quarta-feira, março 15, 2006

Aldeia - Partida Sábado (18/03) - 10:00h

Olá a todos,
Vamos à Aldeia no próximo Sábado, dia 18, e devemos partir às 10:00, no sítio do costume. Não se esqueçam do almoço. Bom trabalho, um abraço a todos,
Jorge

terça-feira, março 14, 2006

1ª Crónica da Ronda de 12/3/2006 (Boavista)

A nossa equipa formou-se cedo e depois da entropia inicial, formamos círculo e tudo se organizou num instante (é uma ideia a continuar para a semana!). Partimos, fomos ao Foco, ao encontro de uma pessoa que o Nuno tinha falado. Enquanto uns esperaram em vão, outros pegaram no carro e foram ter com o M. que estava bom, e contente por nos ver: "Era bom que viessem sempre assim cedo!", contou-nos um pouco do seu “historial”. Soube muito bem estar com ele assim desperto.
Paragem seguinte: Sr. B, conseguimos falar-lhe sinceramente em mudar o sítio, (pois a higiene daquele lugar bate recordes!), mas a habitual conversa de “A Galiza tem 4 cidades…” não deixa, para já, muita confiança… No meio da conversa muito nos rimos (em especial a Ana) com vacas, vinhas e espanholas :o)
Fomos ao Sr. JJ, que nos contou que o companheiro do C. também foi preso, além de dialogarmos sobre a recusa do Abrigo da AMI em aceitá-lo, falamos das “Doutoras” que o ajudam, da sua recusa do Porto Feliz, da total ausência de confiança nas instituições de ajuda da cidade “Vá dar banho ao cão e …, mas vocês são boa gente.”. Deu-nos o seu sorriso habitual e fomos Sr. J. As nossas piores expectativas confirmaram-se com a possibilidade de arranjar o quarto a sair defraudada e a amargura e ressentimento que gerou ficaram demonstrados pelo simples levantar a cabeça, voltar a dormir debaixo do saco-cama e apenas responder por monossílabos… Depois de aguardarmos um pouco em silêncio junto a ele, despedimo-nos. Não conseguimos ajudar quem não quer ser ajudado.
Como tínhamos sacos a mais fomos ao Aleixo onde estava o grupo da Areosa e rezamos em conjunto: por eles, por nós e pela noite na rua…

Jorge Mayer

Crónica da Ida à aldeia (05/03)

No passado dia 5 voltámos à aldeia, uma nova oportunidade para
estreitar laços com as gentes de Candemil, tendo esta visita sido
particularmente produtiva. Pelas 10h30 partimos do CREU, chegando bem
a tempo de ultimar os preparativos da reunião com a Tânia e o Jorge,
dois jovens de Murgido que colaboram connosco; nesta ficou decidido
que no próximo dia 9 de Abril iremos realizar um passeio pelas
redondezas de Candemil com os jovens locais, piquenique incluído, isto
como forma de dinamização da aldeia por altura da Páscoa. Seguiu-se o
já "tradicional" almoço partilhado, com a participação especial da
Tânia e do Jorge, interrompido já perto do final pela aparição do
padre Vilar que desde logo nos inquiriu acerca das "prometidas"
acções de formação. Chegou então a hora das visitas: Candemil, Bustelo
e, pela primeira vez, Várzea (um caso novo que envolve um casal muito
necessitado que depende exclusivamente da ajuda de uma filha). Por
volta das 16h30, depois de realizadas as visitas, encontramo-nos no
local do costume e para surpresa geral o Nuno, a Teresa e a Benedita
estavam acompanhados por dois dos filhos da D. Alcina, uma companhia
totalmente inesperada. Resta dizer que as visitas correram muito bem,
sendo de notar que há uma cada vez maior receptividade das pessoas em
relação à nossa presença. Foi com sorriso nos lábios que regressamos
ao Porto.


Rui Mota

segunda-feira, março 13, 2006

3ª Crónica da Ronda de 5/3/2006 (Areosa)

Este Domingo começou novamente na BLockbuster das Antas...n estavamos
a espera d encontrar o Sr. P n rua..mas la estava ele..a ouvir a sua
musiquinha e a espera de moedinhas das pessoas que iam entrando. Tinha
sido um dia dificil para ele...n tinha conseguido fazer dinheiro
nenhum. Disse-nos que quase já nem consumia, que nem isso lhe dava
prazer nesta vida. Contou-nos que a mãe dele lhe disse uma vez que ele
lhe estragou a vida ao nascer. Não é dificil percber porque se sente
ele tão revoltado com o mundo "onde toda a gente é hipócrita e má..".
Ficamos a saber que ele ía a Lisboa esta semana, tentar encontrar um
irmão que não está à espera dele...mesmo que não o encontre, ele vai
porque "um sem abrigo é sempre um sem abrigo, quer seja aqui no Porto
ou em Lisboa"...Caminhamos meio perdidos, rumo ao prédio d Av Fernão
de Magalhães...encontramos o T, bem disposto mas cansado do trabalho
na feira, o Sr. A, novo por aquelas bandas, o Z (resmungão e teimoso
como sempre) e o Sr. J que ficou horas a falar com o Carlos, ou n
tivessem a aqruitectura como paixão comum=)...Soubemos que a T veio
buscar o N ao Porto e levou-o para Viseu, para lee fazer a
desintoxicação...Ficámos muito contentes...vamos ver como correm as
coisas=)...também estivemos com o ucraniano, que nos esteve a dar umas
liçoezinhas de culinária...hehe!! Depois de cafezinhos servidos, fomos
ter com o SR. M e com o Sr. J. Estivemos a cantar com o Sr. M a música
preferida dele..."Quando a cabeça n tem juizo..." do António
Variações...foi mt divertido!!..A animação foi tanta que quase nem
reparavamos que o P se injectava ali ao lado...demos umas calças LEVIS
ao SR. M..."Levis ou Pesadis...tanto faz..." disse ele!!!=)))...Fomos
dar uma saquinho a D. I e estivemos a falar um pouquinho c
ela...enquanto ela nos explicava como abria a porta do café aos
clientes, passou por nós o Sr. J novamente...os passeios nocturnos
dele têm sido cada vez mais, porque ele n consegue dormir, enquanto o
P estiver lá ao lado a injectar-se!!...=(...Foi uma ronda cheia de
sobressaltos..começou de uma forma mais tristinha para nós...mas
terminou em imensa alegria a cantar!!
Até á próxima!!Um beijinho grande**

