aldeia no próximo Domingo, dia 23, e devemos partir às 9:30, no sítio do costume (frente à Igreja NS Fatima). Não se esqueçam do almoço. Quem não for, avise pois se podermos, arrancaremos com novas familias. O Joao não vai.
Bom trabalho, um abraço a todos, até logo na reunião geral.
Jorge
Vamos à Aldeia no próximo Domingo, dia 23, e devemos partir às 9:30, no sítio do costume (frente à Igreja NS Fatima). Não se esqueçam do almoço. Quem não for, avise pois se podermos, arrancaremos com novas familias. O Joao não vai.
Bom trabalho, um abraço a todos, até logo na reunião geral.
Jorge
CAMINHADA ANSIÃES 9abril
Não podendo organizar uma Páscoa nas aldeias à imagem do que se fez já em Candemil - e que foi mote na escolha desta aldeia para o arranque do projecto, fizémos com os jovens da terra uma caminhada ao estilo 'marcha da montanha'.
A adesão foi óptima. Conseguimos um grupo de quase 60 pessoas que para quebra-gelo foi dividido em equipes e desafiado a travar conversa sempre com aquele que não conhece. O tema foi a mistura de uma salada de frutas.
Os pontos de reflexão propostos no arranque colocaram-nos perante um objectivo. Perceber porque ali estávamos, o que nos havia motivado, o que esperávamos atingir. E no até ao objectivo, perceber como se caminha. Um jogo de palavras ficou a ecoar e a baralhar: SENTE O QUE SEGUES e não segue o que sentes. O convite a definirmos com clareza objectivos e, no percurso até os ganharmos, sermos capazes de, atentos, saborearmos interiormente os avanços e recuos, as consolações e desolações. Pelo contrário, resistirmos à tentação de desviarmos aqui e ali segundo instintos momentâneos... No pano de fundo a imagem de João Garcia, que alcançou o cume do Evereste!
A confiança no outro foi testada no caminhar na cegueira. Grupos de dois, um vendado guiado por um companheiro. Percebermos que precisamos do outro para ultrapassarmos as nossas limitações e que nesta entreajuda próxima a conversa se intensifica. Muitos pares usaram só a voz como bengala.
Nisto a paisagem ganhava distância e altitude, preponderância porque os aglomerados de casas já haviam ficado para baixo. Então recebemos um Credifone que nos habilitava de 2 créditos a serem gastos com alguém desconhecido.
O campo de futebol cimeiro recebeu a merenda posta em comum. Todos se restabeleceram sob um enevoado que começava a pôr cobro ao sol que até então nos tinha acompanhado. E foi apenas o tempo de arrumar as trouxas para que tudo se precipitasse numa tempestade séria. Plano abortado. Descida rápida até ao primeiro alpendre capaz de nos proteger, onde esperámos que os carros de apoio nos transportassem, enlatados ensopados, para a base.
Aqui concluímos as actividades, numa reorganização improvisada. Também a luz faltou, ao que um cântico a diferentes tempos e sobre chamas invocou o que teria sido uma etape de caminhada com velas. Terminámos com a apresentação de rápidos sketches que os grupos ensaiaram - remetiam para as mensagens trocadas entre os grupos após os primeiros pontos.
Despedidas feitas, ânimos que venceram a chuva, vontade expressa de CAMINHADA ACTOII.
Conseguimos ainda celebrar a Eucaristia de Domingo de Ramos, em NSraFátima, e encher bagagem para a Maior das Semanas.
A adesão foi óptima. Conseguimos um grupo de quase 60 pessoas que para quebra-gelo foi dividido em equipes e desafiado a travar conversa sempre com aquele que não conhece. O tema foi a mistura de uma salada de frutas.
Os pontos de reflexão propostos no arranque colocaram-nos perante um objectivo. Perceber porque ali estávamos, o que nos havia motivado, o que esperávamos atingir. E no até ao objectivo, perceber como se caminha. Um jogo de palavras ficou a ecoar e a baralhar: SENTE O QUE SEGUES e não segue o que sentes. O convite a definirmos com clareza objectivos e, no percurso até os ganharmos, sermos capazes de, atentos, saborearmos interiormente os avanços e recuos, as consolações e desolações. Pelo contrário, resistirmos à tentação de desviarmos aqui e ali segundo instintos momentâneos... No pano de fundo a imagem de João Garcia, que alcançou o cume do Evereste!
A confiança no outro foi testada no caminhar na cegueira. Grupos de dois, um vendado guiado por um companheiro. Percebermos que precisamos do outro para ultrapassarmos as nossas limitações e que nesta entreajuda próxima a conversa se intensifica. Muitos pares usaram só a voz como bengala.
Nisto a paisagem ganhava distância e altitude, preponderância porque os aglomerados de casas já haviam ficado para baixo. Então recebemos um Credifone que nos habilitava de 2 créditos a serem gastos com alguém desconhecido.
O campo de futebol cimeiro recebeu a merenda posta em comum. Todos se restabeleceram sob um enevoado que começava a pôr cobro ao sol que até então nos tinha acompanhado. E foi apenas o tempo de arrumar as trouxas para que tudo se precipitasse numa tempestade séria. Plano abortado. Descida rápida até ao primeiro alpendre capaz de nos proteger, onde esperámos que os carros de apoio nos transportassem, enlatados ensopados, para a base.
Aqui concluímos as actividades, numa reorganização improvisada. Também a luz faltou, ao que um cântico a diferentes tempos e sobre chamas invocou o que teria sido uma etape de caminhada com velas. Terminámos com a apresentação de rápidos sketches que os grupos ensaiaram - remetiam para as mensagens trocadas entre os grupos após os primeiros pontos.
Despedidas feitas, ânimos que venceram a chuva, vontade expressa de CAMINHADA ACTOII.
Conseguimos ainda celebrar a Eucaristia de Domingo de Ramos, em NSraFátima, e encher bagagem para a Maior das Semanas.
segunda-feira, abril 17, 2006
Novos links!