Joana Simões

sexta-feira, março 10, 2006

2ª Crónica da Ronda de 5/3/2006 (Boavista)

GRANDE RONDA!
Começamos a ronda, em frente à Igreja de Ns Srª de Fátima, todos juntos, como todas as outras rondas.
Depois de 1 poema inspirador, partimos para os amigos “domingueiros”. Mal sabíamos o que nos reservava…
Iniciámos com o Sr. B em Damião de Góis, que, como sempre, se encontrava refastelado, no seu sítio, à nossa espera. Meio metido com ele, conversou connosco na mesma forma confusa, onde nos diz que quer ir para Espanha, quer ir para as freiras, quer ir para a casa do amigo, mas que também está bem ali... Falamos-lhe na mudança de sítio mas, com passividade, disse que não.
Então, partimos para o Sr. J.J. que já tinha 1 saco trazido pelo outro grupo, mas que não deixou de se alegrar por nos ver. No meio da conversa, o Jorge sugeriu-lhe o Abrigo da AMI pois parece-nos que ele é uma das pessoas com o perfil que exigem e… não é que ele ACEITOU!?!?!?.. Disse que na 2ªf já ia fazer o teste da tuberculose e estava disposto a ir ao Abrigo quando quiséssemos, pois gostava muito de voltar a trabalhar e melhorar a sua vida. Mas também confessou que iria ter saudades dos tempos na rua, já lá vão 10 anos - e das pessoas que o ajudam (que ainda são bastantes! Só para verem, ele tem 1 senhora, que vive no prédio em cima, que lhe leva 1 botija todas as noites! E mais, vai-lhe trocando a botija durante a noite para ele não ter frio! inédito!)
Desta forma, saímos de Faria Guimarães, com o coração cheio de esperança!...
Marchámos então rumo ao convívio, onde não parecia estar nenhum dos nossos conhecidos. Encontrámos 2 ucranianos, que tinham vindo há 3 meses para a pesca do bacalhau mas, como o patrão não lhes pagava, estavam, inconformados, a arrumar carros para juntar algum dinheiro para partirem para a sua terra. A 1 deles ainda demos 1 caixa de remédio para a dor de dentes que, ao que parecia, era brutal.
Ao mesmo tempo, apareceu-nos o J P G, com o cabelo rapado, a dizer-nos que estava no projecto de metadona!!!! E que, além dele, estava também o C.! Não podíamos ficar mais contentes! Foi algo que o Rui ainda chegou a dizer, quando lá chegámos e não vimos ninguém, mas alguns de nós não acreditámos. Com isto digo: “felizes os que acreditam sem terem visto!...” Ainda mais contentes, avançámos para o Sr. J. com a ideia fixa de lhe contar a novidade sobre o Abrigo da AMI, que acabaria com a sua angústia. Mas qual não foi o nosso espanto quando, depois de lhe dizermos, ele nos afirmou que, na segurança social, lhe arranjaram uma CASA! Era bom demais para ser verdade. Aquela notícia alegrou-nos imenso, depois de tanto tempo a ver raiva e desespero daquela parte. Combinámos ir esta semana tratar dos documentos e assim, saímos com 1 ânimo ainda maior. Passamos só no Capa Negra a deixar 1 saco que tinha sobrado para o A. e fomos ao CREU. Aí alguns de nós despedimo-nos e fizemos a nossa oração que, + do que nos outros dias, foi de agradecimento!
E à ida para casa fui, com a Mónica e o Manel Coelho ao Foco, para visitarmos o Miguel que, como sempre, esperava sofregamente o nosso saco, embora, ao contrário da última vez, estivesse um pouco acelerado.
Como podem ver, são estas notícias que nos fazem continuar com este projecto em que todos estamos inseridos e que nos fazem andar para a frente e acreditar que é possível mudar e melhorar as coisas e principalmente as pessoas à nossa volta!
Um bjinho e até à reunião,

Ana Barbosa de Carvalho

terça-feira, março 07, 2006

1ª Crónica da Ronda de 5/3/2006 (Batalha)

Amo-te nesta ideia nocturna da luz nas mãos
E quero cair em desuso
Fundir-me completamente.
Esperar o clarão da tua vinda, a estrela, o teu anjo
Os focos celestes que a candeia humana não iguala
Que os olhos da pessoa amada não fazem esquecer.
Amo tão grandemente a ideia do teu rosto que penso ver-te
Voltado para mim
Inclinado como a criança que quer voltar ao chão.