Foram adicionados novos links na coluna da direita! Assim como o Jorge tem feito também vocês devem fazer: enviem-me por e-mail links de sites ou blogs que mereçam a nossa divulgação ou que, simplesmente, gostavam de partilhar.
3ª Crónica de 8/4/2006 (Boavista)
Após um ligeiro atraso na partida, lá fomos nós para mais uma noite que esperávamos que nos trouxesse tantas alegrias como a anterior.
Começamos pelo Sr. M. que nos esperava, desconfortável por passar grande parte destes últimos dias no seu quarto da residencial, devido à sua recente operação. Rapidamente veio a esperança que tudo ia mudar já no dia seguinte após a consulta no Hospital, para a qual o Pedro fez o favor de o levar (espero que tenha corrido tudo bem e que o Sr. M. já ande pelas ruas do Porto a fazer uso do seu passe novo).
De seguida fomos ao Sr. JJ que não estava nos seus grandes dias. Apesar disso tínhamos uma surpresa para ele. Queríamos agradecer-lhe e retribuir o gesto carinhoso que teve para com o nosso grupo a semana passada e juntamo-nos para lhe oferecer uma medalha para que nunca se esqueça de nós. Tiramos ainda uma fotografia do grupo com ele (tal como era o seu desejo), para que nos momentos em que este se sentisse mais só, pudesse olhar para os seus amigos e ter um pouco mais de força para viver, continuando a ser este homem bom.
Seguimos para o Sr. B. que já na sua cama nova nos surpreendeu pelo facto de ter conseguido mudar os seus hábitos de higiene (apesar de todos os seus problemas psíquicos) e estar a conseguir manter o seu local de descanso minimamente limpo (espero que o consiga fazer por muito mais tempo e que os seus vizinhos não o olhem com tanto desprezo).
Fomos depois ao M. que não nos deu muito cartão. Tinha ficado sem “estaminé” e estava a ler um jornal, do qual só tirava os olhos para pegar em mais um pouco de comida. Já nos habituamos à sua variação constante de humor.
Seguimos por fim para o Convívio mas talvez pelo adiantado da hora, já lá não estava ninguém. Encontramos o Sr. A. que tentava arranjar uns trocos para sustentar a família mas que não deixava de nos receber com o grande sorriso de sempre.
Vimos ao fundo um cobertor , aproximamo-nos e... era o JP (que deveria estar no Porto Feliz mas... voltou ). Não quis falar connosco, pediu-nos para não ficarmos ali e nós fomos embora tristes porque sabíamos que se há pessoas que merecem sair daquela triste vida, ele é um deles.
Foi um final de ronda que nos enregelou o coração e que nos fez pedir para que todos estes nossos amigos encontrem o seu caminho e que este espírito e amor de Páscoa, encha os seus e os nossos corações.
Boa Páscoa
Joana Gomes
Começamos pelo Sr. M. que nos esperava, desconfortável por passar grande parte destes últimos dias no seu quarto da residencial, devido à sua recente operação. Rapidamente veio a esperança que tudo ia mudar já no dia seguinte após a consulta no Hospital, para a qual o Pedro fez o favor de o levar (espero que tenha corrido tudo bem e que o Sr. M. já ande pelas ruas do Porto a fazer uso do seu passe novo).
De seguida fomos ao Sr. JJ que não estava nos seus grandes dias. Apesar disso tínhamos uma surpresa para ele. Queríamos agradecer-lhe e retribuir o gesto carinhoso que teve para com o nosso grupo a semana passada e juntamo-nos para lhe oferecer uma medalha para que nunca se esqueça de nós. Tiramos ainda uma fotografia do grupo com ele (tal como era o seu desejo), para que nos momentos em que este se sentisse mais só, pudesse olhar para os seus amigos e ter um pouco mais de força para viver, continuando a ser este homem bom.
Seguimos para o Sr. B. que já na sua cama nova nos surpreendeu pelo facto de ter conseguido mudar os seus hábitos de higiene (apesar de todos os seus problemas psíquicos) e estar a conseguir manter o seu local de descanso minimamente limpo (espero que o consiga fazer por muito mais tempo e que os seus vizinhos não o olhem com tanto desprezo).
Fomos depois ao M. que não nos deu muito cartão. Tinha ficado sem “estaminé” e estava a ler um jornal, do qual só tirava os olhos para pegar em mais um pouco de comida. Já nos habituamos à sua variação constante de humor.
Seguimos por fim para o Convívio mas talvez pelo adiantado da hora, já lá não estava ninguém. Encontramos o Sr. A. que tentava arranjar uns trocos para sustentar a família mas que não deixava de nos receber com o grande sorriso de sempre.
Vimos ao fundo um cobertor , aproximamo-nos e... era o JP (que deveria estar no Porto Feliz mas... voltou ). Não quis falar connosco, pediu-nos para não ficarmos ali e nós fomos embora tristes porque sabíamos que se há pessoas que merecem sair daquela triste vida, ele é um deles.
Foi um final de ronda que nos enregelou o coração e que nos fez pedir para que todos estes nossos amigos encontrem o seu caminho e que este espírito e amor de Páscoa, encha os seus e os nossos corações.
Boa Páscoa
Joana Gomes
quinta-feira, abril 13, 2006
2ª Crónica de 8/4/2006 (Areosa)
Era dia de anos para Ele... Um grande dia, por sinal: Começou de manhã com
a Caminhada do FAS Rondas, na sua vertente de trabalho nas aldeias, que se
prolongou pelo resto do dia. Também por causa do aniversário, o início da ronda começou atrasadíssimo. (Ele aproveita para deixar aqui o pedido de desculpa a todos
os que esperaram e desesperaram.) Na Ronda da Areosa éramos seis: Ele, a
Joana, a Maria, o Daniel, o Tiago e o Carlos. Partímos com o sr. J., que tem
voltado a juntar-se a nós. Desta vez, começámos por ir com ele ao Jardim do Carregal, para buscarmos um pijama que lhe estava prometido.
Correu mal: O pijama não estava lá... Fomos, então, levá-lo a casa da senhora
sua amiga, na Rua de Silva Porto, e seguímos para a Blockbuster das Antas.