Daniel Faria


Escrevo a que será, provavelmente, a última crónica da ronda da Batalha. O grupo não vai desaparecer, apenas procurar novas paragens. Depois da última noite - e não só por causa da última noite - assim o decidimos.
Desta vez chegámos a uma Alexandre Herculano vazia. Na lage fria dormia, debaixo de um cobertor, o Sr. F, o único residente da Vivenda Silva. Deixámo-lo descansar e esperámos que alguém aparecesse. Assim foi, primeiro a Dona R, desta vez sem o genro, a mesma determinação na cabeça erguida, apontando o café como uma ordem, reclamando o saco antes de qualquer palavra. Outros chegaram, e foram muitos e rápidos: o sr. S trazia um amigo, os ditos flutuantes chegavam aos potes, na confusão uma conversa rápida com o N, a promessa de um novo encontro para conversar com calma, o olhar parecia sincero, entretanto amigos de amigos rapavam os sacos que não conseguimos controlar, o café voava, e quem chegava agora era a espanhola, o companheiro e o Sr. A., o amigo (outrora ilustraram uma reportagem do JN que o Jorge nos mostrou certa ronda), que desataram numa enorme reclamação por não lhes termos guardado sacos, a eles, "os que realmente precisam". Tentámos calmamente explicar que não contávamos com eles ali, que não fizéramos por mal, que por vezes é difícil distinguir quem precisa de quem não precisa do saco, mas a histeria aumentava, "porque nós já estamos aqui há dois anos!", a revolta por pouco não chegou ao insulto tal era a violência do discurso, quando decidimos deixá-los e seguir para a próxima paragem. Entretanto já todos tinham ido embora. Só lá ficaram eles e o Sr. F, que, incrivelmente, ainda dormia.
Seguimos para os Congregados onde encontrámos o mesmo jovem que rezou connosco na semana anterior. Não quis grande conversa, aceitou o último saco, o café, e uns aspegics que trazíamos connosco.
Marcámos encontro com a ronda do Bonfim e decidimos voltar aos Congregados, ainda havia uns sacos e algum café para distribuir. Pelo caminho encontrámos uma senhora cujo nome não fixei, que se dizia vítima de violência doméstica, estava na rua há muito pouco tempo. Convencêmo-la a ir à APAV, pareceu-nos seguir mais animada. Já nos Congregados estivemos com o L (ex-D. João I) e um amigo, que mais uma vez só aceitaram o café. Aparecia entretanto o Sr. O com uma serenidade pouco habitual. Falou com o Manel e, entristecido, reconhecia que muitas vezes era violento no modo de falar, "sabe como é, as drogas alteram uma pessoa". Despediu-se muito agradecido - ficou explicado o mau humor com que muitas vezes o encontrávamos.
De regresso aos carros estacionados em D. João I para a oração final, fomos interrompidos pela actriz da TVI, da qual já devem conhecer a história...explicamos-lhe quem éramos e que não dávamos dinheiro, apenas sacos e café, pelo que se despediu a seguiu o seu errante caminho.
Completámos a oração (!?) e seguimos para Nª Srª de Fátima, onde nos despedimos de mais uma ronda, com esperanças de que novas paragens fossem entretanto encontradas, para conseguirmos chegar aos mais necessitados. Aprendemos que temos que ser meigos e compreensivos quando existe humildade e gratidão do outro lado, mas também duros e exigentes quando encontramos arrogância. Em Alexandre Herculano faltou-nos saber dar o murro na mesa. Com os outros já fomos capazes de criar relações que podem ser frutuosas. Aos poucos vamos endurecendo, sem, no entanto, embrutecer. Trazemos sempre um gesto, um poema guardado para o nosso melhor leitor.

segunda-feira, março 06, 2006

Emmaús

Feira de Solidariedade - Mercado Ferreira Borges
3 a 26 de Março
das 11 às 20h

Livros, Móveis, Roupas, Velharias

sexta-feira, março 03, 2006

3ª Crónica da Ronda de 26/2/2006 (Boavista)

No domindo, de 26 de fevereiro, depois de arrumarmos os sacos todos, reunimo-nos para mais uma oração. onde fomos surpreendidos com mais uma doação semanal. Constatamos que as compotas são guardadas pelos presos, ao pequeno-almoço, para depois dar aos "sem abrigo".

Partimos para mais uma ronda ! A primeira paragem foi em Damião de Góis com o sr B. Ele encontrava-se a dormir, profundamente, mas acabou por acordar para tomar um café quente. Falou-nos da sua vontade de partir para Ourense. Falou-nos, também, acerca de umas freiras que o andam a tentar convencer a sair da vida da rua. Não temos bem a certeza de à quanto tempo é que as freiras vieram falar com ele porque o sr B não tem noção do tempo e baralha-se constantemente.
Tentamos convencê-lo que talvez, seria boa ideia ir fazer uma visita ao sitio que as freiras tinham arranjado para ele.

A segunda paragem foi com o sr J.J. que nos deu , de súbito , uma má notícia. Que o C. tinha sido preso por ter assaltado uma rapariga em plena Santa Catarina, tendo , deste modo , sido apanhado por um policia que passeava à civil. o sr J.J. contou-nos que já suspeitava algo, pois de noite o C. desaparecia e voltava , constantemente , com objectos e outros pertences. O sr J.J., segundo consta , ainda tentou apelá-lo á razão mas sem grande êxito.
Finalmente acabamos por recolher alguns elementos do sr J.J.,que nos pediu , envergonhadamente , roupa.

De seguida , partimos para o Bom Sucesso onde nos deparamos com duas caras novas que ficaram em extase, por verem o café quente e os sacos que tinhamos para oferecer.
Paramos também no sr J que dormia profundamente mas não viemos embora sem antes lhe deixarmos a boa notícia de que o caso , dele, não tinha sido esquecido e que iria ser tratado na segunda-feira.
Ao virmos embora, do bom sucesso, deparamo-nos com mais um sem abrigo , o M que andava a pedir dinheiro para poder voltar à sua terra. O M tentou-nos pedir dinheiro mas nós lá lhe explicamos que só tinhamos um saco de comida para lhe oferecer. Incrédulo , ele aceitou a comida e foi embora a reenvidicar a injustiça do Mundo.
A última paragem foi no Foco com o M que se encontrava desesperado com imensa fome. Demos-lhe um saco e , de seguida , demos-lhe outro . Porque o M já não se alimentava, decentemente, desde sábado apesar de, ironicamente, os bolsos dele estarem recheados de dinheiro. Acabamos por ficar um pouco com o M que nos contou alguns acontecimentos da sua vida e perguntou-nos como é que o nosso grupo funcionava e a que sítios é que costumavamos ir .

Foi com o M que finalizamos mais uma ronda no domingo. Foi uma volta , pela cidade , repleta de histórias surpreendentes e , ao mesmo tempo, tristes .
Para nós é um prazer e um previlégio poder ajudar algumas pessoas com problemas tão distintos e complexos .

Benedita Salinas

2ª Crónica da Ronda de 26/2/2006 (Batalha)

Neste último domingo, após a oração feita pelo Pedro, que nos fez pensar que cada um de nós pode ser uma carta viva de Amor fraterno enviada às pessoas de quem vamos ao encontro, partimos em direcção à r. de Alexandre Herculano.
Na “Vivenda Silva”, conhecemos o F.. Dormia profundamente, embrulhado numa simples manta de algodão e no frio cortante que emanava daquele chão de mármore! É estranho mas o café com leite quente não o cativou.
De um modo natural e afável abriu-nos as portas do seu Eu: “Tenho família mas é como se não tivesse!”; “Trabalho num restaurante: lavo pratos, descasco cenouras, batatas…”; “O que ganho não chega para pagar um quarto!”
Conhecemos, ainda, o sr S., a musicalidade da sua pronúncia transportou-nos para Angola e a sua experiência de vida para os seus desgostos de amor que, em tempos, encontraram consolo no afago da bebida. “Deixei a minha casa e fui para um quarto porque tudo me fazia lembrar aquela relação que não resultou e quando chegava a noite eu não aguentava!”; “Não tive amigos que me ouvissem!”
Por lá, voltou a aparecer o M.. Tem 31 anos anos (misturados com um jeito de puto reguila) e um sorriso desdentado, que não agarra as gargalhadas que dispara e cuja coreografia não se coaduna com as unhas que rói na totalidade…como se lhas tivessem arrancado numa sessão de tortura… O M. dorme num quarto pago pela Assistência Social, vai regularmente ao hospital Magalhães Lemos e está incapacitado para trabalhar…
Os brinquinhos reluzentes da dona R., a contrastarem com o seu longo cabelo negro, não deixaram de marcar presença! Veio, como sempre, acompanhada pelo seu genro. Esta senhora sabe o que quer: é chegar e exigir o saco e café com leite! “Por favor” e “Obrigada” são palavras “Gone with the wind”! Já o seu genro não poderia ser mais diferente dela (embora esta não o pinte com cores suaves!! Aiiii, madre! Será mesmo verdade o que dizem das sogras?!).
Falámos, também, com o sr P. G., dono de uns olhos azuis, enormes que se destacavam naquele vulto alto, em que já só existia pele sobre os ossos…É toxicodependente, tem HIV há muitos anos! Disse-nos a sua idade e com orgulho revelou que já era avô! Perante a nossa cara de espanto logo explicou: “Casei-me aos 15 anos! Sou mais velho que a minha mulher 30 minutos!”.
Quando estávamos quase a partir o F. e o N. vieram ter connosco! O 1.º tem 20 e poucos anos, sorriso fácil, malandro, senso de humor! Protege o amigo, que é deficiente físico e alcoólico, impedindo que o gozem ou lhe batam .“Eu até aprendi técnicas de defesa pessoal!”. Aquele vive numa casa alugada pelo pai e gostaria de estudar Engenharia Mecânica…O que fará neste momento?
Depois de nos cruzarmos com este mar de gente rumámos à r. 31 de Janeiro. Como prevíamos já não estava, aí, a dupla A. & A.: um caso de lealdade à prova de bala! A Segurança Social deve ter-lhes arranjado o tal quarto!
Por fim, parámos nos Congregados: o sr O., arrumador, pessoa de poucas palavras e, por vezes, tempestuoso, estava sereno. Bebeu o seu café e rapidamente voltou ao seu negócio.
O nosso 2º. Sem- abrigo da noite foi o sr P.: um brinde de uma imensa candura concentrada nuns olhos azuis, resignados e dignos, que falaram uma linguagem de uma contínua gratidão face à nossa presença e ao pouco que lhe demos. “Vim trabalhar, há vários anos, para Portugal…Estava apaixonado por uma portuguesa que fugiu com o meu ex-patrão. Era rico. Eu não!”
Voltámos a ver o sr P., (estava animado), que vivia numas escadas do Silo-Alto com o Sr R.. Ocuparam uma casa, na qual, entram com muito cuidado para que os vizinhos não os denunciem.
O V. veio fazer-nos uma curta visita: chegou como uma flecha junto de nós! Engoliu num ápice o café. “Eu sou médium, mas estou só no começo!” E lá partiu mais rápido que o Super-Homem e qual bailarino a desenhar circunferências no ar!
Por aqui terminámos a nossa ronda em conjunto com a do Bonfim que, entretanto, se nos tinha juntado! O Diogo faz a oração final, plena de esperança…O sr P., o ternurento sem-abrigo estrangeiro, também precisou deste conforto…no entanto, reparem nisto: mesmo antes de a começarmos um jovem aproximou-se do nosso círculo para pedir alguma coisa. “Depois da oração”, dissemos. “Também quero participar!”, retorquiu, sem margem para dúvidas! Quando sentiu que podia falar as suas palavras jorraram fervor e lucidez! “Senhor, que o meu filho não caia no mesmo caminho que eu!”

Mónica Claro

quinta-feira, março 02, 2006

Aldeia - Partida Domingo (5/03) - 10:00h

Olá a todos,
vamos à Aldeia no próximo domingo, dia 5, e devemos sair às 10:00.
Em princípio eu não irei, por isso a vicecoordenação orientará "os trabalhos". Temos de começar a pensar no domingo de ramos. Se puderem ir a Várzea era fantástico.
Bom trabalho, um abraço a todos,
Jorge

1ª Crónica da Ronda de 26/2/2006 (Areosa)

No Domingo a generosidade das contribuições assoberbou-nos: As pastelarias deram-nos imenso pão, fora os bolos habituais...; Os reclusos de St.ª Cruz do Bispo juntaram quilos de doses individuais de doces, que lhes dão ao pequeno almoço, e entregaram-nos para distribuirmos. Foi mesmo comovente!

A oração inicial foi pelo Pedro, baseada nas bonitas e cheias, leituras da eucaristia do dia. Estávamos cinco: Joana Simões, Eu, Maria Manuel, Daniel e o pai do Daniel e da Raquel Henriques. (Este nosso convidado tem uma experiência de acompanhamento de pobres em Faro, com 20 anos. A sua companhia valorizou muito a nossa ronda.) Começámos pela Blockbuster, mas não voltámos a encontrar o sr. P. (Deus queira que seja por sempre ter enveredado pela recuperação no Hospital do Conde de Ferreira.) Seguimos para o prédio da Fernão de Magalhães. Lá apareceu ao fundo da rua o sr. J. a correr. Sempre bem disposto levou um saco para ele, outro para a D. A., a companheira, e outro para o sr. Tn. Este estava na Feira de Espinho, montando as tendas, tendo que para lá voltar, de manhã, já com os feirantes, para trabalhar. Uma vida dura de trabalho que achámos por bem compensar com a entrega de um saco pelo sr. J. (Uma atitude a repensar, se calhar.) Transmiti ao sr. J. que o nosso amigo Carlos estava a desenvolver o trabalho para o qual tem contado com a sua ajuda. O sr. J. estava entusiasmado, pois a D. A. estava na eminência de começar uma formação como cozinheira (actividade de que ela muito gosta), tendo em vista um futuro emprego. O N. apareceu a seguir. Deu-nos notícias da T.: Fez a desintoxicação em casa dos pais em Viseu, com a ajuda de medicação, e está muito bem, junto das filhas. Ficámos contentes!