Também correu mal: O sr. P. não se encontrava... Démos uma volta pela Alameda Eça de Queirós, onde ele nos disse que pernoitava, e nada. Seguiu-se o prédio da Fernão de Magalhães. Apareceu o sr. J. e o sr. A. O sr. A. tinha estado com a Ronda da Areosa no Domingo anterior e tinha animado muito os FAS Rondas. Neste Domingo levámos-lhe roupa, como ele tinha pedido, mas as peças que arranjámos, não o agradaram nada. Pôs defeitos em tudo: Desanimou-nos muito, principalmente àqueles que tinham estado com ele na semana anterior. Não desistimos e acabámos por ter uma conversa, que ainda se prolongou por umas dezenas de minutos. A seguir era a Rotunda da Areosa. Lá estava o sr. T. sempre animado. Não perdeu a oportunidade de implicar connosco, os três sportinguistas... Entretanto apareceram, de todos os lados, mais uns quatro toxicodependentes, que nos proporcionaram uma "abordagem de entrega de saco e café com leite" que pouco nos agrada. (Vamos ter que alterar a abordagem desta paragem.) Fomos, então, ter com o sr. M. e o sr. J. O sr. M. estava mal disposto. Demorou até nos receber.
Tínhamos mesmo desistido dele, quando o sr. J., que estava a pé, apareceu e veio ter connosco. Estava bastante acelerado, tendo mesmo bebido com alguma sofreguidão dois cafés com leite. Estava sem sono_ dizia ele. Deixámos o viaduto e a rotunda e dirigimo-nos ao Mercado da Areosa. A D. I. não estava no lugar do costume. Tem ficado um pouco antes, do outro lado da rua. Pelo adiantado da hora, já se encontrava envolta em caixas de cartão, sentada e com as pernas encolhidas, como costuma dormir. A ronda acabou, novamente na Blockbuster das Antas, depois de termos acompanhado o sr. P. enquanto se deitava e tirava dos sacos restos de comida e revistas que encontrara no lixo... Fizemos uma oração final diferente, em que alguns partilhámos aquilo que mais nos tinha marcado naquela noite. Pareceu-nos um modelo interessante para adoptar como oração final.
Boa Páscoa e até Domingo. Beijos e abraços,
Nuno Sacadura
a Caminhada do FAS Rondas, na sua vertente de trabalho nas aldeias, que se
prolongou pelo resto do dia. Também por causa do aniversário, o início da ronda começou atrasadíssimo. (Ele aproveita para deixar aqui o pedido de desculpa a todos
os que esperaram e desesperaram.) Na Ronda da Areosa éramos seis: Ele, a
Joana, a Maria, o Daniel, o Tiago e o Carlos. Partímos com o sr. J., que tem
voltado a juntar-se a nós. Desta vez, começámos por ir com ele ao Jardim do Carregal, para buscarmos um pijama que lhe estava prometido.
Correu mal: O pijama não estava lá... Fomos, então, levá-lo a casa da senhora
sua amiga, na Rua de Silva Porto, e seguímos para a Blockbuster das Antas.
Também correu mal: O sr. P. não se encontrava... Démos uma volta pela Alameda Eça de Queirós, onde ele nos disse que pernoitava, e nada. Seguiu-se o prédio da Fernão de Magalhães. Apareceu o sr. J. e o sr. A. O sr. A. tinha estado com a Ronda da Areosa no Domingo anterior e tinha animado muito os FAS Rondas. Neste Domingo levámos-lhe roupa, como ele tinha pedido, mas as peças que arranjámos, não o agradaram nada. Pôs defeitos em tudo: Desanimou-nos muito, principalmente àqueles que tinham estado com ele na semana anterior. Não desistimos e acabámos por ter uma conversa, que ainda se prolongou por umas dezenas de minutos. A seguir era a Rotunda da Areosa. Lá estava o sr. T. sempre animado. Não perdeu a oportunidade de implicar connosco, os três sportinguistas... Entretanto apareceram, de todos os lados, mais uns quatro toxicodependentes, que nos proporcionaram uma "abordagem de entrega de saco e café com leite" que pouco nos agrada. (Vamos ter que alterar a abordagem desta paragem.) Fomos, então, ter com o sr. M. e o sr. J. O sr. M. estava mal disposto. Demorou até nos receber.
Tínhamos mesmo desistido dele, quando o sr. J., que estava a pé, apareceu e veio ter connosco. Estava bastante acelerado, tendo mesmo bebido com alguma sofreguidão dois cafés com leite. Estava sem sono_ dizia ele. Deixámos o viaduto e a rotunda e dirigimo-nos ao Mercado da Areosa. A D. I. não estava no lugar do costume. Tem ficado um pouco antes, do outro lado da rua. Pelo adiantado da hora, já se encontrava envolta em caixas de cartão, sentada e com as pernas encolhidas, como costuma dormir. A ronda acabou, novamente na Blockbuster das Antas, depois de termos acompanhado o sr. P. enquanto se deitava e tirava dos sacos restos de comida e revistas que encontrara no lixo... Fizemos uma oração final diferente, em que alguns partilhámos aquilo que mais nos tinha marcado naquela noite. Pareceu-nos um modelo interessante para adoptar como oração final.
Boa Páscoa e até Domingo. Beijos e abraços,
Nuno Sacadura
segunda-feira, abril 10, 2006
1ª Crónica de 8/4/2006 (Batalha)
Nada melhor do que uma boa ronda para recuperar forças e ânimo e foi isso que aconteceu esta noite.
Depois de um ligeiro atraso, fizemos a oração e partimos, eu, o Bateira e o Pedro Cruz, para a habitual visita ao Sr. D. Qual não foi o nosso espanto quando vimos que ele aceitava tudo a sorrir e sem pôr um único defeito e, pela primeira vez, quando lhe propusemos deixá-lo descansar, ele disse “Não é preciso, tenho tempo...”. Ficámos então à conversa, que nestas situações teima em não surgir (o Sr. D. não trabalha, passa o dia num café), falando do tempo (o tema habitual nestas alturas) e tentando descobrir a idade dele (50 e muitos) e passado um bocado decidimos partir ao encontro do X.
Este, já com muita bebida em cima e com um cheiro indescritível (estamos a pensar passar lá um dia à tarde para o levarmos a tomar um bom banho na casa da rua) tentou falar connosco, mas, como sempre, era difícil percebermos o que dizia.
Seguimos para o Lusitano, mas pelo caminho encontrámos dois arrumadores toxicodependentes, primos, o G., de Leiria e o Z. T., de Vila do Conde, que nos disseram que se inscreveram no Porto Feliz e vão já amanhã à primeira consulta...esperam entrar na Quinta feira. Ficámos muito felizes ao constatar que se encontram cheios de força para deixarem o vício e que têm à espera deles família e amigos que prometem ajudá-los assim que se livrarem da droga. Vamos rezar por eles, para que tenham força e consigam seguir em frente e refazer a sua vida.
No Lusitano, os nossos “amigos” já estavam a dormir, pelo que só lhes deixámos os sacos e umas meias, com a promessa de voltar na próxima semana. Encontrámos um senhor a dormir mais acima, mas mandou-nos embora, “Não preciso da ajuda de ninguém!”.
A caminho da 31 de Janeiro vimos o Filipe, a Mafalda e a Luisa por isso, depois de procurarmos, infelizmente sem sucesso, o Sr. Augusto, que com muita pena nossa voltou para a rua, resolvemos telefonar-lhes (eu e o Pedro) para irmos com eles ao Aleixo. Quando estávamos a ir ter com eles encontrámos o L., nosso antigo sem abrigo, que se envolveu numa violenta discussão com dois homossexuais que, segundo ele, se meteram com ele e que depois vieram falar connosco, levando-o a pensar que nos estavam a incomodar. Foi preciso separá-los com a ajuda do C., um outro sem abrigo que entretanto tinha aparecido a pedir um saco e do Filipe, que veio a correr em nosso auxílio.
Acalmados os ânimos, fomos ao encontro do P. e resolvemos acordá-lo com uma música dos Rolling Stones (o P. é fanático por eles), ideia que ele muito apreciou. Fechou os olhos e cantou baixinho a música toda, deliciado com a surpresa que lhe preparámos.
Seguimos em direcção ao Aleixo, onde também estavam algumas pessoas do grupo do Sr. Fernando e, desta vez com algum custo, conseguimos distribuir a comida toda que tinhamos levado.
Voltei para casa com o coração cheio, com a lembrança de uma noite muito feliz e produtiva em que me senti útil, como há muito tempo não acontecia.
Quero terminar pedindo mais uma vez a Deus pelos nossos amigos que vão entrar no Porto Feliz, para que consigam vencer esta batalha, por todos aqueles que estão na rua e precisam da nossa ajuda, para que lhes consigamos transmitir alegria de viver e de lutar por uma vida melhor e agradecendo também por ter trazido o João e a São de volta às rondas...é muito bom ter-vos de novo connosco.
Boa semana a todos!!!
Inês Bessa
Depois de um ligeiro atraso, fizemos a oração e partimos, eu, o Bateira e o Pedro Cruz, para a habitual visita ao Sr. D. Qual não foi o nosso espanto quando vimos que ele aceitava tudo a sorrir e sem pôr um único defeito e, pela primeira vez, quando lhe propusemos deixá-lo descansar, ele disse “Não é preciso, tenho tempo...”. Ficámos então à conversa, que nestas situações teima em não surgir (o Sr. D. não trabalha, passa o dia num café), falando do tempo (o tema habitual nestas alturas) e tentando descobrir a idade dele (50 e muitos) e passado um bocado decidimos partir ao encontro do X.
Este, já com muita bebida em cima e com um cheiro indescritível (estamos a pensar passar lá um dia à tarde para o levarmos a tomar um bom banho na casa da rua) tentou falar connosco, mas, como sempre, era difícil percebermos o que dizia.
Seguimos para o Lusitano, mas pelo caminho encontrámos dois arrumadores toxicodependentes, primos, o G., de Leiria e o Z. T., de Vila do Conde, que nos disseram que se inscreveram no Porto Feliz e vão já amanhã à primeira consulta...esperam entrar na Quinta feira. Ficámos muito felizes ao constatar que se encontram cheios de força para deixarem o vício e que têm à espera deles família e amigos que prometem ajudá-los assim que se livrarem da droga. Vamos rezar por eles, para que tenham força e consigam seguir em frente e refazer a sua vida.
No Lusitano, os nossos “amigos” já estavam a dormir, pelo que só lhes deixámos os sacos e umas meias, com a promessa de voltar na próxima semana. Encontrámos um senhor a dormir mais acima, mas mandou-nos embora, “Não preciso da ajuda de ninguém!”.
A caminho da 31 de Janeiro vimos o Filipe, a Mafalda e a Luisa por isso, depois de procurarmos, infelizmente sem sucesso, o Sr. Augusto, que com muita pena nossa voltou para a rua, resolvemos telefonar-lhes (eu e o Pedro) para irmos com eles ao Aleixo. Quando estávamos a ir ter com eles encontrámos o L., nosso antigo sem abrigo, que se envolveu numa violenta discussão com dois homossexuais que, segundo ele, se meteram com ele e que depois vieram falar connosco, levando-o a pensar que nos estavam a incomodar. Foi preciso separá-los com a ajuda do C., um outro sem abrigo que entretanto tinha aparecido a pedir um saco e do Filipe, que veio a correr em nosso auxílio.
Acalmados os ânimos, fomos ao encontro do P. e resolvemos acordá-lo com uma música dos Rolling Stones (o P. é fanático por eles), ideia que ele muito apreciou. Fechou os olhos e cantou baixinho a música toda, deliciado com a surpresa que lhe preparámos.
Seguimos em direcção ao Aleixo, onde também estavam algumas pessoas do grupo do Sr. Fernando e, desta vez com algum custo, conseguimos distribuir a comida toda que tinhamos levado.