A paragem seguinte foi no viaduto da Areosa. Desta vez ao chamarmos o sr. M. apareceu-nos outro senhor, o sr. Mn., do meio dos cobertores: "Ó M.! Ó M.! Estão aqui uns senhores a chamar por ti." O sr. Mn. tinha vindo de Espanha onde trabalhou para uns indivíduos de etnia cigana que o maltratavam e conservavam o dinheiro. Fugiu e estava ali a dormir, por aquela noite, com o sr. M. O sr. M. lá acordou e congelou a olhar para a Joana. (Mais à frente repetiu algumas fitas por causa da Joana, nada salutares.) A Maria ficou muito tempo a falar com ele, enquanto, por outro lado o sr. Mn. contava as suas desventuras ao Daniel e ao sr. Henriques. Fomos ver o sr. J. no novo pouso, pois o seu loft continua ocupado pelo P. e ele tem algum nojo de lá voltar. A conversa bateu, como sempre, nas mesmas teclas... Já lá tinha um saco da Coração da Cidade que tinha ido buscar e algumas sobremesas lácteas que lhes distribuem outra instituição, que também faz uma ronda ao Domingo. Entretanto apareceu o habitual sr. R., a quem tínhamos prometido um saco para aquele Domingo. Passou o B., a quem também tínhamos prometido umas calças e uns sapatos mas que, incompetentemente, não fomos capazes de reunir antes, para lhe levar. Ainda apareceu o sr. To. que já nos tinha visto no Domingo anterior. Esteve-nos a guardar o carro, mas não foi capaz de se nos dirigir e nós também não o reconhecemos. Neste Domingo lembrei-me que tinha estado com ele na primeira ronda que fiz em Setembro, no jardim, perto da rotunda, onde ele dormia no Verão. Ele gosta muito do Pedro e fartou-se de perguntar por ele. Agora dorme numa casa abandonada, ali perto, dentro de um roupeiro... Esteve em Espanha a trabalhar e voltou antes do Natal. Preparava-se para lá voltar esta semana. Deve ser o sem-abrigo mais bem vestido e higienizado que nós acompanhamos. Não admira não o termos abordado na vez anterior.

Seguimos para a D. I. que já estava aninhada no seu caixote. Por causa da sua vida e da necessidade de tomar medidas enquanto é tempo, cantámos, em conjunto com o sr. Henriques, músicas alusivas do António Variações. Foi muito giro!

Acabámos na Sr.ª de Fátima com a excelente oração final pelo nosso convidado a quem agradeço a honra da sua presença.

FAS para todos,

Nuno de Sacadura Botte.

quarta-feira, março 01, 2006

Crónica da ronda 19.02.2006 (Bonfim)

Estava frio e muita chuva, mas nós estávamos lá, de coração quente (como se diz) e sempre com energia e boa disposição.
Lá fomos nós à Igreja do Bonfim a pensarmos como estaria o Sr.A. Este SA dorme mesmo em frente à Igreja, num local totalmente descampado. A única coisa que o protege da chuva é um plástico… Não muito eficaz!
Já estava a dormir. Mais uma vez não quis conversar connosco, nem aceitou um café quente. Deixamos lá ficar um saco.
De seguida fomos às Finanças, mas mais uma vez não encontramos ninguém. Perguntamos a um Sr. que passeava o seu cãozinho se sabia da existência de algum SA naquela zona. Disse-nos que, efectivamente, existe um SA a dormir numa das portas das Finanças mas que costuma voltar muito tarde… Por volta das 2 das manhã…
Seguimos para a Estação de Campanha. Apenas encontramos um arrumador de carros que não dorme na rua. Aceitou o nosso saco mas rapidamente voltou para o “trabalho”.
Ainda fomos espreitar à praça Vellasquez mas nada!
Seguimos então à procura do P. e do R., já que agora dormem numa casa na Praça da República mas como não nos dizem onde é, o ponto de encontro é perto da Avenida dos Aliados.
O P. e o R. foram ao Corte Inglês preencher um formulário de candidatura a um possível emprego… Vamos ver se conseguem alguma coisa! Estamos a torcer para que sim!!
Enquanto lá estávamos, o Sr. Z. (dorme numa paragem de autocarro) pediu-nos um café e um saco.
Encontramos ainda o Sr. V., romeno que anda à procura de emprego. Com algumas palavras e muitos gestos, lá nos conseguimos entender. Disse que para a semana já não devia passar lá. Era sinal que tinha arranjado emprego.
Rumamos à Praça D. João I na esperança de lá encontrarmos o nosso amigo Sr. M, mas nada, continua fugido. O P. e o R. confirmaram-nos a história da sua apressada fuga. Por onde é que andará o nosso amigo dos puzzles com quem tanto gostávamos de conversar??
Fomos “abastecer” ter com a ronda da Batalha, já que tinham ficado sem sacos. Acabamos por encontrar o L. que iria voltar à Praça D. João I, pois não gostou da atitude da filha da Sra G. (a que o albergou) e ainda o L. (ex-residente da Vivenda Silva, actual residente duma loja perto da Avenida dos Aliados).
Acabamos a ronda no Creu, onde o nosso amigo João nos leu um bonito poema de Sebastião Alba.
Obrigada por estes momentos mágicos!