Voltei para casa com o coração cheio, com a lembrança de uma noite muito feliz e produtiva em que me senti útil, como há muito tempo não acontecia.
Quero terminar pedindo mais uma vez a Deus pelos nossos amigos que vão entrar no Porto Feliz, para que consigam vencer esta batalha, por todos aqueles que estão na rua e precisam da nossa ajuda, para que lhes consigamos transmitir alegria de viver e de lutar por uma vida melhor e agradecendo também por ter trazido o João e a São de volta às rondas...é muito bom ter-vos de novo connosco.
Boa semana a todos!!!
Inês Bessa
sexta-feira, abril 07, 2006
Crónica da ronda de 2.3.2006 (Batalha)
Oração inicial pela Ana Carvalho, que se regista por ser a primeira vez e por ter sido muito ajustada. Fizeram-se as equipas e partimos. As rondas da Batalha e do Bonfim, decidiram partir em separado, ao contrário do que tinha ficado assente na reunião geral. Assim, a ronda da Batalha ficou sem elementos masculinos, pelo que fui acompanhá-las: Eram a Manuela, a Mónica e a Inês; Foram muito simpáticas e boas companheiras de ronda.
A primeira paragem foi na casa da D. R. Trata-se de uma inovação sugerida na última reunião geral, pelo decréscimo no número de paragens nas rondas BBs: Iniciar estas rondas com a visita a uma família. Esta ideia foi muito feliz e bem aceite por todos. A Inês já conhecia a D. R., pois tem-a visitado no âmbito das famílias do FAS Rondas. A D. R. sofre de cancro e tem um gosto enorme em nos receber para falar um pouco do seu dia-a-dia e dos tratamentos que tem feito. Estivémos lá perto de uma hora.
Seguímos para os outros dois sem-abrigo que fazem parte desta ronda e que não são grandes faladores: O sr. D. e o sr. F. O sr. D. lá estava a dormir na rua de Santa Catarina. Acordou connosco, pediu uns sapatos e voltou a adormecer. O que não é de censurar, porque já era tarde. Ficou a promessa de lhe levarmos os sapatos na próxima ronda e partimos à procura do sr. F. Cruzámo-nos com ele no cruzamento da rua de Gonçalo Cristovão com a de Camões. Perto do local onde dorme. Estava bem disposto e com um discurso muito perceptível. Tomou o seu café com leite e pegou no seu saco. Aproximou-se, entretanto, um arrumador que trabalha em frente ao Pérola Negra. Era o sr. L. Notou-se que tem problemas mentais, mas educadamente pediu-nos um café com leite e contou-nos o que fazia e que dormia num quartinho.
Entretanto a Inês lembrou-se de um local onde tinha visto dois sem-abrigo à noite. Trata-se da sucursal do Millennium bcp desactivada, da rua de Ceuta, esquina com a rua José Falcão. (É de salientar a papel social involuntário que o Banco tem desempenhado: São várias as sucursais desactivadas e os espaços de "self-banking" fechados, que servem de abrigo a pessoas que dormem na rua!) Fomos lá e lá estavam o sr. H. e o sr. P., acompanhados por um outro, o sr. A., que não é sem-abrigo, mas que monopolizou a conversa, de forma animada. Eu acabei, mesmo, por me descontrolar um pouco, porque o tema era de nos "tirar do sério".
Acabámos na Sr.ª de Fátima com a oração final. Eu e a Manela, a caminho da casa de cada um, passámos pelos FAS que faziam a ronda da Areosa, pelo que ainda fizémos uma parte dessa ronda. Foi uma ronda polifacetada!
Beijos, abraços e até Domingo de manhã,
Nuno Sacadura
A primeira paragem foi na casa da D. R. Trata-se de uma inovação sugerida na última reunião geral, pelo decréscimo no número de paragens nas rondas BBs: Iniciar estas rondas com a visita a uma família. Esta ideia foi muito feliz e bem aceite por todos. A Inês já conhecia a D. R., pois tem-a visitado no âmbito das famílias do FAS Rondas. A D. R. sofre de cancro e tem um gosto enorme em nos receber para falar um pouco do seu dia-a-dia e dos tratamentos que tem feito. Estivémos lá perto de uma hora.
Seguímos para os outros dois sem-abrigo que fazem parte desta ronda e que não são grandes faladores: O sr. D. e o sr. F. O sr. D. lá estava a dormir na rua de Santa Catarina. Acordou connosco, pediu uns sapatos e voltou a adormecer. O que não é de censurar, porque já era tarde. Ficou a promessa de lhe levarmos os sapatos na próxima ronda e partimos à procura do sr. F. Cruzámo-nos com ele no cruzamento da rua de Gonçalo Cristovão com a de Camões. Perto do local onde dorme. Estava bem disposto e com um discurso muito perceptível. Tomou o seu café com leite e pegou no seu saco. Aproximou-se, entretanto, um arrumador que trabalha em frente ao Pérola Negra. Era o sr. L. Notou-se que tem problemas mentais, mas educadamente pediu-nos um café com leite e contou-nos o que fazia e que dormia num quartinho.
Entretanto a Inês lembrou-se de um local onde tinha visto dois sem-abrigo à noite. Trata-se da sucursal do Millennium bcp desactivada, da rua de Ceuta, esquina com a rua José Falcão. (É de salientar a papel social involuntário que o Banco tem desempenhado: São várias as sucursais desactivadas e os espaços de "self-banking" fechados, que servem de abrigo a pessoas que dormem na rua!) Fomos lá e lá estavam o sr. H. e o sr. P., acompanhados por um outro, o sr. A., que não é sem-abrigo, mas que monopolizou a conversa, de forma animada. Eu acabei, mesmo, por me descontrolar um pouco, porque o tema era de nos "tirar do sério".
Acabámos na Sr.ª de Fátima com a oração final. Eu e a Manela, a caminho da casa de cada um, passámos pelos FAS que faziam a ronda da Areosa, pelo que ainda fizémos uma parte dessa ronda. Foi uma ronda polifacetada!
Beijos, abraços e até Domingo de manhã,
Nuno Sacadura
quinta-feira, abril 06, 2006
Crónica da ronda de 2.3.2006 (Boavista)
Começamos a ronda, com a presença simpática do Sr. José, que assistiu connosco à oração em conjunto. Depois deste sempre bom momento, e de termos andado a vasculhar roupas no CREU, lá partimos.
Desta vez começou de forma diferente: fomos visitar à residencial, o Sr. M. que estava com as dores nas pernas de quem foi operado há pouco tempo e por isso não vê + nada senão as 4 paredes do seu quarto recôndito. Ficou 1 pouco baralhado com tantas caras novas, mas nem por isso deixou de falar connosco.
Em seguida partimos para o Sr. B. Continuava no seu sítio habitual... Chegámos com a ideia fixa de o tirar dali, mas... nunca se sabia!... Qual não foi o nosso espanto quando, 1 min depois de lá estarmos, tínhamos o Sr. B. de pé (de péee!!!) e a mudar a sua “cama”! Conseguimos!! E afinal ficou todo contente!! À saída, cruzamo-nos com 1 vizinho do prédio, a quem tentámos sensibilizar para o facto do Sr. B. ser 1 pessoa com problemas psíquicos e, já agora, pedimos-lhe se conseguiam limpar aquele sítio, para bem de todos (vizinhos, Sr. B. e quem passa...).
Com muita alegria, partimos para o Sr. JJ. Outra surpresa: estava com uns copos a +, coisa que só tinha acontecido 1vez, e por isso talvez + melancólico. Disse-nos que gostava muito de nós, que pensava muito em nós e... tirou- com custo- 1 medalha do bolso que andava consigo há 10 anos e ofereceu-nos!!... Perante a nossa perplexidade, por nunca termos recebido nada de alguém da rua, e algo de tanto valor, insistiu que a guardássemos pois era muito importante que ficássemos com ela.
De coração mesmo cheio, partimos para o Foco onde não encontrámos o M.
Por fim, chegámos ao Bom Sucesso e encontrámos o Sr. A, sempre bem disposto, a verse ganhava algum, para os filhos que dormiam em casa...
Foi uma ronda bem cheia, talvez das melhores até agora!...
Um beijo a todos.
Desculpem a demora, mas com a história do Passo 40 (espectacular!), não deu para escrever antes.
Até domingo!
Ana Carvalho
Desta vez começou de forma diferente: fomos visitar à residencial, o Sr. M. que estava com as dores nas pernas de quem foi operado há pouco tempo e por isso não vê + nada senão as 4 paredes do seu quarto recôndito. Ficou 1 pouco baralhado com tantas caras novas, mas nem por isso deixou de falar connosco.
Em seguida partimos para o Sr. B. Continuava no seu sítio habitual... Chegámos com a ideia fixa de o tirar dali, mas... nunca se sabia!... Qual não foi o nosso espanto quando, 1 min depois de lá estarmos, tínhamos o Sr. B. de pé (de péee!!!) e a mudar a sua “cama”! Conseguimos!! E afinal ficou todo contente!! À saída, cruzamo-nos com 1 vizinho do prédio, a quem tentámos sensibilizar para o facto do Sr. B. ser 1 pessoa com problemas psíquicos e, já agora, pedimos-lhe se conseguiam limpar aquele sítio, para bem de todos (vizinhos, Sr. B. e quem passa...).
Com muita alegria, partimos para o Sr. JJ. Outra surpresa: estava com uns copos a +, coisa que só tinha acontecido 1vez, e por isso talvez + melancólico. Disse-nos que gostava muito de nós, que pensava muito em nós e... tirou- com custo- 1 medalha do bolso que andava consigo há 10 anos e ofereceu-nos!!... Perante a nossa perplexidade, por nunca termos recebido nada de alguém da rua, e algo de tanto valor, insistiu que a guardássemos pois era muito importante que ficássemos com ela.
De coração mesmo cheio, partimos para o Foco onde não encontrámos o M.
Por fim, chegámos ao Bom Sucesso e encontrámos o Sr. A, sempre bem disposto, a verse ganhava algum, para os filhos que dormiam em casa...
Foi uma ronda bem cheia, talvez das melhores até agora!...
Um beijo a todos.
Desculpem a demora, mas com a história do Passo 40 (espectacular!), não deu para escrever antes.
Até domingo!
Ana Carvalho
Crónica da ronda de 2.3.2006 (Areosa)
Começamos, como é habitual, na blockbuster, juntinho do Sr.P. Normalmente temo-lo apanhado cada vez mais revoltado e triste, mas desta vez, punha tudo em causa…a bondade das pessoas, a capacidade que elas têm de dar valor às coisas boas da vida, a solidariedade das instituições, enfim…sentimos que se afasta cada vez mais de nós, quando era suposto acontecer o oposto…contou-nos uma coisa q pode ser boa=)…existe um sitio (acho que em Espanha), onde as pessoas vivem em comunidade e se dão muito bem e onde trabalham (n tenho a certeza, mas penso q na apanha da fruta)…Pelo que ele nos contou, adorou estar lá e n exclui a hipótese de voltar. Depois de um cafezinho bem quente, voámos em direcção ao prédio. O U. já lá estava a nossa espera, muiiiito bem disposto. Adorou que lhe tivéssemos levado chocolate (ovinhos da Páscoa) e como ainda lhe demos um kit kat, foi ao céu e voltou…teve algum tempo a falar connosco…Depois passou a correr o Sr. J (“já tavamos a dormir!!”) e o Sr. A, que nos contou (quase de lágrimas nos olhos) a forma como a família dele o enganou…foi a segunda vez que ele apareceu, p isso, a nós só nos resta esperar para ver como vai tentando organizar a vida, mesmo com estes problemas (é toxicodependente!). Como não vinha mais ninguém, fomos em direcção ao Sr. M, que como n podia deixar de ser, estava muito bem disposto e conversador (até simpático com o J. ele foi!). ficamos a conversar com ele e com o J. que veio para a nossa beira (isto é muito bom, porque aproxima-os um do outro…pode ser q o M. pare de lhe chamar nomes…). Enquanto estávamos n conversa com eles e com o T. e F (que tb têm aparecido por lá), o Nuno e a Manuela foram à I., porque já era muito tarde…Foi uma noite calminha, mas feliz =)…estavam todos muito bem dispostos, à excepção do Sr. P…espero que Deus nos vá mostrando formas de o ajudar a sorrir, de lhe dar esperança…de lhe estender a mão.