Raquel Mota

4ª Crónica de 12.02.06 (Bonfim)

Mudamos de nome, mas continuamos os mesmos, cheios de força e de sorrisos para ajudar todos aqueles que encontramos nas nossas noites de Domingo.
Começamos pela Igreja do Bonfim, lá estava o Sr. A.. Pouco falador, aceita o saco mas mais nada.. Diz sempre que está bem e um “até amanhã” que nos deixa desanimados… pode ser que para a próxima semana fale mais.
Próxima paragem: Finanças. Pela segunda vez fomos lá, mas não há sinal de qualquer Sem Abrigo. A ronda estava a saber a pouco…
A caminho da Câmara encontramos o P. e o R. Adoram o Guaraná que trazemos, principalmente o P. que o bebe todo antes de chegar a “casa”.
Encontravam-se bem dispostos e, como sempre, muito conversadores.
Enquanto falávamos com eles passou o L. (ex-residente da Praça D. João I) e a Sra que o albergou em sua casa – a Dona G.. Aceitaram o nosso saco e depois foram ao Café da C. “comprar velas”… Algo que nos deixou pensativos.
De seguida, rumamos à Praça D. João I onde encontramos sempre o Sr. Manuel com quem gostamos tanto de conversar.
Desta vez, ele não estava. Encontramos um Sr. que nos pediu um saco e, ainda, o L. (antes morava na Vivenda Silva) com o P. (um Lisboeta). Estes dois tinham chegado de Espanha e enquanto o 1º iria continuar na Invicta, o 2º pretendia voltar para Lisboa onde morava a sua família (soubemos mais tarde que conseguiu lá chegar!!) Não encontramos mais ninguém..
Foi este L. que nos contou que o nosso querido Sr. M. andava fugido. Rumores constam que se zangou com o seu grande amigo, o outro M., e, por esta razão, não aparece por aquela zona.
Esperemos que a zanga não dure muito!
Juntamo-nos com a ronda da Batalha e partilhamos as novidades da noite que estava quase a acabar.
O João leu-nos um poema de José Tolentino Mendonça e com esperança de que conseguimos ajudar alguém, nem fosse apenas com um sorriso ou uma palavra, seguimos para casa.
Até Domingo!

Raquel Mota

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Crónica da ronda 19.02.2006 (Boavista)

Numa típica noite de Inverno, depois de rechearmos os sacos com bolos e fruta e fazermos a nossa oração conjunta, lá partimos nós para mais uma “missão”.
A primeira paragem foi em Damião de Góis, no Sr. B. Deitado como sempre, lá aceitou um cafezinho, enquanto o questionávamos pelo facto de ainda não ter ido para casa do amigo, onde estaria em maior segurança. Responde-nos sempre que aquele é um bom local e que a sair dali seria para Orense, porque “em Espanha é que é bom”. Depois de tomado um segundo café partimos para Faria Guimarães.
A primeira abordagem ao Sr. JJ foi difícil. Estava escondido por baixo dos cobertores e ao contrário do habitual, não mostrava a cara, nem sequer falava. Após alguma insistência da nossa parte mostrou-se, estava um “farrapo”, era um Sr. JJ que não estávamos acostumados a ver. Tinha estado a beber e as palavras diluíam-se naquela noite, dificultando a nossa conversa. Ele esperava por nós... já esperava pelo Domingo à noite para ter os “jovens” com quem falar. Sentia-se sozinho, muito sozinho como transmitia no seu poema que nos declamava e as lágrimas começavam-lhe a escorrer pela cara. Enquanto isso, o Jorge e a Ana falavam com o C. que esta semana já não dormia lá porque tinha conseguido ir para uma pensão. Ficou por ali com o seu amigo X. a falar das suas aventuras e grandes confusões. Mesmo ao lado o Sr. JJ perguntava-nos “Vocês acreditam em Deus?”. Ele acreditava e como forma de agradecimento pelo “amor, amizade e ajuda” que dizia que lhe levávamos ofereceu a mim, à Miriam e ao Rui uma cruz. São estas pequenas coisas que nos dão força para continuarmos mesmo quando sentimos o nosso coração partir-se aos bocadinhos e a boca a ficar seca de palavras.
Já passava das 0h30 quando nos dirigimos para a Boavista. Pelo adiantado da hora já só estava lá o C. e o Z.F. em busca da última moeda, numa”noite má”. O Z.F. ainda levou um cobertor que lhe estava a fazer falta e enquanto bebia o café deu dois dedos de conversa.
Quando nos aproximamos da bomba de gasolina, lá estava o Sr J. das alcatifas, mas desta vez de pé, à nossa espera, reclamando o nosso atraso. Estava revoltado, “queria uma casa” e segundo ele nem a segurança social o ajudava nem tinha uma estrelinha de sorte. Tentamos que ele lutasse um pouco mais por aquilo que quer e oferecemos-lhe a nossa ajuda, apesar de não ter sido aceite logo à partida.
Já tinham dado as 2 badaladas quando chegamos ao Foco. O M. dormia mas despertou e comeu, comeu...comeu. Não tivemos coragem de o interromper com conversas, só olhar para ele e pensar “foi o saco mais bem entregue da noite”.
Nesta noite muita intensa chegava a casa e pensava “eles precisam de voltar a ter vontade de viver, e isso depende de nós”. Obrigada por esta noite...

Joana Gomes

Crónica da ronda 19.02.2006 (Areosa)