Entretanto queria so dizer que na segunda feira, fomos à D.I cantar os parabéns…ela gostou muito…teve foi medo de segurar no bolito, porque achou que as velinhas eram foguetes e iam explodir…hehe…Um beijinho enorme e ate amanha!!**Joana
Entretanto queria so dizer que na segunda feira, fomos à D.I cantar os parabéns…ela gostou muito…teve foi medo de segurar no bolito, porque achou que as velinhas eram foguetes e iam explodir…hehe…Um beijinho enorme e ate amanha!!**Joana
quarta-feira, abril 05, 2006
Caminhada - Aldeia - Partida Domingo (9/04) - 8:30h
Aldeia - Partida Domingo (9/04) - 8:30h
Olá a todos, temos a magnífica caminhada no próximo Domingo, dia 9, e o encontro é às:
8:30 da manhã no sítio do costume (frente à Igreja NS Fatima). Não se esqueçam do almoço para partilhar e da habitual boa disposição. Bom trabalho, um abraço e um sorriso para todos,
Jorge
PS- Às 9:00 em ponto já terão saído todos os carros, por isso se se atrasarem correm o sério risco de não ter boleia... não se atrasem, por favor.
Olá a todos, temos a magnífica caminhada no próximo Domingo, dia 9, e o encontro é às:
8:30 da manhã no sítio do costume (frente à Igreja NS Fatima). Não se esqueçam do almoço para partilhar e da habitual boa disposição. Bom trabalho, um abraço e um sorriso para todos,
Jorge
PS- Às 9:00 em ponto já terão saído todos os carros, por isso se se atrasarem correm o sério risco de não ter boleia... não se atrasem, por favor.
sexta-feira, março 31, 2006
Aldeia - Partida Domingo (2/04) - 9:30h
Olá a todos,
Vamos à Aldeia no próximo Domingo, dia 2, e devemos partir às 9:30, no sítio do costume (frente à Igreja NS Fatima). Não se esqueçam do almoço. O Nuno disse-me que temos já batatas fritas para o almoço, não tragam batatas fritas. Bom trabalho, um abraço a todos,
Jorge
Vamos à Aldeia no próximo Domingo, dia 2, e devemos partir às 9:30, no sítio do costume (frente à Igreja NS Fatima). Não se esqueçam do almoço. O Nuno disse-me que temos já batatas fritas para o almoço, não tragam batatas fritas. Bom trabalho, um abraço a todos,
Jorge
Crónica da ronda de 26.3.006 (Areosa)
Do Creu, rumou-se à IURD da Arca d’Água para deixar um saco no sr. J. Na Blockbuster da Rua da Alegria não havia viv’alma. Predispusémo-nos a regressar. No Edifício embargado do gaveto da Rua de St.ª Justa com Fernão de Magalhães ningúem respondeu à nossa chamada. No viaduto da Areosa, o sr. M estava profundamente consternado pela repetida ausência da Juaninha. “Vocês não me querem dizer mas eu sei que ela está internada”; o sr. J estava tranquilo, como sempre. Apareceu ainda a I e o sr. T, com quem conversei sobre as diferenças entre a construção civil em Portugal e Espanha. “lá o hormigón é feito com terra. aquilo não é areia, não é coisa nenhuma”. Regressámos à Rua da Alegria, que continuava desértica. E ali, orámos.
rezar o pai nosso dentro de olhos alheios foi, pela primeira vez, em nós que o sentimos, a experiência que, enfim, nos faltava. porque rezar a um pai, que dizemos ser nosso, de olhos fechados ou a olhar para o chão não nos exige a espiritualidade que, no fundo, as palavras evocam. pela primeira vez, orámos de olhos dentro de olhos, directamente. passaram as palavras. passaram as ideias religiosas e não religiosas: as pagãs. rezar o pai nosso serve, não só “dizer” o pai que é o nosso, serve para “dizer” o embaraço e a dificuldade que é expressar o amor, de mim para ti. serve para perceber que tens uns olhos muito bonitos e que não, nunca tinha reparado na forma como dizes as coisas, na maneira que os teus lábios se movem. “dizer” o pai nosso, assim, de olhos em olhos, serve para cantar esta paz. serve para lhes dizer que há alguém que se importa. serve para lhes dizer que não haver ninguém à nossa espera nem na rua da alegria nem no interior do dinossauro de betão é a razão imediata que me faz olhar-te assim, para dentro de ti. hoje, alguém perguntou por ti. a tua ausência foi notada por todos e a tua presença requerida imediatamente. de certa maneira, também esse alguém, de debaixo de um viaduto gritante e pestilento, rezou-te um pai nosso, destes que rezamos agora, mas eu olho-te nos olhos. ele, não.
ouvir o sr. T falar da arte que trouxe de Espanha, é rezar ao tal nosso pai, áquele pai, a este. ele ouviu e a oração subiu ao céu.
rezar o pai nosso dentro dos teus olhos é reinventar, para sempre, o “amor”.
rezar o pai nosso dentro de olhos alheios foi, pela primeira vez, em nós que o sentimos, a experiência que, enfim, nos faltava. porque rezar a um pai, que dizemos ser nosso, de olhos fechados ou a olhar para o chão não nos exige a espiritualidade que, no fundo, as palavras evocam. pela primeira vez, orámos de olhos dentro de olhos, directamente. passaram as palavras. passaram as ideias religiosas e não religiosas: as pagãs. rezar o pai nosso serve, não só “dizer” o pai que é o nosso, serve para “dizer” o embaraço e a dificuldade que é expressar o amor, de mim para ti. serve para perceber que tens uns olhos muito bonitos e que não, nunca tinha reparado na forma como dizes as coisas, na maneira que os teus lábios se movem. “dizer” o pai nosso, assim, de olhos em olhos, serve para cantar esta paz. serve para lhes dizer que há alguém que se importa. serve para lhes dizer que não haver ninguém à nossa espera nem na rua da alegria nem no interior do dinossauro de betão é a razão imediata que me faz olhar-te assim, para dentro de ti. hoje, alguém perguntou por ti. a tua ausência foi notada por todos e a tua presença requerida imediatamente. de certa maneira, também esse alguém, de debaixo de um viaduto gritante e pestilento, rezou-te um pai nosso, destes que rezamos agora, mas eu olho-te nos olhos. ele, não.
ouvir o sr. T falar da arte que trouxe de Espanha, é rezar ao tal nosso pai, áquele pai, a este. ele ouviu e a oração subiu ao céu.
rezar o pai nosso dentro dos teus olhos é reinventar, para sempre, o “amor”.
carlos machado e moura at 01:52
quarta-feira, março 29, 2006
1ª Crónica da Ronda de 26/3/2006 (Boavista)
Este domingo a ronda da Boavista estava desfalcada, mas nem por isso com menos força. Assim iniciamos mais uma noite de temporal com mais uma ronda, aquecida por uma amena cavaqueira antes do seu inicio, levando-nos a ganhar forças para mais uma visita aos nossos amigos.
Depois da oração lá partimos munidos de sacos para a primeira paragem no Sr B..
Antes da primeira paragem fomos supreendimos por um telefonema do Jorge a avisar-nos que o Sr J. das alcatifas tinha decidido que não queria mais as nossas visitas de domingo, talvez por isso no último domingo não o encontramos no sítio do costume.
Paramos no Sr. B. e deparamo-nos um estado deplurável do sítio onde dorme, a “cama” estava rodeada de vomitado e um cheiro insuportável. Cada domingo que passa o sítio escolhido para dormir está pior.
“Ralhamos” com o Sr B. e explicamos, mais uma vez, que não podia continuar assim, que tinha de mudar de sítio e ter mais cuidado consigo. Numa tentativa de o convencermos a melhorar de aparência, disse-mos-lhe que já era Primavera, que já era hora do banho tão prometido para a sua partida para Espanha…
À saída combinamos que no próximo domingo levaria-mos novos cobertores e tapetes para uma cama nova, não podemos continuar a deixar o Sr B. dormir naquele sitio.
A segunda paragem foi com o nosso amigo mais falador, o Sr J.J. que se encontrava mais animado que o domingo passado. Tinha estado no Coração da Cidade para ver se lhe arranjam a tal bolsa de emprego, mas parece que vai ser difícil por causa da sua condição física, mas sem desistir disse-nos que ia lá passar esta semana a pressionar!
Contou-nos mais um pouco da sua vida antes de se tornar sem abrigo, explicando-nos como foi parar aquela condição…
Finalmente perguntamos-lhe pela data dos seus anos, ficando desde logo prometida uma festa nesse dia. Os seus olhos brilharam de alegria!
Perdidos na conversa, lá nos despedimos do Sr J.J., que mais uma vez não deixou de nos agradecer as visitas e companhia de domingo, e partimos para o Foco.
Lá encontramos o M. que se contorcia de dores no corpo, talvez do seu maldito vicio, agarrou vorazmente no saco, a fome, como sempre, era grande, não dispensando uns trocos para comida, e mais uma vez a conversa ficou adiada pelas dores, o cansaço e a fome…
Seguimos para a última paragem. No Swing, não encontramos o J.P., ainda é cedo e à pouco movimento na rua., no Bom Sucesso também não encontramos ninguém, deixando os sacos para um novo destino, o Aleixo.
Boa semana, até à reunião.
Benedita Salinas
Depois da oração lá partimos munidos de sacos para a primeira paragem no Sr B..
Antes da primeira paragem fomos supreendimos por um telefonema do Jorge a avisar-nos que o Sr J. das alcatifas tinha decidido que não queria mais as nossas visitas de domingo, talvez por isso no último domingo não o encontramos no sítio do costume.
Paramos no Sr. B. e deparamo-nos um estado deplurável do sítio onde dorme, a “cama” estava rodeada de vomitado e um cheiro insuportável. Cada domingo que passa o sítio escolhido para dormir está pior.
“Ralhamos” com o Sr B. e explicamos, mais uma vez, que não podia continuar assim, que tinha de mudar de sítio e ter mais cuidado consigo. Numa tentativa de o convencermos a melhorar de aparência, disse-mos-lhe que já era Primavera, que já era hora do banho tão prometido para a sua partida para Espanha…
À saída combinamos que no próximo domingo levaria-mos novos cobertores e tapetes para uma cama nova, não podemos continuar a deixar o Sr B. dormir naquele sitio.
A segunda paragem foi com o nosso amigo mais falador, o Sr J.J. que se encontrava mais animado que o domingo passado. Tinha estado no Coração da Cidade para ver se lhe arranjam a tal bolsa de emprego, mas parece que vai ser difícil por causa da sua condição física, mas sem desistir disse-nos que ia lá passar esta semana a pressionar!
Contou-nos mais um pouco da sua vida antes de se tornar sem abrigo, explicando-nos como foi parar aquela condição…
Finalmente perguntamos-lhe pela data dos seus anos, ficando desde logo prometida uma festa nesse dia. Os seus olhos brilharam de alegria!
Perdidos na conversa, lá nos despedimos do Sr J.J., que mais uma vez não deixou de nos agradecer as visitas e companhia de domingo, e partimos para o Foco.
Lá encontramos o M. que se contorcia de dores no corpo, talvez do seu maldito vicio, agarrou vorazmente no saco, a fome, como sempre, era grande, não dispensando uns trocos para comida, e mais uma vez a conversa ficou adiada pelas dores, o cansaço e a fome…
Seguimos para a última paragem. No Swing, não encontramos o J.P., ainda é cedo e à pouco movimento na rua., no Bom Sucesso também não encontramos ninguém, deixando os sacos para um novo destino, o Aleixo.
Boa semana, até à reunião.
Benedita Salinas
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