Desta vez o grupo da Areosa encontrava-se um pouco desfalcado, à semelhança, aliás, da ronda em geral, mas com uma pequena particularidade: não estavam presentes os elementos femininos desta ronda. Resultado: um carro só de gajos! Mas rapidamente compreendemos a desvantagem de tal situação: nenhum dos cromos se lembrou de trazer café, tal não é o encosto - “ah, a Joaninha costuma levar”!
Voltando à ronda... a primeira paragem, que efectivamente não o chegou a ser, seria junto à Blockbuster das Antas, no entanto o senhor com o qual se havia combinado encontrarmo-nos na ronda passada não estava no local, pelo que fizemos uma busca rápida pelas imediações, mas sem resultados. De lá, seguimos para o prédio da Fernão Magalhães, o tal abandonado por construtores e entidades camarárias, mas não por aqueles que não teêm um tecto para dormir. Chegados ao local, o pisca-pisca e a buzinadela da praxe, e a resposta pronta, algures do 4º ou 5º andar: “Oi! Vamos descer!”. Primeiro o senhor J, em passo de corrida, simpático e afável como sempre, apressado em ir embora por causa do frio, o que não censurámos. Em seguida, o N, mais um baixinho, do qual não sabemos o nome, mas que passa a vida a resmungar; e ainda uma rapariga, com o ar infeliz de quem tem um vício que a consome todos os dias... Apenas N ficou um pouco a conversar connosco, falou-nos de como continuava a consumir, e da sua determinação em não deixar que a namorada T voltasse àquela vida, após a preciosa ajuda da Joana. Com esta esperança nos deixou, para em seguida aparecer o senhor ucraniano, cheio de sede, que recebeu avidamente o Guaraná (há que fazer a devida publicidade, né?!), e entre um e outro golo, perguntou-nos se haviamos arranjado algum advogado que o pudesse ajudar, ao que respondemos com pesarosa negativa.
Na rotunda da Areosa encontrámos os já habituais sr M e sr J. Felizmente o sr M encontrava-se com visível boa disposição. Durante a conversa muito se lamentou da falta das meninas, obrigando-nos a jurar a pés juntos que as mesmas não se encontravam doentes. Mesmo assim não se mostrou muito convencido, tendo ficado com ar preocupado na hora da despedida. O sr J lá estava, com as habituais queixas “estou farto de estar aqui” e as inevitáveis “arranjei ali um quarto...” e “para a semana é que é!”. Enfim, pouco crentes, mas sempre com esperança, despedimo-nos com os também habituais “esperamos já não o encontrar aqui para a semana!”, “veja lá que no próximo domingo estamos cá outra vez!”. Nos entretantos, passaram algumas caras já conhecidas a perguntar por comida, o que tivemos que negar com bastante pesar, pois os sacos “estavam à conta”.
Por último, fomos ter com a I. Mostrava-se, como quase sempre, com um ar agastado debaixo do sorriso acolhedor. Genuinamente preocupados, insistimos mais uma vez para procurar um outro caminho para a sua vida, conselho recebido com compreensão mas sem a vontade necessária. Disse-nos que algures esta semana iria a casa, pois já deveriam estar preocupados. Despedimo-nos mais uma vez com palavras de encorajamento e amizade.
Terminada a ronda, fizemos a oração perto da casa do Nuno, terminando com um Pai-Nosso debaixo de chuva (este S. Pedro...).

Abraços apertados
Tiago Cabeçadas

5ª Crónica de 05.02.06 (Stª Catarina)

Numa ronda desfalcada dos seus elementos habituais, juntaram-se à Sílvia alguns voluntários, entre os quais eu próprio.
Sta Catarina acima. Primeira paragem: o senhor alemão. Oportunidade para exercitar o inglês, conversámos um pouco com este amigo. Aproveitou a oportunidade para nos perguntar as horas e acertar o despertador, acabando por nos confidenciar que não gostava de ali se encontrar quando surgia o dia, pelo que se levantava cedo.
Em seguida, a casa da d. E e do sr F. Também lá se encontravam o sr L e o sr M. Aproximação complicada, perante os olhares que acompanhavam as perguntas “e a Mafalda e o Filipe?”, lá nos apresentámos, se bem que nunca conseguimos que baixassem completamente a “guarda”. Nem o café aceitaram. Após a conversa possivel, concedemos boleia ao sr M, para a residencial em que agora se encontra, sempre agradecido ao “Filipe que me arranjou este quartinho”.
Finalmente, fomos ter com o sr D. Enquanto ouvíamos (ou não) a sua resmunguice habitual, episódio curioso: aproximou-se senhora de cor, brasileira, simpática, relatando que era amiga do sr D. Vinha pois perguntar-lhe se queria um galão, o que já era um hábito, segundo ela. Acabou por nos dizer que trabalhava “na rua”, e já conhecia o sr D há alguns anos, desde o tempo em que este, noutra rua, observava “as meninas a trabalharem”. Despediu-se com um sorriso, deixando no entanto adivinhar a tristeza que lhe provém da “profissão mais velha do mundo”. Também o sr D lá ficou, um pouco mais aquecido pelo café providenciado.
Após ronda sucinta, acabámos por ser os primeiros a chegar ao Aleixo, onde esperámos um pouco pelos restantes, para fecharmos a noite na habitual oração final.

Abraços apertados
Tiago Cabeçadas

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Crónica da ida à aldeia (18/02)

Sábado partimos atrasados mas com um sorriso enorme para ver o que a aldeia tinha preparado para nós, na reunião que íamos ter.
A reunião correu muito bem, a aldeia propôs-nos muitas áreas em que gostavam do nosso auxílio e alinhamos agulhas. A Maria, a Benedita e o Daniel animaram os jovens de Morgido (eram 4, têm entre 15 e 16 anos) que apareceram e de tarde 3 deles foram connosco visitar as pessoas. O que foi um passo muito importante para nós!
Para almoço foram-nos oferecidas muitas coisas por diversas pessoas, o que fez com que acabassemos o almoço com mais comida do que começamos!!
As visitas correram muito bem (visitamos 7 casas), sentimos que podemos ter margem de manobra para ajudar mais pessoas. Começamos a ter alguns ecos e algumas mudanças de casos a ajudar, mas tudo se resolve pelo melhor.
Ainda provamos o javali da montaria que decorreu durante o dia. Que maravilha (como diria o Pedro)!
Regressamos cedo para preparar o magnífico jantar em casa da Teresa, não sem antes termos executado um "rito iniciático" aos jovens que agora vêm connosco.
Voltaremos no dia 5, e devemos sair às 9:15. [A missa é às 9:30]. Não há aqui gralhas, parece-me que a missa é demasiado cedo para irmos.
Um abraço a todos,
Jorge

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Crónica da ronda 19.02.2006 (Batalha)

Desta vez a chuva não era só ameaça e o frio aparecia junto. Cafés e chás, sacos e roupa prometida, saímos para a Batalha. À nossa espera o N. e o C. aceitaram a comida, o café, e como nada de novo, fugiram de nós, da chuva. Caras novas, o S. e o M. J.. O S. discutira com a mãe, zanga ainda fresca para reconciliação. Conhecia a rua há umas semanas apenas, tempo suficiente, garantiu procurar ajuda na segurança social. (quem falou com o M. J.?). Com eles o M. portista, boné novo, o mesmo sorriso desdentado e aquela alegria inexplicável a ensinar-nos tudo. A roupa, não nos esquecêramos da sua roupa. Sorriso ao quadrado. Partiam com o frio: boa semana!
Mais atrasados chegavam a dona L. e o sogro, o senhor F.. Ofegante, ela, tropeçando em desculpas e reivindicações, aflições serenadas pelas palavras. Uma conversa arrancava-lhe um sorriso - perguntava-se-lhe pelo namorado; ao lado o sr. F. lamentava as tropelias e o mau feitio - "ele é mau!" - do filho, que só tem 3 anos e se chama S., como o S. de cima. Subitamente granizou. Esperámos juntos que parasse. Em frente o prédio fechado, tijolos nas portas e janelas - para onde terão ido os outros? Seguimos, cada um para seu lado: boa semana também!
31 de Janeiro, a rua. Os amigos A. e A. esperavam com novidades: A. tinha ido à segurança social! Porque na sexta as fichas tinham acabado, outra ida, na 2ª, estava já marcada. Objectivo: arranjar quarto e comida para o amigo A. - um exemplo de amizade, não me canso de referir. De olhos sempre muito abertos e brilhantes, contava a iniciativa com empenho. Pelo meio ralhava a A., que nos não dissesse palavrões - a dignidade, quando imposta por um S.A. a outro, tornar-se mais pura, mais alta...Aparecia também o L. regressado de uma estadia nada acolhedora - como não imaginava - não entrara em exigências injustas, preferia a rua, o sossego. Conhecemos o L. de D. Joao I. É para lá que vai voltar, sozinho - perdera-se o rasto ao sr. M. (o das BD), confirmava ele aos colegas do Bonfim que entretanto chevavam com sacos de recurso. (A comida às vezes (demasiadas vezes) é o mais importante para os que vêm ter connosco - já o não é para os que visitamos ao domicílio, onde as palavras contam mais (as nossas, as deles...). Já pudémos abastecer todos, incluíndo o L. (outro L., o que se queixou, assim como o Sr. A., de levar corajosas bastonadas de um polícia) e um amigo. Deixava, no entanto a promessa em forma de aviso (como já antes fizera), ir com o outro para o Porto Feliz. Que a união faça realmente a força, ficamos a torcer por isso. Também a L. e o romeno apareciam entretanto - ou já teriam aparecido antes? Muito antes, aliás (cabeça a minha) já em Alexandre Herculano, sorridentes, apesar de não termos conseguido as sport para o rapaz calçar. Ainda recebem visitas do F. que agora trabalha em Espinho. Do A. é que não sabem - e preferem nem saber. Ficaram com o quarto mal este saiu para Cinfães.
Não encontrámos mais ninguém. Reunimos abrigados em Nª Srª de Fátima. Ouvimos um poema do Alba - que foi jornalista, professor e sem-abrigo em Braga, e onde certo dia um carro lhe trouxe a paz que não conseguiu encontrar no álcool.
Despedimo-nos, meio enregelados - boa semana para nós também! - até dali a oito dias.



Quando nascemos entramos
no nome pela voz dos pais:
- Dinis Albano...
Íntima e sonora identidade.
Chamam-me e volto
a cabeça, dissuadido.
Na voz duma mulher
os nomes são
interiores a nós.
(Na dum polícia, desprendem-se,
como se apenas
os envergássemos).
Um amigo dirige-se-nos,
e as letras do nome
- tu?! - correm de doçura.
Um dia, o nome,
por capricho duma veia ou dum fonema,
ocultamente, esvai-nos.
E por detrás dele,
alheados dos ritos,
nem sabemos da sua
cessação.


Sebastião Alba

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Crónica da ronda 19.02.2006 (Sta. Catarina)

Filipe Mafalda Raquel + Pedro Benedita
7sacos + mt fruta e pão e bolos e compotas (fizémos mts mais sacos com sacosplásticos q havia no carro)

Na paragem do F na trindade encontrámos mais dois novos SA: G português, sotaque espanhol - lá trabalhou - primeiras noites na rua, mas já dormia portanto pouco falou. outro senhor, ucraniano, com uns copos de vinho que dificultaram o pouco que sabia da nossa língua.
F já dormia, simpático mas curtíssimo no agradecimento.
Ainda um casal, C+P, ela dorme numa pensão todas as noites menos domingo, ele em casa do tio - mas domingo faz-lhe companhia na rua... Precisam cobertores e roupa para a semana - Raquel ficou de tratar.

O atraso foi grande e portanto em sta catarina dividimo-nos. Foram a casa do casal que estava furioso - pude ouvi-lo à distância; cá fora na rua M visitou-nos - está na pensão de Álvares Cabral. Precisa de uma canadiana para fazer par com a que tem; está convencido que a SSocial arranja mas se alguem souber...
Pararam tb M+_ que dormem numa casa abandonada na Lapa; esta semana iam à SSocial.
Aqui ainda demos mais uns sacos a pessoas que pararam e andaram...
O P tb já dormia mas ainda meteu shakehand.

Deixámos M na pensão e seguimos numa tentativa frustrada de encontrar alguém numa casa abandonada na Foz.

Aleixo para rematar. Logo ao início uma cena fantástica de uma senhora a guiar uma Espace acompanhada por um homem não com tão bom aspecto. Pelos vistos tb ela ia abastecer, deixou-lhe a chave do carro e tipo super-avozinha correu à torre.. Quando subiu irrompeu pela nossa mala querendo servir-se sozinha; ficámos algo desconcertados, aparentemente não precisaria...
O grupo do Fernando já tinha passado, portanto a afluência foi custosa. Pouco a pouco porém foi tudo o q tínhamos!
Já quase quando partíamos apareceu M que estava furioso com o vandalismo na sua torre e determinado a mostrá-lo! Só pudemos evitar não a torre crítica; descemos mais além, vimos os elevadores de facto cheios da espuma azul dos extintores; para contrabalançar, a bonita imagem do saguão cheio de roupa pelos 14 pisos acima.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Aldeia -Reunião 3a (21/02) das 19:45 às 20:30

Olá a todos, depois da ida à Aldeia, no passado sábado, o grupo das Aldeias vai encontrar-se esta Terça-feira - amanhã -(21 de Fevereiro), no CREU para preencher os relatórios de visita, pôr a par as pessoas que não poderam ir neste sábado, analisar as propostas da aldeia e trocar ideias sobre casos. Vamos outra vez no dia 5 de Março. Até amanhã Jorge